No sábado passado, às 9 horas, estava assim o movimento ao longo do cais da Avenida Tapajós, em Santarém. As imagens falam por si, revelando o abandono de uma economia que caminha graças ao espírito de trabalho do povo amazônico.
No mesmo dia e hora, a imagem da estação rodoviária da mesma cidade. Ninguém, nem cachorro aparecia por lá. Investimento para nada, quando os recursos poderiam ter sido investidos numa ampla e moderna estação fluvial.
Dois momentos na vida de uma cidade ribeirinha da Amazônia, região que abriga a maior bacia hidrográfica do planeta, com estradas naturais que foram largamente utilizadas nos processos de ocupação humana.
Mesmo assim, os chamados planos de desenvolvimento regional viraram as costas para os rios, preferindo a “integração” pelas rodovias. O resultado todos sabemos: estradas imprestáveis, estrangulando a economia e quase inviabilizando a agricultura familiar.
Vi, ao longo da BR-163 e na Transamazônica famílias de agricultores desesperados pela impossibilidade de retirar seus gêneros para as cidades porque o caminhão quase desaparecia na terra frouxa, ao mesmo tempo em que os títulos bancários venciam as datas de pagamento.
Basicamente a produção de alimentos na Amazônia se realiza em municípios ribeirinhos e a economia se transporta maciçamente pelos rios. Essa realidade não cabe nos olhos das “autoridades”, inclusive para um tal de “secretário municipal dos portos”, entidade criada pela prefeita Maria do Carmo (PT), de Santarém.
Passageiros e cargas embarcam e desembarcam da maneira mais rudimentar, sem um terminal fluvial ainda que modesto. Quando os rios secam, a movimentação é mesmo dentro da lama que margeia as bordas dos rios onde as embarcações encostam.
Ora, se as estradas são boas e necessárias para o Brasil, e, sendo a Amazônia Brasil, que se desperdice o potencial natural de transporte por veredas lamacentas ou empoeiradas, para gáudio dos fabricantes de carro.
(*) Jornalista, Professor e morador em Belém

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