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quinta-feira, 28 de maio de 2015

'É o fim de um império', diz jornalista que denunciou corrupção na Fifa

UOL 

Autor de vários livros sobre a corrupção na Fifa e em outras organizações esportivas, além de colaborador do FBI nas investigações que levaram à prisão de sete membros da Fifa nesta quarta-feira, o jornalista Andrew Jennings está eufórico com o desdobramento do caso. Em entrevista ao UOL Esporte, ele foi direto: 

"Penso que a coisa importante que fica de hoje (ontem) é o fim da Fifa como conhecemos. (João) Havelange levou o crime organizado à Fifa e ele perdurou desde 1974 até agora. É o fim de um império. Todos os impérios caem. Foi assim com o britânico, com o francês. Até os portugueses tiveram de sair do Brasil. O império da Fifa terminou hoje (ontem)". 

Satisfeito com o que aconteceu na Suíça, Jennings tem a certeza de que escândalos ainda maiores virão à tona ao longo das próximas semanas, meses e anos, e que as prisões em Zurique são apenas a ponta do iceberg. Ele acredita que os nomes de Ricardo Teixeira e João Havelange aparecerão em breve nas investigações. 

"Apenas espere. É uma longa e abrangente investigação. Eles vão chegar ao nome do Teixeira. Espere. Há muito mais coisa vindo. Isso não termina hoje. Vão pegar o Teixeira. Mas se não o pegarem, os brasileiros deveriam prendê-lo por todos os crimes que ele cometeu contra o futebol", afirmou. 

Para Jennings, as investigações envolvendo pagamento de propinas referentes à Copa do Mundo de de 2014 deve ser muito mais um problema interno do Brasil, uma vez que o país não teve concorrência para receber o evento. 
Andrew Jennings

"Não tinha competição. A investigação deve ser feita no Brasil. Está tudo cercado de corrupção", disse o autor e jornalista, que perdeu a conta de quantos telefonemas recebeu e entrevistas concedeu ao longo de toda a quarta-feira. 

Joseph Blatter, presidente da Fifa desde 1998 e favorito absoluto para a eleição prevista para esta sexta-feira, não escapou da língua feroz de Jennings. Após as prisões, o cartola divulgou um comunicado dizendo apoiar as investigações e que tem como objetivo deixar a entidade livre de comportamentos que manchem a sua imagem. 

"Penso que Sepp Blatter mente desde que o dia nasceu. Ele é o chefe da corrupção por mais de 15 anos. Ele trabalhou em prol de Teixeira, ajudando Teixeira. Não faz sentido soltar este comunicado". 

"A eleição de Sepp Blatter (nesta sexta-feira) não faz sentido. Quem se importa com isso?", completou Jennings. 

O jornalista disse ainda que este caso se arrastará por anos, até que todos os investigados parem atrás das grades. 

"Vai levar anos. Vai levar tempo para apurarem as coisas na Suíça, depois irão para os Estados Unidos. Muitas evidências virão à tona nos tribunais, durante o julgamento. Depois passarão um longo tempo na prisão", completou.

terça-feira, 17 de março de 2015

Milan à venda

Tailandês tenta comprar o Milan e planeja retorno de Seedorf e Maldini 

Globo.com 

A crise financeira e esportiva do Milan pode estar perto do fim. Bee Taechaubol, conhecido como "Mister Bee", pode ser o salvador de um dos clubes com mais títulos da história do futebol mundial. 

O empresário tailandês esteve em Milão duas vezes, se reuniu com o atual proprietário do clube, Silvio Berlusconi, e está interessado em comprar cerca de 25% a 30% das ações do emblema italiano por € 250 milhões (R$ 750 milhões). 

As negociações avançaram nas últimas semanas e as duas partes já teriam assinado um pré-acordo. Bee teria comunicado a Berlusconi os seus objetivos para o novo Milan e sugerido inclusive alguns nomes para formar a nova diretoria para o clube. 

Segundo o jornal “La Repubblica”, a intenção do empresário seria começar por uma minoria das ações, até porque Berlusconi não quer ainda ouvir falar na hipótese de ceder completamente o emblema que governa há quase 30 temporadas, mas com o decorrer dos anos escalar posições para se tornar no acionista majoritário do clube. 

Inicialmente, o empresário aceitaria injetar o dinheiro, mas em troca pediria uma parte do poder esportivo de um clube com grande apelo no continente asiático. Para isso, pelo que o GloboEsporte.com apurou, Bee Taechaubol pondera trazer os ex-jogadores Paolo Maldini e Clarence Seedorf de volta para o Rubro-Negro italiano. 

A ideia seria transformar o ex-defensor no novo diretor esportivo - cargo atualmente ocupado por Adriano Galliani -, enquanto o ex-meio-campista do Botafogo regressaria ao time que treinou na temporada passada e com o qual ainda tem um vínculo contratual, mas desta vez com a função de dirigente.

Seedorf e Bee Taechaubol aliás se conhecem muito bem, porque foi o tailandês quem criou o “Global Legends Series”, promovendo partidas beneficentes em países asiáticos entre velhas glórias do futebol mundial.
Seedorf e outros ex-jogadores do Milan participaram, por exemplo, no último duelo entre a equipe de Cannavarro e a equipe de Figo em dezembro em Bangkok. 

Procurada pelo GloboEsporte.com, a empresária de Seedorf, Deborah Martin, disse “nada saber” sobre o possível regresso do holandês ao Milan e se negou a prestar mais explicações, alegando o vínculo contratual que ainda liga Seedorf ao seu antigo clube e que proíbe o ex-meia a falar sobre os rossoneri. 

“Guru dos investimentos” 
Não é muito fácil saber mais informações sobre Bee Taechaubol na Europa, porque o empresário é famoso principalmente no seu país e ao largo da costa australiana, onde estudou e fomentou grande parte dos seus investimentos. 

A família de Bee é a proprietária da Country Group, uma empresa líder no setor da construção na Tailândia e Austrália, mas os investimentos de Bee variam desde o setor financeiro, imobiliário, publicidade, telefonia e também futebol, desde a criação do “Global Legends Series”. 

Recentemente, o irmão mais novo de Bee apresentou um projeto de cerca de R$ 3,150 bilhões para a construção do bairro residencial mais luxuoso da história de Bangkok, demonstrando que dinheiro não é um problema para esta família tailandesa, que não é a única interessada em adquirir uma parte das ações do Milan. 

Empresários da China e Singapura também sondaram Berlusconi, que só não venderá o clube se não quiser.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Um quadro mais do que previsto

Copa: Prejuízo de 'elefantes brancos' já supera R$ 10 milhões 

BBC Brasil 
Arena das Dunas - Natal 


O prejuízo de três "elefantes brancos" da Copa - os estádios Mané Garrincha (Brasília), Arena Amazônia (Manaus) e Arena Pantanal (Cuiabá) - para os respectivos contribuintes já atingiu pelo menos R$ 10 milhões desde o fim do Mundial, indica um levantamento feito pela BBC Brasil. Os dados, de difícil acesso, são incompletos e portanto a conta é uma estimativa. Após três meses de contato com governos e administração dos arenas, a busca iniciada em dezembro não obteve um resultado exato para o balanço (custo de manutenção x arrecadação mensal) desses estádios desde o fim da Copa do Mundo. 

A BBC Brasil procurou obter também informações sobre o quarto "elefante branco" do torneio, a Arena das Dunas, de Natal - sem sucesso. Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília não são cidades com tradição no futebol. Por isso, ao serem escolhidas como sede da Copa do Mundo, despertaram críticas pelo alto investimento público em estádios que corriam risco de ficar sem uso. 

A maior dificuldade na busca pelas informações foi a de conseguir respostas com números exatos. Em Brasília, não se sabia quanto o Mané Garrincha custava por mês; na Arena das Dunas, esse valor é desconhecido até hoje; Cuiabá e Manaus foram os únicos que forneceram a informação algumas semanas depois que ela foi solicitada. 

Sobre o valor da arrecadação, ele ainda não havia sido calculado até o fim do ano passado pelos governos responsáveis pela construção dos estádios. 

Passada a troca dos governadores no início deste ano. A BBC Brasil solicitou novamente as mesmas informações às novas administrações de cada Estado. 

Com exceção da Arena da Amazônia, os outros três estádios estão passando por auditoria para investigar possíveis irregularidades nas contas, que pode indicar o valor real do prejuízo. 

Veja a situação de cada estádio:

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

É cuspir na cara do povo brasileiro

Governo atualiza custo dos Jogos e Rio-2016 fica R$ 100 milhões mais cara 

UOL 

A APO (Autoridade Pública Olímpica) atualizou nesta quarta-feira (28) a Matriz de Responsabilidades da Olimpíada de 2016, documento que lista todos os projetos essenciais para os Jogos do Rio. A nova versão da matriz revelou um aumento de R$ 100 milhões no custo dos projetos olímpicos. 

Em julho de 2014, quando a APO atualizou pela última vez a Matriz de Responsabilidades, o custo das arenas olímpicas e seus entornos era de R$ 6,5 bilhões. 
Hoje, a APO estima que pelo menos R$ 6,6 bilhões sejam gastos com esses projetos --aumento de 1,4%. 

Considerando os investimentos em infraestrutura e legado que também serão feitos para a Olimpíada, o custo total dos Jogos está hoje estimado em R$ 37,7 bilhões. 
A Olimpíada de Londres, em 2012, custou ao todo cerca de R$ 43,6 bilhões (considerando o câmbio atual) –quase R$ 6 bilhões a mais. 

Ressalta-se que essa é uma estimativa de custo da Olimpíada de 2016 é incompleta. 
Isso porque, faltando 555 dias para o início do evento, 25% das obras que constam da matriz de responsabilidades dos Jogos, ou seja, as essenciais, não têm sequer um custo estimado. Há seis meses, a APO não tinha sequer uma estimativa de custo de 30% das obras. 

Dos gastos previstos até agora, R$ 4,24 bilhões (64%) serão custeados pelo setor privado. O restante, R$ 2,37 bilhões (36%), será pago com recursos públicos. 

CONFIRA O ORÇAMENTO DA OLIMPÍADA DE 2016 
Arenas – R$ 6,6 bilhões (estimativa atualizada, mas incompleta) 
Legado – R$ 24,1 bilhões (estimativa incompleta) 
Investimento do Comitê Rio-2016 – R$ 7 bilhões 
CUSTO TOTAL – R$ 37,7 bilhões
Custo na candidatura – R$ 28,8 bilhões 
Custa da Copa de 2014 – R$ 27,1 bilhões 
Custo de Londres-2012 – R$ 43,6 bilhões (câmbio atual) 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Centros de treinamento da Copa ficam sem uso em cidades-sede

FolhaPress 

CT Coroado - Manaus
Exigência da Fifa nas cidades-sede da Copa, os dois COTs (Centros Oficiais de Treinamento) de Manaus, e um centro construído em Cuiabá, que somados consumiram R$ 62 milhões dos cofres públicos, atravessaram o Mundial às moscas. 

Nenhuma das oito seleções que jogaram na Arena Amazônia treinaram nos dois estádios construídos seguindo as normas e exigências da entidade máxima do futebol. 

A única seleção que treinaria em um dos centros de treinamento era a Inglaterra, que cancelou a atividade em cima da hora. A Itália também dispensou o uso do COT. 

"Nos comprometemos a realizamos todos os itens obrigatórios e, na prática, vimos que não era necessário este investimento", declarou Evandro Melo, coordenador do UGP-Copa de Manaus. "Temos que questionar a Fifa, pois fizemos nossa parte e isso mostrou-se desnecessário", completou Melo, irmão do atual governador do Amazonas, José Melo (Pros). 

O estádio da Colina, que pertencia ao time do São Raimundo, recebeu o maior investimento, R$ 21 milhões, sendo R$ 9 milhões da União. Tem capacidade para 10 mil torcedores, além de espaço para imprensa. O outro estádio é o CT do Coroado, que custou R$ 15 milhões aos cofres do governo estadual e comporta cinco mil pessoas. 

As programações das seleções que jogam em Manaus prevê chegadas na véspera da partida, com apenas um treino, na própria Arena Amazônia, atividade que a Fifa obriga a todas as equipes. 

EM OBRAS 
A situação em Cuiabá também foi crítica. A obra do COT do Pari, orçada em R$ 26 milhões e erguida na cidade vizinha de Várzea Grande, também ficou de fora da Copa. 

O outro COT da cidade, erguido na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), custou R$ 17 milhões e foi inaugurado no domingo (15) ainda inacabado. A Coreia do Sul e a Nigéria treinaram lá. No Recife, a prefeitura investiu R$ 7 milhões em benfeitorias nos CTs de Náutico e Sport para adequá-los segundo o padrão Fifa. No entanto, nenhuma seleção chegou perto de lá. 

O superintendente do CT do Náutico, Daniel Hazin, se diz frustrado. "Todos os preparativos que fizemos foram em vão", lamentou Hazin, que disse ter contratado um grupo de maracatu para recepcionar os jogadores e mandado fazer camisas do clube personalizadas com o nome de cada atleta. "Essa Copa vai passar no Recife praticamente em branco, na minha concepção." 

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, negou que esses espaços fiquem sem uso no futuro. "Só investimos dinheiro público em equipamento público. Esses centros de treinamento, ainda que não tenham sido usados durante a Copa, o que penso que só aconteceu em Manaus e Cuiabá, servirão para a população, seja para o esporte de alto rendimento, de formação de atletas ou educacional. São equipamentos de uso público."

segunda-feira, 7 de julho de 2014

De há muito ele denuncia

Jornalista britânico denuncia 'jogo sujo' de corrupção da FIFA em debate no Rio de Janeiro 

FolhaPolítica.com 


O jornalista investigativo Andrew Jennings, autor do livro “Jogo Sujo, o mundo secreto da Fifa”, destacou durante debate realizado no dia 17 ( em 12/2013)  no Rio de Janeiro que o Brasil “não ganhou um direito ao sediar a Copa de 2014” e na verdade dará muito dinheiro para o evento. 

No debate, que contou com a participação de Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, e o professor do Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Vainer, Andrew Jennings falou sobre os casos de corrupção e subornos na FIFA e no Comité Olímpico Internacional (COI). Devido às suas denúncias, ele foi banido pela entidade. Dois funcionários da Fifa também estavam presentes. 

Com comentários ácidos e irônicos, ele incentivou que a população brasileira não fique calada e proteste contra as autoridades responsáveis pelo evento, como o presidente da Fifa, Sepp Blatter. Jennings também convocou a população a se mobilizar durante o Congresso da Fifa, que ocorrerá em São Paulo, uma semana antes do Mundial. 
De acordo, as empresas multinacionais também vão lucrar muito com o evento.

Ele cita como exemplo o valor dos preços das passagens internas, como aconteceu no mundial da África do Sul, em 2010. Em sua fala, o professor Carlos Vainer também criticou o fato das leis serem flexibilizadas para atender interesses de grandes corporações. 

Já o responsável pela comunicação corporativa da FIFA, Alexander Koch, pediu a palavra e disse que são contra as remoções e que estranham que “as leis no Brasil estejam endurecendo por conta da FIFA”. 

Em resposta, Vainer desafiou os representantes da maior entidade de futebol a fazer uma declaração oficial a presidência da República, dizendo que não fará o evento, caso haja remoções. De Acordo com Koch, a expectativa de lucro da entidade para a Copa do Mundo no Brasil é de 2,1 bilhões de reais.

sábado, 5 de julho de 2014

O mundo podre do esporte chamado futebol

Carro oficial, festa e R$ 200 milhões: a Copa do chefe da máfia do ingresso 

UOL

Assistir a jogos da Copa do Mundo em camarotes, frequentar eventos exclusivos, transitar em carros credenciados pela Fifa e ainda faturar até R$ 200 milhões. Esse era o plano elaborado pelo argelino Mohamadou Lamine Fofana, de 57 anos, para o Mundial de 2014. O projeto, inclusive, já estava em curso. Foi interrompido na terça-feira por uma ação da Polícia Civil. Mohamadou Lamine Fofana foi preso em um apartamento de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca durante uma operação de combate à venda ilegal de ingressos da Copa. 

Empresário com vários serviços prestados ao mundo do futebol, ele agora é suspeito de liderar uma quadrilha internacional de cambistas que lucrava até R$ 1 milhão por partida do Mundial do Brasil. 

Até ir parar atrás das grades, entretanto, o argelino desfrutava do prestígio conquistado em anos de trabalho no meio do futebol. Isso pelo menos é o que apontam investigações feitas pela 18ª DP (Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro) e pela 9ª PIP (Promotoria de Investigação Penal), responsáveis pela operação que deteve Fofana e outros dez suspeitos. 

"Ele tinha acesso livre ao Copacabana Palace, hotel em que estão os dirigentes da Fifa. 
No seu carro, há um adesivo que dá acesso a qualquer evento privado da entidade", contou o delegado Fábio Barucke, chefe da 18ª DP. 

Fofana, aliás, também promovia seus próprios eventos durante a Copa. 
Escutas telefônicas feitas durante a investigação e divulgadas pelo jornal O Dia indicam que ele organizou festas na capital fluminense em dias de jogos do Mundial. 
Gastou cerca de R$ 9 mil em garrafas de uísque só para agradar seus convidados, que não eram qualquer um. 

O irmão e empresário de Ronaldinho Gaúcho, Assis Moreira, foi um dos que recebeu um convite para uma festa de Fofana realizada numa cobertura na Lagoa, bairro nobre do Rio. Assis também foi pego em ligações negociando ingressos da Copa com Fofana e, segundo o promotor Marcos Kac, será intimado a depor sobre o assunto. 

Amistoso e transferência 
Fofana é ex-jogador de futebol e dono de uma agência de negócios relacionados ao esporte, a Atlanta Sportif International. A empresa existe desde 1993 tem escritórios em Atlanta, nos Estados Unidos, e em Dubai. Por meio dela, o argelino já intermediou transferências de jogadores e também organizou amistosos de futebol. 

Foi Fofana quem promoveu o jogo com ex-jogadores brasileiros campeões da Copa do Mundo de 1994 realizado na Chechênia, na Rússia, em 2011. O amistoso reuniu craques como Romário, Bebeto, Cafu, Dunga e Raí, que depois da partida disse ter se arrependido de participar do evento por sua motivação política. 

No site de sua agência, Fofana exibe fotos com Romário e outros jogadores.
Em seu currículo, o empresário informa que intermediou a visita do agora deputado federal aos Emirados Árabes. Procurado, Romário negou manter relações com Fofana. 

Preso, Fofana informou que só deve se pronunciar em juízo. 
Questionada sobre o argelino, a Fifa não respondeu. 
Em nota, a entidade declarou que está disposta a colaborar com as investigações sobre o esquema de venda de ingressos. 

Operação Jules Rimet 
A operação que descobriu o esquema foi batizada de Jules Rimet, em alusão ao nome do primeiro presidente da Fifa. Ela é resultado de pelo menos um mês de investigações da polícia e Ministério Público. 

Mais de cem ingressos foram apreendidos na ação, além de dinheiro e máquinas para pagamento em cartão de crédito. Os bilhetes pegos pela polícia eram reservados pela Fifa a seus patrocinadores, a clientes de pacotes de hospitalidades (camarotes) e até a membros de comissões técnicas de seleções. Dez ingressos, inclusive, eram reservados as integrantes da comissão técnica da seleção brasileira. 

Segundo Polícia Civil, a quadrilha vendia ingressos por até R$ 35 mil. 
Com isso, lucrava até R$ 1 milhão por jogo. Na Copa, o grupo poderia faturar R$ 200 milhões.

Suspeitos presos informaram à polícia que o esquema não é novo. 
Ele funcionava há quatro Copas. O trabalho seria tão lucrativo que integrantes da quadrilha trabalhariam durante o torneio e depois descansariam por quatro anos até o próximo Mundial. 

Todos os presos vão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e cambismo. Podem ser condenados a até 18 anos de prisão.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O que a ganância política faz

Sede da Copa, Cuiabá tem time ameaçado de extinção e futebol local em crise 

UOL 

A Copa do Mundo é um episódio novo para Cuiabá. Estádio cheio, jogos vistos pelo mundo todo e seleções milionárias em campo, a capital mato-grossense conheceu neste mês o primeiro mundo da bola. E com isso, deixou ainda mais claro o contraste com a realidade local. São apenas três times profissionais na capital mato-grossense, mas o presidente de um está preso e outro corre risco de extinção. 

Quem está preso é Éder Moraes, presidente do Mixto. 
O mandatário da equipe circulou por cargos estratégicos do governo do Mato Grosso durante os últimos 13 anos, mas foi pego em operação da Polícia Federal e responde por quatro crimes, em esquema que desviou pelo menos R$ 500 milhões de cofres públicos. Está no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. 

O pior é que o caso de Éder Moraes respingou no Mixto. 
Grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal flagraram o mandatário negociando cheques de R$ 100 mil com agiotas. Segundo ele, o dinheiro era necessário para bancar salários dos atletas. 

O Mixto, contudo, não é o único clube de Cuiabá que vive fase conturbada. 
O Mato Grosso, fundado em 1948 por uma colônia de torcedores do Palmeiras, foi rebaixado neste ano à segunda divisão do Estadual e não tem certeza sobre a sequência das atividades. 

"Agora, só vamos jogar na segunda divisão do ano que vem. Nem sei o que fazer. Às vezes tentamos ir atrás de patrocinadores, mas eles preferem investir em times de mais nome. Não temos nada a oferecer. Não sei se o Mato Grosso vai continuar", admitiu Ezequiel Rosa Gomes, vice-presidente do clube. 

No início, o Mato Grosso era chamado Palmeiras. O time teve outros períodos de inatividade – o último, mais longo, entre 1998 e 2007 – e já havia sido rebaixado para a segunda divisão estadual em 2010. "Contratamos jogadores que conhecemos e pagamos um salário mínimo. Às vezes, exageramos e pagamos dois salários", contou o dirigente. 

O choque entre a Copa e a realidade do futebol local é grande. O Estadual de 2014 foi patrocinado pela montadora Chevrolet, que deu R$ 15 mil a cada clube (em cinco parcelas de R$ 3 mil). O contrato, que está no último ano de vigência, rendeu mais cinco aportes mensais de R$ 4 mil. 

"Eu tenho R$ 35 mil para fazer um campeonato inteiro aqui. Tive jogo no [estádio] Dutrinha [Eurico Gaspar Dutra] com 60 pessoas e 30 policiais. Só de segurança, ambulância e coisas assim, tinha de pagar R$ 6 mil ou R$ 7 mil para jogar", relatou o vice-presidente do Mato Grosso. 

O time de Rosa Gomes gastou um total de R$ 90 mil para disputar o Campeonato Mato-Grossense de 2014. Sem patrocinadores e com média de 141 pagantes, as receitas da equipe foram limitadas aos R$ 35 mil citados pelo dirigente. Isso mostra o déficit representado pelos torneios locais. 

O Campeonato Mato-Grossense de 2014 teve média de 791 torcedores por jogo, com 456 pagantes por partida. O time que levou mais gente ao estádio foi o Luverdense, que está na segunda divisão do Brasileiro, mas é de Lucas do Rio Verde. Foram 1.501 ingressos vendidos por apresentação da equipe. 

"Nosso futebol não sabe, mas está falido", disparou Rosa Gomes. "A Copa do Mundo, infelizmente, não fez nada para o futebol local. No frigir dos ovos, o que o futebol daqui ganhou? Nada! Absolutamente nada", completou. 

Em 2014, Sorriso e Vila Aurora desistiram de disputar o Campeonato Mato-Grossense por falta de dinheiro. As decisões foram comunicadas em mensagens enviadas à FMFT (Federação Mato-Grossense de Futebol), que suspendeu os dois clubes por dois anos. 

Em Cuiabá, a exceção recente é o Cuiabá Esporte Clube. 
Fundado em 2001 pelo ex-jogador gaúcho, o time foi comprado em 2009 pela Drebor, empresa que trabalha com material para reforma de pneus. A família que detém a companhia comprou uma sede para a equipe e iniciou neste ano uma reforma no espaço, que está sendo preparado para virar também um centro de treinamentos. 
O investimento não é divulgado. 

"Em 2009, quando Cuiabá foi confirmada como sede da Copa, o clube estava paralisado, não tinha patrimônio e tinha algumas dívidas. Ia acabar. Nós vimos essa oportunidade e resolvemos pegar a administração", contou Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá. Atual bicampeã estadual, a equipe disputa neste ano a Série C do Campeonato Brasileiro. 

O que faz do Cuiabá um exemplo diferente no futebol local é a presença de uma empresa que banca as contas. "O clube é deficitário em 95%. Você não tem fontes de receita. Venda de jogador a gente não tem. Bilheteria, por exemplo, a gente só espera que melhore agora, com a Arena [Pantanal]. A gente saiu de uma bicicleta estragada para um BMW e espera que isso melhore muito para todos", afirmou Dresch. 

O Cuiabá já realizou um jogo na Arena Pantanal, contra o Internacional, em duelo válido pela Copa do Brasil. A partida teve 16.363 pagantes, com renda bruta de R$ 900 mil. 
O time do Mato Grosso ficou com a receita líquida, que ficou na casa de R$ 350 mil. 

"Nosso primeiro objetivo é subir para a Série B [do Campeonato Brasileiro]. Essa é a primeira coisa. Enquanto não subirmos, o time vai ser deficitário", admitiu Dresch. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Nova sede milionária da CBF começa a funcionar no RJ

Terra 

Após doze anos utilizando um prédio alugado na Barra da Tijuca, a CBF começou a utilizar efetivamente a sua nova sede na manhã desta segunda-feira, no edifício localizado na rua Luiz Carlos Prestes, 130, em frente ao hospital municipal Lourenço Jorge, na zona oeste do Rio de Janeiro. 

A movimentação de funcionários ainda é pequena, que tratam da mudança de todo o material para o novo local. Por conta com farto acervo e documentação, a passagem para a nova sede será gradual. Um evento de inauguração oficial está previsto para dias antes da Copa com a presença de dirigentes da Fifa, além do presidente da entidade, José Maria Marin. 

O novo prédio da entidade, já com a logo da CBF na fachada, teve um custo total de R$ 100 milhões – R$ 70 milhões para adquirir o terreno, e outros R$ 30 milhões para a reforma e adequação do local. 

Em abril do ano passado, o jornal Folha de S.Paulo publico uma reportagem que abordava o fato de Marin ter superfaturado a compra do imóvel com o uso de intermediários para o negócio, que teriam feito esse valor crescer de R$ 39 milhões para os atuais R$ 70 milhões. 

O local, em junho do ano passado, ainda foi palco de protestos de torcedores, que invadiram a entrada do prédio com rojões e iluminadores para pedir a saída de Marin à frente da CBF. 

A nova sede da entidade que comanda o futebol brasileiro contará ainda com o Museu da CBF, com o rico acervo do futebol brasileiro, no intuito de que ele se transforme em ponto turístico da capital fluminense, a exemplo do que ocorre com o Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A presidência ocupará o terceiro andar do prédio, que terá ainda auditório, sala de reunião para todos os presidentes de federações, um restaurante, salão nobre, e também um estúdio da TV CBF, que ainda será construído.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Bola Fora

Anistia Internacional lança campanha em defesa de protestos na Copa 

Estadão 

A Anistia Internacional está lançando nesta quinta-feira, 8, em todo o mundo a campanha "Brasil, chega de bola fora", em defesa ao direito de liberdade de manifestação durante a Copa do Mundo e contra a criminalização de manifestantes. Vinte seções da organização em diferentes países irão coletar assinaturas a serem enviadas à presidente Dilma Rousseff e ao presidente do Congresso, Renan Calheiros. 

A petição está disponível no site www.cartaoamarelo.org.br. 
"O governo brasileiro tem o dever de assegurar o direito à liberdade de expressão e manifestação pacífica de todas as pessoas durante a Copa do Mundo", afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, que está preocupado com a possibilidade de restrição à liberdade de expressão durante o Mundial aventada no Congresso depois das manifestações de rua no ano passado. 

"Diante deste contexto, estamos convocando a sociedade mundial a dar um cartão amarelo de advertência para o governo brasileiro, sinalizando que não aceitaremos violações de direitos humanos em nome dos grandes eventos", explica Roque. 

"É urgente regulamentar o uso das chamadas armas 'menos letais', que têm sido usadas amplamente, e garantir treinamento adequado das forças de segurança para o policiamento dessas manifestações, além de assegurar mecanismos eficazes de responsabilização nos casos de uso excessivo ou desnecessário da força e outros abusos cometidos por agentes do Estado".

terça-feira, 8 de abril de 2014

A outra megalomania do ex-palaciano está entrando água

Membro do COI critica preparação do Rio e já fala em plano B para sedes 

UOL 

O italiano Ricci Bitti, membro do Comitê Olímpico Internacional, fez uma série de críticas à preparação do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. 
Em entrevista à agência Associated Press, Bitti afirmou que a entidade, inclusive, já considera a possibilidade de alternativas para sedes esportivas da Olimpíada do Rio. 

O dirigente faz parte do comitê do COI para os Jogos de 2016 – que fez sua última visita ao Rio há duas semanas – e é presidente da Associação de Esportes Olímpicos de Verão, entidade que engloba todas as 28 modalidades presentes na Olimpíada carioca. 

"Podemos ser flexíveis na questão da infraestrutura, mas não com relação às sedes esportivas, e algumas delas estão em risco. Até para aquelas que não se consideram em risco, não vemos uma noção de urgência. Temos que sentar e começar a procurar planos B", afirmou. 

Bitti disse que o problema não está no comitê organizador em si, e sim no poder público. "Temos um comitê organizador com boas pessoas, mas sem o poder necessário para lidar com o problema. Estamos assustados. Não é um país como a China, onde você pode pedir às pessoas que trabalhem durante a noite. No Brasil, não é possível. O governo precisa mudar a velocidade", afirmou. 

"Temos que agir agora, porque se esperarmos mais seis meses – como parece ser o caso, olhando pela inatividade do governo –, acho que pode ficar muito sério. O comitê organizador está fazendo seu melhor, mas o governo não está apoiando. Não podemos esperar sempre que, no final, tudo estará resolvido. São os hábitos e o estilo dos sul-americanos, que não estão acostumados a sediar grandes eventos como esse." 

Bitti ainda afirmou que os problemas na demora na preparação do Rio para a Olimpíada são diferentes daqueles relacionados à Copa do Mundo. "No fim, a Copa é um estádio, um hotel, em várias cidades. O Rio tem vários problemas", apontou. 

Segundo a Associated Press, os problemas relacionados à Olimpíada dominaram as discussões na assembleia geral da Associação de Esportes Olímpicos de Verão, que está sendo realizada em uma convenção esportiva na Turquia. Nos próximos dois dias, a diretoria do COI se reunirá no local para discutir o assunto. 

De acordo com a agência, Agberto Guimarães, diretor executivo de Esportes e Integração Paraolímpica, respondeu aos membros do COI em nome do comitê organizador, na Turquia. "Ainda acho que podemos resolver isso e sediar grandes Jogos. No momento que não [pensar dessa maneira], renunciarei. Por favor, me ajudem a sair disso vivo e bem", foi o relato de Guimarães, segundo a Associated Press. 

Cristophe Dubi, diretor executivo do COI para os Jogos, disse que a entidade enviará grupos de trabalho especialmente para monitorar a situação no Rio. 
O primeiro grupo seria composto por especialistas em construção. 

As maiores preocupações em relação à Olimpíada no Rio estão relacionadas às obras do complexo de Deodoro, que receberá oito esportes, campo de golfe, Estádio Olímpico (Engenhão) e Parque Olímpico – os dois últimos tiveram problemas com greves de trabalhadores nos últimos dias.

sábado, 5 de abril de 2014

Depois não sabem porque os clubes estão falidos

Veja quem levou renda milionária de Vasco x Resende. E não foram os clubes 

UOL 

A festa foi bonita, a Arena da Amazônia estava lotada, a renda bateu os R$ 2 milhões e o carinho do povo manauara emocionou os jogadores. Mas, no fim das contas, apenas um envolvido no empate entre Vasco e Resende, na última quarta-feira, teve realmente motivos para sorrir. E ele nem sequer entrou em campo. 

De acordo com o borderô divulgado no site da CBF, a renda exata do jogo foi de R$ 2.122.210,00. No documento, também consta que o Resende, mandante da partida, ficou com a receita líquida total de R$ 1.018.410,69. Porém, após ouvir os envolvidos, constatou-se que a divisão foi bem diferente do que o divulgado pela entidade máxima do futebol brasileiro.

Num acordo à portas fechadas entre a Federação Amazonense (Faf), a Federação Carioca (Ferj), a CBF, o Resende e a empresa organizadora do evento, sem a presença do Vasco, estabeleceu-se que a equipe do interior do Rio receberia uma cota fixa, independentemente do que fosse acumulado nas bilheterias da Arena da Amazônia. 

Com o jogo realizado e a renda fechada, o UOL Esporte apurou que, diferentemente do pouco mais de R$ 1 milhão que o Resende, teoricamente, teria direito a receber segundo o borderô, apenas cerca de R$ 250 mil foram, de fato, parar nos cofres do clube, como cumprimento ao acordo.

O grande beneficiado da partida, que valeu como evento-teste para a Copa do Mundo, foi a empresa SVX Serviços, responsável pela organização do duelo. Natural de Manaus, ela embolsou cerca de R$ 750 mil. A Ferj e a Faf ficaram com cerca de R$ 200 mil (10% do valor bruto) e a CBF, com cerca de R$ 100 mil (5%). 

Apesar de confirmar o valor arrecadado, a empresa ressaltou que teve custos por arcar com todo o operacional das equipes: 

"A divisão, de fato, foi essa. Não vou entrar em detalhes por uma questão de confidencialidade do contrato. Só gostaríamos de ressaltar que não ficamos com esse lucro todo (R$ 750 mil) e nem lesamos ninguém. Dentro desta cota, ainda tivemos que bancar toda a logística de passagens, hospedagens e alimentação dos clubes", declarou Saulo Viana, diretor da SVX. 

Segundo o Vasco, a história não foi bem essa. Consultado pela reportagem, o Cruzmaltino contrariou o executivo. De acordo com o clube de São Januário, foram cedidas apenas 23 passagens e mais uma ajuda de custo de pouco mais de R$ 5 mil, insuficientes para cobrir o restante dos passageiros da delegação e a hospedagem. 

Ou seja, além de não ter lucrado nem um centavo com a renda da partida, a equipe de São Januário ainda teve um prejuízo. O custo da viagem, aliás, foi bem maior do que o que seria gasto caso o jogo tivesse acontecido no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), onde estava primeiramente agendado o confronto. 

"Pelos meus cálculos, o Vasco não teria nem a metade da despesa que teve em Manaus se tivesse jogado em Volta Redonda", disse um membro da diretoria do Vasco ouvido pela reportagem. 

Para que o Cruzmaltino obtivesse algum tipo de lucro, teria que ter vencido por dois ou mais gols de diferença, o que eliminaria o jogo da volta. De acordo com o regulamento da Copa do Brasil, neste caso, o vencedor fica com 60% da renda e o perdedor, com 40%. 

O Vasco, porém, alega que nem mesmo isto ficou esclarecido caso ocorresse. 
O clube também tem mágoas do Resende pois, segundo o time de São Januário, foram feitas tentativas de contato com o Gigante do Vale antes da partida para buscar esclarecimentos, mas não houve retorno. 

O Cruzmaltino também lamentou a viagem desgastante às vésperas da final do Campeonato Carioca contra o Flamengo e saiu do empate em 0 a 0 reclamando de um suposto pênalti sofrido pelo atacante Thalles, ainda no primeiro tempo, que não foi assinalado pela arbitragem, que pertence a federação amazonense. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Aonde isso vai chegar ???

Custo do Estádio Mané Garrincha pode atingir R$ 1,6 bilhão 

Estadão 

O Estádio Mané Garrincha pode chegar à Copa do Mundo com o custo final de R$ 22.644,96 por assento - no total, são 71 mil lugares. O valor consta de um relatório divulgado neste domingo pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O documento mostra que a arena de Brasília já consumiu R$ 1,476 bilhão durante a reforma para o Mundial, mas que o custo total do estádio pode chegar a R$ 1,607 bilhão devido a contratos ainda vigentes. 

Os valores apresentados pelo tribunal apontam um custo final equivalente a mais que o dobro dos R$ 700 milhões previstos inicialmente para a arena, que receberá sete jogos da Copa. O TCDF credita parte do aumento dos gastos a superfaturamentos, que já somam R$ 337,7 milhões, e a uma série de aditivos contratuais autorizados pelo governo do Distrito Federal. 

Entre os aditivos está um no valor de R$ 30 milhões para adaptações do projeto às exigências da Fifa. Outro documento aponta o acréscimo de R$ 5,7 milhões em horas extras pagas aos operários por causa da criação de novos turnos para acelerar a conclusão do estádio, inaugurado no final de 2013. 

O maior aditivo somou R$ 185 milhões "decorrentes de ajustes nos quantitativos de arquitetura e estrutura de acordo com novas versões de projetos existentes, nas instalações, com supressões e acréscimos de serviços e ajustes nos custos de administração da obra", diz o relatório do tribunal, que ainda vai analisar um aditivo de R$ 161 milhões. 

Caso o governo distrital decida fazer obras viárias estimadas em R$ 294 milhões, o valor da obra envolvendo o estádio pode atingir R$ 1,901 bilhão. 

DF NEGA SUPERFATURAMENTO 
O governo do Distrito Federal nega que o estádio Mané Garrincha pode custar até R$ 1,6 bilhão até o início do Mundial. 

O governo tem 90 dias para prestar esclarecimentos ao TCDF, que auditou aditivos de contrato e identificou um sobrepreço de R$ 337,7 milhões na obra. O tribunal ainda vai analisar um aditivo de R$ 161 milhões e, caso seja constatado irregularidade, o superfaturamento da obra pode atingir R$ 498,7 milhões. Em nota enviada à AE, o governo distrital afirma que "inexistem irregularidades ou superfaturamento na obra". 

A arena de Brasília já consumiu R$ 1,476 bilhão durante a reforma, segundo o TCDF, e o custo total do estádio pode chegar a R$ 1,607 bilhão devido a contratos ainda vigentes. Com isso, o valor pode atingir R$ 22.644,96 por assento - no total, são 71 mil lugares. 

"O investimento total no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha é de R$ 1,4 bilhão, valor que ainda pode ser reduzido para R$ 1,2 bilhão, em virtude da previsão de abatimento de créditos do Regime Especial de Tributação para Construção, Ampliação, Reforma ou Modernização dos Estádios de Futebol (Recopa)", afirma o governo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Vive Le Bordel Brésilien!

Agora é de verdade. Revista francesa detona a Copa no Brasil 

UOL 

Desta vez é verdade. Um mês depois da polêmica gerada por um texto falso atribuído à revista France Football que criticava fortemente a organização da Copa do Mundo no Brasil, o site da revista esportiva francesa "So Foot" publicou uma extensa reportagem sobre a preparação do Brasil para o Mundial. O texto, carregado de sarcasmo e humor ácido, mostra a que veio já no título: "Viva a Bagunça Brasileira!" (Vive Le Bordel Brésilien!). Em francês, a palavra bordel serve tanto para designar casas de prostituição quanto uma grande bagunça. 

A reportagem divide as cidades-sede em três grupos: as que realmente deveriam estar sediando a Copa e que valem a viagem, mas que nem por isso estão livres de problemas (Les villes où ça devrait le faire), as sedes em que inevitavelmente a Copa será uma bagunça ("Les villes dans lesquelles ce sera forcément le bordel"), e aquelas onde o melhor mesmo é deixar para ver os jogos pela televisão (Les villes dans lesquelles ce sera forcément le bordel). 

No primeiro grupo, estão Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Nessas cidades, a revista identifica problemas menores, como problemas de conexão com a internet e falhas nos telões no estádio do Beira-Rio, na capital gaúcha. Já sobre Brasília, a reportagem destaca o alto custo de construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, em uma cidade que não possui clubes de expressão no cenário nacional. 

Já no segundo grupo, o da bagunça inevitável, estão São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Natal. O Aeroporto do Galeão (RJ) é descrito como "indigno de uma capital turística": "Edifícios degradados, pistas saturadas nas altas estações e paralisação das atividades em cada chuva forte prometem grandes doses de diversão", ironiza a publicação. 

Sobre São Paulo, a reportagem afirma ser a cidade "irmã da Cidade do México e prima do Cairo (capital do Egito)", centros urbanos conhecidos mundialmente pelo trânsito caótico. Já Salvador teria um trânsito difícil na hora do rush. "Considerando que o estádio [Arena Fonte Nova] fica em uma região central da cidade, vai haver sofrimento". 

Finalmente, no grupo das cidades em que seria melhor ver os jogos pela TV, estão Cuiabá, Manaus e Curitiba. O aeroporto da capital mato-grossense é descrito como "um campo de barro". "[O aeroporto] é do tamanho de uma cozinha, mas há que um lindo papagaio pintado na parede. Nenhuma grande nação vai jogar em Cuiabá. E depois dizem que o sorteio é aleatório". Já Curitiba é tratada como a "grande emoção pré-Mundial", com a dúvida até o último minuto sobre se o estádio estará ou não pronto a tempo. 

A reportagem critica não só a situação dos estádios, aeroportos e infraestrutura em todas as 12 cidades-sede brasileiras. Sobrou também para a Fifa, para o seu presidente, Joseph Blatter (descrito como alguém que, no Brasil, nunca havia colocado os pés fora do Copacabana Palace), e para o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. 
A revista afirma que o turista que vier à Copa vai encontrar: filas em todos os lugares, voos atrasados chegando às cidades dos jogos após o término das partidas e torcedores enfurecidos por perderem o espetáculo. 

O texto continua: "Nenhuma cidade-sede tem capacidade de entregar a tempo o trio de obras 'estádio + aeroportos + obras de mobilidade urbana'. No caso dos aeroportos, os processos de licitação das obras só foram lançados após as eleições de 2010. Quanto à mobilidade urbana... não se moderniza um país em seis meses, especialmente um país como o Brasil. E por mobilidade urbana entende-se os meios mais básicos de transporte: vias de acesso a locais turísticos, estradas, corredores de ônibus, metrô e trens urbanos etc. Logo, serão os seus pés os que farão a maior parte do trabalho." 

De acordo com a reportagem, parte da culpa para que se tenha chegado à marca dos 100 dias para o início da Copa na situação em que se chegou é também da entidade que comanda o futebol mundial. "A Fifa, do seu lado, é prisioneira de um Brasil com quem ela briga/late/chicoteia a cada semana, como se tivesse tratando com uma criança, com um sentimento vago de que é tarde demais". 

Sobrou até para o "jeitinho brasileiro": "Joseph Blatter, então, agora se mostra chocado: 'Nenhum país teve tanto tempo para se preparar quanto o Brasil', e ele está certo. Errado ele estava em 2007 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa], ao impor ao país um "padrão Fifa" que estava distante demais de sua realidade, e que culturalmente não sabe dizer não. Mas sabe dizer, porém, quando já tarde demais, "desculpe, mas teremos que fazer alguns arranjos". 

A reportagem foi publicada no dia 3 de março. No dia seguinte, a revista publicou novo texto sobre o Brasil e a Copa, desta vez destacando as manifestações que varreram o país em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, apontando que o povo brasileiro está insatisfeito com o alto custo da preparação do país para a Copa, majoritariamente custeados pelos cofres públicos.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Um descaramento atrás do outro

Com direito a camarão gigante, governos gastam R$ 47 mi nos eventos pré-Copa 

MSN Esportes 


De entrada, salada com polvo e mariscos. De prato principal, filé mignon e camarão, dos grandes, flambado. 
 Este foi o cardápio do banquete que a Fifa ofereceu aos participantes do Congresso dos técnicos que realiza em Florianópolis, o quarto evento pré-Copa do Mundo que tem parte, graúda, da conta paga com dinheiro público. 

Juntando os sorteios das eliminatórias, do grupo da Copa das Confederações, das chaves do próprio Mundial e o evento catarinense, governos estaduais e municipais gastaram, sem contar a atualização monetária, R$ 46,7 milhões. 

A conta mais pesado ficou com o sorteio das eliminatórias, em que governo e prefeitura do Rio dividiram os custos de R$ 30 milhões da organização da festa, depois que não apareceram interessados privados em patrociná-la. 

Depois, a prefeitura de São Paulo gastou R$ 6,4 milhões no sorteio da Copa das Confederações, em evento que ficou célebre pela trapalhada do chef Alex Atala. 

Na definição das chaves do Mundial, no final do ano passado, foi a vez do governo da Bahia entrar com R$ 6,4 milhões. Nesse caso, a Fifa gastou bem mais: R$ 20 milhões. 

Agora, em Florianópolis, o governo de Santa Catarina pagou R$ 3,9 milhões da conta do Congresso dos técnicos. Assim com no caso dos outros eventos, as autoridades catarinenses justificam o gasto público como forma de promover o turismo.

"O fato de Santa Catarina sediar um evento como esse, que reúne todas as seleções e suas equipes técnicas, gera uma grande repercussão e fortalece vetores importantes, como o turismo", afirmou o governador do Estado,

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Literalmente é a casa da maria-joana

Sem controle, governo assume R$ 95 mi em contas privadas da Rio-2016 

UOL ESPORTE 

Governo e o Comitê Organizador da Rio-2016 divulgaram no final do mês passado a primeira versão de seus orçamentos para a Olimpíada. Ainda assim, não definiram completamente o que será pago com dinheiro público e o que será custeado com recurso privado para que o Rio de Janeiro possa receber os Jogos Olímpicos daqui a dois anos e meio. 

Acontece que, enquanto essa divisão não é feita, o Poder Público vem assumindo contas que não eram suas. E essas contas não são pequenas. Segundo levantamento do UOL Esporte, governos vão gastar pelo menos R$ 95 milhões para pagar a parte de quatro arenas esportivas que o Comitê Organizador da Rio-2016 havia prometido bancar em 2008, quando o Rio se candidatou à sede dos Jogos. 

Esse valor é a soma das contribuições financeiras que seriam feitas pelo comitê –entidade privada—para as obras das arenas de handebol, tênis, do centro de desportos aquáticos e do novo velódromo do Rio. Juntas, elas custariam R$ 430 milhões. 
Disso, R$ 95 milhões seriam pagos com dinheiro do comitê, segundo o dossiê de candidatura do Rio apresentado ao COI (Comitê Olímpico Internacional) há seis anos. 

Hoje, porém, já não é mais assim. O uso de recursos do comitê já não faz mais parte do plano de pagamento das obras dessas quatro arenas olímpicas, que atualmente estão orçadas em R$ 692 milhões (valor inclui taxa de manutenção). 
Por isso, o que seria pago pelo órgão privado foi incorporado à fatura que será quitada pelo governo. 
Tudo isso, aliás, foi feito sem nenhum controle sobre a transferência de responsabilidades olímpicas. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Super Bowl 2013/2014

Terra Brasil

Para quem não sabe o Super Bowl é um jogo do campeonato da NFL (National Football League), a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, que decide o campeão da temporada. 

Disputada desde 1967, a partir da junção das duas principais ligas do desporto no país (NFC e AFC), é o maior evento desportivo e a maior audiência televisiva do país, assistido anualmente por milhões de pessoas na América e em todo o mundo. 

É também um evento que apresenta a publicidade mais cara da televisão; patrocinadores desembolsam pequenas fortunas para exibirem suas propagandas no intervalo. 

Depois de 21 semanas, a temporada 2013/2014 chega ao seu final nesse domingo, dia 02/02/2014 com o Super Bowl XLVIII. 
Para se ter idéia um intervalo de apenas 30 segundos durante o jogo está sendo vendido por mais de 4 milhões de dólares! E estima-se que haverá mais de 100 milhões de espectadores somente nos EUA, quase um terço da população daquele país. 

Os times de melhores campanhas de suas respectivas conferências farão a final de uma temporada que foi sensacional. Do lado da NFC, o quase novato em finais Seattle Seahawks disputa o segundo Super Bowl de sua história, o que somente aconteceu em 2006 (temporada 2005-2006), quando perdeu para o Pittsburgh Steelers. 
Pela AFC, o bicampeão Denver Broncos, que disputa seu sétimo Super Bowl, volta a disputar o título, o que não acontecia desde sua segunda conquista em 1999 (temporada 1998-1999). 

O jogo acontece às 21h30’ (horário de Brasília) e a ESPN começa sua transmissão nacional às 21h00’.  

Neste ano, o espaço comercial de 30 segundos no intervalo do Super Bowl chegou a ser vendido por mais de US$ 4 milhões, ante uma média de US$ 3,5 milhões no ano passado. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Construção da Arena das Dunas é um absurdo

Yahoo 

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil ainda nem começou, mas sua realização já envolve inúmeras polêmicas. Recém-inaugurada, a Arena das Dunas é retrato do desrespeito das autoridades com a sociedade brasileira. Mas por que a Arena das Dunas é um absurdo? 

Médias de Público 
Os principais clubes de Natal não podem se orgulhar da presença de sua torcida nos jogos. América e ABC, que disputaram a Série B do Campeonato Brasileiro de 2013, tiveram médias de público de 1.650 e 4.117 pessoas, respectivamente. 

Custo-benefício 
A Arena das Dunas é resultado de uma parceria público-privada entre o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e a construtora OAS, que, juntos, formaram o consórcio Arena das Dunas. Sua construção teve um orçamento aproximado de R$ 400 milhões para receber quatro jogos da Copa. Esse dinheiro foi utilizado na construção de um estádio em uma cidade cujos públicos de futebol são baixos, apenas para a disputa de 4 jogos do evento. 

O lucro 
A população de Natal questiona a quem a construção beneficia. 
A cidade não precisava de mais um estádio e a construtora OAS recebeu financiamento quase da totalidade do levantamento do estádio. 
O que a construtora ganhar com a Arena, será utilizado para pagar o BNDES e os eventuais excessos irão para os bolsos da iniciativa privada. 

Utilização na Copa 
O estádio é projetado para 32 mil pessoas, mas, durante a Copa, 10,6 mil assentos removíveis serão acrescentados para que o público possa chegar a 42,6 mil pessoas.
A medida é o "jeitinho" que se deu para a Arena encaixar no orçamento e, mesmo assim, estar preparado para a Copa. 

Utilização pós-Copa 
O ABC, maior clube do Estado, joga em seu estádio próprio, o Frasqueirão. A capacidade do estádio é de 18 mil pessoas, mais do que suficiente para as necessidades da equipe - no ano passado, o maior público do ABC no Campeonato Brasileiro foi de 14 mil pagantes, contra o Palmeiras. 
O América, embora não tenha estádio próprio, já está construindo o seu. Existe até mesmo site oficial para acompanhar a construção. A futura "Arena América" deverá ter capacidade para 20 mil torcedores. 

Obras de mobilidade
A Arena das Dunas viria acompanhada de um pacote de obras de mobilidade urbana, muitas delas financiadas pelo Governo Federal. Todavia, o primeiro lote foi iniciado apenas no final do ano passado e as próprias autoridades já assumem que não deverão ficar todas prontas para a Copa do Mundo. 

Legado 
A construção da Arena das Dunas envolveu uma série de desapropriações em áreas menos nobres. Isto fez com que pessoas perdessem seus lares em troca de uma compensação que nem sempre é a real correspondente ao valor do imóvel, levando os desapropriados à Justiça. Ademais, a nova Arena exigia a demolição do antigo estádio Machadão, palco de grande parte da história do futebol do Rio Grande do Norte, inclusive recebendo jogos do Santos de Pelé. Sua existência, agora, estará apenas nas lembranças dos potiguares.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Descobriram que a merda fede ...

Governo do AM ainda não sabe o que fazer com Arena da Amazônia após a Copa 

UOL 

A menos de seis meses da Copa do Mundo, o Governo do Amazonas ainda não sabe o que fará com a Arena da Amazônia depois que a competição acabar. A obra, orçada em R$ 605 milhões, deverá custar R$ 500 mil por mês em manutenção aos cofres públicos. Uma consultoria internacional foi contratada para analisar as possibilidades de exploração econômica da arena, mas os primeiros relatórios só deverão ficar prontos em Março de 2014, a pouco menos três meses do início da Copa. 

Desde o anúncio das cidades-sede da Copa de 2014, Manaus, Natal e Cuiabá têm sido alvos de ceticismo em relação ao destino de suas arenas. Alguns críticos afirmam que, dada a pouca expressão do futebol nessas cidades, as arenas correm o risco de se transformarem em "elefantes brancos". 

As obras da Arena da Amazônia começaram em 2010, mas foi apenas no final de 2012 que a Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa) solicitou à Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) um estudo para analisar as opções disponíveis no mercado para viabilizar a arena economicamente. 

Apesar de o pedido ter sido feito no final de 2012, a licitação para contratação da empresa que faria a análise só foi realizada em outubro deste ano. Os estudos, segundo a própria UGP Copa, sequer foram iniciados. A empresa contratada foi a Ernst Young ao custo estimado de R$ 1,05 milhão. 

O coordenador da UGP Copa, Miguel Capobiango Neto, nega que a contratação do estudo tenha sido feita em cima da hora. Para ele, não faria sentido fazer análises sobre as possíveis alternativas de gestão da arena antes da Copa das Confederações deste ano. "Até 2011, tínhamos um cenário de arena no Brasil que não era esse formato de Copa. Só passamos a ter arenas operando com a realidade brasileira, com formato FIFA, em junho de 2013 (com a Copa das Confederações). Não adiantava pensar em formato anterior", disse Capobiango. 

Para Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria (especializada em marketing esportivo), o estudo de viabilidade econômica para uma arena desse porte deveria ter sido feito com anos de antecedência e, preferencialmente, deveria ter sido produzido antes mesmo da construção da arena. "Se a decisão para construir o estádio fosse técnica, o estudo deveria ter sido feito antes da obra. Mas não foi o caso. A decisão pela construção da Arena da Amazônia foi política. Agora que a obra está em pé e a população está cobrando, eles fazem esses estudos para dar uma resposta ao povo", disse o consultor. 

Em entrevista, Capobiango admite que a decisão de construir a Arena da Amazônia foi política. "Sem arena, não haveria Copa em Manaus. Ela foi construída com o foco de receber a Copa aqui. Ela não tem a intenção (de se remunerar)... porque ela não é uma PPP... ela não vai se remunerar. O foco dela é trazer a copa do mundo. E ela cumpriu com o objetivo de trazer a copa do mundo", disse o coordenador. 

Pelo menos três modelos de negócio estão sendo analisados por técnicos da Secretaria de Planejamento do Estado do Amazonas (Seplan) em relação ao futuro da Arena da Amazônia: concessão dos direitos de uso da arena, parceria público-privada e contratação de uma operadora de estádios. 

Para Fernando Ferreira, estádios como a Arena das Dunas (Natal), Arena Pantanal (Cuiabá), Estádio Nacional (Brasília) e Arena da Amazônia (Manaus) dificilmente serão lucrativos. "Para você ter lucro numa operação com essas, é preciso ter uma taxa de ocupação de 60% da arena com ela sendo utilizada pelo menos 30 ou 40 vezes ao ano. É uma realidade distante demais do que acontece nessas cidades. No Amazonas, por exemplo, a média do público no Campeonato Amazonense é de menos de mil espectadores por jogo. No máximo, eles irão encontrar uma solução para tirar a taxa de manutenção do estádio. Nada além disso", afirma o consultor. 

Mesmo sem ter os estudos da consultoria Ernst Young em mãos, Capobiango descarta a ideia de que o futebol amazonense possa manter, sozinho, os custos de manutenção da Arena da Amazônia. "Não é suficiente", admite o coordenador. Em 2013, a média de público da primeira divisão do Campeonato Amazonense de Futebol foi de meros 770 pagantes por jogo. A persistirem esses dados, seria necessário o público de quase todas as 59 partidas do campeonato em 2013 para lotar os 44 mil lugares da Arena da Amazônia. 

Para o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB-AM), um dos poucos parlamentares de oposição ao governador Omar Aziz (PSD), a demora na contratação do estudo para analisar as soluções econômicas para a Arena da Amazônia é uma irresponsabilidade. "Acho uma irresponsabilidade com os interesses do povo do Amazonas que terá que pagar com o suor do seu trabalho mais de 600 milhões de reais gastos naquela obra, através de empréstimos. E o governo não sabe o que fazer porque não tem o que fazer", dispara. 

Fernando Ferreira afirma que a maioria dos estudos de viabilidade econômica das arenas a que ele teve acesso até agora são bem elaborados, mas partem de premissas equivocadas. "Os estudos são muito bons. Não existe amador nesse negócio. O problema é que as premissas são equivocadas. Eles fazem a conta fechar na perspectiva mais otimista, nunca na mais conservadora. Num negócio como esses, o cenário mais conservador é o que tinha que ser levado em conta, não o contrário", diz.