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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Palmeiras: a paz, só em outubro

Humberto Luiz Peron (*)

 Palmeirense, seu time não vai conquistar o Campeonato Paulista. Também não passará de um mero coadjuvante na Copa Libertadores e, mesmo entrando na reta final, também não terá nenhuma chance de manter o título da Copa do Brasil.

Tudo isso porque, durante um bom tempo de 2013, o clube viverá períodos de turbulência, como na semana passada, quando o time abriu mão do artilheiro Barcos em troca de dinheiro e um punhado de jogadores. 

Aliás, a negociação do centroavante argentino - poucas horas depois de a direção do clube anunciar que o jogador não sairia do clube - deixou bem claro um dos objetivos de seus novos dirigentes. Ao se livrar de um jogador que tinha um alto salário, a diretoria mostra claramente que o clube vai tentar sanear a precária situação econômica que o clube enfrenta atualmente. 

A transferência de Barcos mostra que o Palmeiras, para arrecadar dinheiro, não vai pensar duas vezes em abrir mão de jogadores caros de seu elenco, como nos casos de Valdivia - que só não saiu em janeiro porque o clube não recebeu nenhuma proposta oficial - e o zagueiro Henrique. A não oficialização da contratação do argentino Riquelme e a saída de Luan - também porque tinha vencimentos que eram considerados altos pela nova diretoria - mostram o quanto o clube quer - e precisa - conter gastos.

É preciso dizer que o Palmeiras está tendo inúmeros problemas para cumprir seus compromissos financeiros - inclusive aos que dizem respeito ao contracheque de seus profissionais - e hoje o clube perdeu credibilidade e está longe de ser a primeira opção até para jogadores medianos. 

Além da questão financeira, e apesar de não dizer isso claramente, a nova diretoria visa a renovação total do elenco. Pretende-se acabar com a base do time que fez o clube cair no ano passado. Por isso, ainda por um bom tempo os palmeirenses vão acompanhar muitas dispensas, várias contratações de jogadores baratos e o aproveitamento dos jogadores da base. 

Lógico que essa transformação no time vai fazer com que o Palmeiras sofra algumas derrotas e, em um curto espaço de tempo, o trabalho do técnico Gilson Kleina será questionado. Entre a nova cúpula que dirige o futebol do clube, o nome do treinador está longe de ser uma unanimidade. Alguns grupos políticos que ajudaram eleger o presidente Paulo Nobre já pedem a cabeça do treinador. 

O técnico preferido por todos é Jorginho, que, além de ser um nome de consenso dos vários grupos políticos do clube, tem experiência de ter brilhado na Série B com a Portuguesa, quando tinha nas mãos um elenco de jogadores baratos. 

O grande objetivo técnico da nova diretoria do Palmeiras é montar um time barato que termine entre os quatro mais bem colocados da Série B. Por isso, afirmo que a paz só voltar ao Palestra Itália em outubro, porque esse vai ser o período que o time vai estar muito perto de garantir seu acesso para a Série A - nesse mês também deve ser definida a data de inauguração do novo estádio. 

Depois de sofrerem muito em 2012, os palmeirenses ainda passam boa parte de 2013 chateados. A esperança é que o clube aprenda com o que fez de errado nos últimos anos e se reestruture melhor para dar um chega para lá nessa fase ruim, que para os palmeirenses parece que não vai acabar mais. A história quase centenária do clube mostra que o Palmeiras nasceu para ser um dos protagonistas do nosso futebol e não motivo de piadas. 

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet"

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os melhores precisam jogar

Humberto Luiz Peron (*)

É até aceitável que os técnicos tenham suas preferências na hora de armar sua equipe. Mas, quando eles estão trabalhando em times se torna obrigatório que o comandante coloque em campo seus melhores jogadores, nem que para isso ele precise mudar seus conceitos de jogo.

Em clubes, nunca é bom ter jogadores de níveis semelhantes disputando posições. Por mais que o futebol tenha mudado e atualmente exista um rodízio constante nas escalações é importante que fique claro qual jogador é titular e qual é reserva.

Não existe o tão falado "problema bom" quando o treinador conta com várias alternativas para a mesma posição, porque o técnico sempre vai ser questionado sobre a opção escolhida.

Quando o técnico deixa claro que dois jogadores não podem jogar juntos no mesmo time, ele coloca uma pressão desnecessária naquele que começa jogando, pois ele sabe que, se qualquer coisa não andar como o planejado, ele vai ser substituído durante a partida.

Nessa disputa cega pela posição, a equipe perde a chance de ter dois bons jogadores atuando juntos para ter um atleta candidato a ser o vilão do mau desempenho da equipe.

Com a ideia defensiva de nossos treinadores, eles não pensam duas vezes em escalar dois ou três volantes numa equipe, mas são muito conservadores quando podem colocar em campo dois meias ofensivos juntos, como acontece agora no Palmeiras, com Valdívia e Daniel Carvalho.

No caso do Palmeiras, Felipão pode até dizer que com os dois em campo o time fica exposto com os dois habilidosos meias ao mesmo tempo no gramado, mas, como já comentei, cabe ao técnico achar uma maneira para que o time se acerte com os dois em campo, como, por exemplo, segurar o avanço dos laterais, posicionar melhor os volantes e cobrar que os meias e os atacantes cerquem a saída de bola dos volantes adversários.

Também não se pode esquecer que, com essa dupla de meias, os adversários vão ter de se preocupar em policiar dois jogadores que podem armar as jogadas e não apenas um. O que vai fazer o adversário ter uma postura mais cuidadosa e prender mais um jogador na marcação.

Bons atletas preferem atuar ao lado de jogadores técnicos e alguém pode dar continuidade às jogadas que ele cria. É muito mais fácil você acertar uma equipe composta de jogadores talentosos do que uma equipe de operários - que, por mais acertada que possa ser sempre vai negar fogo, por falta de talento, em jogos decisivos.

É sabido que a reunião de atletas que teoricamente nunca poderiam jogar juntos sempre formou times excelentes.

A seleção de 1970 é um grande exemplo disso, quando juntou no seu setor ofensivo jogadores de mesma posição, como Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino, e todos acharam seu papel em campo.

Eu sei que a lembrança da seleção do tri pode ser uma exceção, mas temos em clubes outros bons exemplos. No Flamengo, campeão do Mundo em 1981, encontrou-se uma maneira para que Tita e Lico entrassem no time.

Já no forte Palmeiras do início da década de 1990, o trio formado por Edmundo, Evair e Edílson também conseguiu atuar junto, e logo depois ainda chegou-se a uma forma para que dois canhotos, Zinho e Rivaldo, estivessem no campo ao mesmo tempo. Teve também o Corinthians, que ganhou tudo no final dos anos 1990, jogando com Rincón adaptado na posição de volante.

Com cada vez menos talentos nos nossos gramados é fundamental que o treinador descubra uma forma para que os melhores jogadores sempre possam atuar juntos.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Uma lição de futebol

Humberto Peron (*) para Folha de São Paulo

Tinha esperanças que o Santos poderia fazer uma boa partida contra o Barcelona. Inclusive escrevi aqui que o time brasileiro tinha chances de vencer o confronto. Mas, pelo que o time espanhol apresentou na final do Mundial de Clubes, a equipe comandada por Pep Guardiola é disparada o melhor do planeta.

O que o Barcelona fez contra o Santos deve ser chamado de uma aula de futebol.
Contra os brasileiros, a equipe catalã entrou em campo sabendo que era favorita e superior e se comportou como tal durante os 90 minutos, não dando chances ao adversário.
Venceu por 4 a 0, como poderia ter feito, pelo menos mais quatro gols, que não aconteceram graças às traves e ao goleiro Rafael - o melhor santista na partida.

Se assistir ao Barcelona na TV já gera um grande prazer para quem gosta do futebol bem jogado, quando se vê o time no estádio é possível realmente entender porque o Barcelona manda no futebol da Europa e Mundial atualmente.
É incrível a coordenação tática que a equipe tem. Todos os jogadores sabem muito bem o que é preciso fazer no gramado. O time está sempre em movimento, criando problemas para os adversários, mas seus jogadores não precisam correr muito em campo, porque o time está sempre compacto.

A movimentação constante faz com que qualquer jogador do Barcelona, quando recebe a bola, tenha no mínimo três ou quatro opções para passar a bola. Por isso, o time consegue trocar tantos passes e têm um volume de jogo inigualável.
Assim, como mutos toques, o time vai minando qualquer possibilidade do adversário, porque não há sistema defensivo que consiga ficar organizado sendo obrigado a correr, simultaneamente, atrás da bola e ainda cuidar da marcação dos jogadores.

A mesma movimentação que o Barcelona faz quando tem a posse de bola, ele realiza nos poucos momentos que o adversário tenta jogar. O time, além de saber atacar, tem o melhor sistema defensivo do planeta.
Consegue ter sempre vários jogadores pressionando o adversário. O time ocupa tão bem todos os setores do gramado que, quando está marcando, nenhum jogador do time catalão precisa dar carrinho ou chutão para tirar a bola dos adversários.

Também não se pode esquecer que o Barcelona só consegue ter sucesso e ser um time muito bem armado taticamente - inclusive com as inúmeras variações de formação -, pois conta com um elenco excepcional, com jogadores que sabem jogar em várias posições.
Por exemplo: se Messi está marcado, ele abre espaço para os seus companheiros de meio, como Xavi, Iniesta, Fabregas, que sabem muito bem como meias bem avançados que entram na área para finalizar.

O Barcelona é um time tão balanceado, que as jogadas acontecem com a mesma intensidade tanto pelo lado direito, que nos chama atenção graças aos avanços de Daniel Alves, quanto pelo esquerdo.

Nunca existiu time invencível, mas o atual Barcelona é o que mais se aproxima disso.

Até a próxima.

(*) Jornalista esportivo

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Só sobrou ele

Humberto Luiz Peron (*)

O ano seria perfeito. O time dele finalmente tinha um técnico de respeito, um elenco recheado de bons jogadores e ainda contava com três craques que poderiam fazer diferença. Como os adversários não contavam com grandes elencos, os títulos surgiriam durante o ano.

Sonhando com uma temporada de conquistas, ele preparou o estoque de desculpas que a esposa iria ouvir para não perder uma só partida do seu time na temporada. Também cuidou para não ter nenhum compromisso nas noites de quartas e quintas.

Como um eficiente relações públicas do seu clube, reuniu vários amigos que iriam aos estádios ou participar de animados churrascos quando o time jogava fora. No pacote, também havia camisas novas para ele, o filho e o pai.

O começo nada convincente na temporada não seria motivo de preocupação, pois equipe ganharia entrosamento e venceria pelo menos um dos títulos - o Estadual e o torneio mata-mata - que a equipe disputava no primeiro semestre.

A derrota no Campeonato Estadual não causou grande trauma. "Quem quer ganhar um torneio assim, que não vale nada?", pensou.

Ainda havia o importante torneio mata-mata que logo se transformou em prioridade da primeira metade do ano. No campeonato eliminatório, mais um desastre aconteceu e o time ficou pelo caminho.

Otimista ao extremo, o fanático tentava animar seus colegas dizendo que no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana tudo seria diferente. Para o segundo semestre a mudança seria grande, pois com as eliminações precoces a equipe teria um bom tempo para se preparar para o segundo semestre e novos reforços chegariam.

O começo do Nacional foi animador e equipe brigaria, com toda certeza, pelo título. Mas, com o passar das rodadas, o time começou a perder o fôlego.

Para o otimista, se não dava para ganhar o caneco, as chances de ficar com uma vaga para a próxima Copa Libertadores ainda eram grandes. Mas, ele não conseguia aceitar que o rendimento do time era pífio e que a cada rodada o clube ficava mais longe dos primeiros na classificação.

Nem mais uma eliminação na temporada, agora na Copa Sul-Americana, o fez ver que as coisas estavam perdidas.
Aos poucos, os amigos foram desistindo de acompanhá-lo nas partidas e de torcer pelo clube. Os churrascos para ver os jogos na TV foram perdendo público na mesma proporção, mas ainda havia sempre o pai e o filho para lhe fazer companhia.

Os vexames continuaram acontecendo e o time passou a lutar contra o rebaixamento.
Só sobrava um jogo na temporada. Mas, agora ele teria que ir sozinho. Os amigos tinham jogado a toalha faz tempo, o filho que sempre lhe importunava para ir ao estádio trocou o futebol por uma festa de um colega, e o pai alegava estar fisicamente cansado e também abriu a mão do convite.

E lá estava ele solitário no espaço reservado a torcida do seu time --parecia que não apenas os seus companheiros tinham desistido do clube, mas também todo o resto da torcida.

Sozinho, diante de um estádio lotado de adversários, ele soltou o grito mais alto de sua vida quando o gol da improvável vitória saiu. O tento, além de evitar o descenso do sua paixão, roubou o título do principal rival.
Feliz, saiu com um largo sorriso do estádio ao descobrir que só bastava a torcida dele para que seu time conseguisse a vitória.

No fundo, ele sempre soube que o seu time não passaria um ano inteiro sem lhe dar uma alegria.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O futuro é promissor

Humberto Peron (*)

Muitos adoram me chamar de saudosista quando o assunto é futebol. Não nego que adoro pesquisar, ler e falar de grandes lances, partidas e craques do passado. Mas tenho plena consciência de que o futebol jogado no passado nunca vai ser repetido e não serve de comparação com o que acontece nos gramados atualmente.

Confesso que estou animado e tenho certeza que nos próximos anos a qualidade do futebol praticado no mundo irá melhorar muito. Times como o Barcelona, no exterior, e o Santos, aqui no Brasil, principalmente, se conquistarem títulos, vão influenciar outras equipes a adotar o estilo ofensivo de jogar.

Aliás, o Barcelona prova que jogar ofensivamente é muito diferente de sair atacando sem planejamento e deixando inúmeros buracos na defesa para o adversário explorar. O time catalão consegue encurralar seus adversários porque marca muito.

O time aperta a saída de bola do adversário e, quando retoma a posse novamente, impõe um ritmo de jogo que faz o adversário correr muito, com a difícil tarefa de tentar parar as jogadas de Messi e seus companheiros.

Por isso, podemos não perceber, mas já temos uma geração de treinadores modernos, que se preocupam em achar alternativas de ataque para suas equipes. Já podemos sentir que técnicos que foram vitoriosos estão ficando ultrapassados e estão perdendo espaço.

É muito bom que essa nova geração de treinadores tenha redescoberto o 4-3-3, um esquema ofensivo, que, quando usado com inteligência, é muito eficiente também quando o time é atacado.

Fica claro que agora o talento volta a ser fundamental na escolha dos jogadores que entram em campo. Em pouco tempo, não haverá espaço para aqueles jogadores "brucutus", que só entram em campo para desarmar, dar carrinhos e passes curtos. Já é necessário --e exigido-- que os atletas, até os defensores, tenham condições de iniciar um jogada e habilidade para chegar ao ataque.

Hoje é primordial, por exemplo, que um volante faça tabela com os atacantes, entre na área do adversário e saiba finalizar de longa distância. Não faz muito tempo, o que era exigido dos volantes é que eles só marcassem e atuassem como zagueiros.

Com o talento voltando a ser essencial, com certeza a qualidade dos jogadores revelados também irá subir. Se observarmos nos últimos anos, voltaram a surgir jogadores habilidosos, sem medo de tentar um drible, e até armadores cerebrais, aqueles que ditam o ritmo de uma partida e que são capazes de acertar um lançamento longo ou um passe milimétrico.

Também vejo, principalmente no Brasil, uma mudança para breve no perfil de nossos dirigentes. É lógico que, como sempre, a evolução fora dos gramados será mais lenta. Mas em pouco tempo não haverá mais espaço para dirigentes que adoram se perpetuar no poder.

O futebol vai ser gerido por profissionais, obrigados a alcançar metas estabelecidas. Não tem jeito, por mais que se tente adiar, o modelo de administração amador utilizado hoje terá de ser abandonado para que os clubes sobrevivam.

No futebol, como na vida, reverenciar o passado não significa que você não se possa evoluir e mudar o presente e acreditar em um futuro promissor.

Até a próxima.

(*) Jornalista e colunista da Folha de São Paulo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pênalti, critérios, impedimentos e interferência

Humberto Peron (*)

Não marcaria o pênalti de Gil em Ronaldo na partida entre Corinthians e Cruzeiro. Desde o momento em que o vi lance, na hora da polêmica marcação, e vendo e revendo milhares de vezes as inúmeras repetições da jogada, não consigo ver falta do zagueiro no atacante.

No lance, só observo o zagueiro tentando cortar a bola, enquanto o centroavante vai recuando para tentar dominar a bola. Existe o encontro --aliás, futebol é um jogo de contato--, mas não há a falta.

Em lances como este, gosto sempre de observar o que acontece no instante da jogada. A marcação do árbitro "surpreendeu" a todos no estádio. Até o público demorou em perceber --e também para comemorar-- que o árbitro havia marcado a penalidade.

Respeito, mas chama a atenção que aqueles --que não são poucos-- que afirmam que houve a penalidade, precisam gastam muito tempo e justificativas para provar que Sandro Meira Ricci acertou no lance.

Mas eu acho que a importância desse lance, mais do que dizer se foi ou não pênalti, se existe um complô para favorecer um é outro time, é que ele escancara a total incompetência de quem dirige a arbitragem no Brasil.

Muitas das regras do futebol são interpretativas e, por isso, é fundamental que os árbitros tenham critérios definidos pelos dirigentes da arbitragem. É necessária uma padronização, principalmente para alguns lances comuns que acontecem em todas as partidas, mas que os árbitros tomam decisões diferentes.

Atualmente, no nosso futebol, cada árbitro adota o estilo que quer --há aqueles que deixam o jogo correr e outros que seguram a partida-- e muda o estilo de arbitragem durante a partida. Desculpe voltar ao lance do pênalti de Gil em Ronaldo, mas, com certeza, se você assistir ao vídeo do jogo vai ver o árbitro não assinalou falta em lances semelhantes.

A falta de apoio de quem comanda a arbitragem no Brasil faz com que os árbitros se envolvam muito no clima da partida, o que nunca deveria acontecer. Hoje, o árbitro quando é sorteado para um jogo já sabe imediatamente a importância da partida, o que ele representa e sabe quais os jogadores estão pendurados com dois cartões amarelos. Todos esses fatores somados acabam influenciando nas decisões do árbitro no campo.

Os árbitros também sabem que atuações ruins contra determinados times podem afetar suas carreiras. Um equívoco contra um time com força política maior vai fazer com que nos próximas rodadas ele não esteja na escala e uma possível chegada ao quadro internacional seja abortada.

Ainda falando de arbitragem --que inclui o juiz e seus auxiliares--, já passou da hora de se encontrar uma maneira --eletrônica ou mais dois auxiliares-- de se diminuir os erros na marcação de impedimentos.

Os erros na marcação de impedimento decidem muito mais partidas que qualquer pênalti mal assinalado. Uns quatro fora de jogos marcados incorretamente --como aconteceram no primeiro tempo da partida entre Corinthians e Cruzeiro, que a arbitragem deu três impedimentos que não existiram dos mineiros e um dos paulistas-- mudam inteiramente a história de uma partida.

O futebol chegou num nível de profissionalismo tão grande que não se aceita mais que a arbitragem altere no resultado das partidas.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" .

sábado, 16 de outubro de 2010

Cada jogo tinha sua história

Humberto Peron (*)

Não faz muito tempo, uma das coisas que me dava mais prazer --também por ser uma missão complicada-- era analisar e comentar uma partida de futebol.

Cada jogo tinha várias mudanças de esquemas e situações durante os 90 minutos. Pequenas --e grandes-- alterações táticas e de posicionamento, que faziam o ritmo da partida mudar totalmente. Também havia substituições que surpreendiam e transformavam o andar do jogo e, que realmente, poderiam ser classificadas como mudanças.

Ou seja, um minuto de distração para quem estava analisando o jogo e você poderia perder o detalhe que fez mudar o resultado. Cada partida se tornava um desafio para ser analisada, pois era difícil prever o que aconteceria.

Hoje, tendo que acompanhar semanalmente as partidas do nosso futebol, é fácil perceber que todas estão com um roteiro bem definido.

Não há surpresas, antes de a bola começar a rolar, você já sabe exatamente o que irá acontecer, períodos das mudanças e, sem muito esforço, é fácil descobrir as substituições que serão realizadas.

Pode reparar, mas o que eu vou narrar abaixo é que acontece nas partidas do Campeonato Brasileiro.
Começa o jogo e o time da casa toma a iniciativa. Fica um bom tempo no campo de ataque, mas não consegue criar uma jogada de perigo. Toca a bola, a gira de um lado para o outro, mas não tem objetividade nenhuma.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O time só em junho de 2014

(*) Humberto Luiz Peron

Sem saber quem será o novo técnico da seleção brasileira já não concordo com a forma que a CBF e seu presidente querem planejar o nosso time para 2014. Está certo que a idade do nosso time na África do Sul era elevada e que muitos dos jogadores não teriam condições de jogar a Copa aqui no Brasil e que a renovação é necessária.

Aliás, ficou bem claro na entrevista dada pelo cartola que além de jogar grande parte do nosso fracasso nas costas do treinador Dunga e no seu auxiliar Jorginho, Ricardo Teixeira ficou decepcionado com boa parte dos jogadores, não pelo seu desempenho, mas também na parte da relação dos atletas e a exposição de marcas dos patrocinadores.
Principalmente quando o cartola afirma que os jogadores viajam de classe executiva e ficam nos melhores hotéis graças ao dinheiro pago pelos parceiros da CBF.

A saída do atual presidente da CBF seria um bom início para o nosso sucesso em 2014, mas como todos nós sabemos isso não vai acontecer. Por isso, o que não se pode fazer agora é montar um time só pensando em jogadores que poderão disputar a Copa do Mundo de 2014. Esse negócio de grupo fechado muito tempo antes da competição acabou não dando certo nos dois últimos Mundiais.

Também não me agrada a ideia de jogar um Mundial com um time com muitos atletas que nunca disputaram uma Copa. Já que nos últimos dias nos lembramos muito da seleção brasileira de 1982, pelas mais diversas razões, é sempre bom dizer que uma das razões da nossa derrota para a Itália foi que muitos dos nossos jogadores titulares nunca tinham disputado uma Copa do Mundo e isso faz diferença. A história de nossos títulos em Mundiais mostra que muitos jogadores que saíram como perdedores em uma Copa se transformaram em heróis quatro anos depois.

O certo agora seria convocar os melhores jogadores, independentemente da idade que eles terão em 2014. É lógico que nessas convocações devem aparecer nomes de revelações. Temo que uma sucessão de derrotas com um time de jovens acabe com uma geração de novos atletas. Ainda é muito cedo para que nomes como Paulo Henrique Ganso, Neymar, Sandro, já no próximo amistoso contra os Estados Unidos, em agosto, entrem em campo com a responsabilidade de jogarem como protagonistas da seleção.

Esse processo de renovação de jogadores tem que ser feito aos poucos, com os jogadores entrando aos poucos sem queimar talentos. É sempre bom lembrar que faz um tempo que não conseguimos revelar um craque. Não é nenhum exagero dizer que na última década só revelamos Kaká e Robinho. Deles, só Kaká conseguiu jogar bem em grandes times da Europa e conquistou títulos importantes. Já Robinho, não vingou no Real Madrid e foi mal no Manchester City. Temos goleiros, zagueiros e volantes jogando em grandes times, mas não temos mais meias e artilheiros brilhando no futebol mundial. Ou seja, paramos de revelar jogadores que fazem a diferença nas partidas.

Sempre bom dizer que aqui no futebol brasileiro nenhum trabalho resiste à falta de resultados. Por mais que se fale que o novo treinador terá todo o tempo para trabalhar, todos nós sabemos que uma sequência de bons resultados vai gerar especulações. Já que a CBF precisa tanto de seus parceiros, não sei se eles irão aprovar que suas marcas estejam associadas a uma equipe que não vai estar entre os primeiros. Sem dizer que as cotas de amistosos vão cair se não estiverem presentes nossos jogadores mais famosos.

Um time para a Copa do Mundo se forma muito perto, ou até durante, o Mundial. Por isso, não adianta tentar definir em agosto de 2010 quais os jogadores que estarão em campo em no próximo Mundial. O mais importante é que se convoquem os 23 melhores em junho de 2014 - o que Dunga não fez em 2010 e, por isso, olhava para o banco e não tinha opções para mudar o estilo do time.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol. Escreve para Folha de São Paulo

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dentro do que Dunga pensa

Humberto Peron (*)

Vamos esquecer que queremos ver uma seleção jogando para frente, ou de uma maneira totalmente diferente. Nessa Copa da África do Sul temos que analisar o time do jeito que Dunga pensa e do que quer do time que armou. Se usarmos a visão do nosso técnico, somos obrigados a dizer que a seleção fez uma partida muito boa contra a decepcionante Costa do Marfim.
Se no começo o time sofreu com a marcação de intermediária a intermediária imposta pelos marfinenses, o Brasil se não criava também não corria riscos. Os nossos volantes --Gilberto Silva e Felipe Melo-- funcionavam muito bem na marcação, mas não conseguiam fazer a transição para o ataque. Os dois cansavam de dar toques laterais ou erravam os passes mais longos. O Brasil tinha uma boa opção de ataque pela direita com a dupla Maicon e Elano, mas pela esquerda Michael Bastos estava muito tímido.

No pensamento do nosso treinador, num jogo equilibrado é preciso aproveitar a chance de gol. E foi isso que aconteceu. Quando numa triangulação entre Robinho, Kaká e Luís Fabiano acabou surgindo o primeiro gol do Brasil.
Com o gol de vantagem, o Brasil passou a jogar da maneira que mais gosta com Dunga no comando: explorando os espaços que o adversário deixa quando busca o empate. Assim, com um gol de vantagem, até os nossos volantes, principalmente Gilberto Silva, começaram a tentar --e acertar-- lançamentos longos. Pena que os jogadores que recebiam a bola não conseguiam dar sequência nas jogadas.

O gol logo no início do segundo tempo de Luís Fabiano --tão belo, quanto irregular-- acabou decidindo a partida. Os espaços sobraram ainda mais e Kaká, pela primeira vez no Mundial, conseguiu fazer seu arranque característico pela esquerda e deu um belo passe para Elano fazer o nosso terceiro gol na partida.
Depois disso, o Brasil mandou totalmente na partida, com direito a belos toques de primeira. O time perdeu o controle do jogo quando começou a se desconcentrar com as entradas mais duras dos marfinenses e querer revidar as faltas mais violentas. Aí o time se perdeu. Começou a dar muitos espaços para o adversário e Júlio César começou a ter que fazer intervenções importantes na partida. Até contra-ataques o time começou a ceder, o gol da Costa do Marfim começou assim e terminou com a cabeçada de Drogba livre.
Mas, mais que o gol tomado o pior para o Brasil foi perder Kaká --expulso infantilmente.
Seria importante para o nosso melhor jogador atuar contra Portugal para pegar ritmo de jogo.

No final, a vitória garantiu a nossa classificação antecipada para a próxima fase, que era tudo que Dunga e sua comissão técnica queriam para provar que eles sabem o que estão fazendo.
Aliás, tenho medo que a Copa de 2010 prove que só o Dunga sabe o que é futebol no Mundo. Bom, pelo menos o Brasil vai ganhar a Copa.
Até a próxima.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol. Escreve para Folha de São Paulo

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vida de jogador: trocando seis por nada

Humberto Peron (*)

Diariamente acompanhamos jogadores reclamando da situação dos clubes em que estão. As razões para o descontentamento são as mais variadas possíveis. Elas passam por falta de oportunidade no time, mau relacionamento com os companheiros e treinador, falta de identificação e brigas com a torcida ou uma proposta irrecusável de um time obscuro da Europa ou do Oriente Médio.
Bem, poderíamos gastar horas listando o que os atletas inventam de desculpas para abandonar um clube e procurar outro lugar para jogar. Está certo que os clubes, em muitas oportunidades, não cumprem o prometido com os atletas, mas eu acho que os profissionais são muito mal orientados em alguns casos.
Muitos não o devido valor à situação privilegiada de poder estar num clube grande, com estrutura, e acabam se enfiando em tremendas barcas furadas. Por essa precipitação acabam tendo suas carreiras seriamente prejudicadas e abreviadas.

Aqui, passo para vocês um depoimento de um jogador que poderia ter tido um futuro brilhante, mas por ter cometido vários erros nas suas transferências, hoje vive com dificuldades. Nas partidas de veteranos de que participa, ouve sempre a pergunta fatal que mina a autoestima de qualquer ex-jogador: "Quem é você mesmo?"
"Eu fui muito burro. Joguei tudo fora na minha vida. Tive a chance de passar por um funil que poucos conseguem. Cheguei a um time grande de São Paulo e não soube o que fazer. Não dei valor ao que eu tinha conseguido e nem ao meu talento.
Olha aqui, veja quantos ex-jogadores. Eu sei que muitos foram bem piores do que eu. Cara que fica dando autógrafo aí, tido como símbolo do clube, era meu reserva. Tem um monte de gente aí que nem era relacionada quando eu era juvenil. Agora, eles estão bem. Foram espertos.
Uma pena que só hoje eu percebo a potência de um clube como esse. No meu tempo, a gente não tinha a estrutura que os jogadores têm, com campos de treino, tratamento médico de primeira, mas o que o clube oferecia era bom demais.

Cara, eu saí desse time grande por besteira. Eu tinha estourado de idade, sempre me concentrava com os profissionais. Aos poucos, fui conquistando um lugar no banco e com o tempo comecei entrando nas partidas. O engraçado é que eu aguentava tranquilo todo o período que esperava ficar entre os reservas.
Mas, quando eu comecei a entrar nas partidas, aí fiquei impaciente. Quando você joga num time grande, vem logo a fama. Você tem o seu lado vaidoso, quer aparecer cada vez mais. Eu queria estar na TV para mostrar para os meus amigos da vila. Também, naquele tempo, quando você entrava no jogo e o time ganhava, o bicho vinha. Me lembro que só com os meus três primeiros bichos eu consegui comprar um carro.
Então, eu comecei a forçar a barra para ser titular. Por mais que os diretores, o treinador e os veteranos do time tentassem me explicar que eu era novo, eu nem queria saber. Por isso, fui fazendo uma besteira atrás da outra. Logo, descobri que poderia ganhar um bom dinheiro jogando em uns jogos de várzea. Eu, muito bobo, inventava uma contusão para ficar de fora de um jogo de profissionais para jogar em alguma quebrada.

Também me faltou alguém que me orientasse. Hoje, qualquer garoto de 12, 13 anos tem procurador. Eu não tinha nada disso. Eu, otário, cai no papo de um diretor de um time de nome do Rio de Janeiro e comecei a forçar minha saída daqui. Como naquele tempo tinha o passe, comecei a aprontar mesmo para que o time me liberasse, com o preço baixo.
Eu comecei a chegar atrasado aos treinos, brigar em treinamentos, tudo para forçar a minha saída. Em nenhum momento pensei no clube e, o que é bem pior, em mim. Eu não percebia --e nem sabia-- que estava acabando com as minhas chances em um dos grandes clubes daqui.
Consegui meu objetivo. O clube me vendeu e fui para o Rio de Janeiro, com um salário quase dez vezes que eu ganhava em São Paulo. Eu estava acostumado com o ritmo daqui e quando eu cheguei lá as diferenças eram tremendas. O ritmo de treinamento era outro, as condições do departamento médico eram ruins.

Para complicar ainda mais eu cheguei num time que tinha um monte de craques e grupo de jogadores que controlava quem jogava ou não. Não tinha jeito: quem não entrasse na patota desses caras, dançava. Eu sem experiência tentei enfrentar a "panela" e me dei mal.
Não jogar tudo bem. Mas a coisa complicou quando chegou o dia do primeiro pagamento. A grana não caiu. Fui falar com o diretor que me contratou, e ele me pediu dez dias de prazo. Que viraram trinta dias, dois meses e foi indo. No terceiro mês, fui cobrar de novo. Ouvi que o clube não me pagaria porque eu não jogava. Aí eu descobri que nem o meu passe eles tinham me acertado.

Tentei voltar ao meu time de origem, mas eles não me aceitariam por tudo que eu tinha feito para forçar minha saída. A única coisa que eles fariam era me dar o passe. Fiquei com os meus direitos, mas como era o mês de agosto, eu só teria condições de jogar em outro time no próximo ano.
Procurei vários times no período e não conseguia nenhum time para jogar. Caí numa lista negra, já que tinha criado problemas em dois times grandes. Só achei lugar num time do interior de Goiás.
Com todo respeito, aí foi o meu fim.

O clube não tinha nem bola para treinamento. Os jogadores cuidavam do próprio material e tudo que o clube dava de alimentação era um café com um pão com manteiga amanhecido. Na concentração, eu dormia no chão num lugar que só tinha mosquitos. Ainda era sacaneado pelos meus companheiros que diziam que eu tinha que resolver as partidas, pois ganhava mais e tinha jogado em grandes centros.
Em um ano, tinha saído do céu para o inferno. E infelizmente ainda estou nele. Já faz 20 anos."

Depois da última frase não falou mais nada. Nem precisava.
No futebol, como na vida, é preciso dar valor ao que se tem e nunca, por precipitação, trocar seis por nada. Em muitas oportunidades não há como reparar o erro.

Até a proxima.

(*) Humberto Luiz Peron, 41 anos, é jornalista esportivo
Acompanhe mais pitacos em twitter.com/humbertoperon

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Os altos e baixos de 2009


Humberto Peron (*)

Chegou o momento ideal para realizarmos um balanço do que fizemos durante o ano, para avaliarmos quais foram nossos acertos e nossos erros. Aproveitando os últimos dias de 2009, Futebol na Rede faz um balanço dos times, jogadores, dirigentes e técnicos que, atuando no Brasil, tiveram destaque no ano, sem esquecer daqueles que tiveram problemas e terminaram a temporada em baixa.

Altos
Dunga - O treinador da seleção termina 2009 em situação bem melhor do que a do começo do ano. Não se discutem os excelentes resultados que ele teve. Classificou a seleção com antecedência e sem sustos para a Copa-2010. Ganhou a Copa das Confederações e conseguiu bater grandes adversários, como a Argentina --na casa da nossa rival-- e teve atuações convincentes contra a Itália, a atual campeã do mundo.

Marta - A jogadora sai consagrada após conquistar pela quarta vez consecutiva o título de melhor jogadora do planeta. Digo sem nenhuma dúvida de errar, que ela representa para o futebol feminino, o mesmo que Pelé representou para os homens na década de 1950. Com o surgimento de Marta, o Brasil, conseguiu ser finalmente uma potência da modalidade, mesmo com a precária estrutura do esporte no país. Neste ano, com a sua passagem pelo Santos, vimos como ela consegue levar público aos estádios.

Flamengo - O título de campeão brasileiro mostrou que o Flamengo, mesmo sem ter uma grande estrutura, é uma potência do nosso futebol e que com um pouco de organização consegue enfrentar qualquer clube do país. Também não podemos deixar de citar o técnico Andrade, que conhecendo como poucos os bastidores da Gávea, acertou o time taticamente e conseguiu comandar um grupo que apresentava vários problemas de disciplina. Na campanha brilharam também o goleiro Bruno, o herói Ronaldo Angelim, o meia Petkovic, que deu brilho ao time, e o artilheiro Adriano, que de volta às suas origens voltou a ter prazer em jogar futebol.

Fluminense - A reação para escapar do rebaixamento foi antológica. O que a equipe jogou nas últimas partidas do Brasileiro é para ficar na memória dos torcedores de qualquer equipe. Como pilares dessa salvação do Fluminense, estão o técnico Cuca, o meia Conca e o atacante Fred, que depois de se recuperar de uma contusão resolveu várias partidas com o seu faro de artilheiro.

Vasco - Conseguiu superar o trauma da queda e conseguiu o acesso, até com certa tranquilidade. O clube apostou no trabalho do técnico Dorival Júnior*e teve em Carlos Alberto*, que parece agora só querer jogar futebol, a sua grande estrela. Ainda na Série B, também devem ser lembrados Guarani, Atlético-GO e Ceará que estarão na primeira divisão em 2010.

Ronaldo - Mostrou em campo que ainda pode fazer a diferença. Foi fundamental para o Corinthians nas conquistas do Campeonato Paulista e na Copa do Brasil, no primeiro semestre. Ídolo, arrastou aos estádios um grande número de torcedores que só foram ao campo para ver o atacante.

Campeonato Brasileiro - Ninguém pode dizer que o Nacional desse ano não foi muito emocionante. Pode se questionar o nível técnico das nossas equipes, mas o torneio atraiu a atenção de todos. O aumento do público nos estádios prova que o sistema de pontos corridos caiu no gosto do torcedor e que a fórmula consegue reunir vários jogos decisivos no mesmo instante.

Silas - O treinador do Avaí fez um trabalho excelente no clube catarinense. Agora, no Grêmio o técnico, com um time que faz mais investimentos, terá mais chances de provar se é um técnico diferenciado. Aliás, aqui vale também um registro para o Avaí, que fez uma grande campanha no Nacional.
Cruzeiro e Internacional - Está certo que esses clubes conquistaram apenas os títulos estaduais e perderam alguns torneios que estiveram muito perto de ganhar. Mas, eles merecem destaque porque estão sempre aparecendo como protagonistas dos torneios que disputam, mesmo com menos receitas do que os clubes do eixo Rio-São Paulo.
América-MG, ASA, Icasa e Guaratinguetá - Passaram pelo funil da Série C e no ano que vem disputarão a segunda divisão do Brasileiro. Que os exemplos de Guarani e Atlético-GO, que subiram direto duas divisões, sirvam de inspiração para esses clubes.

Baixos
Arbitragem - Foi muito ruim o nível de atuação dos nossos árbitros. Eles cometeram erros terríveis e mudaram o resultado de várias partidas. É triste, mas a verdade é que não temos nem dez árbitros que possam dirigir os jogos da Série A sem problemas. O problema é que vamos precisar de algum tempo para formar uma nova geração de árbitros, isso se quem comandar a arbitragem no Brasil for competente, o que não acontece há muito tempo.

Tribunais Esportivos - O que não faltaram foram decisões polêmicas, algumas sem nenhum sentido. Faltou coerência nos julgamentos, pois vários casos semelhantes tiveram penas totalmente diferentes. Que, no próximo ano, tenhamos que falar menos o nome de juízes e auditores.

Jobson - No momento que o tinha tudo para brilhar na carreira, foi pego, duas vezes, no antidoping por uso de cocaína. O que não se pode agora é abandonar o jogador. É preciso dar todo o apoio para que ele resolva seus problemas.

São Paulo - O São Paulo, mesmo brigando pelo título brasileiro, em nenhum momento do ano mostrou a força que teve nos últimos anos. As contratações não deram certo e o clube, sempre muito forte nos bastidores, teve algumas derrotas longe dos gramados.

Palmeiras - Fez grandes investimentos, mas perdeu de maneira bisonha o Campeonato Brasileiro e ainda conseguiu perder a vaga para a próxima Taça Libertadores. O time desmontou quando ficou sem alguns jogadores importantes e a diretoria demorou em tomar alguma atitude quando era visível, pela queda de rendimento do clube, que havia problemas de relacionamento dos jogadores. Também decepcionou o trabalho do presidente Luiz Gonzaga Beluzzo, que aparecia como uma novidade, mas se comportou com os mesmos vícios de velhos dirigentes.

Violência no Couto Pereira - Nada justifica as cenas de barbárie que aconteceram no estádio do Coritiba na última rodada do Brasileiro. O clube já tomou uma pena dura, que espero que seja mantida. Agora, se espera que os vândalos que invadiram o gramado e cometeram todo tipo de agressão sejam punidos com cadeia.

Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo - Apontados como os grandes treinadores do nosso futebol, os dois tiveram um ano ruim. Muricy Ramalho foi dispensado do São Paulo e no Palmeiras não conseguiu ser sombra do treinador que tem capacidade de ser. Já Vanderlei Luxemburgo, depois de ser demitido do Palmeiras, esteve no Santos e pouco fez.

Futebol pernambucano - Náutico e Sport caíram para a Série B, o Santa Cruz foi desclassificado no início da Série D. Uma pena para os torcedores pernambucanos, que adoram futebol e já viram seus clubes, por tanto tempo, brigando em igualdade de condições com os grandes do futebol brasileiro.

Bom, já usei esta frase nos últimos anos, mas não custa nada repetir: Um excelente 2010 para todos nós e que os nossos times só tenham altos no próximo ano.
Até a próxima.

(*) É jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online .

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Efeito cascata


Humberto Luiz Peron (*)


Os palmeirenses estão frustrados. Só uma tragédia poderia tirar o título do Palmeiras e ela aconteceu. Nas duas últimas semanas, todos os dias chegam mensagens de palmeirenses me perguntando qual a razão --ou razões-- do declínio da equipe.
Eu penso que a origem dos problemas que o Palmeiras enfrenta no momento se resume a apenas um motivo, ou melhor, três contusões.
Quando perdeu, num curto espaço de tempo, Maurício Ramos, Pierre e Cleiton Xavier, machucados, começou a lenta agonia do clube no Campeonato Brasileiro. 
Sem esses jogadores o time se desmontou e todos os problemas começaram a surgir.

Sem Maurício Ramos e Pierre, o sistema defensivo do Palmeiras acabou. 
Sem o seu zagueiro central titular, a defesa palmeirense começou a tomar seguidos gols de cruzamento, o que não acontecia com ele na equipe.
Já a ausência de Pierre acabou com a proteção da defesa. 
O Palmeiras começou a tomar muitos gols com os adversários carregando a bola desde o meio, sem que nenhum volante conseguisse evitar o lance.
Como o volante também tem senso de colocação excelente, ele consegue pegar vários rebotes. Sem Pierre na equipe, o time não conseguia recuperar essas bolas e dava sempre a oportunidade de o adversário ficar com a posse de bola. Em algumas partidas a defesa aliviava o perigo, mas logo em seguida o adversário estava com a posse de bola de novo.
Se você pegar alguns jogos do Palmeiras, o time, mesmo atuando mal, conseguia segurar o resultado com a força da defesa e da marcação. Mas, sem Maurício Ramos e Pierre, isso ficou impossível.

A ausência de Cleiton Xavier acabou com a criatividade do time. Com sua ausência ficou muito fácil marcar o time do Palmeiras. O único jogador que poderia fazer a diferença era Diego Souza, que, muito bem marcado e também muito pouco inspirado, pouco fez sem a presença do camisa 10 em campo. Sem seu armador principal, o Palmeiras começou a utilizar cada vez mais as ligações diretas para o ataque.
Está certo que, pelo que expliquei, qualquer time sentiria os desfalques, mas aí o técnico Muricy Ramalho poderia ter feito a diferença ou achar alternativas para que o futebol da equipe não caísse tanto. Até porque, não há como negar, é um dos grandes treinadores do Brasil. Ninguém ganha três títulos brasileiros seguidos apenas no acaso.
Sem os três desfalques, Muricy mudou a estrutura e a equipe só piorou. Seria correto manter o time jogando com quatro zagueiros, dois volantes, dois meias e dois atacantes, apenas com a substituição dos jogadores. Por exemplo: trocar Cleiton Xavier por Deyvid Sacconi e Pierre por Jumar não mudaria a forma de o time jogar. O time perderia tecnicamente, mas não teria alterada a estrutura que o havia levado à liderança.
Mas o técnico optou por jogar com quatro zagueiros, três volantes, um meia muito longe dos volantes, quase como um terceiro atacante e dois avantes. Ao mudar a estrutura, 

Muricy deixou o time composto por dois blocos bem distintos: sete defensores recuados e três atacantes. Aí não tem como um time jogar.
Em outras oportunidades ele apostou no 3-5-2, mas de novo o time não conseguia sair dos dois blocos bem distintos de sete na defesa e três na frente, com os avantes correndo atrás dos chutões dados pelos zagueiros e o time adversário tendo muito espaço para tocar a bola.
Tem que se dar um desconto para Muricy, já que ele não formou o atual elenco, mas com intervalos de tempo para treinar a equipe ele não conseguiu dar um padrão tático. Após a contusão do trio de titulares o time não apresentou nenhuma novidade, pelo contrário, o time caiu de produção. Nem uma das principais características do treinador, que era explorar muito bem os defeitos do adversário, Muricy tem conseguido fazer.
No futebol é muito fácil mascarar as coisas quando o time está ganhando ou em primeiro lugar. Por isso, se a diretoria acertou em manter alguns dos principais jogadores no meio do ano, ela demorou demais para tomar alguma providência quando ficava claro que havia um desgaste entre os jogadores.

Se em uma determinada época as declarações dos atletas mostravam a disposição na conquista do título e que estava excelente o ambiente de trabalho, de repente elas passaram a ser de cobrança pública e de pedidos de mais comprometimento. 
Essa mudança no tom já era um sinal de que algo não funcionava direito entre os jogadores e que era necessário que alguma providência fosse tomada.
Teve um período de treino em Atibaia, mas parece que não se resolveram os problemas no ambiente do clube que terminaram no episódio melancólico da troca de agressões entre Maurício e Obina no Olímpico. Aí foram tomadas providências, mas o tempo de se consertar algo já havia passado.
Faltou ao elenco a maturidade para resolver seus problemas internamente e, principalmente, saber que todos ganhariam se o time fosse campeão.
Todos nós sabemos que ainda há chances de o time ficar com a taça, mas, convenhamos, agora seria a hora de o Palmeiras estar comemorando o título e não apelando para a calculadora e torcendo por resultados dos adversários --que é a melhor coisa que os palmeirenses fizeram nesse final de campeonato.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" .
      Escreve para Folha de São Paulo 

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Árbitros ou chupadores de apito


Árbitros: discussões eternas
Humberto Peron (*)
Não passamos uma rodada sem comentar os erros da arbitragem. Agora, na fase final do Campeonato Brasileiro, os erros são amplificados. Um equívoco pode decidir o campeão ou o rebaixamento de uma equipe. Antes de tudo é preciso dizer que não é exclusividade da atual geração de árbitros brasileiros cometer erros históricos.
Na história do torneio, desde 1971, não faltam casos de campeonatos que foram decididos por erros graves pelos homens do apito --com certeza você já pensou em pelo menos dez jogos em que o seu time foi prejudicado.

Não defendo a tese de que os erros do árbitro são bons para o futebol porque garantem discussão durante a semana. Muito menos sou um daqueles que adoram que o time vença mesmo que seja "roubado". Sou partidário de que as vitórias da minha equipe sejam incontestáveis, sem que ninguém possa questionar o triunfo.
Voltando aos apitadores.
Todos nós sabemos que não é fácil dirigir uma partida no Brasil. Os jogadores são manhosos, os dirigentes fazem pressão, existem milhares de câmeras numa partida, os árbitros são julgados sem muita ética por antigos colegas que esperam a repetição do lance para dar seu veredicto e criticá-lo. Creio que os árbitros sejam honestos e conheçam a regra do jogo.

Também existe o fato de que os árbitros não contam com qualquer apoio da comissão de arbitragem. Nunca um dirigente da arbitragem vem a público dizer se o árbitro acertou ou errou em um lance polêmico. Os árbitros, coitados, precisam se defender sozinhos de todos os ataques.
Então, o que faz os árbitros brasileiros cometerem tantos erros? Aliás, vamos ser honestos --árbitros de todos os cantos do planeta, inclusive os europeus, não se cansam de cometer erros absurdos.
Penso que um dos grandes problemas da arbitragem brasileira sempre foi que os árbitros se envolvem demais nas partidas.

Eles não conseguem ficar longe do clima do jogo. Se você reparar, as declarações dos árbitros antes da partida são parecidas com a dos jogadores que vão entrar em campo. Está certo que o árbitro precisa estar concentrado, mas é muito ruim para quem vai decidir o que marcar numa fração de segundo ter o mesmo nível de ansiedade do jogador.
Também vejo com envolvimento o árbitro saber tudo o que a partida representa. Todos os homens do apito sabem exatamente o que a partida vai decidir. Por exemplo, se um time vencer o jogo, o que vai mudar no campeonato. Também sabem os jogadores que estão pendurados com cartão amarelo. Os árbitros sabem disso, por mais que eles neguem. Você pode reparar nos jogos finais: se pensa muito para dar um cartão para um jogador em um lance que no meio do torneio seria punido com amarelo. Isso é bem claro.
Esse envolvimento demasiado faz o árbitro apitar uma partida pensando na escala na próxima rodada. Por isso, os árbitros inconscientemente tendem a fazer uma arbitragem mais política, inclusive protegendo aquele time mais forte nos bastidores. Isso leva a grandes distorções na arbitragem.

Vamos usar o exemplo do jogo Náutico e Flamengo. Estava muito claro que o gol anulado do time pernambucano foi uma decisão acertada do árbitro e do seu auxiliar. Agora o que não dá para entender foi como Sandro Ricci precisou de cinco minutos de conferência com os auxiliares e com o árbitro reserva.
Se ele marcasse o impedimento logo de cara acabaria qualquer discussão ali. Mas, com certeza, a importância da partida fez com que ele ficasse tentando buscar apoio na sua decisão. Quem pode garantir que nesse período todo ele não foi comunicado que a TV provou que ele teria que anular o gol? Ele foi extremamente cuidadoso, porque sabia que sua decisão prejudicaria o torneio.
Infelizmente os árbitros brasileiros sabem que se não forem políticos suas chances de escala na próxima rodada são pequenas. Ou, o que é pior, podem ter sua carreira prejudicada.
A história é velha, mas indica muito como se comporta quem decide o que vai acontecer com a carreira dos árbitros no Brasil. Atualmente, os árbitros sabem que a situação não mudou.

Na célebre decisão do Campeonato Paulista de 1971, aquele jogo em que Leivinha, do Palmeiras, marcou um gol de cabeça no São Paulo, mas que o árbitro --não vou dizer o nome dele aqui-- anulou o gol dizendo que a finalização foi com a mão. No lance, o novato auxiliar Dulcídio Wanderlei Boschilla correu para o meio indicando que o gol foi legal, expondo ainda mais o erro do árbitro principal.
O egocêntrico árbitro parece que nunca esqueceu a falta de solidariedade do seu auxiliar. E, muito bem relacionado, evitou que Boschilla, mesmo apitando inúmeras decisões de Campeonato Brasileiro e sempre sendo escalado nos jogos mais complicados, nunca chegasse aos quadros da Fifa.
Sem distanciamento total do que uma partida significa o árbitro nunca vai conseguir fazer o julgamento correto dos lances.

(*) Jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha de São Paulo .

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Apitos em xeque


A arbitragem no Campeonato Brasileiro está um desastre. Isso não é nenhuma novidade. Em todas as rodadas acontecem várias reclamações e os árbitros interferem diretamente no resultado das partidas. O erro de arbitragem sempre vai acontecer no futebol, mas no atual momento os árbitros e seus auxiliares cometem falhas além do que seria aceitável.

Está certo que os mais desesperados conseguem observar, no mínimo, cinco pênaltis, a favor do seu time de coração, mas olhando com o máximo de imparcialidade é possível observar vários erros. Os equívocos não se restringem apenas aos lances de pênalti ou gols irregulares, mas também em lances que são fáceis para a arbitragem e que os árbitros não poderiam errar.

Tudo bem que é muito difícil ser árbitro no Brasil. Além de os jogadores não colaborarem, não existe nenhuma barreira para proteger o árbitro. No nosso futebol, eles recebem pressão de todos os lados --nos estádios, dos dirigentes, da torcida e até de ex-colegas de profissão agora transformados em comentaristas de arbitragem.

Sem dizer a crueldade de se julgar o árbitro depois do quinto replay. Para ser honesto com eles, a opinião de quem analisa deveria ser feita no momento do lance, sem a ajuda da câmera lenta. Quantas vezes, por exemplo, você tem a impressão de que houve um pênalti claro e ao ver a repetição observa que não aconteceu nada?

Não acho que os árbitros sejam os maiores culpados pelo mau momento. Está certo que atualmente no futebol brasileiro não temos árbitros para "meter" medo nos jogadores. Nem os árbitros que fazem parte do quadro da FIFA conseguem isso.

Eu diria que falta aos nossos árbitros personalidade na hora de conduzir uma partida. As decisões deles são muito mais contestadas porque até os próprios árbitros em alguns lances não têm a mínima convicção do que marcaram. Quando o árbitro fica muito tempo tentando explicar com gestos o que ele marcou --ou a razão de não ter marcado-- se percebe claramente que quem comanda a partida ficou com dúvida na anotação. O gestual todo se torna uma ferramenta para até ele acreditar na sua interpretação.

Mas o grande problema da arbitragem brasileira no momento é a falta de comando. Como já disse, os árbitros são deixados de lado e ficam com toda a responsabilidade dos erros. Nas grandes crises, ninguém da comissão de arbitragem se manifesta. A direção deixa os árbitros expostos ao julgamento da opinião pública.

O trabalho da comissão de arbitragem se limita a escalar os árbitros para os sorteios e afastar os mesmos. Aliás, na geladeira, ninguém sabe o que acontece com o árbitro. Não se tem notícia de um curso de reciclagem. Será que ele ficando parado, só assistindo partidas, vai melhorar seu desempenho? Lógico que não.

O certo seria o árbitro apitar partidas de divisões menores para não cometer mais o mesmo tipo de lambança. Sem dizer que depois que os árbitros voltam à ativa, como eles foram marginalizados pelos seus comandantes voltam sob suspeita da sua competência.

Por tudo isso, falta à comissão dirigir realmente a arbitragem. Por exemplo: não se vê nenhum esforço para a padronização de critérios de faltas, cartões e parte disciplinar. Cada árbitro tem o seu. Lances idênticos têm interpretações totalmente diferentes. Não se vê nenhum movimento para melhorar a colocação dos árbitros e auxiliares, causa principal dos erros nas partidas.

Faltam também mais cursos de reciclagem --se eles são feitos, além da falta de divulgação não estão apresentando resultados. Atualmente, fica nas mãos de alguns sindicatos a atualização dos árbitros.

Segundo quem dirige a arbitragem no Brasil em 2014 teremos um quadro de apitadores de primeiro nível. Não acho que será possível o nosso futebol conviver mais cinco anos com arbitragens desastrosas.

(Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras).

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Outro rabisco de peso

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance".
Escreve para a Folha de São Paulo On-Line

Confirmamos com grande satisfação que estamos tendo a honra em também receber
do colunista Humberto Luiz Peron autorização para publicar em nossos Rabiscos sua coluna
Futebol na Rede publicada na Folha On-Line.
Ao colunista Humberto Luiz Peron nossos sinceros agradecimentos pela confiança.