Produtores de Minas investem no cultivo de madeira nobre
Produtores de Itaúna, no centro-oeste de Minas, estão investindo no cultivo de madeira nobre. A produção vai abastecer o setor moveleiro.
Para acelerar o ponto de corte, eles adaptaram várias técnicas.
Uma delas é acabar com a dormência, estado em que as plantas entram no período de estiagem.
Na fazenda Braúnas, a pecuária ganhou um concorrente: a madeira nobre.
Em dois hectares e meio, no lugar de pasto, cedro australiano.
A lavoura foi dividida em linhas e colunas. Essas coordenadas facilitam a localização e o acompanhamento de cada planta. Os dados são repassados para um painel. A cada quatro meses, tem poda. Quanto mais lisa e reta a árvore, maior o valor de mercado da madeira. Para acelerar o crescimento o produtor optou pelo espaçamento reduzido. “O sol é um dos fatores principais para o cre scimento da árvore.
Com o espaçamento reduzido, nós temos a competição de uma árvore com a outra, por causa da incidência de luz por cima”, explica o agricultor Alessandro Machado Sousa.
Resultado: o cedro australiano vai completar dois anos crescendo o dobro do previsto para essa idade. Se continuar assim, Alessandro conseguirá reduzir em até cinco anos o ponto de corte. “Temos a projeção de bastante mercado, ou seja, bastante demanda de madeira nobre para a indústria moveleira”, diz.
Foi de olho nesse mercado que o agricultor Silvio Gomes resolveu investir na produção de madeira.
Na fazenda dele, são cultivadas cinco espécies. O produtor buscou informações no estado do Pará, onde o Embrapa realiza uma pesquisa com o mogno africano. “Só que, lá, o índice de chuva é em torno de 2300 milímetros por ano. Aqui na região é em torno de 1500”, diz. Nessas condições, o mogno pode levar mais de 30 anos para atingir o ponto de corte.
No plantio convencional, o desenvolvimento é lento, porque durante o período da seca, que pode chegar até seis meses do ano, dependendo da região do Brasil, as plantas perdem as folhas e param de crescer para suportar a falta de água. O problema foi resolvido pelo produtor utilizando a irrigação com gotejamento. Com isso, na lavoura experimental, o mogno cresce durante todo o ano.
Por dia, cada planta recebe quatro litros de água. O experimento é acompanhado pela Emater. Para verificarmos qual a diferença na prática, vamos comparar o plantio sem irrigação com o que tem irrigação. “O diâmetro da planta é calculado em função da circunferência.
De acordo com a circunferência, nós temos, no plantio com irrigação, 36 centímetros, que, transformando, dá 11,46 centímetros de diâmetro. A altura é 8,20 metros”, diz Adilson Nogueira, técnico agrícola da Emater. Nos dois hectares de plantio convencional, um contraste. As plantas estão com 3 metros de altura e diâmetro de 7 centímetros, com um detalhe muito importante: essas árvores têm quatro anos, um ano a mais do que o cedro irrigado. O custo inicial para se plantar o mogno irrigado é de R$ 11500 por hectare.
O valor de mercado da madeira chega a R$ 1200 por metro cúbico.

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