sábado, 7 de novembro de 2009

20 Anos sem o Muro de Berlim


Após 20 anos da queda do Muro, divisões persistem na Alemanha

O governo alemão preparou uma grande celebração para o dia 9 de novembro, data que marca os 20 anos da queda do Muro de Berlim --considerado o marco reunificação do país após 40 anos dividido em um regime capitalista --ao oeste-- e um regime socialista--ao leste.
As diferenças entre as duas metades alemãs, contudo, ainda são visíveis na economia, nas relações e até mesmo na paisagem marcada, de um lado, pela reconstrução, e, de outro, pelos prédios destruídos pela Segunda Guerra (1939-1945), que levou à divisão do país.
"Embora mais amenas, as diferenças ainda são visíveis. O PIB [Produto Interno Bruto] é muito maior no ocidente, a imigração é maior do leste para o oeste", cita o historiador Jürgen Kocka, presidente do Centro de Pesquisa em Ciência Social em Berlim.

Por 40 anos, o lado oeste da Alemanha viveu sob um regime capitalista controlado por França, Inglaterra e Estados Unidos e injetado com cerca de US$ 3,3 bilhões [cerca de R$ 57 bilhões] do Plano Marshall --o plano de reconstrução europeia desenvolvido pelo então secretário de Estado americano, George Catlett Marshall, que apagou as marcas da guerra e construiu um país competitivo e desenvolvido.
Já o lado leste, viveu sob um regime socialista que priorizava a indústria pesada de exportação como forma de compensação aos danos causados pelos alemães à União Soviética, uma política que não priorizava a produção de bens de consumo e que negligenciava a infraestrutura já danificada da região.
"A transformação econômica pós-unificação foi difícil e ainda está em desenvolvimento", afirma o professor Arnd Bauerkamper, do departamento de História Comparada da Europa da Universidade Livre de Berlim. "As taxas de desemprego, por exemplo, são de cerca de 8% no lado oeste e 10% no lado leste.'

Wessi e Ossi
Os legados do Muro de Berlim estão também na sociedade alemã, afirma Kocka. "Embora 20 anos tenham se passado, persiste a ideia de que os alemães do leste são de segunda classe e menos desenvolvidos economicamente. O que é uma questão de reconhecimento do próximo que de realidade".
Depois da unificação, muitos alemães orientais ressentiam o que consideravam a arrogância e a insensibilidade dos seus compatriotas do oeste. Os termos pejorativos Wessi --abreviação da palavra alemã para ocidentais- e Ossi --abreviação de orientais-- tornaram-se o símbolo na cultura alemã das diferenças marcantes entre aqueles que haviam vivido 40 anos sob dois regimes opostos.
"São heranças de memória, estilos de vida diferentes que estão presentes no comportamento e na paisagem, principalmente de Berlim. As atitudes mudaram significativamente, mas serão necessárias duas ou três gerações para que a sombra do Muro seja esquecida de vez", afirma Bauerkamper.




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