quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A História que não se ensina nas escolas

Padre Sidney Augusto Canto (*)

Recentemente, ao elaborar um texto sobre a “Cabanagem e os Mundurucus”, citei o livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” do escritor e jornalista Leandro Narloch, que já foi editor das revistas "Super Interessante" e "Aventuras na História".

Segundo as palavras do próprio autor, trata-se de “uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos”. Um livro que vale a pena ser lido, não somente por quem gosta de história, mas também por quem pretende enveredar pelo caminho da historiografia.

É assim que ele coloca, por exemplo, algumas verdades que incomodam, que ainda hoje NÃO SÃO ensinadas em nossas escolas, que teimam em manter uma historiografia oficial, muitas vezes “bancada” (patrocinada) pelo governo ou por empresas multinacionais que teimam em esconder fatos, muitos deles até palpáveis, visíveis, mas que incomodam o que historiadores (de esquerda ou de direita, tanto faz) colocam como verdades incorruptíveis.

Destaco aqui apenas como exemplo, algumas delas, todas fundamentadas em documentos e relatos de época:

Quem mais matou os índios foram OS PRÓPRIOS ÍNDIOS. É certo que os portugueses tiveram a sua contribuição. Mas os assassinatos em massa de tribos e povos indígenas eram motivados pelo ódio existia entre as mesmas. Os portugueses se aproveitaram desse caráter belicoso dos indígenas e deram uma força extra à mortandade.

Boa parte dos escravos negros no Brasil pertenciam AOS PRÓPRIOS NEGROS. As estatísticas variam de Estado para Estado e entre as cidades e as vilas do interior. Mas a média geral é de que para cada cinco escravos que pertenciam aos brancos dois pertenciam aos negros de forro. Até mesmo Zumbi dos Palmares possuía escravos e perseguia e matava os que fugiam do quilombo.

Ensina-se que os Ingleses cometeram BIOPIRATARIA ao roubarem as sementes e as mudas de seringueira (o Navio que as levou partiu de SANTARÉM em 1872) sob o comando de Henry Wickham. Hoje o Brasil é um grande produtor de CAFÉ, que foi BIOPIRATEADO da Guiana UM SÉCULO ANTES por Francisco de Melo Palheta que plantou as primeiras mudas e sementes no Pará. Aliás, biopirataria por biopirataria, se hoje comemos galinha, temos coqueiros e mangueiras, bem como nosso fiel amigo, o cachorro, devemos isso aos “biopiratas” portugueses, pois tais coisas não existiam no Brasil antes de 1500.


O Arraial de Belo Monte (Canudos), comandado por Antonio Conselheiro não era um lugar tão “igualitário” como se pensa. Na verdade era uma espécie de (desculpem-me o anacronismo) “Zona Franca”, livre de impostos, um verdadeiro paraíso os negociantes e comerciantes da época, entre os quais o principal deles: Antônio da Mota, que fornecia (vendia) ferramentas e artigos de couro para as cidades vizinhas e ficou rico. Além dele, outros ricos comerciantes faziam parte da cúpula de Antônio Conselheiro.

Além disso, temos os nossos “Grandes Heróis Nacionais” que também cometeram “grandes deslizes”. Santos Dumont não inventou o avião nem o relógio de pulso. Machado de Assis era um Censor Moralista que não aceitava “baboseiras”. José de Alencar era contra a ABOLIÇÃO (mas elogiava os negros enquanto os abolicionistas os achavam uma raça “inferior”). Gilberto Freyre em sua tese de mestrado elogiava e mostrou sua admiração pela Ku Klux Klan a que considerava “uma espécie de maçonaria guerreira”. Dom Pedro I, apesar de todos seus “casos com suas amantes” sofria de... Impotência!

Esses fatos, ilustrados, não representam que tais fatos e personagens devam ser postos de lado na história ou catapultados para o esquecimento. Pelo contrário, servem para nos mostrar que a HISTÓRIA é muito mais que IDEOLOGIAS de quem escreve os fatos ou de quem constrói os mitos e heróis. A história é feita por pessoas como eu e você que está lendo este texto agora, com nossas virtudes e imperfeições, que serão julgadas não por nós, mas por aqueles que vierem depois de nós.

Em todos os fatos existiu o bem e o mal para ambas as partes, para ambos os personagens. Esta na hora de vermos a história com outros olhos, os olhos de pessoas humanas com seus acertos e falhas e corrigirmos distorções que se tem como verdades e verdades que nada são além de uma ilusão histórica.

(*) Sacerdote santareno e foi ordenado presbítero no dia 28 de dezembro de 2001. É membro da Academia de Letras e Artes de Santarém, como escritor e pesquisador da história da sua Diocese já tendo dois livros publicados e outros dois inéditos.

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