Cultura do caju muda economia do Sertão
A pequena cidade de Olho D’Água das Flores, a 197km de Maceió e encravada no médio Sertão de Alagoas, deu a largada para entrar definitivamente no eixo da exportação de caju. O município é o primeiro a investir pesado na cultura do produto e quer se tornar o oásis do Estado na produção, cuja safra ocorre entre os meses de dezembro a fevereiro.
O município vislumbra, a médio e longo prazos, entrar para um seleto mercado que movimenta um negócio em torno R$ 150 milhões/ano somente com a produção de amêndoa da castanha do caju. Com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Banco do Nordeste e do governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrícola (Seagri), a cidade ganhará em dezembro deste ano a segunda unidade, que vai diversificar a produção.
Outro motivo para que produtores acreditem que o negócio do caju vai vingar como economia alternativa na região é um dos maiores desejos do sertanejo: o Canal do Sertão, que já avançou 45 km, vai cortar a cidade.
Como prova do crescimento da atividade, Olho D’Água já é parada obrigatória para indústrias do segmento, como a Fruteb, pertencente a importante grupo sergipano.
Alagoas exportou recentemente cerca de 800 caixas de castanha somente para essa empresa de Sergipe. Com as duas fábricas, a cidade terá potencial para produzir até 10 toneladas/mês ou 120 toneladas/ano. A primeira fábrica do município foi entregue em 2007, ao custo de R$ 43 mil, com a doação do prédio pela prefeitura.
A segunda será entregue em dezembro, já com o financiamento de R$ 283 mil do Banco do Nordeste, divididos entre os cotistas.
Nessa unidade, o município entrou com mais R$ 17 mil para aquisição do galpão. O nicho vislumbrado pelo município destina-se, tradicionalmente, ao mercado externo, especialmente a países como Estados Unidos e Canadá.
Segundo dados da Embrapa, o agronegócio do caju movimenta cerca de 2,4 bilhões de dólares por ano no mundo, com esses dois países respondendo por cerca de 80% das importações.
As cifras – de cara – são consideradas muito altas e irreais para a realidade da pequena cidade no momento, mas a base para que Olho D’Água alcance um status diferenciado na cajucultura já está sendo plantada como alternativa de geração de emprego, renda e de exportação. “Podemos dizer que a cidade cresce uma vez que é o primeiro município alagoano a investir pesado em fábricas de beneficiamento do caju, castanha e derivados, como suco, doces, licores e tudo o que o produto pode oferecer”, atesta o engenheiro agrônomo e um dos técnicos da Seagri que tem dado assistência técnica aos produtores da região desde o início do projeto da cajucultura, Alberto Espinheira.
A base da cultura tem sido feita com a técnica de clonagem de mudas do caju-anão, cuja produtividade e lucro supera em mais de 50% a dos frutos comuns.
Nota do Blog : Enquanto isso na nossa região nossas autoridades ficam vendo o pôr do sol e fazendo bosquinho em torno da área portuária. Fazer o que? Uns trabalham em busca de auferir renda, emprêgo e outros trabalham para pedir esmolas e fazer com que centenas de jovens depois de formados em nossas Faculdades procurem outros centros do País em busca de trabalho.

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