sexta-feira, 18 de maio de 2012

As Duas Pulgas

Max Gehringer (*)  

Duas pulgas diretoras estavam conversando e então uma comentou com a outra: 
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas. 
Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treinamento de vôo e saíram voando. 

Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: 
- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente. 
Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa. 

Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga explicou por quê: 
- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. 
Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.
E então um pernilongo lhes prestou treinamento para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. 

Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou: 
- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas? 
- Não, entramos num longo programa de treinamento. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento. 
- E por que é que estão com cara de famintas? 
- Isso é temporário. Já estamos fazendo treinamento com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro. E você? 
- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia. 
Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha: 
- Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em um programa de treinamento, em uma reengenharia? 
- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora. 
- Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas. 
- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse: 
- "Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança.

" Moral da história: 
Você não deve focar no problema e sim na solução. 
Para ser mais eficiente é necessário estudar, analisar e não falar. 
Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento, execução e praticidade.
Não queira complicar, seja prático e objetivo .

(*) Administrador de Empresas e escritor, Autor de diversos livros sobre carreiras e gestão empresarial 

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