Ficar ou sair da Bolsa? Analistas recomendam sangue frio na crise
Folha de São Paulo
A turbulência nos mercados financeiros dá sinais de estar só começando. Mas é a hora de sair da Bolsa?
Com a queda forte das ações, quem vender agora vai amargar um prejuízo grande, que pode ser revertido no longo prazo, já que a tendência do mercado em um período maior de tempo é sempre de alta, dizem especialistas.
Na semana passada, a Bovespa registrou desvalorização de 10% --acumulando queda de 23,6% no ano. Com o rebaixamento da dívida americana, o risco aumentou e os investidores podem deixar o pânico tomar conta.
Para reverter o prejuízo, porém, é preciso ter sangue frio para ver seu patrimônio diminuir ainda mais antes de a recuperação chegar.
Além disso, analistas apontam que pode ser uma boa hora para entrar na Bolsa, já que muitos papéis estão bem abaixo do preço que realmente valem.
"Para quem colocou só uma pequena parte do patrimônio na Bolsa não faz diferença essa crise, ele pode esperar para recuperar o dinheiro", diz o consultor Mauro Calil, da Calil&Calil.
"Quem apostou todas as fichas, fica sem dormir. Agora, deve escolher se realiza o prejuízo ou se vai comprar mais, aproveitando o preço baixo."
Alexandre Espírito Santo, do Ibmec-RJ, aconselha o investidor a começar a aplicar pequenas quantias, com o longo prazo em mente.
"As pessoas ganham na Bolsa quando entram enquanto o mercado está barato e saem quando está caro."
Para ele, há nesse momento muitos papéis de boas empresas com preços realmente vantajosos para quem tem um horizonte de longo prazo.
Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora, cita duas ações com boa negociação e preços já bastante defasados: BM&FBovespa e Usiminas --as duas subiram mais de 5% na sexta-feira.
"E se a tendência de queda persistir até o fim do ano, uma opção é procurar as chamadas ações defensivas, que pagam bons dividendos."
Ele cita empresas de energia e telefonia, além de outras boas pagadoras de dividendo, como a Souza Cruz.
RECUPERAÇÃO
O empresário Daniel Wenna, 39, já aplicava em Bolsa havia mais de 15 anos quando a crise de 2008 explodiu. Ainda assim, não conseguiu controlar o pânico e vendeu suas ações em meio à pior queda nos mercados em décadas.
Depois de retirar o dinheiro e embolsar parte do prejuízo, porém, decidiu retomar suas aplicações em ações. "Eu saí, mas comecei a voltar aos poucos, e, com a alta de 2009, recuperei o que tinha perdido e quadrupliquei meus ganhos."
Hoje, mesmo com a forte queda no ano, Wenna mantém seus recursos aplicados na Bovespa.
"Na Bolsa, você pode ganhar tanto na alta quanto na baixa, e hoje faço operações que não eram possíveis em 2008, para aproveitar também o momento ruim".
Paulo Levy, diretor da Icap Corretora, afirma, no entanto, que ainda não está havendo desespero nos mercados. "Os clientes de agora estão mais preparados do que os que foram pegos na crise de 2008, que aconteceu após quatro anos de festa ininterrupta."
Wenna afirma, porém, que se a crise nos mercados se intensificar, não hesitará em sair de novo da Bolsa.
"Eu coloquei o dinheiro para deixar por muito tempo, mas estou sempre atento. Em 2008, acendeu uma luzinha de alerta a mais. Não esperaria chegar ao fundo do poço de novo", diz.
Leandro Martins, da Walpires Corretora e fundador do site Seu Consultor Financeiro, diz que, para o investidor que não precisa do dinheiro agora, ficar na Bolsa é uma boa opção. "Em um cenário de um a três anos, a tendência é que esses papéis estejam em um patamar mais alto de novo."
Ele recomenda, no entanto, que o investidor tente diversificar suas aplicações em ações. "Para reduzir o risco de perdas, é importante que ele tenha no mínimo umas cinco ações em sua carteira", afirma.

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