Valor Econômico
A americana Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, deu início à implantação de sua primeira frota fluvial no Brasil. As barcaças serão usadas na nova rota de escoamento de grãos pelo Norte do país, que migrará parcialmente da BR-163 para o rio Tapajós, no Pará, e dali ao porto da múlti em Santarém.
Segundo o Valor apurou, a companhia captou R$ 78 milhões com o Banco da Amazônia, via Fundo Constitucional do Norte (FNO), e encomendou 20 balsas - cada uma com capacidade para carregar até 2,5 mil toneladas de soja - ao Estaleiro Rio Maguari, em Belém, e dois empurradores à Indústria Naval do Ceará (Inace), em Fortaleza.
As entregas estão previstas para o primeiro semestre de 2016.
Procurada, a Cargill não quis comentar a estratégia de verticalização, já adotada no país por outros grandes grupos do agronegócio. De olho no potencial de escoamento pelos rios amazônicos, Bunge e Amaggi, por exemplo, anunciaram no ano passado a criação da joint venture Navegações Unidas Tapajós (Unitapajós), a partir de um investimento de R$ 300 milhões em 90 barcaças e cinco empurradores.
Planejada há alguns anos pela Cargill, a implantação de uma frota própria ocorre na esteira da concessão da Licença de Instalação (LI) para a estação de transbordo de cargas que a companhia levantará às margens do Tapajós, no distrito de Miritituba, em Itaituba, no Pará.
É para lá que a múlti americana pretende, a partir da safra 2016/17, desviar suas cargas dos caminhões de grãos para as barcaças, que passarão a descer o rio até Santarém.
Com o modal hidroviário, tira-se a sobrecarga da BR-163, cheia de problemas, e há economias de tempo e frete. Por ter sido a primeira a se posicionar em Miritituba, apenas a Bunge utiliza atualmente o Tapajós para o transporte de grãos.
A iniciativa logística da Cargill também envolve um investimento, não revelado, em uma frota própria de caminhões para agilizar a entrega de farelo de soja a uma unidade de rações da BRF em Uberlândia, Minas Gerais, anunciado em dezembro.
Por enquanto, a Cargill Transportes é apenas um projeto com medidas pontuais.
A empresa, cuja receita líquida total alcançou quase R$ 25 bilhões no país em 2013, não fala em transformar essa frente de investimentos em uma unidade de negócios, embora as novas frotas sinalizem que há potencial para tal.
A também americana ADM, por exemplo, já utiliza no Brasil uma rede logística própria para transportar mais de 15 milhões de toneladas de produtos anualmente por estradas, Ferrovias e hidrovias.
Por meio da subsidiária Sartco, a empresa opera no transporte fluvial nas hidrovias Tietê-Paraná (desativada por causa da seca) e Paraguai-Paraná, e tem operações nos portos de Santos (SP), Tubarão (ES), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Rio Grande (RS), Ponta da Madeira (MA) e Aratu (BA).
A ADM tem no país 23 rebocadores, 73 barcaças, 140 vagões e 180 caminhões.
Nos EUA, seu negócio logístico é um dos mais importantes do mundo, com uma frota que interliga o país de Leste a Oeste.
José Eduardo Cardozo 1 – A demissão moralmente obrigatória de quem nunca deveria ter sido nomeado
Reinaldo de Azevedo (*)
Quem me acompanha sabe que já discordei de Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo, muitas vezes. E já concordei com ele também. E nem sempre o PT estava em pauta.
Eu não critico ou aplaudo pessoas, mas sua atuação pública e suas opiniões.
Barbosa voltou a ser alvo da fúria dos petralhas porque, há quatro dias, postou esses dois comentários em sua conta no Twitter — eu os reproduzo também em texto para facilitar a vida de quem replica meus posts.
1) “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça.”
2) “Ajuda à memória coletiva: pesquisem sobre 1 controvertida decisão do TCU de jun/jul 2012, pouco antes do início do julgamento da Ap 470.”
Vamos entender o que ele escreveu. Barbosa se referia à reportagem da mais recente edição da revista VEJA, informando que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez uma reunião, em seu gabinete, com o advogado Sérgio Renault, defensor da empreiteira UTC, que pertence ao empresário Ricardo Pessoa, preso desde novembro pela Operação Lava-Jato. O ex-deputado e advogado petista Sigmaringa Seixas também estava presente. Pessoa é visto pelo Planalto como homem-bomba. Amigo pessoal de Lula, considera que foi abandonado pelo petismo e já deixou registrado num manuscrito que a dinheirama financiou os companheiros, inclusive a candidatura de Dilma.
É claro que há aí uma senda para o impeachment, daí o pânico.
Cardozo primeiro negou o encontro. Ao perceber que era inútil, admitiu o que seria uma conversa informal — parte de suas atribuições, segundo disse.
O estranho é que a audiência não estava em sua agenda. Mais estranhas ainda foram as, digamos, garantias que ele passou a Renault em sua conversa. Anunciou uma reviravolta no caso da Lava-Jato logo depois do Carnaval, quando nomes graúdos da oposição também seriam tragados pela voragem. Como o ministro sabe? Eis um mistério.
Fato: depois da conversa de Cardozo com o advogado, a UTC, a OAS e a Camargo Corrêa recuaram de eventuais acordos com o Ministério Público. Segundo um advogado confidenciou à revista VEJA, também se tratou de outro assunto naquela reunião: a garantia de que Lula estava entrando pessoalmente na, digamos, “jogada”.
Com que poder? Não se sabe.
É evidente que conversa dessa natureza é inaceitável. E, por isso, com justeza, Barbosa cobrou a cabeça de Cardozo — a quem, diga-se, ninguém minimamente razoável reconhece credenciais para ocupar aquele cargo. Vamos entender agora a segunda mensagem do ex-ministro do STF. Escreveu ele: “pesquisem sobre uma controvertida decisão do TCU de jun/jul 2012, pouco antes do início do julgamento da Ap 470”.
A Ação Penal 470 é a do mensalão.
Muita gente não entendeu. Refresco a memória de vocês. O caso é um pouco complicado e eu o expliquei em detalhes aqui em meu blog no dia 20 de julho de 2012.
Para entender o caso, leitor, você tem de saber o que é “bonificação por volume”.
Trata-se do desconto que veículos de comunicação concedem a agências de publicidade, que costumam ficar com o dinheiro como parte de sua remuneração, em vez de devolvê-lo aos anunciantes. Segundo a lei que havia no Brasil, no caso de estatais, as agências eram obrigadas a devolver esse desconto às empresas.
Pois bem: o TCU constatou que agências de publicidade, muito especialmente as de Marcos Valério, haviam embolsado, até 2005, ano em que explodiu o mensalão, R$ 106,2 milhões.
Agora, é preciso a gente se lembrar que Ana Arraes, a mãe do então lulista Eduardo Campos, foi conduzida ao TCU em setembro de 2011. E foi ela a relatora justamente desse caso do dinheiro sequestrado pelas agências. Ana contrariou o parecer técnico do tribunal e disse não ver nada de errado na retenção. E o fez com base em uma lei proposta sabem por quem? Pelo então deputado federal petista José Eduardo Cardozo, o mesmo que faz reuniões impróprias.
A “lei” inventada por Cardozo, a 12.232, mudava a regra: as agências poderiam ficar com o dinheiro do desconto e pronto! Só foi sancionada pelo então presidente Lula em 2010. Ocorre que o texto tornava legal a retenção daquele dinheiro também para contratos já encerrados. Entenderam? Cardozo assinou um projeto, sancionado de bom grado por Dom Lulone, que, na prática, tornava legal a ilegalidade praticada por Valério.
Uma lei não pode retroagir para punir ninguém, mas, para beneficiar, pode.
Ao tentar legalizar parte da dinheirama do mensalão, é evidente que o deputado Cardozo procurava influenciar a decisão dos ministros do Supremo no julgamento do mensalão.
Felizmente, a operação deu errado, e a cúpula do PT foi parar atrás das grades, ainda que já tenha saído de lá. Mas a operação vergonhosa deixou sua marca.
(*) Jornalista e colunista da revista Veja
Luis Fernando Veríssimo (*)
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço.
A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira.
Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais.
O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB.
Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis.
Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB:
José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,•visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
(*) Escritor
Drauzio Varella (*)
Daltonismo é um distúrbio da visão que interfere na percepção das cores.
Também chamado de discromatopsia ou discromopsia, sua principal característica é a dificuldade para distinguir o vermelho e o verde e, com menos frequência, o azul e o amarelo.

Em maior ou menor grau, essa é a única alteração visual que os daltônicos apresentam. Um grupo muito pequeno, porém, tem visão acromática, ou seja, só enxerga tons de branco, cinza e preto.
Causas
Na quase totalidade dos casos, o daltonismo é uma condição geneticamente hereditária e recessiva, ligada ao cromossomo sexual X. Raramente, o transtorno afeta as mulheres, porque possuem dois cromossomos X. Quando elas recebem de um dos pais o cromossomo com a mutação genética, o outro, que é normal, compensa a alteração.
O fato é que, apesar de distinguirem normalmente as cores, elas são portadoras do gene defeituoso e podem transmiti-lo para seus filhos. No entanto, só serão daltônicas, se receberem do pai e mãe o cromossomo X com o gene anômalo.
Raros são os episódios de daltonismo não transmitidos por herança genética, mas adquiridos em virtude de trauma nos órgãos da visão, deslocamento da retina, tumores cerebrais ou lesões neurológicas, por exemplo.
Mecanismo anatômico
Cada cor do arco-íris corresponde a um comprimento diferente de onda de luz.
Quando refletida ou emitida por um corpo, ela alcança o olho, atravessa uma lente, o cristalino, e é projetada na retina, uma região no fundo do olho que capta os estímulos luminosos, transforma em impulsos elétricos e os transmite para o cérebro através do nervo ótico.
Na retina, existem dois tipos de células fotossensoras: os cones e os bastonetes.
Os cones são responsáveis pela visão diurna e a percepção das cores. Eles podem ser de três tipos diferentes. Cada um deles responde ao comprimento de onda das cores vermelho, verde, azul e suas variantes.
Os bastonetes não são sensíveis à diferenciação de cor. Como funcionam com pouca luz, possibilitam melhor visão noturna e periférica, produzindo imagens em preto e branco com todas as suas gradações.
A causa do daltonismo, portanto, é uma alteração no pigmento dos cones, ou a ausência dessas células fotorreceptoras, o que interfere na capacidade de distinguir algumas cores e na percepção de outras cores do espectro.
Tipos
A deficiência na visão das cores, própria do daltonismo, pode ser de três tipos:
1) protanopia – diminuição ou ausência do pigmento vermelho, sensível às ondas de comprimento longo. Nesse caso, a pessoa enxerga em tons de bege, marrom, verde ou cinza;
2) deuteranopia – ausência ou diminuição dos cones verdes sensíveis às ondas de comprimento médio. Na falta deles, a pessoa enxerga em tons de marrom.
3) tritanopia – dificuldade para enxergar ondas curtas como os diferentes tons de azul e o amarelo, que adquire tons rosados .
Obs.: algumas pessoas podem apresentar a disfunção em dois tipos de cones e apenas distinguir uma das cores, em geral, o verde ou o vermelho.
Fonte Conab
A produção de grãos no Brasil na safra 2014/2015 deverá ser de aproximadamente 200,08 milhões de toneladas. É o que revela o 5º levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (12).
Segundo o estudo, o volume é 3,4% superior à safra passada, o que representa 6,53 milhões de toneladas a mais do que o registrado anteriormente.
A soja continua como destaque entre as culturas, sendo que a colheita já foi iniciada. Apesar de problemas climáticos que reduziram a expectativa de produtividade no Sudeste, parte do Centro-Oeste e no MATOPIBA, a produção ainda deve ser superior à safra passada. Está previsto incremento na ordem de 9,8%, o que equivale a um acréscimo de 8,46 milhões de toneladas, chegando a uma produção de 94,58 milhões de toneladas.
Área -
O total de área destinada ao plantio de grãos também deve apresentar variação positiva, passando de 57,03 milhões na safra passada para 57,39 milhões de hectares.
A diferença representa uma alta de 0,6%, o que equivale a um acréscimo de aproximadamente 359,9 mil hectares. Dentre os principais produtos, a soja apresenta destaque, com um crescimento de 4,4%, passando de 30,17 para 31,51 milhões de hectares.
O algodão deve ter redução de área nesta safra, sendo 11,2% inferior à safra 2013/14, principalmente em razão da redução de consumo, preços praticados e excesso de estoque no mercado interno e externo. A segunda safra está sendo plantada e a expectativa é de que a área total no Brasil seja de 995,8 mil hectares.
Este levantamento também apresenta a primeira estimativa para as culturas de segunda safra plantadas na Região Centro-Sul. A expectativa é uma redução de 2,5% na área de milho, passando de 9,21 para 8,98 milhões de hectares.
A Conab fez a pesquisa entre os dias 18 e 24 de janeiro.
Durante o estudo, foram levantadas informações de área plantada, produção estimada, produtividade média estimada, evolução do desenvolvimento das culturas, pacote tecnológico utilizado pelos produtores, evolução da colheita, entre outras variáveis.
O trabalho ocorre em parceria da Conab com agrônomos, técnicos do IBGE, de cooperativas, secretarias de agricultura, órgãos de assistência técnica e extensão rural (oficiais e privados), agentes financeiros e revendedores de insumos, que subsidiam os técnicos da estatal com informações pertinentes aos levantamentos.
André Barrocal (*)
Pouco antes de chegar ao cargo, o ministro da Educação, Cid Gomes, lançou a ideia de criar-se uma frente de esquerda no País. A intenção era manter vivo o movimento suprapartidário surgido em torno da reeleição de Dilma Rousseff, a juntar sindicalistas, camponeses, intelectuais, militantes gays, congressistas. Sua missão seria ajudar o governo a lidar com um Congresso conservador e uma oposição beligerante. Nem bem Dilma iniciou o novo mandato e o entusiasmo sumiu naquilo que se poderia chamar de “embrião da frente”. E mais: não há disposição para ir às ruas defender o governo mesmo que a oposição lance a campanha do impeachment, uma ideia já namorada.
O embrião do grupo reúne sindicalistas das centrais CUT e CTB, sem-terra, petroleiros, dirigentes do Movimento Passe Livre e do coletivo Fora do Eixo, parlamentares do PT e do PSOL. Em um encontro no fim de janeiro, em São Paulo, traçou-se um diagnóstico bastante pessimista sobre os rumos do governo.
Segundo um dos participantes, existe um incômodo geral com a guinada ortodoxa de Dilma na economia, simbolizada no pacote de restrição de seguro-desemprego e abono salarial e na escolha do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, um egresso do sistema financeiro que cairia perfeitamente bem em uma administração de Aécio Neves, o adversário de outubro passado.
Embora o espírito geral do pacote fosse conhecido dos sindicalistas desde a gestão Guido Mantega na Fazenda, o lançamento das medidas foi considerado desastroso – avaliação compartilhada por ao menos um dos ministros do Palácio do Planalto. Não houve negociação prévia com as centrais, e agora seus líderes estão numa sinuca. Se aceitarem o que foi imposto pelo governo, correm o risco de desmoralização perante as bases. Sobretudo porque a Força Sindical, sob forte influência do deputado federal oposicionista Paulinho da Força, está firme na resistência.
Na reunião em São Paulo, conta o mesmo participante, uma das vozes mais “incendiárias” contra a inflexão conservadora na economia era de um representante da direção do PT.
O desconforto no partido com a situação é latente, apesar de o ex-presidente Lula andar dizendo que a sucessora tomou medidas necessárias. Em meados de janeiro, a fundação ligada ao PT Perseu Abramo, que promove estudos, divulgou um boletim interno com críticas às medidas de austeridade. O risco de “aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível”, dizia o texto.
O mau humor no embrião da frente de esquerda é preocupante para o governo, por revelar-se em um momento de fragilidade política de Dilma. A presidenta tem hoje um inimigo no comando da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, baixa popularidade, conforme recente pesquisa Datafolha, e poucos aliados fiéis até no PT. Se a oposição decidir desfraldar a bandeira do impeachment, ideia que começa a ser defendida por lideranças do PSDB, é improvável que haja militância disposta a ir às ruas.
Ao contrário do havido com Lula nos tempos do “mensalão”.
O momento parece tão delicado, que o embrião da frente de esquerda resolveu fazer reuniões a cada dois meses para examinar a evolução do quadro político.
O governo está a par da situação. Recebe informes a respeito. Principal interlocutor do Planalto perante os movimentos sociais, o secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, acredita que o governo ainda conta com respaldo destes grupos.
“Podemos ter diferenças pontuais, mas fazemos parte de um mesmo projeto”, diz.
De qualquer forma, o cenário é realmente preocupante para Dilma, sobretudo após a divulgação do levantamento Datafolha a mostrar o governo com uma reprovação recorde (44%) e uma presidenta com imagem de indecisa, falsa e desonesta.
Uma incrível reversão de números bem mais favoráveis a Dilma há apenas três meses, quando ela disputava a reeleição.
Na campanha, a presidenta usava e abusava de propaganda na tevê, entrevistas e discursos, armas em falta nos últimos tempos. Mas não é a única explicação para seu ibope ter despencado. “Dilma tinha melhores conselheiros na eleição”, afirma o cientista político Fabiano Santos, coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Congresso da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Um destes conselheiros é o ex-presidente Lula. Dilma anda afastada dele.
Ouviu o antecessor algumas vezes em novembro, quando quebrava a cabeça para escolher seu ministro da Fazenda, e só. Em apuros, resolveu procurá-lo. Iria a São Paulo na quinta-feira 12, para encontrá-lo.
(*) Jornalista é repórter da revista CartaCapital
Bellini Tavares de Lima Neto (*)
Que importância tem se já existe no teu rosto uma ruga ou outra?
Eu também já não tenho os mesmos olhos para enxergá-las. Hoje eu vejo muito mais com o coração do que com os olhos. E o coração está cada vez mais acurado.
Que importância tem se os teus seios já não são tão altivos e soberbos. Eu também já não ando tão ereto quanto andava quando eles olhavam por cima de mim. Hoje, estamos iguais, olhamos de frente e na mesma linha de visão, como já nos disse alguém antes de mim. .
Que importância tem se o ponteiro da balança anda hoje um pouco mais do que andava tempos atrás? Certamente, a gente também andou muito e muito mais do que cada marca da balança. Essa ficou muito atrás de onde o tempo já nos levou, de cada emoção, de cada sorriso, de cada paixão.
Que importância tem se, junto com o café da manhã, estão na mesa alguns discretos comprimidos? Afinal, eles não são nossos companheiros desde há muito? Antes eram vitaminas que nos ajudavam a aumentar a força. Hoje são conservantes da nossa integridade. Que bom que eles existem.
Que importância tem se, apesar do clima tropical, alguns flocos de neve começam a aparecer nos cabelos? Afinal, já está provado que enquanto o preto é a ausência de todas as cores, o branco é exatamente o contrário: a presença de todas elas num majestoso arco-íris.
Que importância tem se, ao te enlaçar, é preciso um pouco mais de braços?
Hoje você preenche os meus, tanto quanto preenche os meus sonhos e o meu repouso e a minha sede de paz. Que bom tê-los, os braços, em plena ânsia de enlaçar, de apertar, de acarinhar.
Importância tem é a história que estamos construindo desde muito tempo quando os sonhos eram outros, muito mais intensos e que termos sabido manter e prosseguir.
Sonhos não envelhecem desde que os sonhadores saibam trata-los como bonsais que são.
Importância tem é a canção que há tanto tempo estamos compondo, acorde por acorde, modulando quando o tempo assim requer, agregando sustenidos e bemóis sempre que o dia-a-dia pede um tempero, respeitando as pausas quando elas se fazem necessárias, mas, harmonizando sempre, seja com acordes perfeitos, seja com as dissonâncias, seja com os tons maiores da alegria, seja com os menores de melancolia, todos parte integrante dessa grande sinfonia da vida.
Importância tem o poema que estamos escrevendo com o nosso cotidiano, ajustando a métrica ou nos permitindo as licenças poéticas, rimando quando assim se faz possível, poetando de maneira concreta quando o momento é de menos sonho e mais realidade, adicionando versos a cada dia de nossas vidas.
Importância tem a vida que resolvemos viver juntos, a caminhada que optamos por partilhar, os sonhos que resolvemos sonhar e os despertares que decidimos despertar juntos, a despeito da cara amassada das manhãs, do cabelo embaraçado, da necessidade de alongar nossos corpos já temperados pela chama da vida.
Importância tem, sim, o nosso pulsar de cada dia, o dia nosso de cada dia, os sonhos que temos colocado no forno para que dourem cada vez mais e recendam àquele cheirinho de café quente das manhãs no campo ou ao bolo de fubá da tardezinha.
Importância tem o que nós decidirmos que é importante, pois nada será mais importante do que o que nós decidirmos. Importante é não nos impor tanto. Importante é nos impor o tanto de beleza, de magia, de liberdade de que a vida é feita se quisermos que ela seja feita devida e fantasticamente.
(*) Advogado, escritor, compositor, avô e morador em São Bernardo do Campo (SP)
Blog Posgraduando
A Anhanguera Educacional tornou-se uma empresa S.A., com ações na bolsa de valores e uma agressiva política de compra de outras instituições. Depois de gastar R$ 800 milhões com a compra de 12 redes de ensino, o grupo tornou-se a maior rede de ensino do país. Só no ABC a Anhanguera já adquiriu a Faenac, em São Caetano, a Anchieta e a Uniban, em São Bernardo, a UniA e a UniABC, em Santo André.
Com a aquisição de tantas faculdades, era de se esperar que houvesse mudanças no quadro de professores, promovendo assim um alinhamento com as diretrizes do grupo.
No entanto, o que acabou acontecendo foi muito mais que isso.
As demissões em massa
Segundo dados da Federação dos Professores de São Paulo (Fepesp), o Grupo Anhanguera demitiu apenas no Estado de São Paulo 1.497 professores. E esse número deve ser ainda maior, uma vez que há relatos de demissão em outros estados, como Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Especula-se que a Anhanguera deseja reformular seu quadro com professores de titulação mais baixa. Segundo professores da Anhanguera, a instituição paga a um mestre o valor de R$ 38,00 por hora-aula e, agora, deverá pagar R$ 26,00 aos novos contratados.
O outro lado
Por nota, a Anhanguera Educacional afirma que “A Anhanguera realizou um grande ciclo de aquisições em 2011, com 12 instituições adquiridas, e que a atualização do corpo docente é necessária para adaptar os currículos das novas unidades ao padrão de qualidade dos cursos da Anhanguera. Neste ajuste, a instituição reduzirá o numero de professores temporários, mas também fará contratações de outros em regime integral”, diz a nota.
Verdade seja dita
A incoerência da nota publicada pelo grupo Anhanguera encontra-se no fato de que foram realizadas demissões radicais em praticamente todas as faculdades do grupo, ou seja, não foram apenas as 12 instituições adquiridas em 2011 que tiveram baixas em seu quadro docente.
Outro aspecto curioso é que 2011 foi ano de avaliação institucional das faculdades do grupo pelo MEC, e os avaliadores do governo encontraram um quadro de professores mestres e doutores que não se encontram mais nas faculdades. A grande sacada aí é que legalmente, as universidades precisam ter ao menos 1/3 de professores com mestrado ou doutorado. Mas há o entendimento de que a porcentagem diz respeito ao número de docentes, não à quantidade de aulas dadas.
E eu com isso?
Imagine a situação absurda: professores qualificam-se com titulação de mestres e doutores e são penalizados exatamente porque estudam.
Sem mencionar que as oportunidades de emprego para mestres e doutores vão acabar se reduzido às instituições públicas, principalmente em regiões como a Grande São Paulo, onde o grupo comprou grande parte das instituições.
“Só dava aula naquela instituição. Sei que na região minhas opções diminuíram, pois não vou procurar nas que integram o grupo. Além disso, a qualidade do ensino fica prejudicada, uma vez que preferem contratar profissionais com menos experiência e estudo”, lamenta o professor em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.
Para finalizar, a pergunta que não quer calar: “Por que será que o MEC não toma uma atitude a respeito deste sucateamento do ensino privado superior no país?”.
Ingredientes:
5 caixinhas de gelatinas (uva, limão, morango, maracujá e abacaxi)
1 lata de creme de leite
1 lata de leite condensado
5 colheres de sobremesa de gelatina incolor
15 colheres de sobremesa de água
1/2 lata de leite condensado
Frutas para decorar
1 forma de pudim ou bolo de silicone (20 cm de diâmetro)
Modo do preparo:
A gelatina será feita em camadas, então paciência no preparo.
Comece preparando 1 caixinha de gelatina por vez, siga as orientações de preparo do fabricante.
Misture o creme de leite e leite condensado e separe em quantidade iguais em 4 potinhos.
Na forma de silicone, coloque aproximadamente 3 cm da gelatina e deixe no freezer por 30 minutos ou até endurecer.
Hidrate 1 colher de gelatina incolor com 3 colheres de água e misture em uma parte do creme, despeje com cuidado em cima da primeira camada de gelatina e leve ao freezer por mais 30 minutos.
Repita esta operação de gelatina e creme até utilizar todos os sabores e todas as porções de creme.
Caso esteja utilizando uma forma de pudim, untar com uma fina camada de óleo. Desenforme em uma bandeja, decore com leite moça e frutas de sua preferência.
Sirva gelado.
Rende 12 porções e cada uma com 150gr possui 82 calorias.
Receita extraída do site Cuecas na Cozinha http://cuecasnacozinha.com.br/
José Luiz Tejon (*)
As perspectivas são sombrias. E, por isso mesmo, carentes de alertas.
O agronegócio em 2014 teve um superávit na balança de pagamentos do Brasil de US$ 80.13 bilhões. Enquanto o déficit da balança brasileiro foi de US$ 3.93 bilhões – o pior desde o ano 2000. E o que temos pela frente? Na safra 2014/2015 ainda uma perspectiva de manutenção das receitas obtidas no ano passado, mas, ao plantarmos a safra 2015/2016, poderemos estar imersos num custo consideravelmente maior de produção, com preços, na melhor das hipóteses, estabilizados nos patamares atuais.
A tecnologia vai sofrer, a produtividade cair, e ainda rezando para São Pedro comparecer e salvar a lavoura com regime de chuvas.
O que salvou o ano das safras 2013/2014/2015 foi a soja que mesmo com preços menores foi equilibrada por uma oferta maior. E as carnes fundamentalmente frango e carne bovina em 2014. O caos foi no setor de açúcar e álcool, com um faturamento em 2014, menor em 24% comparado ao ano anterior.
Agora vamos imaginar se tudo o que está desenhado na economia, com inflação crescente, dólar valorizado perante o real – pode parecer bom para vender a safra de exportação, mas terrível para construir o próximo custo de produção; o nosso cliente chinês, mantendo as posições atuais, sem perspectivas de crescimentos extraordinários, um preço do petróleo apertando nossos principais clientes do Oriente Médio, e a própria Rússia; além de uma perspectiva de maior oferta de commodities agrícolas, pelos concorrentes globais, e da eficácia competitiva maior de muitos deles – vamos amargar uma potencial crise no agronegócio brasileiro, fundamentalmente para o ciclo 2015/2016. E ainda contando com uma improvável competência de liderança do governo e da governança de todo o entorno do agronegócio nacional.
De 2009 a 2014, o custo da agropecuária brasileira cresceu em media 74% - no lado dos fatores de produção. Do lado de fora das porteiras das fazendas, o custo lavoura-porto em 2003 era na média US$ 20; em 2014: US$ 90 por tonelada, comparáveis a US$ 23 dos Estados Unidos e US$ 20 da Argentina.
Os produtores brasileiros que tenho conversado no país inteiro, estão como sempre plantando, trabalhando, mas muito apreensivos, de olho no próximo ano agrícola. Este governo vive hoje totalmente agrodependente, e a confiança com investimento, não podem ser palavras e práticas generalizáveis para o futuro próximo, do lado dos campos brasileiros.
Hora de apertar os cintos no agronegócio e rezar para que a gestão econômica, política e estratégica do Brasil (de volta Mangabeira Unger!), possam ter boas sementes de sensatez.
(*) É Conselheiro Fiscal do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS). e também dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rede Estadão.
Gustavo Cerbasi (*)
Pagar impostos deveria ser uma troca social em que contribuintes cooperam para que o Estado se organize e, dessa forma, possa promover uma sociedade com serviços adequados à capacidade contributiva de seus cidadãos. O pagamento de impostos só faz sentido, do ponto de vista de quem paga, se o Estado retribuir com serviços públicos minimamente adequados.
A reflexão que quero levantar não é sobre ausência e ineficiência de serviços públicos – disso todos já estão cientes. O problema é quanto custa para a economia o esforço para suprir serviços que faltam. Quem paga impostos vive, no Brasil, a economia da redundância.
Quem tem automóvel paga impostos sobre a compra, sobre o combustível, sobre a manutenção e também sobre a propriedade (o IPVA). Em troca, o Estado deveria prover transportes públicos para quem não tem automóvel e também condições viárias adequadas para quem contribui. Mas a realidade é que os donos de automóvel são obrigados a gastar mais com reparos de danos causados por vias mal pavimentadas, ou por uso de combustível adulterado e não fiscalizado, ou pelo desgaste excessivo causado pelas horas gastas no trânsito mal planejado.
O trânsito que desgasta os automóveis também afeta a saúde, cujos serviços públicos deveriam ser excepcionais diante de nosso nível de arrecadação. A realidade é que quem pode paga planos de saúde caros. Quem não pode perde mais saúde na espera, na ansiedade e no sofrimento. Essa dinâmica reduz ainda mais a produtividade dessas pessoas e sua capacidade de contribuir para a economia.
Pagamos caro também para garantir a segurança de nossas moradias e a educação de nossos filhos. Perdemos muito tempo e dinheiro para driblar a burocracia insana dos serviços públicos. Tudo isso ocorre no âmbito das famílias.
Na realidade empresarial, temos o trabalhador que custa para a empresa o dobro do que ele recebe, os gastos com segurança que o Estado não garante, o alto custo da logística feita em vias mal planejadas e o preço para se adequar ou para driblar a fiscalização corrupta.
A ineficiência do Estado em transformar em serviços o que arrecada nos obriga a pagar por tudo em dobro. Pagar por uma educação que já foi paga, custear bens que se depreciam pela má gestão pública e gastar em dobro com a saúde torna nossas empresas e nosso trabalho menos competitivos. Encarece o que já é caro e joga pelo ralo o discurso de que o país está evoluindo. Estamos em alta velocidade na contramão do desenvolvimento.
É possível mudar com investimento maciço em educação, planejamento e eficiência.
A questão é: há interesse em mudar?
(*) É consultor financeiro e escritor. Escreva para ele em www.maisdinheiro.com.br.
Exame
A revista americana Entrepreneur fez um levantamento com mais de 500 franquias para selecionar as dez que mais crescem e têm potencial de sucesso. Na lista, aparecem redes de lanchonetes, serviços e hotéis.
Os negócios em expansão lá fora são sinais para o empreendedor brasileiro e podem virar oportunidades por aqui também. Conheça 10 franquias internacionais para ficar de olho.
1- Hampton Hotels
Pertencente ao Hilton, o Hampton Hotels é uma bandeira de preço médio e tem mais de 1900 unidades no mundo. Um dos mercados mais pulsantes para a expansão da rede é a China. No Brasil, as oportunidades também existem, segundo o site da empresa. Nos Estados Unidos, o investimento começa em US$ 3,7 milhões.
2- Anytime Fitness
A academia aberta por 24 horas é considerada uma das franquias mais bem-sucedidas do mundo. São mais de dois milhões de alunos em 3 mil unidades de 20 países. O fenômeno se dá em parte pelo baixo investimento – cerca de US$ 80 mil – e pela comodidade para os usuários praticarem exercícios a qualquer hora.
3- Subway
Já presente em boa parte do território brasileiro, a rede de lanchonetes Subway aparece entre as dez melhores franquias nos Estados Unidos. Ao todo, a marca tem mais de 42 mil unidades em 107 países. No Brasil, o investimento está na casa dos 300 mil reais.
4- Jack in the Box
Com mais de 2 mil unidades, a rede de lanchonetes tem 80% das lojas franqueadas.
Criada em 1961, a rede atualmente só tem oportunidades abertas para novos franqueados nos Estados Unidos, mas pode servir de inspiração para negócios na área. O investimento no mercado americano é de US$ 1,3 milhão.
5- SuperCuts
A rede de salões de cabeleireiro tem mais de 2,5 mil unidades espalhadas pelos Estados Unidos e Canadá. O segredo do sucesso da marca está em atrair profissionais para virarem franqueados e ter quase sempre mais de uma unidade com cada empreendedor. O investimento inicial é de US$ 113 mil.
6- Jimmy John’s Gourmet Sandwiches
Apesar do nome gourmet, é a rapidez na produção dos sanduíches o que mais atrai os consumidores desta rede. Com a abertura de cerca de 300 unidades ao ano, a empresa já soma 2 mil unidades. O investimento inicial passa de US$ 300 mil.
7- ServPro
Especializada em limpeza depois de problemas como incêndios e alagamentos, a empresa tem mais de 1700 unidades. A rede tem se atualizado para manter os franqueados sempre com os melhores produtos e sistemas.
8- Denny’s
Abertos 24 horas por dia, todos os dias do ano, os restaurantes surgiram na década de 1950 e somam mais de 1600 unidades. Atualmente, a rede procura parceiros na América do Sul para manter a expansão. O valor de capital para entrar na rede nos Estados Unidos é de US$ 1,3 milhão.
9- Pizza Hut
Conhecida dos brasileiros, a Pizza Hut tem mais de 13 mil restaurantes em 88 países, incluindo o Brasil. Por aqui, um franqueado administra a maior parte das unidades.
Os planos da empresa incluem abrir mais de 300 novas franquias fora dos Estados Unidos. O investimento em uma unidade nos Estados Unidos é de US$ 300 mil.
10- 7-Eleven
A rede de lojas de conveniência é considerada um fenômeno: a marca surgiu na década de 1920 e tem mais de 54 mil unidades no mundo. No momento, não existem oportunidades de expansão na América do Sul. Nos Estados Unidos, as unidades têm investimento inicial de US$ 37 mil.
Antenor Pereira Giovannini (*)
Hoje se abre o noticiário e as manchetes esportivas são as mesmas ... brigas dos chamados torcedores de futebol que nada mais são do que vândalos , vagabundos e covardes
As demonstrações de insanidade mostram porque são vândalos; para ficarem para cima e para baixo atrás de seus clubes mostram porque são na maioria vagabundos, não fazem nada e por último covardes porque sozinhos são cordeiros mas em grupos se tornam enormes dragões .... isso sintetiza o que são as chamadas torcidas organizadas ..
E ainda tem gente que dá importância a esse esporte que um dia era apenas uma distração, um divertimento e até gozações com amigos e parentes mas de forma sadia, saudável e que terminava de forma harmoniosa .
Quantas e quantas vezes junto ao meu saudoso pai que gostava de ir ao estádio sentávamos ao lado de torcedores do adversário e nem por isso havia xingamentos, e muito menos agressões ... Lembro uma vez entre um Palmeiras x Portuguesa que um senhor lusitano junto com seu filho sentaram-se ao lado e meu pai que trabalhava numa empresa portuguesa entrosou um papo que virou uma aposta de sanduíches após o jogo ... e ao fim do jogo lá estava senhor Leontino a sacar o dinheiro para pagar mais 2 sanduíches devido a derrota do nosso time .. e tudo acabou ali na praça Charles Müller num bate papo e fomos embora sem qualquer bronca porque naquele tempo era apenas um esporte onde sempre um teria que ganhar e eventualmente poderia haver um empate ... e mais nada .
Quantos amiguinhos da escola corintianos e são paulinos que logo na segunda feira ou vinham me gozar ou eu a eles ... mas nada de agressões ou da geração de ódio pelo motivo deles torcerem por outro clube .. nada disso ...
Hoje isso tudo virou fumaça ... e já faz algum tempo que essa selvageria persiste e o que se observa que por mais que haja alguma atitude policial existe a parceria nojenta e promíscua dos clubes com essas instituições .
Por mais que um lado da corda puxe o outro lado puxa mais forte ainda e a coisa entra ano, sai ano é a mesma coisa. Há um coluio entre clubes, torcidas organizadas, dirigentes e certamente políticos que ajudam a mante-las abertas já que certamente dá votos.
Por isso e por outras falcatruas que esse esporte se transformou que este velho de 66 anos deixou de há muito de sequer a assistir quanto mais discutir, ou mesmo gozar muitos amigos que sabem que sou torcedor do Palestra/Palmeiras ...
Enoja apenas ler os títulos porque nem as matérias trazem qualquer novidade e por isso, o meu dinheirinho e principalmente perder tempo vendo ou ouvindo como sempre gostei de fazer ... nunca mais ...
Que o esporte fique com esses VVCs que ao que parecem são muito mais fortes que a legislação esportiva, penal desse País que já é grande em termos de Faz de Contas das coisas e no esporte e nesse esporte especificamente não poderia ser diferente .
Triste realidade .
(*) Aposentado e morador em São Paulo
Marcelo Barros (*)
Em várias cidades brasileiras, já estamos em tempo de Carnaval.
No Rio de Janeiro, Olinda, Salvador e outras cidades tradicionais, os blocos estão nas ruas e as pessoas superam as dores e angústias do cotidiano através da dança, das brincadeiras e da alegria do Carnaval. Ainda há pessoas e grupos que veem nisso mera alienação. Alguns grupos religiosos condenam o mundanismo e julgam o Carnaval como produto do diabo. Não há dúvidas de que o Capitalismo faz de tudo mercadoria. No Carnaval, explora um erotismo simplesmente comercial. Fomenta o uso exagerado de bebidas e mesmo de drogas. Tudo isso cria um circulo vicioso com a violência urbana que explode em alguns fenômenos de massa não bem canalizados. No entanto, apesar desses problemas, toda festa, mesmo a mais aparentemente mundana, reúne pessoas em uma expressão de alegria e tem, por isso, uma dimensão nobre e, podemos mesmo dizer: espiritual.
De um modo ou de outro, todas as culturas valorizam a festa como sinal e antecipação do pleno e definitivo encontro com a divindade. Jesus afirmou que o reinado divino vem ao mundo, qual uma música deliciosa que convida todos a dançarem. Ele se queixa de sua geração que parece com pessoas que, mesmo ao som da música, não reagem e ficam indiferentes (Lc 7, 31- 32). Ninguém deveria ficar apático diante dos sinais do amor e da comunhão humana que tornam a vida, mesmo sofrida, uma festa de alegria, inspirada pelo Espírito. Conforme o quarto evangelho, Jesus começou a anunciar o reinado divino no mundo, transformando água em vinho simplesmente para que não faltasse alegria em uma festa de casamento (Jo 2).
As pessoas e comunidades marcam a vida pela cadência das festas.
Cada ano, o aniversário natalício recorda o dom da vida. Conquistas importantes, como conclusão de um curso, obtenção de um novo trabalho e casamentos são celebrados com festas. Todo país tem festas cívicas e cada religião, festividades litúrgicas.
O que caracteriza a festa é a liberdade de brincar, o direito de subverter a rotina e de expressar alegria e comunhão, através de uma comida gostosa, a música contagiante e a dança que unifica corpo e espírito.
Na Bíblia, se conta que, quando a arca da aliança foi transferida das montanhas para Jerusalém, “o rei Davi dançava alegremente”. Davi dançou para agradecer a bênção divina sobre o povo. Vários salmos aludem à dança como forma de oração. Apesar disso, a dança não é muito valorizada nas liturgias. Nas sinagogas, o uso variou muito, de acordo com o tempo. Em épocas mais recentes, principalmente em festas como a da Simchá Torá, a festa da “alegria da Lei”, no nono dia depois da festa das Tendas (Sucot), a dança é o rito central. Em um artigo na internet, o rabino Nilton Bonder explica: “Nós dançamos com a Torá e não nos damos conta como dançamos com a vida e de que a dança revela muito”. A dança é mais do que um método. É caminho de meditação interior e comunitária. Indica abertura do ser humano a uma dimensão de transcendência. No Brasil, as danças são ancestralmente praticadas pelas religiões indígenas e afro-descendentes. Muitas vezes, além de ser uma forma de orar com o corpo, servem também como instrumentos de cura e equilíbrio para a vida.
As formas mais conhecidas de danças sagradas espalhadas pelo mundo vêm do Oriente e são a Hatha Yoga, T´ai Chi e as danças do Dervixe na tradição mística Sufi (muçulmana). Um dervixe disse ao escritor grego Nikos Kazantzakis: “Bendizemos ao Senhor, dançando. A dança mata o ego e uma vez que o ego é morto não há mais obstáculos que o impeçam de se unir a Deus”.
Lamentavelmente ao se falar de dança sagrada, corre-se o risco de separar o sagrado e o profano, como se houvesse uma dança santa e a outra mundana e pervertida. É claro que, como toda atividade humana, a dança também pode se tornar instrumentalizada em espetáculos de mau gosto. Entretanto, se, em seu erotismo, ela é humana e humanizadora, repõe as energias do amor em um equilíbrio unificador da pessoa e da comunidade. Desse modo, toda dança é sinal da bênção divina e instrumento de cura do corpo e do espírito. Tanto no Carnaval, como no dia a dia, é importante valorizar os ritmos, músicas e danças de cada cultura.
Nos anos 70, Chico Buarque compôs a melodia para o filme “Quando o Carnaval chegar”, uma comédia musical de Cacá Diegues que tomava o Carnaval como parábola da festa da libertação. Apesar de que superamos a ditadura militar e, hoje, vivemos uma democracia formal, ainda há muito para alcançarmos uma igualdade social e uma realidade de justiça que signifique uma verdadeira libertação para todo o nosso povo. Por isso, continua válida a esperança proposta nas imagens daquela música de Chico, cantada no filme, junto com Maria Bethânia e Nara Leão: “Quem vê assim, tão parado e distante, parece que eu nem sei sambar. Tou me guardando pra quando o Carnaval chegar”.
É bom que nos Carnavais que passam, não deixemos de esperar e nos preparar para o Carnaval definitivo, mais profundo e transformador da vida.
(*) É monge beneditino, escritor e teólogo
José Cruz (*)
A 16 meses da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o presidente da APO (Autoridade Pública Olímpica), general Fernando Azevedo, entregou o cargo, ontem, no Palácio do Planalto – promotor de sua “fritura” durante uma semana.
A forma rasteira como o governo federal trata as questões mais sérias do esporte está à altura da falta de credibilidade do Executivo, do Legislativo e das instituições políticas em geral, mergulhadas em crise de corrupção com repercussão internacional.
Ao forçar o pedido de demissão do general – que dirigiu a preparação dos Jogos Mundiais Militares, em 2011 – Dilma Rousseff abriu espaço para acomodar o deputado estadual Edinho Silva (PT/SP), tesoureiro da campanha presidencial (foto). É a forma de o chefe da Casa Civil, Aloysio Mercadante, intervir na organização dos Jogos do Rio de Janeiro.
Estarrece a justificativa de Dilma para a abertura dessa vaga: ter no cargo da APO alguém que dialogue com os setores esportivos que ficaram contrariados com a nomeação de George Hilton para o Ministério do Esporte.
Bobagem.
O general Fernando é muito mais ligado ao esporte que Edinho Silva.
É desportista, antes de tudo. Mas Dilma não está nem aí para esse segmento.
Edinho, segundo relatos de políticos, é um especialista em dialogar com empreiteiras. Essa relação dele é investigada pela Polícia Federal na operação Lava-Jato. Segundo as denúncias de quem está preso e muito enrolado nesse escândalo, foi nas construtoras que servem a Petrobras que Edinho buscou parte da verba para a última campanha presidencial.
No meio dessas disputas não estão questões domésticas, exclusivas, mas a organização de um evento, a Olimpíada, que consumirá R$ 37 bilhões, cujas obras esportivas, calendários e organogramas têm fiscalização internacional.
Imagino o esforço das autoridades do Comitê Olímpico Internacional para entenderem esse jogo político de interesses, que os levará a reiniciar o diálogo com o terceiro presidente da APO, em apenas três anos.
(*) É jornalista e cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte em Brasília
Cristovam Buarque (*)
Felizmente surgiu nestes últimos dias movimentos em defesa da Petrobras.
Empresa que orgulha o Brasil e da qual o Brasil depende. Mas é surpreendente que estes movimentos não estejam denunciando quem envenenou nossa empresa.
A Petrobras foi envenenada por diretores corruptos aliados a empresas corruptas.
Juntos superfaturaram obras, roubaram dinheiro do País, degradaram nossa empresa.
A Petrobras foi envenenada pelo aparelhamento partidário que escolheu dirigentes despreparados para os cargos, selecionados apenas pela carneirinho partidária.
A Petrobras foi envenenada pelo conluio entre os dirigentes políticos e os diretores aparelhados que ofereceram facilidades e lucro majorado às empresas, em troca de propinas para enriquecimento pessoal ou com o objetivo de financiar campanhas eleitorais.
A Petrobras foi envenenada pela manipulação dos preços de seus produtos reprimidos abaixo das necessidades financeiras, para esconder a inflação. O governo sacrificou a Petrobras com superfaturamento de obras para obter financiamento de campanha e rebaixamento nos preços de seus produtos para enganar a população.
A Petrobras foi envenenada pela exigência de investimentos além de suas possibilidades, como forma de justificar o marketing de que o Pré-Sal salvaria a Nação, educaria as crianças, construiria a infra-estrutura.
A Petrobras foi envenenada pela teimosia de manter dirigentes que há meses não passam credibilidade, nem demonstram capacidade para conduzir a empresa.
A Petrobras foi envenenada pelo silêncio de muitos de seus servidores que sabiam ou desconfiavam dos mal feitos e da má gestão mas calaram por apego aos cargos, por partidarismo ou por medo.
A Petrobras foi envenenada também pela imprensa, mas não pelo fato de estar divulgando as notícias e sim pela incapacidade investigativa que descobrisse em tempo o que se passava dentro da empresa. Não fizeram com a Petrobras o que fizeram com o mensalão. Não é por acaso que o nome mensalão foi apelidado pela mídia e o nome Lava a Jato pela Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça. A mídia apenas notícia o que dizem investigadores e delatores premiados, ela não descobriu nada. Felizmente porém divulga o que não foi capaz de descobrir.
A Petrobras foi envenenada pela base de apoio do governo no Congresso, que não deixou que a CPI desnudasse em tempo o envenenamento a que ela estava sendo submetida.
E a Petrobras está sendo envenenada agora por aqueles que silenciaram durante todos os meses das descobertas das propinas, dos desmandos e agora dizem defender a nossa empresa, sem identificar os envenenadores, sem denunciar todos os responsáveis pelo crime ainda pior do que corrupção, crime de lesa pátria cometido.
(*) É engenheiro mecânico, economista, educador, professor universitário e político filiado ao PDT. É o criador da Bolsa-Escola, que foi implantada pela primeira vez em seu governo no Distrito Federal. É senador da República
IstoÉ Dinheiro
Há uma velha máxima, creditada ao falecido presidente Tancredo Neves, segundo a qual “a energia mais cara é aquela que você não tem”. Passadas três décadas da morte do político mineiro, empresários e consumidores sofrem com reajustes superiores a 70% nas tarifas e ainda se preparam para um risco cada vez maior de apagão. É um cenário surpreendente para quem acreditou nas palavras da presidenta Dilma Rousseff, que, há dois anos, anunciara a redução da tarifa em 18% para as residências e 32% para as indústrias. “Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata”, afirmou Dilma, em cadeia de rádio e TV.
“Sem nenhum risco de racionamento ou qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo.” Não foi bem assim. Nos últimos dois anos, a crise do setor elétrico vem se agravando. “Os rombos são bilionários, falta linha de transmissão, não tem licença ambiental e a sociedade foi convencida de que havia energia sobrando e barata”, diz Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. “A falta de chuvas foi apenas um dos problemas.” Até hoje os investidores não digeriram as mudanças na regra do jogo que permitiram o barateamento da energia.
O Globo
Parte da tradição culinária ibérica, a feijoada virou a receita brasileira por excelência.
É o prato que nos dá identidade, aquele que apresentamos a todo estrangeiro de passagem. Mas a clássica combinação do feijão preto com carnes nasceu no Rio, e é mais consumida aqui. Tinha mesmo que terminar em samba, não é?
Os cozidos de carnes e legumes são milenares, com registros que remetem ao Império Romano. Receitas próximas a da feijoada têm sido cultivadas pelas tradições culinárias de Espanha, Portugal e França; quem nunca devorou um bom cassoulet que atire a primeira pedra. É a partir dessa influência europeia que nasce a nossa feijoada.
Seus primeiros registros — completa, com feijão preto gordo, arroz, couve e farofa — datam do século XIX, no Rio. O folclorista Câmara Cascudo afirma em “História da Alimentação” que ela foi criada para enriquecer a dieta colonial: o feijão magro (que no século XVI era consumido acompanhado de farinha e carne ou peixe seco) deu lugar ao prato preparado à maneira do cozido português, com carnes e legumes.
— De fato, o único prato realmente carioca é a feijoada. Podemos afirmar isso porque os registros mais antigos apontam para o Rio. E o feijão preto sempre foi mais consumido na cidade — afirma o sociólogo Carlos Alberto Dória, autor de “Formação culinária brasileira.” — Outras influências encontradas no Rio não são criações cariocas. O peixe com farinha dos caiçaras, por exemplo, é comum em todo o litoral brasileiro, com pequenas alterações — explica.
E por que o feijão preto é mais consumido no Rio do que no resto do Brasil?
— Nunca encontrei essa explicação nas minhas pesquisas — diz Rosa Moraes, diretora de hospitalidade e gastronomia da rede de universidades Laureate. — É o tipo de coisa que se percebe quando não se é carioca ou não se mora no Rio. No restante do Brasil, outros tipos de feijão são consumidos no dia a dia. Muitas vezes, o feijão preto só vai à mesa na forma de feijoada.
Criada no Rio no fim do período colonial, a feijoada foi alçada a sinônimo de brasilidade pelo Modernismo, que, nas primeiras décadas do século XX, buscou construir uma ideia de nação. Tornou-se, então, uma espécie de alegoria festiva de um Brasil miscigenado.
— A feijoada não nasceu na senzala, como diz o senso comum. Basta pensar que as carnes usadas no prato não eram consideradas “restos” pelos portugueses. Ao contrário, eles não as desprezavam. Mas o ideal modernista fez da feijoada um símbolo da mistura racial brasileira — explica a antropóloga Paula Pinto e Silva.
A analogia é explícita, simples até, mas pouco verdadeira: arroz (contribuição do colonizador branco), feijão com restos de carnes (consumido na senzala pelos escravos) e a farinha (de mandioca, parte da alimentação dos índios). Uma vez criado o mito culinário, difundi-lo não foi difícil. Capital do Brasil por 197 anos, o Rio sempre foi um importante disseminador cultural. Saindo de pequenos restaurantes e pensões cariocas em meados do século XIX, a feijoada rapidamente ganhou o imaginário — e a mesa — brasileiros.
Como a própria personalidade carioca, a feijoada se estabeleceu como um prato festivo e informal. Alguém imagina que ela pudesse ter sido criada em São Paulo?
— O Rio escolheu ser reconhecido como um lugar informal, descompromissado. Por isso, a cultura do chope e dos bolinhos fritos nos botequins. A feijoada está dentro dessa escolha. É uma comida sem cerimônia — reflete Paula Pinto e Silva.
E já que chegamos à bebida, com o que harmonizar uma boa feijoada?
Tradicionalmente, o carioca escolhe entre a cerveja estupidamente gelada e o chope bem tirado. São bebidas descontraídas. Os turistas não hesitam: pedem a caipirinha, formando um manjar “made in Brazil”. Mas não se surpreenda, há sommeliers que indicam espumante para escoltá-la — uma bebida festiva para uma receita idem.
De copo na mão, basta seguir Vinicius (existe símbolo melhor do Rio?), no poema “Feijoada à minha moda”: “Que prazer mais um corpo pede/Após comido um tal feijão?/Evidentemente uma rede/E um gato para passar a mão.”