sábado, 3 de julho de 2010

Usinas e seus problemas

Usina de Curuá Una Gera Energia Limpa e Prejudica Quem Vive no Entorno da Barragem
Edilberto Sena (*)

O governo federal está obstinado a construir dezenas de hidroelétricas na Amazônia, alegando que o melhor processo de geração de energia elétrica limpa e que a Amazônia tem um dos maiores potenciais dessa geração no mundo. Os projetos em andamento incluem também maiores usinas a serem construídas entre outras, duas no rio Madeira, com 4.500 megawattz de geração; uma, no rio Xingu prevendo 11.500 megawattz e cinco delas, na bacia do rio Tapajós prevendo 10.500 megawattz. Garante a Eletronorte, baseada em seus cálculos questionados por críticos abalizados, que todo esse potencial terá mínimos impactos negativos, ambientais, sociais e econômicos. Isso diz a Eletronorte, mas a realidade não confere.

O que está ocorrendo no município de Santarém, causado pela barragem da usina de Curuá Una desmente a falácia do governo e é um alerta para outros projetos ainda não iniciados. Quando chove bastante e enche o lago de Curuá Una, para proteger o sistema de geração energética a empresa abre as comportas, sem se preocupar com os moradores que vivem às margens do rio abaixo da represa e provocam inundações, destruição de lavouras, alagando residências e perturbando as vidas dos ribeirinhos.

A usina de Curuá Una produz apenas 30 megawatts, imagine-se um projeto proposto para São Luiz do Tapajós, com 734 quilômetros quadrados de lago. Quando os interesses da empresa fizerem controle da vazão da água, qual será o desastre aos moradores que vivem rio abaixo, em Itaituba, Brasília legal, Aveiro e até Santarém? Imagine-se também o oposto, quando chegar o verão e o lago estiver com pouca água, qual será o grau de desastre de seca do rio abaixo? O Tapajós é um rio relativamente razo, com um canal estreito que serpenteia do alto abaixo, o que provoca invasão do rio Amazonas em frente à cidade de Santarém e nas margens do Tapajós as praias se estendem por dezenas de metros dificultando para de barcos.

Mas para a Eletronorte o que importa é gerar energia, que diz ser limpa. Para seus técnicos e dirigentes, assim como para o governo federal, ribeirinhos, indígenas, quilombolas e amazônidas conscientes são apenas obstáculos ao crescimento econômico, que devem ser afastados a qualquer custo. É o que já está ocorrendo em Rondônia e brevemente, no rio Xingu, no Pará.

Com tal mentalidade economicista, as hidroelétricas no Tapajós e Amazônia toda podem gerar energia limpa mas para as empreiteiras e as empresas de mineração e industriais, mas para os habitantes tradicionais da região é eltroMorte, sem dor de consciência das empreiteiras, Eletronorte e Ministério das Minas e Energia.
O que ocorre nestes dias e anos anteriores abaixo do rio Curuá Una é a amostra do que ocorrerá nas outras barragens na Amazônia, se seus povos não reagirem a tempo.

(*) Sacerdote e Diretor da Rádio Rural de Santarém

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