terça-feira, 6 de julho de 2010

Porto De Santarém Vai Virar Zona

Padre Edilberto Sena (*)

Se os e as santarenas ficarem parados, ou aplaudindo novo projeto de mais um porto graneleiro junto às Docas do Pará, seus filhos e filhas, netas e bisnetos pagarão um preço ainda mais caro que a sociedade santarena já paga hoje, pela presença de dois portos de escala dentro da cidade, invadindo o belo rio Tapajós. A notícia é assustadora, o responsável pelo porto da companhia Docas do Pará em Santarém, ele mesmo afirma a um jornal do sul que o projeto de um novo porto, maior do que o já existente ilegal da multinacional Cargill, já está projetado e negociado com a empresa Maggi.

Ora, como dizia uma antiga brincadeira de criança "um elefante chateia muita gente, três elefantes chateiam muito mais..." traduzindo isto para a atual realidade de Santarém, uma multinacional prejudica muita gente, cinco multinacionais prejudicam muito mais. Então, embora o chefe das Docas em Santarém não confirme para a imprensa local, mas afirmou para imprensa do sul que as empresas Maggi, Bunge e ADM, grandes transportadoras de soja para o estrangeiro, estão decididas a arrendar mais lotes de terra das Docas em Santarém para construir um porto maior do que o atual da Cargill, para exportação de soja e milho.

Será construído em algum ponto da propriedade das Docas, encostado de seu porto, entre os perímetros da universidade federal UFOPA e os tanques de combustível da distribuidora. Tudo indica que o asfaltamento da rodovia Santarém Cuiabá ficará concluído dentro de dois anos, segundo a mais recente promessa do presidente da República. Então, chegará finalmente o progresso? O desemprego acabará?

Alguém sabe por acaso, quantos empregos gera a atual Cargill no município, com seu porto que exporta anualmente um milhão de toneladas de soja? Com a estrada asfaltada e dois grandes portos graneleiros bem na frente da cidade, imagine-se 200 a 300 caminhões chegando e parando, ao longo da avenida Cuiabá, ou sobre o sítio arqueológico dos pátios das Docas, quais as conseqüências? Aumento de drogas, prostituição, de doenças venéreas e outras mais. Será isso o desenvolvimento sonhado?

Permitirá a sociedade santarena que tais desgraças ameacem seus filhos e filhas? Será que a Câmara de vereadores e a prefeita do município irão permitir mais esse crime sócio ambiental? Mesmo tendo um Plano Diretor de município, que estabelece ordenamento territorial urbano e sabendo que portos construídos rio acima são tão desastrosos para a frente da cidade? Ninguém reage a tão nefasto projeto de mais portos graneleiros dentro da cidade? Se for assim, realmente está se lançando a Pérola do Tapajós aos porcos.

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