sábado, 15 de junho de 2013

A economia repete erros

CartaCapital 


A leitura dos jornais e revistas, ressalvadas as exceções de praxe, projeta um cenário econômico catastrófico. Suficiente para abalar as projeções das pesquisas eleitorais em torno do favoritismo da presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição em 2014. /;/;/; A direita projeta e torce pela catástrofe. A esquerda projeta erros e teme que isso ocorra. Impossível, no entanto, dizer que não há um problema embutido na questão. Parece um erro repetido. 

É como pensa Laura Barbosa de Carvalho, doutora pela New School for Social Research e professora da Escola de Economia da FGV-SP. Ela acredita que o ministro Guido Mantega bateu o último prego no caixão da opção econômica do governo, na quarta-feira 12, ao anunciar que cumprirá meta de superávit de 2,3% do PIB. O crescimento, em consequência, teria ido para o espaço. 

A opção anunciada por Mantega “leva a crer que o governo federal fará novos cortes de gastos e, principalmente, de investimentos públicos da ordem de 0,5% do PIB”. 

Segundo Laura Carvalho, “se a inflação mais alta fosse mesmo fruto de um improvável excesso de demanda, uma política de contração fiscal poderia aliviar o esforço necessário da política monetária no combate à inflação. No entanto, se essa inflação for de fato fruto de aumento de custos (incluindo aí o efeito da própria desvalorização cambial) e a demanda estiver crescendo abaixo do produto potencial, uma contração adicional da demanda por meio de cortes nos gastos públicos pode encerrar qualquer esperança de recuperação do crescimento econômico”. 

O Brasil, neste caso, repetiria o mesmo erro de diagnóstico de 2011, em vez da sua correção. 
Naquele ano, lembra, “para resolver o problema da falta de competitividade internacional, o câmbio foi desvalorizado. Para isso, foi reduzida a taxa de juros que, por estar bem acima do nível internacional, ajudava a atrair grande volume de capital especulativo. Por fim, para evitar a suposta inflação de demanda, cortaram os gastos públicos". 

Ela adverte: “O resultado foi um fracasso. O câmbio desvalorizou-se, mas, devido ao aprofundamento da crise europeia e à contração da demanda global em 2012, passou longe do que seria necessário para estimular as exportações”. 

Segundo a professora, “a inflação, como em todos os anos em que houve desvalorização cambial, com exceção de 2008, atingiu o teto da meta”. 

O cenário subsequente já se sabe. 

A inflação mais alta levou a uma desaceleração do consumo, que cresceu apenas 3,1% em 2012, e parece ter estagnado desde então. O investimento, que tinha crescido mais de 21% em 2010, contraiu 4% em 2012. E, por fim, o superávit primário do governo federal, excluindo os recursos obtidos com a capitalização da Petrobras de 2010, subiu em mais de 1% do PIB em 2011, atuando assim como força adicional de contração da demanda. 

A economista não tem dúvida: a estratégia iniciada em 2011, repetida agora, foi equivocada. 

O prefeito falastrão

Haddad abandonou o cargo de prefeito para exercer o ofício de juiz de briga de rua  

Augusto Nunes (*) 

Assim que começou a segunda semana de confrontos entre a Polícia Militar e grupos rebelados contra os 20 centavos a mais nas tarifas de ônibus, Fernando Haddad trocou o cargo de prefeito pelo ofício de juiz de briga de rua. Caprichando na pose de quem não lembra direito que o aumento foi decretado pelo poste que Lula instalou na prefeitura, o árbitro de conflitos urbanos estreou no saguão de um hotel em Paris. “A PM tem de seguir protocolo e um deles é manter vias expressas desimpedidas”, apitou a favor do time de farda. 

Na terça-feira, enquanto a maior metrópole da América Latina convalescia de outro dia de cão, Haddad analisou a disputa que vigiara acampado numa suíte batizada de “sala de situação”. “As pessoas não estão fazendo uso adequado da liberdade de expressão”, apitou contra os baderneiros. E insinuou que dali por diante agiria com rigor: “Pessoas inconformadas com o Estado Democrático de Direito passam a adotar outro tipo de postura: de provocação, intimidação, agressão e depredação”. 

De volta ao Brasil na quinta-feira, aproveitou a quarta onda de turbulências para mostrar que o surto de coragem já passara. “A ação da PM foi exagerada”, apitou a favor dos devotos do vandalismo. Em seguida, forçou o empate com a exibição do cartão amarelo aos homens da lei. “O ato foi marcado pela violência policial”, advertiu num fiapo de voz. 

O árbitro de araque é que deveria ser imediatamente expulso de campo e obrigado, ainda no vestiário, a reaparecer no emprego que abandonou. A devolução ao local de trabalho de um poste que fala não vai resolver nenhum dos incontáveis problemas da cidade. Mas ao menos seriam ligeiramente reduzidos o índice de covardia e a taxa de cinismo que envergonham São Paulo — e enojam o Brasil que presta. 

(*) Jornalista e Ex-diretor do Jornal do Brasil, do Jornal Gazeta Mercantil e Revista Forbes. Atualmente na Revista Veja

A coisa está começando a feder ...

Uma tarde de futebol, protesto e caos em Brasília. MTST e estudantes conseguiram. Seus protestos contra o bilionário Mané Garrincha e a Copa do Mundo ganharam o mundo. Polícia tem certeza: tudo se repetirá em Fortaleza…  

Cosme Rímoli (*) 

Brasília... 
Como em São Paulo, as autoridades daqui não sabem como agir. 
Os policiais militares de Brasília estão dando outro vexame. 
Oscilam entre a violência, omissão e até receio dos manifestantes.

Os governantes da capital do País foram incompetentes demais. 
Tudo o que não queriam está acontecendo. 
O clima de medo dominou o ambiente de Brasil e Japão.
Há meses os manifestos estavam sendo arquitetados. 

MST e estudantes queriam usar os holofotes da Copa das Confederações. 
Sabiam que suas reivindicações chegariam a todo o planeta. 
Ontem já havia sido um caos. 
Membros do MST queimaram pneus em frente ao estádio. 

Mostraram faixas, gritaram, tentaram ficar em frente aos portões. 
O desejo era impedir a entrada da Seleção Brasileira, da Japonesa.
Ter toda a atenção da imprensa. 
Foram cerca de 800 pessoas ontem. 


Cenas de terror, com Tropa de Choque, bombas de efeito moral. 
Manifestantes detidos sendo arrastados pelos policiais. 
Fumaça preta cobrindo a entrada do estádio.
Vários foram detidos. 

Serão flores ou borrachadas?

Após confrontos, 23 cidades agendam protestos para próxima semana 

Terra 

Depois dos protestos populares registrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre nesta quinta-feira, com a adesão de milhares de pessoas, outras 23 manifestações, em cidades diferentes, foram marcadas, em 14 Estados. /;/;/;/ Pelo Facebook, manifestantes já têm agendado para a próxima semana protestos em Florianópolis, Joinville (SC), Brasília, Viçosa (MG), Juiz de Fora (MG), Uberlândia (MG), Manaus, Natal, São Paulo, Santos (SP), Bauru (SP), Piracicaba (SP), Porto Alegre, Belém, Santarém (PA), João Pessoa (PB), Foz do Iguaçu (PR), São Luís, Belo Horizonte, Goiânia, Duque de Caxias (RJ), Recife e Curitiba. 

A grande maioria dos protestos tem como principal reivindicação a melhoria e o reajuste na passagem do transporte público trens, no que os manifestantes chamam de ato nacional. 

Em outras cidades, além do apoio às manifestações pelo melhoria no transporte público, os manifestantes pretendem lutar por outras reivindicações. Em Curitiba, a descrição do protesto afirma que o ato buscará “provar ao poder público que estamos de olho e mais do que isso, queremos juntos construir uma cidade melhor”. 

Em Juiz de Fora, os responsáveis por organizar o evento afirmam querer mostrar “aos governantes que não é só por causa de R$ 0,20 que o brasileiro está revoltado, isto foi apenas um estopim”. Em Viçosa, o protesto ocorrerá para cobrar medidas em prol da educação. 

Em Foz do Iguaçu, os organizadores definiram o ato como uma manifestação pelo direito. “Isso não é sobre aumentos, é sobre liberdade, direitos, sobre cidadania”, diz a descrição do evento.

Bando de incompetentes até para organizar um torneio de futebol

Colunista espanhol detona 'desordem frequente' da organização no Recife 

UOL 

Seleção uruguaia indo treinar !!!!!
A organização da Copa das Confederações foi duramente criticada pela imprensa espanhola neste sábado. Designado para cobrir o evento pelo jornal Marca, o repórter Juan Castro utilizou seu blog para detonar os problemas enfrentados pelas seleções que estão hospedadas no Recife. 

"Era esperado um Brasil mais moderno, mais estabelecido, mais desenvolvido, melhor organizado para esta Copa", escreveu o colunista, "Para quem acompanhou o crescimento deste país nos últimos anos, esperava-se mais. Tomara que seja apenas o começo e que no Mundial o básico esteja pronto para a grande festa". 

As críticas se devem aos problemas ocorridos no Recife nos últimos dias. A seleção uruguaia não pôde treinar no encharcado gramado do estádio Arruda e foi realocada no CT do Sport, onde enfrentou uma esburacada estrada de terra para chegar. 

"Não havia um só gramado correto e disponível em todo o estado! Intolerável. Imagina se isso ocorre isso com Itália ou Inglaterra em pleno Mundial 2014? As comunicações estão sendo horríveis. A Celeste [seleção uruguaia] demorou 1h30 do hotel até o campo. O aeroporto funciona pior que melhor. Em linhas gerais, a desordem é frequente", completou o jornalista.

Arroz com Galinha e Pequi

Ingredientes:  
3 xícaras de arroz 
1 frango inteiro 
1 Kg de pequi cozido 
1 colher de sopa rasa de açúcar 
2 dentes de alho 
1 cebola picada 
2 pimentas "Dedo de Moça" 
Cheiro verde, 
Vinagre e Sal a gosto 

Modo de preparo: 
Coloque para cozinhar o Pequi na água com sal. 
Corte a galinha em pedaços menores. 
Refogue o arroz na gordura da galinha, assim que estiver refogado, escorra a gordura e reserve o arroz. 
Em seguida queime o açúcar e refogue a galinha, quando a galinha estiver dourada acrescente o vinagre. 
Adicione o tempero deixando mais um tempo no fogo. 
Coloque aos poucos um pouco de água, assim que a galinha estiver bem cozida, acrescente o arroz e vá colocando água até o arroz ficar ao ponto de "al dente". 
Adicione os pequis, e em seguida o sal e a pimenta a gosto.

A quem interessa essas manifestações ?

Descoberta a origem de mais um grupo que ajuda a tocar o terror em São Paulo. Vejam! Ou: Eles trocaram Marx por uma mistura de Lafargue com Bakunin!  

Reinaldo Azevedo (*) 

 Ai, ai… As coisas vão ficando cada vez mais divertidas. Nos distúrbios de rua, especialmente em São Paulo, a gente nota a presença ostensiva de bandeiras amarelas. 


Há ali a assinatura de um “movimento”, que tem página na Internet: chama-se “Juntos”. O endereço é juntos.org.br. Mais uma vez, fui fazer a divertida brincadeira de saber quem e o dono do registro. Tchan, tcha, tcham! 

Sim, trata-se de Luciana Genro, militante do PSOL, filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT). Ela anda um tanto afastada da política por razões de saúde, mas o vereador Pedro Ruas, de Porto Alegre, dá toda força à turma e a substitui com sobras. O “Juntos” é uma espécie de movimento social do PSOL. No “Quem somos”, eles se revelam (em vermelho): 

“Juntos! é um movimento nacional de juventude. Surgiu no início de 2011 em São Paulo e vem conquistando a simpatia de jovens de todo o Brasil. Surgimos em um novo momento no mundo. O mar da história está agitado, já diria Maiakovski. Representamos uma nova geração de lutadores dispostos a construir um mundo radicalmente novo. Juntos! é a juventude em movimento pela educação de qualidade, em defesa do meio ambiente, contra o preconceito e por uma sociedade com igualdade e liberdade para todos. 

Juntos! construímos o nosso I Encontro Nacional que deu o pontapé inicial pra nossa empreitada de organizar as lutas onde quer que estejam. 

Juntos! é a juventude dos indignados: dos tunisianos, egípcios, espanhóis, chilenos. Somos aqueles que estão sem emprego, sem educação, sem cultura, sem casa, mas também sem medo de lutar! Somos aqueles que estão em defesa da Amazônia nos atos contra a construção de Belo Monte e contra o novo código (anti-)florestal! Somos aqueles que estão nas lutas contra toda forma de preconceito, seja de gênero, etnia, idade, credo. Somos aqueles que estavam nas Marchas da Liberdade, das Vadias, no #ForaRicardoTeixeira, contra a corrupção, nas paradas LGBT. Somos aqueles que #TomamosAsRuas e lutamos por uma #DemocraciaRealJá! 

É o sonho dos nossos atuais administradores

Parlamento do Equador aprova lei que restringe ação da imprensa no país  

Estadão 

Rafael Correa - Presidente do Equador
A Assembleia Nacional do Equador aprovou nesta sexta-feira, 14, uma nova lei sobre os meios de comunicação que cria organismos de controle sobre a atividade jornalística. No projeto, estão previstas auditorias, sanções administrativas e multas a jornalistas e veículos de imprensa. A lei foi aprovada com 108 votos a favor – 100 deles da coalizão Aliança País, do presidente Rafael Correa – e 26 contra. 

A nova legislação, com 119 artigos, deve ser promulgada em breve.
Relator da lei, o deputado Mauro Andino disse pretender democratizar a comunicação com o projeto. 

"Como cidadãos, queremos a liberdade de expressão com os limites dados pela Constituição e os instrumentos internacionais, além de uma liberdade de informação com responsabilidade", disse o parlamentar. "Propusemos uma lei que se constrói a partir de um enfoque de direitos para todos, não para um grupo de privilegiados" 

O projeto cria três órgãos para supervisionar o exercício do jornalismo: o Conselho de Regulação, o Conselho Consultivo e a Superintendência de Informação e Comunicação, que será responsável por auditorias, multas e processar civil e penalmente jornalistas que escrevam textos ofensivos a direitos de terceiros. A lei também institui a figura jurídica do linchamento midiático, destinada a garantir o bom nome das pessoas criticadas pela imprensa. 

A presidente da Assembleia Nacional Gabriela Rivadeneira celebrou a vitória parlamentar. "Por fim o país vai ter um antes e um depois no que diz respeito aos modos da imprensa, na prática da liberdade da expressão e no modo como alguns utilizam o microfone para ultrajar a dignidade", disse. 

O projeto foi criticado por associações de classe, entidades patronais e ONGs em defesa da liberdade de expressão. " Começará um período muito complicado para a imprensa privada e para o jornalismo independente no Equador", disse. "Vem por aí uma espécie de totalitarismo informativo, que construirá um estado de propaganda no Equador, com a penas um ponto de vista sobre a realidade: o da presidência da república" 

O comitê para Proteção dos Jornalistas considerou a lei uma séria ameaça a liberdade de expressão por seu caráter ambíguo. "A lei permite impor sanções e abre as portas para a censura governamental", disse o coordenador para as Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Um dos principais objetivos de Correa é silenciar os críticos de seu governo." 

Correa, que ao longo do mandato tem tido uma relação difícil com a imprensa crítica a ele, apoiou o projeto. Em diversas ocasiões chamou os jornalistas de "capangas com canetas", "medíocres" e "mentirosos". O presidente também processou por calúnia o jornal El Universo, seus donos e um ex-editor por ter sido chamado de ditador. A indenização de US$ 42 milhões acabou sendo perdoada por Correa. O presidente também recorreu à Justiça contra dois jornalistas que escreveram um livro sobre negócios supostamente irregulares de seu irmão, Fabrício Correa. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

É muita gente

ONU: População mundial é de 7,2 bilhões de pessoas  

Associated Press.para o Estadão 

A população do planeta Terra atingiu 7,2 bilhões de pessoas, informa a Organização das Nações Unidas (ONU) no estudo "Perspectivas de População Mundial", divulgado hoje. 

E, de acordo com as projeções de crescimento demográfico apresentadas pela entidade, a população mundial deve chegar a 8,1 bilhões de pessoas em 2025 e 9,6 bilhões em 2050. 

O documento prevê que a população da Índia ultrapassará a da China em algum momento de 2028, quando os dois países terão população aproximada de 1,45 bilhão. 

O estudo nota que houve uma queda rápida das taxas globais de fertilidade, mas não em velocidade suficiente para evitar um salto significativo da população mundial nas próximas décadas, principalmente em países emergentes.

País começa a implantar corações artificiais de alta tecnologia

Folha de São Paulo 

Desde dezembro, Marcelo Loeb, 42, tem uma tarefa a mais em seu cotidiano: trocar, a cada oito horas, a bateria que alimenta seu novo coração. Ele foi o primeiro paciente no Brasil a receber, com sucesso, um modelo definitivo de coração artificial. 

Um segundo caso bem-sucedido ocorreu em fevereiro. Os feitos representam um avanço, mas o país ainda reúne pouquíssima experiência na área em comparação com Estados Unidos e Europa. 

Só os Estados Unidos registraram 7.254 implantes desse mesmo modelo até o ano passado. Levando em conta todos os tipos de coração artificial, entre temporários e definitivos, existem cerca de 20 mil casos no mundo. 

Os três modelos mais avançados são o dispositivo de assistência ventricular esquerda (definitivo), o dispositivo de assistência circulatória biventricular (com validade de um mês), e o coração artificial total (definitivo, mas ainda não aprovado no Brasil). 

A cirurgia pioneira ocorreu no Incor (Instituto do Coração). Nesse caso, o dispositivo não deve ficar definitivamente com o paciente. A médica Sílvia Ayub conta que, com o implante, ele se recuperou do quadro de hipertensão pulmonar, fator que o impossibilitava de receber transplante. Agora, voltou para a fila e aguarda pelo órgão. 

"A experiência com o transplante é mais antiga e proporciona uma qualidade de vida melhor", diz Ayub. 

Enquanto a sobrevida média dos transplantados é de 10 a 15 anos, ela varia de 1 a 7 anos no caso dos pacientes com coração artificial. 

O caso brasileiro mais recente de implante definitivo ocorreu no Hospital Samaritano, em São Paulo. O paciente Duck Hyun Chung, 52, sofria de uma insuficiência cardíaca grave. 

"Ele foi para a cirurgia em condição gravíssima. Por isso, primeiro recebeu um coração artificial temporário, extracontratual; 15 dias depois, optamos por colocar o definitivo", relata o cirurgião Eduardo Gregório Chamlian. O paciente foi retirado da fila de transplante e deve ficar com o aparelho por toda a vida, de acordo com o médico. 

A mulher do paciente, Jin Sup Song, conta que o marido (que é coreano e não fala português) começou a ter problemas cardíacos com 38 anos. Aos 52, já tinha três pontes de safena. "Agora, ele não é mais só ele: tem a bateria que fica do lado de fora e é levada a todos os lugares." 

Neste ano, o Brasil também alcançou o segundo caso de sucesso com o coração artificial temporário biventricular, na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Nos EUA, já foram 500 implantes do tipo. 

O que faz o Brasil estar atrasado nessa área, para o cirurgião Noedir Stolf, da Beneficência Portuguesa, é a falta de financiamento e de equipes especializadas. 

"Hoje, nem a saúde pública nem a suplementar pagam pelo dispositivo. Além disso, o cuidado do doente é muito específico e essa experiência com certeza é menor no nosso meio." Um aparelho permanente custa R$ 600 mil. 

Segundo o cirurgião Fabio Jatene, diretor da divisão de cirurgia cardíaca do Incor, as sociedades médicas estão em diálogo com o Ministério da Saúde para definir o melhor modelo para introduzir a tecnologia no país. Ele diz que o mais provável é que centros selecionados comecem a aplicar as técnicas e, posteriormente, promovam o treinamento de outras unidades. 

Equipamentos nacionais estão atualmente em desenvolvimento. O Incor deve começar nos próximos meses um estudo multicêntrico para testar seu dispositivo de assistência ventricular. O Instituto Dante Pazzanese também está pronto para iniciar os testes clínicos do equipamento desenvolvido pela unidade. Há ainda um dispositivo em desenvolvimento pela iniciativa privada.

Falta alguém na Paulista

Clóvis Rossi (*) 

É insano, absolutamente insano, continuar a permitir que a "negociação" com o MPL (Movimento Passe Livre) seja feita pela polícia. 

É escandalosamente óbvio que a polícia vai entrar para bater - e, de repente, alguém vai morrer - e que uma parte, certamente pequena, dos manifestantes vai entrar para quebrar. 

Depois, o que resta? Condenar a violência, que deve ser sempre condenada, mais ainda se parte da polícia, e lamentar o vandalismo, que também deve sempre ser condenado? Resolve alguma coisa? Nada. 

O que falta na avenida Paulista é Política, que escrevo com maiúscula porque a política anda tão aviltada que precisa de um pouco de amor próprio. Faltam deputados e senadores, vereadores e líderes partidários capazes de fazer o meio de campo entre os manifestantes e o poder público. 

Não é assim que funciona a democracia? A sociedade tem demandas, grupos se organizam para defendê-las e a Política faz a intermediação entre a sociedade e o Estado. 

É assim que se começou a apagar um incêndio muito mais virulento que o da Paulista. Refiro-me às manifestações na praça Taksim de Istambul. Um governante acusado de autoritarismo, caso do primeiro-ministro Recep Tayypan Erdogan, chamou parte dos manifestantes para dialogar no palácio do governo e anunciou que suspenderia as obras para a construção de um centro comercial no adjacente Parque Gezi, motivo original do incêndio. Demorou mas chamou. 

Será tão difícil adotar comportamento similar em São Paulo, no Rio e em outras cidades em que há protestos? 

Será tão difícil assim saber o que os grandes partidos pensam da proposta de passe livre? Será tão difícil assim provar, por A mais B, que a proposta é inviável, se é que é inviável? Há propostas alternativas aceitáveis? 

Política, Política, Política, única alternativa à guerra entre canibais e antropófagos, como o sempre magistral Elio Gaspari se referiu aos dois lados. 

Mas, atenção, nem a mais afiada Política é capaz de pôr fim ao vandalismo. Anos e anos de vasta quilometragem rodada na cobertura de manifestações, de Buenos Aires a Washington, de Genebra a Praga, boas doses de gás lacrimogênio inaladas, uma pancada no estômago em pleno centro de Florianópolis - tudo isso me ensinou como funciona o script de manifestações populares. 

Há um núcleo grande de movimentos com bandeiras legítimas, discordemos ou não delas, que marcham pacificamente, cantando e gritando slogans. Dessa massa, desprende-se um grupo menor que busca a violência pela violência e gera a violência da polícia. 

O essencial é separar o joio do trigo - e não atirar no trigo. 

Hélio Schwartsmann: Mesmo rejeitando o vandalismo, deve-se reconhecer que protestos por vezes tonificam a democracia  

(*) Jornalista é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo E-mail: crossi@uol.com.br

Confrontos em São Paulo

Jurista liga Alckmin à ditadura e diz que seu discurso promove a violência  

Terra 

Wálter Maierovitch
Em entrevista ao Jornal do Terra, o jurista Wálter Maierovitch criticou duramente nesta sexta-feira a ação da Polícia Militar de São Paulo na repressão ao movimento de protesto contra o aumento nas tarifas do transporte público na capital paulista. Segundo o especialista, a PM não está preparada para a democracia e é insuflada por um discurso "belicoso" do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que se assemelha a práticas da ditadura militar e incentiva a violência contra a população. 

"Um governador que chama e dá um sinal verde para empregar uma Tropa de Choque numa manifestação. É a doutrina da lei e da ordem, do rigor. E esse rigor que fatura politicamente em cima da violência", afirmou Maierovitch, que chamou Alckmin de "Erasmo Dias de sacristia", comparando-o ao militar que comandou a ocupação do campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1977. "Se a gente fizer uma leitura dos discursos do Alckmin, ele é, nos tempos atuais, nada mais nada menos que um Erasmo Dias. Um Erasmo Dias de sacristia, porque tem todo um discurso camuflado." 

Segundo Maierovitch, as cenas de violência policial vistas na noite de quinta-feira na região central de São Paulo são reflexo de uma política equivocada de segurança pública, que prioriza a repressão em detrimento da investigação e prevenção. Para o jurista, a extinção da Guarda Civil e o investimento na Polícia Militar acabou por criar uma mentalidade de violência repressora, potencializada pelo discurso do governador. "Ele tem uma política militarizada de segurança pública. E segurança pública não significa só caçar bandidos. Significa dar tranquilidade social", criticou. 

O jurista afirmou ainda que a PM mantém os mesmos procedimentos da ditadura militar e não está apta a conviver com o Estado democrático. "Eu acho que a gente tem que começar com uma radiografia onde se vê claramente que é uma polícia que já tem a 'militar' do lado do seu nome e não é preparada, não é educada para a legalidade democrática. Se nós temos esse tipo de polícia, que não é educada, não conseguimos romper aquela cultura da violência", analisou. 

Segundo o especialista, essa mesma mentalidade permeou o Massacre do Carandiru e a recente repressão a manifestantes na ação de reintegração de posse na região conhecida como Pinheirinho. "Vem da ditadura, passa pelo massacre e continua. Continua pelo Pinheirinho, pela Tropa de Choque entrando no campus da USP por conta de um probleminha causado por um cigarrinho de maconha. (...) Que cultura é essa? É exatamente a mesma da ditadura militar", citou Maierovitch. 

Soja 13/14: MT deve chegar a 25 milhões de toneladas

Diário de Cuiabá 

Mato Grosso vai emplacar na próxima safra, o ciclo 2013/14, o sétimo recorde seguido de produção e ultrapassar 25,28 milhões de toneladas de soja, alta de 7,16% sobre o atual recorde. 

Se confirmado, o volume será equivalente a 8,9% da produção mundial projetada para o próximo ano. 

A projeção para o Estado, o maior produtor de soja de país desde a safra 1999/2000 quando ultrapassou o Paraná, foi divulgada no último dia 27 pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), e é a primeira estimativa oficial do órgão para 2014. 

Até o momento, o ganho vem da produtividade que deverá adicionar uma saca a mais sobre a safra atual, ou seja, de 50 para 51 sacas por hectare (ha). 
O primeiro levantamento do Imea sobre a intenção de semeadura foi publicado no Boletim Semanal da Soja e traz dados referentes à expectativa de área e produção para Mato Grosso. 

“Se esse número for confirmado, será o novo recorde de produção do Estado. O incremento de será de 7,16%, sendo maior que o aumento de área. Essa diferença ocorre devido ao aumento da produtividade, visto que na safra 12/13 o Estado sofreu com problemas climáticos que prejudicaram principalmente o plantio e a colheita da oleaginosa”. 

De acordo com os analistas da Cadeia de Grãos que colheram as informações, a expansão já era esperada. Na estimativa, a área teve aumento e passa de 7 milhões de ha. 
O incremento espacial deve chegar a 4,90%, com 8,28 milhões de ha semeados, percentual que pelo menos, por enquanto, fica inferior à estimativa de produção, puxada pela produtividade. 

“Esse avanço faz parte da continuidade da conversão de pastagens em lavouras, porém o aumento da área foi menor nesta safra quando comparado ao que ocorreu em 2012/13”. 

Conforme o Imea, um dos fatores que diminuíram essa proporção foi o valor da oleaginosa, pois o preço físico a R$ 47,60 a saca, base Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), está 10,7% mais barato que a safra passada, quando a cotação estava em R$ 53,30/sc. 

A região que teve maior aumento espacial foi a nordeste, com 107 mil ha a mais que na safra passada. 

SÉTIMO RECORDE – 
Após a crise da agricultura na safra 2004/05, em Mato Grosso, quando houve um salto na cotação da moeda norte-americana e também dos insumos, a conta entre despesa e receita não casou e foram anos seguidos de problemas que resultaram na menor oferta da soja. 

Naquele ano foram 17,93 milhões de toneladas, no ano seguinte, 2005/06, 16,70 milhões e em 2006/07, o menor volume do ciclo da crise, 15,35 milhões de t, conforme dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

Apenas na safra 2008/09 houve a recuperação da oferta e, desde então, o crescimento foi consecutivo. 

Quem te viu, e quem te vê

Dívida impede Petrobras de importar, exportar e participar das rodadas do pré-sal  

Folha de São Paulo 

A Petrobras está impedida de importar, exportar e até participar das rodadas do pré-sal, por causa do cancelamento, por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, no dia 7 de junho, da certidão de débitos da empresa. 

A medida foi causada por uma dívida de R$ 7,3 bilhões em valores atualizados junto à Receita. 

Na manhã desta quinta-feira (13), a empresa apresentou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) um pedido de suspensão da decisão do governo federal, por meio de medida cautelar. O tribunal não aceitou o pedido. 

Sem a certidão de débitos, afirma a empresa, a Petrobras "fica impedida de proceder a importação de petróleo necessária ao abastecimento de combustível no mercado nacional, fica impedida de exportar sua produção, fica impossibilitada de participar em rodadas de licitação da ANP, inclusive relativa ao pré-sal, fica impossibilitada de fruir dos benefícios fiscais federais etc". 

"De fato, sem tal certidão a requerente não poderá desenvolver regularmente suas atividades, o que causa sérios prejuízos não só a si própria mas a economia nacional como um todo", diz o pedido da Petrobras ao qual a Folha teve acesso. 

O pedido de cautelar negado pelo STJ tinha 718 páginas. 

DÍVIDA 
A dívida que motivou o cancelamento da certidão da Petrobras está relacionada ao não recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessas para o exterior em pagamento de plataformas petrolíferas móveis, no período de 1999 a 2002. A empresa foi autuada em 2003 e, desde então, questiona na Justiça a cobrança da dívida. 

No processo, os advogados da Petrobras citam que o valor da dívida é "vultuoso". Afirmam ainda que a empresa enfrenta "falta de disponibilidade de caixa", o que lhe levou a reduzir o próprio orçamento relativo aos investimentos do pré-sal e lhe forçou a caputar recursos no exterior para honrar o plano de investimentos. 

Procurado pela Folha, o escritório do advogado Leo Krakowiak, responsável pelo pedido junto ao STJ, informou que não falaria sobre o caso. 

A Folha ainda aguarda posicionamento da Petrobras sobre os impactos financeiros e efeitos operacionais em razão do cancelamento da certidão.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O inchaço do PAC

Opinião do Estadão 

Como de hábito, soa auspicioso o balanço oficial da execução da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também como de hábito, porém, os números grandiosos apresentados pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não revelam a real situação de obras essenciais para melhorar a infraestrutura do País, que é a finalidade principal do PAC, e incluem valores que não significam investimentos. Além de inflado, o balanço da execução até abril é impreciso. 

Visto pelos olhos do governo, o PAC vai muito bem. De acordo com o balanço oficial, já foram investidos R$ 557 bilhões desde o início do atual governo. Esse valor corresponde a 56,3% do total de investimentos programados até o fim de 2014, quando termina o mandato da presidente Dilma Rousseff. Não é um número ruim, pois, até o fim de abril, a presidente tinha cumprido 58,3% de seu mandato de 48 meses. 

O exame dos valores investidos de acordo com a fonte dos recursos e com a forma de aplicação, no entanto, mostra que eles não resultam apenas do esforço do governo - quase metade dos investimentos é de responsabilidade das empresas estatais (27,4% do total) e do setor privado (20,3%) - nem foram integralmente para obras de infraestrutura. 

Como vem ocorrendo há bastante tempo, cerca de um terço dos valores que o governo diz ter executado do PAC não foi aplicado nessas obras. Do balanço divulgado na segunda-feira, R$ 178,8 bilhões, ou 32,1% do total, referem-se a financiamentos habitacionais concedidos do início de 2011 até abril. 

Crédito imobiliário, como vêm advertindo especialistas em contas públicas, nada têm a ver com programas de infraestrutura, que implicam investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, infraestrutura urbana, entre outras áreas. Dos investimentos das estatais, por sua vez, a maior parte é de responsabilidade da Petrobrás, que tem um programa próprio de longo prazo, revisto anualmente. 

Quanto aos investimentos do governo, de R$ 291,6 bilhões até abril, o balanço contém uma extensa lista de obras, classificadas de acordo com os eixos que compõem o PAC, como transportes, energia, infraestrutura urbana, área social (educação, cultura, saúde, esportes, lazer), habitação, água e energia elétrica. 

Da lista fazem parte os grandes projetos anunciados pelo governo, independentemente do estágio das obras. Basta o contrato ter sido assinado para integrar o relatório. Na área de ferrovias, por exemplo, são citadas as obras da Norte-Sul e da Oeste-Leste, que enfrentam dificuldades de execução. Na área de rodovias, está o asfaltamento da BR-163 na Região Norte - que facilitará o acesso aos portos da região e poderá desafogar os do Sul e do Sudeste -, que deveria ser concluído em 2013, mas só deverá ficar pronto em dezembro de 2015. 

Sem investir o que poderia ter investido, o governo petista teve de se render à necessidade de atrair investimentos particulares - aos quais sempre se opôs - para recuperar, modernizar e ampliar a infraestrutura necessária para assegurar o crescimento da economia. Diante da notória degradação da malha rodoviária federal, da escassez de ferrovias, dos custos excessivos e da lentidão das operações portuárias, do risco de novas crises no setor aéreo por causa de aeroportos mal equipados e mal dimensionados, entre outros graves problemas de infraestrutura que não conseguiu resolver, o governo agora tem pressa em atrair o capital privado. 

Em setembro, mais de um ano depois de ter anunciado o necessário Programa de Investimentos e Logística, deverão ser realizadas as primeiras licitações de rodovias. Antes tarde do que nunca. Mas, nos últimos meses do ano, haverá uma concentração de leilões, entre os quais o do trem de alta velocidade, dos aeroportos de Confins e do Galeão, de áreas nos portos públicos (inclusive Santos) e do primeiro campo do pré-sal, que vem sendo apontado pelo governo como "o maior leilão do mundo". Haverá capital para tudo isso em tão pouco tempo?

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Para eles, vale.. vale tudo ...

PT cria trem da alegria para funcionários sem concurso  

Blog do Fernando Rodrigues 

O governo federal abriu na 6ª feira (7.jun.2013) seleção para preencher 150 vagas de gestor público com regras que beneficiam servidores não concursados do alto escalão da burocracia. O salário inicial é de R$ 13 mil. 

O Ministério do Planejamento, responsável pela prova, dará um bônus de até 150 pontos, de um total de 660, para candidatos que exerceram “cargo de gerência” nos últimos 10 anos – o período de governo do PT. 

1.436 funcionários de confiança estariam em vantagem. Esse é o número de servidores não concursados que ocupam hoje os melhores postos da burocracia – os chamados cargos DAS nível 4 a 6, com salário entre R$ 7 e R$ 11 mil. 

O governo afirma que dará o mesmo bônus para funcionários do setor privado, mas o edital não traz uma definição clara sobre o que seria cargo de gerência em empresas. A interpretação ficará a cargo do próprio governo. 

O bônus terá grande impacto na classificação final do concurso. Um candidato que acerte o mínimo necessário, ou seja, pífios 30% da prova objetiva e 60% da discursiva, mas tenha 10 anos de experiência e um curso de especialização, somará 396 pontos. Ele ficaria na frente de um candidato recém-formado, sem experiência, que acertasse 90% do teste objetivo e 80% do discursivo – resultado que poderia colocá-lo em primeiro lugar na prova –, com soma de 388 pontos. 

Segundo a assessoria do Ministério do Planejamento, o objetivo é recrutar profissionais com habilidade comprovada para liderar equipes e coordenar projetos. No último concurso para o cargo de gestor público, em 2009, 41% dos aprovados nunca havia trabalhado antes, o que prejudica o exercício da função, diz o governo. 

A associação dos gestores públicos (Anesp) estuda propor medidas judiciais contra o concurso. Trajano Quinhões, presidente da entidade, afirma que o bônus é “excessivo” e fere a igualdade de oportunidades entre todos os concorrentes: “Do jeito que está, corre o risco de entrarem pessoas só com experiência profissional, mas não necessariamente com boa experiência acadêmica.”

Com sinceridade: Isso é coisa de um País sério?

Justiça pode livrar de júri popular ex-deputado acusado de matar dois em acidente de trânsito em Curitiba 

UOL 

Um habeas corpus concedido de forma liminar pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) no último dia 3 pode livrar o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli de um julgamento por júri popular. Ele é acusado pelo MPE (Ministério Público Estadual do Paraná) de estar embriagado quando colidiu seu carro, em alta velocidade, com outro veículo, matando na hora seus dois ocupantes. 

O acidente ocorreu em maio de 2009. À época, Carli Filho era deputado estadual pelo PSB – por causa da comoção causada pelo acidente, ele renunciou ao mandato e logo depois acabou sendo expulso da legenda. O júri popular de Carli Filho chegou a ser marcado para 26 de março. 

Cinco dias antes, o STJ, a pedido da defesa do ex-parlamentar, suspendeu-o até que TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) julgasse se o exame de sangue que comprovaria a embriaguez era ou não prova válida. O relator do caso no TJ-PR, Naor Ribeiro de Macedo Neto, havia marcado esse julgamento para esta quinta-feira (13). 

Mas, agora, o novo julgamento foi suspenso, porém, pela decisão do STJ, que acata um argumento de irregularidade processual feito pela defesa. "O recurso em questão foi distribuído (...) um dia após o término da convocação, ao magistrado substituto Naor Ribeiro de Macedo Neto, que despachou no processo e posteriormente, no dia 12/5/2011, requereu sua vinculação àquele feito sem, contudo, explicitar as devidas razões", escreveu o relator da liminar, ministro Sebastião Reis Júnior. 

Além disso, Reis Júnior argumentou que o TJ-PR precisa aguardar o julgamento de recursos em tramitação no STJ antes de tomar quaisquer decisões. "É prudente que se aguarde a publicação da decisão emanada desta Corte Superior (...), pois assim, tanto as partes quanto o Tribunal paranaense haverão de cercar-se de maior segurança jurídica em relação aos limites do que fora decidido e, consequentemente, do alcance do reexame a ser procedido no recurso em sentido estrito." 

"O que o STJ decidiu é que não é possível marcar o júri de Carli Filho aqui antes da publicação do acórdão (ou seja, da decisão final do processo) em Brasília. Mais que isso, decidiu que o relator da causa no Paraná deveria ter sido outro. Sendo assim, o julgamento [que determinou júri popular] é nulo", disse ao UOL o advogado Elias Mattar Assad, que defende a família de Rafael Yared, uma das vítimas do acidente. 

Caso todo o julgamento realizado no TJ-PR seja de fato anulado, é possível que, em nova análise do caso, decida-se que Carli Filho não precise responder a júri popular. "É muito difícil explicar para as famílias das vítimas e para a sociedade brasileira esses recuos protelatórios", disse o advogado. 

O caso  

Luiz Fernando Ribas Carli Filho dirigia um veículo importado blindado em alta velocidade na noite de 7 de maio de 2009. Num cruzamento próximo a um grande shopping center no bairro Mossunguê, em que o semáforo funcionava apenas com o a luz amarela piscando, ele bateu com o veículo onde estavam Gilmar Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20. 

Os dois haviam acabado de sair do shopping e morreram na hora. O impacto da pancada lançou destroços a até 100 metros de distância, e os carros foram parar numa via lateral. O veículo ocupado pelas vítimas ficou totalmente destruído. 

Segundo Assad, o inquérito apontou que Carli Filho estava embriagado e que dirigia a alta velocidade. O caso causou comoção na cidade, e acabou por colocar a mãe de Gilmar, Cristiane Yared, à frente de campanhas contra a impunidade de causadores de acidentes de trânsito. 

Carli Filho é de família tradicional de Guarapuava (255 km a oeste de Curitiba). O pai dele foi prefeito da cidade por três vezes, além de deputado estadual e federal. O irmão dele, Bernardo Ribas Carli, atualmente é deputado estadual pelo PSDB. 

O julgamento de Carli Filho é alvo de uma disputa de recursos impetrados por acusação e defesa que chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. O MPE, responsável pela acusação, quer que Carli Filho seja julgado por duplo homicídio doloso qualificado, pois, além da intenção de matar, a admissão da embriaguez e a condução em alta velocidade são agravantes. 

A defesa defende a tese de homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. "Foi um simples acidente de trânsito", disse, ao UOL, em 2012, o advogado Gustavo Scandelari, que trabalha na defesa de Carli Filho.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O enigma das elites

J. R. Guzzo (*) 

A elite brasileira é acusada todo santo dia pelo ex-presidente Lula de ser a inimiga número 1 do Brasil ─ uma espécie de mistura da saúva com as dez pragas do Egito, e culpada direta por tudo o que já aconteceu, acontece e vai acontecer de ruim neste país. É possível até que tenha razão, pois se há alguma coisa acima de qualquer discussão é a inépcia, a ignorância e a devastadora compulsão por ganhar dinheiro do Erário que inspiram há 500 anos, inclusive os últimos dez e meio, a conduta de quem manda no país, dentro e fora do governo. 

O diabo do problema é que jamais se soube exatamente quem é a elite que faz a desgraça do Brasil. Seria indispensável saber: sabendo-se quem é a elite, ela poderia ser eliminada, como a febre amarela, e tudo estaria resolvido. Mas continuamos não sabendo, porque Lula e o PT não contam. Falam do pecado, mas não falam dos pecadores; até hoje o ex-presidente conseguiu a mágica de fazer discursos cada vez mais enfurecidos contra a elite, sem jamais citar, uma vez que fosse, o nome, sobrenome, endereço e CPF de um único de seus integrantes em carne e osso. Aí fica difícil.

Mas a vida é assim mesmo, rica em perguntas e pobre em respostas; a única saída é partir atrás delas. Na tarefa de descobrir quem é a elite brasileira, seria razoável começar por uma indagação que permite a utilização de números: as elites seriam, como Lula e o PT frequentemente dão a entender, os que votam contra eles nas eleições? Não pode ser. Na última vez em que foi possível medir isso com precisão, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010, cerca de 80 milhões de brasileiros não quiseram votar na candidata de Lula, Dilma Rousseff: num eleitorado total pouco abaixo dos 136 milhões de pessoas, menos de 56 milhões votaram nela. É gente que não acaba mais.

Nenhum país do mundo, por mais poderoso que seja, tem uma elite com 80 milhões de indivíduos. Fica então eliminada, logo de cara, a hipótese de os inimigos da pátria serem os brasileiros que não votam no PT. As elites seriam os ricos, talvez? De novo, não faz sentido: os ricos do Brasil não têm o menor motivo para se queixar de Lula, dos seus oito anos de governo ou da atuação de sua sucessora. Ao contrário, nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos dez anos, segundo diz o próprio Lula. Ninguém foi expropriado sequer em 1 centavo, ou perdeu patrimônio, ou ficou mais pobre em consequência de qualquer ato direto do governo. 

Os empresários vivem encantados, na vida real, com o petismo; um dos seus maiores orgulhos é serem “chamados a Brasília” ou alcançarem a graça máxima de uma convocação da presidente em pessoa. No puro campo dos números, também aqui, não dá para entender como os ricos possam ser a elite tão amaldiçoada por Lula e seus devotos. De 2003 para cá, o número de milionários brasileiros (gente que tem pelo menos 2 milhões de reais, além do valor de sua residência) só aumentou. Na verdade, segundo estimativas do consórcio Merrill Lynch Capgemini, apoiado pelo Royal Bank of Canada e tido como o grande perito mundial na área, essa gente vem crescendo cada vez mais rápido. 

Alguém acha que aguenta?


"Brasil não vai ganhar a Copa de 2014", prevê Zico a jornal inglês

R7 Esportes 

Mesmo sem ter um título mundial no currículo, Zico ainda hoje é tido como um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa da seleção brasileira. Tal status dá ainda mais importância ao que o Galinho diz ou pensa. E ele é taxativo quando o assunto é a Copa do Mundo de 2014. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o ex-meia do Flamengo duvida que os comandados de Felipão conquistem o hexacampeonato dentro de casa. 

— O grupo de jogadores que temos agora não parece que vai vencer a Copa de 2014, mesmo com o apoio da torcida brasileira. O principal problema é que estamos a um ano do Mundial e não sabemos ainda quem são os 11 jogadores titulares. 

As críticas de Zico não pararam por aí. O ex-jogador, que disputou as Copas de 1978, 1982 e 1986 pelo Brasil, afirmou que a população brasileira "está distante" do Mundial, já que "tudo o que vê é corrupção". 

— Ao que parece, a Copa parece para o povo uma forma de pessoas colocarem a mão do bolso delas. 

Aos 60 anos, Zico está afastado do futebol após duas experiências ruins, uma como dirigente do Flamengo, e outra como treinador da seleção do Iraque. No clube carioca ele entrou em uma polêmica com a então presidente Patrícia Amorim e conselheiros, preferindo então sair. Já no time do Oriente Médio, o Galinho ficou sem receber e pediu demissão. 

O ex-jogador concorda que a seleção atual talvez seja "uma das mais fracas dos últimos 60 anos", graças a uma "falta de continuidade" entre o trabalho de Dunga, treinador na Copa de 2010, na África do Sul, e Luis Felipe Scolari, atual comandante do Brasil. Mano Menezes trabalhou nesse período também, e a saída dele foi um dos grandes erros da CBF, segundo Zico. 

— Eles mudaram o treinador na hora errada. Quando o time do Mano estava começando a ganhar conjunto, eles o tiraram. Agora Felipão está tendo de começar tudo de novo (...). Esse time é muito jovem. Toda uma nova geração veio de uma vez só. Agora nós colocamos toda a responsabilidade em um jogador como o Neymar, que tem apenas 21 anos e nunca jogou um Mundial. 

O Galinho vê a Argentina de Messi como favorita a conquistar a taça no Maracanã, palco da final da Copa de 2014. O antigo craque só espera que a vítima dos hermanos seja o próprio Brasil. 

— Se eles vencerem, só espero que não seja contra nós. Se for, será a repetição do que sofremos em 1950 contra o Uruguai. Então o Maracanã será taxado como um lugar amaldiçoado - finalizou.

Viva a farra do boi ... viva ...

Parentes de autoridades, empresários e até mortos recebem Bolsa Família, aponta CGU  

UOL 

Servidores, empresários, produtores rurais, alunos de escolas particulares, familiares de autoridades e até pessoas falecidas constam na lista de beneficiários do Bolsa Família, segundo relatórios de fiscalização produzidos pela CGU (Controladora Geral da União) no início de 2013. 

Na última etapa do programa de fiscalização por sorteio, segundo apurou o UOL, todos os 58 relatórios de municípios divulgados no site da CGU apresentam indícios de irregularidades no maior programa social do mundo, que atende a 13 milhões de famílias no país. A fiscalização foi feita no final de 2012, com relatórios divulgados no início deste ano. 

Nesses municípios, a CGU encontrou mais de 5.000 benefícios pagos a pessoas que supostamente teriam renda per capita familiar superior ao limite estabelecido pelo programa. O UOL entrou em contato com o Ministério de Desenvolvimento Social, para obter ter detalhes de como é feita a fiscalização aos cadastros e aos municípios, mas não obteve retorno até a publicação dessa reportagem. 

Somente em Belford Roxo (RJ), o relatório da CGU informou haver "1.512 famílias beneficiárias que constam na folha de pagamento de Julho/2012 na situação de benefício 'liberado' e que apresentam renda mensal per capita superior a meio salário mínimo".  Além de irregularidades no pagamento, os relatórios apontaram para uma série de problemas, como falta de controle da frequência escolar e do cartão de vacinação das crianças, inexistência de comissão gestora do programa e até desvios de recursos enviados para atividades complementares. ;

Pagamentos irregulares 
O principal problema apontado pelos técnicos da CGU é a inclusão de pessoas com renda superior ao máximo permitido. Em alguns casos, há também servidores e familiares de autoridades inclusas na lista. 

Em São Francisco de Assis (PI), a mulher de um vereador estava inclusa na lista do Bolsa Família. Outra beneficiária era a filha da coordenadora de Apoio ao Idoso, da Secretaria Municipal de Assistência Social --que é responsável pelo cadastro dos beneficiários. Além disso, ela e o marido são donos de uma panificadora e uma pousada. 

Muitos servidores com salários acima do máximo estabelecido pelo programa também são beneficiários. Em Olindina (BA), cinco servidores públicos, entre eles dois estaduais da Secretaria da Educação e da Assembleia Legislativa da Bahia, estavam na lista. 

Em Vazante (MG), vários servidores com renda superior a R$ 1.000 mensais recebiam o benefício. Um deles ganhava R$ 134 de Bolsa Família, mesmo com salário de R$ 2.279,05. 

Banda Calypso vai acabar, anuncia Joelma

Estadão 

Uma declaração de Joelma pegou muitos fãs do Calypso de surpresa no fim de semana. Ao lado de Chimbinha, ela anunciou em um show no São João da Capitá, em Recife (PE), na noite de sábado, que a banda vai acabar. A cantora tem intenção de se dedicar à música gospel, mas não revelou datas.

Ao site G1, o empresário da banda Calypso, Fabio Macêdo, disse o término não deve acontecer tão cedo: Joelma e Chimbinha têm compromissos profissionais até o ano que vem. Depois ela estaria livre para começar sua carreira gospel. 

Vai deixar saudades?

JBS vira líder global em aves com aquisição da Seara

Folha de São Paulo  

A JBS elevará o seu faturamento para perto de R$ 100 bilhões com a aquisição da Seara Brasil (divisão de aves, suínos e processados do grupo Marfrig), anunciada oficialmente nesta segunda-feira. 

Segundo Wesley Batista, presidente da JBS, a companhia adicionará R$ 10 bilhões em faturamento com essa operação. No ano passado, a JBS faturou R$ 76 bilhões, e estimava uma expansão para algo entre R$ 88 bilhões e R$ 90 bilhões em 2013 apenas com as unidades que já faziam parte do portfólio da empresa. 

O negócio também dá à JBS a posição de líder global na produção de aves e a segunda posição como fabricante de alimentos processados no Brasil, atrás apenas da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. 

Para a Marfrig, o negócio representa a redução do seu endividamento, que atingiu R$ 13 bilhões no primeiro trimestre, em mais de 60%. "Praticamente zeramos a nossa dívida bancária. Todo o endividamento da Marfrig, a partir de agora, estará no mercado de capitais", disse Sergio Rial, presidente da Seara Foods. Ao mesmo tempo, no entanto, o faturamento global da Marfrig cai em um terço, para R$ 16 bilhões. 

A operação inclui 30 fábricas e 21 centros de distribuição da Marfrig, incluindo a operação de couros. Estão incluídos também produtores integrados e marcas, como a Seara e outras adquiridas da BRF no ano passado, como Rezende, Confiança e Doriana. 

A capacidade de abate de aves da Seara é de 2,6 milhões de aves por dia, 17 mil suínos e a de processados, de 80 mil toneladas diárias. 

A JBS pagará R$ 5,85 bilhões pelos ativos a Seara Brasil por meio de assunção de dívidas que vencem entre 2013 e 2017. 

O patrocínio da Seara à Fifa e à Copa do Mundo passam para a JBS. Já o patrocínio da empresa à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), segundo Rial, foi cancelado há cerca de um mês.

sábado, 8 de junho de 2013

Lixo: muita sujeira para baixo do tapete

Reinaldo Canto (*)  

A sociedade brasileira, com raras e honrosas exceções, segue acreditando em mágica e fenômenos milagrosos dignos de feiticeiros e curandeiros dos tempos mais primitivos. Só a completa ignorância a envolver autoridades públicas, iniciativa privada e população em geral para desconhecer de maneira tão persistente e descontrolado aumento na geração de lixo, ou melhor, resíduos sem que isso traga consequências nefastas para todos. 

A crença semelhante aos de mitos tradicionais como Papai Noel e Coelhinho da Páscoa é, nesse caso, transposto sem qualquer dificuldade para um mundo pretensamente adulto, em relação ao fantástico desaparecimento dos sacos de lixo. Algo extraordinário a rivalizar com as maiores façanhas de grandes mágicos. Pois basta colocar na porta de casa ou ao fim de um dia de trabalho intenso de uma loja ou restaurante para que aquele material descartado simplesmente desmaterialize de maneira inodora e indolor. 

Só assim para entender as conclusões do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, divulgado recentemente pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Em 2012 a geração de lixo por habitante chegou à casa dos 383 quilos anuais, o que representou quase 64 milhões de toneladas de resíduos gerados no País durante o ano passado. Os números correspondem a um aumento de 1,3% em relação ao relatório de 2011, maior do que o crescimento populacional de 0,9% constatado no mesmo período. 

Falta um ministro na Justiça

Luiz Nassif (*) 

Vocação pública é algo raro, mesmo entre homens públicos. Trata-se do sentimento de servir ao público, de modificar a realidade, de assumir para si a responsabilidade pela solução de problemas que afetem o público, a comunidade, especialmente os mais vulneráveis. 

O grande homem público busca a solução de problemas, mesmo que não esteja sob sua responsabilidade. 

Por todos esses prismas, falta ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo as condições mínimas de vocação pública. Povo, para ele, parece apenas uma entidade vaga, um mote para discursos verborrágicos, a desculpa para o momento de brilho retórico. Não um conjunto de cidadãos com interesses difusos, com vulnerabilidades que só podem ser atendidas pelo poder público. 

Nos últimos anos, impulsionado pela internet, o fenômeno das pirâmides tornou-se uma praga nacional. Montaram-se quadrilhas de estelionatários, distribuídas por todo o País, valendo-se das facilidades das redes sociais. 

Cria-se uma fumaça qualquer, monta-se o marketing virtual, juntam-se os estelionatários e armam o golpe até que a corrente estoure. Aí saltam para uma nova corrente, usando as mesmas práticas. 

No ano passado, ganhou corpo a corrente chamada da TelexFree. 
Trata-se de um estelionato claro, nítido, no qual o produto vendido são anúncios em sites de anúncios. Ou seja, o sujeito paga uma luva para entrar no grupo. Seu trabalho é publicar anúncios online. E vender o plano (ou seja, o direito de publicar anúncios online) para outros incautos. 

A única fonte de faturamento é a venda do plano para terceiros. Os primeiros que entram são bancados pelos que entram depois – um caso clássico de pirâmide. 

No final do ano, a TelexFree gabava-se de ter captado 700 mil vendedores. No primeiro trimestre deste ano, chegou a 1 milhão. 

O caso bateu no Ministério da Justiça. Para não ter que perder tempo com esses milhares de anônimos, o ministro encaminhou para a Secretaria de Assuntos Econômicos (SAE) do Ministério da Fazenda atestar se era pirâmide ou não. 

Depois de três meses, pressionado pelas redes, a SAE concluiu que se tinha cheiro de pirâmide, gosto de pirâmide, miava feito pirâmide.... era pirâmide. O parecer da SAE caracterizou claramente um estelionato gigante, porque afetando – em apenas um dos golpes – quase 1 milhão de pessoas. 

O caso voltou para o Ministério da Justiça. E nada foi feito. 

O espaço para esse estelionato reside na falta de definições mais precisas sobre a quem compete combatê-lo. A Polícia Federal diz que cabe às polícias civis; o Ministério Público Federal diz que é crime estadual; o estadual diz que, por abranger todo o país e significar a remessa de recursos para o exterior, é crime federal. Aos Procons, resta registrar os danos e nada poder fazer. 

Caberia ao Ministério da Justiça juntar todos os órgãos e definir a estratégia de combate a esse golpe. Mas até agora não rendeu Jornal Nacional nem manchete nos jornais do Rio e São Paulo. Com a inação de José Eduardo, outros grupos de pirâmides surgiram, a própria TelexFree retomou suas vendas. E, a cada dia que passa, milhares de novas vítimas se juntarão às atuais. 

Definitivamente, falta um ministro na Justiça com um pingo de responsabilidade pública. 

(*) Jornalista econômico e editor do site www.advivo.com.br/luisnassif

‘Bolsa Estupro’: quando a vítima se torna criminosa

Carta Capita

Apoiada pelas bancadas religiosas do Congresso Nacional, a chamada ‘Bolsa Estupro’ cria o risco de transformar a vítima em criminosa. Segundo especialistas ouvidas por CartaCapital, o texto do Estatuto do Nascituro (aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados na quarta-feira 5) viola direitos das mulheres e as incentiva a considerar crime o aborto em casos de estupro. 

“Na medida em que se paga para ela não fazer esse aborto, é como se a vítima passasse a ser a criminosa”, avalia Flávia Piovesan, professora doutora de direito na PUC-SP e integrante do Cladem (Comitê da América Latina e Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher). “É um desrespeito a essa mulher estuprada e violentada quando, na minha avaliação, deveríamos assegurar sua autonomia, direito à saúde e dignidade para que decida se quer ou não proceder com uma gravidez indesejada.” 

O texto – originalmente de autoria dos deputados federais Luiz Bassumas (PT-BA) e Miguel Martini (PHS-MG) e que teve parecer favorável do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – prevê acompanhamento psicológico a vítimas de estupro e, na hipótese de a mãe não dispor de condições econômicas suficientes para saúde e educação da criança, garante que “o Estado arcará com os custos respectivos” até que venha a ser identificado o pai ou o bebê seja adotado. 

Além de ser criticado por incentivar vítimas de estupro a terem o bebê fruto de violência sexual, o projeto prevê que a mãe estabeleça vínculo com o autor do estupro. O texto determina que, se identificado, o agressor seja obrigado a pagar pensão alimentícia à criança, o que pressupõe contato regular da mulher violentada com o criminoso. “Trata-se de uma violência à nossa dignidade. Além de dar status de paternidade ao estuprador, nos obriga a ter uma relação de proximidade com ele. Ou seja, de alguma forma, legitima a violência sexual e remedeia a vítima ‘criminalizada’ com uma bolsa”, critica Jolúzia Batista, socióloga e assessora do CFEMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria).