segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Obstrução pulmonar crônica

Drauzio Varella (*) 

A doença pulmonar obstrutivo-crônica (DPOC) é traiçoeira. Evolui silenciosa, durante anos ou décadas, mas, quando se manifesta, as limitações respiratórias são definitivas. 

O primeiro sintoma é a falta de ar para correr, subir escadas ou ladeiras. Como a instalação é gradativa, as pessoas negam que lhes falta o ar, dizem que se cansam porque estão mais velhas ou fora de forma. 

Com a progressão, entra em cena um cortejo de sintomas: tosse, secreção pulmonar, chiado no peito, respiração pesada e a sensação de que o ar não chega ao fundo dos pulmões. Gripes e resfriados duram mais tempo, e podem evoluir com complicações bacterianas. 

Mais tarde, tomar banho, subir alguns degraus ou amarrar os sapatos exigem repouso para recuperar o fôlego. As crises de exacerbação tornam-se comuns, geralmente acompanhadas por pneumonias que requerem hospitalização. 

É um problema grave de saúde pública. Um estudo realizado entre adultos com mais de 40 anos mostrou que cerca de 10% apresentavam sinais de obstrução das vias aéreas de moderada intensidade, pelo menos. Nos últimos 30 anos, o número de mortes causadas pela doença duplicou. 

O cigarro é de longe o maior culpado. O aumento da mortalidade entre as mulheres que começaram a fumar nos últimos 30 anos confirma a relação entre causa e efeito.A exposição a poluentes industriais também é fator de risco, bem como o fogão a lenha das casas pobres, malventiladas. 

O esforço respiratório para manter a oxigenação altera a forma do tórax (tórax em barril), retrai as costelas inferiores à inspiração e prolonga a fase de expiração. 

O diagnóstico é feito pela espirometria, exame no qual o paciente faz expirações forçadas num tubo ligado a um aparelho que mede uma série de parâmetros relacionados ao fluxo de ar e à capacidade dos pulmões. Para conter o declínio da função respiratória é essencial parar de fumar. A abstinência diminui a frequência das crises, melhora a qualidade de vida e reduz a mortalidade. 

Nos casos mais graves os sintomas podem ser aliviados com broncodilatadores administrados por inalação. Há broncodilatadores de ação rápida, ideais para alívio imediato, e outros de longa duração, cujo efeito pode persistir por 24 horas ou mais. 

A inalação de corticosteroides é outra modalidade terapêutica, capaz de melhorar a respiração e reduzir a frequência das crises em 15% a 20%. 

Dois estudos avaliaram o papel da administração de oxigênio nos casos mais avançados. O primeiro comparou 15 horas diá- rias de oxigênio com um grupo-controle que não fez uso dele. No segundo, foi feita a comparação de 18 horas diárias, com 12 horas de uso por dia. Nos dois estudos a mortalidade caiu 20%. 

Quando há indicação de oxigenioterapia, a recomendação atual é de administrá-la por pelo menos 18 horas diárias, inclusive durante o sono.

Os pacientes devem receber vacina contra a gripe todos os anos, bem como vacina contra o pneumococo. Fisioterapia para reabilitação pulmonar é indicada em todos os casos.  

(*) Médico oncologista, cientista e escritor , formado pela Universidade de São Paulo 

Qual o limite dos protestos?

Luciano Martins Costa (*) 

A temporada de protestos em São Paulo está de volta ao noticiário, com uma diferença interessante em relação à cobertura das manifestações de junho do ano passado: a chamada mídia tradicional parece ter melhorado sua capacidade de descrever os eventos, oferecendo mais detalhes dos fatos. No entanto, pode-se observar a ocorrência de falhas importantes nos relatos sobre a sequência de movimentos que levaram da interrupção do trânsito na Avenida Paulista aos choques com a Polícia Militar, dos quais resultou um jovem ferido a bala. 

A tentativa da Folha de S. Paulo de desenhar um perfil dos manifestantes que foram detidos, supostamente os mais agressivos, retrata uma maioria de jovens oriundos da periferia, estudantes do segundo grau e indivíduos com profissões variadas, de professor a assessor parlamentar. Por outro lado, tenta-se também adivinhar qual seria o plano de ação das autoridades para conter ou reduzir os danos provocados pelas passeatas, mas os relatos se limitam aos momentos mais dramáticos, quando a situação já havia escapado a qualquer possibilidade de controle. 

A manifestação de sábado (25/1), que se iniciou com uma concentração na calçada do Museu de Arte de São Paulo, pode ser descrita como a evolução de um processo conhecido, cujo desenlace poderia ser previsto e alterado por uma estratégia mais eficiente da polícia. Por volta das 17h havia mais pessoas passeando na calçada oposta, onde casais dançavam tango, do que no bloco dos manifestantes. 
Além disso, o número de policiais alinhados no canteiro da avenida e em frente ao parque Siqueira Campos era maior do que o dos jovens que paralisavam o trânsito. 

Antes de começar a caminhada, um grupo de pessoas com máscaras nas mãos ou penduradas no pescoço se mantinha distante do bloco principal, tomando cerveja no bar da esquina com a Alameda Casa Branca. Alguns dele carregavam mochilas, onde provavelmente estariam os artefatos que mais tarde seriam lançados contra fachadas de bancos e usados para provocar tumulto na Praça da República, onde ocorria o principal espetáculo comemorativo do aniversário da cidade. 

A quem interessa? 

Essa rápida descrição, que pode ser feita por uma única pessoa que tratasse de observar atentamente os prelúdios da manifestação, permite deduzir que os protestos, que agora têm como tema declarado atrapalhar a realização da Copa do Mundo, contam com uma organização paralela de características mais complexas do que faz supor o noticiário. 

Tudo indica que o propósito do grupo que é chamado genericamente de “black bloc” era causar pânico na festa que reunia uma multidão, com crianças, idosos e mulheres, no centro da cidade. Essa informação é importante para analisar o noticiário, onde pontificam duas vertentes básicas: a agressividade de alguns manifestantes, que atuam quase sempre escondidos por máscaras e lenços, e o descontrole de alguns policiais militares, chamados a intervir apenas quando a violência já está deflagrada. 

As prisões efetuadas no calor dos choques não apanham os organizadores da violência, que sabem se manter a salvo nos confrontos com a polícia. É interessante observar a logística dos “black blocs”, que atuam em torno de “municiadores”, que circulam a pé ou de bicicleta em volta das passeatas, com mochilas às costas, onde se encontram os artefatos incendiários. O jovem que foi baleado em Higienópolis, segundo a descrição dos jornais, era um desses “municiadores”. 

A discussão na imprensa e nas redes sociais sobre a proporcionalidade da ação policial, que poderia ter feito a detenção sem disparar um tiro, é parte relevante da história, mas seria interessante também mostrar o “outro lado”, ou seja, que propósito teria alguém andando por aí com explosivos numa mochila? 

Sob o regime democrático, há poucos argumentos razoáveis para justificar uma ação tão radical quanto provocar o pânico numa multidão que inclui mulheres e crianças. Com toda a distância que se pode demarcar entre um fato e outro, a tática tem alguma semelhança com o plano fracassado do atentado no Riocentro, em abril de 1981, quando um grupo de militares planejou explodir bombas durante um show musical no Rio de Janeiro. 

Esse detalhe recomenda especial atenção aos apressados que se disponham a tomar partido nos protestos contra a Copa do Mundo. 

O velho preceito latino deve ser sempre lembrado: Cui bono? – quem se beneficia com isso? 

(*) Jornalista e escritor com especialização em gestão de qualidade e estratégia, ex-diretor de indústria e de empresas de comunicação e serviços. É analista de mídia e apresentador do programa Observatório da Imprensa no Rádio e membro do conselho do Projor - Instituto para o desenvolvimento do jornalismo 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Bolsa Manhattan

Eliane Cantanhêde (*) 

Do Brasil para a Suíça, da Suíça para Cuba e de Cuba de volta para casa, a presidente Dilma Rousseff tem um bom tempo de voo para discutir com o chanceler Luiz Figueiredo um assunto pouco diplomático e muito prático: os altíssimos custos de diplomatas e funcionários do Itamaraty no exterior. 

Com as mortes e decapitações de presos no Maranhão, os escândalos políticos que se amontoam e a reforma ministerial, passou quase despercebida a informação da Folha de que o embaixador Guilherme Patriota aluga um apartamento em Nova York pelo correspondente a R$ 54 mil por mês. 

Ele é irmão e segundo do embaixador na ONU, o ex-chanceler Antonio Patriota. 
E ambos moram na área mais nobre de Manhattan, um dos lugares mais luxuosos do mundo, ao lado de celebridades como Madonna, Al Pacino e Woody Allen. 

Ok. Diplomatas têm de se apresentar bem e Nova York é cara. 
Mas embaixador brasileiro e até jovens secretários (deu no "NYT"!) precisam mesmo morar nos endereços mais exorbitantes? E é diferente na Europa? Na Ásia? E em pequenas embaixadas que não servem para nada? 

A imprensa reclama de falta de transparência sobre custos –e luxos– do Itamaraty. 
Mas a dificuldade não é só de jornalistas, é da Esplanada dos Ministérios também. 

Se passou quase despercebida do grande público, a informação não passou tanto assim dentro do próprio governo. Até porque os exageros do Itamaraty e as perguntas acima estão no caderninho da equipe econômica desde o governo Lula. 

Na época, o Planejamento fez um grande levantamento de salários e vantagens de funcionários das diferentes pastas, para efeitos de planos de carreira. 
Adivinha de onde veio a maior resistência? Do Itamaraty. 
O pretexto foi que os valores variam muito de um lugar para outro...

Explica, mas não justifica, pois os valores, somados, caem numa mesma conta: a minha, a sua, a nossa. 

(*) É jornalista , colunista do jornal Folha de São Paulo 

A mulher que insiste nos erros só porque odeia ser contrariada

Reynaldo Rocha (*) 

Ninguém gosta de ser contrariado. É da natureza humana. Mas é também humano reconhecer que a contrariedade pode servir de alerta e, mesmo indesejada, oferece uma chance de repensar a própria vida. 

Dilma odeia ser contrariada. A psicanálise explica. O sentimento de menos valia (neste caso não é só sentimento) transforma em ofensa uma opinião contrária, mesmo que baseada em fatos. 

Quem admite ser marionete de um presidente que não desencarna sabe que é uma figura menor. Isso talvez explique a reação de Dilma a qualquer discordância. 

Exemplos? É por isso que Dilma mantém Guido Mantega no posto de czar da economia do Brasil. O ministro sem nenhuma credibilidade, indispensável a quem exerce tais funções o de quem ocupa a função, erra 10 em 10 previsões. E erra 11 em 10 decisões. Mas permanece no cargo. 

Mantega é ministro da revista inglesa The Economist. Não de Dilma, que se recusa a demiti-lo para mostrar que tem força e não se dobra a uma publicação estrangeira. Mantega só continua ministro porque Dilma odeia ser contrariada. 

O que a ministra Maria do Rosário faz no governo, além de envolver-se em episódios que causam desconforto até à presidente? Uma fábrica de asneiras e provas de incompetência expostas diariamente. Não se conhece uma única ação (nem mesmo uma declaração) da senhora Rosário que tenha alguma relevância. É provável que até companheiros de partido pensem assim da boquirrota que não mede o que diz por não ter neurônios para pensar no que dizer. É movida pelo desejo ardente de ser caninamente fiel à presidente, embora exponha o governo ao ridículo toda vez que abre a boca. 

Como cada ação de Maria do Rosário corresponde a uma onda de contrariedade, Dilma não a afasta do emprego. A gerentona não admite interferência. Só de Lula. Nesse caso, são ordens. 

Não haveria mudanças notáveis se o ministério que cuida dos Direitos Humanos fosse transferido das mãos de uma desequilibrada para o deputado Marcos Feliciano, que preside a comissão parlamentar encarregada do mesmo assunto porque o PT apoiou a indicação do pastor. 

Um movido pelo fundamentalismo pseudo-religioso, outra pela subserviência xiita que a tornou uma ministra-bomba, ambos se igualam em irresponsabilidade e incompetência. 

Dilma precisa entender que, se ninguém gosta de ser contrariado, ninguém suporta ser ofendido. A permanência de Maria do Rosário é uma ofensa a todos nós.

(*) Assessor da Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) 

Um projeto à altura dos presos no Brasil

Projeto dá aos presos direito até a salão de beleza e nutricionistas 

O Globo 

Parado na Câmara há quatro anos, um projeto de lei derivado da CPI do Sistema Carcerário cria o Estatuto Penitenciário Nacional, com modelos de prisões que, se saírem do papel, vão transformar a realidade das penitenciárias do país. 

O estatuto, com 119 artigos, prevê, entre outras medidas, banho com temperatura adequada ao clima; artigos de higiene como creme hidratante, xampu, condicionador, desodorante, absorvente, barbeador e creme dental; salão de beleza para as presas; e equipamentos para atividade física. 
Diz ainda que, para cada grupo de 400 presos, serão obrigatórios: 5 médicos, sendo 1 psiquiatra e 1 oftalmologista; 6 técnicos de higiene mental e nutricionistas. A proposta ainda cria tipos de crime para o agente penitenciário que não tratar o preso da maneira prevista no texto. Quem, por exemplo, negar ao preso xampu, creme hidrante e condicionador pode pegar de 3 a 6 anos de reclusão. 

O estatuto endurece com o agente que também alojar o preso em local superlotado e com quem mantiver o preso provisoriamente em delegacia de polícia civil, federal ou na superintendência da Polícia Federal após o flagrante. 
Nesses casos, as penas de prisão também variam de 3 a 6 anos. 

O Estatuto Penitenciário exige ainda que a comida tenha valor nutritivo e que seja controlada por uma nutricionista; e que o vestuário do preso seja bem cuidado e contenha: três uniformes, um agasalho ou casaco, seis cuecas para o homem, seis jogos de peças íntimas para as mulheres, três pares de meia, um sapato, um tênis, um par de chinelos ou sandálias. 

O texto dá ao preso liberdade de contratar médico de sua confiança pessoal e estabelece que eles fiquem separados de acordo com a categoria a qual pertence. 
E mais: todos terão direito a dois lençóis, um cobertor e uma toalha de banho; alojamento individual; celas individuais, com iluminação, calefação e ventilação; e indenização por acidente de trabalho e doenças profissionais. 

O texto estabelece até que seja criado o Dia Nacional do Encarcerado. 
O deputado Domingos Dutra (SDD-MA), presidente da CPI do Sistema Carcerário, explicou que a data escolhida para a comemoração é o dia em que se iniciaram, em 2008, os trabalhos da comissão. 

— É fundamental ter um dia dedicado do preso, para que o país conheça, reflita e debata sobre esse problema, que é do Brasil inteiro. Não será feriado nacional, mas um dia para lembrar que os presos vivem em condições precárias e que isso precisa mudar — disse Dutra. 

Especialista diz que só aprovar uma lei não basta 
O cientista político Alexandre Pereira da Rocha, da Universidade de Brasília (UnB), diz que a criação do Estatuto do Penitenciário é positivo ao tentar instituir regras de alcance nacional. 
Para ele, não há excessos nas medidas previstas no projeto. 

Rocha entende, porém, que só aprovar uma lei nacional sobre o assunto não basta. 
Ele cita o exemplo da Lei de Execução Penal, que, no seu entendimento, não pegou. 

— A competência hoje é de cada estado, cada estado faz da forma que quer (o encarceramento). Não existe um parâmetro mínimo e, com isso, a gente observa distorções muito grandes — afirmou Rocha. — Nós temos um entendimento de que a lei é uma solução. Mas a lei é uma norma que, se não tiver implementação, regulamentações posteriores, acaba não servindo para nada. Fica uma legalidade inútil. 

A Lei de Execução Penal é basicamente isso. Rocha acredita que há excessos nas reações negativas ao projeto, e não vê problemas, por exemplo, na existência de uma salão de beleza na prisão. 
— O sistema prisional não tem que ser hotel cinco estrelas, mas tem de oferecer o mínimo para o preso viver com dignidade. Algumas coisas muitas vezes são vistas como regalias para quem está na prisão, já que elas cometeram crimes e têm que pagar por isso. 
A linha-dura segue basicamente o senso comum, a opinião pública de que nas prisões as pessoas têm que sofrer — afirmou o cientista político. 

Bolsonaro é contra projeto 
Um dos principais opositores do projeto, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) chegou a ser indicado por seu partido para integrar a comissão especial que analisaria o texto, que só não foi criada porque os demais partidos não indicaram representantes. 

Bolsonaro diz que a relação médico/detento previsa na proposta, de 12,5 médicos para cada 1.000 presos, é maior que a registrada em diversos países — e considerando população inteira, não só os detentos (Brasil: 1,54/1000; Itália: 4,14/1000; França: 3,15/1000). 

— Esse projeto é uma aberração — disse Bolsonaro. 
— É um tapa na cara da população ordeira e trabalhadora. Assegura, entre outros privilégios, salão de beleza, xampu e condicionador para os presos e, em sentido inverso, pena de reclusão de 3 a 6 anos para o agente penitenciário que for acusado de negar creme hidratante aos encarcerados, além de multa e perda do cargo. Demonstra preocupação exagerada com o bem-estar de homicidas, sequestradores e estupradores.

Boate Kiss - 1 ano de saudades e descaso

Santa Maria: dor e tristeza às vésperas de aniversário de tragédia 

Júlia Dias Carneiro Enviada especial da BBC Brasil a Santa Maria (RS) 

Os sorrisos de Flávia, Andrielle, Mirela, Gilmara e Vitória estão estampados em inúmeras fotos reunidas em um painel cuidadosamente montado por suas mães, fundadoras da ONG 'Para sempre Cinderelas', em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. 


As cinco amigas eram inseparáveis e estavam comemorando dois de seus aniversários na boate Kiss. Um ano depois, suas mães se amparam no primeiro aniversário das filhas ausentes. 
No dia 27 de janeiro de 2013, um incêndio de grandes proporções na boate Kiss, no centro da cidade, tirou a vida das cinco meninas e de outras 237 pessoas, a maioria universitárias como elas. 

A ONG foi fundada pelas mães das jovens logo após a tragédia para dar prosseguimento ao trabalho social das filhas. O acidente completa um ano na próxima segunda-feira, quando uma série de ações está programada na cidade para lembrar a data, como missas, caminhadas, protestos, um congresso e uma vigília. 

Mas neste sábado, lojas já amanheceram com flores e laços brancos em suas vitrines. 

Flávia Vilanova Torres faria 23 anos no sábado. Sua mãe, Fani, começou o dia com uma visita ao seu túmulo no cemitério, para depois se juntar às outras mães na tenda da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, no centro de Santa Maria. 

A menina era filha única e foi criada sozinha pela mãe, que dividia com ela o quarto, a cama e o armário e diz acordar todos os dias chorando a morte de sua filha. 
"Mas hoje está sendo muito difícil", diz Fani à reportagem da BBC Brasil, segurando as lágrimas que surgem em seus olhos toda vez que alguém chega para abraçá-la. 

Como em um relicário, Fani arrumou uma mesa com pertences da filha: sapatos de salto alto dourados, "sua cor preferida"; o vestido verde-água que comprou para um aniversário; um chaveiro da faculdade de pedagogia; e a agenda de 2012 da filha, aberta em uma página com um compromisso marcado com uma letra bonita e caneta roxa: "Ver as gurias!" 

O incêndio na Kiss atingiu 900 jovens que, como as cinco "gurias", lotavam a casa noturna naquela noite de sábado. 
O fogo teria começado quando um integrante da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no local, acendeu um sinalizador no meio do palco. 

Rapidamente, as labaredas se alastraram pela espuma que fazia o isolamento acústico do teto, gerando uma fumaça tóxica que matou grande parte das vítimas asfixiadas, sem uma queimadura. 

Fani largou o trabalho de manicure desde que a filha, conhecida por todos como "Flavinha", morreu. Não gosta mais de ficar em casa e diz ter perdido a vontade de viver. "Saio de casa e caminho sem rumo. Não me reconheço mais", diz, vestindo uma camiseta branca com o rosto sorridente de Flávia e um colar com um pingente de coração com o nome da filha, igual ao das outras mães. 

Ligiane Righi da Silva também está vestindo a camiseta, mas na sexta-feira era a foto de sua filha tocando violão que estava estampada no peito das cinco mães da ONG. 

Andrielle teria feito 23 anos na sexta, e Ligiane levou para o estande seu violão – desafinado, já que ninguém se atreve a tocá-lo – e coisas que sua filha gostava, como o tênis All Star, duas garrafas de Heineken com gérberas coloridas, bombons e um ursinho de pelúcia que tinha desde os 4 anos. 

Depois do incêndio, a história de Andrielle se tornou famosa mundialmente pelo último comentário que fez na rede social Twitter. Antes de sair com as amigas para o boate, ela escreveu no microblog: "diz que hoje vamos destruir a kiss então". E logo depois: "acho que a kiss nunca mais será a mesma depois dessa noite". 

Ligiane ainda mantém o quarto da filha do jeito que era. Ela se irrita toda vez que alguém sugere que toque a vida e siga em frente. "Ninguém sabe o que é acordar às 5h da manhã com um telefonema, passar o dia procurando por sua filha e encontrá-la morta às 17h30", afirma. "Pelo menos eu pude dar um último abraço. Parecia que ela estava dormindo." 

Quinze amigos de Andrielle morreram no incêndio. "Se ela tivesse sobrevivido, não teria aguentado", acredita a mãe. Ela tatuou no punho o nome de Andrielle e da outra filha, Gabrielle, que não foi à boate naquela noite fatídica. Ela conta que, por muito tempo, continuou à pôr a mesa de jantar como se sua filha ainda estivesse viva. 
"Parece que foi ontem. Eu continuo esperando a minha filha chegar", afirmou ela. 

Durante o fim de semana, as mães do Para Sempre Cinderelas estão arrecadando doações de material escolar e alimentos para ajudar escolas da cidade, dando continuidade ao trabalho social que havia sido iniciado pelas filhas. 
Ligiane diz que o laço formado entre as cinco mães tem sido uma grande ajuda enfrentar a dor, mas que o mais difícil é ver que, um ano depois, ninguém foi punido pela tragédia. 

Após uma investigação da Polícia Civil que apresentou 16 indiciamentos, oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e estão sendo julgadas. 
Os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira foram presos logo após o incêndio, mas tiveram liberdade provisória concedida pela Justiça em maio do ano passado. 

"Até agora ninguém tem culpa, ninguém tem respostas, ninguém sabe, ninguém viu", afirma Ligiane. 
"A única certeza que eu tenho é que a minha filha não volta. E se continuarmos com impunidade, protecionismo, jeitinho brasileiro, outras "Kisses" vão acontecer. E eu não desejo para nenhuma outra mãe o que eu estou passando."

'Este ano não vai ser igual àquele que passou'

Luiz Werneck Vianna (*) 

"Este ano não vai ser/ igual àquele que passou", cantava a antiga marchinha de carnaval. Não vai, é certo, mas ainda estão ressoando em surdina no novo ano as toadas que tomaram as ruas nas jornadas de junho de 2013. E, como um encontro marcado, não há quem não espere o seu retorno, embora em diverso diapasão, com os jogos da Copa do Mundo e o processo de uma sucessão presidencial competitiva. Foram fundas as marcas deixadas pelo ano que passou: além de suspender o cotidiano com as ondas de protesto das manifestações populares, trouxe à luz novos personagens e um sentimento inédito de urgência quanto a demandas, desatendidas, da população nos serviços públicos. 

As manifestações, é verdade, cessaram, mas estão aí presentes os mesmos motivos, o difuso mal-estar e os protagonistas de ontem. A política e os partidos, malgrado um tumultuado esforço despendido na produção legislativa a fim de responder ao clamor por mudanças, passado o susto pelo descontrole das ruas mantêm distância da sociedade, o que mais se agrava por ser este um ano a ser dominado pelo calendário eleitoral. 
Pior, já se reitera o vezo de um malfadado presidencialismo de coalizão que, na forma como o praticamos, reduz o papel dos partidos a máquinas eleitorais aplicadas à reprodução da classe política que aí está, em detrimento do que deveria ser a busca de rumos para uma complexa sociedade como a nossa. 

Não se aprendeu nada, não se esqueceu nada. Não à toa esse dito clássico tem sido invocado por tantos - a política está entregue, como sempre, a próceres empenhados no escambo do horário eleitoral, especialmente no interesse das cúpulas partidárias, conforme um deles declarou sem rebuços dias atrás em entrevista a um importante jornal. Mas desta vez não haverá surpresa, como no ano que passou. 
A Copa do Mundo tem data, assim como a têm a eleição presidencial, a dos governadores e a parlamentar, para as quais não se deve prever céu de brigadeiro, tal como já se entrevê. 

Os verdadeiros sentidos da liderança de caráter

 Fonte: jornaldoempreendedor.com.br

Muitas vezes lemos discussões onde temos diferentes definições de liderança brigando para ser a mais aceita pela maioria. 

Uma definição de liderança implica em posição. Afirma que a pessoa na posição de liderança é o líder. Se ele é o responsável, ou está no topo, ou é o dono da bola, então ele é o líder. Sua posição é a razão porque ele têm influência sobre os outros. Isso é liderança posicional. 

Mas o melhor tipo de liderança não tem nada a ver com a posição. 
É o que podemos chamar de liderança baseada em caráter. 
Líderes que adotam essa posição são líderes que optaram por adotar a mentalidade de um líder, independentemente de sua posição na organização. 

Qualquer um pode ser um líder baseado no caráter. Se por um lado algumas pessoas trabalham anos para conseguir uma posição, para ter a mentalidade e o caráter de um líder você precisa apenas de 4 coisas, que podemos chamar de sentidos. 

Os 4 sentidos da liderança baseada no caráter 

1. Senso de missão 
O que estamos tentando fazer? Sem sucesso, não há necessidade de um líder. Liderança implica movimento. Movimento sem direção é desperdício. 

Seu objetivo é fazer com que o futuro aconteça. E é a sua missão que te leva até seu objetivo. É sua missão que vai fazer com que seus esforços criem o seu futuro. 

2. Senso de urgência 
Se não houver urgência, se a coisa puder ser feita sempre, amanhã ou depois, então não há necessidade de liderança. 

Grandes missões são aquelas que devem ser feitas e que precisam ser feitas logo. Grandes causas devem ser alcançadas mais rápido possível. Sem um sentido de urgência você pode nunca alcançar seu objetivo.

A urgência é a chave para um excelente serviço ao cliente. 

3. Senso de responsabilidade
A responsabilidade é a compreensão não apenas de que algo deve ser feito, mas também que você deve fazê-lo. 

Muitas vezes, nós não somos muito precisos ou sábios quando se trata do que devemos fazer. Nós delegamos muito ou pouco demais. Nós damos às pessoas o poder de fracassar. 

Um sentido de responsabilidade objetiva é necessário para uma boa liderança. 

4. Senso de servir 
Se sua missão serve apenas a si mesmo ou a uma pequena parcela de pessoas, você não tem chance de se tornar um grande líder. 

Grandes líderes servem muitas pessoas em causas de valor. 
Grandes líderes, muitas vezes têm que superar uma grande dificuldade para conseguir servir. 

Não há nenhuma grande obra, a menos que ela beneficie aos outros. Inclua apenas uma outra pessoa em seu objetivo e, nesse momento você eleva sua própria missão, liderança e responsabilidade. Desenvolva seus sentidos 

Se você não tem os 4 sentidos, não se preocupe. Você pode desenvolvê-los. 
Na verdade, pessoas próximas a você podem enxergar alguns sinais desses 4 sentidos. 

Por isso, encontre sua missão maior, concentre sua energia em direção e ela e você irá desenvolver os outros sentidos. Não deixe nada te parar. 

Você pode fazer de 2014 o ano em que irá desenvolver todos os sentidos e se tornará um grande líder baseado em caráter. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mais uma merda para o ventilador

"Levei R$ 200 mil para o ministro Lupi" 

Izabelle Torres para Revista Isto É 
Ana Cristina Aquino


A empresária mineira Ana Cristina Aquino, 40 anos, é uma conhecedora dos meandros da corrupção no Ministério do Trabalho e desde dezembro do ano passado vem contando ao Ministério Público Federal tudo o que sabe. As revelações feitas por ela tanto aos procuradores como à ISTOÉ mostram os detalhes da atuação de uma máfia que age na criação de sindicatos – setor que movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano – e que, segundo a empresária, envolve diretamente o ex-ministro e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o atual ministro, Manoel Dias. “Levei R$ 200 mil para o ministro Lupi numa mochilinha da Louis Vuitton”, diz a empresária. De acordo com ela, o ministro Manoel Dias faz parte do mesmo esquema.

Ana Cristina é dona de duas transportadoras, a AG Log e a AGX Log Transportes, e durante três anos fez parte da máfia que agora denuncia. A Polícia Federal em Minas Gerais já tem indícios de que suas empresas serviam como passagem para o dinheiro usado no pagamento das propinas para a criação de sindicatos. Em apenas 24 meses, entre 2010 e 2012, a empresária trocou as dificuldades de uma vida simples pelo luxo de ter avião particular, helicóptero, uma mansão em Betim (MG) e até cinco carros importados na garagem. Para ela, o esquema começou a ruir depois que ISTOÉ revelou, em outubro do ano passado, que seu enriquecimento era alvo de uma investigação da PF. 
“Os antigos parceiros me abandonaram. Estou sendo ameaçada, mas não vou pagar essa conta sozinha”, diz Ana Cristina. 

O advogado João Graça, assessor especial do ministro Manoel Dias e homem de confiança do ex-ministro Carlos Lupi, foi por dois anos sócio da AG Log e deixou a empresa depois de a investigação da PF ser instalada. Segundo Ana Cristina, era ele o elo entre as suas empresas e a máfia dos sindicatos no Ministério do Trabalho. Procurado por ISTOÉ, Graça disse que as acusações “fazem parte de uma briga de mercado” e que se manifestará apenas quando “conhecer todos os detalhes da denúncia.” A empresária afirma que Graça estava com ela quando foram entregues os R$ 200 mil ao então ministro Lupi. 
O Ministério Público tenta localizar as imagens da portaria do Ministério para confirmar a informação. “Usamos o elevador do ministro. O doutor João Graça manda naquele Ministério”, disse Ana Cristina. Em seguida, ela lembra que, depois de receber o dinheiro, Lupi chegou a perguntar, em tom de brincadeira, se estava sendo gravado. Na quinta-feira 23, Lupi disse à ISTOÉ que só vai se manifestar quando tiver acesso aos documentos que Ana Cristina diz ter entregue ao Ministério Público. 

Haddad ... o prefeito que a cidade de 460 anos merece ...

Primeira grande conquista do Bolsa Crack: a droga dobrou de preço na Haddadolândia! Os traficantes estão em festa e certamente defenderão a reeleição do prefeito em 2016 

Reinaldo Azevedo (*) 

O prefeito Fernando Haddad, saudado durante a campanha eleitoral e nos primeiros meses de governo como um verdadeiro gênio da raça, é formado em direito. Depois fez mestrado em economia e doutorado em filosofia. É tratado em certas áreas como um “intelectual”. A sua maior contribuição ao pensamento, até agora, é ter escrito que o sistema soviético era “moderno”. Já chegou também a declarar a superioridade de Stálin sobe Hitler porque, especulou, o Bigodudo, à diferença do Bigodinho, pelo menos lia os livros antes de matar os autores. É mesmo um senhor capaz de coisas impressionantes. Seu último feito mais notável é o Bolsa Crack. 

A Folha traz hoje uma reportagem muito interessante de Fabrício Lobel e Aretha Yarak. Reproduzo trecho: 
“O preço da pedra de crack chegou a dobrar já no primeiro dia de pagamento dos 302 usuários da cracolândia que trabalham no programa Braços Abertos, da prefeitura. 
A pedra, que custava R$ 10, sofreu variação de preço na tarde de ontem e chegou a custar até R$ 20, segundo relatos de usuários à Folha no fluxo (local de venda e consumo). De acordo com a prefeitura, 302 usuários receberam, em dinheiro, R$ 120 pela semana de trabalho na varrição de praças e ruas.” 

Não me digam! O único que não sabia disso, pelo visto, era o mestre em economia Fernando Haddad. Que coisa, né? Vejam o que fez este gigante: transformou a Haddadolândia numa zona livre para o consumo de droga e entregou dinheiro na mão de um grupo de viciados. Como a oferta, bem ou mal, não consegue suprir a demanda e como passa a circular mais dinheiro na região, qual seria a consequência óbvia: inflação! 

Assim, o programa de Haddad, que já é um fracasso, não é, ao menos, inócuo. 
Está contribuindo para elevar o preço da “pedra”. Como vocês sabem, antevi aqui as consequências óbvias da equação, não? Aliás, quantas vezes escrevi neste blog que a descriminação do consumo de drogas, sem a descriminação do tráfico, tem como resultado fatal a… inflação no setor? É o paraíso dos traficantes! O que pode acontecer de melhor para eles do que estimular a demanda num ambiente de oferta reprimida? 

Parabéns, prefeito! Lula prometeu que Haddad seria um administrador como a cidade nunca viu antes. Acho que o vaticínio, à sua maneira, está se cumprindo, não é mesmo? 

A matéria da Folha traz uma informação que é tragicômica. 
Reproduzo :
“O preço da pedra na cracolândia é R$ 10 há pelo menos dez anos, diz Bruno Ramos Gomes, presidente da ONG É de Lei, que atua na região. Ele não acredita que a inflação tenha sido causada pelo pagamento da prefeitura. ”Talvez ela esteja relacionada com a dificuldade de chegar pedra na área, dada a repressão policial”, diz. 

O que é da lei? O crack? Será que faz dez anos que o Bruno cuida do assunto, com os resultados que a gente vê? Notem: repressão ao tráfico na Cracolândia sempre houve.
A pedra não dobrou de preço nem quando houve a retomada da área pelo estado de direito, e o tráfico, de fato, foi muito prejudicado. 
O que aconteceu de novo desta vez? Ora, há mais dinheiro circulando. 
Os traficantes sabem disso. Também não ignoram que os consumidores não podem ficar sem o produto. 

Consequência óbvia: boa parte do dinheiro que a Prefeitura repassou aos viciados já foi confiscada pelo tráfico. Se Haddad depositasse na conta dos traficantes, e eles só passassem distribuindo a porcaria, daria na mesma. Isso quer dizer, leitor amigo, que o Bolsa Crack também é o Bolsa Traficante. 

Faço ainda aqui um outro vaticínio, ancorado, deixem-me ver, na história humana. Circulam na Haddadolândia uns dois mil dependentes. Só 300 terão, por enquanto, aquela grana a mais. Ainda que o programa dobrasse de tamanho, o que não vai acontecer, mais de metade continuaria fora. Outro desdobramento lógico, pois, da ação da Prefeitura será a criação das “classe sociais das drogas”. Se a pedra sobe de preço, os que não tiverem os benefícios da Prefeitura terão de se degradar ainda mais para conseguir o dinheiro. 

Eu realmente não me canso de admirar a obra de Fernando Haddad.

(*) Jornalista é colunista do jornal Folha de São Paulo e da revista Veja 

Futebol um poço de podridão

Virou caso de polícia. Ministério Público tem provas que a Portuguesa sabia que Héverton não poderia jogar. Há a certeza que alguém no Canindé o liberou para receber dinheiro. Mas mesmo assim, o MP exigirá na Justiça Comum o clube na Série A… 

Cosme Rímoli (*) 

Virou caso de polícia. 
Com todas as letras o Ministério Público de São Paulo garante. 
Alguém da direção da Portuguesa sabia que Héverton estava suspenso. 
Não poderia nem ter sido relacionado para a partida contra o Grêmio. 
Foi e entrou em campo por 14 minutos. 

O promotor Roberto Senise investiga o caso. 
Principalmente o período entre 6 e 10 de dezembro de 2013. 
E já tem uma certeza. 
Um e-mail chegou escritório do ex-presidente Manuel da Lupa. 

Detalhando a punição. 
Ou seja, ele ou quem lia seus e-mails sabia. 
Assim como outras pessoas. 
Até porque o MP apurou. 

O e-mail foi repassado para o departamento jurídico do clube. 
Héverton precisava ficar de fora da partida contra o Grêmio. 
Tinha mais um jogo de suspensão a cumprir. 

Sua presença poderia provocar o rebaixamento da Portuguesa. 
E salvar outro clube de tradição. 
Foi o que aconteceu. 
Graças ao 'erro' da Portuguesa, o STJD confirmou o Fluminense na A. 

O promotor também tem outra certeza. 
A que o advogado Osvaldo Sestário falou a verdade. 
Que realmente telefonou para a Portuguesa. 
E informou sobre a impossibilidade de Héverton atuar. 

Sestário é claro: garante saber muito bem com quem falou.
"Foi com o ex-vice jurídico Valdir Rocha." 
O Ministério Público investiga Valdir e Manuel da Lupa. 
E outras pessoas da antiga diretoria. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fifa paga o preço por ignorar sinais de perigo no Brasil

Brian Homewood (*)  para Reuters 

A Fifa tem se esforçado para esconder a irritação com os problemas nos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo deste ano, mas a entidade que comanda o futebol mundial não pode dizer que não foi alertada. 

Os sinais de perigo eram claros desde 2007, quando o Rio de Janeiro sofreu para organizar os Jogos Pan-Americanos. 
Estouros de orçamentos, uma expansão do metrô que nunca aconteceu, atrasos e problemas constantes na construção dos locais de competição --muitos dos quais finalizados no último minuto--, deveriam fazer soar o alarme em Zurique. 

Mesmo assim, apenas três meses depois, o único candidato a sediar a Copa de 2014, sob o então sistema da Fifa de rotação do torneio pelos continentes, levou a competição sem oposição. 
Temas como a obsoleta infraestrutura brasileira, problemas sociais e a violência foram colocados de lado, em meio aos elogios feitos ao Brasil pelas conquistas dentro de campo. 

Nos seis anos e meio que se passaram, aconteceu com a Copa do Mundo muito do que ocorreu com o Pan. 
Sem poder fazer muito, a Fifa assiste aos organizadores brasileiros não cumprirem prazos, ignorarem os orçamentos iniciais e engavetarem projetos de infraestrutura que representariam um legado da Copa. 

Num exemplo recente, a Fifa alertou em maio passado que todos os 12 estádios da Copa do Mundo deveriam estar prontos no fim de 2013 e que atrasos não seriam tolerados. Seis estádios não cumpriram o prazo, e mesmo assim a Fifa nada fez. 

São Paulo - 460 anos

A terra onde todos convivem 

Claudio Lembo (*) 

Quando alguém se debruça sobre a história de São Paulo sente uma profunda perplexidade. Os episódios de grandeza e os ciclos de miséria se sucederam através dos séculos. 

Foi fruto direto dos índios que ocupavam o planalto paulista. 
Estes conheciam e conviviam com João Ramalho, o português que habitava Santo André da Borda do Campo. 

Os jesuítas chegaram mais tarde. 
Edificaram a pequena escola. 
O lugar, no alto da colina acima do Rio Tamanduateí, passou a ser chamado Pátio do Colégio. 

Não conhecia o planalto as doenças tropicais. 
Seu clima era salubre. 
A distância do mar o tornava isento dos contatos com o mundo europeu. 

O paulista foi gerado na solidão. 
O povoado era rude e rude seus habitantes. 
Desde os primórdios, lançaram-se a combater os castelhanos em nome dos reis de Portugal. 

A pé ou pelos rios alcançaram os extremos da América Setentrional. 
Foram ao Paraguai e a Argentina e, na busca de índios para escravizar, lutaram asperamente com os padres da Companhia de Jesus.
Não deram sossego aos jesuítas, aqui e nas mais distantes paragens. 

Lançaram-se, sem temor, no interior das florestas. 
Cruzaram rios caudalosos. 
Estenderam os espaços físicos do Brasil. 

Com a descoberta de ouro, em Minas Gerais, lançaram-se à exploração do minério. 
Foram mortos e humilhados. 
Recuaram. Inicia-se, a partir do ciclo do ouro, período dramático. 

Perde São Paulo sua condição de relevo.
É lançada ao ostracismo. 
Passaram-se os anos. 
A pobreza altiva permanecia imutável. 

A primeira reação, após a Independência do Brasil, dá-se com a criação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. 
Os trabalhos constituintes de 1823 apontam para os obstáculos à criação da primeira escola superior no Brasil independente. 

Regiões muito mais desenvolvidas pleiteavam o privilégio. 
São Paulo – juntamente com Olinda – foi agraciada com a Academia de Direito. 

Alteram-se os costumes. 
Inicia-se uma nova etapa na vida da cidade. 
Permanece provinciana e isolada, mas já recebe o impulso dos jovens originários dos mais distantes pontos do País. 

Alteram-se vagarosamente os traços urbanos. 
A grande mudança ocorre com a chegada da imigração européia. 
Os italianos, particularmente, trouxeram novos costumes e formas de pensar. 

Foram encaminhados para as distantes terras do sertão. 
Vieram para substituir os libertos de 1888. 
Aos poucos, foram chegando à cidade de São Paulo. 

Começaram surgir as grandes tecelagens e as pequenas fundições. 
Uma ebulição social incessante começou a surgir. 
Os senhores das terras se assustaram. 

A perseguição ao estrangeiro ocorreu. 
As grandes greves, geradas nos aparelhos anarquistas, explodiram. 
Nunca mais São Paulo deixou de gerar novidades sociais e políticas. 

Abriu seus espaços para a imigração interna e a todos os povos. 
Tornou-se a mais cosmopolita das cidades da América Latina. 
A ninguém é perguntada a sua origem ou sua ascendência. 

Os nomes de família não importam em São Paulo. 
Vale a vontade de trabalhar e produzir. 
Esta forma de agir e de pensar dos paulistanos contemporâneos levou à perda do estudo de sua História. 

Nada importa em São Paulo. 
Suas tradições se apagaram. 
Todos os dias se gera o novo em São Paulo. 

Uma gente indômita, crítica e, apesar da constante evolução, possui traços conservadores. São Paulo, em seus quatrocentos e sessenta anos, por vezes, mostra-se provinciana.
Uma cidade aberta a todas as vocações.

(*) Advogado, professor e ex-governador de São Paulo

McDonald’s admite que perde relevância entre consumidores

Terra 

O CEO do McDonald’s, Don Thompson, admitiu na quinta-feira que a maior rede de fast food do mundo está perdendo relevância entre os consumidores. A declaração ocorreu após a divulgação dos resultados do último trimestre de 2013. 

As vendas globais em restaurantes abertos há ao menos 13 meses caíram 0,1% no trimestre, com uma queda ainda maior no número de clientes (-1,6%). Apenas nos Estados Unidos o recuo foi de 0,2%. De acordo com o executivo, a rede deve ampliar a oferta de “café da manhã” e oferecer mais opções customizadas da hambúrgueres para reverter esse declínio. 

A maior rede de restaurantes do mundo em receita divulgou lucro líquido de US$ 1,40 bilhão, ou US$ 1,40 por ação, para o quarto trimestre. Isso comparado com cerca de US$ 1,40 bilhão, ou US$ 1,38 dólar, um ano antes. A receita total cresceu 2% para US$ 7,09 bilhões. 

O McDonald's está presente em cerca de 100 países, com aproximadamente 35 mil lojas, que são operadas em sua maioria (80%) pelo sistema de franchising. A rede afirma servir em torno de 70 milhões de pessoas todos os dias.

Que beleza !!!!!

Rombo nas contas externas do Brasil alcança US$ 81,4 bi e bate recorde 

Folha de São Paulo 

O Brasil registrou, em 2013, um rombo de US$ 81,4 bilhões nas suas transações com o exterior, que incluem desde vendas e compras de bens e produtos a prestação de serviços. 

O valor é 50% maior do que no ano anterior e um recorde, equivalente a 3,66% de toda produção nacional medida pelo PIB (Produto Interno Bruto). 

"O deficit foi causado fundamentalmente pelo menor superavit comercial no ano. Para 2014, deve ocorrer uma redução do deficit, num cenário de maior crescimento da economia mundial e com câmbio mais depreciado, o que deve contribuir para aumentar a demanda externa e o crescimento da economia", justificou Fernando Rocha, chefe-adjunto do Departamento Econômico. 

Após computar exportações e importações, o país registrou em 2013 um superavit de apenas US$ 2,56 bilhões ante US$ 19,4 bilhões em 2012. 
Também houve piora na conta de serviços. O deficit anual aumentou de US$ 41,04 bilhões em 2012 para US$ 47,52 bilhões no ano passado. 

Apesar da alta do câmbio no ano passado, os gastos de brasileiros em viagens ao exterior subiram de US$ 22,23 bilhões em 2012 para US$ 25,34 bilhões em 2013, contribuindo para essa elevação. 
Na outra ponta, as despesas de turistas estrangeiros no Brasil permaneceram praticamente estáveis. Em 2012, eles deixaram aqui US$ 6,64 bilhões e, no ano seguinte, US$ 6,71 bilhões. 

As despesas com juros e as remessas de lucros e dividendos das subsidiárias estrangeiras que operam no Brasil também cresceram em 2013: US$ 24,11 bilhões para US$ 26,04 bilhões. 
Em dezembro especificamente, o deficit nas transações correntes foi de US$ 8,68 bilhões. 

Para 2014, o BC projeta um déficit de US$ 78 bilhões em transações correntes, equivalente a 3,53% do PIB. 
Investimento estrangeiro no ano foi de US$ 64,05 bilhões. Em dezembro, os investimentos somaram US$ 6,5 bilhões.

Construção da Arena das Dunas é um absurdo

Yahoo 

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil ainda nem começou, mas sua realização já envolve inúmeras polêmicas. Recém-inaugurada, a Arena das Dunas é retrato do desrespeito das autoridades com a sociedade brasileira. Mas por que a Arena das Dunas é um absurdo? 

Médias de Público 
Os principais clubes de Natal não podem se orgulhar da presença de sua torcida nos jogos. América e ABC, que disputaram a Série B do Campeonato Brasileiro de 2013, tiveram médias de público de 1.650 e 4.117 pessoas, respectivamente. 

Custo-benefício 
A Arena das Dunas é resultado de uma parceria público-privada entre o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e a construtora OAS, que, juntos, formaram o consórcio Arena das Dunas. Sua construção teve um orçamento aproximado de R$ 400 milhões para receber quatro jogos da Copa. Esse dinheiro foi utilizado na construção de um estádio em uma cidade cujos públicos de futebol são baixos, apenas para a disputa de 4 jogos do evento. 

O lucro 
A população de Natal questiona a quem a construção beneficia. 
A cidade não precisava de mais um estádio e a construtora OAS recebeu financiamento quase da totalidade do levantamento do estádio. 
O que a construtora ganhar com a Arena, será utilizado para pagar o BNDES e os eventuais excessos irão para os bolsos da iniciativa privada. 

Utilização na Copa 
O estádio é projetado para 32 mil pessoas, mas, durante a Copa, 10,6 mil assentos removíveis serão acrescentados para que o público possa chegar a 42,6 mil pessoas.
A medida é o "jeitinho" que se deu para a Arena encaixar no orçamento e, mesmo assim, estar preparado para a Copa. 

Utilização pós-Copa 
O ABC, maior clube do Estado, joga em seu estádio próprio, o Frasqueirão. A capacidade do estádio é de 18 mil pessoas, mais do que suficiente para as necessidades da equipe - no ano passado, o maior público do ABC no Campeonato Brasileiro foi de 14 mil pagantes, contra o Palmeiras. 
O América, embora não tenha estádio próprio, já está construindo o seu. Existe até mesmo site oficial para acompanhar a construção. A futura "Arena América" deverá ter capacidade para 20 mil torcedores. 

Obras de mobilidade
A Arena das Dunas viria acompanhada de um pacote de obras de mobilidade urbana, muitas delas financiadas pelo Governo Federal. Todavia, o primeiro lote foi iniciado apenas no final do ano passado e as próprias autoridades já assumem que não deverão ficar todas prontas para a Copa do Mundo. 

Legado 
A construção da Arena das Dunas envolveu uma série de desapropriações em áreas menos nobres. Isto fez com que pessoas perdessem seus lares em troca de uma compensação que nem sempre é a real correspondente ao valor do imóvel, levando os desapropriados à Justiça. Ademais, a nova Arena exigia a demolição do antigo estádio Machadão, palco de grande parte da história do futebol do Rio Grande do Norte, inclusive recebendo jogos do Santos de Pelé. Sua existência, agora, estará apenas nas lembranças dos potiguares.

Elementar, minha cara Watson

Sandro Vaia (*) 

A secretária dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, é uma personagem bastante peculiar. Como aquele neurótico Sherlock Holmes contemporâneo da série de TV “Elementary”, chega sempre alguns quilômetros antes dos fatos, deduz e decreta suas verdades antes que as provas as confirmem. 

Com uma diferença: esse Sherlock moderno, antipático e arrogante, acerta quase sempre as suas deduções, por mais rocambolescas que sejam, e a ministra dificilmente dá uma dentro. 

A primeira vez foi quando houve uma corrida a bancos no interior do Nordeste num final de semana porque alguém teria espalhado o boato de que o Bolsa Família ia acabar, e as pessoas tentaram se precaver fazendo saques em massa. 

Antes de saber o que tinha acontecido, a ministra Sherlock sacou de sua lupa, examinou e, através do Twitter, deixou de lado o bom senso e as boas regras da concordância, e decretou: "Boatos sobre o fim do bolsa família deve (sic) ser coisa da central de notícias da oposição". 

Quando a Caixa Econômica Federal informou que tudo havia sido provocado por um erro de seu próprio sistema operacional, a ministra Sherlock saiu de fininho e não reconheceu nem ao seu caro Watson -- no caso da série moderna, a sua cara Watson, já que o sábio doutor virou mulher -- que tinha cometido uma gafe elementar. 

Agora a ministra saiu correndo na frente dos fatos novamente. 

Todo mundo conhece a história: um jovem chamado Kaíque Augusto, homossexual de 17 anos, foi encontrado morto nos baixos de um viaduto no centro de São Paulo, e alguém viu no caso, antes que a polícia se manifestasse oficialmente, um bárbaro crime de ódio homofóbico. 

Que militantes de uma causa saíram a clamar vingança antes de certificar-se do que de fato aconteceu, é até compreensível. Afinal, são militantes. Alguns deles vivem para isso e outros tiram disso seu sustento político-eleitoral. 

Que uma autoridade pública de nível ministerial se dispa de sua responsabilidade moral e da liturgia do cargo para vestir a camisa de seu time, como se o governo fosse uma arquibancada pessoal, é simplesmente inconcebível. 

Ao saber das primeiras suspeitas da família, que falava em assassinato, e das primeiras manifestações indignadas da militância, Maria do Rosário não se deu ao luxo de usar a prudência e assinou, sem nenhuma cautela, uma nota manifestando solidariedade à família de Kaíque, "assassinado brutalmente no último sábado". 

Nenhuma dúvida, nenhuma vacilação, nem sequer o benefício da suspeita: a certeza absoluta do crime hediondo. E para espicaçar um pouco o governo de um adversário político, a informação de que a Secretaria "está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade". 

Uns dias depois a família reconheceu que, como suspeitava a polícia, Kaíque havia cometido suicídio. 

Desculpas da secretária Sherlock? Nem pensar. Jogo político. Elementar, minha cara Watson. 

(*) É jornalista. Foi editor do Jornal da Tarde 

O governo, a Copa e a rua

Opinião do Estadão 

Para blindar o projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff - e tão somente por isso - o Planalto, com o PT a tiracolo, busca um plano que detenha o eventual alastramento pelo País dos prováveis protestos contra a realização da Copa. Teme-se um clima de crispação social capaz de contaminar as urnas de 3 de outubro, nada menos de 115 dias depois da final de 13 de julho. A extensão desse período parece indicar que os receios palacianos são exagerados: é tempo demais para que os presumíveis protestos continuem crepitando a ponto de abrasar a conquista de um segundo mandato por Dilma. Mas, destoando dessa vez do padrão trôpego de sua gestão, ela resolveu não brincar em serviço. 

Reuniões semanais em palácio, com rodízio de participantes e dois nomes fixos - o do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o seu colega do Esporte, Aldo Rebelo -, se preocupam antes de tudo com um replay dos dias de junho. Foi a absurda repressão policial a uma marcha de protesto em São Paulo contra, entre outras coisas, o aumento das passagens de ônibus, que propagou as passeatas pelo País inteiro, já então marcadas pela violência de parte a parte. Dos encontros saiu a decisão de uma conferência entre o ministro da Justiça e os secretários de Segurança dos 12 Estados-sede da competição para a elaboração de um protocolo único de atuação policial em face das manifestações. 

A primeira delas já tem data e lugar. Convocado pelas redes sociais, sob a hashtag #naovaitercopa, um ato terá lugar este sábado, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Diferentemente dos primeiros ativistas de junho que, antes de tudo, queriam era falar, ou melhor, exclamar - daí a mistura desencontrada de demandas que levavam consigo e a inexistência de comando único que as enfileirasse -, os anti-Copa têm uma agenda focada nos direitos dos grupos sociais que teriam sido ou poderão ser ignorados em razão do campeonato. Por exemplo, famílias desalojadas, ambulantes e moradores de rua removidos. O movimento é conduzido por um Comitê Popular da Copa. 

Ainda assim, o diálogo do governo com os seus porta-vozes é espinhoso. Não só pelo irrealismo de algumas de suas exigências - a desmilitarização das polícias e a revogação da Lei Geral da Copa -, mas pela certeza de que não estão interessados em chegar a um compromisso que permita a realização tranquila da "Copa das Copas", que Dilma lançou na sua página no Twitter. O termo será a hashtag com a qual o PT tentará bater os adversários nas redes. De mais a mais, como se viu nos idos de junho, o governo não sabe lidar com o que o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, equipara impropriamente aos "movimentos sociais" de sua alçada, que têm nome, sobrenome, história e reivindicações estabelecidas - valham o que valerem. 

Daí, além do problema de conversar o que, com quem, há a incógnita sobre o estrago que os improváveis interlocutores poderão efetivamente causar quando os olhos do mundo, como diz o clichê, estarão voltados para o Brasil. Se o Estado recorrer à mão pesada para garantir a paz pública e a realização dos jogos, Dilma poderá se reeleger do mesmo modo - afinal, a massa dos seus eleitores quer é participar da festa da Copa -, mas a imagem da presidente e do País sofrerá no exterior. O caminho mais sensato para o governo é o da cautela. Isso significa achar o ponto de equilíbrio entre preservar a ordem e deixar aberta a válvula do protesto para prevenir uma reação em cadeia. 

Hoje em dia, o desejo de expressão coletiva cria seus próprios canais, rejeitadas as formações calcificadas como as organizações verticais, os sindicatos, os partidos. Até o rolezinho, uma atividade que de protesto não tem nada, e muito de integração nesses espaços de convívio de jovens que são os shopping centers, transita na via estreita entre a diversão e a baderna. Enquanto não mudar de mão, é legal e não pode ser reprimido, assim como não se pode barrar a entrada de quem foi ao lugar dar um rolê. Uma tendência dessas iniciativas é a sua volatilidade. Elas tanto podem cair na rotina ou se disseminar, já com outras características. 
A Copa é uma razão a mais para se trocar a truculência pela prudência.