sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mina D'Água

Em discussão, quanto vale uma mina d’água preservada

Para os agricultores que estão recebendo para preservar as nascentes de Apuracana (PR), cada mina vale R$ 100 por mês.
Se plantassem soja no local, poderiam ultrapassar esse valor em 10% vendendo a produção a R$ 45 a saca (60 kg).
Quem planta café, teria renda bem maior.
Uma única saca de grão rende de R$ 250 a R$ 300 na região.

As comparações são grosseiras, por não considerarem custos e porque a área de preservação legalmente não poderia ser usada na agricultura.
Mas, é a partir daí que os produtores discutem quanto vale uma nascente.
Para quem precisa aproveitar cada centímetro de terra para tornar a propriedade viável, viver cercado de fontes naturais é motivo de lamentação.
O pagamento pelo serviço de preservação mudou esse quadro.

Não que os produtores tenham se tornado ambientalistas irredutíveis. Mas agora, enquanto falam do programa de compensação, se detêm nos interesses da coletividade e mostram satisfação por estarem preservando a natureza.
Questões de valor menos matemático. “Quando chove, vira um mundaréu de água. Compensa preservar porque a gente ocupa a água, para o gado, para beber. Só aqui perto, têm 12 famílias que bebem essa água”, afirma Paulo Fenato, produtor de café. Ele é um dos que mais recebem compensação por serviço ambiental. Sua área de 39 hectares possui dez minas.

O programa Oásis remunera a preservação de, no máximo, sete. Ele conta proteger todas e ganhar R$ 562 por mês. Para cumprir a legislação ambiental, não pode cultivar cerca de 15 hectares (38% da propriedade).
A família de Mauro Carlos de Assis comprou, na década de 70, área de 2,4 hectares encostada da cidade de Apucarana.
As oito minas que existem no terreno elevaram o preço do imóvel na época.
Hoje, porém, tornam a chácara aproveitável apenas para moradia, reclama o ex-ferroviário. Assis chegou a criar vacas de leite no local, mas atualmente só cultiva verduras, para garantir o recebimento de R$ 580 por mês pelo projeto Oásis. O terreno se tornou um mosaico de área de preservação e canteiros.

Ainda em recomposição, as áreas em volta das nascentes estão virando matagais. “O jeito é seguir a lei e aderir ao projeto para não ficar só no prejuízo”, afirma. “Para mim, a vantagem é morar no mato, praticame nte no meio da cidade.” Com 8,3 hectares, Valto Amadeu tem apenas 5 ha livres para plantio. Ele dedica a área ao café e trabalha com aviário de 10 mil frangos. A renda do grão é anual e a da avicultura chega a cada dois meses. Dinheiro mensal, só os R$ 128 do projeto Oásis. “Dá quase para pagar a conta da luz elétrica”, relata. Em sua avaliação, o valor de uma mina é maior para a cidade do que para quem trabalha no campo e, por isso, destinar 1% da conta da água à preservação não representa um investimento caro para ninguém. “É melhor uma torneira pingando do que uma torneira seca.”

Um negócio insustentável

Marcos Sá Corrêa para O Estado de S.Paulo

Antes de gerar o primeiro quilowatt, a usina hidrelétrica de Belo Monte, na bacia do Rio Xingu, no Pará, conseguiu incluir o Ministério do Meio Ambiente num negócio insustentável. Eletrocutou nesta semana mais um presidente do Ibama. Governo vai, governo vem, cada vez mais eles passam e ela fica.

Tragados por Belo Monte, os nomes passam pelo cargo tão depressa que mal dá tempo de aprendê-los. Geralmente saem de fininho, "exonerados a pedido" e condecorados por processos. Mas chegam com estardalhaço digno de plenipotenciários do patrimônio natural.

E é assim que o Brasil está inaugurando mais um presidente do Ibama. Quem? O catarinense Américo Ribeiro Tunes.
Como presidente substituto, Tunes nem precisou assinar a posse no Ibama. Assinou diretamente seu passaporte para a posteridade, assinando de cara a licença "parcial" de Belo Monte. Ela autoriza o desmatamento de 23 hectares na bacia do Rio Xingu para a instalação de um canteiro de obras que formalmente poderá ou não construir a hidrelétrica. Mas com isso deixou na poeira todos os recursos técnicos e judiciais que o projeto ainda não conseguiu responder.

O demissionário Abelardo Bayma, antecessor de Tunes, assinou a licença prévia de Belo Monte. O antecessor do antecessor, Roberto Messias Franco, desencalhou em 2009 os estudos de impacto da hidrelétrica. Em 2008, demitiu-se a ministra Marina Silva, ao entrar em rota de colisão com Belo Monte, depois de capitular diante das pressões para liberar as usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Mesmo sem eletricidade, Belo Monte dá choque.

Dure muito ou pouco essa interinidade de Tunes, ele tem um lugar na história da usina e da burocracia ambiental, juntando sua assinatura à estreia da "licença parcial", um truque que a rigor serve para testar encanador em reforma de banheiro. "Parcial", neste caso, quer dizer o quê?
Interesses insensatos. Se o termo for sincero, o País está entregue a interesses poderosos, sem dúvida, mas insensatos a ponto defenestrar presidentes do Ibama só para construir um canteiro de obra sem a menor garantia de fazer a obra. Ideia semelhante só passou por Brasília uma vez, há mais de 30 anos, por meio da cabeça prodigiosa do economista Mario Henrique Simonsen. Como ministro do governo João Figueiredo, ele propôs que o Brasil legalizasse o pagamento de comissões por obras que não se pretendia executar. Alegava que assim todos sairiam ganhando. A começar pelos brasileiros, que assim gastariam menos com empreitadas inúteis e perdulárias.

Simonsen estava brincando. Queria simplesmente dizer com isso que muita coisa no País só sai do papel porque alguém está de olho na porcentagem da intermediação. Mas a licença "parcial" de Belo Monte, a julgar pelo número de baixas que já causou, está falando a sério, mesmo sem esclarecer se aquilo custará menos de R$ 19 bilhões ou mais de R$ 30 bilhões e gerará 11 mil ou 4 mil megawatts.

Belo Monte é urgente porque o Palácio do Planalto está sentado sobre mais de 60 projetos de usinas, a maioria na Amazônia. Isso porque a região tem potencial sobrando? Não. Por enquanto, o que há são advertências no mínimo plausíveis, como a do engenheiro Enéas Salati, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável.

Salati está combinando com calma e cautela o que já se sabe sobre mudança climática com o que se conhece dos rios nas 12 grandes regiões hidrológicas do território brasileiro. Encara um horizonte de 2015 a 2100. Não tem pressa, porque não vai ganhar nem perder um tostão com obra nem desmatamento. Mas já tem dados para prever que a vazão média dos rios na Amazônia cairá de 30% a 40% até o fim do século. O Rio Tocantins tende a chegar lá com a metade do volume que tinha antes de 1990. É para lá que o governo está nos levando, custe o que custar.

(*) Jornalista e Fotógrafo



Abacaxi

Cientistas de Portugal mapeiam genoma do abacaxi

O cultivo do abacaxi representa a terceira maior produção de frutas tropicais do mundo, perdendo apenas para a banana e para os cítricos. Entretanto, o genoma dessa espécie não é tão conhecido quanto o de outras frutas tropicais. Mas essa história vai mudar. 

O pesquisador da Universidade do Algarve, em Portugal, Jorge Dias Carlier, e uma equipe de cientistas desenvolveram o primeiro mapa genético do abacaxi. 

Os pesquisadores usaram a segunda geração de um cruzamento entre duas espécies de abacaxis. 

Por meio da análise dos marcadores moleculares, o estudo identificou 33 grupos de ligações com marcadores herdados das duas espécies parentais, 4 grupos de ligações com marcadores provenientes de apenas um dos pais e outros 3 grupos com marcadores da outra planta que gerou o abacaxi estudado. 

O mapa resultante possui 492 marcadores de DNA, que cobrem cerca de 80% da cadeia genética completa do abacaxi. Esta cadeia pode ser usada para reprodução molecular e estudos biotecnológicos envolvendo a planta e espécies análogas. 

A tarde em que descobri a televisão

Ignácio de Loyola Brandão para O Estado de S.Paulo

Quando entrei na Biblioteca Mário de Andrade, na terça-feira, dia 25, agora reformada pelo Carlos Augusto Calil (São Paulo merecia a restauração), reencontrei um pedaço de mim aos 18 anos. Lá em Araraquara, em 1954, o sonho de minha geração era vir a São Paulo, que festejava seu 4.º Centenário. O que eu queria conhecer? A Biblioteca, o Hotel Jaraguá, a Livraria Francesa, na Barão, a Cinemateca, o barzinho do Museu, o cine Jussara dos filmes franceses, o Marrocos com sua fonte, o Ibirapuera. Com um apetite voraz, tinha seguido o Festival de Cinema. Tão perto e tão longe. Ousei e escrevi uma carta à organização, recebi cartazes do festival, assinados por Alexandre Wollner e Geraldo Barros. Mal tinha ideia de que eles representavam o modernismo no design brasileiro. Os cartazes foram exibidos na Escola de Belas Artes de minha cidade. A escola quis ficar com eles, finquei pé, eram meus, um orgulho.

Quando fui embora da cidade, dobrei e guardei, não sei onde guardei. Onde estarão? Levei um tempão para voltar à cidade, só queria voltar vitorioso, seja lá o que isso significasse. É que tinha uma frase de Hemingway na cabeça: "A pior coisa para um homem é voltar derrotado para sua própria cidade". Anos mais tarde, ao assistir no Teatro Maria Della Costa a peça Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams, fiquei fascinado com o personagem principal, vivido por Mauro Mendonça, então jovem, magro e bonitão e casado com a lindíssima e sensual Rosamaria Murtinho, para inveja de todos. O sonho do personagem era voltar à cidade natal em um Cadillac e com uma estrela de Hollywood ao lado. Quis a mesma coisa e como estrela hesitei entre Eliane Lage, Tônia Carrero e Gilda Nery, todas do cinema, às quais eu misturava Nélia Paula, Margot Morel, Joana D"Arc, Rose Rondelli e Elvira Pagã, do teatro rebolado. Sonhos se adaptam às realidades locais.

Em setembro de 1954 vim a São Paulo para os Jogos Intercolegiais. Todas as grandes cidades do interior mandaram estudantes. Ficamos hospedados no Pacaembu, que ainda tinha concha acústica. No dia 7, houve um desfile de gala no estádio, fiquei na arquibancada ao lado de uma turma de Rio Claro. Uma das moças comia um sanduíche de alface e tomate, achei deslumbrante. Nunca tinha visto isso, nem podia saber que estava diante da comida natural que seria moda décadas depois. Sanduíche era pão com queijo, com presunto, mortadela ou salsicha.

Tal qual torcedor do time

Palmeiras exigem paciência

Para trabalhar com a produção de mudas é preciso gostar da atividade.
É um trabalho minucioso e, muitas vezes, a paciência é o principal ingrediente para o sucesso.

O produtor Jenz Prochnow que tem investido na produção de mudas de palmeiras, conta que algumas sementes levam até 4 anos para germinar. "Decidi investir na produção de mudas de palmeiras"
A história de Jenz começou porque um dia ele percebeu algumas sementes de cumbaru germinando embaixo de uma das mangueiras de sua propriedade.

Curioso buscou informações com a equipe de especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e descobriu que eram os morcegos que traziam as sementes. "Eu costumo dizer que foram os morcegos que trouxeram esta atividade para a minha vida", brinca.
A produção de mudas de palmeiras é feita quase que exclusivamente por sementes e a germinação da maioria das espécies é considerada baixa, lenta, desuniforme e influenciada por vários fatores, relacionados ao ambiente ou à própria planta.

Para poucas espécies de palmeiras, foram feitos estudos com o objetivo de definir os tratos culturais a serem utilizados no seu cultivo, assim como as técnicas mais adequadas à multiplicação, principalmente das espécies de interesse apenas ornamental. O desenvolvimento das estruturas básicas do processo germinativo é bastante peculiar na família Arecaceae, podendo diferir entre espécies.

Desta forma, o conhecimento dos estádios morfológicos durante a germinação das sementes de cada espécie de palmeira é imprescindível par a auxiliar na análise do ciclo vegetativo podendo fornecer subsídios à interpretação de testes de germinação e, também, auxiliar os estudos de taxonomia e ecologia.

As temperaturas favoráveis para a germinação de sementes de palmeiras variam, normalmente, na faixa entre 20ºC e 40ºC, porém, ainda são poucos os estudos sobre as temperaturas cardeais, para as diferentes espécies. Do mesmo modo, pouco se sabe sobre a influência da luz na germinação destas sementes. 

Ainda sobre o ano de 2011

Neste ano de 2011 vamos experimentar quatro datas incomum:
1/1/11,
1/11/11,
11/1/11,
11/11/11; 

Apenas para registro e curiosidade, além dos 5 domingos, 5 sábados e 5 segundas-feiras que teremos no mês de Outubro. 

Grupo do Silvio Santos

Rombo do banco PanAmericano deve ir a R$ 4 bilhões
Folha de São Paulo

O rombo do banco PanAmericano é de aproximadamente R$ 4 bilhões, R$ 1,5 bilhão superior aos R$ 2,5 bilhões estimados pelo Banco Central e pelo Fundo Garantidor de Créditos em novembro do ano passado, segundo a Folha apurou com técnicos que finalizam o balanço.

O balanço de 2010 será entregue na próxima segunda-feira na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O novo valor é resultado de fraudes contábeis feitas pela antiga diretoria. Os executivos vendiam carteiras de crédito para outros bancos, mas mantinham os valores na contabilidade para disfarçar os resultados negativos.

Auditores, economistas e advogados estão chocados com a bagunça que imperava na administração do banco.

Os rumores sobre o aumento do rombo derrubaram ontem em 9,27% a cotação das ações preferenciais do banco de Silvio Santos. De 31 de dezembro até ontem, haviam subido 19,75%.

Em 15 de novembro do ano passado, a Folha revelou que o buraco do PanAmericano poderia ser maior do que os R$ 2,5 bilhões.

Nota do Blog: Fica a pergunta de leigo,  mas,  como um grupo que está sob investigação, tem um rombo anunciado de R$ 4 bilhões, que certamente deve estar prejudicando muita gente, continua patrocinando clube de futebol profissional.Senão tem dinheiro para repor seu passivo, não deve ter dinheiro para patrocinar quem quer que seja ... Ou estou errado?

Se cuida Corinthians !!!

         Do Blog de Juca Kfouri - Charge felldesign.wordpress.com

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Triste pódio

Do Blog Sanatório de Noticias

País que terceiriza até concurso público, tem governo com cartão corporativo e organizações não-governamentais que vivem às custas do governo é imbatível como potência mundial no ranking da corrupção e como campeão da desigualdade social.

Santarém e as chuvas

As chuvas chegaram mais intensas em Santarém.
Isso não deveria ser novidade. Mas, infelizmente, parece que é.
Afinal nossas ruas são as melhores demonstrações que efetivamente elas chegaram.
E dessa forma, os buracos reaparecem. Alguns novos, porém a grande maioria é veterana de outras chuvas.
Algumas ruas já se têm a certeza onde irão aparecer.
Obviamente se surpreende quando se sente a pancada do carro em um novato.
Os donos de oficinas agradecem. As empresas de amortecedores e molas também.
Nunca faturaram tanto.
Para completar o quadro, aguarda-se apenas o anúncio oficial tradicional que as chuvas foram por demais intensas e por isso o surgimento de tantos buracos.
Resta-nos aplaudir e ir à oficina e consertar, além é claro de pagar o prejuízo.

Ainda sobre São Paulo

Através do Caderno Especial sobre os 457 anos de São Paulo da edição do dia 25 de Janeiro do O Estado de São Paulo, pode-se obter números impressionantes a respeito da cidade de São Paulo e que também aparecem no Blog da Garoa.
Senão vejamos:

- 11.244.365  habitantes
- 12.500 restaurantes
- 15 mil bares
- 1 milhão de pizzas por dia (impressionante!!!)
- 17 mil sushis por hora
- 1.950 agências bancárias
- 148 universidades
- 3 milhões de passageiros/dia no Metrô
- 169 mil telefones públicos (orelhões)
- 4.500 praças públicas
- 5.954 cruzamentos com semáforos
- R$ 320 bilhões é o PIB (15% do Produto Interno Bruto da América do Sul)
- R$ 5,3 bilhões é volume médio da Bolsa de Valores/dia
- 3º maior orçamento do país (perde só para União e Estado de SP)
- 300 mil motoboys
- 6,5 milhões de carros
- 15 mil ônibus
- 32.766 táxis
- 600 mil empresas
- 51 shoppings centers
- 410 hotéis, com 42 mil quartos
- 205 hospitais
- 3.885 escolas privadas
- 3.153 escolas públicas
- 110 museus
- 160 teatros-
 600 prédios novos por ano
- 4 mil imóveis vendidos por hora na cidade

Uma tesoura para Dilma

Opinião do Estadão

A presidente Dilma Rousseff vai precisar de uma enorme tesoura fiscal, bem maior do que se imaginava até há poucos dias, se quiser obter o resultado primário programado para o ano: um superávit equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Vai necessitar também de muita articulação e de muita firmeza política, porque haverá uma forte resistência a qualquer esforço de arrumação das contas públicas. As primeiras projeções, divulgadas logo depois da posse, indicavam um corte necessário na faixa de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões. Mas será preciso economizar muito mais - entre R$ 50 bilhões e R$ 64 bilhões segundo novas estimativas citadas em reportagem no Estado. O superávit primário é a economia destinada ao pagamento da dívida pública. Em geral, essa poupança tem coberto só uma parte dos juros.

Já na campanha eleitoral, os principais assessores econômicos da candidata Dilma Rousseff admitiram ser necessário um acerto nas contas públicas. Antes da posse, o ministro Guido Mantega chegou a falar sobre cortes, ou atrasos, até no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi logo desautorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o ajuste foi mantido na agenda pela equipe do novo governo e a preocupação com o problema nunca foi desmentida. Fontes ligadas à presidente apenas cuidaram de negar, sempre, a necessidade de uma grande arrumação. Se adotassem linguagem mais franca, endossariam as críticas à farra fiscal dos últimos anos.

Mas, essa farra, liderada pelo Executivo e engrossada alegremente pelos outros dois Poderes, é exatamente a fonte do problema enfrentado hoje pelo governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve conhecer bem a dimensão do ajuste necessário. Afinal, ocupou o mesmo posto no governo anterior.

A presidente Dilma Rousseff prometeu entregar um superávit primário "cheio e limpo", isto é, sem desconto de investimentos e sem mágicas contábeis. Seu ministro da Fazenda conhece bem esses assuntos. No ano passado, só foi obtido de fato um superávit primário equivalente a 1,5% do PIB, segundo cálculo da Consultoria Tendências.

O desconto de gastos com o PAC é apenas uma parte da maquiagem. Em relação aos investimentos, esse nem é o detalhe mais grave. Todo ano o governo investe muito menos que o orçado, não por economia, mas por incapacidade gerencial.

Distorções muito piores apareceram nos últimos dois ou três anos. Primeiro, o Executivo decidiu aumentar a participação do Tesouro nos desembolsos de bancos estatais. Agravou a promiscuidade entre as instituições de governo e favoreceu grupos escolhidos de forma obscura.

Essas operações foram mantidas no ano passado e, além disso, o Tesouro contribuiu com grande volume de recursos para a capitalização da Petrobrás. Mas, por meio de um truque contábil, parte dessa operação foi registrada como receita do Tesouro. Essa contabilidade criativa também foi usada em outras operações. Os números oficiais foram maquiados, mas a imprensa divulgou a maroteira. De toda forma, os problemas acabariam aparecendo, apesar dos disfarces, como ocorreu, por exemplo, na Grécia. Até agora a presidente Dilma Rousseff se mostra disposta a evitar esse caminho.

Analistas independentes acreditam que, provavelmente, o governo deverá contentar-se com um corte parcial, talvez próximo de R$ 40 bilhões. Já será, argumentam, um avanço, depois dos desmandos praticados nos últimos dois anos. A estimativa dos cortes ainda vai depender da solução de alguns embates políticos. Partidos aliados pressionam, com apoio das centrais sindicais, por um salário mínimo superior aos R$ 545 propostos pelo governo e por uma correção das faixas do Imposto de Renda. Além disso, o governo terá de enfrentar os parlamentares - a começar pelos de sua base - para podar os R$ 25,5 bilhões acrescentados pelos congressistas à previsão da receita. Meter a tesoura nas emendas de parlamentares será muito bom para o País, mas também deverá provocar confrontos muito duros. Mas a presidente não tem muita escolha: quanto mais séria sua atuação neste momento, maiores as possibilidades de realizar um governo produtivo.

Remissão

Luis Fernando Verissimo para O Estado de S.Paulo

Uma única catedral gótica ou uma única cantata de Bach redimem a religião de todos os seus males. Ou não. Você pode atribuir a beleza da igreja e da música à devoção religiosa e perdoar as barbaridades que a mesma devoção inspirou através da história, ou concluir que uma coisa não determinou a outra - Bach seria Bach mesmo sem a devoção - e apenas se admirar que tenham sido simultâneas. Escolha: a arte religiosa se nutriu da violenta história do cristianismo ou floresceu apesar dos seus conflitos, para compensar a violência? Pode-se até imaginar uma tabela de remissões. Quantos anos de obscurantismo e fanatismo da Igreja são absolvidos pela Pietá do Michelangelo, por exemplo? Só o Réquiem do Mozart basta para desculpar a Inquisição?

Tudo depende do olhar. 

Há quem olhe as pirâmides do Egito e veja um fenômeno arquitetônico e um triunfo do empreendimento humano. Outros só veem o sofrimento dos escravos pela maior glória de senhores insensíveis. Há quem olhe a fachada de uma catedral antiga e sinta seu espírito se enlevar, há quem veja na sua imponência apenas uma declaração de poder. No seu livro Cultura e Imperialismo, o crítico Edward Said escreveu sobre a relação, às vezes inconsciente, do romance europeu com o colonialismo a partir do século 19. Seu exemplo mais comentado é um estudo sobre Mansfield Park, de Jane Austen, em que ele ressalta a importância para a vida na mansão descrita pela autora, que dá título ao livro, de uma plantação no Caribe. Em nenhum momento do livro de Austen é sugerido que a família seja cúmplice do imperialismo, e muito menos que seu estilo de vida dependa de escravos, mas a tese de Said é que em boa parte da literatura feita na Europa na época - inclusive singelas histórias de donzelas pastorais vivendo o drama de arranjar marido - esta interdependência está implícita. Depende do olhar de quem a lê.

Como no caso de catedrais e cantatas, a literatura produzida na Inglaterra e na França principalmente (e Portugal e Espanha, já que estamos falando de colonizadores) redime ou não redime o crime, neste caso da conquista imperial. Vendo uma mansão inglesa em meio a um idílico parque de grama perfeita, você pensa em Jane Austen ou pensa nos escravos?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Alimentos no mundo de hoje

O que o alimento representa para o mundo de hoje
Alysson Paulinelli para O Estado de S.Paulo

Tenho sempre falado que quem conviveu no Brasil nas décadas de 60 e 70 com os problemas de alimentação tem muito mais experiências nesse campo que os que vivem nos dias de hoje. Até quase o final do século passado, os países tropicais, como o Brasil, pagaram muito caro o seu despreparo de conhecimentos de tecnologias que permitissem o uso dos seus recursos naturais e deles conseguir retirar, competitivamente, os produtos e alimentos para a sua própria manutenção.

Ou eram receptores de "sobras" internacionais ou pagavam um preço muito caro por aquilo que não sabiam fazer (produzir bem e barato). Creio que o Brasil experimentou essas duas condições.

Atribuo isso à evolução que houve no ensino das ciências agrárias no Brasil, no início dos anos 60, colocando próximo ao modelo dos land grant colleges dos americanos, que permitiu que os nossos profissionais passassem a ser muito mais realistas e preparados para enfrentar o novo desafio que surgira.

A crise da ineficiência industrial, com a urbanização repentina do País, o desabastecimento, provocado pela incapacidade de produzir o alimento para o próprio consumo nos centros urbanos, e a primeira grande crise do petróleo, que elevava o preço de um barril de US$ 3 para US$ 11, num país que dependia de 80% de petróleo importado em seu consumo, levaram-nos toda a liquidez da nossa conta café para o buraco e à expectativa de que passaríamos a viver num país derrotado e falido.

Foi aí que valeu o melhor preparo e a evolução das ciências agrárias do País. Permitiram aos governos que acreditassem e investissem em projetos de busca de novos conhecimentos, em criação de novas estruturas de pesquisas, mais ágeis, com autonomia técnica, científica, administrativa e financeira, dando condições de trabalho e produção aos seus pesquisadores.

Não somente o governo federal criou a Embrapa, mas também 17 Estados ou criaram ou fizeram evoluir as suas já tradicionais instituições de pesquisas, num esforço sem precedente, cujos resultados não demoraram a aparecer. Pode-se dizer que, em menos de 30 anos aqui, se desenvolveu a primeira e mais competitiva agricultura tropical do globo.

Carta de uma voluntária

Chuvas no Rio
Adriana Erthal Abdenur (*)

Envio o relato que escrevi como voluntária nos esforços de socorro às vítimas nas áreas mais afetadas de Teresópolis, dias após as chuvas que assolaram a região.

17 de janeiro de 2011

Nunca vi nada igual. Posse, Caleme e Campo Grande praticamente soterradas. Um rio caudaloso onde não havia rio, um campo de pedras onde antes ficava uma fileira de casas, dois metros de lama por quilômetros e quilômetros vale abaixo.
Olhando pra cima, uma geografia violenta: a montanha sucumbiu à chuva e partiu-se em dois. O barranco estatelou-se no chão do vale, e a encosta de cá agora é côncava. Uma poeira fina e alaranjada recobre cada folha que restou.

Fincados no lodo: pedregulhos do tamanho de carros, carros virados de cabeça pra baixo, toras atravessando telhados. Muitas casas parecem intactas, só que a linha da água nas paredes está mais alta do que a das portas. Outras moradias ficaram escondidas sob camadas de lama tão pegajosa que, quando piso numa área molhada, é preciso duas pessoas para soltar a galocha.
No final do vale, o rio novo se despeja pela porta de um motel, atravessa o que ficou dos quartos e sai pelos fundos. Fora o borbulho da água, há apenas um silêncio medonho, entrecortado pelo barulho dos helicópteros que sobrevoam o vale (e não pousam).

O caminho, a pé, é difícil, e nós o percorremos debaixo de um sol a pino, mas não temos escolha. Postes e árvores foram arrancados do solo e carregados feito gravetos pela enxurrada. Presos entre as raízes, os detalhes mais difíceis: um pote de condicionador, fotos de uma moça sorridente e muito grávida, uma fantasia do Homem-Aranha. E, por todo o vale, aquele cheiro indescritível. Devíamos ter trazido máscaras, mas estão em falta aqui na serra.
O número de mortos é, sem dúvida, muito maior do que as estimativas atuais. As escavadeiras ainda nem chegaram aos lugares por onde andamos: sobre a pista de lodo e entulho que a avalanche deitou no vale, sobre casas e ruas soterradas. Pompéias.

A safadeza oficializada das aposentadorias (2)

Duas tetranetas de Tiradentes também vão pedir pensão
Folha de São Paulo

Mais de 200 anos após a morte de Tiradentes, duas tetranetas do mártir da Inconfidência pretendem reivindicar uma pensão especial do governo que uma irmã delas já recebe. Nascidas no Rio, as irmãs moram em Brasília.

Carolina Menezes Ferreira, 67, disse à Folha que o direito à pensão existe porque a ascendência está provada por documentos. Ela afirma que o processo só não começou ainda por falta de tempo. "A gente sabe que, se entrar, é tranquilo que ganha", diz.
Carolina fará o pedido com a irmã Belita Menezes Benther, 71, que ganha pensão do governo do Distrito Federal pela morte do marido.

As duas querem o mesmo benefício que a caçula Lúcia de Oliveira Menezes, 65, recebe graças a uma lei proposta no governo do presidente Itamar Franco (1992-1994) e sancionada em 1996, já no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
A lei é específica para Lúcia e garante a ela "pensão especial mensal, individual, no valor de R$ 200, reajustável". O valor equivalia a dois salários mínimos na época.

PENSÃO
Lúcia afirma, porém, que só começou a receber a pensão em 2008, após vencer uma batalha judicial no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).
O órgão argumentava que ela já recebia uma pensão pela morte do pai. Lúcia reclama também que o valor do benefício nunca foi reajustado e que hoje recebe R$ 215. "É um absurdo, eu ainda estou brigando", conta.

Corrigidos pela inflação, os R$ 200 estabelecidos na lei de 1996 equivaleriam atualmente a R$ 727.
Ela diz que um processo para aumentar o que chama de "pensãozinha" corre na Justiça Federal. "Foi bom você ligar, porque assim o Brasil fica sabendo que a gente tem que batalhar muito", afirmou ela.

O Ministério da Fazenda, que segundo a lei supervisiona o benefício de Lúcia, disse que não conseguiria confirmar ontem o valor recebido por Lúcia e desde quando ela recebe os recursos.

ASCENDÊNCIA
Lúcia diz que começou a reivindicar o pagamento dessa pensão em 1976.
Carolina, a irmã que ainda não recebe pensão, afirma que sempre ouviu do pai que eles descendiam do alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792). "Eu falava para os meus coleguinhas [de escola] e eles morriam de rir", conta. Casada, ela diz "nunca" ter trabalhado na vida.

Tiradentes foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, após ter assumido toda a responsabilidade pelo movimento inconfidente --que lutava contra o domínio português. Após o enforcamento, o corpo foi esquartejado. Os demais envolvidos no movimento foram degredados.

Palmeiras contrata um cachorro!!!

A revelação de que o Palmeiras contratou um cachorro por R$ 3 mil para tomar conta dos troféus do clube já provoca ciúme em funcionários que ganham menos no clube.

A informação é do jornal Folha de São Paulo. .

Além de se tornar o principal assunto da última reunião do Conselho de Orientação Fiscal palmeirense, conselheiros querem saber como os gastos com o cão atingem tal valor. Os troféus foram levados para a Vila Madalena por causa das obras.

Nota do Blog: Um amigo me escreveu perguntando por que não postava mais nenhum comentário sobre o Palmeiras. Perguntou se eu havia deixado de ser palmeirense. Isso jamais. Porém quanto a escrever algo sobre o Palmeiras está cada vez mais complicado.
O time e conseqüentemente o clube encontra-se numa descendente sem precedentes. É inimaginável aonde o Palmeiras irá parar. Seu elenco, que já teve os três treinadores mais badalados, é fraquíssimo e sem qualidade técnica. Seus jogadores são fracos o que prenuncia um ano tão ou pior que os dois últimos anos. Sues jogos são enfadonhos de assistir porque não se trata de um time e sim de um bando. Chutões e mais chutões onde os jogadores do meio de campo apenas assistem as bolas passarem por cima de suas cabeças. Não há uma sintonia defesa-meio-ataque. Pior que time de várzea. Além disso, sua diretoria tem uma divida impagável de R$ 150 milhões de reais, salários atrasados, inclusive de funcionários, e sem alternativas de mudanças radicais.
Hoje temos essa noticia de causar risos principalmente aos adversários. Não contrata jogador, mas contrata um cachorro para tomar conta dos troféus.
Creio que sobra apenas isso. Cuidar do passado e dos troféus conquistados porque vai ser muito difícil conquistar um novo.
Com todo respeito aos amigos torcedores da Portuguesa e do América do Rio, mas o Palmeiras segue a passos acelerados para ser um time igual aos dois. Apenas coadjuvante de campeonato. Não fede e nem cheira.
Mas, o amor ao Palmeiras se leva para o túmulo, independente da divisão que estiver participando.

O que deu errado até agora no BBB11?

Essa pergunta está estampada na página do UOL na coluna de Mauricio Stycer que é crítico da UOL nessa área de televisão.

Sinceramente torço para que o principal motivo dessa queda seja de que o público televisivo se conscientizou que tal programa é uma das maiores, senão a maior, boçalidades mostradas pela televisão desde sua inauguração em 1950, e em razão disso, optaram por mudarem de canal (apesar da falta de opções) ou simplesmente desligadas seus aparelhos e dado atenção a outra coisa mais importante.

Trata-se de uma das coisas mais absurdas ficarem observando elementos de uma capacidade intelectual prá lá de medíocre, tagarelar o dia inteiro sobre todo tipo de futilidade e imbecilidade sem qualquer conteúdo que se aproveite.

Nem precisa acompanhar para se ter idéia. Basta ler qualquer jornal ou site de noticias para ver estampado as "principais" notas sobre esse tal programa onde apenas menciona que "fulano não beijou fulana" ou "não foi para o edredom com a outra", e daí por diante num festival de besteirol, incitados pelo apresentador.

Medíocridade ao extremo.

Vamos torcer para que a baixa audiência canalize para o fim dessa bobagem totalmente descartável.

Omissão

Para não ver a desgraça a avestruz enterra a cabeça na areia
Padre Edilberto Sena (*)

Como gerar renda com as riquezas que a natureza Amazônica oferece sem destruí-la? Eis a questão! E como tratar as riquezas em benefício dos 25 milhões de habitantes da Amazônia? Eis uma questão mais importante. O governo brasileiro está empolgado com o crescimento econômico e já trabalha com o objetivo de o Brasil chegar a ser o 5º país mais rico do planeta. E para chegar a tal objetivo ufanista o governo federal decidiu também acelerar arrendamento de florestas a quem tiver bastante dinheiro para pagar e depois explorar tudo o que houve para vender no mercado: madeiras, resinas, óleos, frutas e até minérios.

Nestes dias o governo federal oferece para arrendamento 8 mil km² de florestas na Amazônia, em Crepori e Amana na região do Tapajós, Floresta nacional de Altamira, Saraca-taquera em Oriximiná. Estes são os lotes ofertados nestes dias aqui na região.

Mas, a farra de arrendamento de florestas está a todo vapor. São 210 mil km² à disposição dos exploradores de riquezas da Amazônia. Tudo legalizado, negociado com órgãos de gestão de florestas, como eles se autodenominam. A explicação dos funcionários do órgão federal é que, com o arrendamento de florestas se acaba a exploração ilegal de madeiras na região e se disciplina a arrecadação dos valores retirados da floresta para os cofres da nação. Tudo conforme a lei recém criada. Existe agora o supermercado de arrendamento de florestas na Amazônia. Os donos do poder de plantão é que organizam a farra. Daqui a 30 anos, ainda antes de terminar o prazo do primeiro contrato, se a coisa não der certo, os gerentes da nação que estiverem vivos que mudem as leis.

Afinal, quem arrendar florestas saberá que o que irá extrair e vender por 40 anos, sabe previamente a capacidade produtiva do lote que arrematar e que lhe dará um lucro compensador. Quem mesmo irá fiscalizar suas ações? o IBAMA? Instituto Chico Mendes? quem mesmo s estes órgãos não garantem fiscalizar hoje um décimo das questões ambientais da Amazônia?

E os povos da região continuarão a ficar com algumas migalhas de bolsa família, estradas com asfaltamento inacabado, um serviço de SUS que não atende dignamente os necessitados. Enquanto os funcionários da gestão de florestas iludem a população com falsas vantagens do arrendamento de florestas, vai enterrando a cabeça na areia, entregando a exploração das florestas aos gananciosos capitalistas. E assim dizem que não mais haverá madeira ilegal. É possível, já que legalizam a exploração.

Eis o absurdo da colonização dos povos e das riquezas deste eldorado que vai pouco a pouco sendo privatizado. Quem virá defender esta sofrida região? 17% da floresta já foi destruída. Daqui a 10 anos quanto mais estará posta ao chão e acompanhada pelos órgãos oficiais.

(*) Sacerdote e Diretor da Rádio Rural de Santarém (PA)

Frase (1)

Recebemos da leitora Francisca de Nova Iguaçu o seguinte comentário a respeito da postagem Frase de hoje. Agradecemos a Francisca a audiência. Muito obrigado.

Francisca - Nova Iguaçu - RJ disse...
Doce ilusão. Esses cidadãos ditos governantes talvez entendam o que significa esse tipo de tragédia quando tiverem seus lares destruidos, todo seu patrimonio levado pela lama, ou pior ter um filho, uma mãe sendo arrastado pelas chuvas, talvez avaliem o que realmente se passa pela cabeça de cada um que sofreu algum tipo desses desastres. Esses parasitas estão mais preocupados com seus próprios umbigos . Tragédias o melhor a fazer é culpar São Pedro.

Lenço justo, saia justíssima

Eliane Cantanhêde (*)

Ao desembarcar em Buenos Aires no dia 31 para sua primeira visita internacional depois de eleita, Dilma Rousseff vai enfrentar a maior saia justa - ou melhor, o maior lenço justo.

A Argentina revogou a anistia para permitir que os torturadores da ditadura fossem julgados e punidos. Aqui, diferentemente, o Supremo acaba de ratificar, digamos assim, a Lei da Anistia de 1979.

E se Dilma for chamada a meter na cabeça um daqueles lenços das Mães da Praça de Maio, que desde os anos 1970 cobram justiça e informações sobre o paradeiros de seus filhos e netos? Que interpretação isso terá em Brasília e arredores?

Como mulher, democrata e ex-guerrilheira torturada na juventude, Dilma não pode recusar o lenço, denso de simbologia. Mas, no Brasil, não há consenso para a revisão da Lei da Anistia e a questão não está em pauta neste início de governo, quando Dilma tem outras prioridades. Inclusive não criar turbulências políticas.

O mais provável é um acordão bem costurado entre o Planalto, a Casa Rosada e as duas chancelarias para que Dilma passe ao largo do lenço e do constrangimento. Combinar com "as adversárias" vai ser fácil, porque as Mães da Praça de Maio, líderes da justiça e da luta pelos direitos humanos, foram cooptadas pelo casal Kirchner. Se antes se reuniam na praça, agora tomam chá dentro da Casa Rosada e fazem oposição à oposição.

Mais ou menos como ocorreu no Brasil, onde MST, CUT, UNE e os chamados "movimentos sociais" se recolheram no governo Lula, negligenciando como força de pressão e de cobrança para dizer "amém".

Ao meter o boné do MST na cabeça, Lula provocou uma discussão infindável - e estéril - no seu primeiro ano de governo. Ao pisar na Argentina, Dilma terá de saber se quer ou não usar o lenço branco e que tipo de consequência pretende provocar internamente.

É bem mais do que só saia justa.

(*)Jornalista e Colunista da Folha de São Paulo desde 1997.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Alguém discorda?

O amor não é aquilo que te pega de surpresa e te deixa totalmente sem ar. O nome disso é asma.

O amor não faz brotar uma nova pessoa dentro de você. O nome disso é gravidez.

O amor não torna as pessoas mais bonitas. O nome disso é álcool.

Se você não quer ouvir reclamações, trabalhe no SAC de alguma empresa fabricante de paraquedas.

Todo mundo comete erros. O truque é cometê-los quando ninguém está olhando.

Leio a Playboy pela mesma razão que leio a National Geographic: Gosto de ver fotografias de lugares que sei que nunca irei visitar.

As melhores crianças do mundo são as japonesas. Estão a 20 mil quilômetros de distância e quando estão acordadas eu estou dormindo.

Se acupuntura adiantasse, porco-espinho viveria para sempre.

Quando a gente envelhece, a barriga cresce, a pelanca desce, o pau amolece, a mulher se oferece, a gente agradece. Ah se eu pudesse!

Calorias são pequenos vermes inescrupulosos que vivem nos guarda-roupas, e que a noite ficam costurando e apertando as roupas das pessoas.

Quando sua mulher fica grávida, todos alisam a barriga dela e dizem "parabéns". Mas ninguém apalpa seu saco e diz "bom trabalho"

Urologista é o cara que olha o seu pinto com desprezo, pega-o com nojo e cobra como se o tivesse chupado, isso depois de ter enfiado o dedo no seu rabo.

Cerveja sem álcool é igual travesti: a aparência é igual, mas o conteúdo é bem diferente!

Se vegetarianos amam tanto assim os animais, por que eles comem toda comida dos pobrezinhos?

Frase

"O governo tem de entender que desastres naturais também são fundamentais. Podem minar uma economia inteira. Desastres podem causar instabilidade social e econômica. Para muitos governos, o tsunami foi o que abriu os olhos para o fato de que não estavam preparados. Espero que, politicamente, esse seja o tsunami brasileiro. Após tsunami, Indonésia fez grandes progressos institucionais, além da Tailândia e Índia".

Margareta Walstrom número 1 da ONU para a preparação contra desastres naturais,  em entrevista para Jamil Chade do jornal O Estado de S.Paulo

Um Fla-Flu agropecuário

Rui Daher (*)

"2011, O Ano do Brasil" estampa a capa da edição de janeiro da revista "Globo Rural". Trecho da matéria: "Preços em alta, consumo aquecido e custo de produção menor devem favorecer expansão do setor". Em sua "Carta", o editor manda logo um céu de brigadeiro.

Por seu lado, o jornal "Valor", citando estudo do Rabobank Brasil e usando o mesmo termo do editor da revista, confirma excelente cenário para o campo.
Poder-se-ia ir longe exemplificando encômios midiáticos à excelência do atual estágio da atividade e, confesso, a frase sai rebuscada para se adaptar a conjuntura tão fina.

Se visto de uma forma geral, com pequenas diferenças de intensidades e algumas situações pontuais negativas, próprias do setor, esse é um cenário que se repete há algumas safras.
Desde 2003, o PIB do agronegócio vem crescendo perto de 5,5% ao ano; as exportações - que acabam de bater um novo recorde - a 12%; e o saldo da balança comercial chegou, em 2010, aos expressivos 63 bilhões de dólares.

São dados e notícias que satisfazem os acríticos adoradores do "Brasil Potência Agrícola Mundial", mas que não fazem calar duas perguntas:

1) Por que cargas d'água (estarei sendo politicamente incorreto ao usar o termo num janeiro de clima tão inclemente?), em seu discurso de posse, a presidente Dilma anunciou como prioridade acabar com a miséria no País?
2) O que faz haver tanta gente digladiando sobre a necessidade ou não de se fazer uma reforma agrária?

Primeiro, sabemos todos, apesar dos avanços dos últimos anos estamos longe de ter erradicado a miséria de enormes parcelas da população brasileira. Ainda mais se considerarmos que deixar a miséria é passar a viver do trabalho que se reproduz além dos padrões de renda estabelecidos em nossas estatísticas.
Sair da miséria compreende educar, qualificar para o trabalho e impedir que pessoas morram em portas e corredores de hospitais ou habitem as margens de esgotos a céu aberto.

Quanto à reforma agrária, expressão malandramente estigmatizada por quem teme perder privilégios em transformações sociais, ela é um dever constitucional. Quem não a quiser terá que rasgar a Carta, fato inconcebível no Brasil de hoje.
Falar que de nada adianta ceder áreas e não dar apoio para plantar é martelar num escapismo em que ninguém mais acredita, pois é óbvio serem necessários aparelhos de apoio governamental e de cadeias produtivas ligadas à iniciativa privada. Tudo, porém, só se viabiliza a partir da posse da terra.

Daí que assentamentos do INCRA, sistemas como PRONAF (Agricultura Familiar), PRONERA (Educação na Reforma Agrária) e Territórios da Cidadania, entre outros ligados ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), devem ser cada vez mais estimulados.
Segundo o INCRA, existem hoje no Brasil 8.763 assentamentos, 70% deles nas regiões Norte e Nordeste. Neles, vivem 924 mil famílias que retiram mais de 50% de sua renda da produção agropecuária.

Ocupam 76 milhões de hectares de terra, o que faz pensar que em 60% de área equivalente o Brasil produz 150 milhões de toneladas de grãos. "Apenas" que em condições geográficas, climáticas e tecnológicas completamente diferentes.
Recentemente, um executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em entrevista à revista "Globo Rural", declarou não ver razão para a existência de dois ministérios para a agropecuária, o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o MDA.

Concordo. Poderíamos ter apenas o MDA.

Crédito: o título da coluna foi inspirado no excelente livro de Mauro Rosso, "Lima Barreto versus Coelho Neto: Um Fla-Flu Literário", (Difel, RJ - 2010).

(*) Administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola