quinta-feira, 17 de julho de 2014

Os médicos recomendam: leia para seu filho todos os dias

Danilo Venticinque (*) 

Em meio ao desespero pelo colapso do futebol brasileiro e a euforia das últimas rodadas da Copa do Mundo, uma ótima notícia passou quase despercebida. Vale a pena retomá-la, agora que nos recuperamos da insanidade temporária. Graças a uma recomendação da Academia Americana de Pediatria (AAP), pediatras americanos passaram a orientar famílias sobre a importância da leitura. A indicação médica é que os pais leiam para seus filhos todos os dias. Vale principalmente para crianças pequenas, com menos de três anos. 
A decisão foi tomada com base num estudo que afirma que a exposição à leitura desde cedo ajuda no desenvolvimento cerebral e melhora o desempenho escolar no futuro, além de estreitar os laços familiares. Numa reportagem da Folha de S.Paulo, pediatras brasileiros afirmam que também vão aderir à recomendação. Se isso se confirmar, a experiência pode ser transformadora para a leitura no país. 
Não só por formar leitores desde a infância, mas também (e talvez principalmente) por incentivar os pais a retomar o contato com os livros. 

Ao mirar na educação das crianças, sem dúvida uma boa causa por si só, os pediatras podem ajudar a resolver um problema crônico dos adultos. 
Segundo a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, de 2012, mais da metade da população brasileira é de não-leitores: pessoas que não leram nenhum livro nos últimos três meses. Apenas 16% desses não-leitores são estudantes. 
O verdadeiro desastre está entre as pessoas que já pararam de estudar: 84% dos não-leitores estão nessa categoria. A média de livros lidos também diminui a medida que a idade adulta chega. Crianças de 5 a 10 anos leem 5,4 livros livros por ano. 
Dos 11 aos 13, a média aumenta ainda mais e chega aos 6,9. O número desaba a partir dos 18 anos, com o fim do Ensino Médio, e continua a cair com a idade. 
Na faixa dos 40 aos 49 anos, por exemplo, a média é de dois livros lidos por ano – menos de um terço da média entre os pré-adolescentes. 

Os números indicam que as escolas até conseguem criar algum interesse pela leitura entre as crianças. Quando surgem novas responsabilidades, como trabalhar e criar os filhos, os livros são deixados de lado. 

Ao transformar a leitura diária com os filhos em prescrição médica, os pediatras darão aos pais um novo incentivo para redescobrir o prazer da leitura. 
Como se não bastassem todos os benefícios ao desenvolvimento intelectual dos bebês, a recomendação pode criar algo ainda mais duradouro: famílias que têm o hábito de ler. Uma criança que cresce entre livros e vê seus pais lendo tem tudo para se tornar um pai que também lê para seus filhos – com ou sem recomendação médica. 

(*) Editor da Revista Época

Teixeira, Marin, a CBF e a necessidade de modernizar o futebol

Franklin Martins (*) 

A terrível eliminação da Seleção na Copa do Mundo reforçou o que há muito se dizia: a organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas. Impera na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente. 
É preciso mudar. 

Por infindáveis 23 anos, a CBF esteve nas mãos de Ricardo Teixeira, ex-genro de João Havelange, que coordenou por 17 anos a Confederação e por outros 24 a FIFA. 
Depois disso, passou, em 2012, para o comando de José Maria Marin. 
Marin foi deputado estadual pela ARENA e em 1975 proferiu um discurso contra a TV Cultura, que por muitos é visto como um dos desencadeadores da morte de Vladimir Herzog, ex-diretor de telejornalismo da Cultura, encontrado morto 16 dias depois. 
Depois disso, Marin ainda foi governador biônico do estado de São Paulo, em 1982. 
Ah, e bem depois, quando era vice-presidente da CBF, furtou uma medalha na premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior. 

Não é de agora que o futebol brasileiro sofre com a desorganização da CBF. Ricardo Teixeira tinha o hábito de falar da Confederação ou da Seleção como “eu”: 
“Eu tenho 120 milhões em caixa”, ou “Eu tinha que ganhar aquela Copa”, ou “Eu não queria abrir a Copa da Alemanha”, como contou reportagem da Revista Piauí, em 2011. Além disso, defende que nem a população brasileira nem ninguém tem nada a ver com as contas da CBF. 

Teixeira pode até ter razão quando diz que a CBF é uma entidade privada, que não recebe dinheiro público e paga impostos – afinal, quando ele assumiu decidiu abrir mão do dinheiro do Estado. Mas não é bem assim. O estatuto da CBF designa a instituição como uma “associação de direito privado”, com “peculiar autonomia quanto à sua organização e funcionamento, não estando sujeita a ingerência ou interferência estatal”, ok. 
Acontece que a entidade é um tanto atípica. Como afirma o jurista Yves Gandra, “não se trata, a CBF, de entidade civil típica, subordinada que é, em parte, ao Ministério dos Esportes”. E ainda que fosse considerada a mais típica entidade privada, contratos suspeitos podem devem, sim, ser analisados por órgãos competentes. 

Na mesma entrevista, Ricardo Teixeira deu seu recado sobre a Copa: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. 
E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou”. No fim das contas, ele acabou saindo antes, em março de 2012. 

Havelange, a Ditadura e Saldanha 
Outra figura importante para entendermos a história da CBF é João Havelange, presidente da Confederação por quase duas décadas. Era 1970 e a histórica Seleção Brasileira, com Carlos Alberto Torres, Tostão e Pelé estava pronta para voar na Copa do Mundo. 
Mesmo assim, o treinador que montou e classificou a Seleção para o torneio, João Saldanha, foi demitido dias antes da estreia. O motivo, segundo ele, foi a pressão que sofria para convocar Dario Maravilha. Pressionado por Médici, João Havelange pedia insistentemente a convocação do jogador atleticano para Saldanha. 
Diz o folclore futebolístico que ele respondeu: “Ele [Médici] escala o ministério, eu convoco a Seleção”. Saldanha foi demitido. Pesava contra ele o fato de ser militante do Partido Comunista Brasileiro. 

CPI da CBF-Nike 
Em 2001 instalou-se a CPI da CBF-Nike, que investigou o contrato entre a Confederação e a Nike, que veio à público após a Copa do Mundo de 1998, quando suspeitou-se – sem que até hoje tenha havido comprovação ou desmentido – que o atacante Ronaldo teria entrado em campo, mesmo doente, para cumprir um contrato publicitário. 

A CPI investigava o contrato, firmado em 1996 e com vigência de 10 anos, por cláusulas “consideradas excessivas em termos de predominância dos interesses da Nike sobre os da CBF, resultando prejudiciais ao futebol brasileiro”. Entre elas, a obrigação de escalar “os oito principais jogadores sob um critério não definido, mas que pode ser o da Nike” e a cessão à Nike do direito de definir os adversários e os locais de 50 jogos amistosos durante dez anos (número reduzido após acordo entre as duas partes). 

Modernizar e organizar o futebol 
Em um quarto de século apenas duas figuras – nada amistosas – comandaram a Confederação que rege o futebol no país do futebol. 
Calendários estapafúrdios, más condições de trabalho aos atletas e uma série de outras demandas levaram os próprios jogadores a reagir e criar o Bom Senso FC. 

Queremos mudar mais. O plano de governo apresentado pelo PT no dia 5 afirma: 
“É urgente modernizar a organização e as relações do futebol, nosso mais popular esporte”. 

(*) É jornalista político. Foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Brasil durante o mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva até dezembro de 2010.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Chefes do PCC comandam tráfico da prisão, dos EUA e do Paraguai

ISTO É Independente 

Marco Willians Herbas Camacho, Marcola
Pela primeira vez, a Polícia Civil de São Paulo afirma que líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) organizam o tráfico e outras atividades criminosas no Estado diretamente do exterior. Segundo Wagner Giudice, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), dois deles são foragidos da operação que terminou com 40 presos no fim de semana. Mais: o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, Marcola, é chamado agora de Russo. 

A Polícia Civil tem informações de que Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, está em Orlando nos Estados Unidos. De acordo com Giudice, a suspeita é de que ele tenha viajado para aprender como cartéis de drogas do México se organizam. Oliveira faz parte da "cebola" da facção. O setor é responsável por arrecadar as mensalidades de R$ 600 pagas pelos integrantes do PCC. A polícia afirma que o dinheiro é usado para gerar fundos e custear a estrutura da organização criminosa. 

Já Fabiano Alves de Souza, o Paca, está no Paraguai. Dos quatro líderes da facção identificados pela polícia, é o único que está em liberdade. 

Segundo a Polícia Civil, o grupo é conhecido como sintonia final geral e tem Marcola, como líder. "Existe um conselho linear. O Marcola é mais intelectualmente preparado e tem uma liderança carismática", disse Giudice. Na operação que teve o apoio do Ministério Público, a polícia descobriu que Marcola, preso no presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau, usa um novo nome para se comunicar com outros integrantes: "Russo". A polícia achou 30 quilos de droga com o novo codinome do líder do PCC. 

De acordo com Ruy Ferraz Fontes, delegado titular da Divisão de Investigação de Crimes contra o Patrimônio do Deic, Marcola continua dando ordens de dentro do presídio. 
Dois outros integrantes, na mesma unidade prisional, repassavam as informações para criminosos que estão na rua. "(Eles) Repassam os dados para pessoas que ocupam determinadas funções em hierarquia piramidal na rua", disse Fontes. 
Entre os integrantes que recebiam os recados de Marcola estão Souza, foragido no Paraguai, e Amarildo Ribeiro da Silva, o Julio, preso no sábado. 

Financeiro 
Silva é apontado pelas investigações como o um dos líderes do setor financeiro do Primeiro Comando da Capital. Conforme a Polícia Civil, o criminoso gerenciava um faturamento mensal de cerca de R$ 7 milhões. Além disso, Silva também era o responsável por liberar altas quantias de dinheiro para compra de drogas. 
A Justiça bloqueou três contas utilizadas pelo acusado. 

Prisões 
O promotor público Lafaiete Ramos, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do ABC, que acompanhou todo o caso, diz que as prisões feitas na operação têm prazo de 30 dias. "Se a Polícia Civil relatar esses inquéritos nesse período, consigo prorrogar as prisões", afirmou o promotor. 

A Justiça deve receber pedido da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual para que Marcola e os demais líderes presos da facção voltem para o chamado Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), tratamento de isolamento que restringe o contato deles.

Show de cinismo

Ricardo Noblat (*) 

De agosto a outubro, período de campanha eleitoral, o Senado só terá duas sessões. 
Quer dizer: os senadores só serão obrigados a trabalhar durante dois dias. 
Receberão, no entanto, seus salários sem desconto. 

O que Renan Calheiros, presidente do Senado, alegou para que seja assim? Confira: 

- E temos uma outra preocupação: É que a necessidade de deliberar em pleno processo eleitoral pode nos levar para a zona cinzenta de votar matérias que não sejam do interesse nacional, ou que sejam entendidas por alguns setores como matérias demagógicas, que apenas dificultarão ainda mais a situação da economia. 

Quer dizer: dada à proximidade das eleições, os senadores são suficientemente irresponsáveis para votar matérias que contrariem o interesse nacional. 

Renan é ou não é um cínico? 

(*) Jornalista, é responsável pelo Blog do Noblat do jornal O Globo

terça-feira, 15 de julho de 2014

Parque aquático do Ceará é eleito o segundo melhor do mundo

Terra 

Beach Park - Fortaleza - CE
O complexo aquático Beach Park, no Ceará, foi eleito o segundo melhor do mundo, de acordo com o prêmio Travelers’ Choice™ 2014 Parques Aquáticos e de Diversões, organizado pelo site TripAdvisor. 
A atração brasileira ficou atrás apenas do Siam Park, na Espanha. 
No ranking de premiados, o Brasil teve cinco parques citados, além do Beach Park: Hot Park, em sétimo lugar; Thermas dos Laranjais, em 11º; Eco Parque Arraial d'Ajuda, em 12º; e Di Roma Acqua Park, em 14º. 

O País ainda ganhou destaque na premiação dos 25 melhores parques de diversões do mundo com o Beto Carrero World, em Santa Catarina, que ficou na sexta posição. 
O primeiro lugar foi para o Discovery Cove, em Orlando, nos Estados Unidos. 
No ranking da América do Sul, Beto Carrero World e Beach Park encabeçam a lista, na primeira e segunda colocações, respectivamente. 

Veja a lista dos 10 melhores parques aquáticos e de diversões do Brasil: 
1. Beto Carrero World, Penha (SC) 
2. Beach Park, Aquiraz (CE) 
3. Hot Park, Rio Quente (GO) 
4. Thermas dos Laranjais, Olímpia (SP) 
5. Eco Parque Arraial D´Ajuda, Arraial D’Ajuda (BA) 
6. DiRoma Acqua Park, Caldas Novas (GO) 
 7. Alpen Park, Canela (RS) 
8. Mirabilandia Parque de Diversões, Recife (PE) 
9. Marina Park, Capão da Canoa (RS) 
10. Lagoa Thermas Clube, Caldas Novas (GO)

Depois do futebol

Vladimir Safatle (*) 

Vou poupar os leitores do exercício ingrato de ler mais um comentário sobre a chamada “inexplicável” derrota brasileira de terça-feira. Cada um tem o “inexplicável” que lhe convém. Para alguns que seguem a impressionante financeirização selvagem e mafiosa do futebol brasileiro, não há nada de inexplicável a desvendar. 

No entanto, algo de curioso aconteceu após a referida derrota. 
Aparentemente, várias manifestações politicamente informadas começaram a colocar a conta dos problemas na famosa e insuperável “ausência de educação” da sociedade brasileira. Momento particularmente cômico foi ver o jogador Ronaldo fazer uma comparação entre o número exponencial de prêmios Nobel alemães e a nulidade de tais prêmios entre nós. 

“Educação” virou há muito uma daquelas causas que parecem tudo explicar. Normalmente, ela aparece na boca daqueles que, no fundo, nunca se preocupam de fato com ela. Gostaria, por exemplo, de perguntar ao senhor Ronaldo quanto ele gastou de sua fortuna na criação de fundações de pesquisa e de artes que poderiam ajudar o País a ter seus feitos científicos e literários reconhecidos. Na verdade, a indignação sobre a ausência de boa educação no Brasil é a maior de todas as falácias de nossa sociedade. 

Prova maior disso é a ausência, pura e simples, da educação nos temas de campanhas eleitorais deste ano. Tente se esforçar a fim de lembrar quais foram as propostas efetivas que você ouviu nesses últimos meses a respeito de reformas no sistema educacional brasileiro. 

O governo federal aprovou um Plano Nacional de Educação que, afora elevar o porcentual do PIB gasto com educação em 10% até 2024 e transformar 50% das escolas públicas em escolas de tempo integral, é composto, em larga medida, de declarações de intenções e metas quantitativas ligadas basicamente à extensão e matrículas. 

No entanto, uma meta de dez anos não engaja um governo que governará apenas quatro. Propostas sobre como dar efetivamente um salto de qualidade no sistema educacional público estão completamente ausentes, a não ser através da exigência de aumentar o número de mestres e doutores nas universidades. Um ponto importante, mas que não tem a força de preencher uma verdadeira política de construção da qualidade (que passaria, por exemplo, pelo comprometimento na construção de laboratórios, bibliotecas, financiamento de formação continuada de professores, assim como discussões curriculares e sobre práticas didáticas). 

Por outro lado, não há discussão alguma a respeito do modelo educacional que o Brasil precisa. Essa ausência de capacidade de formulação de política talvez seja quebrada, atualmente, apenas pela proposta de federalização do ensino público, apresentada pelo senador Cristovam Buarque. Uma proposta que mereceria ser discutida, já que toca problemas importantes a respeito da ausência de criação de uma verdadeira carreira do magistério capaz de atrair nossos melhores alunos, reformar a infraestrutura de nossas escolas (cuja grande maioria nem sequer tem bibliotecas), assim como da necessidade de um plano nacional que foque em um currículo mínimo nacional de aplicação obrigatória. 

No entanto, o que temos atualmente são universidades problemáticas, como a USP, que agora está em greve por descalabro administrativo, sem que tal situação seja sequer objeto de discussão pública. Quem de fato se preocupa com educação deveria se perguntar sobre o que se passa com o dinheiro de nossa universidade mais importante. 
Por outro lado, há dois anos, nossos professores de universidades federais haviam entrado em greve por melhores condições de trabalho e infraestrutura. 
O governo tratou a questão com indiferença monárquica, como se nada lhe dissesse respeito. 

Mas respostas a tais problemas concretos não serão ouvidas nos próximos meses. 
Muito menos veremos interesse efetivo em discutir com professores o real estado da educação nacional e suas possibilidades ou debater sinceramente a razão do fracasso de políticas aplicadas nos últimos 20 anos. O que teremos é essa indignação farsesca, de quem repete um chavão sem nunca querer realmente pensar no que deve ser feito.

(*)  Filósofo , escritor e professor livre-docente da Universidade de São Paulo (USP) 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Centros de treinamento da Copa ficam sem uso em cidades-sede

FolhaPress 

CT Coroado - Manaus
Exigência da Fifa nas cidades-sede da Copa, os dois COTs (Centros Oficiais de Treinamento) de Manaus, e um centro construído em Cuiabá, que somados consumiram R$ 62 milhões dos cofres públicos, atravessaram o Mundial às moscas. 

Nenhuma das oito seleções que jogaram na Arena Amazônia treinaram nos dois estádios construídos seguindo as normas e exigências da entidade máxima do futebol. 

A única seleção que treinaria em um dos centros de treinamento era a Inglaterra, que cancelou a atividade em cima da hora. A Itália também dispensou o uso do COT. 

"Nos comprometemos a realizamos todos os itens obrigatórios e, na prática, vimos que não era necessário este investimento", declarou Evandro Melo, coordenador do UGP-Copa de Manaus. "Temos que questionar a Fifa, pois fizemos nossa parte e isso mostrou-se desnecessário", completou Melo, irmão do atual governador do Amazonas, José Melo (Pros). 

O estádio da Colina, que pertencia ao time do São Raimundo, recebeu o maior investimento, R$ 21 milhões, sendo R$ 9 milhões da União. Tem capacidade para 10 mil torcedores, além de espaço para imprensa. O outro estádio é o CT do Coroado, que custou R$ 15 milhões aos cofres do governo estadual e comporta cinco mil pessoas. 

As programações das seleções que jogam em Manaus prevê chegadas na véspera da partida, com apenas um treino, na própria Arena Amazônia, atividade que a Fifa obriga a todas as equipes. 

EM OBRAS 
A situação em Cuiabá também foi crítica. A obra do COT do Pari, orçada em R$ 26 milhões e erguida na cidade vizinha de Várzea Grande, também ficou de fora da Copa. 

O outro COT da cidade, erguido na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), custou R$ 17 milhões e foi inaugurado no domingo (15) ainda inacabado. A Coreia do Sul e a Nigéria treinaram lá. No Recife, a prefeitura investiu R$ 7 milhões em benfeitorias nos CTs de Náutico e Sport para adequá-los segundo o padrão Fifa. No entanto, nenhuma seleção chegou perto de lá. 

O superintendente do CT do Náutico, Daniel Hazin, se diz frustrado. "Todos os preparativos que fizemos foram em vão", lamentou Hazin, que disse ter contratado um grupo de maracatu para recepcionar os jogadores e mandado fazer camisas do clube personalizadas com o nome de cada atleta. "Essa Copa vai passar no Recife praticamente em branco, na minha concepção." 

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, negou que esses espaços fiquem sem uso no futuro. "Só investimos dinheiro público em equipamento público. Esses centros de treinamento, ainda que não tenham sido usados durante a Copa, o que penso que só aconteceu em Manaus e Cuiabá, servirão para a população, seja para o esporte de alto rendimento, de formação de atletas ou educacional. São equipamentos de uso público."

Exportações do agronegócio atingem US$ 9,61 bi em junho

Globo Rural 

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram a cifra de US$ 9,61 bilhões no mês de junho. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (9/7) pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura (SRI/Mapa). As importações do setor alcançaram US$ 1,21 bilhão, garantindo saldo comercial positivo, de acordo com as informações do Mapa. 

O principal setor foi o de soja, com vendas externas de US$ 4,62 bilhões e 8,73 milhões de toneladas embarcadas, contanto o grão, o óleo e o farelo. A soja em grão foi o produto de maior receita dentro do complexo, com o equivalente a US$ 3,57 bilhões exportados. 

Já o segundo setor em vendas foi o de carnes, com US$ 1,42 bilhão e 489 mil toneladas embarcadas. A carne de frango foi destaque nas exportações, com US$ 617 milhões em receita no período. Já a carne bovina gerou US$ 582 milhões em receita e a carne suína e de peru atingiram US$ 167 milhões e US$ 22 milhões, respectivamente. 

O complexo sucroalcooleiro, terceiro principal setor do agronegócio, exportou a quantia de US$ 867 milhões. O açúcar foi o principal (US$ 755 milhões). Os produtos florestais alcançaram US$ 792 milhões e 1,35 mil toneladas embarcadas. Papel e celulose lideraram as exportações do setor, com o montante de US$ 592 milhões. Madeiras apresentaram vendas externas de US$ 201 milhões. 

Em relação às exportações para os blocos econômicos, em junho deste ano, o principal destino foi a Ásia, com participação de 42,6% sobre o total das vendas no período e US$ 4,09 bilhões. A União Europeia permaneceu na segunda colocação, com US$ 2,24 milhões. 

12 meses 
Nos últimos doze meses, as exportações do agronegócio atingiram US$ 99,51 bilhões, com o complexo soja na liderança (US$ 33,85 bilhões) no período. O setor de carnes alcançou US$ 16,82 bilhões, o complexo sucroalcooleiro exportou US$ 11,98 bilhões e o setor de produtos florestais atingiu US$ 9,84 bilhões.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O presidente da CBF e o vice deveriam estar presos

Romário (*) 

"Passado o luto das primeiras horas seguidas da derrota, vamos ao que verdadeiramente interessa! Quem tem boa memória, vai lembrar da minha frase: Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada! 

Infelizmente, dentro de campo, não foi diferente. 

Ontem foi um dia muito triste para nosso futebol. Venceu o melhor e ninguém há de questionar a superioridade do futebol alemão já há alguns anos. Ainda assim, o mundo assistiu com perplexidade esta derrota, porque nem a Alemanha, no seu melhor otimismo, deve ter imaginado essa vitória histórica. 

Porém, se puxarmos da memória, vamos lembrar que nossa seleção já não vinha apresentando nosso melhor futebol há muito tempo. Jogamos muito mal. Infelizmente, levamos sete e, por mais que isso cause mal-estar, devemos admitir que a chuva de gols foi apenas reflexo do pânico, da incapacidade de reação dos nossos jogadores e da falta de atitude do treinador de mudar o time. 

Vivemos uma crise no nosso esporte mais amado, chegamos ao auge dela. Acha que isso é problema só dos jogadores ou do Felipão? Nem de longe. 

Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros! 

O meu sentimento é de revolta.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Outro descaso do governo

Metade das unidades de armazenamento da Conab opera com problemas ou está parada 

Rural Br 

Metade das cerca de 140 Unidades Armazenadoras (Ua’s) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) opera com algum tipo de problema ou está parada. 
A falta de armazenagem no Brasil, um dos principais problemas de infraestrutura do setor produtivo, poderia ser diferente se não fossem os seguidos erros de gestão e a falta de investimentos do governo. 

 Historicamente relegada ao segundo plano, principalmente no crédito, a armazenagem sempre dependeu da Conab para que os produtores pudessem estocar seus produtos e negociar a venda algum tempo após a colheita, com preços melhores. 
Devido à alta da produção brasileira e à falta de investimentos, o espaço disponível se tornou insuficiente, obrigando o produtor a entregar a produção imediatamente após a colheita, mesmo com preços baixos, ou usar caminhões como silos. 

 Na safra 2014/2015, a produção brasileira deve chegar a 190 milhões de toneladas de grãos. Segundo o Ministério da Agricultura, a capacidade de armazenagem do país gira em torno de 140 milhões de toneladas. 

A capacidade da Conab em armazéns próprios, mesmo contando as estruturas paradas, não passa das 2 milhões de toneladas. 

 Em Mato Grosso, dos cinco armazéns, somente o de Rondonópolis está funcionando com a capacidade total. O de Alta Floresta opera com apenas 10% da capacidade. 
Os de Sinop, Sorriso e Diamantino estão parados. 

No caso de Sinop, o armazém com capacidade para 27 mil toneladas não recebe produtos de agricultores há cerca de quatro anos. 
O imóvel, construído na década de 80, não consegue mais atender a demanda e deve ser desativado de forma permanente até o fim do ano. 

 – Ele está desativado por vários anos e por varias razões. Inicialmente, eram alguns reparos que deveriam ser feitos. Hoje, com certeza absoluta, a paralisação se dá pela posição do armazém, no meio da cidade. Acredito que nessas regiões aonde o governo não consegue tocar o funcionamento deles, a Conab deveria entregá-los para a iniciativa privada, ou vendê-los – afirma o vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan. 

No município de Sorriso, um dos maiores produtores do Brasil, o armazém da Conab, às margens da BR-163, está parado há cerca de seis anos.
A UA, com capacidade para 46 mil toneladas, está totalmente ultrapassada e não tem mais como operar. 
No terreno vizinho, uma empresa particular, com um terreno dois terços menor do que o pertencente ao governo, armazena mais de 400 mil toneladas. – Infelizmente, a estrutura está parada, se deteriorando há vários anos. 

O pior são os funcionários pagos pelo governo, há vários anos que não recebem nenhum produto. 
Hoje, para voltar a funcionar, o armazém terá que passar por uma reforma geral – destaca o presidente do Sindicato Rural de Sorriso e Delegado da Aprosoja-MT, Laércio Lenz. 

 Ao todo, a Conab possui 261 imóveis em todo o Brasil. 
Destes, mais da metade está com problema: abandonados, invadidos, velhos, operando abaixo da capacidade ou sem conseguir atender a demanda de sua região. 

Em Maceió, por exemplo, um imóvel na rua Tabapuã, no bairro Jacintinho, guarda bens da Secretaria de Agricultura e a Conab mantém um empregado para proteger a estrutura.

Em São Félix das Balsas, no Maranhão, a estatal possui um terreno na Avenida Aeroporto. Segundo informações da própria Conab, o terreno está cercado, desocupado e sem vigilância. 
No mesmo Estado, em Fortaleza dos Nogueiras, a estatal possui um terreno às margens da BR-330 que está invadido e foi loteado. 
Em Pindaré-Mirim, também no Maranhão, os dois imóveis da estatal na cidade não estão em uso por ela. Um foi tomado pela prefeitura, que chegou a construir uma praça no local. O outro, na rua do trilho, foi invadido. 

 Questionado sobre esses problemas, o superintendente de Armazenamento da Conab, Rafael Bueno, diz que a estatal não deixou de investir na sua estrutura nos últimos anos. – Nós últimos cinco anos, foram investidos R$ 20 milhões na estrutura da Conab. 
Além disso, o governo vai disponibilizar crédito para construção de armazéns particulares com R$ 5 bilhões por ano durante cinco anos. 

Houve agora um aporte maior de investimentos na rede da Conab, de R$ 50 milhões para reforma e modernização de mais de 70 unidades, e também R$ 350 milhões para a construção de 10 novos armazéns – aponta Bueno.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O decreto bolivariano de Dilma e a farsa dos conselhos “populares”

Daniel Jelin (*) 

Um dos argumentos de quem defende o decreto bolivariano de Dilma Rousseff – o de número 8.243, que estimula todos os órgãos da administração federal a abrigar conselhos de “representantes da sociedade civil” – é que o Brasil já conta com milhares de entidades desse tipo, em todas as camadas de governo. É verdade. Mas a experiência acumulada nesses fóruns não é nada animadora: eles têm muito pouco de “democrático” e um conceito bem particular do que seja “sociedade civil”. 

O decreto foi assinado por Dilma há um mês. A pretensão de que uma “política nacional de participação social” pudesse ser implementada pelo Executivo numa canetada causou forte reação no Congresso. Oposição e base aliada ameaçaram barrar o decreto, mas o governo promete resistir. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e czar dos movimentos sociais no Planalto, alega questões de princípio (o desejo de “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas”), mas, num ano eleitoral, é evidente o propósito de cooptar ou recooptar sindicatos, ONGs e outras organizações sociais para o projeto petista. 

Febre dos conselhos 
A multiplicação dos conselhos é um fenômeno induzido pela Constituição de 1988, numa aparente tentativa de reparar o déficit democrático de um país recém saído da ditadura. De 1930 a 1989, segundo o Ipea, foram criados apenas cinco conselhos federais no Brasil. Nos 20 anos seguintes, surgiram mais 26. Atualmente, são 40 – incluindo as comissões. Por exigência legal ou simplesmente inspirados nos colegiados federais, Estados e municípios também foram tomados por essa “febre conselhista”. Segundo o IBGE, 5553 cidades têm conselhos de saúde, 3784 do meio ambiente e 976 da mulher (dados de 2013); 1231 de política urbana, 5527 de assistência social, 1507 de segurança alimentar, 357 do transporte, 1798 da cultura e 642 da segurança pública (dados de 2012); 4718 da educação, 3240 da habitação e 195 do saneamento (dados de 2011). 

O formato mais comum de conselho não chega a ser uma jabuticaba, mas é bastante peculiar. O governo dá forma ao conselho, define suas funções e indica aproximadamente metade dos conselheiros. A escolha dos demais representantes é prerrogativa de ONGs, sindicatos e associações variadas, muitas delas direta ou indiretamente cacifadas pelo governo. É discutível quem representa o que nesses órgãos, mas é fato que o cidadão comum não tem palavra: não vota, nem pode ser votado. A participação, portanto, é indireta. 

No papel 
Os poderes de cada conselho variam bastante, de acordo com a força das entidades que atuam no setor e a disposição do governo em atendê-las. Os menos institucionalizados mal saem do papel. Segundo levantamentos do IBGE, a taxa de conselhos municipais que não tiveram uma única reunião nos 12 meses anteriores à pesquisa é de: 30% para segurança pública, 29% para transportes, 28% para política urbana e para direitos da mulher, 27% para habitação e segurança alimentar e 25% para cultura. 

Já os conselhos mais institucionalizados podem ser bastante influentes. 
É o caso do Conselho Nacional do Meio Ambiente, um dos colegiados mais enraizados na máquina federal. É certo que o Conama não legisla, mas o que se delibera por lá tem ampla repercussão – e eventualmente força de lei. O Conama é notório pelo grande número de conselheiros: 108. São mais cadeiras do que o Senado (81) ou a Assembleia Legislativa de São Paulo (94). É um verdadeiro congresso, de fato, com “bancadas”, “frentes” e “oposição”. Não espanta que a maioria dos conselheiros (54%) aponte como principal entrave as “questões políticas alheias à agenda do Conselho”, segundo sondagem do Ipea de 2010. Uma evidência das facções do conselho: na mesma pesquisa, três resoluções são simultaneamente citadas por conselheiros como as mais positivas e as mais negativas do Conama. 

Ataque à mídia

Carlos Alberto Di Franco (*)

Depois de o ex-presidente Lula, armado de notável irresponsabilidade, ter proclamado que o inaceitável episódio das ofensas dirigidas a Dilma Rousseff no jogo da abertura da Copa do Mundo foi obra da elite, seu braço-direito e companheiro de longa data, ministro Gilberto Carvalho, manifestou opinião divergente. “Lá no Itaquerão não tinha só elite branca, não! (…) Tinha muito moleque gritando palavrão dentro do metrô que não tinha a ver com elite branca.” Divergência só aparente. O denominador comum revela a estratégia. “A coisa desceu! Tá? (…) esse cacete diário de que não enfrentamos a corrupção, que aparelhamos o Estado, que somos um bando de aventureiros que veio aqui para se locupletar, essa história pegou! Na classe média, na elite da classe média e vai gotejando, vai descendo! (...) Essa eleição agora vai ser a mais difícil de todas.” 

Não foi uma autocrítica, nem um reconhecimento claro dos equívocos. Foi a tática da vitimização e, ao mesmo tempo, a busca de um bode expiatório. 
A culpa é da “mídia conservadora e hegemônica”. 

Trata-se, desesperadamente, de construir uma narrativa que sirva para desviar a atenção dos problemas concretos. Da economia que range. Da inflação que se percebe em cada nova compra. Da falta de saúde que grita nos corredores dos hospitais públicos. 
Da péssima educação que gera frustração enfurecida nos jovens. 
Da corrupção que se torna patente em cada novo capítulo da novela da Petrobras. 

Lula manifesta crescente irritação com o trabalho da imprensa independente. 
Seus sucessivos e reiterados ataques à mídia, balanceados com declarações formais de adesão à democracia, não conseguem mais esconder a verdadeira face dos que, mesmo legitimados pela força do processo eleitoral, querem tudo, menos democracia. 

Para Lula, um político que deve muito à liberdade de imprensa e de expressão, imprensa boa é a que fala bem. Jornalismo que apura e opina com isenção incomoda e deve ser extirpado. Preocupa, e muito, o entusiasmo de Lula, da presidente Dilma e de seu partido com modelos políticos capitaneados por caudilhos. Cuba e Venezuela, ditaduras cruéis e antediluvianas, são o modelo concreto da utopia petista. 

A fórmula Lulinha e Dilminha paz e amor acabou. Agora, com o Estado aparelhado, o Congresso ameaçado pelo decreto de Dilma que inaugura a governança via conselhos, obviamente controlados pelo governo, e a imprensa fustigada, o lulismo mostra sua verdadeira cara: o rosto do caudilhismo. 

O jornalismo não deve cair na armadilha da radicalização, mas fomentar a discussão das políticas públicas. Vamos romper a embalagem do marketing político e da propaganda avassaladora. Vamos contrastar o discurso oficial com a realidade concreta. 

Os protestos crescentes, alguns francamente impróprios e deselegantes, enviam recados muito claros: o povo flagra a mentira no emagrecimento do seu poder de compra, nas filas do SUS, na frustração de uma educação que não forma gente preparada para a vida. 
A sociedade está perfilando a verdadeira e correta agenda eleitoral. 

(*) É Diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciência Sociais – IICS e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia. E-mail: difranco@iics.org.br

Caldo Verde

Ingredientes para 4 porções: 

4 Batatas Médias 
1 Xícara de chá de couve cortada em tiras 
1 Paio cortado em cubos 
1 Colher de sopa de azeite 
Sal a gosto 

Modo de Preparo: 
Cozinhe as batatas sem a casca, com azeite e sal. 
Depois bata no liquidificador e leve ao fogo brando. 
Junte o paio cortado em cubos 
Deixe cozinhar até engrossar um pouco 
Acrescente a couve cortada em tiras 
Misture tudo e sirva quente.

Receita extraída do site Cuecas na Cozinha 

Pink Floyd lança material inédito em outubro

UOL 

Há 20 anos sem lançar discos de inéditas, o Pink Floyd ressurge das cinzas para lançar álbum com material novo. Intitulado "The Endless River", o disco sairá em outubro e reunirá sobras das sessões de gravação do último trabalho da banda, "The Division Bell", lançado em 1994, recentemente retrabalhadas em estúdio. 

As músicas foram gravadas naquele período e contam com a participação do tecladista Rick Wright, membro fundador do Pink Floyd, que morreu em 2008. 

Quem revelou a novidade foi a escritora e compositora Polly Samson. Além de ter escrito algumas canções de "The Division Bell" e "The Endless River", Samson é mulher de David Gilmour. Segundo ela, o material inédito é o "canto de cisne de Rick Wright". "[São] muito bonitas", diz ela sobre as canções. 

No entanto, assim como nos álbuns anteriores da banda, o ex-vocalista e baixista Roger Waters não participa das gravações. A execução do baixo fica a cargo do músico convidado Guy Pratt. 

Sessões recentes em estúdio 
A cantora Durga McBroom-Hudson, que já excursionou com Gilmour e Pink Floyd, participou das gravações e comemorou o anúncio no Facebook. 
"Sim, há um novo álbum do Pink Floyd saindo e eu estou nele!", escreveu ao postar uma foto das sessões de gravação.

A ilusão de vencer sem esforço

Professor Luiz Marins (*) 

Fico impressionado ao ver que ainda há pessoas que acreditam ser possível vencer sem esforço. Ficam esperando que o sucesso chegue, que a fama surja, que o dinheiro apareça e, num processo constante de autoengano, não fazem as coisas certas que deveriam fazer. Não se esforçam, não procuram aprender coisas novas, não participam, não ajudam os outros, vivem reclamando da má sorte e invejando o sucesso alheio. Será que essas pessoas não enxergam que sem muito trabalho e dedicação não há sucesso? Será que elas morrerão na ilusão de vencer sem esforço? 

Fico igualmente impressionado ao ver que há pessoas que vêem o sucesso alheio acreditando que tudo aconteceu por obra da sorte. Tudo para os outros é fácil e para elas difícil. Não conseguem enxergar nenhum mérito ou esforço nas pessoas que venceram. Essas pessoas colecionam casos e mais casos de herdeiros milionários, ganhadores na loteria e parecem não enxergar que essa realidade é uma exceção e não a regra. A enorme maioria das pessoas tem que trabalhar duro para vencer e só vencem com muito esforço, dedicação, comprometimento, foco, colaborando e buscando o auto-aperfeiçoamento durante toda uma vida. 

Com essa visão negativa, essas pessoas não se dedicam ao que fazem, não dão tudo de si para conquistar novos patamares na vida. Vivem rabugentas e deprimidas em vez de enfrentar com alegria e motivação os desafios da vida. 

Olhar o trabalho com alegria, agradecendo as oportunidades, colaborando, é fundamental para o sucesso. Todos temos que trabalhar. Fazer do trabalho um peso insuportável tornará a vida mais difícil e não mais leve. 

Assim, em vez de olhar só o lado difícil da vida e do trabalho, procure enxergar e dar valor ao esforço, ao trabalho digno, ao trabalho honesto de quem levanta todos os dias querendo fazer melhor, cumprir a sua obrigação e olhar no espelho com a alegria genuína de quem tem orgulho da imagem que vê. Isso tudo pode parecer bobagem, mas não é. 

Todos temos que trabalhar durante a vida. Se fizermos o nosso trabalho com sentimento de fazer bem feito, teremos uma autoestima elevada e isso fará uma grande diferença na qualidade de nossa vida. Acredite! 

Pense nisso. Sucesso!

(*) Antropólogo, professor e consultor de empresas no Brasil e no exterior

Resgatando uma emoção

Bellini Tavares de Lima Neto (*) 
(Texto de 07/05/1999)

A originalidade nunca foi meu forte. Por isso, me sinto a vontade para dizer que fui um apaixonado por futebol. Eu e o resto do mundo, naturalmente. 
Em 1970, para a Copa do Mundo do México, a FIFA resolveu introduzir a prática dos cartões de punição. Sim, são os famosos cartões amarelo e vermelho que ultrapassaram as fronteiras dos campos e ganharam a sociedade. “Fulano acabou de levar um amarelo da mulher” ou “Sicrano levou o vermelho do chefe”. 
Os cartões foram a maneira que a FIFA encontrou para superar a barreira dos idiomas para poder repreender, advertir, punir os atletas. E essa necessidade surgiu por conta do aumento desenfreado da violência no esporte, um dos muitos reflexos da violência que se instalou em toda a sociedade. 

Pois, de repente, me volta à lembrança um episódio ocorrido durante a copa do Chile em 1962 e que, a meu ver, deveria estar colocado em destaque em algum museu de recordações destinado aqueles que apreciam o esporte e o gênero humano. 

Era a segunda partida da seleção brasileira naquela copa e a primeira jogada entre a seleção do Brasil e da Checoslováquia, que ainda existia como país. É que essas duas seleções acabaram se encontrando novamente para fazer a grande final que nos deu o bicampeonato mundial de futebol. O primeiro jogo do Brasil foi contra o México e ganhamos por dois a zero com um gol espetacular daquele que era a grande sensação mundial do futebol, o jovem Pelé. Veio o segundo jogo, contra a seleção da Checoslováquia. Nesse jogo o Rei Pelé foi vitimado por uma distensão da virilha que o acabou afastando dos campos pelo resto daquele ano. O jogo terminou empatado em zero a zero. 

Naqueles idos de 1962 ainda não dispúnhamos de transmissão direta de TV, mas, pela primeira vez em nossa história tínhamos a chance de assistir a algo inteiramente novo: o videotape. Detalhe é que o videotape só chegava dois dias depois dos jogos, trazido de avião do Chile para ser exibido pela extinta TV Tupi ,Canal 3 (aqui em São Paulo) com narração de Walter Abrahão e comentários do polêmico Geraldo Bretas. 

Depois de ter meu coração juvenil de 14 anos maltratado com aquele sombrio 0 x 0 acompanhado na transmissão pelo rádio, lá estava eu, duas noites depois, como televizinho, enternecendo meus olhos igualmente juvenis e maravilhados com aquele avanço tecnológico e com as jogadas dos craques da minha infância e adolescência, aqueles mesmos que eu abrigava nos álbuns de figurinhas da época. 

O Rei se contunde, para nossa agonia e sofrimento. No entanto, como ainda não havia a chamada Regra 3 (nem Toquinho e Vinicius pensavam em consagrá-la), Pelé continuou em campo, lá pelas laterais do campo, fazendo número. Num determinado momento, Zito lhe estica uma bola e o Rei corre, arrastando a perna ferida pela distensão. 
Quando garoto eu sofri um arremedo de distensão e senti uma dor indescritível. 
Posso imaginar o sofrimento do Rei naquele momento. E não só o sofrimento físico, mas a imensa solidão que ele deve ter experimentado ao se sentir alijado de sua segunda copa do mundo, exatamente depois de haver estreado contra o México marcando um gol em que ele carregou a bola por quase toda a defesa adversária. 
Exatamente ele, o portador de todas as nossas esperanças, o porta-estandarte do nosso orgulho nacional, a nossa chance de fazer o mundo se curvar diante de nossa grandeza. 

Pelé corre tentando reter a bola e no seu encalço sai um checo que se chamava Josef Masopust. Pelé só consegue dominar a bola quase na linha lateral e fica de costas para o campo tentando dar-lhe um destino. Nesse momento se aproxima Masopust. 
No entanto, em vez de agredi-lo para recuperar a posse da bola, se limita a se postar há cerca de meio metro, respeitoso, sentindo em si mesmo todo o drama que aquele Deus Negro deveria estar sentindo. 
Foi isso o que fez Masopust. 
Mostrou ao mundo, naquela fração de segundos, todo o significado profundo das palavras sensibilidade, respeito, dignidade e tantas outras características que dignificam o homem ou o denigrem se, ao contrario, lhe faltam. 

Por um instante aqueles dois homens de origens e culturas tão diferentes pareciam irmanados por sentimentos tais e tão sublimes que, se um dia trazidos à luz e à consciência e incorporados por todos nós, esses sentimentos certamente poriam fim a todas as divergências da raça humana e inaugurariam o paraíso que tantos já buscaram na Terra. 

Meus olhos de hoje ainda podem ver, meus ouvidos de hoje ainda podem ouvir, a cena e o silêncio em que mergulhou o estádio, aguardando o desfecho daquela cena inusitada. Pelé, então, da mesma estatura moral que esse inesquecível Masopust, limitou-se a empurrar a bola para além da linha lateral, entregando-a como prêmio merecido aquele que poderia ter sido um algoz, mas foi um verdadeiro anjo protetor. 
O estádio explodiu em palmas e eu, até hoje, revejo a cena que marcou minha memória e meu coração para sempre e me emociono da mesma forma que me emocionei naquele instante. 

Que pena que apenas quatro anos depois, na Copa da Inglaterra, um desvairado Vicente atacava o mesmo Rei ferido até deixá-lo jogado no campo e ser retirado nas costas do saudoso Mario Américo. Que pena que o chamado espírito olímpico, que era um espírito de luz, acabou se transformando em espírito obsessor. 

(*) Advogado, avô e morador em São Bernardo (SP)

De há muito ele denuncia

Jornalista britânico denuncia 'jogo sujo' de corrupção da FIFA em debate no Rio de Janeiro 

FolhaPolítica.com 


O jornalista investigativo Andrew Jennings, autor do livro “Jogo Sujo, o mundo secreto da Fifa”, destacou durante debate realizado no dia 17 ( em 12/2013)  no Rio de Janeiro que o Brasil “não ganhou um direito ao sediar a Copa de 2014” e na verdade dará muito dinheiro para o evento. 

No debate, que contou com a participação de Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, e o professor do Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Vainer, Andrew Jennings falou sobre os casos de corrupção e subornos na FIFA e no Comité Olímpico Internacional (COI). Devido às suas denúncias, ele foi banido pela entidade. Dois funcionários da Fifa também estavam presentes. 

Com comentários ácidos e irônicos, ele incentivou que a população brasileira não fique calada e proteste contra as autoridades responsáveis pelo evento, como o presidente da Fifa, Sepp Blatter. Jennings também convocou a população a se mobilizar durante o Congresso da Fifa, que ocorrerá em São Paulo, uma semana antes do Mundial. 
De acordo, as empresas multinacionais também vão lucrar muito com o evento.

Ele cita como exemplo o valor dos preços das passagens internas, como aconteceu no mundial da África do Sul, em 2010. Em sua fala, o professor Carlos Vainer também criticou o fato das leis serem flexibilizadas para atender interesses de grandes corporações. 

Já o responsável pela comunicação corporativa da FIFA, Alexander Koch, pediu a palavra e disse que são contra as remoções e que estranham que “as leis no Brasil estejam endurecendo por conta da FIFA”. 

Em resposta, Vainer desafiou os representantes da maior entidade de futebol a fazer uma declaração oficial a presidência da República, dizendo que não fará o evento, caso haja remoções. De Acordo com Koch, a expectativa de lucro da entidade para a Copa do Mundo no Brasil é de 2,1 bilhões de reais.

A taça é deles (e a conta é nossa)

Guilherme Fiuza (*) 

Os pessimistas e a elite branca deram com os burros n’água: a Copa do Mundo no Brasil é um sucesso. A bola está rolando redondinha, os gramados estão todos verdinhos e o país chegou até aí batendo mais um recorde: gastou com os estádios da Copa mais do que Alemanha e África do Sul juntas. Com brasileiro não há quem possa. 

Aos espíritos de porco que ainda têm coragem de reclamar do derrame sem precedentes de dinheiro público promovido pelos faraós brazucas, eis a resposta definitiva e acachapante: a Copa no Brasil tem uma das maiores médias de gols da história. 
Fim de papo. De que adianta ficar economizando o dinheiro do povo, evitando os superfaturamentos e as negociatas na construção dos estádios, para depois assistir a um monte de zero a zero e outros placares magros? Fartura atrai fartura. Depois da chuva de verbas, a chuva de gols. É a Copa das Copas. Viva Messi, viva Neymar, viva Dilma. 

Está todo mundo feliz, e o país mais uma vez se renderá a Lula. 
O oráculo afirmou que era uma babaquice esse negócio de querer chegar de metrô até dentro do estádio. Que o brasileiro vai a jogo até de jegue. 
O filho do Brasil mais uma vez tinha razão. 

O país teve sete anos para usar a agenda da Copa e investir seriamente em infraestrutura de transportes. Sete anos para planejar e executar uma expansão decente do metrô nas capitais saturadas, por exemplo — obras caras que dependem do governo federal. 
Ainda bem que nada disso foi feito, e as capitais continuaram enfrentando sua bagunça a passo de jegue. Seria um desperdício, porque todo mundo sabe que essa mania de querer chegar aos lugares de metrô é uma babaquice da elite branca. 
Felizmente, o dinheiro que seria torrado nessa maluquice foi bem aplicado nos estádios mais caros do mundo, entre outros investimentos estratégicos. 

Agora a Copa deu certo, o brasileiro está sorrindo e a popularidade de Dilma voltou a subir — provando de uma vez por todas que planejamento sério é uma babaquice. 
O que importa é bola na rede. 

Nos anos que antecederam a Copa das Copas, os pessimistas encheram a paciência do governo popular com a questão dos aeroportos. Mas o PT resistiu mais uma vez à conspiração dessa burguesia ociosa que reclama de tudo. E deixou para privatizar (que ninguém nos ouça) os aeroportos às vésperas da Copa. 
Foi perfeito, porque sobrou mais tempo para o bando da companheira Rosemary Noronha parasitar o setor da aviação civil, proporcionando aos brasileiros o que eles mais gostam: ser maltratados nos aeroportos em ruínas, se possível derretendo com a falta de ar-condicionado (o que Dilma chamou carinhosamente de “Padrão Brasil”). 

Os pessimistas perderam mais essa. Na última hora, com um show vertiginoso de remendos e puxadinhos (Brasil-sil-sil!), os aeroportos nacionais não obrigaram nem uma única delegação estrangeira a vir para a Copa de jegue. Todas as seleções entraram em campo — a televisão está de prova. E, no que a bola rolou, quem haveria de memorizar detalhes insignificantes, como metade dos elevadores da Favela Antonio Carlos Jobim enguiçados, além de algumas esteiras e escadas rolantes interditadas, entre outros desafios dessa gincana Padrão Brasil? 

Ora, calem a boca, senhores pessimistas. A Copa deu certo. A Rosemary também. 

Quem vai cronometrar o tempo dos otários nas filas monumentais? 
Os cronômetros só medem a posse de bola. E bem feito para quem ficou preso nos engarrafamentos a caminho do estádio, de casa ou de qualquer lugar. 
Lula avisou para ir de jegue. Você ficou engarrafado porque é um membro dessa elite branca que contribui para o aquecimento global. Além de tudo, é ignorante, porque ainda não entendeu que o combustível no Brasil foi privatizado pelos companheiros e seus doleiros de estimação. Como diria o petista André Vargas ao comparsa Alberto Youssef, o petróleo é nosso. 

Além de jegue e jabuticaba, o Padrão Brasil tem feriado. Muito feriado. 
Quantos o freguês desejar. Pode haver melhor legado que esse para a mobilidade urbana? Se todo mundo andar de jegue e ninguém precisar ir trabalhar, acabaram-se os problemas viários. Poderemos ter Copa todo mês. E os brasileiros não precisarão mais correr riscos com obras perigosas como os viadutos — que, como se sabe, desabam. 

A Copa no Brasil tem tido jogos realmente emocionantes. É o triunfo do único inocente nessa história — o futebol. Viva ele. Os zumbis que ficavam gemendo pelas ruas que “não vai ter Copa” sumiram na paisagem do congraçamento das torcidas. Mas é claro que isso será entendido pela geleia geral brasileira como... gol da Dilma! 
É a virada dos companheiros, a vitória dos oprimidos palacianos sobre as elites impatrióticas etc. A taça é deles. E a conta é nossa. 

Se você não suporta mais essa alquimia macabra, que faz qualquer sucata populista virar ouro eleitoral, faça como os atletas do Felipão: chore. 

(*) Jornalista e escritor. Colunista político da Revista Época

sábado, 5 de julho de 2014

O mundo podre do esporte chamado futebol

Carro oficial, festa e R$ 200 milhões: a Copa do chefe da máfia do ingresso 

UOL

Assistir a jogos da Copa do Mundo em camarotes, frequentar eventos exclusivos, transitar em carros credenciados pela Fifa e ainda faturar até R$ 200 milhões. Esse era o plano elaborado pelo argelino Mohamadou Lamine Fofana, de 57 anos, para o Mundial de 2014. O projeto, inclusive, já estava em curso. Foi interrompido na terça-feira por uma ação da Polícia Civil. Mohamadou Lamine Fofana foi preso em um apartamento de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca durante uma operação de combate à venda ilegal de ingressos da Copa. 

Empresário com vários serviços prestados ao mundo do futebol, ele agora é suspeito de liderar uma quadrilha internacional de cambistas que lucrava até R$ 1 milhão por partida do Mundial do Brasil. 

Até ir parar atrás das grades, entretanto, o argelino desfrutava do prestígio conquistado em anos de trabalho no meio do futebol. Isso pelo menos é o que apontam investigações feitas pela 18ª DP (Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro) e pela 9ª PIP (Promotoria de Investigação Penal), responsáveis pela operação que deteve Fofana e outros dez suspeitos. 

"Ele tinha acesso livre ao Copacabana Palace, hotel em que estão os dirigentes da Fifa. 
No seu carro, há um adesivo que dá acesso a qualquer evento privado da entidade", contou o delegado Fábio Barucke, chefe da 18ª DP. 

Fofana, aliás, também promovia seus próprios eventos durante a Copa. 
Escutas telefônicas feitas durante a investigação e divulgadas pelo jornal O Dia indicam que ele organizou festas na capital fluminense em dias de jogos do Mundial. 
Gastou cerca de R$ 9 mil em garrafas de uísque só para agradar seus convidados, que não eram qualquer um. 

O irmão e empresário de Ronaldinho Gaúcho, Assis Moreira, foi um dos que recebeu um convite para uma festa de Fofana realizada numa cobertura na Lagoa, bairro nobre do Rio. Assis também foi pego em ligações negociando ingressos da Copa com Fofana e, segundo o promotor Marcos Kac, será intimado a depor sobre o assunto. 

Amistoso e transferência 
Fofana é ex-jogador de futebol e dono de uma agência de negócios relacionados ao esporte, a Atlanta Sportif International. A empresa existe desde 1993 tem escritórios em Atlanta, nos Estados Unidos, e em Dubai. Por meio dela, o argelino já intermediou transferências de jogadores e também organizou amistosos de futebol. 

Foi Fofana quem promoveu o jogo com ex-jogadores brasileiros campeões da Copa do Mundo de 1994 realizado na Chechênia, na Rússia, em 2011. O amistoso reuniu craques como Romário, Bebeto, Cafu, Dunga e Raí, que depois da partida disse ter se arrependido de participar do evento por sua motivação política. 

No site de sua agência, Fofana exibe fotos com Romário e outros jogadores.
Em seu currículo, o empresário informa que intermediou a visita do agora deputado federal aos Emirados Árabes. Procurado, Romário negou manter relações com Fofana. 

Preso, Fofana informou que só deve se pronunciar em juízo. 
Questionada sobre o argelino, a Fifa não respondeu. 
Em nota, a entidade declarou que está disposta a colaborar com as investigações sobre o esquema de venda de ingressos. 

Operação Jules Rimet 
A operação que descobriu o esquema foi batizada de Jules Rimet, em alusão ao nome do primeiro presidente da Fifa. Ela é resultado de pelo menos um mês de investigações da polícia e Ministério Público. 

Mais de cem ingressos foram apreendidos na ação, além de dinheiro e máquinas para pagamento em cartão de crédito. Os bilhetes pegos pela polícia eram reservados pela Fifa a seus patrocinadores, a clientes de pacotes de hospitalidades (camarotes) e até a membros de comissões técnicas de seleções. Dez ingressos, inclusive, eram reservados as integrantes da comissão técnica da seleção brasileira. 

Segundo Polícia Civil, a quadrilha vendia ingressos por até R$ 35 mil. 
Com isso, lucrava até R$ 1 milhão por jogo. Na Copa, o grupo poderia faturar R$ 200 milhões.

Suspeitos presos informaram à polícia que o esquema não é novo. 
Ele funcionava há quatro Copas. O trabalho seria tão lucrativo que integrantes da quadrilha trabalhariam durante o torneio e depois descansariam por quatro anos até o próximo Mundial. 

Todos os presos vão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e cambismo. Podem ser condenados a até 18 anos de prisão.