sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Pirarucu no leite de castanha-do-pará

Grau de dificuldade: Médio 
Tempo de preparo: Mais de uma hora 
Rendimento: 2 porções 

INGREDIENTES 
300 g castanha-do-pará crua 
2 unidades filés de lombo de pirarucu fresco com pele, de 200 g cada 
Sal e pimenta-do-reino a gosto 
60 g batata-doce com casca em rodelas de 1 cm 
60 g mandioquinha descascada em rodelas de 1 cm 
2 colheres (sopa) chicória-do-pará (coentro-do-sertão) picada grosseiramente 
60 g abóbora cortada em lâminas de 0,5 cm de espessura 
1 unidade cebola-roxa cortada em 4 
60 g quiabo cortado ao meio no sentido do comprimento 
60 g maxixe cortado ao meio no sentido do comprimento 
60 g tomate cortado em 4 
4 ramos de tomilho fresco, para servir 

MODO DE PREPARO 
Bata a castanha-do-pará com 400 ml de água num liquidificador por 5 minutos 
Deixe descansar por 30 minutos na geladeira. 
Passe por um coador e reserve. 
A massa que sobrar pode ser aproveitada na confecção de doces 
Tempere o pirarucu com sal e pimenta. 
Descanse por 30 min. 
Aqueça 1 litro de água com 1 colher (sopa) de sal, até ferver 
Cozinhe, separadamente, a batata-doce (por 5 minutos) e a mandioquinha (por 3 minutos) nessa água, até ficarem al dente. 
Escorra e reserve. 
Preaqueça o forno a 220°C. 
Acomode os filés de peixe em uma assadeira, junte o leite de castanha-do-pará, a chicória, a abóbora, a cebola, o quiabo, o maxixe, a mandioquinha, a batata-doce e o tomate. 
Tempere com 1/2 col. (chá) de sal 
Asse por 10 minutos ou até que o peixe esteja cozido, e os legumes, macios 
Salpique com o tomilho.
Sirva

IAHUU! Empreendedores de um Brasil que só existe dentro de nós

Estadão 

Há dez anos, todos nós poderíamos ter comprado a empresa fundada por Celeste Milani em 1955 no bairro paulistano da Moóca. A empresa toda valia menos do que uma única garrafa do produto que vendia. Com dívidas de mais de 25 milhões de reais, foi vendida por um real. 

A groselha vitaminada Milani, iahuu, era uma delícia, iahuu, no leite, iahuu, no refresco e no lanche, iahuu. Prá tomar a toda hora, na sua casa, na festinha, na merenda, iahuu. Tudo ficava uma delícia, guarde o nome, não se engane, groselha vitaminada Milani, iahuu! Também no sabor morango e framboesa. 

Olhando o rápido crescimento urbano e da classe C brasileira na década de 1950, o italiano Celeste Milani ficava inventando fórmulas de bebidas que pudessem ser consumidas em larga escala por esta nova faixa da população. 
Chegou a um xarope de groselha que se tornou um rápido sucesso mesmo que uma parte dos seus consumidores não soubesse o que era exatamente esta fruta. 
A ideia de negócio era brilhante pois tinha um sabor exótico, que atraia a atenção. 
Era proporcionalmente barata, já era concentrada, bastando acionar água. 
E por isso poderia ser consumida por famílias acima de dez pessoas, comum na época. 
Mas o que foi sucesso com os pais e filhos, se tornou um fracasso com os netos, já doutrinados com os refrigerantes, a ponto de groselha ser atualmente sinônimo de chatice. 

Mas as mudanças de hábito de consumo dos mais jovens também contribuíram para a queda do consumo do café comercializado pela família Alves, Silva e Pierrot, levando a empresa a ser comprada norte-americana Sara Lee em 1998. 

Se as crianças na década de 1960 e 1970 tomavam groselha à tarde, na hora do café da manhã, era café Seleto, que a mamãe preparava, com todo carinho. 
Já que o café Seleto, tinha sabor delicioso. Era um cafezinho gostoso. 
Era o café Seleto. Café Seleto. 

Mas se por um lado, as mães davam café para seus filhos pequenos, por outro, eles aprendiam a se virar bem mais cedo que as crianças atualmente. Quando chegava a hora de dormir, nem esperam mamãe mandar. Elas só desejam um bom sono para você e um alegre despertar. A aconchegante maciez da pura lã para sua família dos cobertores Parahyba cuidava do resto. 

Criada em 1925, Olívio Gomes acreditava que havia um enorme mercado para produtos têxteis no Brasil e estava certo. A Companhia Fiação e Tecelagem Parahyba, baseada em São José dos Campos, estava estrategicamente posicionada para atender as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Vendeu muito produtos, mas nada ganhava em vendas do que seus cobertores, sinônimo de bons sonhos para todos os brasileiros. 
Mas o pesadelo se instalou na empresa na década de 1990. Não aguentou a concorrência dos estrangeiros e a empresa encerrou suas atividades em 1993, sendo assumida por seus funcionários. 

Empresas nascem, crescem e boa parte desparece na história de um país que não existe mais. Mas continuam existindo nas pessoas que viveram essas histórias. 
E dá para relembrá-las com um Café Seleto… iahuu!

A Petrobras se afunda no mar de lama, e Price dá uma banana para a empresa

Reinaldo Azevedo (*) 

Em entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, nesta quinta, que ancoro na rádio Jovem Pan, o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, afirmou que o “petrolão” já não depende mais da boa ou da má vontade deste ou daquele para conduzir a investigação. Segundo disse, e é verdade, a coisa ganhou vida própria. 
Querem a melhor prova? A Petrobras informou nesta quinta que não vai divulgar seu balanço do terceiro trimestre até sexta à noite, prazo determinado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E vai fazê-lo quando? Não há data. 
Em comunicado enviado à CVM, a estatal disse que “não está pronta para divulgar as demonstrações contábeis referentes ao terceiro trimestre de 2014 nesta data”. 

E por que não? A razão é, a um só tempo, muito simples e muito complicada: a auditoria PricewaterhousecCoopers não vai assinar nenhuma demonstração contábil da Petrobras até que a estatal ponha um ponto final nas investigações internas que apuram denúncias de corrupção. Pois é… A espiral de desastres em que mergulha a empresa parece não ter fim. Convenham: “eles” conseguiram gerar uma crise inédita na estatal. 

E que se note: que motivos tem a Price para acreditar nas “investigações internas” da Petrobras? Não custa lembrar que, em fevereiro, a VEJA denunciou que a empresa holandesa SMB havia pagado propina a funcionários e intermediários da estatal brasileira para firmar alguns contratos. Em março, a direção da Petrobras anunciou que a sua investigação interna não havia constatado nenhuma irregularidade. 
Nesta quarta, o Ministério Público da Holanda anunciou que a SMB foi multada em US$ 240 milhões em razão de propinas pagas mundo afora, inclusive no… Brasil! 
Eis a qualidade da “investigação interna” da gigante brasileira. 

E quando a Petrobras vai divulgar os dados? “O mais breve possível”, mas sem o aval dos auditores externos. Dados divulgados desse modo não têm credibilidade nenhuma. Como informa a VEJA.com, “o receio da Price, que faz parte do grupo conhecido por ‘Big 4’, composto pelas maiores auditorias do mundo, ao lado da Deloitte, da KPMG e da Ernst Young, é repetir no Brasil o escândalo da Arthur Andersen. A auditoria americana quebrou depois que foi envolvida no escândalo de fraude da petroleira Enron, em 2002.” 

A irresponsabilidade, a roubalheira e a manipulação política estão quebrando a Petrobras. Eles conseguiram! Como disse Aécio, o escândalo ganhou vida própria. Tivesse Dilma sido derrotada nas urnas, haveria uma esperança. Mas ela venceu. Resta patente que Graça Foster também perdeu o pé da crise e já não é a solução. Eis a maior empresa brasileira! Como esquecer que o PT venceu pelo menos três eleições — 2002, 2006 e 2010 — brandindo o fantasma da “privatização da Petrobras”, intenção que os tucanos nunca tiveram? E já se preparava para fazer o mesmo em 2014, mas aí veio à luz a operação Lava Jato. Não! O PSDB nunca quis privatizar a Petrobras. 
Mas assistimos agora às consequências nefastas da “privatização” empreendida pelo PT. 
A maior estatal do país foi apropriada por um partido. 

E está na lama. 

(*) Jornalista é colunista da revista Veja

sábado, 8 de novembro de 2014

Consciência em paz

J.R.Guzzo (*) 

O lado ruim da vitória de Dilma Rousseff nestas eleições, para não ficar gastando latim depois da missa, é que Dilma Rousseff ganhou. 

O lado bom é que agora está garantido, sem margem de erro, que ela ficará no cargo só mais quatro anos; no dia 1º de janeiro de 2019 terá de ir embora. É um alívio. 

Desde o seu primeiro dia na Presidência sempre houve a possibilidade angustiante de que continuasse lá para um segundo mandato. Agora não há mais essa aflição. 
Ao contrário, cada dia de seu governo, a partir de janeiro próximo, será um dia a menos. 

Não se trata de ver a vida em cor-de-rosa; todo otimismo, quando se pensa um pouco, é uma forma de impostura, pois faz promessas sem garantia de entrega. 
Mas, no caso, o segundo mandato de Dilma será realmente o último – não é promessa, é o que manda a lei. 

Eis aí uma das vantagens da certeza: acaba com as esperanças, é verdade, mas também acaba com as dúvidas. Desde o último domingo, foi-se a esperança de que Dilma devolvesse já agora a cadeira de presidente. Em compensação, foi-se a dúvida sobre o montante ainda a saldar.
Tudo considerado, a conta provavelmente está de bom tamanho – ou, numa adaptação livre da filosofia política do deputado Tiririca, muito melhor não fica. 

Louvado seja o Senhor por essas pequenas graças. É claro que todo mundo tem o direito de esperar da vida pública bem mais do que uma simples notificação sobre o montante exato dos “restos a pagar”. Mas o que se vai fazer? É o que temos no momento. 

O Brasil, por decisão da metade e mais um pouco dos seus eleitores, foi mantido sob o comando de pessoas moralmente primitivas, que acabam de ser premiadas por levar a atividade política à fronteira do crime – e não têm nenhuma razão, portanto, para mudar de conduta. 

É perfeitamente possível que Dilma, o ex-presidente Lula e o PT tentem impor a partir de agora a ideia de que já houve o “plebiscito” entre o país do bem e o país do mal de que tanto falaram durante a campanha eleitoral. 

O país do bem, que consideram ser o deles, ganhou, e com isso deixa de ser legítimo discordar de suas decisões ou querer um Brasil diferente do seu. Dilma, é verdade, só pode ficar outros quatro anos, mas já está resolvido no comitê central dos vencedores que em 2018 Lula voltará para mais oito, e depois disso talvez nem seja preciso fazer eleição nenhuma. 

Acontece que as coisas não têm de ser obrigatoriamente assim – não enquanto a outra metade dos brasileiros acreditar que continua tendo direitos políticos e civis, e que não está condenada a aceitar esse país do futuro pronto. 

Dilma anunciou que ia “fazer o diabo” para ganhar a eleição. 
Fez e ganhou; pode dar parabéns a si mesma, pois em toda a sua vida pública talvez nunca tenha cumprido com tanto rigor uma promessa. Mas não pode querer que o cidadão de vida limpa se torne cúmplice da fraude que ela própria, seu patrono e seu partido montaram para ganhar a eleição. 

Sua vitória não obriga ninguém a adotar uma moral parecida com a sua. 
Não transforma o errado em certo, nem faz com que seja uma pessoa melhor do que é. 

Também não muda os fatos. O zero de crescimento da economia em 2014 continuou sendo zero depois da contagem final dos votos. As provas de corrupção na Petrobras, já registradas pela máquina judiciária, não podem ser apagadas. 

Eleições servem unicamente para escolher quem vai governar. 
Não resolvem problemas, nem conferem aos ganhadores virtudes que não têm – e obviamente não querem dizer que os perdedores estejam errados, ou devam alguma penitência. 

Dilma, Lula e o PT pregam que os não eleitores de Dilma são “nazistas”, ou um bando de “Herodes” babando para matar o Menino Jesus. Foi a sua obra-prima na campanha – e um demonstrativo perfeito de quantos escrúpulos têm. 
Lula e redondezas inventaram que o adversário era alcoólatra, drogado e vadio. Falsificaram até o dicionário, para colar nele a acusação de “agredir mulheres”. 

Ninguém precisa achar-se um Herodes só porque preferiu votar em Aécio. 
Justamente ao contrário, os 51 milhões de brasileiros que fizeram essa escolha continuam com o direito integral de dormir com a consciência em paz. 

É por aí que o jogo tem de seguir. 

(*) É jornalista, diretor editorial do grupo EXAME e colunista das revistas EXAME e VEJA,

Eu ainda vou conseguir entender

Bellini Tavares de Lima Neto (*) 

Nestes últimos meses, graças ao embalo das eleições, deve ter sido a maior incidência de conversas a respeito de cidadania de que se tem noticia. Nunca vi tanta gente falando sobre o assunto, defendendo com ardor quase heroico essa tal cidadania.
É uma boa discussão, chega até a dar um certo ânimo, especialmente em pessimistas como eu que insistem em ver tudo errado. Mas, na minha idade, já não se enxerga tão bem, mesmo. 

É tudo muito curioso. Chego perto de um cruzamento onde há um semáforo. 
As duas ruas que se cruzam tem um movimento considerável. Acrescente-se a isso o fato de que já é de tarde e o trânsito costuma aumentar. O farol está vermelho para um lado e verde para o outro, o que, de resto, é uma informação das mais relevantes. 
Eis que a coisa se inverte. Mas (sempre existe um “mas”) o problema é que um cidadão (?) que cruzava a rua para onde o farol estava verde, resolveu ir em frente mesmo observando que, depois do cruzamento, tudo estava parado. 
Resultado? Teve que parar no meio do cruzamento, impedindo que os novos cidadãos contemplados pelo novo farol verde pudessem ir em frente. 
Nesse momento começa um buzinaço infernal, o que, aliás, é perfeitamente justificado e compreensível depois que cientistas japoneses descobriram que, buzinar no trânsito tem o poder de abrir caminhos quase que magicamente. 
Trata-se de uma partícula atômica recentemente descoberta e que tem esse poder. 

Como até mesmo a ciência, às vezes, não dá certo, a nova partícula atômica não funcionou e o avanço foi pequeno. Assim, daí a pouco, o farol fica vermelho de novo. 
No entanto, os que estavam perto do cruzamento entendem que tem o direito de atravessar no farol vermelho. Ora, se estavam esperando para atravessar e não conseguiram porque alguém andou mais devagar ou engavetou alguma coisa à frente, nada mais lógico que prosseguir e assim compensar seu prejuízo. 
A isso se dá o nome filosófico de “aproveitar o farol”. 
Só me surpreende que Aristóteles, que tanto se gabou de disciplinar a lógica, não tenha feito menção a esse raciocínio perfeito desenvolvido em terras varonis. 

Eu, então, fico tentando conciliar o principio do “aproveitamento do farol” com a discussão sobre cidadania. Penso, penso, penso enquanto, dotado de uma ingenuidade quase infantil ou fronteiriça, permaneço no aguardo de que chegue a minha vez de passar na cor verde, mesmo sendo portador de uma tal deuteranomalia, que não me ajuda muito em matéria de cores. Pois é. Nos últimos meses se discutiu com todo o furor e entusiasmo essas questões relativas ao desrespeito às leis, sobretudo em matéria de patrimônio público, tesouro nacional e similares. Ora, afinal, botar a mão no dinheiro público é crime, assim como furtar ou roubar o dinheiro privado. 
Então, tudo parecia levar a entender que as pessoas são contra esse ato criminoso. 

O que me deixa um pouco confuso é que, ao que parece, existem uns tantos outros crimes que não gozam do mesmo prestigio. 
Afinal, nós somos contra violar as leis ou não? 

(*) Advogado, avô e morador em São Bernardo do Campo (SP)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dois caminhos

Samuel Pessôa (*) 

O poder no Brasil tem sido disputado por dois partidos sociais-democratas, PT e PSDB. Ambos concordam que o Estado tem que prover as redes básicas de proteção social bem como promover a igualdade de oportunidades. 

Assim, o Estado deve oferecer educação básica pública e gratuita e ter forte presença na oferta direta ou no financiamento da educação superior, como são os casos do Prouni e do Fies. Adicionalmente deve ofertar universal e gratuitamente serviços de saúde. 

Outras atribuições são os seguros contra a pobreza, como o programa Bolsa Família e os benefícios não contributivos da Previdência Social; contra o desemprego, como o seguro-desemprego; contra a doença, como o auxílio-doença; contra a invalidez permanente, como a aposentadoria por invalidez; e contra a carência habitacional, como o programa Minha Casa, Minha Vida, entre outros. 

A forte elevação da carga tributária das últimas duas décadas decorreu da necessidade de construir e manter essa extensa rede de proteção social. 

Nenhum dos candidatos competitivos nesta eleição se posicionou por outro modelo. 
O motivo é que a sociedade, nas diversas vezes em que foi chamada às urnas, tem se pronunciado favoravelmente a esse modelo. O contrato social da redemocratização não está em discussão. Ele é um dado. Na eleição do próximo domingo, o eleitor será chamado a se pronunciar em relação a dois caminhos diferentes para que continuemos a progredir na direção de uma sociedade com maior nível de renda e mais igualitária. 

O caminho do atual governo, conhecido por nova matriz econômica e que venho chamando de ensaio nacional-desenvolvimentista, aposta no fortíssimo intervencionismo estatal na economia. 

Para os formuladores do atual regime de política econômica, devemos perseguir um pacote assemelhado ao adotado pelos países de desenvolvimento rápido do Leste da Ásia, como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e mais recentemente a China continental.

Políticas como a forte presença de bancos públicos no financiamento do investimento, fechamento da economia para proteger setores, desoneração tributária seletiva, entre tantas outras medidas, foram inspiradas nessas experiências asiáticas. 

Para os críticos da nova matriz econômica, como é meu caso, o sucesso das economias asiáticas não está associado ao pacote intervencionista, mas sim ao fato de essas sociedades terem construído sistemas públicos de educação básica de elevadíssima qualidade e de terem negociado um contrato social – em geral de forma não democrática – que produziu no período de rápido desenvolvimento econômico níveis de poupança doméstica sempre acima dos 30% do PIB, com destaque para a elevadíssima taxa de poupança das famílias. 

Por exemplo, as famílias na China poupam o equivalente a 22,5% do PIB chinês, o que significa algo próximo a 50% de sua renda disponível. 
O motivo é que essas sociedades contrataram – quase sempre de forma não democrática, é bom repisar – que a seguridade social é uma responsabilidade individual. 
As elevadíssimas taxas de poupança das famílias e as baixíssimas cargas tributárias resultam dessa “escolha”. É por esse motivo que a nova matriz econômica não funcionou e não funcionará e é por esse motivo que o crescimento sob Dilma despencou dos 4% anuais nos oito anos de Lula para o nível atual de 1,6%. 

A nova matriz econômica tropicaliza a parcela do modelo asiático que não é a responsável pelo crescimento acelerado vivenciado por essas sociedades. 

O caminho alternativo é retornarmos a um modelo de Estado regulador que vigorou nos oito anos do governo FHC e no primeiro mandato de Lula. Esse modelo deu certo e explica a aceleração do crescimento no governo Lula. 

A presidente Dilma, o ministro Mantega e os demais formuladores da política econômica atual não perceberam que a nova matriz econômica e o contrato social da redemocratização não cabem no Orçamento do Estado brasileiro. Insistir na nova matriz econômica é dar murro em ponta de faca. 

(*) É professor da pós-graduação em economia da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (EPGE/FGV), chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV) e editor da revista “Pesquisa e Planejamento Econômico”. 
É também doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP), bacharel e mestre em física pela mesma universidade. É especialista em crescimento, flutuações e planejamento econômico. 

A crueldade com os nordestinos

Ruth de Aquino (*) 

Um absurdo a fúria que emergiu nas redes sociais contra o povo nordestino, por ter votado em massa em Dilma Rousseff. É preconceito de uma minoria ruidosa de brasileiros sem noção. Algo escandaliza ainda mais que isso: a crueldade com crianças pobres em escolas do Maranhão e Alagoas, obrigadas a sair do colégio uma hora mais cedo por falta de merenda, ou forçadas a se arranhar em cercas de arame farpado para fazer suas necessidades no mato, por falta de banheiro no colégio. 

É um crime dos governos condenar crianças do Nordeste a essa calamidade na educação, enquanto, nas favelas do Sudeste, bibliotecas-parque sofisticadas, ao estilo da Colômbia, são construídas e servem de vitrines para o governo petista. 

Por que essa discriminação com o povo nordestino? 
Não faz sentido que, depois de 12 anos de governo de “esquerda”, os filhos do Nordeste continuem a estudar em escolas improvisadas de taipa e terra batida, descalços, sem kit escolar, sem ao menos o arroz, pedido modestamente por uma menininha maranhense. 

Será que, entre as novas ideias do novo governo, está o respeito aos direitos humanos da infância nordestina? Esses direitos constitucionais englobam educação, saúde, saneamento básico e o fim da tuberculose, que mata mais que o ebola no mundo subdesenvolvido. 

Incluem ainda oportunidades de ascensão de jovens sem dependência financeira do Estado e o direito a uma vida digna, que reduza drasticamente a gravidez precoce e a prostituição infantil e juvenil. Esperamos que o novo governo encampe ideias velhas e deixemos de ver uma realidade de cortar o coração. 

Essas imagens foram exibidas na sexta-feira pelo programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Reportagens em campo mostram o país real, não aquele da propaganda eleitoral ou aquele protagonizado por discussões partidárias inócuas. Quanto besteirol de todos os lados na semana passada. 

O plebiscito anunciado por Dilma, que deveria criar conselhos populares para fazer a reforma política, era natimorto. Conscientes de que Câmara e Senado vetariam novamente, Dilma e o PT só queriam uma cortina de fumaça pós-eleição, para desviar a opinião pública dos desafios concretos. 

Os “conselhos populares” – que não garantem participação real do povo nos rumos do Brasil – abriram rusgas entre um Congresso corporativista e a mãe dos pobres. 
Com um detalhe: a maior oposição ao novo governo vem da base aliada, do PMDB e dos PTs regionais. Renan Calheiros, o presidente do Senado, diz que “conversa não arranca pedaço”. Verdade. 

Só arranca um dinheirinho aqui, um cargo ali, uma promessa lá. O índice de rejeição mais complicado hoje para Dilma está no Congresso, entre os “muy amigos”. 
A palavra mais usada é “rebelião” 

Enquanto engravatados se digladiam por interesses e ministérios – antes das férias regiamente pagas de verão –, sugiro que Lula e Dilma continuem com as excursões ao Brasil profundo ou acompanhem e leiam reportagens que denunciam a crueldade com o nordestino, do parto à morte. Já existe um muro da vergonha que separa Sudeste, Centro-Oeste e Sul de Nordeste e Norte. Esse muro não foi derrubado por um governo que, em mais de uma década, cumpriu muito menos que prometeu, a ponto de encarar 51 milhões de votos contra a permanência do PT no Poder. 

Não há, no Brasil, 51 milhões de ricos, direitistas da elite ou remediados. 
Essa massa está insatisfeita e não tem tempo ou interesse de se reunir em “conselhos” e ajudar o governo ou ONGs a tomar as decisões necessárias para colocar o país nos eixos. Dilma e Lula sabem muito bem do que o Brasil precisa. Especialmente Norte e Nordeste, que continuam com indicadores sociais africanos, enquanto obras superfaturadas – como a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e tantas outras – consomem e desviam bilhões de verba pública. Até a mandioca é fonte de propina, não de proteína. Obras de interesse público são interrompidas por irregularidades e ineficiência. 

Lá em cima do Brasil, o buraco é muito mais embaixo. 
Especialmente nos dois lanternas dos indicadores sociais: Maranhão e Alagoas.
Quase 40% das crianças maranhenses entre 8 e 9 anos não sabem ler nem escrever. Segundo o IBGE, o Maranhão tem o segundo maior índice de mortalidade infantil do Brasil, inferior apenas ao de Alagoas. De cada 1.000 nascidos no Maranhão, 29 não sobrevivem ao primeiro ano de vida. Em Alagoas, o IDH é igual ao do Gabão. 

Esse é o preconceito que mata os nordestinos. Deve ser considerado crime. 

Jornalista com mestrado em Mídia na London School of Economics e tese sobre Ética. Trabalhou na BBC, foi correspondente em Londres e Paris, editora internacional, diretora de redação e redatora-chefe. 
Email: raquino@edglobo.com.br 
Twitter: @ruthdeaquino

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Produção de bambu surge como nova oportunidade de negócio

Universo Agro 

Bastante difundida nos países asiáticos, a produção de Bambu é uma nova e boa oportunidade de negócio ao produtor rural. 
Com demanda crescente, o bambu é um material sustentável para a produção de biomassa na geração de energia e uma opção de crédito de carbono às empresas que precisam compensar suas emissões de gases poluentes. 

Além dessas, existem outras centenas de utilidades econômicas para o bambu que vai da produção de papel e celulose, embalagens, estrutura para a construção até para alimento. 

Ao contrário de culturas como milho e soja, o bambu tem um custo inicial maior. Mas por ser uma cultura perene, não há necessidade de replantio e permite colheita anual. Apresenta rápido crescimento e a primeira colheita se dá já no quinto ano após o plantio, com produtividade comparável ou superior ao eucalipto ou o pinus. 

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Bambu (Aprobambu), o investimento inicial gira em torno de R$ 2,5 mil por hectare.
"Considerando o preço médio da biomassa em R$ 150,00 a tonelada e uma produtividade mínima de 15 toneladas por hectare, a partir do quarto ano já é possível recuperar o investimento inicial", calcula a entidade. 
Outra vantagem, é que a produção de bambu pode ser cultivada em terras degradadas e também em consórcio com outras atividades. 

Já existem linhas de crédito para financiar a atividade no Banco do Brasil e no Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar). Apesar disso, a produção de floresta de bambu ainda é pequena no Brasil, estimada em 1,5 milhão de hectares entre plantados e nativo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Governo quer conceder mais aeroportos à iniciativa privada

IstoÉ Independente 

O ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, anunciou hoje (30) que, em breve, será retomado o processo de concessão de aeroportos brasileiros à iniciativa privada. 
Ele informou que novas concessões só serão anunciadas com a conclusão de um estudo de reestruturação da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), prevista para a próxima semana. 

Após reunião no Rio de Janeiro, no entanto, o ministro disse que o governo planeja conceder aeroportos das regiões Sul, Norte e Nordeste. 

Até o momento, cinco aeroportos que eram administrados pela Infraero foram concedidos à iniciativa privada: 
Guarulhos (em São Paulo), 
Viracopos (na cidade paulista de Campinas), 
Juscelino Kubitschek (em Brasília), 
Galeão (no Rio de Janeiro) e 
Confins (em Belo Horizonte). 

A nossa guerra civil

Revista Exame 

São números que caberiam mais entre as estatísticas de uma guerra. 
O ano de 2012, o último com informações nacionais disponíveis, foi marcado pelo maior índice de homicídios já registrado na história do Brasil. 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2013, que compila dados das secretarias estaduais da área, aponta que houve um total de 50 000 assassinatos, gerando uma taxa de quase 26 mortos por grupo de 100 000 habitantes, a 16ª mais alta do mundo. 

O Mapa da Violência, organizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais com dados do Sistema Único de Saúde, traça um cenário ainda mais aterrador: 56 000 mortes em 2012, uma incidência de 29 para cada 100 000 brasileiros. 
No início dos anos 90, a taxa beirava 20, e no começo da década de 80 era inferior a 12. 

Trata-se de um aumento de 150% em 30 anos. Os homicídios até chegaram a cair no início da década passada, mas voltaram a crescer após 2007. A escalada acontece justamente quando indicadores sociais e econômicos sugerem que deveria ter ocorrido o contrário. 
As desigualdades de renda foram reduzidas nos anos 2000, e 40 milhões de pessoas foram incorporadas à classe média. 

A população de 15 a 19 anos, faixa em que ocorre a maioria das mortes violentas, caiu nos anos 2000 pela primeira vez na história. O desemprego nas maiores metrópoles diminuiu de 12,4%, em 2003, para 5,4%, em 2013. Os estudiosos do tema estão coçando a cabeça e se perguntando: que diabo está causando a explosão da violência no Brasil? 

Para começar a entender o problema, é preciso olhar onde ele assume contornos mais dramáticos. Os estados do Norte e do Nordeste do Brasil são os que estão puxando a média nacional para cima. No Rio Grande do Norte, na Bahia e no Maranhão, a taxa de assassinatos cresceu acima de 200% de 2002 a 2012. Pará, Ceará e Amazonas tiveram altas de mais de 150%. 

Enquanto isso, a criminalidade em estados populosos como São Paulo e Rio de Janeiro caiu graças a políticas de segurança pública mais estruturadas. Nos últimos cinco anos, Pernambuco também entrou para esse time, se tornando o único estado nordestino em que a violência caiu. 

Uma hipótese para explicar a diferença na evolução da violência diz respeito à gestão. Essa teoria encontra guarida num relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de abril deste ano. O TCU enviou às secretarias de Segurança Pública de todos os estados perguntas sobre padrões de qualidade na gestão. 

Resposta: na média, as secretarias estão em estágio inicial na avaliação de resultados de suas políticas e desenvolvimento do capital humano. O TCU considera insuficiente a adoção de planos para guiar as ações desses órgãos. 

Metade dos estados afirma não fazer levantamento sobre a necessidade de capacitação dos quadros, quando é fundamental que funcionários se atualizem para manipular dados estatísticos e usar corretamente as tecnologias disponíveis. Agora, um novo relatório está sendo elaborado, em parceria com os Tribunais de Contas estaduais.

Ele envolverá visitas in loco para avaliar se as respostas correspondem à realidade.
A expectativa é que a conclusão seja ainda mais frustrante, visto que o TCU já identificou a tendência de os gestores exagerarem a seu favor ao responder aos questionários. 

Quem é responsável?

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Surpresas

Bellini Tavares de Lima Neto (*) 

Ao que todo indica, instalou-se a cizânia no Brasil. 
O país se dividiu entre norte-nordeste e sul-sudeste e têm surgido inúmeras manifestações sobre o assunto. Alguns são incisivos em suas teses de que realmente isto aqui deveria ser dividido ao meio. Outros se posicionam de forma contrária e tacham de puro preconceito essa grita do sul contra o nordeste e vice-versa. E todos parecem surpresos com isso. 

Pois eu estou realmente surpreso. Mas estou surpreso com a aparente surpresa que tem tomado conta das pessoas. Quem é que não conhece a história do rei que saiu do palácio sem roupa e ninguém se atreveu a reconhecer que ele estava nu, exceto um garotinho, ainda não contaminado pelo vírus da conveniência social, que soltou a frase destinada à consagração: “Mas o rei está nu!” Ora, esse tratamento hostil entre sul e nordeste é tão antigo quanto a própria sociedade brasileira. Da mesma forma que bancos e negros se tratam com hostilidade. E, mais recentemente, entraram na dança os adeptos de preferenciais sexuais pouco ortodoxas. Em quase todos os segmentos sociais deste país existe essa hostilidade. E, talvez até recentemente, um dos grandes pontos dessa efervescência tem sido o futebol. A intolerância é uma marca registrada do comportamento da população brasileira. O brasileiro é cordial até que algo não saia exatamente como deseja. A partir daí, adeus cordialidade. 
Entra em cena a hostilidade. Isso é alguma novidade? 

A disputa entre sul e nordeste existe há décadas, séculos talvez. 
É ainda mais forte que a desavença entre ricos e pobres. As classes pobres brasileiras desenvolveram um tipo bastante característico de raciocínio. Via de regra, elas não querem melhorar e sim, desejam que os ricos sejam punidos. E, de onde será que isso vem? A meu ver isso é o produto exclusivo da manipulação que, sobretudo a classe política, exerce desde sempre. Em toda campanha eleitoral as manifestações são sempre as mesmas. Pessoas que jamais entraram em um restaurante popular são flagradas comendo a “comida deles”. E “nós”, acostumados ao colonialismo cultural, à submissão e à subserviência em troca da sobrevivência, nos mostramos extremamente honrados e felizes. Mas, junto com a falsa proximidade, vem, invariavelmente, o discurso populista de que temos que combater a classe “deles”. Para que não me flagrem comendo caviar, como uma buchada de bode e digo o quanto “eles” são maus e precisam ser punidos. Funciona que é uma beleza. 

Essa forma de manipulação não é nova. Existe há décadas. 
O “Pai dos pobres” não é criação deste século. Vem da primeira metade do século passado. O que acontece é que, de um momento em diante, se tornou institucional. 
Vamos enfatizar essa dicotomia e tirar proveito dela. Vamos incitar com força a rivalidade entre “nós e eles”, mesmo que “nós”, a rigor, não façamos parte dessa categoria de “nós”. E mesmo que “eles” não sejam tão “eles” assim. O que vamos conseguir com isso? 
Os mesmos resultados de sempre, o afago artificial no ego combalido das classes desfavorecidas e sua gratidão subserviente. E assim vamos caminhando com nossos bastões e nossos bordões. 

Da mesma forma que os dirigentes de futebol se valem da rivalidade clubística que eles mesmos desenvolveram e tiram partido ela, a política tem adotado procedimento exatamente igual. Tem destilado o ódio entre as classes e enquanto as classes se digladiam, o grupo fechado se beneficia de tudo. 

Seria muito bom refletir sobre um dado: desde os mais remotos tempos as classes ditas dominantes exerceram um tipo de escravidão sobre imensa parcela da população e a manteve no “status” em que sempre esteve. Ninguém ignora isso. E esse comportamento nos trouxe ao patamar de subdesenvolvimento que atingimos hoje. 
Mas, inverter os lados e criar, agora, uma classe de explorados que vai dar o troco aos exploradores só vai nos manter no mesmo patamar. 
Ou, o que é pior, vai nos afundar ainda mais. 

É óbvio que o Nordeste é uma região mais subdesenvolvida do que o resto do país. 
E manter essa região nessa situação tem servido muito bem aos propósitos de um contingente de pessoas, seja na política, seja no segmento econômico-financeiro. 
O Nordeste não se desenvolve porque não há interesse nisso e nunca houve. 
As secas são tão antigas quanto o próprio país e jamais foram controladas porque nunca houve interesse nisso. Já houve até organismos estatais (SUDENE e SUDAM) com o propósito formal de desenvolver aquelas regiões e, no entanto, só se prestaram à exploração econômica em beneficio de alguns. 

Estimular o litígio entre as regiões só vai fazer com que a situação se prolongue eternamente, situação que interessa rigorosamente apenas e tão somente aos de sempre. Mas, demonstrar essa surpresa de vestais diante de algo que acontece há séculos me parece inteiramente fora de propósito. Esta terra só vai começar a se mover em alguma direção quanto deixarmos de lado esse falso pudor e começarmos a olhar para os nossos pés de pavão, nossas mazelas que são muitas, abandonarmos esse patriotismo hipócrita e de ocasião. A cizânia existe desde sempre e vai continuar existindo enquanto não nos conscientizarmos disso. 

O resto é continuar dando milho aos pombos e pérolas aos porcos. 

(*) Advogado, avô e morador em São Bernardo do Campo (SP)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

“Se Dilma continuar, o Brasil vai virar uma Argentina”

IstoÉ Dinheiro 

Lawrence Pih
Em 1989, o empresário Lawrence Pih, dono do maior moinho de trigo da América Latina, o Moinho Pacífico, surpreendeu seus pares ao declarar voto no então candidato Lula. 
Aos 72 anos, Pih diz que rompeu com o PT após a crise econômica, em 2008, por questões ideológicas. Em entrevista à DINHEIRO, na quarta-feira 1º, em seu escritório, em São Paulo, o empresário chinês se mostrou preocupado com o futuro do País e afirmou que votará na oposição nesta eleição. 

Qual deve ser a prioridade na economia brasileira? 
Tratar com mais cuidado das contas públicas. É preciso apoiar os três pilares da nossa economia, que são o superávit primário, a meritocracia e o câmbio flutuante. 

O sr. acha que, numa eventual reeleição de Dilma, não haveria comprometimento com esse tripé econômico? 
Não. Pelo histórico dos quatro anos, não há indícios de que esses pilares serão abraçados. Temos uma meta de superávit primário de 3,1%, mas, infelizmente, não vai chegar nem a 1%. É errado ter superávit primário deficitário, como vem ocorrendo nos últimos meses. As contas fiscais estão bastante frágeis. 

O sr. teme que o País possa perder o grau de investimento pelas agências de classificação de risco? 
Com certeza. Se continuar assim, perderemos o grau de investimento. Haverá um corte na nota nos próximos seis meses. E daí a coisa complica, porque muitos investidores serão obrigados a vender os títulos da dívida brasileira. 

A inflação está beirando o teto, o PIB cresce pouco e as contas públicas estão deficitárias. Haverá ajustes, independentemente de quem vencer, certo? 
O mercado vai impor os ajustes. E sabemos que, quando o mercado impõe, os custos são sempre maiores. Quando você diz que a inflação está beirando 6,5%, eu contesto isso. 
Eu acho que a inflação real está mais perto de 8% a 9%, pois há um monte de preços represados. Se não tivesse represamento de tarifas de energia, ônibus, combustível, estaria mais perto dos 8%. Não posso aceitar essa tese porque a inflação é artificial. 
Não é controle, é supressão. 

O sr. acha que estamos passando por um processo de “argentinização”? 
Se Dilma continuar, o Brasil vai virar uma Argentina, sem dúvida. E a minha grande preocupação é que, depois da Argentina, sejamos uma Venezuela. 

Uma eventual vitória da oposição, com Aécio ou Marina, seria uma maneira de reverter esse processo? 
Eu diria que, num primeiro momento, estancar. As correções que devem ser feitas são enormes.

Dá para resolver tudo em quatro anos? 
Não conserta tudo, mas dá para começar. É verdade que a crise mundial em 2008 não ajudou a economia, mas, de lá para cá, a intervenção do Estado tem criado uma situação cada vez mais difícil para nós. 

A intervenção estatal excessiva inibe o setor privado? 
Com certeza. Quando as regras não são claras, o governo é pouco previsível e há insegurança jurídica, o capital foge. A partir da segunda metade do mandato do Lula, senti nitidamente um viés ideológico. Por isso, rompi com ele. O Bolsa Família, por exemplo, é importante – e isso é inegável. Resgatou da miséria uma parte importante da população. 
A questão que nunca devemos esquecer é como financiar isso. E como criar portas de saída do programa. 

O papel do BNDES está correto? 
Usar o BNDES, assim como o Banco do Brasil e a Caixa, é um instrumento que o governo tinha para bancar os empréstimos. Entretanto, se for olhar com cuidado, os financiamentos se restringem aos mesmos players, com grande quantidade de recursos concentrados em mãos de poucas empresas. E como é um crédito subsidiado, todo mundo quer, mas nem todo mundo tem acesso. 

É justa a crítica de que o BNDES escolhe os campeões da economia? Primeiramente, como definir o campeão? O critério é técnico ou político? 
Pelo visto, tem um conteúdo político. Não digo em todos os financiamentos, mas em alguns. 

O sr. teme que, se reeleita, Dilma Rousseff não terá coragem para colocar a economia nos trilhos? 
Não é coragem. O problema da Dilma é a ideologia. Ela tem certeza de que o modelo chinês funciona no Brasil. E não funciona. Primeiro, porque o regime na China é autoritário. Não tem Congresso para negociar. Além disso, é uma sociedade cooperativista, não individualista. Aqui, no Brasil, há 3,5 milhões de ações trabalhistas por ano. Lá, na China, isso só é permitido quando o governo autoriza. 

Como estará a economia brasileira em 2018, em caso de reeleição de Dilma? 
Estaremos numa situação muito difícil. Não veremos as reformas de que precisamos, a começar pela reforma política, a tributária, trabalhista e a da previdência. 

Como estará o seu setor daqui a quatro anos? 
Depende do câmbio. As empresas mais cautelosas fazem o hedge, mas, com os juros primários altíssimos, o custo também é altíssimo. Porque o custo é volatilidade mais o custo do dinheiro. E os dois são altos. Quando o câmbio desanda, sou obrigado a repassar os custos quase de forma imediata. Mas, no fundo, o que o empresário quer é previsibilidade. Não importa se o câmbio é R$ 2 ou R$ 4. O que queremos é que ela seja mais previsível. Quando não há regras claras, fica difícil fazer qualquer previsão. 

O sr. já disse que votará na Marina no primeiro turno. E se o Aécio for para o segundo turno com a Dilma? 
Irei apoiá-lo. O Armínio Fraga, que o Aécio já designou como ministro da Fazenda, se eleito, é uma pessoa que tem um sólido conhecimento de economia e fará uma gestão muito boa. O pessoal do PSDB me impressiona muito bem. 

O sr. já esteve alguma vez com a presidenta Dilma Rousseff? 
Não, nunca estive interessado em conversar com ela. E nem o Lula me procurou para saber por que eu mudei de lado. Eles não se preocupam em saber por que deixei de apoiar o PT porque, no íntimo, sabem muito bem. 

Como está o humor dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil? 
Muito negativo. Um monte de colegas está a ponto de retirar o capital daqui. Tanto que o câmbio subiu para R$ 2,48. Daí haverá controle de capital. 

O sr. se considera pessimista com o Brasil? 
Não sou pessimista, sou realista. Se fosse pessimista, não seria empresário. Se fosse pessimista, seria funcionário público.

O que sabe Lula sobre o nazismo?

Blog do Fucs (*)  para revista Época 


É estarrecedor, para usar a palavra preferida pela presidente Dilma Roussef na campanha eleitoral, a comparação dos tucanos com os nazistas, feita ontem por Lula, durante um comício em Recife. No mesmo tom raivoso com que vem destilando suas críticas a Aécio, Lula afirmou, para surpresa e indignação não apenas de seus adversários, mas principalmente dos que viveram os horrores do regime de Hitler, nos anos 1930 e 1940: “De vez em quando, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediam no tempo da 2ª Guerra Mundial”. 

Num sinal de que perdeu completamente a noção dos limites estabelecidos pelo jogo eleitoral, Lula ainda comparou os líderes do PSDB a Herodes e Dilma, a Jesus: 
“Outro dia eu dizia para eles: vocês são mais intolerantes que Herodes, que mandou matar Jesus Cristo quando ele nasceu, com medo de ele virar o homem que virou. E vocês querem acabar com o PT, com a nossa presidente, querem achincalhar ela, chamar ela de leviana”. 

É inacreditável que um ex-presidente chegue a esse nível de apelação para angariar votos para sua candidata numa eleição que deverá ser decidida voto a voto até o final da apuração. Com a história não se brinca, mesmo que se admita “fazer o diabo para vencer uma eleição”, como chegou a afirmar Dilma no início da campanha. 
Mesmo que se aceitasse que a palavra "leviana" fosse mesmo um xingamento, que até hoje não constava dos dicionários do gênero, e mesmo que Lula tivesse razão sobre a intensidade dos ataques desferidos pela oposição contra Dilma – o que, como se sabe, não é verdade -, isso não justificaria a comparação feita com um dos regimes mais sanguinários e autoritários de toda a história. Nada, absolutamente nada, nas atitudes de Aécio guarda a menor semelhança com a carnificina provocada pelos nazistas em todo o mundo, até porque ele apenas reagiu à tentativa de “desconstrução” de sua candidatura pelo PT – uma estratégia adotada com sucesso no primeiro turno contra a candidata do PSB, Marina Silva, e contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, em eleições passadas. Diante da afirmação estapafúrdia de Lula, talvez seja o caso de perguntar aqui: o que ele sabe sobre o nazismo? 

Exceto pelo estreito contato que mantém com a central de infâmia montada pelo PT contra seus adversários, comandada pelo marqueteiro João “Goebbels”Santana, como afirmou o cineasta Fernando Meirelles, numa referência a Joseph Goebbels, o temido ministro da propaganda nazista, Lula parece saber muito pouco sobre o regime de Hitler. Sua aproximação com o ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fala por si mesma. Numa prova inequívoca de má fé e ignorância histórica, Ahmadinejad, um dos maiores inimigos de Israel, sequer reconhece a ocorrência do Holocausto, como é conhecido o extermínio de seis milhões de judeus por Hitler, na Segunda Guerra Mundial. 

Se Lula se preocupasse mais com as ações de seu próprio partido e de seus aliados, talvez pudesse aprender um pouco mais sobre o regime hitlerista. 
Em vez de acusar os tucanos de agir como nazistas, Lula deveria ter demonstrado um mínimo de indignação quando a blogueira cubana, Yoani Sánchez, foi impedida de dar uma palestra no Brasil pelas milícias fascistas de seus aliados. Mas, como ela critica a falta de liberdade na ilha de seu amigo Fidel Castro, ele preferiu fazer vistas grossas. 

(*) Jornalista desde 1983. Foi editor executivo da Exame, editor chefe da PEGN e repórter da Gazeta Mercantil, do Estadão e da Folha

Lentidão do Congresso Nacional poderá custar caro aos agricultores

Universo Agro 

Congresso Nacional ‘pisa na bola’ com produtores rurais ao deixar de votar medida importante para o setor. 

Ironia do destino ou não, no país com uma das mais elevadas cargas tributárias, os cofres públicos desta vez estão de olho nos principais instrumentos de trabalho dos produtores: os equipamentos agrícolas. E um claro indicativo, vem do Congresso Nacional, que, infelizmente, não votou em tempo hábil a Medida Provisória (MP) 646/2014, que dispõe sobre as normas para circulação de máquinas agrícolas em vias públicas. 

De acordo com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, Fetag, embora a MP não atendesse todos os pleitos do Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, MSTTR, ela melhorava a situação, pois minimizava os impactos das resoluções do Conselho Nacional de Transito, Contran. 

“Compreendemos a dificuldade de votações no período eleitoral, mas vamos pagar pela ineficácia congressual”, observa Sérgio de Miranda, tesoureiro-geral da Fetag. 

Miranda explica que ainda não se sabe o que vai acontecer, pois havia uma resolução (nº 447, de 25 de julho de 2013) dizendo que o registro de equipamentos agrícolas seria obrigatório a partir de 01 de janeiro de 2015.

Desta forma, se o Congresso tivesse votado e aprovado a MP, os equipamentos fabricados até agosto de 2014 estariam isentos, sendo obrigatório apenas o registro de equipamentos novos, embora a Fetag julgue que estes também deveriam ser isentos. 
“Estamos negociando com Brasília para que este assunto seja incluído em alguma outra MP. Acreditamos que será possível, e vamos batalhar duro para isso”, destaca. 

Para o produtor rural, a não votação da MP é um sinal de descaso do Congresso para com os agricultores. “É muito lamentável”, ressalta Miranda. 

Por enquanto, a Fetag orienta os produtores para que não tomem medidas, apenas aguardem para ver se há possibilidade de reverter a situação. 
“A Contag e as Federações traçarão uma estratégia de atuação para solucionar o problema, pois volta a vigorar as normas do Código Brasileiro de Trânsito e as resoluções do Contran”, alerta o dirigente. 

Quanto ao valor do emplacamento, Miranda comenta que ainda não é possível estimar o valor que ficará, mas que o produtor poderá ter custos adicionais. 
“Além do valor do registro obrigatório, o agricultor poderá ter gastos adicionais com a instalação de itens de segurança nos equipamentos”, destaca.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Falta de Infraestrutura e Logística: inimigo número um do produtor rural

Vanderlei Silva Ataídes (*)  

A agricultura brasileira vem crescendo cada vez mais, e com isso sé tornando um setor de muita importância na economia do país. Mas existem fatores que acabam prejudicando esse crescimento direta e indiretamente, como a falta logística. 
Com esse avanço agrícola, vários estados que antes só tinham o comércio madeireiro e a pecuária como opção-econômica aderiram a essa nova alternativa. 
Um dos grandes exemplos disso é a cidade Paragominas no Sudeste do Pará, que aderiu fortemente a agricultura e vem se destacando como uma nova fronteira agrícola do Brasil. 

Não por acaso, os dados históricos da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostram que é a região agregada do MAPITO, da Bahia e do Pará (PAMAPITOBA) onde as culturas agrícolas, em particular a soja, mais cresceram nos últimos dez anos. 
Em conjunto, a soja nesta área de fronteira cresceu 189% entre 2004 e 2014. 
Dentre os estados, o Pará se destaca como o segundo estado de maior crescimento da área agrícola, 260%, sendo superado apenas pelo Piauí que cresceu 320%. 

Ainda assim, toda a área de soja no Pará representa pouco mais de 0,1% da área do estado, demonstrando não ser um fator de pressão de desmatamento no Bioma Amazônia. Conclusão semelhante chegaram os responsáveis pelos levantamentos da chamada Moratória da Soja, encabeçada pela Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Nacional de Exportadores de Cereais (ANEC), ação apoiada por diversas ONGs ambientalistas e clientes europeus. Tudo isso mostra que a agricultura cresce em bases sustentáveis no estado do Pará. 

A Amazônia NÃO fica no Brasil? É isso mesmo, Dilma? I

Instituto Eco Amazônia 

No debate ocorrido na TV Record, Dilma Rousseff (PT) disse que entre as obras de integração do seu governo está a “linha de transmissão que liga a AMAZÔNIA AO BRASIL”. 

É claro que não passa de um ato falho da presidente, mas é um ótimo ponto de partida para algumas reflexões. A verdade é que para muitos brasileiros a Amazônia ainda é algo totalmente exótico: Amazônia lá e nós aqui. Esquecemos que dependemos dos serviços ecossistêmicos da maior floresta tropical do mundo, como a regulação do clima. 

Mas, o consumo final da maior parte dos produtos que geram desmatamento estão nas grandes cidades, como a carne de boi. O consumo consciente desses produtos, como questionar a origem, é uma ótima forma de combatermos o desmatamento. 
Para cuidar, é preciso conhecer: é essa a nossa missão aqui no Instituto Eco Amazônia. 

Também preocupa a possibilidade de, ao invés de deslize, a afirmação da presidente ser um reflexo do que ela realmente pensa. Afinal, este é o governo que defende a construção de centenas de hidroelétricas na Amazônia. 

Será que ao confundir que a Amazônia não é no Brasil, ela deixou escapar que pensa que a Amazônia não "É" o Brasil? 
Ou seja, um pensamento parecido com o "nacional-desenvolvimentismo" da ditadura milhar, que considerava a floresta uma ameaça à integridade nacional? 

Desmatamento aumenta: 
O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) da ONG Imazon, detectou que em setembro deste ano houve um aumento do desmatamento de 290% em relação a setembro de 2013. 

Já a degradação florestal, quando não há o desmatamento total, aumentou 3.797%. 
Enquanto isso, o governo adiou mais uma vez a divulgação dos dados oficiais para depois do segundo turno. Por que será?

Lixo, um inimigo invisível

Paulo Terron 

Cada vez mais presente em nossas vidas e, ainda assim, muitas vezes invisível, o lixo é um dos maiores inimigos do mundo contemporâneo. É possível acabar com ele? 

O ritual de colocar o lixo para fora de casa traz uma sensação irreal; a de que a nossa relação com aqueles resíduos termina ali, distante da intimidade dos nossos lares. 
Uma pesquisa do Ibope, há dois anos, apontava o tratamento e acúmulo de lixo como a quarta preocupação do brasileiro sobre o meio ambiente, atrás de desmatamento, poluição da água e aquecimento global. 
"Como na maior parte do Brasil existe coleta de lixo, ele parece ser objeto de um passe de mágica; você o coloca para fora de casa e alguém o leva", explica Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. "O problema vem de um impacto que não é perceptível", completa. 

Para Mattar, a falta de conhecimento sobre os impactos do lixo no meio ambiente ajuda nessa passividade. "Para as pessoas, uma vez que o lixo sai dos domicílios, alguém está cuidando dele. O suposto é que o problema está sendo resolvido. 
Mas o impacto da decomposição nos lixões, que gera enormes quantidades de chorume que entram pela terra e poluem lençóis freáticos, é algo que não é visto. 
É completamente invisível, opaco." 

Em 2013, cada habitante do Brasil produziu em média pouco mais de 1 quilo de lixo ao dia. Esse número - que não considera, por exemplo, dejetos industriais - é parecido com a média de outros países, como Suécia e Estados Unidos. A diferença, entretanto, está no destino desse lixo. 

Resolver a questão pode não ser simples, mas há alguns caminhos para isso. Afinal, a maior parte dos resíduos pode ser reaproveitada, especialmente na compostagem (para orgânicos), reciclagem e até na polêmica queima para geração de energia. 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei aprovada em 2010 depois de mais de duas décadas de debate e impasse, é um marco nesse sentido. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O legado da Copa das Copas !!! Parabéns Brasil

Institutos suíço e alemão mostram para o mundo. O quanto o Brasil ficou de joelhos para a Fifa, por causa da Copa mais cara da história. O legado? A conta de R$ 33 bilhões que ficou para os brasileiros pagarem…

Cosme Rímoli (*) 

Foi necessária uma análise de fora. 
Um estudo profundo divulgar ao mundo o que jornalistas brasileiros já haviam denunciado há muito tempo. O Brasil como país perdeu com a Copa do Mundo. 
E a Fifa teve o maior lucro com uma competição da sua história. 
O balanço foi feito pela instituição suíça Solidar em parceria com o alemão Institut Heinrich Boll. 

Dilma Rousseff e Aécio Neves têm sua parcela de culpa. 
Uma por seguir com planejamento absurdo. 
O outro por se calar, não protestar, tentar tirar Minas Gerais desse cenário vexatório.
 Pelo contrário, até brigou pela abertura da Copa em Belo Horizonte. 
Não há anjo entre os presidenciáveis. 

As conclusões deixam ufanistas iludidos com vergonha de se olharem no espelho. 
Com o governo brasileiro bancando a maior parte dos gastos da competição. 
E virando as costas a várias promessas de melhoria na infraestrutura das cidades que foram sedes dos jogos. 
Sem o menor constrangimento, políticos oportunistas se aproveitaram da festa. 
Dois bilhões de reais foram gastos só em uma operação inédita que colocou o Exército e as Forças Especiais nas ruas para ajudar as policias. E a prisão um mês antes do início do Mundial dos principais líderes dos protestos de 2013. 
Só assim, os turistas tiveram direito ao paraíso artificial que virou o país.

"A Copa no Brasil não terá um centavo de dinheiro público. A iniciativa privada bancará o Mundial." 
A promessa de Ricardo Teixeira virou piada. 
A Folha de São Paulo divulgou um estudo destacando que os custos ao governo brasileiro ficaram em R$ 35 bilhões. 
Das 12 arenas construídas só três foram particulares. 
O Itaquerão, a do Internacional e a do Atlético Paranaense. 
As demais foram bancadas pelo governos estaduais e municipais. 
Mesmo nessas particulares, houve incentivo fiscal e condições de empréstimos financeiros especiais. Ou seja, o país perdendo mais dinheiro.