terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Vândalos nos mercados

Vinicius Torres Freire (*) 

A bolsa brasileira foi a que mais apanhou ontem no mundo. As ações da Petrobras entraram no picador de papel. Não haveria muito jeito de as ações da petroleira escaparem, pois têm muito peso na Bolsa daqui. Enfim, quase tudo aqui estava caindo pelas tabelas. 

A Petrobras apanha, de resto, por causa do paniquito com o preço de matérias-primas, que supostamente iria para o brejo, dada a supostamente perigosa desaceleração da economia chinesa. Por fim, a Petrobras deve estar apanhando também porque está no bico do urubu, dada a política equivocada de preços do governo, entre outras. 

Como se sabe, o governo tabelou o preço da gasolina, combustível que a Petrobras é obrigada a importar caro e a vender barato no Brasil. Em reais, o preço dos combustíveis está cada vez mais caro, dada a desvalorização do real. 
Logo, a Petrobras perde mais dinheiro. 

O caso do Brasil, ainda mais o da Petrobras, foi só um dos barcos fazendo água na tormenta do mercado financeiro internacional, que por ora, ao menos, está destrambelhado. 

O tumulto está de bom tamanho desde a semana de 22 de janeiro. 
O problema era a Turquia. Depois, Turquia e Argentina. Depois, uma meia dúzia de "emergentes". Agora, os donos do dinheiro grosso nos Estados Unidos e demais centros do mundo rico estão atirando nos próprios pés. 

O que teria havido ontem, de específico, se é que dá para discutir essa maluquice desse modo? Foram divulgados mais dados fracos da produção industrial da China e dos EUA. 

A lerdeza chinesa, além do medo da quebra de fundos chineses, faz uns dez dias havia balançado os "emergentes" (que terão problemas em financiar suas contas caso a China cresça bem menos, dado que o capital já estava em parte voltando para os EUA). Agora, veio esse dado fraco americano. 

Mas a economia americana não estava se recuperando? Estava, aparentemente está, embora ainda não estivesse claro o ritmo. De qualquer modo, indicadores de atividade econômica de apenas um mês e de um setor não dizem lá grande coisa. 

No entanto, isso bastou para mexer nos preços dos ativos financeiros. 
Tempere-se esse caldo com rolos em muitas parte do mundo relevante ("emergentes grandes", China etc.) com uma colherada de propensão à histeria dos "mercados" e pronto. O caldo entorna. 

A princípio, poderia até não ser nada sério, poderia ser que a coisa se acalmasse já hoje, terça-feira. Mas pode ser que não. O fato de haver essas chacoalhadas loucas no mercado pode causar acidentes graves. 

Sim, há problemas reais. A China desacelera, sim, mas ninguém sabe quanto; o capital emigra dos "emergentes", sim, muitos dos quais estavam meio de calças curtas, consumindo demais. Mas nenhum desses fatores era desconhecido na semana passada. 

No entanto, há medo. Donos do dinheiro grosso tiram dinheiro das Bolsas americanas e de ativos "emergentes", inflados por anos de capital barato. Migram para os títulos do Tesouro americano faz uns 15 dias. 

Desde quinta, o juro dos títulos brasileiros de dez anos está acima de 7% REAIS (isto é, além da inflação). Faz um ano, estava em 3,5%. Viaja para as alturas na companhia do dólar." 
Bom dia, presidenta Dilma. Os arruaceiros batem à porta. Está na hora de acordar. 

(*) Jornalista e está na Folha desde 1991. Foi secretário de Redação, editor de 'Dinheiro', 'Opinião', 'Ciência', 'Educação' e correspondente em Paris. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômic

Mais um idiota de plantão

Braço erguido prova que PT não aprendeu nada 

Blog do Josias (*) para UOL 

O PT tem um ex-presidente e um ex-tesoureiro, José Dirceu e Delúbio Soares, encarcerados no presídio da Papuda. Tem outro ex-presidente, José Genoíno, em prisão domiciliar. E tem um ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, prestes a ser recolhido ao xadrez. Todos condenados por corrupção pela mais alta Corte do país.
Pelo estatuto do partido, deveriam ser expulsos. 

Em vez disso, recebem solidariedade, proteção e vaquinhas. 
O partido se dividiu: os 90% que erguem o braço e cerram o punho —física ou metaforicamente— dão aos 10% que permanecem mudos e imóveis uma péssima reputação. 

Nesta segunda-feira, 3, em plena cerimônia de reabertura do Congresso, o vice-presidente da Câmara, André Varbas (PT-PR), repetiu em plenário a coreografia dos detentos. 
Fez isso ao lado do visitante Joaquim Barbosa, presidente do STF. 
Uma, duas vezes. Vargas justificou-se vagamente: 
“Muitos se cumprimentam com positivo, sinal de vitória. No PT, é tradicional cumprimentar com L do Lula. E a gente tem se cumprimentado assim [com o punho erguido]. Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros que foram injustamente condenados. O ministro está na nossa Casa. 
Na verdade, ele é um visitante, tem nosso respeito. Mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve.'' 

O companheiro comete dois erros. Num, trata como sua a Casa do povo brasileiro. 
Noutro, ignora a opinião dos verdadeiros anfitriões. No final de 2013, o Datafolha informou que, para 86% dos brasileiros, Barbosa agiu bem ao mandar prender os mensaleiros em 15 de novembro, feriado da Proclamação da República. Estratificando-se o dado por preferência partidária, verificou-se que o apoio às prisões foi ligeiramente maior entre os simpatizantes do PT: 87%. 

A desenvoltura de André Vargas indica que deve haver, escondida nos subterrâneos do PT, uma escola de desfaçatez com especialização em cinismo. Não é possível que tantos petistas já nasçam com tamanho conhecimento das mumunhas. Quando Lula diz que logo, logo vai explicar a “farsa” do mensalão, quando Rui Falcão, atual presidente do PT, declara que o Supremo julgou sob pressão da mídia golpista, eles não se tornam bons exemplos. Mas viram extraordinários avisos. Avisam que o PT não toma jeito. 
Quando Dirceu e Genoíno se autoproclamam inocentes “presos políticos”, fazem lembrar as virgens de Sodoma e Gomorra. 

Ninguém tem o direito de se meter na vida do PT. Mas já que a banda muda do partido não parece disposta e ninguém mais se habilita, por que não procurar alguém alheio à legenda para restabelecer a ordem? Um nome emerge instantaneamente como o mais indicado: Luiz Inácio Lula da Silva. Aquele sindicalista do ABC, muito respeitado por todos, que se lançou na política, foi deputado federal por São Paulo, farejou a existência de 300 picaretas no Congresso e chegou a presidente da República. 

Esse Lula remoto, defensor intransigente da ética, de quem nunca mais se ouviu falar, seria algo de novo no PT. Impossível imaginá-lo recorrendo à compra de apoio político com verbas do contribuinte, ao fisiologismo e a outras práticas pouco assépticas.
Ele daria atenção prioritária a um pedido de desculpas do PT, antes que não adiantasse mais nada. 

O único problema do PT seria descobrir o paradeiro desse Lula e convencê-lo a assumir as rédeas da agremiação. Como se sabe, o personagem desapareceu misteriosamente por volta de 2005, tendo sido substituído por um sósia. Ou o PT encontra o velho Lula ou vai passar à história como único partido do mundo em que os ratos botam a culpa no queijo. 
E ainda erguem o braço para similar uma revolução.

(*) Josias de Souza jornalista responsável pelo Blog do Josias publicados na Folha de São Paulo e no UOL 

Facebook completa 10 anos - Veja a história

Terra 

Nascido de uma ideia de universitários, o Facebook completa 10 anos nesta terça-feira com mais de 1 bilhão de usuários e marcado como sinônimo de rede social de sucesso. Criado por Mark Zuckerberg, Chris Hughes, Eduardo Saverin e Dustin Moskovitz, a rede social foi baseada no Facemash, idealizado por Zuckerberg em outubro de 2003 para que os estudantes de Harvard – onde ele cursava o segundo ano – pudessem escolher os amigos mais atraentes. 

Curiosamente, o criador do Facebook não foi o primeiro a se registrar na rede social, mas sim o quarto, isso porque os três primeiros eram apenas usuários testes. Em seguida Dustin Moskovitz e Chris Hughes, co-fundadores da rede social, entraram no projeto. 

Em janeiro de 2004, Zuckerberg criou o thefacebook, primeiro nome da rede social. Lançado em 4 de fevereiro, o site ganhou apenas em setembro o "mural", que permitia aos usuários enviar mensagens aos amigos, e em dezembro do mesmo ano já havia conquistado 1 milhão de usuários. Nessa época ele era destinado apenas a universitários. 

No final de 2005, o Facebook possibilitou que os usuários compartilhassem fotos e foi liberado para ser acessado em todo o mundo, mas apenas por estudantes. No dia 26 de setembro do ano seguinte, o Facebook permitiu que qualquer pessoa pudesse criar a sua conta, o que levou a rede social a alcançar 12 milhões de fãs. Em 2007, ano em que o Facebook liberou o compartilhamento de vídeos, 58 milhões de usuários já utilizavam a rede social. No ano seguinte, o Facebook continuou criou um chat, além de aplicativo para iPhone. 

Em 2008, os gêmeos Winklevoss que alegavam serem os verdadeiros "pais" do Facebook chegaram a um acordo para pôr fim à disputa com Zuckerberg em troca de receber US$ 20 milhões em dinheiro e US$ 45 milhões em títulos da empresa. No entanto, logo em seguida, solicitaram a reabertura do caso por considerar que foram enganados. Em 2009, Zuckerberg adotou o botão “curtir” e, em março daquele ano, lançou o novo Facebook, com layout redesenhado e uma nova página. Em dezembro daquele ano, a rede social alcançou 360 milhões de usuários. 

Já em 2010, o site lançou dois serviços que não caíram nas graças dos usuários: o Facebook Places – recurso que mostrava o local onde o usuário estava – e o Facebook Sponsored Stories - que permitia às empresas que patrocinavam o Facebook pegar os bons comentários feitos pelos usuários e utilizar como propagandas. No final daquele ano, 608 milhões de pessoas utilizavam o Facebook. Em 2011, com 845 milhões de usuário, a rede social teve papel importante na chamada "Primavera Árabe", possibilitando a mobilização de pessoas em atos contra governos ditatoriais em diversos países no Oriente Médio e África. 


O mel mais caro do mundo custa mais de R$ 16.000 por Kg

R7 - Jornal da Ciência 

Afinal, o que tem de tão especial em um simples mel para custar tão caro? 

Chamado de mel élfico, ele é produzido na Turquia e é conhecido oficialmente como o mais caro do mundo. Ele é especial por ser extraído de uma caverna com mais de 1.800 metros de profundidade no vale Saricayir, na cidade de Artvin, nordeste do país. 

De acordo com Gunay Gunduz, o apicultor responsável pelo produto, o mel élfico é tão caro porque é produzido de forma natural. A caverna é riquíssima em minerais que melhoram incrivelmente o sabor do mel, aumentando drasticamente seu valor. Gunduz, cuja família é formada por apicultores há mais de 3 gerações, percebeu em 2009 que algumas abelhas entravam na caverna. Após refletir sobre o que tinha observado, resolveu conferir se lá dentro tinha mel. 

Com a ajuda de alpinistas profissionais, entramos nas entranhas profundas da caverna e encontramos 18 kg de mel rebocados nas paredes esféricas”, disse ele. 
Mais tarde, o mel foi analisado em um laboratório francês, confirmando que ele possuía 7 anos de idade, tinha altíssima qualidade e era muito rico em minerais. 

O primeiro 1 Kg do mel foi vendido na bolsa francesa por um valor absurdo equivalente a R$ 146.000! Um ano depois, farmacêuticos chineses compraram mais 1 kg por R$ 91.000. Atualmente, o valor caiu e está orçado em R$ 16.000, o que não é nada barato e acessível para pouquíssimas pessoas. 

O dono do mel fracionou o produto em embalagens de 170 g e 250 g, mas nem por isso a venda do produto tornou-se fácil. O valor exorbitante afasta qualquer pessoa que tenha curiosidade pelo produto. 

Gunduz afirma que o mel pode ser usado na medicina ou na alimentação: 
“O mel é produzido de uma forma natural e sem causar urticária. A área é rica em plantas endêmicas e medicinais. Tudo isso afeta o preço”. 

O mel turco é conhecido por ser considerado o melhor do mundo, mas as produções artificiais estão fazendo os preços caírem, podendo encontrar frascos em feiras do país por menos de R$ 48,00.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Homem do Ano

‘Não há fogo no inferno, Adão e Eva não são reais’, diz o Papa Francisco 

JornaldeHoje 

 Artigo traduzido: 

Um homem que está lá para abrir muitos “segredos ” antigos na Igreja Católica é o Papa Francisco. Algumas das crenças que são realizadas na igreja, mas que são contra a natureza amorosa de Deus, estão sendo revistas pelo Papa, que foi recentemente nomeado o ‘ Homem do Ano ‘ pela revista TIME . 

Em suas últimas revelações , o Papa Francisco disse : 

” Por meio da humildade , da introspecção e contemplação orante ganharam uma nova compreensão de certos dogmas . A igreja já não acredita em um inferno literal , onde as pessoas sofrem . Esta doutrina é incompatível com o amor infinito de Deus. Deus não é um juiz , mas um amigo e um amante da humanidade. Deus nos procura não para condenar, mas para abraçar . Como a história de Adão e Eva , nós vemos o inferno como um artifício literário . O inferno é só uma metáfora da alma exilada (ou isolada), que, como todas as almas em última análise, estão unidos no amor com Deus. “ 

Em um discurso poderoso que está repercutindo em todo o mundo , o Papa Francisco declarou: 

” Todas as religiões são verdadeiras , porque elas são verdadeiras nos corações de todos aqueles que acreditam neles. Que outro tipo existe realmente ? No passado , a igreja a igreja considerava muitas coisas como pecado que hoje já não são julgadas dessa maneira . Como um pai amoroso, nunca condena seus filhos. Nossa igreja é grande o suficiente para heterossexuais e homossexuais , por pró-vida e pró- escolha! Para os conservadores e liberais , até mesmo os comunistas são bem-vindos e se juntaram a nós . Todos nós amando e adorando o mesmo Deus . “Nos últimos seis meses , os cardeais, bispos e teólogos católicos têm debatido na Cidade do Vaticano sobre o futuro da Igreja e da redefinição das doutrinas católicas e seus dogmas.” 

O Terceiro Conselho do Vaticano com o Papa Francisco concluiu anunciando que … 

"O catolicismo é uma religião agora “moderno e razoável , que passou por mudanças evolutivas. Hora de deixar toda intolerância. Devemos reconhecer que a verdade religiosa evolui e muda . A verdade não é absoluta ou imutável. Mesmo ateus reconhecem o divino. Através de atos de amor e caridade ateu reconhece Deus , bem como, redime a sua alma , tornando-se um participante ativo na redenção da humanidade. “ 

A declaração sobre o discurso do Papa enviou os tradicionalistas a um ataque de confusão e histeria .

” Deus está mudando e evoluindo como nós somos, porque Deus habita em nós e em nossos corações. Quando espalhar o amor e bondade no mundo , nós reconheceremos nossa divindade . A Bíblia é um livro sagrado bonito, mas como todas as grandes obras antigas , algumas passagens estão desatualizadas. Algumas passagens chamam mesmo para intolerância ou julgamento. É o tempo de ver estes versos como interpolações posteriores , contra a mensagem do amor e da verdade , caso contrário, irradiando através da Escritura chegou. Com base em nossa nova compreensão , vamos começar a ordenar mulheres como cardeais, bispos e sacerdotes. No futuro , é minha esperança de que , um dia , um papa feminino não permita que qualquer porta que está aberta para um homem seja fechada para uma mulher. "


Brasil financiará 80% da construção de porto no Uruguai

Estadão 

O presidente uruguaio, José Mujica, disse que o Brasil financiará 80% de um novo porto de águas profundas, o que ajudará a neutralizar os esforços da Argentina para controlar a navegação no Atlântico Sul. Ele afirmou em entrevista publicada no jornal República na terça-feira que as obras começarão em cerca de um ano. 

O projeto, avaliado em US$ 500 milhões, será construído em Rocha, no Uruguai, e o Brasil bancará a maior parte disso por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul. 
"O Brasil nos deu e nos dará uma grande mão com esse trabalho", comentou Mujica. 
"O Uruguai não tem a capacidade para financiar isso por si só e depende, por enquanto, de ajuda externa." 

O vice-presidente uruguaio, Danilo Astori, forneceu mais detalhes sobre o porto em entrevista à agência de notícias Associated Press. Segundo ele, o Uruguai precisa de outro porto de águas profundas porque os atuais já estão operando com cargas recordes. 

Astori prevê que o projeto transformará a economia do país, libertando a indústria de navegação das políticas protecionistas da Argentina. 

Em outubro, o ministro de Economia da Argentina começou a desviar as embarcações que paravam nos portos do Uruguai, a fim de promover os portos argentinos e pressionar o país vizinho a fazer concessões nas negociações sobre um novo acordo de navegação no Mercosul. 

Os portos de Buenos Aires e Montevidéu disputam há séculos o domínio dos embarques na região, mas o último decreto elevou os custos em ambos os países. 
Principal empresa de contêineres em Montevidéu, a Katoen Natie, anunciou 500 demissões em dezembro, enquanto a Câmara de Comércio da Argentina pediu ao ministério a revogação da proibição, dizendo que a medida aumentava os custos e as dificuldades operacionais.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Por que o Brasil entrega tanto para Cuba

Revista Isto É Independente 

Na segunda-feira 16, uma risonha presidenta Dilma Rousseff inaugurou, ao lado do ditador cubano Raúl Castro, a primeira fase do Porto de Mariel, em Havana. A presença de Dilma se deve a uma razão principal: a conta foi paga por ela – na verdade, por todos os brasileiros. O Mariel custou US$ 957 milhões de dólares, dos quais US$ 802 milhões vieram de financiamento concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante equivale a R$ 2 bilhões. 

Com esse dinheiro, seria possível bancar toda a reforma dos aeroportos Galeão e Santos Dumont (a modernização dos dois juntos custará R$ 781 milhões), custear a duplicação da Serra do Cafezal, um dos trechos mais perigosos da estratégica rodovia BR-116 (a obra consumirá R$ 700 milhões) e cobrir os R$ 500 milhões que serão desembolsados para modernizar todos os portos de Santa Catarina em 2014. 

Em um país com sérios gargalos de infraestrutura como o Brasil – gargalos esses que se tornaram mais evidentes diante das necessidades impostas pela Copa de 2014 –, o que explica desembolsar tanto dinheiro para sustentar um projeto no meio do Caribe? 
“É uma decisão puramente ideológica”, diz Otto Nogami, professor de economia do Insper. “São recursos públicos que deveriam estar sendo utilizados em benefício do próprio contribuinte.” 

A decisão do governo de investir em Cuba está carregada de simbolismos. 
Se a ideia era ampliar os investimentos no Exterior, por que Cuba e não outro país de potencial econômico maior? Em termos de negócios, a ilha de Fidel é irrelevante para o Brasil, ocupando apenas a 51ª posição entre os parceiros comerciais brasileiros. 
Sem disponibilidade de recursos, os cubanos compram principalmente cereais, óleos e sojas. Nada de carros, aviões ou equipamentos industriais. 

Além disso, por que colocar R$ 2 bilhões em um projeto incerto e que depende de uma combinação extraordinária de fatores para trazer retornos financeiros consistentes? 
“O Brasil quer se tornar parceiro de primeira ordem de Cuba”, disse a presidenta Dilma durante a inauguração do porto. 

Hoje em dia, o principal aliado econômico do governo Raúl Castro é a Venezuela, mas a crise no país de Hugo Chávez, morto no ano passado, tem tornado os negócios entre os dois países cada vez mais escassos. A ideia de Dilma, portanto, seria preencher o espaço deixado pela Venezuela. A iniciativa brasileira chama ainda mais a atenção diante da tímida política internacional da gestão Dilma, que parece pouco afeita a desbravar mercados mundo afora. 

O Porto de Mariel tem uma história peculiar. Durante a Guerra Fria, o local abrigou submarinos e foi a porta de entrada de armamentos enviados pelos soviéticos. 
Na década de 80, ficou conhecido porque era de lá que partiam, rumo a Miami, os cubanos fugitivos da revolução de Fidel para se aventurar no oceano, na maioria das vezes, em barcos improvisados. 

Hoje, muita gente acredita que o Mariel representa a transformação que estaria prestes a ocorrer em Cuba. Ferida pelo embargo econômico imposto pelos americanos, a ilha tem um dos parques industriais mais atrasados do planeta. 
O porto seria, sob essa ótica, símbolo máximo de um país prestes a se abrir ao capitalismo. Mas será que isso vai realmente acontecer? 

Para especialistas, tudo indica que sim.“A geração da Revolução está morrendo e Castro não é mais a pessoa jovem que desafia os Estados Unidos”, diz Oliver Stuenkel, professor e coordenador do MBA em Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas.

A favor do Mariel conta a sua vantagem geográfica. 
Além de servir toda a América Central, ele está perto dos Estados Unidos. 
Quando o embargo econômico acabar – e ninguém é capaz de fazer qualquer projeção a respeito desta data –, provavelmente se tornará um dos portos mais movimentados das Américas.

Os defensores do investimento do BNDES alegam também que uma boa parcela do empréstimo acabou revertida para o próprio Brasil, já que o porto foi construído pela Odebrecht. A empresa diz que 80% de todos os equipamentos utilizados na construção são brasileiros – o Mariel, portanto, trouxe receitas e gerou empregos em solo nacional. 

Mas isso é realmente suficiente para justificar um investimento dessa ordem que poderia ter sido feito, por exemplo, em obras de infraestrutura para a Copa de Mundo? 

Copa para quem?

Nota da ANCOP: (Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa) 

Quando os Comitês Populares da Copa começaram a questionar o autoritarismo, a ganância e o desprezo pelos direitos humanos que envolvem a realização da Copa da FIFA, já há mais de três anos (portanto, ao contrário do que alguns afirmam, a resistência não é de agora), parecíamos pessimistas que não queriam ver a alegria do povo no “país do futebol”. 

Hoje, entrando em 2014, as pessoas se perguntam: mas, Copa Para Quem? 
Os/as cidadãos/as do país do futebol não se deixam mais enganar tão facilmente. 
Poucos são os que acreditam que a Copa trará qualquer legado para a população. 
O que vemos nas 12 cidades-sede da Copa da FIFA: despejos (remoções forçadas), violação dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, uma legislação de exceção, destruição do que era público para a construção de uma cidade privatizada orientada aos interesses das grandes empresas e corporações, aumento da exploração sexual infanto-juvenil. Somam-se a tudo isso, ainda, as violentas ações de repressão do Estado sobre a população e, o que é pior, a falta de diálogo e sensibilidade para com os milhões de indignados que saem às ruas. 

Os governos também sabem que o projeto Copa é para uns poucos que podem lucrar com ele e, orientados que estão para proteger este negócio, têm investido tanto na criação de batalhões especiais, decretos e leis que nos fazem relembrar os piores tempos de autoritarismo quanto em uma propaganda barata que ataca qualquer opinião dissidente e tenta criar um clima artificial de celebração do mundial que, obviamente, já não se sustenta mais – se é que alguma vez ele foi sustentável. A expressão do medo e do autoritarismo do governo tenta silenciar as reivindicações legítimas dos brasileiros que vão às ruas protestar. Isso só intensifica o conflito. Não se cala as vozes com repressão, ainda mais quando o poder público deveria atuar para combater as violações de direitos humanos, não para piorar o processo. 

O último dia 25 de janeiro foi uma mostra clara do absurdo a que chegamos: 138 pessoas detidas e um jovem baleado com dois tiros. 
Quem é responsável por esses tiros? A mesma força repressiva hoje usada contra as manifestações foi utilizada nas milhares de remoções forçadas, na expulsão de trabalhadores/as, artistas e moradores/as dos centros das grandes cidades, varridos em nome da especulação imobiliária e da “imagem do Brasil” para o turista. 

A diversidade do perfil das pessoas detidas no dia 25 em São Paulo revela que quem está insatisfeito com a Copa não é uma “direita reacionária” como alguns querem fazer parecer. A questão é mais complexa e exige um debate ampliado sobre a realização desse megaevento e todas as questões que ele suscita. Afinal, se o Estado se nega a discutir e enfatiza através de declarações e ações que protesto é sempre caso de polícia, qual é o legado da Copa que queremos construir? 

Se as ruas dizem #nãovaitercopa é porque os governos têm se recusado a responder à pergunta #copaparaquem? de outra forma que não com agressões e violações. 
É necessário continuar a ir para as ruas. 
Não queremos a violência do Estado, mas a garantia e o fortalecimento dos direitos. 

Ao longo destes anos, acompanhando e apoiando a resistência dos movimentos sociais, das populações e comunidades atingidas, buscamos sistematizar algumas pautas que são essenciais para se materializarem em lutas e serem conquistadas: 

1) O fim das remoções e despejos, com abertura imediata de negociação coletiva com os moradores atingidos, visando a realocação “chave-a-chave” e a reparação às famílias já removidas. 

2) O fim da violência estatal e higienização das ruas do centro nas cidades-sede, garantindo à população em situação de rua politicas de acesso à alimentação, abrigo e higiene pessoal, como trabalho e assistência social. 

3) Revogação imediata das áreas exclusivas da FIFA previstas na Lei Geral da Copa e o consequente fim da perseguição ao trabalho ambulante, ao comércio popular e aos artistas de ruas. É necessário garantir suas atividades antes, durante e depois da Copa, com o mesmo espaço dado às empresas patrocinadoras. 

4) Criação de campanhas de combate a exploração sexual e ao tráfico de pessoas nas escolas da rede pública, rede hoteleira, proximidades dos estádios e nas regiões turísticas, incluindo a capacitação dos profissionais do turismo e da rede hoteleira, o fortalecimento e ampliação das políticas de promoção dos direitos de mulheres, crianças e adolescentes e de combate e prevenção ao aliciamento e ao turismo sexual. 

5) Não instalação dos tribunais de exceção no entorno dos estádios como forma de garantir o direito à ampla defesa e ao devido processo legal antes, durante e depois da Copa. 

6) Revogação da lei que concede isenção fiscal à FIFA e suas parceiras comerciais, bem como dos processos de privatização já ocorridos em nome da Copa. 
Auditoria popular da dívida pública nos três níveis de governo, de modo a investigar e publicizar as informações sobre os gastos públicos com megaeventos e megaprojetos, com o objetivo de reverter o legado de divida da Copa da Fifa. 

7) Arquivamento imediato dos PLs que tramitam no congresso, e de normas infra-legais emitidas pelos governos, que tipificam o crime de terrorismo e avançam contra o direito à manifestação, criminalizando movimentos sociais e fortalecendo a violência contra a população pobre e a juventude do país. 

8) Desmilitarização da polícia e fim da repressão aos movimentos sociais, com a garantia do direito constitucional de manifestação nas ruas.

Um tsunami de protestos pela frente

Tsunami de protestos, explosão de violência e problemas econômicos vão infernizar reeleição de Dilma 

José Serrão para o edição do Alerta Total ( www.alertatotal.net ) 

Dificilmente, Dilma Rousseff conseguirá resistir, emocional e politicamente, às pressões programadas para infernizar e inviabilizar sua reeleição patrocinada pelos US$ 2 bilhões que o esquema petralha já conseguiu arrecadar para torrar em 2014. 
O aumento descontrolado da violência nas regiões metropolitanas, a insurgência das massas por motivações radicais ideológicas explorando carências e defeitos cotidianos e os efeitos de uma crise econômica (principalmente gerando maior custo de vida e descontentamento individual) são os ingredientes para sacramentar o esgotamento do modelo político e econômico em vigor no Brasil. 

O cenário para os próximos meses é de instabilidade, radicalização e cada vez mais corrupção. A petralhada não tem competência para reverter os principais problemas estruturais. Vários icebergs contribuirão, simultaneamente, para afundar o PTitanic. 
A má gestão das contas públicas, o alto déficit nominal do País, a cada vez mais alta carga tributária, a inflação gerada pela subida dos preços fora do controle oficial, e os efeitos psicossociais negativos, gerados por tantos problemas combinados, vão esmagar Dilma – mesmo que ela vença a eleição, pela via da ignorância e da fraude eleitoral. 

A Copa do Mundo tende a ser o ponto de transição para o desastre político do PT. 
Mesmo que a seleção brasileira saia vencedora, o Brasil já está derrotado. 
O dinheiro jogado fora com despesas superfaturadas para fazer estádios será cobrado publicamente. A lembrança de várias obras prometidas, que não saíram do papel, também vai alimentar a ira popular. O mundo inteiro vai saber que o governo petralha não fez investimentos concretos em infraestrutura porque jogou dinheiro fora com a corrupção que retroalimenta os mafiosos esquemas de politicagem no Capimunismo tupiniquim. 

Curiosamente, o grande coveiro ambulante do capimunismo brasileiro anda sumido... Discretamente, Luiz Inácio Lula da Silva tenta a missão impossível de se dissociar de Dilma. Mas todos sabem que Lula é o inventor da gerentona falsificada. 
Lula escapou milagrosamente da ação penal do Mensalão. Só que o espetaculoso julgamento no Supremo Tribunal Federal empurrou as lideranças do PT para a cova rasa da História. Dilma se transformou em uma alma penada no cemitério da República Sindicalista do Brasil. 

Em fuga do Brasil caro, corrupto, politicamente subdesenvolvido e ineficiente para produzir e crescer de verdade, investidores transnacionais já encontraram um apelido para nossa Presidenta. Dilma se transformou em uma “Walking Dead” (morta que anda, na tradução mais literal). Seu grande coveiro ambulante, Luiz Inácio Lula da Silva, tenta fingir que a morte política de Dilma não é com ele... Mas é! 
E não adianta maquiagem de imagem feita pelos milagrosos João Santana e Franklin Martins... Os mortos-vivos já eram... 

O irônico é que os petistas deveriam morrer diferentemente dos faraós do antigo Egito. Podiam ser enterrados sem as riquezas espúrias que produziram para si. 
E mereciam ter a alma amaldiçoada pela pobreza estrutural e civilizatória que impuseram ao Brasil. 

O triste, neste ritual funesto, será o choro sincero de muitos ignorantes, beneficiados diretamente pelas migalhas da demagogia, e o pranto cínico de muitos espertos que se locupletaram com o assassinato do Brasil como Nação. 
Para eles, o inferno seria um paraíso – fiscal, é claro!. 

Aliás, petralhas não vão para o inferno... O Diabo odeia concorrentes desleais... 
Por isso ele anda doido para acender o pavio... 

(*) É Jornalista, Radialista e Professor de Comunicação e Marketing.

Quero ver quem paga

BC vai à Justiça cobrar R$ 39,8 bi em multas de empresas e clubes de futebol 

Estadão 

O Banco Central está à caça de R$ 39,8 bilhões de multas que estão sendo cobradas de bancos e empresas, e que não entraram para os cofres do governo. O ‘Estado’ teve acesso à lista inédita dos principais alvos dessa operação judicial de recuperação de créditos, que inclui grandes empresas, bancos liquidados ou em funcionamento e times de futebol como Santos, Corinthians, Internacional, Fluminense e Atlético Mineiro. 

A maior parte desse dinheiro que o BC tenta recuperar - R$ 24,2 bilhões - é devida por pouco mais de uma centena de empresas, instituições financeiras e pessoas físicas.
De acordo com os documentos internos do Banco Central, as irregularidades mais comuns são ilícitos cambiais, principalmente de empresas importadoras e exportadoras. 

Mas há casos de multas aplicadas por irregularidades no acesso aos recursos das reservas bancárias pelos bancos, omissão de informações sobre capitais brasileiros no exterior e infrações diversas praticadas por instituições financeiras, empresas de auditoria, administradoras de consórcio e empresas que atuam sem a autorização do Banco Central. 

O banco está executando essa dívida na Justiça e montou uma força-tarefa de advogados para ir atrás dos devedores e do seu patrimônio. Muitas empresas encontradas eram de fachadas, de proprietários "laranjas". 

Na busca dos devedores, os procuradores do Banco Central passaram a fazer cruzamentos de informações estratégicas que estão na base de dados cadastrais do próprio BC e de outros órgãos públicos, como Receita Federal, INSS, Secretarias de Segurança Pública e Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior. 

"O importante é que se conheça o devedor e que se busquem estratégias eficientes para alcançar o seu patrimônio", diz Isaac Sidney Ferreira, procurador-geral do BC. 

Sem garantias. 
Das 126 ações mais relevantes, que concentram os valores mais elevados, apenas 18 estão garantidas judicialmente com bens imóveis. De acordo com o procurador, a ausência de garantias formais não compromete necessariamente a perspectiva de recuperação de crédito. "Em relação a essas ações mais relevantes, o BC detém informações estratégicas para perseguir o devedor e alcançar seu patrimônio", assegura. 

Segundo ele, o BC tinha listas "valiosíssimas" que não eram usadas - como o cadastro de correntistas, por exemplo - que mostram o relacionamento bancário das pessoas. 

No caso da Receita, o BC verificou que o Fisco muitas vezes está mais adiantado na localização do devedor e dos bens, o que facilita o trabalho. 
"Na estação de trabalho dos procuradores, temos um sistema que acessa os procedimentos instaurados no âmbito da Receita", diz Ferreira. 

Depois de reconhecer enormes deficiências no trabalho de cobrança, a diretoria do BC montou em 2006 um projeto de recuperação de crédito para melhorar os resultados. 
Até então, a arrecadação com a cobrança de créditos, nos cinco anos anteriores ao projeto, tinha sido de apenas R$ 2 milhões. 

No período de implantação do programa, entre 2006 e 2011, a arrecadação subiu para R$ 307,32 milhões e, nos últimos dois, saltou para R$ 16,19 bilhões. 

O BC tinha uma série de créditos a recuperar inscritos e não inscritos em dívida ativa e se deu conta que não conhecia os devedores - alguns já tinham morrido e os herdeiros não eram encontrados "O BC era reativo. Tínhamos execuções de mais de 10 anos", reconhece o procurador. 

Segundo ele, o BC mudou as regras e deu baixa em processos de pequeno valor ou com remota possibilidade de recuperação. "Pegamos os processos e examinamos um por um", diz o procurador. Os dados do BC mostram que o número de execuções fiscais em andamento é hoje de 2.978. 

E apenas cerca de 10% delas contam com alguma garantia. 
Apesar do esforço do BC, na busca de recuperação dos créditos, apenas 1% dos débitos tem alta chance de entrar nos cofres do governo a curto prazo. 

Multa bilionária.
Um dos campeões de multas é o empresário do Rio de Janeiro Sérgio de Paulo Pacheco, ligado ao comércio de importação e exportação, que deve R$ 2,044 bilhões, segundo o levantamento obtido pelo Estado. Ele foi multado por conta de ilícitos cambiais. 
A reportagem não conseguiu localizá-lo. 

Entre as grandes empresas, está a Schincariol, fabricante de refrigerantes e cervejas. 
A empresa está sendo executada na Justiça pelo BC por uma multa de R$ 4,783 milhões. 
O processo é anterior à compra da empresa pela japonesa Kirin, em 2011.
Procurada, a empresa informou que não comenta processos jurídicos em andamento.

Grupo alimentício vai ampliar produção no RS

Folha de São Paulo 

O grupo cearense M. Dias Branco, um dos maiores do país no segmento alimentício, vai construir um novo moinho de trigo e ampliar a sua capacidade produtiva de biscoitos no Rio Grande do Sul. 

O protocolo de intenções assinado entre a empresa e o governo estadual prevê R$ 173 milhões em investimentos nos dois projetos. Tanto a nova estrutura como a ampliação da fábrica ficarão em Bento Gonçalves, na serra gaúcha. 

O montante maior, estimado em R$ 124 milhões, será usado no novo moinho.
Os R$ 49 milhões restantes irão para a expansão da fábrica de biscoitos Isabela, uma das marcas do grupo. 

"O Rio Grande tem se firmado como importante produtor de trigo e um investimento desse porte na área industrial vai fortalecer toda a cadeia", afirma Mauro Knijnik, secretário estadual de Desenvolvimento. 

A expectativa é que cerca de 250 empregos sejam criados com a expansão. 
Procurada, a M. Dias Branco confirmou as informações do governo, mas não quis falar sobre os investimentos. 

A companhia tem 14 fábricas no país e, além de farinha de trigo e biscoitos, produz massas, bolos e margarina, entre outros itens. De janeiro a setembro de 2013, o grupo teve uma receita líquida de R$ 3,2 bilhões –alta de 21,2% em relação ao mesmo período de 2012. *

É por demais podre, mas alguém se importa?

Senadores pedem reembolso por gasto de até R$ 230 mil 

Folha de São Paulo 

O Senado destinou, no ano passado, R$ 23,2 milhões para reembolsar os 81 senadores por gastos relacionados à atividade parlamentar, em uma lista que abrange quantias próximas a R$ 200 mil para despesas com consultorias, segurança e divulgação de seus atos. 

Em uma forte discrepância com o valor médio declarado pelos colegas, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), por exemplo, obteve R$ 185 mil a título de gasto para criação e manutenção de seu site. Entre os senadores que detalharam despesas com a mesma rubrica, a média de reembolso foi de menos de R$ 15 mil. 

A Folha encomendou a empresas de São Paulo e do Distrito Federal orçamento para criação e manutenção de site similar e nenhuma enviou proposta superior a R$ 10 mil ao ano. 

O senador do Pará, também discrepando dos valores médios apresentados pelos outros colegas, declarou gasto de R$ 194 mil com consultoria para "assistência técnica especializada à elaboração de estudos de caráter analítico e descritivo sobre a situação atual do desenvolvimento à luz da sustentabilidades nas regiões de integração do Estado do Pará". 

Nem a assessoria do senador nem a empresa contratada para a manutenção do site – CGICOM (nome fantasia "Agência Ecco", de São Bernardo do Campo)– se manifestaram. 
A Folha não conseguiu localizar a empresa de consultoria, a K J Carrera Ramos (nome fantasia "Carrera Ramos Organizacional"). 

Com o objetivo de ressarcir gastos com atividades relacionadas ao mandato, o chamado "cotão" do Senado reserva a cada congressista entre R$ 21 mil e R$ 44 mil ao mês, dependendo do Estado. 

Os dados mostram que Sérgio Petecão (PSD-AC) foi o campeão de gastos com informativos impressos, geralmente usados pelos congressistas para distribuição em seus redutos políticos. Pré-candidato ao governo do Acre, ele declarou ter usado R$ 204 mil em três jornais de quatro páginas cada um. 

Com o valor, seria possível confeccionar na empresa contratada por Petecão – Adesigraff, de Brasília– cerca de 480 mil cópias de jornal similar, número que supera em mais de 70 mil os eleitores do Acre que compareceram às urnas em 2012.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Super Bowl 2013/2014

Terra Brasil

Para quem não sabe o Super Bowl é um jogo do campeonato da NFL (National Football League), a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, que decide o campeão da temporada. 

Disputada desde 1967, a partir da junção das duas principais ligas do desporto no país (NFC e AFC), é o maior evento desportivo e a maior audiência televisiva do país, assistido anualmente por milhões de pessoas na América e em todo o mundo. 

É também um evento que apresenta a publicidade mais cara da televisão; patrocinadores desembolsam pequenas fortunas para exibirem suas propagandas no intervalo. 

Depois de 21 semanas, a temporada 2013/2014 chega ao seu final nesse domingo, dia 02/02/2014 com o Super Bowl XLVIII. 
Para se ter idéia um intervalo de apenas 30 segundos durante o jogo está sendo vendido por mais de 4 milhões de dólares! E estima-se que haverá mais de 100 milhões de espectadores somente nos EUA, quase um terço da população daquele país. 

Os times de melhores campanhas de suas respectivas conferências farão a final de uma temporada que foi sensacional. Do lado da NFC, o quase novato em finais Seattle Seahawks disputa o segundo Super Bowl de sua história, o que somente aconteceu em 2006 (temporada 2005-2006), quando perdeu para o Pittsburgh Steelers. 
Pela AFC, o bicampeão Denver Broncos, que disputa seu sétimo Super Bowl, volta a disputar o título, o que não acontecia desde sua segunda conquista em 1999 (temporada 1998-1999). 

O jogo acontece às 21h30’ (horário de Brasília) e a ESPN começa sua transmissão nacional às 21h00’.  

Neste ano, o espaço comercial de 30 segundos no intervalo do Super Bowl chegou a ser vendido por mais de US$ 4 milhões, ante uma média de US$ 3,5 milhões no ano passado. 

Qual é o lugar do fator religioso no mundo?

Leonardo Boff (*) 

Por mais que a sociedade se mundanize e, de certa forma, se mostre materialista, não podemos negar que vigora uma volta vigorosa do fator religioso, místico e esotérico nos tempos atuais. Temos a impressão de que existe um cansaço pelo excesso de racionalização e de funcionalização de nossas sociedades complexas. 
A volta do religioso apenas revela que no ser humano há uma busca por algo maior.
Há um lado invisível no visível que gostaríamos de surpreender. 

Quem sabe não se encontre lá um sentido secreto que sacia nossa busca incansável por algo que não sabemos identificar. Nesse horizonte não confessional quiça faça sentido se falar do fator religioso ou do espiritual. Ele sofreu todo tipo de ataques mas conseguiu sobreviver. A primeira modernidade o via como algo pré-moderno, um saber fantástico que deve dar lugar ao saber positivo e crítico (Comte). 
Em seguida foi lido como uma enfermidade: ópio, alienação e falsa consciência de quem ainda não se encontrou ou caso se encontrou voltou a se perder (Marx). Depois, foi interpretado como a ilusão da mente neurótica que busca pacificar o desejo de proteção e tornar o mundo contraditório suportável (Freud). Mais adiante, foi interpretado como uma realidade que pelo processo de racionalização e de desencanto do mundo tende a desaparecer(Weber). Por fim, alguns o tinham como algo sem sentido, pois seus discursos não têm objeto verificável nem falsificável (Popper e Carnap). 

Estimo que o grande equívoco destas várias interpretações reside de no fato de colocarem o fator religioso num lugar equivocado: dentro da razão. As razões começam com a razão. A razão em si mesma não é um fato de razão. É uma incógnita. Já rezava a sabedoria dos Upanishad:”aquilo pelo qual todo pensamento pensa, não pode ser pensado”.
Talvez nesse “não pensado” se encontra o berço do fator religioso, vale dizer, daquelas instâncias exorcizadas pela racionalidade moderna: a fantasia, o imaginário, aquele fundo de desejo do qual irrompem todos os sonhos e as utopias que povoam nossa mente, entusiasmam os corações, incendeiam o estopim das grandes transformações da história. Seu lugar reside naquilo que o filósofo Ernst Bloch chamava de princípio esperança . 

É próprio destas instâncias – do utópico, da fantasia e do imaginário – não se adequarem ao dado racional concreto. Antes, contestam o dado pois suspeitam que o dado é sempre feito; tanto o dado quanto o feito não são todo o real. O real é ainda maior. 
Pertence ao real também o potencial, o que ainda não é mas que pode vir a ser. 
Por isso, a utopia não se antagoniza com a realidade; revela a dimensão potencial e ideal desta realidade. Já dizia o sábio E. Durkheim na conclusão de sua famosa obra . 
As formas elementares da vida religiosa: ”a sociedade ideal não está fora da sociedade real; é parte dela”. E concluía:”somente o ser humano tem a faculdade de conceber o ideal e de acrescentá-lo ao real”. Eu diria, de detectá-lo dentro do dado real, fazendo com que este real no qual está o ideal, seja sempre maior que o dado à nossa mão. 

É no interior desta experiência do potencial, do utópico que irrompe o fator religioso.
Por isso dizia Rubem Alves, quem melhor no Brasil estudou o “enigma da religião”(título de seu livro):”A intenção da religião não é explicar o mundo. Ela nasce, justamente, do protesto contra este mundo que pode ser descrito e explicado pela ciência. 
A descrição científica, ao se manter rigorosamente nos limites da realidade instaurada, sacraliza a ordem estabelecida das coisas. A religião, ao contrário, é a voz de uma consciência que não pode encontrar descanso no mundo assim como ele é e que tem como seu projeto transcendê-lo”. 

Por esta razão, o fator religioso é a organização mais ancestral e sistemática da dimensão utópica, inerente ao ser humano. Como bem dizia Bloch:”onde há religião, ai há esperança” de que nem tudo está perdido. Esta esperança é um amor por aquilo que ainda não é, “a convicção de realidades que não se veem” como diz a Epístola aos Hebreus(11,1) mas que são o fundamento do que se espera. 

Quem viu com lucidez esta singularidade do fator religioso foi o filósofo e matemático Ludwig Wittgenstein que disse: no ser humano não existe apenas a atitude racional e científica que sempre indaga como são as coisas e para tudo procura uma resposta. 
Existe também a capacidade de extasiar-se: “extasiar-se não pode ser expresso por uma pergunta; por isso não existe também nenhuma resposta”. Existe o místico: “o místico não reside no como mundo é, mas no fato de que o mundo exista”. 
A limitação da razão e do espírito científico reside no fato de que eles não têm nada sobre o que calar. 

O religioso e o místico sempre terminam no nobre silêncio, pois não existe em nenhum dicionário a palavra que o possa definir. 

Até aqui falamos do fator religioso em sua natureza sadia. Mas ele pode ficar doente. 
Daí nasce a doença do fundamentalismo, do dogmatismo e da exclusividade da verdade. Mas toda doença remete à saúde. O fator religioso deve ser analisado a partir de sua saúde e não de sua doença. Então o fator religioso sadio nos torna mais sensíveis e humanos.
Sua volta sadia é urgente hoje, pois ele nos ajuda a amar o invisível e tornar real aquilo que ainda não é mas pode ser.

(*) é teólogo , escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos )  

Lasanha light de berinjela com carne moída, peito de peru e queijo


Ingredientes: 

2 berinjelas grandes 
12 fatias de mussarela light 
12 fatias de peito de peru light 
300 g de carne moída magra 
300 g de molho de tomate pronto 0% gordura 
1 pacotinho de caldo de bacon em pó 0% gordura 
1 cebola picada 
2 dentes de alho ralados
Pimenta síria 

Modo de fazer: 
Ferva um pouco de água e tempere com sal. 
Tempere a carne moída com o caldo de bacon, misturando bem o pó na carne crua. 
Deixe pegar gosto por 15 min na geladeira. 
Em uma panela antiaderente, refogue a cebola e o alho em 3 gotinhas de óleo. 
Quando estiver frigindo, jogue a carne moída e mexa sem parar em fogo médio. 
Quando estiver toda corada, baixe o fogo e deixe cozinhar por mais tempo. 
Quando a água estiver quase secando, jogue o molho de tomate e mexa com vigor. 
Acerte o sal. 
Coloque 1 colher de sobremesa de pimenta síria e misture. 
Reserve. 
Fatie as berinjelas em rodelas bem finas. 
Esquente uma frigideira antiaderente de fundo largo e cubra o fundo com a berinjela. Jogue um pouco da água fervente para ajudar no cozimento. 
Vire as fatias, para que grelhe dos dois lados. 
Retire e reserve. 
Em uma travessa que possa ir ao fundo, coloque uma camada com 1/3 do molho, uma camada com metade da berinjela, outra camada com 1/3 molho, uma camada com metade do queijo, uma camada com todo o peito de peru light, outra camada com 1/3 do molho, outra camada com metade da berinjela, e finalize com o restante do queijo. 
Leve ao forno a 230 graus por 30 minutos, ou até o molho começar a ferver na forma.
Se seu forno tiver grill, deixe gratinar o queijo por mais 3 a 5 minutos e sirva em seguida.

Propaganda para dizer que a Copa é boa

Planalto prepara ofensiva de propaganda para apontar benefícios da Copa 

O Globo 

O Palácio do Planalto prepara uma ofensiva de comunicação para tentar esvaziar as manifestações que devem ocorrer durante a Copa, atento aos reflexos que os atos poderão ter na campanha da reeleição de Dilma Rousseff. O plano, que ainda não foi submetido à presidente, pretende mostrar ao público os ganhos do país com os grandes eventos e comparar os investimentos em aeroportos, rodovias e obras de mobilidade urbana aos gastos na construção de estádios. 

A preocupação do Planalto com os protestos aumentou depois que carros da comitiva da presidente foram atacados na chegada à Arena das Dunas, em Natal, na semana passada. Auxiliares da presidente envolvidos na elaboração do plano reconhecem que a iniciativa está atrasada e que há dificuldades na interlocução com os movimentos, especialmente por falta de líderes identificados dos chamados black blocs. 

No ano passado, durante a onda de protestos que se espalhou pelo país, o governo conseguiu levar para o Planalto representantes do Movimento Passe Livre (MPL), que liderou as manifestações por melhoria no transporte urbano e nos demais serviços públicos. A intenção do governo é sensibilizar quem é contra a realização da Copa do Mundo, mas que não tem informações sobre o significado dos grandes eventos internacionais para a projeção do país no exterior. Também quer demonstrar os ganhos econômicos e sociais, especialmente a geração de empregos. 

A Jornada Mundial da Juventude, ocorrida no ano passado, no Rio servirá de exemplo positivo. O governo já percebeu que dificilmente conseguirá desmobilizar os movimentos ideologicamente contrários à Copa, considerada por esses grupos mais radicais um evento capitalista. 

— Não podemos deixar que o que será vantagem para o país vire desvantagem. (O plano) Está com “delay” (atraso), mas ainda dá tempo de tirar da coluna do débito — analisou um ministro.

O pior do pior de 2013 (e da década!)

Paulo Rabello de Castro (*) 

No ano velho, o dispêndio público federal mais uma vez explodiu, como em cada ano desta década, sem "falhar" um único período desde 2004. O governo converteu-se num gastador compulsivo e dissimulado. Em 2013 o rega-bofe tornou-se um escárnio: o gasto total do governo cresceu quase 15%, o dobro do crescimento do produto interno bruto (PIB) tributável, que paga a gastança - o PIB nominal só aumentou cerca de 8% no ano passado. 

Recordes de arrecadação são comemorados como algo positivo. Não é casual. 
O Estado gasta demais, a sociedade paga a conta e isso se transformou no grande nó que amarra o desenvolvimento do País. O estouro da despesa pública em todos os níveis está no centro da explicação - a única plausível - para o baixo desempenho da economia brasileira. A afirmação pode soar contraintuitiva. Mas é exata. 
No Brasil, o governo é que impede o desenvolvimento que ele mesmo se propõe a conduzir. Nem Keynes discordaria: sua lição de ampliar gastos públicos como remédio numa severa recessão em nada se aplica para justificar a explosão do gasto público total. Tendo a despesa pública brasileira se tornado veneno, como podemos denunciar e combater essa tragédia coletiva no debate eleitoral de 2014? 
Será que os candidatos sabem e compreendem a natureza do mal da despesa pública excessiva? 

A natureza nos ensina. No cultivo de cítricos, a doença mais grave de um pomar é o "declínio". De origem desconhecida, o declínio vai atingindo as árvores mais vulneráveis, sempre de modo gradual. A árvore não morre, mas já não consegue produzir como antes. Algo a devora por dentro, como um câncer. A anterior vitalidade é substituída por uma produtividade recessiva da planta. Como no declínio dos cítricos, também alguma coisa consome o vigor da economia brasileira. E por ser algo lento e mudo, torna-nos desatentos à malignidade do processo. 

No declínio da economia, a única estrutura que explode em crescimento é o próprio governo, devorando o resto à sua volta. Ao crescer, por uma década, ao dobro do ritmo da economia produtiva, o setor público vai inchando em patológica progressão. Instala-se um processo de substituição das forças da sociedade e dos mercados pela articulação típica dos processos facciosos na decisão de gastar. Gasta-se para nada. Gasta-se para agradar a grupos, para pacificar descontentes, comprar mais poder, para ir ficando. 

Vamos aos números. No Plano Real, há duas décadas, o gasto total do Estado nacional, nos seus três níveis de comando, ainda era a quarta parte do PIB brasileiro, o que já representava um nível superior ao de países de semelhante estágio de renda per capita. Hoje o tamanho do setor público atinge 40% do PIB, ombreando-se com a velha Europa, mas sem qualidade de serviço público. Está aí o cerne da questão. 
O Estado brasileiro explodiu, consumindo tudo à sua volta. Avançou como uma célula anormal, devorando o resto sem piedade. A enorme velocidade com que isso tem ocorrido é o traço essencial que distingue o caso da expansão do Estado no Brasil. 
Não existe paralelo mundial para o que vem sucedendo aqui. 
O tamanho do Estado quase dobrou, empurrando a carga tributária para um patamar insuportável, ao tornar o País um dublê de selva burocrática e manicômio tributário. 

A extração de meios para a "sobrevivência" do governo é alcançada pelo confisco da poupança das famílias e pela derrama sobre o caixa gerado nas empresas. 
Ano após ano, as famílias deixam de fazer poupanças voluntárias e as empresas deixam de investir seus lucros, levados pelos escorchantes impostos que se recolhem ao longo do processo produtivo. O Estado extrator, ao contrário, quer sempre mais. 
Pior: os recursos extraídos da sociedade passam longe dos investimentos sociais e da melhoria da infraestrutura. Como a capacidade investidora do Estado é incomparavelmente menor que a dos contribuintes, trocamos avanços do setor privado pela debilidade investidora do Estado. Não é surpresa que nossa taxa de investimento seja a mais baixa entre todos os nossos vizinhos na região e uma das mais baixas do mundo emergente. 

Capa da revista britânica The Economist estampou o Brasil como um foguete descontrolado - de fato, a estátua do Cristo Redentor caindo do Corcovado, numa insólita expressão do humor trash dos britânicos.
A revista fazia referência a outra capa, de 2010, em que o Cristo Redentor decolava do morro, exprimindo a esperança dos estrangeiros na força investidora do Brasil naquele momento. Má avaliação e equívoco flagrante de prognóstico. 
O Brasil nunca contratou o progresso acelerado antevisto pela publicação inglesa. 

Estamos nos comendo por dentro. Apenas temos muito para devorar antes de fenecer. 
Não é progresso, é mera transferência da vitalidade de uma grande nação para um insaciável aparelho estatal que, no caminho, vai distribuindo "o peixe", em vez de entregar a vara de pescar. Minamos as chances de progresso verdadeiro. 
Mantemos, apesar da arrecadação pantagruélica, uma educação de baixa qualidade e um sistema de saúde pública de fancaria. Nada senão o excesso de gasto explica o mal que nos acomete. 

O diagnóstico do excesso da despesa pública é a grande razão por que as eleições de 2014 são tão importantes. O debate eleitoral poderá propiciar nossa última chance de constatar duas coisas: primeiro, quão distantes estão os candidatos de um diagnóstico verdadeiro do que realmente tem sufocado o progresso nacional; e, por fim, quão próximos ainda estamos de repetir, em 2014, mais um ato continuísta da trágica política econômica do "declínio". Para conter o avanço do Estado e resgatar as chances de progresso da sociedade brasileira é fundamental pactuar uma regra clara de crescimento da despesa corrente pública. 

(*) É economista e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (www.brasileficiente.org.br).

Mais trapalhadas das faixas

Opinião do Estadão 

A cada dia surgem novos sinais de que a implantação - aos trancos e barrancos - de mais de 300 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus, no curto espaço de um ano, está muito longe de ser a maravilha que o governo de Fernando Haddad vive alardeando. Os transtornos causados pela faixa do Viaduto Pacaembu, mostrados em reportagem do Estado, são exemplo das consequências de decisões dessa importância tomadas sem estudos prévios. Se existem, permanecem guardados a sete chaves. 

Desde que foi inaugurada no final do ano, estava evidente para qualquer observador minimamente atento que era praticamente impossível que aquela faixa trouxesse os benefícios dela esperados. Se fossem mantidas as faixas de rolamento ali existentes, destinando apenas aos ônibus a da esquerda, já por eles usada habitualmente, os resultados seriam no mínimo duvidosos. Com a explicação de que era preciso deixar um espaço para os pedestres, protegido por barreira, as faixas foram reduzidas a três. Como já existia um espaço para os pedestres - e tanto era suficiente que não se conhecem registros de acidentes ali acima da média -, tudo indica que a redução se deve à forma atabalhoada e improvisada com que a Prefeitura vem implantando as faixas. 

O resultado da eliminação de uma faixa só poderia ser o afunilamento do tráfego, que dispõe de quatro faixas na Avenida Pacaembu e desemboca no Viaduto. O congestionamento nessa via e suas adjacências é inevitável e vai ficar muito pior com o aumento do tráfego no fim das férias escolares. Como os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não viram isso? Ou então eles viram, sim, mas foram atropelados pela pressa e o improviso do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, e do prefeito Haddad. 

Para resolver o problema, a CET diz que "estão sendo desenvolvidos estudos para identificação e efetivação dos ajustes necessários para aumentar a eficiência e a eficácia do sistema de transporte público coletivo e diminuir o impacto gerado pela faixa exclusiva". Deixando de lado a linguagem arrevesada da CET, o que se deseja saber é por que, diabos, esses estudos não foram feitos antes, já que era evidente que o afunilamento aconteceria. 

Essa falta de planejamento fica também evidente na mais recente faixa implantada, nas Ruas Cerro Corá e Heitor Penteado. Ela é exclusiva para os ônibus de segunda a sexta-feira das 6 às 9 horas, no sentido centro, e das 17 às 20 horas, no sentido bairro. Nesses horários o comércio se ressente fortemente da limitação, porque, como essas faixas são à direita, os carros não podem nem parar para deixar os clientes. 

Além disso, nessas duas ruas os carros dispõem agora de apenas uma faixa naqueles horários, o que está congestionando o trânsito. Chamar a implantação das faixas de Operação Dá Licença para o Ônibus é uma forma demagógica e irresponsável de iludir a população, criando a falsa impressão de que para fugir dos congestionamentos basta trocar os carros pelos ônibus. Seria muito bom que isso fosse verdade, porque a prioridade deve ser mesmo para o transporte coletivo. Mas, já superlotados, os ônibus não têm condições de absorver nem mesmo uma pequena parcela dos usuários de carros, veículos que são responsáveis por um terço dos deslocamentos feitos diariamente na capital. 

Se as faixas são mesmo tudo o que dizem, por que Haddad e Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso? Divulgar declarações isoladas de um ou outro usuário contente não significa nada. 

A menos que a Prefeitura tenha aderido à tese do SP-Urbanuss, o sindicato das empresas de ônibus, segundo a qual "o ganho maior está relacionado à sensação dos usuários, no que se refere à melhoria da qualidade do serviço e à percepção da importância que as autoridades passaram a dar ao transporte coletivo". Essa tese da "sensação" seria cômica, se não fosse antes uma agressão à inteligência dos paulistanos. 

Assinale-se também que causa estranheza o entusiasmo do SP-Urbanuss com as faixas, pois seus interesses não costumam coincidir com os da população.