domingo, 8 de dezembro de 2013

Mistura tóxica: inflação, estagnação e crise fiscal

Rolf Kuntz (*)

Ninguém vai jogar a toalha. A inflação já estourou a meta, com 4,95% até novembro. A economia encolheu 0,5% no terceiro trimestre e cresceu apenas 2,3% em 12 meses. Mas a presidente Dilma Rousseff ainda poderá falar em vitória se o ano terminar com alta de preços inferior a 5,84%, resultado final de 2012, e expansão do produto em torno de 2,5%. Nessa altura, poucos lembrarão a maior parte dos micos de 2013, incluída a entrevista ao jornal El País, quando ela anunciou a revisão do crescimento do ano passado para 1,5%. Houve revisão, sim, mas de 0,9% para 1%, como informou nesta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Talvez numa próxima correção apareça a taxa de 1,5%, mas quem se importará, além da presidente? 

Em qualquer país governado por gente comum, a mistura de crescimento econômico em torno de 2,5% com inflação acima de 5% seria considerada um desastre. Neste Brasil de governantes incomuns, as autoridades torcem por esse resultado. Que mais poderiam ambicionar, neste momento? Além disso, cantam vantagem, apontando países com crescimento menor, mas, curiosamente, em posição bem melhor na escala de risco de crédito. Agências de classificação cometeram erros notáveis nos últimos 20 anos, mas seus critérios, de modo geral, fazem sentido e suas avaliações são levadas a sério no setor financeiro. 

No mercado, todo mundo sabe do risco de rebaixamento da nota do Brasil. O ministro da Fazenda até já se mostrou preocupado com essa possibilidade. Mas nem por isso decidiu cuidar seriamente das contas públicas, admitir os problemas e pôr de lado a contabilidade criativa e a política de remendos fiscais. Há poucos dias o ministro desistiu de mais uma operação para maquiar as contas federais - uma jogada com participação da Caixa e da Eletrobras. Mas só mudou de ideia quando uma reportagem do Valor escancarou a manobra e toda a imprensa foi atrás da história. A armação de um lance desse tipo havia sido mencionada algum tempo antes na cobertura do Estado. 

Segundo o plano, a Caixa financiaria, com garantia do Tesouro, pagamentos devidos por subsidiárias do setor de energia a um fundo setorial. Isso pouparia ao Tesouro uma transferência de R$ 2,6 bilhões. Assim ficaria um pouco mais fácil obter o superávit primário de R$ 73 bilhões prometido pelo ministro. Se o governo alcançar esse resultado, será principalmente graças a manobras e a receitas extraordinárias, como os bônus de concessões de infraestrutura e as parcelas do programa de refinanciamento de dívidas tributárias, o Refis. Este programa deverá render uns R$ 20 bilhões. Só a Vale deverá entrar com uns R$ 6 bilhões nessa coleta. E só o bônus do leilão do campo de Libra, no pré-sal, deverá proporcionar R$ 15 bilhões. A soma desses valores garantirá quase metade do resultado primário fixado para o governo central. 

O desarranjo das contas públicas tem sido apontado como um dos principais fatores da inflação. A alta de preços está obviamente vinculada ao descompasso entre a demanda e a oferta interna, reconhecido por boa parte dos analistas e de novo mencionado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC). O presidente do BC, Alexandre Tombini, citou num discurso, nesta semana, o recuo das taxas acumuladas de inflação, mas é necessário muito otimismo para festejar os números conhecidos. 

'Manhattan Connection' soma mil edições com programa especial

Folha de São Paulo 
Caio Blinder, Paulo Francis, Lucas Mendes e Nelson Motta, a formação original do programa 'Manhattan Connection'

O "Manhattan Connection" comemora hoje sua milésima edição. Mas talvez tenham sido 1.004 ou 1.005. 

"Houve diferença de contagem", explica o produtor e âncora, Lucas Mendes. "Teve época em que a gente tirava férias e fazia uns especiais. O programa 1.000, se não me engano, foi em novembro." 

Mas é assim mesmo, diz. "A gente é ruim de número, desta vez erramos só por quatro ou cinco." Caio Blinder, também na bancada desde o princípio, acrescenta: "Ruim de números e de fatos". /;/;/ Começou há 20 anos, quando Mendes idealizou um programa de rádio em que daria notícias e Paulo Francis (1930-97) comentaria. Convidado pelo GNT, adaptou a ideia tomando por modelo o The McLaughlin Group. 

"Francis era um nome que despertava interesse na hora", diz. "O programa colou em grande parte ou talvez só por causa dele. E aí achamos o Nelson Motta e o Caio. Começou fácil, apesar da descrença do Francis, que achava que jamais iria ao ar." 

Lançado quando a internet e a TV paga engatinhavam, o programa respondia à curiosidade do brasileiro por Nova York e tinha seu ritmo ditado pelo ex-ator Francis. 

Produtora desde o início, Angélica Vieira recorda: "Tínhamos pouquíssimo retorno do Brasil, só dos pais, amigos. Mas desde o começo a química foi instantânea. O Francis era curioso, adorável. Cantava e contava histórias". 

O "Manhattan Connection" era gravado em estúdio alugado da agência Reuters, quase sem edição, "ao vivo", e "a fita era embarcada via Varig", tudo às pressas. 

Hoje é outra coisa: "A Globo News amarra os links mundo afora e nos deixa por conta do conteúdo personalizado, que é a cara do programa. A 'globalização' dos participantes acrescentou tempero, mas Nova York continua oferecendo o arroz com feijão". 

O canal de notícias abriga o programa há quatro anos. Mendes diz que ele não só ampliou o alcance no Brasil, mas agora "vai para 114 países". E a bancada ganhou estúdio, "perto de Chinatown". 

A "globalização" veio, diz ele, por acaso. Diogo Mainardi participa hoje de Veneza, Ricardo Amorim de São Paulo e Pedro Andrade de Miami. 

"Nos últimos meses, falamos mais do Butão que dos EUA", diz Mainardi. "No passado, quando o acesso à informação era mais complicado, comentávamos fatos que os espectadores ignoravam. Hoje é o contrário: o papel é sobretudo descartar o excesso de palavras, imagens e opiniões que circulam por aí." 

Ele diz que "os membros envelheceram miseravelmente, alguns já morreram, mas o 'Manhattan Connection', como um zumbi, soube se regenerar e sair da tumba".

Caio Blinder, que era alvo predileto de Francis, por ser liberal, comenta: "É, para você ver, hoje sou meio conservador [ri]. Ele pegava no meu pé. Eu tinha 35 anos, estou com 56. O mundo deu voltas". 

Mas ele acredita que, "na essência", o programa pouco mudou. "Por isso deu certo. E tem tanta imitação."

E o lixo continua ...

O livro "Assassinato de reputações", de Tuma Júnior, revela os crimes políticos do governo Lula  

Blog do Políbio Braga On Line 

Na reportagem com chamada de capa, a revista Veja desta semana publica revelações estarrecedoras sobre o os crimes de Estado cometidos pelos governos do PT. 

Vai tudo narrado pelo delegado Romeu Tuma Júnior, ex-secretário nacional de Justiça, órgão do ministério da Justiça, presidindo, à época, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, sempre no governo Lula, e filho do ex-senador e também delegado Romeu Tuma. 

Tuma Júnior conta tudo no livro que lançará dentro de duas semanas. 

Ele narra um episódio em que foi chamado ao Congresso para reunir-se com um deputado e um senador do PT — este, hoje, é ministro de Dilma — para, supostamente, tratar de projetos de interesse do governo Lula. 
Na verdade, o encontro se destinava a entregar ao delegado um pendrive que conteria um dossiê (mais um) contra um eminente senador da oposição. 

“A exigência era que eu plantasse uma investigação em cima dele”. 

Embora a matéria de capa seja a morte de Mandela, a reportagem-bomba de Veja desta semana que chega às bancas neste sábado, trata das revelações bombásticas do livro do delegado Romeu Tuma Jr, sobre o que viu durante o governo Lula. 

Ele conta coisas que “nunca antes ocorreram neste país”. 
Eis aí, portanto, o fio de uma meada que pode ser puxado para que a Nação conheça aquilo que se encontra no âmago do novelo. 

As informações estão no livro "Assassinato de reputações: um crime de Estado", um depoimento do ex-delegado de classe especial da Polícia Civil de São Paulo Romeu Tuma Jr. ao jornalista Claudio Júlio Tognolli 

A revista não abriu a reportagem até as 9h26min deste sábado, mas ela reproduz muitas revelações feitas no site Consultor Jurídico, que publicou uma matéria a respeito. 

Ainda que não vá a fundo, revela que os fatos narrados por Tuma Jr., são mesmo de arrepiar e confirmam que, sob o governo do PT, a Nação já vive sob o tacão de um Estado Policial. 

Gilmar Mendes não foi o único ministro do Supremo Tribunal Federal que teve escutas instaladas em seus telefones e no seu computador. 

Quando o episódio veio a público, em 2007, as apurações da Polícia Federal não conseguiram constatar que todos os ministros do STF estavam com seus telefones grampeados ou com escutas ambientais instaladas em seus computadores. 

E isso tudo feito por delegados da Polícia Federal.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Atitudes que drenam energia

Vera Caballero (*) 

1 – Pensamentos obsessivos  
Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso.
Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. 
Quem não tem domínio sobre seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. 
Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas. 

2 – Sentimentos tóxicos 
Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. 
Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. 
Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida.
Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos. 

3 – Maus hábitos – 
Falta de cuidado com o corpo Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. 
A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética. 

4 – Fugir do presente 
As energias são colocadas onde a atenção é focada. 
O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas. 

Nosso ensino inferior

Zuenir Ventura (*) 

Não é para entrar em depressão, mas também não é para comemorar. Nos dois testes internacionais a que foi submetido esta semana — o do ensino médio e o do superior — o nosso sistema educacional não foi totalmente reprovado e até melhorou, mas também não “passou” com louvor. Sob certos aspectos, o desempenho foi medíocre. 

No primeiro exame, o Pisa, que avalia alunos de 15 anos de 65 países, o Brasil foi o que mais avançou em matemática entre 2003 e 2012, mas mesmo assim continua lá atrás, ficou em 58º lugar e, em leitura, foi pior, caiu dois pontos para a 55ª colocação. Em Ciências, permaneceu onde estava, na 59ª posição. 

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, considerou o resultado “uma grande vitória”, mas o responsável pelo Pisa, Andreas Schleicher, acha que temos que “acelerar muito o ritmo de melhoria”, investindo mais em professores e dando aos alunos pobres melhores escolas, para não continuar fazendo feio. 

Se as conclusões do Pisa comportam interpretações que podem ser mais ou menos pessimistas, os dados referentes à educação superior não deixam dúvidas: foram péssimos. Segundo a consultoria britânica Times Higher Education, que realizou a pesquisa e estabeleceu o ranking, o Brasil só conseguiu incluir quatro universidades entre as cem melhores dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e de outros 17 países emergentes. 

O melhor lugar que obtivemos foi o 11º, com a USP, seguido pela Unicamp, em 24º. 
A UFRJ, em 60º, e a Unesp (Universidade Estadual Paulista), em 87º, completam a nossa representação. 

Para se ter uma ideia, a China, que aparece no topo da lista, como já aparecia no Pisa, emplacou 23 instituições entre as 100 mais. E Taiwan, 21. A nossa má performance não pode ser atribuída à falta de representação. 

O ensino superior brasileiro é composto por 2.377 instituições, das quais 85% são faculdades, 8% são universidades, 5,3% centros tecnológicos e 1,6% são institutos tecnológicos. O nosso problema, portanto, não é de quantidade, mas de qualidade.

O maior de todos 
Em 1994, quando visitei a prisão de Robben Island, na África do Sul, onde Nelson Mandela passou 18 dos 27 anos em que esteve preso cumprindo pena de trabalhos forçados, fiz as perguntas que todos repetiram ao realizarem um dia a mesma visita, inclusive Barack Obama: como alguém pôde sofrer tanto e sair perdoando seus algozes e promovendo a reconciliação (um de seus primeiros gestos em liberdade foi tomar café com o antigo carcereiro)? Como foi possível suportar o castigo de quebrar pedra como se fosse um Sísifo moderno, sem enlouquecer? 

Ali, naquela cela mínima, onde não cabia abrir os braços de tão estreita, sem cama, não tive dúvida de que num século que produziu estadistas como Churchill, De Gaulle, Roosevelt, nenhum se equiparou ao herói africano em resistência moral e superação. 

(*) Jornalista e escreve para o jornal O Globo

O mundo precisa de mais Mandelas

Claus Stäcker (*) 

Nelson Mandela certamente não foi um santo, embora este seja o tom da mídia: cada manchete o torna um pouco mais sobre-humano, a admiração assume traços de idolatria. E algumas testemunhas juram que, na presença dele, eram invadidas pelo especial carma de Mandela. Sempre que a África do Sul precisava de um milagre, falava-se em "Madiba Magic". 

Para ele, o culto à personalidade era antes algo embaraçoso. Só com relutância aceitava emprestar seu nome a ruas, escolas e institutos ou ver a construção de estátuas de bronze e museus Mandela – uma tendência que agora só tende a aumentar. 

Em várias ocasiões, Mandela se referiu à resistência como um poder coletivo, a pioneiros históricos e companheiros de luta como Mahatma Ghandi, Albert Luthuli ou seu amigo e companheiro Oliver Tambo, cujo nome se encontra injustamente à sombra de Mandela. 

Foi Tambo o primeiro a trabalhar para que a luta de resistência do Congresso Nacional Africano (CNA) fosse aceita mundialmente. E foi Tambo o primeiro a encenar o conto de fadas mundial de Mandela, no qual toda pessoa justa poderia se reconhecer – em Spitzbergen ou na antiga Berlim Oriental, em São Francisco ou em Pequim. 

Quando o prisioneiro de número 46664 foi libertado, depois de 27 anos no cárcere, ele era uma marca, um ídolo mundial, um mito – associado a projeções, desejos; abarrotado de expectativas, que uma pessoa só não poderia cumprir. 

Mas quem iria arranhar sua imagem? Enumerar seus pecados juvenis, seus filhos bastardos? Sua fraqueza pelas mulheres, sobretudo por mulheres bonitas: modelos, estrelinhas pop e jornalistas, com quem flertava da forma mais politicamente incorreta até como antigo estadista? Quem iria se atrever a condenar seus planos de ataque quando era líder da tropa de combate do CNA Umkhonto weSizwe (lança da nação)? E a criticar seu jeito exaltado e arrogante, do qual os companheiros de cela e ex-funcionários hoje sorriem? 

Sorgo Biomassa cresce como alternativa para bionergia

Agrolink 

Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Brasil cresceu 0,9% o PIB em 2012 em relação ao ano anterior, a ANEE (Agencia Nacional de Energia Elétrica) divulgou que no mesmo período o consumo de energia elétrica brasileiro aumentou 3,5%. 

Fortemente impulsionado por um abastecimento via hidrelétricas, o Brasil, no entanto, vem nos últimos anos avançando em fontes alternativas de energia como se pode observar nos últimos leilões de energia realizados no país, sendo o ultimo deles fechado em 28 de Agosto. 

A busca por alternativas para atender a crescente demanda de energia no Brasil são diversas, entre as biomassas: cavaco de madeira e o bagaço de cana são as fontes de matéria-prima mais comuns, no entanto devido à alta demanda e relativa escassez, uma nova tendência surge: culturas dedicadas especificamente à produção de biomassa, entre as propostas destaca-se o sorgo biomassa.

“A perspectiva do aumento de área plantada com biomassas dedicadas é grande desde a matéria prima proposta atenda o mercado em: custo, facilidade de cultivo e boa geografia para avanço. O crescimento da população requer da área agrícola mais alimentos e também maior produção de energia”, afirma Tatiana Gonsalves, diretora comercial da NexSteppe no Brasil. 

O sorgo biomassa quando comparado à outras culturas alternativas, destaca-se por atender a necessidade do mercado em seus quesitos básicos : custos, cultivo e geografia além de possuir ampla base genética e rápido ciclo de melhoramento, fundamental para se produzir plantas dedicadas. 

Palo Alto, nome comercial do sorgo biomassa da Nexsteppe, é especialmente desenvolvido para atender o mercado de biocombustão, pois possui baixa umidade e consequente alto poder calorífero nas caldeiras. 
A NexSteppe é a única empresa exclusivamente dedicada ao desenvolvimento da próxima geração de soluções sustentáveis em matéria-prima para as indústrias de biocombustíveis, bioprodutos e biocombustão. 

Um destaque da empresa são seus profissionais altamente capacitados para orientar o campo a produzir mais e alcançar o potencial máximo das culturas energéticas. 
“Investimos na formação e qualificação dos nossos profissionais para oferecer ao segmento um serviço de qualidade e precisão, agregando valor aos negócios dos empresários”, comemora Tatiana. 

O Sorgo Biomassa tem um ciclo rápido, com cerca de 100 a 120 dias, podendo claramente ter duas safras por ano. 
Agricultores do Cerrado já estão ampliando suas fronteiras agrícolas plantando culturas energéticas em áreas de baixo potencial para produção de alimentos. 

“Isso é uma perfeita integração de como a área agrícola pode cumprir sua função e prover a humanidade de alimentos e também energia“, comemora Tatiana.

Produção de uva sem sementes aumenta no Brasil

Agência Brasil  

Uva Isis
O produtor de uva no Brasil terá à sua disposição, a partir deste mês, mais uma variedade sem sementes da fruta. 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai lançar a variedade Isis, que passará a ser o quinto tipo de uva sem sementes criada a partir de pesquisas do órgão. 

As outras são Clara, Linda e Morena, lançadas em 2003. 

No ano passado foi criada a variedade Vitória. 

Alexandre Hoffmann, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, informou que todas elas foram desenvolvidas em Petrolina (Pernambuco) e permitem que o produtor possa contar com uma tecnologia gerada no próprio país. 

"O Brasil, como é vanguarda em diversas áreas de tecnologia, também é vanguarda nas variedades de uvas tanto com sementes quanto sem sementes, disponíveis aos produtores", disse à Agência Brasil. 

O técnico informou que o aumento do consumo de uvas sem sementes no Brasil provocou o crescimento da produção da fruta na região de Petrolina. 
Antes desse movimento, segundo ele, a maior parte da produção se destinava à exportação. 

"Houve um aumento da demanda e da concorrência no mercado externo. Isso fez com que aumentasse a oferta no mercado brasileiro. Isso significa a possibilidade de o consumidor, hoje, ter acesso a um produto de maior qualidade que há poucos anos, quando só encontrava com alto preço e importado", destacou. 

Segundo Hoffmann, em 2012 foram produzidas no Brasil 1,5 milhão de toneladas de uvas com e sem sementes, sendo 600 mil toneladas destinadas ao consumo in natura. 
No caso das chamadas uvas de mesa, há produção também na Bahia, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. 

Com o aumento de produção, além do acesso a um produto de maior qualidade, o consumidor no Brasil passou a encontrar com mais facilidade nos mercados uma fruta considerada importante no combate a alguns tipos de doenças. 

A chefe do Serviço de Nutrição do Instituto Nacional de Cardiologia, Andréa Damazio, disse que todas as qualidades de uvas são ricas em vitamina C e A, potássio e fibras. 
Por isso, é classificada de alimento funcional, com propriedades que favorecem o organismo e podem ser usadas para combater ou evitar doenças. 

"O potássio é importante para evitar cãibras e para manter a pressão arterial normal. A vitamina A é importante para a visão, a constituição da pele, e é um antioxidante importante. A vitamina C está ligada ao combate a infecções e a resfriados. As fibras são importantes para o bom funcionamento intestinal. As propriedades antioxidantes combatem os radicais livres, o envelhecimento precoce e têm ação anti cancerígena. 
As uvas arroxeadas têm ainda mais substâncias ativas que as verdes, como: carotenos, catequinas, antocianina e flavonoides", explicou. 

Andréa Damazio esclareceu que uvas do tipo arroxeadas, como a crimson, que também é uma qualidade sem semente produzida em Petrolina (Pernambuco), mas de origem estrangeira, têm na casca o resveratrol, um composto fenólico cardioprotetor. 

"Devido à sua ação anti agregação plaquetária e redutora de triglicerídeos, e também da ação antioxidante, diminuindo a incidência de Alzheimer e reduzindo a oxidação das gorduras e as placas de arteriosclerose", informou. 

A nutricionista disse ainda que o indicado é consumir, por dia, uma porção de 100 gramas da fruta, o equivalente a 10 unidades.

O Faz de Conta

Miguel Reale Júnior (*) 

Termina 2013, ano em que as ruas falaram mais alto que as autoridades. Poucas respostas foram dadas às urgências reclamadas pelos brasileiros. 
 
Das reivindicações das ruas, o cancelamento do aumento da tarifa de ônibus foi compensado pela elevação vertiginosa do IPTU, que a população em geral vai pagar, pois o comércio e a indústria repassarão o acréscimo de imposto ao preço dos produtos postos à venda. 

A proposta de reforma política foi um fiasco, desde a ideia de convocação de Constituinte até a indicação de realização de plebiscito. Furos n'água. Há 20 dias o Congresso aprovou minirreforma eleitoral a vigorar apenas nas eleições de 2016, porque as regras eleitorais só podem ser alteradas até um ano antes do pleito. Assim, não passa de mais um faz de conta. 

Além do mais, a lei aprovada modifica detalhes que em nada alteram a estrutura do sistema eleitoral. Pode-se, a título de exemplo, lembrar a introdução de disciplina acerca da comprovação de gastos com passagens aéreas por partido político, a serem certificados, tão só, por fatura ou duplicata emitida pela agência de viagem. Em outra disposição, proíbe-se o uso de cavaletes com propaganda em vias públicas e a pintura de muros de imóveis. Modifica-se também o artigo 26 da lei regulamentadora das eleições para estabelecer limites a gastos com alimentação do pessoal prestador de serviços eleitorais, bem como a aluguel de veículos automotores. 

Como se vê, as inovações legislativas em nada refletem a necessária reforma do sistema eleitoral e partidário, tão reclamada. Dentre as mudanças, cabe buscar as menos irrelevantes. 

Questão polêmica diz respeito às pesquisas durante a campanha eleitoral, que restam proibidas nesse período, para se evitar presumido sugestionamento do eleitor em prol do favorito ou contra eventual perdedor, decretando-se o infantilismo do eleitorado, que deve remanescer ignorando as preferências. Mas, a meu ver, é inconstitucional essa norma ao vedar a publicação de pesquisa expressiva de manifestação de pensamento da sociedade. 

De outra parte, reputa-se não constituir campanha eleitoral antecipada a comunicação e a posição pessoal sobre questões políticas nas redes sociais, cuja força é inconteste nos dias de hoje, com o que se libera a todo e qualquer tempo a campanha eleitoral. Proíbe-se pesquisa no período eleitoral, mas permite-se manifestação pelo Twitter ou pelo Facebook a partir da publicação da lei até o dia das eleições: contradição não falta ao legislador. 

Considera-se propaganda eleitoral antecipada a convocação de rede de radiodifusão pelos presidentes da República, do Senado, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal, "para a divulgação de atos que denotem propaganda política ou ataques a partidos políticos e seus filiados ou instituições". Essa proibição, sem dúvida, é saudável, mas há manifesto equívoco, pois não se trata apenas de propaganda eleitoral antecipada, mas de grave abuso do poder político, a ser sancionado mais seriamente do que com mera imposição de multa, aliás, não claramente sequer prevista nessa hipótese pela lei. E se proibida a convocação de rede de radiodifusão em período pré-eleitoral para divulgação de fatos com caráter de propaganda, estaria assim autorizado que se o fizesse no período eleitoral? 

Por fim, limita-se o número de cabos eleitorais, conforme a natureza da candidatura, a prefeito ou a presidente da República, e de acordo com o número de eleitores do município, devendo-se registrar nominalmente as pessoas contratadas, com indicação de seu CPF. Essa é mais uma tentativa de disfarce, pois os principais cabos eleitorais jamais vão constar de qualquer relação: são contratados, por candidatos a deputado, senador ou governador, os prefeitos, vereadores ou candidatos a prefeito derrotados, que jamais vão concordar em constar da relação dos assalariados temporários, formando-se, então, a contingência de se criar indevido caixa 2. 

Como se vê, as mudanças, que vão vigorar, recorde-se, apenas em 2016, são de menor monta, irrelevantes para mudar a forma de realizar, com maior proximidade entre eleitor e candidato, o processo de escolha para o Legislativo e com transparência o controle visando a evitar a corrupção eleitoral. Verifica-se, então, outro faz de conta. 

O regime prisional semiaberto virou mais um faz de conta. Participei da Comissão Elaboradora do Projeto de Lei de Execução Penal e da Parte Geral do Código Penal e posso afirmar que este código, ao admitir o trabalho externo no semiaberto, deixou à Lei de Execução disciplinar a matéria, segundo a qual, só passado um sexto da pena seria possível o trabalho externo, quando já aplicável o regime aberto. O STJ entendeu não caber tal restrição, confundindo semiaberto e prisão albergue. Deve-se, então, para não fazer do semiaberto um absoluto faz de conta, cumprir o disposto no artigo 124 da Lei de Execução, segundo o qual o trabalho externo é permitido por sete dias, podendo a autorização ser renovada após 45 dias de reclusão. Do contrário fragiliza-se a resposta penal. 

Para completar o reino do faz de conta, o PT apresentou texto-base do seu 5.º Congresso Nacional, no qual culpa o presidencialismo de coalizão como responsável pela corrupção, como se seus dirigentes, ora na prisão, tivessem apenas sido vítimas do sistema. Com a desculpa quer empunhar de novo a bandeira da ética, que, como ressaltei em debate com então secretário-geral do partido em 1985, fazia do PT a UDN de macacão, ao se arvorar em dono da moral pública. Dono que a vendeu a alguns "picaretas" no triste episódio do mensalão. Hoje na Papuda, farsantes presos políticos transformaram-se também em vítimas do sistema presidencialista que aprovaram na Constituinte. O País vive uma tragicomédia. 

(*) Advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras, foi ministro da Justiça.

O prefeito zé mané de São Paulo

Haddad decidiu mostrar a jornalistas e turistas estrangeiros uma São Paulo que não existe. Tranquila e sem trânsito. Vai decretar feriado nos seis dias que houver jogos da Copa. Assim é fácil governar… 

Cosme Rímoli (*) 

Costa do Sauípe... 
O prefeito Fernando Haddad era só empolgação aqui na Bahia. 
Estava aliviado porque a Fifa foi complacente. 
Esticou o prazo para a liberação do Itaquerão. 

De dezembro de 2013 para abril de 2014. 
Mas ele prometeu uma grande festa. 
Levará 60 mil pessoas ao estádio. 
Será um teste para impressionar a Fifa. 

O prefeito sabia que havia plano B. 
São Paulo poderia perder a abertura do Mundial para o Rio de Janeiro. 
Seria uma desmoralização política perde a final e o primeiro jogo. 
O prefeito lamentou demais o acidente que matou dois operários. 

Mas insistiu que nunca duvidou que o jogo de abertura seria mantido. 
Sabe que a CBF de Marin trabalhou pela cidade paulista. 
Estavam em jogo também os R$ 820 milhões de dinheiro público no estádio.
Muito sorridente, o prefeito convidava os jornalistas estrangeiros. 

Eles teriam de conhecer a cidade mais rica desenvolvida da América Latina. 
A capital que terá seis partidas da Copa. 

Brasil e Croácia na quinta-feira, dia 12 de junho. 
No dia 19, outra quinta, Uruguai e Inglaterra. 
Holanda e Chile, na segunda-feira, dia 23. 
Coreia e Bélgica, quinta-feira, dia 26. 
Uma das oitavas-de-final, terça, dia 1º de julho. 
E a semifinal no dia 9, em plena quarta-feira, não. 

Não precisará. 
Já é feriado por causa da Revolução de 1932. 
Como o prefeito poderá passar uma boa imagem da cidade? 
Com tanto trânsito, faixa de ônibus... 

Mais de 200 quilômetros de congestionamento? 
A confusão para ir e voltar ao Itaquerão estava garantida. 
Os jornalistas estrangeiros descobririam como é o dia-a-dia do paulistano.

Haddad tomou um caminho muito simples. 

E ao alcance de sua mão. 
Decidiu fazer São Paulo parar. 
A presidente Dilma deixou a cargo de cada prefeito agir nos dias de jogos. 
Ou seja, decretar feriado.

E Haddad decidiu que nos dias de jogos, os paulistas ganharão seis feriados. 
Simples assim. 
Sem ter de inventar motivo algum. 

Futebol basta. 

Há a certeza que São Paulo será elogiado. 
Jornalistas e turistas não deverão ter dificuldades em circular. 
Nada como um feriado... 

Há a garantia que eles terão uma visão falsa, mentirosa e dourada da cidade. 

Assim é fácil governar...

(*) Jornalista e comentarista esportivo 

O tal "The Voice"

No "The Voice", fica quem estraga mais a música, critica Zélia Duncan  

UOL 

A cantora Zélia Duncan apareceu no Twitter, nesta quinta (5) para comentar o "The Voice" pela primeira vez e criticou a atuação dos candidatos. 

Em uma de suas postagens, disse: "Eu sabia, quem estraga mais [as músicas], tá dentro." 

Pouco antes, a cantora comentou a interpretação da candidata Marcela Bueno para "Amor de Índio", do compositor Beto Guedes. "Minha paixão hippie, canção linda de Beto Guedes.... Jogada na fogueira..." 

E já no começo da atração, fez comentários sobre a postura dos candidatos. "Povo trabalhado na sensualidade! Rs bora usar a voice?" (sic) e perguntou aos tuiteiros se eles achavam que "a turma [estava] preocupada em parecer famosa". 

A fim da transmissão, a cantora disse que tentaria ver o programa na semana que vem. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Desarmados e endividados

Alexandre Garcia (*) 

Nunca antes na História deste país o brasileiro esteve tão endividado. Só para os bancos, os brasileiros estão devendo 1 trilhão e 215 bilhões de reais. Isso no mês das compras de Natal e no mês do 13º salário. Aliás, a soma das dívidas com os bancos é oito vezes o montante que os brasileiros vão receber como 13º. São dados do Banco Central. Os juros são altíssimos. O do cheque especial é de 149% ao ano - quer dizer, duas vezes e meia o valor da dívida. Quem tirou mil reais fica devendo 2.500 ao fim de um ano. 

A dívida do crédito rotativo pelo cartão, segundo o Banco Central, tem o astronômico juro de 194% ao ano. Ou seja, ao fim de um ano, a dívida quase triplica. Mil reais se convertem em 2.940,00. No empréstimo pessoal, o juro é de 45% ao ano, em média. Tirou mil, devolve 1.450. O financiamento bancário para comprar automóvel é o menos exorbitante: 21,7% ao ano, em média. É para o governo estimular a indústria automobilística, além da redução do IPI. Nos últimos 10 anos, a frota de veículos subiu de 35 milhões para 80 milhões, mas os veículos não têm como circular livremente nem dispõem de área para estacionar. O caos no trânsito desestimula as pessoas a sair de casa. 

E o governo estimula as pessoas a se endividar. Quando era presidente, Lula apelava aos brasileiros para que continuassem comprando. O Brasil teve crescimento com base no consumo, mas agora a capacidade de comprar está se esgotando. Os bancos oficiais oferecem crédito. Fazem propaganda como se o crédito fosse uma mercadoria essencial, como se vê na publicidade do Banco do Brasil, do BNDES e da Caixa Econômica. A Caixa chega a fazer propaganda de uma contravenção: o jogo de azar - e estimula as pessoas a contraírem o vício do jogo. 

Enquanto isso, o governo finge não ter entendido a mensagem do referendo sobre desarmamento, em que dois em cada três eleitores foi contrário à proibição do comércio de armas. No país sem segurança, as pessoas precisam exercer seu direito de defesa. Nos Estados Unidos, onde toda família tem arma em casa, ninguém invade residência e os homicídios são 15 mil por ano, em 300 milhões de habitantes. Aqui, com as restrições às armas, os bandidos ficam à vontade e há 50 mil homicídios em 200 milhões de habitantes. Querem que sejamos cidadãos desarmados e endividados. Será que assim enfraquecidos seremos mesmo cidadãos ou cordeirinhos? 

(*) Jornalista sediado em Brasília

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O casamento do ministro do Esporte do Brasil, roubado em Paris

Juca Kfouri (*) 

O ministro do Esporte do Brasil, Aldo Rebelo, comparou o atraso nos estádios para a Copa do Mundo, agora admitidos depois de anos de mentiras, ao atraso das noivas no dia do casamento. 

O ministro confundiu alhos com bugalhos, noivas com jogos, estádios com igrejas. 

Porque, no caso, estádios podem ser comparados às igrejas e estas, em regra, estão prontas no dia do casório, como bem lembrou o jornalista Marcelo Barreto, do Sportv. 

Aldo Rebelo, numa quarta-feira particularmente infeliz, ao tratar da questão da segurança em nossas cidades disse que jamais foi assaltado num aeroporto brasileiro, ao contrário do que lhe aconteceu em Paris. 

Je suis désolé, messie Rebelô. 

Então, ficamos assim: atrasar a entrega dos estádios, diferentemente do que se disse até ontem, não tem a menor importância e Paris é uma cidade mais insegura que o Rio e São Paulo. 

E a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando esta fama. 

(*)  Formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL

Morre Nelson Mandela

Estadão 

Morreu nesta quinta-feira, 5, o maior ícone da luta contra o apartheid. Nelson Mandela, de 95 anos, estava internado com infecção pulmonar em um hospital militar de Pretória. Em 1993, ele levou para casa um prêmio Nobel da Paz – dividido com o último presidente sul-africano branco, Frederik de Klerk. No ano seguinte, tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul. /;/;/;/ Para muitos analistas, Mandela foi o único líder capaz de conduzir pacificamente o país rumo à democracia racial após meio século de governo segregacionista. Para a presidência, ele levou o respeito conquistado durante a luta contra o apartheid, que lhe rendeu 27 anos de prisão. 

Rolihlahla Mandela nasceu em 1918 na pequena vila rural de Mvezo, na atual Província de Eastern Cape. O menino tinha sangue real, era descendente dos chefes Tembu, da nação cossa. Foi criado para ser líder tribal. Na infância, caçava passarinho, tomava conta de gado e brincava descalço, lutando contra outros garotos com pedaços de pau. Segundo Tom Lodge, um de seus mais importantes biógrafos, nessa época aprendeu a lição que guiaria sua ética pessoal por toda a vida: Mandela aprendeu a derrotar seus inimigos sem humilhá-los. 

Só aos 7 anos, depois que entrou para uma escola britânica, é que ganhou o nome de Nelson. “Minha professora no primário exigiu que eu tivesse um nome cristão e decidiu que eu me chamaria Nelson”, lembrou Mandela, anos mais tarde. O pequeno nobre Tembu, do clã dos Madiba – nome pelo qual Nelson seria chamado pelos mais íntimos até o fim da vida -, frequentou as escolas britânicas de Clarkebury e Healdtown. Em casa, vivia com um pai polígamo, que tinha quatro mulheres e nove filhos. 

A fusão da tradição africana com o civilismo britânico criou um dos maiores líderes do século 20. Em geral, historiadores prestam pouca atenção à influência que tiveram as ideias colonialistas sobre os líderes nacionalistas da África. Mandela, apesar das raízes africanas, teve a vida tocada por conceitos ocidentais, como os direitos humanos e as obrigações civis. Foi equipado com esse arsenal ético que ele derrotou o apartheid e foi alçado à condição de mito. 

A força moral e política de Mandela vinha da crença de que gestos diários de cortesia, consideração e generosidade são capazes de atenuar conflitos. Essa convicção moldou um jeito gracioso de fazer política que, apesar do profundo conservadorismo, foi a única fórmula capaz de conduzir pacificamente a África do Sul à democracia. 

Poucos tiveram o status messiânico de Mandela. Profundamente influenciado pelo pacifismo de Mahatma Gandhi, que também viveu na África do Sul, ele se tornou um símbolo global de paz e reconciliação. 

Na presidência, Mandela se viu diante de decisões políticas difíceis. Surpreendentemente, seu governo ficou marcado pela disciplina fiscal, administrativa e um forte controle de gastos públicos, desagradando a muitos aliados. Sob seu comando, o governo levou água potável para zonas rurais, construiu 1 milhão de casas populares e investiu em escolas de bairros negros. Mas o desemprego não cedeu. A esquerda responsabilizou os excessos neoliberais de sua política econômica. Para os empresários, a culpa era das reformas sociais, da nova legislação trabalhista e da exigente política de afirmação racial. 

Na área social, Mandela marcou pontos com a Comissão da Verdade e Reconciliação, que fez um doloroso escrutínio do passado. Seu relatório desagradou a políticos dos dois espectros, mas satisfez a maioria da opinião pública. A Constituição democrática foi promulgada em 1996 e a paz com os zulus, selada com a inclusão de líderes do Partido da Liberdade Inkhata no governo. 

Idealista. 
Em temas internacionais, Mandela foi idealista, adotou como princípio a defesa dos direitos humanos e a lealdade àqueles que o ajudaram na luta contra o apartheid. Só que nem sempre é possível juntar as duas coisas. Por isso, sua política externa foi cheia de incoerências. Como nunca esqueceu os velhos amigos, Mandela defendia os regimes de Cuba, Líbia, Síria e Zimbábue. 

Ele não quis se reeleger e deixou o governo com aprovação de 80%. Diferentemente da ostentação de outros líderes africanos, viveu de maneira simples. Doava um terço do salário para uma fundação de caridade criada com o dinheiro do Nobel. Comprou uma casa em Houghton, Johannesburgo, onde continuou a dobrar o próprio pijama até o fim da vida.

A imprensa, entrando nos trilhos

Luciano Martins Costa (*)  


Quer se informar melhor sobre corrupção em seu estado? Leia um jornal de outro estado. Salvo raras exceções, a imprensa regional costuma ter vínculos com os governantes locais – quando o jornal não pertence a um empresário que também é político, e, eventualmente, se encontra na oposição. 

Na quarta-feira (04/12), por exemplo, comparemos o noticiário dos três principais diários de circulação nacional sobre um tema arrastado como a viagem numa velha “maria-fumaça”: o caso envolvendo obras e serviços do metrô e do sistema de trens metropolitanos de São Paulo. O critério é a suposta objetividade, e a análise exige uma consulta ao histórico das reportagens anteriores sobre o mesmo assunto. 

O carioca O Globo traz duas reportagens sobre o tema. Na primeira, informa que o Ministério Público constatou que existem indícios de cartel em contratos do metrô paulista que ainda não estão sendo investigados pelo Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Isso quer dizer que há novas evidências de que o caso se assemelha cada vez mais a uma política consolidada de relacionamento criminoso entre representantes do estado e as multinacionais fornecedoras de equipamentos e serviços para o sistema de transporte sobre trilhos. 

Na segunda reportagem, o jornal comenta declarações do ministro da Justiça sobre a suspeita de que o Ministério Público Federal em São Paulo atua com negligência na apuração do escândalo. Além de haver engavetado, por no mínimo três anos, pelo menos dez ofícios da Justiça da Suíça com informações fundamentais sobre o caso de corrupção e formação de cartel, o MP ignorou o pedido de colaboração nas investigações realizadas por aquele país. 

Homens trabalhando

Xico Sá (*)  

Amigo torcedor, amigo secador, o que é um operário em construção diante de uma Copa, diante de um investimento milionário, diante da coisa pública a serviço da coisa privada, o operário que faz a coisa e a coisa, caro Vinicius de Moraes, ainda não faz o operário, pasme. 

Um operário não, dois, mas poderiam ser dez, tudo daria no mesmo, nas arenas já são quatro, cumpram-se as honras de praxe, as homenagens no jogo, aí pergunto, cá do meu romantismo babaca envelhecido em barris de descrença: quantos minutos de silêncio vale uma vida sob os escombros? 

Um operário custa menos que meia hora do gasto com o gerenciamento da imagem dos empreiteiros e dos"cabras sem vergonha", como disse o irmão de uma das vítimas. Zelar pela imagem custa na proporção da cara de pau dos envolvidos, aí incluso o sinto muito, o cinismo, o buquê para as viúvas, os despachos burocráticos de rotina e o falso luto das autoridades. 

O que vale é a imagem do Brasil lá fora. A preocupação é com o susto do mundo diante da tragédia de Itaquera. Um operário morto em uma arena ainda vale o barulho em torno da Copa. Um operário em construção comum, um prédio, uma estrada, caro Vinicius, não vale uma marmita, não vale um minuto de reza. 

Os operários da bola, velho Vinicius, aprenderam a dizer "não", acredite. A turma do Bom Senso F.C. andou prometendo greve para esta rodada, diante da antiga safadeza dos salários atrasados, a praxe. Que vergonha, Clube Náutico Capibaribe, quanta história de "elite" para acabar assim uma temporada. 

Óbvio que se trata de um segmento privilegiado dos atletas que organiza o movimento, mas não se nega o avanço, alvíssaras, é o pontapé inicial na história. O Bom Senso promete descer com o seu protesto ao rés do chão de todas as divisões do futebol pentacampeão do mundo que chega a mais uma Copa do Mundo imbatível em suas contradições econômicas. 

Sim, caro Vinicius, homens trabalhando por melhores condições de uma categoria que historicamente não se mexe, resguardadas as ações de um Afonsinho, o pioneiro do passe livre ainda nos anos 1970, a missão de uma certa Democracia Corintiana do doutor Sócrates e outros raríssimos levantes. 

Estas são as notícias, poeta, queria apenas relembrar de novo teu centenário e fazer bom uso, nesta crônica com sangue de arena nos olhos, do teu lirismo de classe. 

(*) Jornalista e escritor

Jovem cria plataforma para multiplicar educação de qualidade

Folha de São Paulo  

O cearense Thiago Feijão, 24, estudante do ITA (Instituto de Tecnologia de Aeronáutica), teve sua vida mudada aos 12 anos, quando seu professor de matemática o convidou para fazer parte de sua tese de mestrado, que estudava a educação e cidadania. "Ele me ensinou a enxergar as injustiças que estavam ao nosso redor e como deveríamos contribuir para solucioná-las", relembra. 

Inquieto, Feijão, assim que entrou na universidade, queria desenvolver algum projeto que ajudasse a fazer mudanças sociais e impactasse as crianças. Então, começou a desenvolver atividades voluntárias em uma ONG da cidade. E foi quando ele pensou: "Por que eu não posso fundar outra?" 

E ele não criou uma, mas duas. Uma ONG trabalha com jovens de ensino fundamental, direcionando-os para olimpíadas [educacionais] e para ensino médio de qualidade. A outra chama-se Instituto Semear, que busca jovens financeiramente desfavorecidos, "mas que tenham um sonho de transformar o Brasil e de serem universitários", explica. 

Na Semear, os jovens são apoiados com bolsas de estudos, mentoria e "networking". Mas, para isso, eles têm que desenvolver projetos que resolvam problemas sociais. 

Da ideia das duas ONGs nasceu o projeto Qmágico, um sistema de educação que conecta interessados em aprender e ensinar para que todos estudem melhor. "[A ideia é] replicar para que todo aluno e professor tenha acesso aquele tipo de oportunidade, à educação de qualidade", conta. 

"Queremos empoderar os professores para que ele consigam conhecer cada vez mais seus alunos e possam entregar algo especial para cada um", explica a produtora do Qmágico, Lívia Palomo. 

A ideia de Feijão era desenvolver uma plataforma digital com uma série de funcionalidades para que fosse "um novo giz" do professor. E, por meio dela, ele soubesse como está o desenvolvimento do aluno. "Pensamos em tecnologia como uma maneira do professor se multiplicar", diz Palomo. 

Existem duas formas de interação na plataforma: on-line, onde todos os dados de interação com o sistema são coletados, que servem para gerar diagnósticos de aprendizado para o próprio aluno e para o professor. "O professor pode saber como cada aluno está individualmente e em grupos, e o diretor da escola, como está toda a escola", explica Feijão. 

Com o diagnóstico em mãos, a equipe da Qmágico sugere uma intervenção educacional, com uma série de soluções, sejam tecnológicas ou diretamente com os professores, por meio de novos projetos educacionais. 

"A coisa mais poderosa que alcançamos aqui dentro foi comprovar que o que estamos criando tem impacto no aprendizado das crianças. Sonhar é de graça e traz muito sentido para nossa vida", afirma Feijão. 

Para realizar esse sonho, ele conta o segredo: "Depois que você tem um sonho muito grande, a segunda coisa é acreditar que as coisas funcionam e dão certo". E finaliza: "Depois é fazer".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

" E o Vento Levou" tupiniquim ainda sem enredo

Um ano depois da descoberta do escândalo estrelado por Lula e Rose, o país continua querendo saber quem fez o quê 

Augusto Nunes (*) 


Um ano depois do desfecho da Operação Porto Seguro, promovida pela Polícia Federal para desbaratar uma quadrilha especializada na comercialização de pareceres fraudulentos emitidos por agências reguladoras, a única mulher envolvida no escândalo é também a única integrante do bando cuja vida mudou para pior. 

Chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo desde 2004, Rosemary Nóvoa de Noronha reinou no 17° andar do prédio do Banco do Brasil na Avenida Paulista até a descoberta de que o local fora reduzido a uma extensão de um grupo criminoso. 

Os chefes eram os irmãos Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e Rubens Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA). Além de Rose, participavam do segundo escalão figurões como José Weber de Holanda, número dois da Advocacia-Geral da União. 

Escalada para agir no núcleo especializado em tráfico de influência ─ um dos três em que o bando se dividia ─ Rose valeu-se das relações íntimas que mantinha com Lula para a consumação de irregularidades suficientemente numerosas para promovê-la ao cargo informal de “Facilitadora-Geral da República”. A boa vida acabou em 23 de novembro de 2012, quando a Polícia Federal, munida de um mandado de busca e apreensão, invadiu o escritório e a casa da protegida de Lula. 

Passado um ano, o acervo de reveses é de bom tamanho. A perda do salário de R$ 12 mil é a menos relevante. Uma mesada negociada com Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, tem livrado a desempregada de dificuldades financeiras. O que a transformou numa mulher amargurada foi a perda de outros privilégios que lhe garantiam a vida de segunda-dama. 

Deixou, por exemplo, de viajar no Aerolula, a bordo do qual fez 28 viagens internacionais em companhia do presidente como passageira clandestina, deixou de ser convidada para hospedar-se no Palácio Pamphili, a esplêndida relíquia arquitetônica que abriga a embaixada brasileira em Roma. Perdeu até o direito aos mimos que levaram a Polícia Federal a qualificá-la de petequeira. Essa expressão, utilizada nos meios políticos e empresariais, designa quem se deixa corromper por ninharias, como ingressos para camarotes no Carnaval do Rio de Janeiro, cruzeiros no litoral paulista, financiamentos de pequenas cirurgias ou apartamentos. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Estão quebrando a Petrobras", diz presidente da Abimaq

Info Money 

A Petrobras (PETR3; PETR4) não vive dias muito agradáveis na BM&FBovespa. A empresa já perdeu R$ 52 bilhões de valor de mercado desde o pico que se formou e apresentou queda superior à 10%, após o último reajuste de gasolina. 

Para José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos), isso é culpa de como o governo trata a companhia, como um de seus braços e não uma companhia soberana em busca de lucro e expansão dos negócios. "Estão quebrando a Petrobras e toda a cadeia de fornecedores está sendo prejudicada", alertou. 

"O maior problema da Petrobras é que o presidente do conselho é o ministro da Fazenda", disse em evento da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), reportou a Agência Estado. Para ele, a combinação dos dois cargos na mesma pessoa não condiz com o que se espera do ministro da Fazenda e do presidente do conselho de administração. Guido Mantega: a culpa é dele? (Ueslei Marcelino/Reuters) Guido Mantega: a culpa é dele? (Ueslei Marcelino/Reuters) 

Se o primeiro tem como objetivo a formulação de política econômica, o segundo precisa garantir o lucro de sua empresa. Não seria portanto à saída de Mantega dos cargos que atrapalha - e sim a junção dos cargos em uma única pessoa. É isso que fez com que a política de precificação de preços ficasse tão incerta, salienta. 

Além disso, ele destacou que Graças Foster foi "inábil" ao divulgar antecipadamente que uma política de preços seria divulgada - sem que ela, de fato, já estivesse bastante costurada. "A presidente da Petrobras foi inábil em prever gatilho para a gasolina", finalizou.

Nada como ter o destaque que merece

Brasil cai três posições no ranking sobre corrupção e fica em 72º  

Folha de São Paulo  

O Brasil aparece na 72ª colocação no ranking mundial de combate à corrupção que será divulgado hoje em Berlim pela ONG 

Numa escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito transparente), o Brasil atingiu 42 pontos, um a menos que 2012, e integra os dois terços entre os 177 países avaliados que não conseguem superar a faixa dos 50. O país empatou com São Tomé e Príncipe, Bósnia Herzegovina, Sérvia e África do Sul. 

Na América Latina, está atrás de Chile, Uruguai, Costa Rica e Cuba, entre outros. Entretanto, ganha de Argentina, Venezuela, Paraguai, Bolívia e Equador. No mundo, perde para nações como Croácia, Malásia, Turquia e Gana. 

Dinamarca e Nova Zelândia atingiram o melhor desempenho (91 pontos), seguidos por Finlândia, Suécia e Noruega. Empataram na última colocação Somália, Coreia do Norte e Afeganistão. 

O ranking da Transparência Internacional é divulgado desde 1995 e e se baseia em dados levantados por 13 instituições internacionais, entre elas o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, o banco africano de desenvolvimento e consultorias como a ISH Global Insight, que estuda 203 países do mundo.

São avaliados, por exemplo, acesso a informação pública, regras de comportamentos de servidores, prestação de contas dos recursos e a eficácia de órgãos. 

O Brasil cai três posições no ano seguinte à aplicação da Lei da Ficha Limpa, da implementação da Lei de Acesso à Informação, e durante o período de prisão dos políticos envolvidos no mensalão.

Para Alejandro Salas, diretor de América Latina da Transparência Internacional, o resultado mostra que, apesar de alguns avanços, o Brasil caminha a passos lentos. 

"No caso do Brasil, percebe-se que, mesmo sendo uma economia emergente, querendo se posicionar, isso não é suficiente. Os cidadãos, por exemplo, muitas vezes pedem o fim da corrupção, mas somos os primeiros a pagar um suborno", disse à Folha. 

Ele destaca que a punição dos envolvidos no mensalão é um passo importante, mas não significa que o desvio de dinheiro está no fim no país.


Salas ressalta ainda a estagnação dos demais países da América Latina, que não conseguem melhorar o desempenho no ranking.

Cargill novamente premiada

Cargill é a grande vencedora do prêmio "As Melhores da Dinheiro Rural" 2013  

Revista Isto É Independente 
Luiz Pretti (esq) recebe o prêmio


A Cargill é a grande vencedora do prêmio "As Melhores da Dinheiro Rural". A multinacional recebeu o troféu de "Empresa do Ano" e de "Melhor Gestão em Agronegócio Direto" nesta terça-feira (26), durante evento em São Paulo (SP). 

A premiação, promovida pela revista Dinheiro Rural, da Editora Três, contempla as empresas e cooperativas com as melhores práticas de gestão, bem como as campeãs setoriais e os destaques da agropecuária. 

Além das quatro premiadas por categorias de gestão (a Cargill venceu em duas delas), também foram homenageados 17 destaques por setores e 10 destaques da pecuária . 

Para Luiz Pretti, presidente da Cargill no Brasil, a premiação representa o reconhecimento do trabalho não apenas da empresa, mas de todos os envolvidos com o agronegócio. "Em um mundo cada vez mais conectado e complexo, o alimento que chega às mesas carrega muita história", afirmou. "Essa história começa no campo, nas mãos das pessoas que tomam riscos, que enfrentam secas, chuvas e pragas." Segundo Pretti, a essência do trabalho da empresa é "alimentar o mundo de forma segura e sustentável". 

Carlos José Marques, diretor editorial da Editora Três, salientou a importância do agronegócio para a economia do Brasil. "O setor é responsável por parte significativa do PIB e se converteu na força motriz do País", afirmou. "As apostas firmes e corajosas dos que empreenderam no campo, a despeito de todas as dificuldades, fazem a diferença para o avanço de nosso País." 

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e presidente da Academia Nacional de Agricultura, lembrou que os avanços tecnológicos ajudaram o campo a se desenvolver e a ganhar reconhecimento internacional. "Em 20 anos, a área plantada de grãos cresceu 40 por cento, enquanto a produção aumentou 200 por cento", disse. "De fato, o setor merece o reconhecimento de outros países e, sobretudo, da sociedade urbana brasileira." 

O evento em São Paulo também marcou o lançamento do anuário "As Melhores da Dinheiro Rural", análise inédita e precisa sobre as companhias e o mercado, com um ranking das 500 principais organizações que atuam direta ou indiretamente no campo. “Pela primeira vez, uma publicação avalia as empresas do agronegócio de uma forma tão ampla, considerando desde indicadores financeiros até o papel das companhias na integração cadeia produtiva”, diz Milton Gamez, diretor de núcleo da Editora Três. 

Os critérios para a premiação e ranking seguem o rigor de “As Melhores da Dinheiro”, importante publicação que há dez anos elege as organizações que mais se destacam no Brasil. Além da análise financeira, as práticas avaliadas no novo ranking rural são Sustentabilidade Financeira, Governança Corporativa, Responsabilidade Socioambiental, Recursos Humanos, Qualidade e Integração da Cadeia Produtiva. As empresas avaliadas nessas categorias de gestão inscreveram-se voluntariamente no Prêmio As Melhores da Dinheiro Rural e forneceram informações e documentos comprobatórios de suas melhores práticas. 

Para chegar nesses dados, a Dinheiro Rural desenvolveu uma metodologia própria, em conjunto com o Instituto Universal de Marketing em Agribusiness (I-UMA) e os consultores José Luiz Tejon Megido e Miguel Ângelo Arab. O estudo ainda contou com a participação do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e a Boa Vista Serviços, empresa especializada em informações financeiras.

A nova armação

A trapaça histórica, conceitual e moral da carta-renúncia de Genoino 

Reinaldo Azevedo (*) 

O deputado José Genoino enviou uma carta de renúncia. O tom é o de sempre: o do herói injustiçado. E continua a produzir mistificações sobre o passado e sobre o presente. Leiam o texto. Volto em seguida. 

“Dirijo-me a Vossas Excelências após mais de 25 anos dedicados à Câmara dos Deputados, e com uma história de mais de 45 anos de luta em prol da defesa intransigente do Brasil, da democracia e do povo brasileiro, para comunicar uma breve pausa nessa luta, que representa o início de uma nova batalha dentre as tantas que assumi ao longo da vida. 
Assim, e considerando o disposto no inciso II, do artigo 56 da Constituição Federal; Considerando ainda, a transformação midiática em espetáculo de um processo de cassação; 
Considerando, de outro modo, que não pratiquei nenhum crime, não dei azo a quaisquer condutas, em toda minha vida pública ou privada, que tivesse o condão de atentar contra a ética e o decoro parlamentar; 
Considerando que sou inocente; 
Considerando, também, que a razão de ser da minha vida é a luta por sonhos e causas ao longo dos últimos 45 anos, reitero que entre a humilhação e a ilegalidade prefiro o risco da luta; 
e Considerando, por derradeiro, que sempre lutei por ideais e jamais acumulei patrimônio e riqueza. Por tudo isso e ao tempo em que agradeço a confiança em mim depositada, ao longo de muitos anos pelo povo do Estado de São Paulo e pelo Brasil, RENUNCIO ao Mandato Parlamentar e encaminho a presente missiva através do deputado José Guimarães PT/CE e do Dr. Alberto Moreira Rodrigues, Advogado inscrito na OAB/DF nº 12.652 

Atenciosamente 

José Genoino Neto 
Deputado Federal Licenciado 

Dr. Alberto Moreira Rodrigues 
OAB/DF nº 12.652″ 

Comento 
Vamos pôr 0 devido pingo nos “is”. 
Começo pela questão propriamente jurídica. 
Existe uma diferença entre uma declaração subjetiva de inocência; a expressão, em suma, de uma consciência ou convicção individuais, e a inocência, digamos, jurídica. Não! Genoino foi condenado por corrupção ativa em última instância. Para o Estado, ele não é inocente, mas culpado. 

Sim, ele praticou crimes — aquilo que a ordem jurídica de um estado democrático e de direito define como tal. Genoino pode não gostar dessa ordem, isso é com ele, com não gostava daquela outra, sob o regime militar. Naquele caso, escolheu a pior maneira de enfrentá-la. Nesse caso, também. Sempre destacando que há, sim, diferenças entre ser marginal do poder na ditadura e ser marginal do poder na democracia. 

Eis o ponto. Genoino fala dos seus 25 anos de vida parlamentar. Até o advento do mensalão, era, sim, considerado um dos príncipes do Congresso. Aliás, era mais fácil encontrar pessoas que o admiravam fora do PT do que no petismo — onde era tachado, imaginem vocês, de “a direita do PT”. 

Ocorre que Genoino diz ter dedicado 45 anos à luta democrática. Aí é preciso discordar, não ? A menos que ele me prove que o PC do B queria democracia e que a guerrilha do Araguaia era seu instrumento. 

E este é não o equívoco, mas a trapaça histórica, conceitual e moral da narrativa inventada por Genoino e pelos petistas: democracia não é ditadura; assinar um empréstimo fraudulento não é como pegar no trabuco. São crimes diferentes. Nem aquele serviu para construir a ordem democrática — que foi obra da resistência pacífica — nem este outro serviu para consolidar o “poder do povo”. Guerrilha e fraude bancária eram só escolhas erradas de partidos que supõem, em tempos distintos e com equívocos distintos, que detêm a condução da história. 

(*) Jornalista e colunista da revista VEJA e da Folha de São Paulo