sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Descompasso da UFOPA


Universidades existem tantas, inclusive na Amazônia. Além das capitais, há em vários núcleos municipais mais populosos, chamado cada um, Campus Avançado. 
O padrão medíocre é semelhante em todas essas universidades. 
Numa lista classificatória mundial, entre as dez melhores, uma só no Brasil, a USP de São Paulo. Na Amazônia, até hoje, nenhuma se destacou no cenário nacional. 
Tem-se a impressão que as universidades na Amazônia são apenas centros de estudos de terceiro grau para formação de mão de obra para o mercado, com ênfase em
advocacia, enfermagem, engenharia disso e daquilo, para atender empresas que chegam à região para explorar as riquezas e os grandes projetos em implantação pelo governo federal e seu Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC.

Nenhuma  universidade na Amazônia se destaca por ser um centro de ciência da região. 

Se um jovem tiver talento para a ciência botânica, ou antropologia, ou  aqüicultura, ou outra qualquer ciência a partir da Amazônia, não encontrará espaço competente aqui.
Nem Manaus, nem Belém, as duas consideradas metrópoles, nem uma delas tem gabarito de
verdadeira universidade.

Agora está sendo criada uma nova universidade na Amazônia, precisamente em Santarém, pólo do Oeste do Estado do Pará, a chamada UFOPA. 

Infelizmente já nasce velha, mesmo quando sua equipe oficial fala em trazer novidades, com institutos de ciclo básico e semelhantes.
Palavras novas para idéias velhas, de formar mão de obra especializada  para o mercado.

O que grupos da sociedade civil da cidade desejam é um centro de ciências da Amazônia sobre a Amazônia, numa visão holística, para desenvolver talentos vocacionados à ciência. Quando o governo federal decide criar uma nova universidade na Amazônia, infelizmente entrega nas mãos de uma elite professoral, desligada da vida em sociedade, fechada ao diálogo construtivo e por isso, sem condição de construir algo realmente novo.

O que se pode esperar daí? Mais uma, entre as outras universidadezinhas da região.

É uma tristeza se perder uma oportunidade única, quando há verba disponível para se fazer algo realmente novo. 

Nem o local da UFOPA oficial é adequado, uma pequena área, cercada por depósito de
combustíveis, em cima de um sitio arqueológico e sem possibilidade de expansão.

Imagine, uma universidade construída sobre o arquivo cultural dos ancestrais.
Isso, quando há áreas belas e amplas disponíveis como aquela, ao longo da rodovia Fernando Guilhon, hoje invadida por populares. 
Quanta estreiteza intelectual, quanta falta de  pedagogia e  de democracia!
O que dirão de nós, os netos e bisnetos, que esta geração permitiu tanta mediocridade em pleno século 21.

Padre Edilberto Sena - Diretor da Rádio Rural de Santarém

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