sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Como funciona a “lavagem” de madeira ilegal na Amazônia

Revista Exame 

O governo adiou a divulgação dos novos números do desmatamento na Amazônia para depois das eleições, alimentando suspeitas de que os resultados não são bons. 
Em 2013, segundo os últimos dados, a derrubada de florestas voltou a crescer após uma década em queda. Uma nova denúncia, feita pelo grupo ambientalista Greenpeace, reforça essa ideia. 

Com ajuda de tecnologia de rastreamento por satélite, a ONG revelou um esquema de “lavagem” de madeira ilegal que destrói silenciosamente a floresta no Pará, estado que mais produz e exporta madeira da Amazônia. 

Entre agosto e setembro de 2014, ativistas da organização ambiental viveram perto de Santarém, centro da indústria madeireira da região, e colocaram rastreadores GPS nos caminhões dos madeireiros para monitorar suas atividades. 
O local escolhido é atravessado por rotas de caminhões madeireiros que fazem o trajeto entre as áreas públicas de florestas no oeste do Estado e as serrarias da região. 

Segundo a investigação, durante o dia, os caminhões vazios avançam floresta adentro e, uma vez carregados, viajam durante a noite, quando a fiscalização era menor. 
O trajeto era o mesmo: eles saíam das áreas de extração ilegal até as madeireiras em Santarém e arredores. 

Na investigação, os ativistas identificaram três serrarias que recebem as cargas ilegais. Essas mesmas empresas, de acordo documentos oficiais, recebem madeira de áreas de planos de manejo florestais autorizados. 
O manejo florestal sustentável é a administração da floresta para obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema. 

Porém, análise de imagens de satélite feita pelo Greenpeace mostra que não houve nenhuma atividade madeireira na maioria dessas áreas de manejo autorizado no período, "o que indica que esses planos estão servindo para fornecer créditos e documentação oficial para 'lavar' a madeira ilegal". 

Conforme a denúncia, abastecidas com madeira ilegal, estas serrarias exportam regularmente para a Europa, China, Japão e Estados Unidos – a despeito das leis que proíbem a comercialização de madeira ilegal em alguns desses mercados. 
Enquanto isso, segundo ao ONG, as terras públicas de onde a madeira está sendo roubada apresentam sinais claros de exploração, com madeira estocada em grandes clareiras abertas na mata e diversas estradas ligando esses caminhos. 

De acordo com a coordenadora do Greenpeace Marina Lacorte, a facilidade de “fabricação” de “créditos” de madeira sem lastro permite que toda a exploração ilegal encontre documentação oficial, “pois os sistemas que deveriam impedir a madeira ilegal servem,na maioria das vezes, para lavá-la, dando a aparência de legalidade à uma madeira que pode ter sido extraída de áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação". 

Procurada por EXAME.com, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Pará (SEMA) informou em nota que a investigação da ONG “mostra que é necessário aperfeiçoar os mecanismos de controle e monitoramento para impedir a extração ilegal de florestas no Pará”. 

Uma das principais medidas para coibir a exploração ilegal de madeira, segundo a Secretaria, é implementar sistemas e mecanismos que permitam rastrear as toras de madeira obtidas a partir da árvores autorizadas pelo órgão ambiental, impedindo que árvores não autorizadas sejam exploradas e comercializadas ilegalmente. 

Na mesma nota, a SEMA diz que um novo sistema de licenciamento e monitoramento de Planos de Manejo Florestais denominado Sisflora II será implantado até o segundo semestre de 2015. Neste novo sistema, o controle das toras de madeiras será feita a partir de “chips”, permitindo rastrear e confirmar a origem da madeira, de forma a coibir que sejam adquiridas pelas empresas do setor florestal madeiras vindas de áreas exploradas ilegalmente.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

País tem só 12% de suas rodovias pavimentadas, diz CNT

IstoÉ Independente 

Embora apenas 12% das rodovias brasileiras sejam pavimentadas, de acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 62,1% dos trechos pesquisados ainda apresentam algum tipo de problema.
Além disso, os pontos críticos na malha rodoviária aumentaram 32% nos últimos quatro anos. 

Os resultados divulgados nesta quinta-feira, 16, mostram que 44,7% da malha pavimentada pesquisada apresentam desgastes e 19,1% têm trincas e remendos. 
Em outros 3,3% existem afundamentos, ondulações e buracos, enquanto em 0,5% a pista está simplesmente destruída. Dos 98.475 quilômetros percorridos pela CNT, somente 32,4% estavam em condições perfeitas de rodagem.

O levantamento abordou quase a metade dos 203.599 quilômetros de rodovias pavimentadas do País. Os trechos asfaltados, porém, representam apenas 12% do mais de 1,691 milhão de quilômetros de estradas brasileiras. 
"É muito pouco para um País que quer crescer. A nossa densidade é muito menor do que a de países como a Argentina e o México. O Brasil precisa melhorar a extensão e a qualidade da sua malha rodoviária", afirmou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista. 

Pontos críticos 
Entre os pontos críticos encontrados estão 28 quedas de barreira, 13 pontes caídas, 100 erosões na pista e 148 buracos grandes. O total de 289 ocorrências críticas em 2014 supera os 250 pontos identificados em 2013 e é 32% superior aos 219 problemas registrados em 2011. "Isso é bastante preocupante porque é um reflexo imediato sobre a segurança das pistas, com relação direta sobre o número de acidentes", completou Batista. 

Com relação à sinalização das pistas, em 39,9% dos trechos rodoviários pesquisados, a pintura das faixas laterais estava desgastada e em 15,9% era simplesmente inexistente. 
No caso da faixa central, havia desgaste em 40,8% da extensão analisada e em 6,8% não havia sequer sinalização. "Na chuva, por exemplo, esse desgaste aumenta muito a insegurança", explicou o diretor da CNT. 

A confederação também identificou falhas graves na ausência de dispositivos de proteção contínua - as chamadas muretas ou guardrails - em 45,9% dos trechos, todos eles com necessidade da estrutura. Em 11,8%, os dispositivos existiam de maneira adequada; em 17,7% estavam presentes apenas e parte do percurso; e nos 24,6% não havia a necessidade da estrutura. Como ponto positivo, as placas de sinalização vertical tiveram bom resultado, estando visíveis - sem obstáculos, como mato - em 82,3% dos trechos avaliados, e legíveis em 88% da extensão pesquisada. 

Quanto à geometria das vias, porém, 49,7% da extensão percorrida pela CNT contam com curvas perigosas sem placas e sem muretas de defesa completas. Apenas 11,5% dos trechos contam com os dois instrumentos de segurança e sinalização. 
Além disso, em 60,1% delas não havia acostamento e 66,9% das pontes e viadutos não contavam com as estruturas de segurança ideais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Aproveitamento da casca do coco

Beneficiamento da casca de coco verde para a produção de fibra e pó 

Embrapa 

Para diminuir o impacto ambiental negativo do caminho do consumo da água-de-coco, a Embrapa Agroindústria Tropical desenvolveu o processo de beneficiamento da casca do coco verde, obtendo-se pó e fibra. 
O pó pode ser usado como ingrediente para a formulação de substratos agrícolas e composto orgânico. 

A fibra pode ser usada como matéria-prima para o artesanato, para a confecção de vasos e placas para o plantio, em substituição ao xaxim, para estofamento de veículos e para fabricação de biomantas, que podem ser usadas na contenção de encostas ou de áreas degradadas e em decoração de interiores. 

O processo de obtenção do pó e da fibra é feito mecanicamente, com a utilização de um conjunto de equipamentos desenvolvidos em parceria com a metalúrgica FORTALMAG. 

A produção de pó e fibra da casca de coco verde é constituída basicamente de três etapas: 
Trituração - a casca é cortada e triturada; 
Prensagem - via compressão mecânica, para extração da umidade e do excesso de sais; Seleção - realizada por uma máquina, para a separação das fibras do pó. 

Processo: Processo agroindustrial 
Ano de Lançamento: 2004 
Onde Encontrar:
Embrapa Agroindústria Tropical Rua Dra. Sara Mesquita, 2270 – Bairro Pici CEP 60511-110 Telefone: (85) 3391-7100 Fax: (85) 3391-7109

Gratinado de salmão

Receita extraída do site receitas.eduguedes.com.br 

Ingredientes: 

Recheio: 
3 colheres (sopa) de azeite de oliva 
1 dente de alho picado 
1 xícara (chá) de alho poró picado 
200 g de salmão defumado em fatias 
1 tomate sem pele e sem sementes picado 
Sal a gosto 
Pimenta-do-reino a gosto 

Creme: 
1 colher (sopa) de manteiga
½ cebola ralada 
2 colheres (sopa) de amido de milho 
1 xícara (chá) de leite 
1 xícara (chá) de creme de leite 
1 xícara (chá) de requeijão 
Sal a gosto 

Demais ingredientes: ½ xícara (chá) de queijo tipo parmesão ralado grosso

Modo de Fazer: 

Recheio:
Em uma panela, aqueça o azeite e refogue o alho e o alho poró. 
Acrescente o salmão, o tomate, refogue e tempere com o sal e a pimenta-do-reino. Reserve. 

Creme: 
Aqueça a manteiga em outra panela e doure a cebola. 
Junte o amido de milho dissolvido no leite, o creme de leite o requeijão, o sal e, mexendo sempre, deixe apurar até que engrosse. 

Montagem:
Em um refratário, coloque uma camada de creme e uma do recheio. 
Repita a seqüência até terminar os ingredientes, finalizando com o creme. 
Salpique o queijo tipo parmesão e leve ao forno médio (180 ºC) pré-aquecido por 10 minutos ou até que fique gratinado.

Um texto antigo, mas sempre atual

15 de Outubro - Dia do Professor

Antenor Pereira Giovannini (*) 

Herói, abnegado, persistente, teimoso, um batalhador, um sonhador ... Enfim são muitos os adjetivos que podemos dar a esse que sem dúvida possui a principal profissão e a mais importante entre todas no mundo: ser professor. 

Ensinar ao próximo para que cada um possa sair em busca do seu caminho, seja ele qual for. 

Professor. Essa classe abandonada em todos os sentidos. 

Salários que obrigam a jornadas em vários lugares, sem tempo de se preparar para suas aulas, sem tempo para se alimentar melhor, sem tempo para viver. 

As escolas, principalmente públicas, a mercê de vândalos e bandidos de todas as espécies. Brigas, ameaças, tráfico de drogas, enfim uma série de delitos que faz com que essa profissão seja vista como profissão-perigo. 

Alguns dias atrás um garoto de 10 anos, por brincadeira ou não, pegou o revólver do pai e atirou nas costas da professora em plena aula. Apavorado pelas conseqüências se matou e a professora, certamente com traumas para o resto da vida, sobreviveu. Uma entre tantas e tantas histórias envolvendo professores e alunos. Outra época. Outra geração. 

Na minha já distante geração, estudar em colégio particular era sinal de mau aluno. 
O bom aluno ia para escola pública. As melhores escolas e os melhores professores se concentravam nas escolas públicas. Muitas perto de casa eram obrigadas a fazer "vestibulinho" para que permitisse acesso a matricula. Havia um grande respeito entre Diretor- professores-aluno e pais de alunos. 

O tempo passou e quando se imaginava que as coisas na área educacional melhorassem, muito ao contrário, pioraram a níveis inimagináveis e que certamente nunca mais conseguirá voltar a ser o que era. Perdeu o respeito, perdeu a identidade. Grande parte por culpa dos políticos que fizeram da Educação um grande pinico, não concedendo as verbas necessárias, não acompanhando a evolução do ensino, obrigando as escolas aprovar alunos semi-analfabetos em troca de votos, e principalmente não concedendo um salário digno para que os professores possa executar sua missão da melhor forma possível. 

Missão. Uma missão que quem tem filho pequeno em período de alfabetização pode avaliar a enorme importância desse personagem. Ao ver a minha pequena Giovana começando a ler seus livros de história, escrevendo todas as palavras sente-se orgulho, porém não há como não reconhecer a importância das professoras que desde o jardim concederam a ela esse caminho de conquistas. 

Senhores Professores de todos os ensinos, de todas as escolas, meus respeitos e apenas posso ficar em pé e aplaudi-los entusiasticamente por tudo que vocês representam na vida de cada cidadão, pobre ou rico, da raça que for, com o objetivo de que cada um possa almejar e alcançar seus objetivos, não há como não reconhecer que através de todos vocês, professores, podemos nos sentir gente, gente de verdade. 

(*) Aposentado e morador em São Paulo (SP) 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O chilique chantagista do PT

Alex Antunes (*) 

O psiquismo petista, nos últimos dias, entrou em um estado de alucinação coletiva. 
É difícil entender, de um ponto de vista de esquerda, que tipo de “estratégia” poderia levar a escolhas políticas e de comunicação tão erradas, numa véspera de eleição tão delicada. 

A ideia de que vivemos num país cindido de cima a baixo (ou, mais exatamente, na linha de fronteira entre o Espírito Santo e a Bahia) sempre foi alimentada pela direita alarmista. É a direita que gosta de teses bisonhas como a da preparação de um “golpe comunista” (exatamente por um governo refém do crescimento do consumo, como o de Dilma?). 

A eleição de Lula, e sua melhor fase no governo, baseou-se exatamente no sentimento contrário. Foi o cacife popular (e populista) de Lula que permitiu estabilizar a economia com ferramentas da ortodoxia de mercado, e iniciar uma distribuição de renda.
Lula sim é que executou uma frase famosa dita pelo então ministro Delfim Netto durante a ditadura, “é preciso que o bolo cresça para depois dividi-lo”. 

Confrontada com a “ameaça” das eleições, Dilma perdeu completamente a mão. 
Eu sei que as principais decisões de campanha são tomadas pelo marqueteiro João Santana (foto), mas todo publicitário sabe que o marketing tem que manter alguma relação com o “produto” (a candidata, o partido) para não soar completamente falso. 

Depois de todas as suposições otimisticamente erradas que fez antes da campanha, Santana sabia que enfrentar Aécio num segundo turno seria uma arapuca. 
Mas não soube como dosar os ataques a Marina Silva para evitar o reempoderamento de Aécio Neves. Aécio que num determinado ponto da campanha do primeiro turno estava totalmente batido, como bem nos lembramos (afinal faz apenas seis semanas). 

sábado, 11 de outubro de 2014

Quem está mais de saco cheio ?

Com a costumeira elegância, Lula diz que está “de saco cheio”. Perguntar não ofende: E NÓS? Diante de um ex-presidento indignado não com o escândalo colossal da Petrobras, que irrigava os cofres de seu partido, mas com a DIVULGAÇÃO da bandalheira? 

Ricardo Setti (*) 

O ex-presidento que um dia, do alto de seu impressionante ego, anunciou que ao deixar o poder iria “ensinar” a FHC como um ex deveria se comportar conseguiu, ao longo dos quase quatro anos em que está fora do Palácio do Planalto, bater todos os recordes de falta de compostura já exibidos por qualquer antecessor. 

Mentiras, ofensas e palavrões tornaram-se, nas falas de Lula, o pão de cada dia.
Nada surpreendente por parte de quem, como presidente da República, não continha o vocabulário de botequim sequer no no gabinete presidencial do Planalto, constrangendo visitantes, de quem contava piadas grosseiras a ministros de Estado, de quem “brincava” com assessores diante de diplomatas e oficiais-generais, com expressões impublicáveis (não deixem de ler o esplêndido livro Viagens com o Presidente, dos jornalistas Eduardo Scolese e Leonencio Nossa, um documento para a história — inclusive da história da baixaria). 

Desta vez, Lula se declara “de saco cheio” sobre o caso Petrobras. 

VEJAM BEM: ele não está cheio ao constatar o tamanho do escândalo, uma roubalheira de muitos milhões de reais que irrigou os cofres eleitorais de partidos da base parlamentar aliada à presidente Dilma Rousseff e a ele próprio. 

Ele não está cheio diante de fatos — que vêm se comprovando — sobre a presença de uma quadrilha dentro da Petrobras formada para cobrar polpudas propinas de empreiteiras que quisessem obtivessem contratos, e em seguida dividir o dinheiro entre pelo menos três partidos que ajudaram a eleger a ele próprio e a Dilma, a começar do partido que fundou, o PT, mas também o PMDB e o PP. 

Ele não está cheio ao constatar a ladroagem, a safadeza, a falta de vergonha na cara, a desfaçatez, a extensão da corrupção enraizada na maior empresa do país. 

Vejam do que ele está cheio: 
“Todo o ano é a mesma coisa. É sempre o mesmo cenário: eles começam a levantar as denúncias, que não precisam ser provadas. É só insinuar que a imprensa já dá destaque. Eu quero dizer para vocês que eu já estou de saco cheio”, disse o “Deus” de Marta Suplicy em discurso em São Paulo. 

CALMA LÁ!!! “Eles”, quem, cara-pálida? 

“Eles começam a levantar denúncias”??? 

Quem está “levantando denúncias” não são “eles” — são dois dos implicados até o pescoço na roubalheira, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. 

Estão assim procedendo mediante acordo de réus colaboradores, previsto em lei — que a imprensa resolveu chamar de “delação premiada” –, para poderem obter redução de penas que podem chegar a 25 anos de cadeia. 

E, ao contrário do que MENTE sem hesitação o ex-presidento, elas precisam, sim, ser provadas. 

ATENÇÃO: não se trata de conversa fiada de dois implicados! NÃO! Costa e Youssef só obterão redução de penas se fornecerem provas do que afirmam. Está em jogo o resto da VIDA de ambos. 

Não são, portanto, “eles” — os adversários políticos do lulopetismo — que estão “levantando” nada. 

São DEPOIMENTOS À POLÍCIA E AO MINISTÉRIO PÚBLICO — com um acordo de colaboração referendado pela JUSTIÇA!!! 
É ISSO que a imprensa está publicando — até veículos que, dissimulada ou claramente, apoiam o PT. 

Lula, com mais essa declaração demagógica e irresponsável, com mais essa investida contra a imprensa, mostra seu cada vez menor apreço à verdade — e deixa claro seu desespero diante do desempenho de sua afilhada no segundo turno da eleição presidencial.

(*) Jornalista é colunista da revista Veja 

A casa caiu

Percival Puggina (*) 

Sabe aqueles vídeos anunciados como contendo "cenas muitos fortes", tipo "tire as crianças de perto"? É com iguais cautelas que se deveriam abrir as matérias referentes às revelações feitas pelos dois mais famosos depoentes das últimas semanas, o doleiro Alberto Youssef e o engenheiro Paulo Roberto Costa. 

Quem se tenha dado ao trabalho de escutar o teor dos depoimentos deste último, disponível no YouTube, ouvirá dele que em três partidos políticos com sólida presença no Governo Federal e no Congresso Nacional se estruturaram organizações criminosas. 
Não que ele assim as qualifique. Não, em seu relato, Paulo Roberto Costa, o "Paulinho" de Lula, simplesmente entrega o serviço, contando, em tom monocórdio, como eram feitos os acertos e a repartição do botim das comissões entre o PT, o PMDB e o PP. 
Não preciso dizer qual dos três ficava com a parte do leão. 

Este escândalo, tudo indica, transforma Marcos Valério em mero pivete e o Mensalão em coisa de amadores. No entorno da Petrobras circula tanto dinheiro quanto petróleo. 
E foi muito fácil aos profissionais da corrupção abastecer desses tanques contas bancárias que saíam - lavadas, passadas e empacotadas - da lavanderia de Youssef. 

Vários anos decorrerão entre os achados de agora e o trânsito em julgado de quaisquer sentenças condenatórias. Isso significa que, muito embora os crimes em questão tenham sido praticados num ambiente político, seus efeitos eleitorais serão jogados para bem depois do pleito que agora se desenrola. Nós, cidadãos, devemos lamentar que seja assim. 

No entanto, se não temos como saber mais sobre os fatos e seus atores, podemos e devemos levar em conta a dança das cadeiras nos tribunais superiores em geral e no Supremo Tribunal Federal em particular. Será certamente ali, outra vez, que serão tomadas as decisões mais relevantes sobre estes casos. 

O STF continuará se renovando e promovendo alterações na composição de seu quorum por aposentadoria dos atuais ministros. E aí se impõe a reflexão que quero trazer ao leitor destas linhas. As últimas indicações do governo petista para o STF têm deixado a desejar. Portanto, ainda que o julgamento definitivo vá ocorrer lá adiante, a continuidade da atual administração federal não atende aos anseios nacionais por justiça e combate à corrupção. É o que a história recente parece deixar bem claro. 

(*) É arquiteto, empresário e escritor . É membro da Academia Rio-Grandense de Letras e titular do site www.puggina.org . Tem uma coluna no jornal Zero Hora 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Que tal dar uma trégua à cretinice?

Bellini Tavares de Lima Neto (*) 

Eu desisti de acompanhar futebol e torcer por qualquer time. Confesso que me dei por vencido. A violência, a truculência, a desonestidade, tudo isso me levou a tirar completamente o futebol da minha vida e dos meus interesses pessoais. 
E sobrevivi muito bem. Até melhor.

Uma das coisas que sempre me indignou nessa atividade foi o papel dos dirigentes dos clubes e de uma parte dos cronistas esportivos. Essa gente, dando uma demonstração inequívoca de irresponsabilidade, nunca hesitou em se valer dos meios de comunicação para incitar a violência entre os torcedores. Inúmeras vezes vi e ouvi comentários desairosos de um dirigente a respeito de outro clube, assim como brincadeiras ofensivas destiladas por jornalistas esportivos. Tudo isso deu uma sensível e significativa contribuição para acirrar os ânimos entre os torcedores e criar um clima de violência verbal e física entre eles. O resultado está por aí, claro, altissonante. 
Vez por outra, se mostra através de mortes. 

Exatamente essa irresponsabilidade, tenho observado há um bom tempo por parte desse partido dito dos trabalhadores e que tem se esmerado em tentar dividir a sociedade entre “nós” e “eles”. E agora, mais recentemente, numa tática de aparente desespero, tem apelado sistematicamente para incentivar uma rivalidade estúpida entre norte e sul do país. 

Sempre existiu uma rivalidade entre paulistas e cariocas, muitas vezes ditada pelo sempre inconveniente futebol. Mas, a rigor, nunca passou disso. No entanto, o partido dito dos trabalhadores tem insistido nessa tecla imbecil e extremamente perigosa de procurar exaltar espécie de luta de classes. Além, é claro, de iludir uma considerável camada da população com vistas à manutenção do poder, o que mais pretendem esses incitadores? Provocar uma secessão no Brasil? 
Será que tem em vista dividir o país em dois, criar dois países distintos? 
Se for isso, que tenham pelo menos a decência que se viu no Reino Unido e proponham um plebiscito. Mas, usar desse artifício para se assegurar uma vitória eleitoral é, no mínimo, indecoroso. E, mais do que isso, é extremamente perigoso. 
O que pretende essa gente? Criar uma guerra civil? 

Ora, senhores, talvez seja pedir demais, mas tentem se lembrar dos mais primários sentidos de decência e abandonem essa tática nazista. 
No Estado de São Paulo há um imenso contingente de nordestinos que nunca foram alvo de violência por parte dos nativos. Isso acontece em toda parte. 

Por favor, discutam suas propostas, se é que as tem, apresentem seus projetos, mostrem o que de fato fizeram até agora, mas não se espelhem no lamentável exemplo dos dirigentes de futebol, pois a briga que daí pode advir corre o risco de ir muito além dos estádios. 
Se nos estádios, o espetáculo já é deprimente, será que ninguém consegue imaginar o que seria no âmbito de todo um país? 

Não há sulistas, nortistas, nordestinos, há brasileiros. 
Da mesma forma que, quem sabe um dia, deixará de haver brancos, negros, mulatos, amarelos, pardos e nos sentiremos satisfeitos em sermos identificados como seres humanos. Isso já pode ser muito. 

(*) Advogado aposentado é morador em São Bernardo do Campo (SP)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Isaac Newton e a economia brasileira

Ricardo Amorim (*) 

Dia 5 de julho de 1687, Isaac Newton publica sua obra prima, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Descreve as três leis do movimento e redefine a ciência, em especial a Física. O notável é que as três Leis de Newton ajudam a compreender também a economia. 

Primeira Lei do Movimento: um objeto continua em repouso, ou continua a se mover a uma velocidade constante, a menos que seja levado a mudar de estado por alguma força externa. Resumindo, objetos em movimento tendem a continuar em movimento e objetos parados tendem a continuar parados. 

Idem para a economia. Em países que crescem de forma sustentada e ritmo acelerado, a confiança dos empresários e consumidores no futuro é grande, o que os leva a investir e consumir muito, fazendo com que estes países continuem crescendo rapidamente. 
Já em países que, como o Brasil de hoje, crescem pouco ou nada, empresários e consumidores perdem a confiança e pisam no freio. Dilma tem razão quando diz que o pessimismo atrapalha o crescimento, mas esquece de dizer que o pessimismo foi inicialmente causado pelo crescimento pífio anterior. 

Para a economia brasileira voltar a crescer velozmente e sustentar sua expansão, a desconfiança tem de passar. Para que a confiança dos empresários volte, é necessário estimular a produção e não apenas o consumo, como tem acontecido aqui há mais de 10 anos. Como? Reduzindo impostos, burocracia e intervencionismo estatal e aumentando investimentos em infraestrutura, educação e treinamento. Se o próximo governo fizer isso, os investimentos crescerão e, com eles a geração de empregos, a confiança dos consumidores e as compras. 

Segunda Lei de Newton: a mudança de movimento é proporcional à força externa. 
A economia funciona da mesma forma. O desempenho da economia brasileira será diretamente proporcional à força que a impulsionar. Quanto mais significativas as mudanças de política econômica, maior pode ser a recuperação. 

Porém, segundo Newton, força é um vetor que corresponde à massa multiplicada pela aceleração. Em vetores há dois componentes: um de magnitude, outro de direção. 
Com a economia não é diferente. Não importa apenas se as mudanças são significativas, mas se levam à direção certa. Mudanças incoerentes, na melhor das hipóteses, anulam-se e a economia do país não sai do lugar. Na pior, fazem a economia encolher, como aconteceu no Brasil no primeiro semestre. 

Terceira Lei de Newton: para toda ação, há sempre uma reação igual e contrária. Trazendo para nossa realidade, mudanças que são boas para todo o país não são necessariamente boas para todos no país. Os prejudicados farão o que puderem para evitá-las. Corruptos não querem que sequem suas fontes, burocratas não querem leis mais simples, beneficiários de programas de governo, sejam do Bolsa-Família, de quotas educacionais ou de financiamentos subsidiados do BNDES querem sempre mais recursos. 

Desmontar nosso Estado paternalista e ineficiente é um desafio hercúleo. 
Os benefícios de cada mudança são difusos, divididos por todos os brasileiros; as perdas, são concentradas nos atuais beneficiários. Para cada mudança individual, todos ganhariam um pouco, mas poucos perderiam muito. Por isso, quem tem a perder opõe-se com toda força às mudanças. Grandes mudanças, e particularmente as que precisam de aprovação no Congresso, só são possíveis quando um presidente recém eleito toma posse, chancelado pelo apoio de dezenas de milhões de brasileiros. 

Voltar a crescer bem é totalmente possível, mas se o próximo governo não tomar as medidas necessárias já em seus primeiros meses de mandato, teremos de esperar mais quatro anos por outra chance. 

(*) É economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria. É colunista da Revista IstoÉ 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Conheça as medidas para evitar o contágio do Ebola

Terra 

Evitar a infecção pelo vírus Ebola implica respeitar uma série de medidas simples, mas que devem ser aplicadas rigorosamente, segundo os especialistas. 
A seguir, alguns conselhos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, sobre como se proteger deste vírus letal. 

Os sintomas do Ebola incluem febre, dores de cabeça, nas articulações e musculares, fraqueza, diarreia, vômitos, dor de estômago, falta de apetite e, em alguns casos, hemorragia. 

"O vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada ou após a exposição a objetos - como seringas - contaminados com secreções infectadas", explicou Stephan Monroe, vice-diretor do centro para doenças infecciosas dos CDC. 
"O Ebola não é contagioso até que apareçam os sintomas", acrescentou. 

O vírus Ebola pode se disseminar através de catarro, sêmen, saliva, suor, vômito, fezes e sangue. 

Monroe explicou que é muito improvável que o Ebola se transmita entre passageiros de um espaço confinado como um avião ou um trem, visto que requer o contato direto com as secreções corporais. 

"A maioria das pessoas que se infecta com Ebola é as que convivem (parentes ou trabalhadores de saúde) com as pessoas que já padecem da doença e manifestam os sintomas", acrescentou. 

Embora o vírus possa ser fatal em 90% dos casos, as pessoas que se recuperam devem tomar precauções extraordinárias durante pelo menos dois meses porque podem continuar transmitindo a doença.
"Os homens que se recuperaram da doença ainda poderão transmitir o vírus através do sêmen até sete semanas depois de recuperados", explicou a OMS. 

O Ebola também tem sido transmitido a pessoas que tiveram contato com o corpo de alguém que morreu da doença, como por exemplo durante os preparativos de um funeral. "As pessoas que morreram de Ebola devem ser enterradas rapidamente e de forma segura", destacou a OMS. 

Pacientes de áreas onde o Ebola está ativo e que apresentam estes sintomas devem ser isolados do público em geral, segundo os CDC. 

Os trabalhadores de saúde devem seguir as precauções exigidas para o controle das infecções. Devem usar máscaras, luvas e batas de mangas compridas quando tratam os pacientes. 

Os CDC também recomendam a lavagem frequente das mãos antes e depois de ter contato com um paciente febril, assim como extremar cuidados com o uso e descarte de agulhas e seringas. 

O período de incubação do Ebola - isto é, o lapso entre a infecção e o aparecimento dos sintomas - é de 21 dias. 

O Ebola atinge as populações humanas assim que as pessoas têm contato com sangue, órgãos e fluidos corporais de animais infectados. Os morcegos frugívoros são seu hospedeiro natural. 

"Na África tem sido documentada a infecção através do contato com chimpanzés, gorilas, morcegos frugívoros, macacos, antílopes e porcos-espinhos infectados, que foram encontrados mortos na selva", destacou a OMS. 

As pessoas devem evitar comer ou tomar animais silvestres crus. 

Se há suspeitas de um surto em uma fazenda de macacos ou porcos, a OMS recomenda colocar toda a estrutura imediatamente em quarentena e sacrificar os animais infectados, "supervisionando de perto o enterro ou a incineração das carcaças". 

Não há vacinas disponíveis contra o Ebola.

Pão de inhame de liquidificador e sem glúten

Receita extraída do blog curapelanatureza.com.br 

INGREDIENTES 
Meio quilo de inhame cru 
3 colheres (sopa) de sementes de linhaça 
3 colheres (sopa) de leite em pó 
1 colher (chá) de açúcar mascavo 
10 gramas fermento biológico 
2 ovos 
3 colheres (sopa) de azeite extravirgem de oliva 
1 colher (chá) de sal 
1 colher (chá) de vinagre 
300 gramas de farinha de arroz 

MODO DE PREPARO 
Descasque e corte o inhame em pedaços pequenos. 
Coloque esses pedaços de inhame no liquidificador junto com as sementes de linhaça e bata com uma xícara de água quente (mas não é água fervendo). 
Despeje a mistura em um recipiente fundo, acrescente o leite em pó e o açúcar e verifique se a massa está apenas morna, pois nesta fase ela não pode estar quente demais. Coloque o fermento biológico seco, mexa bem, acrescente os ovos, o sal, o vinagre e o azeite. 
Misture bem e, aos poucos, jogue a farinha de arroz até virar uma massa de bolo (repetimos: "de bolo") consistente. 
Despeje em fôrma untada e deixe descansar por 1 hora. 
Preaqueça o forno por uns 10 minutos. 
Coloque a fôrma na parte alta do forno e asse por cerca de meia hora. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Resíduos de arroz = Banda de rodagem de pneus

Goodyear converte resíduos da colheita de arroz em banda de rodagem de pneus 

Agrolink 

Os resíduos de casca de arroz que antes eram enviados para aterros estão agora ajudando a Goodyear Tire & Rubber Company a produzir pneus energeticamente eficientes. 
A Goodyear anuncia que vai utilizar as cinzas que sobraram da queima da casca de arroz para produzir eletricidade, como fonte ecológica de sílica para uso em seus pneus. 

A empresa testou a sílica derivada da cinza de casca de arroz nos últimos dois anos, em seu Centro de Inovação em Akron e descobriu que seu impacto sobre o desempenho dos pneus é igual ao das fontes tradicionais. Atualmente, a Goodyear está em processo de negociação com fornecedores para comprar a cinza de arroz para uso em seus pneus. 
“O uso da cinza de arroz dará à Goodyear uma fonte alternativa de sílica com custo menor, ajudando também a reduzir a quantidade de resíduos de arroz que é enviada para os aterros”, disse Joseph Zekoski, Diretor Técnico Interino. 
“Esta é uma vitória para a Goodyear, para nossos clientes e para o meio ambiente”. 

Todos os anos, mais de 700 milhões de toneladas de arroz são colhidas em todo o mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, e o descarte da casca de arroz é um desafio ambiental. 
Como resultado, muitas vezes, as cascas são queimadas para gerar eletricidade e reduzir a quantidade de resíduos enviados para aterros. 

A sílica é misturada com borracha nas bandas de rodagem dos pneus para aumentar a resistência da borracha e ajudar a reduzir a resistência à rolagem, melhorando assim a economia de combustível. Ela também pode ter um impacto positivo na tração de um pneu em superfícies molhadas. 

"Os esforços de inovação da Goodyear estão focados em tornar os pneus mais ecológicos - em seus materiais, no seu desempenho e no processo de fabricação", disse Zekoski.
"Por exemplo, continuamos a explorar formas de aumentar a eficiência de combustível dos pneus. Nós nos esforçamos para ajudar os consumidores a manter seus pneus operando de forma otimizada, por meio de inovações, como a Tecnologia de Manutenção de Ar (AMT, sigla em inglês). E analisamos os recursos renováveis, incluindo óleo de soja, para substituir os materiais à base de petróleo nos pneus ".

Botafogo Futebol e Regatas, que tristeza!

Botafogo rescinde contrato de Sheik, Edilson, Bolivar e Júlio César. Motivo: cobrar três meses de atrasos salariais e sete em direito de imagem. O clube já deve R$ 800 milhões. Vergonha que o ministro dos Esportes finge não enxergar… 

Cosme Rímoli (*) 

Se não usasse seu cargo apenas para fazer política, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo estaria hoje no Botafogo. O clube está a quatro dias de completar três meses de atrasos de salários dos jogadores. E sete, sim, sete de direito de imagem. 
As dívidas já ultrapassam R$ 800 milhões. 

Sheik, Julio César, Edilson e Bolívar acabam de ser afastados. 
Pela diretoria, não jogam mais no clube. Os dirigentes querem a rescisão de contrato. 
Eles estariam, junto com Jefferson, organizando protestos contra a diretoria. 
Já na partida de amanhã contra o Vitória, em Salvador. A ordem partiu do presidente Mauricio Assumpção. O técnico Vagner Mancini colocou o cargo à disposição. 
Mas o presidente implorou para ele continuar. Um vexame histórico. 

A situação do Botafogo é exemplar. 
Mostra o quanto há de irresponsabilidade no futebol brasileiro. 
Se existisse uma lei que punisse os clubes por calotes com jogadores e funcionários, a equipe estaria rebaixado há muito tempo. É uma vergonha o que os dirigentes estão fazendo por anos e anos. 

Assumpção já disse chorando à própria presidente Dilma que talvez o Botafogo tivesse de abandonar o Brasileiro. Não conseguiria chegar ao fim do torneio, tamanha as suas dívidas. E confessou também que está sem pagar os impostos do clube desde o início do ano. Apostava na aprovação do Proforte, projeto absurdo governamental que está em estudo para liberar R$ 4 bilhões em dívidas dos clubes brasileiros. 

Enquanto não há a aprovação do Proforte, a direção do clube tem repetido o que já faz há anos e anos. Usado brechas na legislação para fazer seu time sofrer. 
O mês passou a ter 90 dias literalmente. Como a lei prevê que o atleta pode se considerar sem vínculo se ficar três meses sem receber, o Botafogo é cruel. 
Paga cada mês na véspera de completar 90 dias. 
E atrasa o quanto for melhor os direitos de imagem, maior fatia salarial dos jogadores. 

Atletas com a vida financeira definida como Sheik emprestavam dinheiro aos companheiros. Emerson já falou a ex-companheiros do Corinthians que já viu jogadores botafoguenses chorando, desesperados. Sem ter como pagar a escola do filho, colocar gasolina no carro, com medo de serem presos por não pagar pensão alimentícia a ex-mulheres. Sem poder pagar o aluguel. O dinheiro que Emerson tem direito chega diretamente do Corinthians para sua conta. Ele não confiou que a direção botafoguense conseguiria pagar. No que estava muito certo. 

Seedorf já havia feito a mesma coisa no ano passado. 
Assim também como o técnico Oswaldo de Oliveira. Mesmo com todas as dificuldades, o Botafogo conseguiu ser campeão invicto em 2013. 
A falta de pagamento foi uma constante. Mesmo assim, o clube chegou em quarto no Brasileiro do ano passado. Se classificou para a Libertadores. 

Oswaldo de Oliveira abriu mão da maior competição da América do Sul para ir trabalhar no Santos. E receber em dia. Seedorf resolveu apostar na carreira de treinador do Milan. Ele também estava muito irritado com as insinuações que queria virar dono dos atletas a quem emprestava dinheiro. 

A previsão que a crise ficaria insustentável no Botafogo vem desde janeiro deste ano. Tudo piorou ainda mais com uma revelação chocante. 
A empresa do pai do presidente do clube e de sua madrasta tem um contrato desde 2010 com o Botafogo. E lhe garante 5% do acordo de patrocínio com a Viton 44. 
A oposição tentou se unir para pedir a destituição imediata de Assumpção. 

Divulgou uma carta aberta para os torcedores do clube e imprensa. 
Este é só um trecho do documento. 
"Em uma demonstração de que o fundo do poço a que estamos sendo levados por esta administração ainda não foi atingido e que nada está tão ruim que não possa piorar, matéria publicada ontem nos informa que "Empresa de familiares de Assumpção recebe 5% de patrocínio do Botafogo”, o que foi confirmado pelo próprio sr Maurício, o qual, além de tudo, não vê nenhum problema nisto, achando normal remunerar a referida empresa, desde 2010, com mais de um milhão de reais por ano." 

Mauricio rebateu dizendo não haver qualquer irregularidade. 
E a vida continuou dessa maneira trágica no clube. Com os atrasos constantes. 
Jogadores se cansaram de implorar por seus salários em dia. 
Resolveram escancarar a situação entrando com uma faixa no clássico contra o Flamengo. Era mais um pedido de socorro do que um protesto. 

"Estamos aqui porque somos profissionais. E por vocês torcedores." 
Estava estampado também um resumo da situação dos atletas. 
Cinco meses de atrasos no direito de imagem. Três meses de salário. E a falta de depósito do FGTS. 

Exercesse a plenitude de seu cargo, Aldo Rebelo já teria interferido a favor dos atletas no Botafogo há muito tempo. Os atrasos fizeram com que os atletas abolissem a concentração. E até se negassem a atuar em amistosos. A situação é calamitosa. 

Os dirigentes souberam que haveria novo protesto em Salvador.
E apuraram que Emerson Sheik, Júlio César, Edilson, Bolívar e Jefferson seriam os articuladores. Como os contratos dos quatro primeiros terminam no final do ano, veio a decisão da rescisão. O goleiro da Seleção Brasileira, não. O clube ainda espera vendê-lo e fazer dinheiro em uma negociação. 

No final da manhã, o presidente deu uma coletiva. 
E assumiu todo o caos que o clube vive. 

"Os quatro terão seus contratos rescindidos. A decisão é minha. Se o Botafogo for rebaixado, a culpa também será minha. O Mancini não tem culpa alguma no que está acontecendo. Ele colocou o cargo à disposição, mas não aceito. Ele continuará sendo o nosso treinador. Se o clube cair, a culpa é minha." 

Mauricio só não assumiu a incompetência dele como presidente de um grande clube como o Botafogo. A situação lastimável, vergonhosa, que chegou. 
Culpa também dos conselheiros, apáticos diante de tantas decisões equivocadas. 
E absurdas. Como não pagar jogadores e funcionários, não depositar o fundo de garantia. Deixar acumular os impostos. Inacreditável. 

Fosse o Botafogo uma empresa, estaria falida, lacrada. 
Sem prejudicar seus funcionários. Com os responsáveis tendo de se virar para pagar o que devem. Justificar os R$ 800 milhões em dívidas. 
Se o Brasil tivesse um ministro dos Esportes ativo, tomaria alguma providência. 
Como não tem, é só mais um escândalo... 

(*) Jornalista esportivo é comentarista da Record News

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

João e Kim

Ricardo Amorim (*) 

João e Kim nasceram em 21 de junho de 1970, dia em que o Brasil ganhou a Copa do México. Os pais de Kim eram professores; os de João também. Kim sempre estudou em escola pública; João também. Kim ama futebol; João adora. Kim é da classe média de seu país; João também. Os pais de Kim já se aposentaram; os de João também. Kim e João trabalham na mesma empresa, uma multinacional líder mundial em tecnologia. Kim é engenheiro e ganha R$ 7.100,00 por mês. João não chegou a terminar o ensino médio, ganha R$ 1.900,00 por mês. Kim trabalha na sede da multinacional e é chefe do chefe de João, que trabalha aqui no Brasil. 

Onde os caminhos de Kim e João se separaram? A cegonha deixou Kim na Coréia do Sul, João no Brasil. Em 1960, a renda per capita na Coréia era metade da brasileira. Em 1970, eram parecidas. Hoje, na Coréia, ela é três vezes maior do que a nossa. 

Como as vidas de centenas de milhões de Kims e Joãos tomaram destinos tão diferentes em poucas décadas? Educação, educação e educação. 

O país dos Kims investiu no ensino público básico, de qualidade e acessível a todos. 
O governo coreano gasta quase seis vezes mais do que o brasileiro por aluno do ensino médio. Na Coréia, um professor de ensino médio ganha o dobro da renda média local; no Brasil, menos do que a renda média. Com isso, os Kims estão sempre entre os primeiros lugares nos exames internacionais de estudantes de ensino fundamental e médio – muitas vezes, em primeiro lugar. Os Joãos, melhor nem falar. 

Só após garantir uma boa formação básica e bom ensino técnico, os coreanos investiram em ensino universitário. Ainda assim, a Coréia tem 3 universidades entre as 70 melhores do mundo. O Brasil não tem nenhuma entre as 150 primeiras. 
Hoje, a Coréia do Sul é, em todo o mundo, o país com maior percentual de jovens que chega à universidade – mais de 70%, contra 13% no Brasil. 
De quebra, o país dos Kims forma 8 vezes mais engenheiros do que nós em relação ao tamanho da população de cada um. Tudo isso com um detalhe: a Coréia gasta menos com cada universitário do que o Brasil, mas forma 4 vezes mais PhDs per capita do que nós. 

Para cada won gasto com a aposentadoria do pai de Kim, o governo coreano gasta 1,2 won com a escola do seu filho. 
No Brasil, para cada real gasto pelo governo com a aposentadoria do pai de João, ele gasta apenas R$ 0,10 com a escola do Joãozinho. 

No ano que vem, os pais de Kim virão para a Copa do Mundo no Brasil. 
A mãe de João já tinha falecido, mas seu pai quis muito ir à Copa da Coréia e do Japão em 2002, mas não tinha dinheiro para isso. Há um ano, ele está fazendo uma poupancinha e ainda está esperançoso em ser sorteado para um dos ingressos com desconto para idosos para ver um jogo da Copa de 2014, nem que seja Coréia do Sul x Argélia. 
Como os ingressos com descontos são poucos e concorridos, as chances de Seu João são baixas. Se conseguir, quem sabe ele não se senta ao lado do Sr. e Sra. Kim. 
Pena que Seu João não teve a chance de estudar inglês. Eles poderiam conversar sobre os filhos… 

(*) Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

Sempre ela: a classe média

Rodolfo Torres (*) 

Em época de revisão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um estudo do Banco Mundial de 2012 continua revelador: a classe média latino-americana cresceu 50% entre os anos de 2003 e 2009. E o Brasil foi responsável por cerca de 40% desse crescimento. 

“O mundo quer entender como isso aconteceu na região, e como esse fenômeno se sucedeu no Brasil, onde as mudanças foram maiores”, afirmou a diretora do Banco Mundial no Brasil, Deborah Wetzel, no lançamento do relatório “Mobilidade Econômica e Ascensão da Classe Média Latino-Americana”. 

De acordo com a executiva, a fórmula de sucesso é combinar programas sociais com estabilidade econômica. E deu no que deu. O Banco Mundial considerou classe média o indivíduo que tem renda entre US$10 a US$50 por dia (US$ 14,6 mil e US$ 73 mil por ano). 

Afirma o estudo que a renda mais elevada – e por consequência uma menor desigualdade – contribuíram para a redução da pobreza e expansão da classe média na região. 
As receitas fiscais da região, tirando Brasil e Argentina, são “relativamente baixas”. 

Ou seja: a América Latina não consegue arrecadar muitos tributos da população. 
As honrosas exceções, repito, são Argentina e Brasil. 

Os “médios” latino-americanos continuam naquele dilema de sempre: pagar aquele tanto de impostos e correr aos serviços privados de saúde e educação. 
Quando o assunto é previdência social, o jogo se inverte. 
Para o Banco Mundial, nosso contrato social – “combinação de medidas implícitas e explícitas que determinam o que cada grupo aporta e recebe o Estado” – é “fragmentado”. Eu diria que nosso contrato social, assim como a existência humana, é kafkaniano. 

Ao fim, a instituição internacional frisa que o “ambiente externo positivo” da maior parte da década de 2000 permitiu essa subida de tanta gente para a classe média. 
O desafio dos líderes latino-americanos nesta década é que “a região não pode contar com a permanência de um ambiente externo tão favorável quanto no passado recente”. 

Em suma: os esforços políticos dos próximos anos serão muito maiores para que a economia cresça menos do que na década passada. Mais trabalho e menos resultados. 
Não tem jeito. E, seja quem for o próximo comandante desta nossa nau que flutua sobre suores e lágrimas, resultados semelhantes aos da década estão fora de cogitação. 
Melhor esquecer. 

(*) Jornalista , redator é graduado em comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 

E tem gente que odeia agronegócio

Agronegócio gera 50% do PIB de Mato Grosso 

Folha de São Paulo 

O cenário agropecuário começa a mudar e os bons momentos dos últimos anos não deverão se repetir nas próximas safras. O efeito da esperada queda de preços afetará não só produtores, mas se expandirá também para outros setores, inclusive para as finanças dos governos. 

É o que mostram dados inéditos do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) em levantamento do PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio de Mato Grosso. 
O PIB do agronegócio do Estado representa 50,5% do PIB total do Estado, segundo Otávio Celidonio, superintendente do Imea. Uma desaceleração no setor vai afetar indústrias de insumos, agroindústrias e setores de distribuição e de serviços. 

Celidonio destaca que do lado do governo também há preocupação, uma vez que a participação dos impostos do agronegócio é de 54%, ante o total de Mato Grosso. 
O Imea apurou que o PIB do agronegócio está próximo de R$ 21 bilhões, ante R$ 41,6 bilhões do PIB total do Estado. Mato Grosso é um dos que têm as maiores participações do PIB agropecuário em relação ao total no país. A média do Brasil é de 23%, apontam dados de 2013 do Cepea. 

O Imea analisou também os efeitos da queda de preços dos produtos agropecuários em relação ao valor de produção de Mato Grosso. 
Celidonio diz que o VBP (Valor Bruto da Produção) de 2015 deverá recuar para R$ 39,2 bilhões, 10% menos do que o estimado para este ano. 

A tendência do setor não é uniforme. 
A soja, por exemplo, terá uma produção 5% maior no próximo ano, mas, devido à redução dos preços em 17%, terá um VBP de R$ 18,9 bilhões em 2015, 13% menor do que o deste ano. 

Já o boi terá uma redução de 6% no VBP. Essa queda ocorre devido ao recuo de 8% na produção, mas os preços deverão subir 2%. Diante desses números, o valor de produção do setor de bois recuará para R$ 8 bilhões em 2015. 

Celidonio diz que o produtor deverá ser muito cuidadoso a partir de agora com custos e investimentos. "A crise está começando e deve perdurar por umas duas safras." 
A safra de 2014/15 ainda não vai trazer grandes transtornos para o produtor, mas a de 2015/16 poderá mostrar uma situação bem pior, acrescenta ele. 

Carnes 
Como os números provisórios já indicavam desde o início de setembro, as exportações de carne bovina "in natura" recuaram no mês passado, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). 

Quanto saiu 
Os frigoríficos brasileiros colocaram 90 mil toneladas de carne bovina no mercado externo, 21% menos do que em agosto. As receitas, ao somarem US$ 441 milhões, tiveram recuo de 21% no mês. 

Ritmo forte 
Já as vendas de frango somaram 331 mil toneladas no mês passado, 5% mais do que as de agosto e 14% superiores às de setembro de 2013. As receitas, ao atingirem US$ 634 milhões em setembro, subiram 4% e 19%, respectivamente. 

Suínos 
As exportações de carne suína "in natura" ficaram praticamente estáveis, ao somarem 36 mil toneladas. As receitas, no entanto, atingiram US$ 143 milhões em setembro, 21% mais do que em 2013. O preço médio da arroba teve evolução de 40% em 12 meses.

Controle de emissoras por políticos leva à falsificação da democracia

Carlos Gustavo Yoda (*) para CartaCapital 

Nesta segunda reportagem da série sobre os “coronéis da mídia”, vamos mostrar o que diz a legislação brasileira sobre o controle de emissoras de rádio e televisão por políticos e o que pode e vem sendo feito pelas organizações de defesa do direito à comunicação acerca das ilegalidade praticadas. 

Desde 2011, tramita no Supremo Tribunal Federal uma ação, intitulada Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), elaborada pelo Intervozes, em parceria com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que pede a declaração de inconstitucionalidade à concessão de outorgas de radiofusão a emissoras controladas por políticos. A arguição - “acusação”, para desembrulhar o juridiquês, também afirma que, desde a posse, os parlamentares não podem mais ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada. Assim, defende como inconstitucional o ato de posse desses radiodifusores eleitos, pelo fato de os mesmos não terem deixado, antes, o controle de suas emissoras. 

A base da ADPF 246 é o artigo 54 da Constituição, que aponta, em seus dois primeiros parágrafos, como fundamento da República, que deputados e senadores não podem firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público. 
Além deste artigo, a ação também entende que a prática do coronelismo eletrônico viola o direito à informação (artigo 5º e 220 da Constituição Federal), a separação entre os sistemas público, estatal e privado de comunicação (art. 223), o direito à realização de eleições livres (art. 60), o princípio da isonomia (art. 5º) e o pluralismo político e o direito à cidadania (art. 1º). 

Além da Constituição Federal, o artigo 38 do Código Brasileiro de Telecomunicações, principal lei de rege o setor, aponta, em seu parágrafo primeiro, que não pode exercer a função de diretor ou gerente de concessionária, permissionária ou autorizada de serviço de radiodifusão quem esteja no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial. 

No entanto, a ADPF cita mais de 40 deputados federais e senadores, da atual legislatura, que controlam diretamente pelo menos uma emissora de rádio ou televisão em seu estado de origem. A tese da ação aponta diferentes órgãos como responsáveis pela ilegalidade. Em primeiro lugar, o Ministério das Comunicações e a Presidência da República, por concederem outorgas a empresas que não poderiam recebê-las e pela omissão na fiscalização das emissoras; o Congresso Nacional, também responsável pela autorização e renovação das outorgas e pela diplomação dos parlamentares; e o Poder judiciário, também responsável pela diplomação de candidatos eleitos. 

Isto é Santarém

Ponta do Maguari- Santarém - Pará 
Foto: 
Máissara Darwich publicada no facebook de Emanuel Júlio Leite

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Brasil e EUA encerram disputa de mais de uma década sobre algodão

UOL 

Brasil e Estados Unidos chegaram nesta quarta-feira a um acordo que dá fim à disputa de mais de uma década sobre subsídios dados aos produtores americanos de algodão. 

Os ministros brasileiros da Agricultura, Neri Geller, e de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, estão em Washington para assinar o memorando com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Michael Froman. 
Pelo acordo, os Estados Unidos pagarão cerca de US$ 300 milhões (R$ 735 milhões) ao Brasil para que o país não recorra a um novo painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) até 2018, enquanto está em vigor a nova lei agrícola americana, a Farm Bill. 

O dinheiro seria uma compensação aos produtores brasileiros afetados pela nova legislação americana, promulgada no início do ano. 
"O acordo de hoje encerra uma questão que colocava centenas de milhões de dólares em exportações americanas em risco", disse Froman. 
"É um significativo progresso em nossa relação econômica bilateral." 

Disputa 
A disputa envolvendo a produção de algodão foi levada à OMC em 2002 pelo governo brasileiro, que acusava o governo americano de adotar práticas que favoreciam seus produtores. 

A OMC determinou que os subsídios eram ilegais e, em 2009, autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos em US$ 829 milhões por ano, o que pode ser feito elevando tarifas comerciais de produtos advindos do país. 
Para evitar a retaliação, os Estados Unidos se comprometeram a pagar US$ 147,4 milhões por ano aos produtores brasileiros, como compensação pelos subsídios pagos aos cotonicultores americanos. 

Em 2010, foi fundado o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), para gerir esses recursos e promover o fortalecimento da produção no Brasil. 
Em outubro do ano passado, porém, os Estados Unidos interromperam o pagamento. 

Desde então, os dois países vinham buscando uma solução que evitasse que o plano de retaliação brasileira fosse colocado em prática. 
A Câmara de Comércio pretendia elevar em até 100% o imposto de importação de uma lista de mais de cem produtos americanos. 

O governo também analisava quebrar patentes de medicamentos, sementes, defensivos agrícolas e até mesmo obras artísticas, como livros, músicas e filmes. 
O novo acordo firmado nesta quarta-feira não só evita as penalizações como também novas regras para que o IBA possa usar os recursos repassados.