sábado, 8 de junho de 2013

Até quando, senhores políticos ??? Até quando?

Assaltantes ateiam fogo em vítima após assalto em SP


Estadão 

Um analista financeiro de 50 anos teve o corpo queimado durante um assalto na noite dessa sexta-feira, dia 7, na zona sul da capital paulista. Os criminosos acharam que o analista tinha pouco dinheiro. Eles também atearam fogo no carro da vítima, que conseguiu fugir e ser socorrida. O homem permanece internado. 

Já é o terceiro caso de vítimas incendiadas após assaltos em menos de dois meses. Dois dentistas, em São Bernardo do Campo, no ABC, e em São José dos Campos, morreram após ataques como esse. 

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, o analista foi abordado por dois bandidos nas proximidades da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini quando saia do carro, uma Pajero prata. Eram por volta de 21h30. Ele seguia para uma agência bancária, mas os criminosos exigiram que voltasse para o veículo e, com ele no banco de trás, saíram em disparada. 

Enquanto um dos criminosos assumiu a direção do carro, o segundo atirava sobre a vítima um líquido inflamável e, durante o percurso, ameaçava com um isqueiro atear fogo em seu corpo. O analista contaria mais tarde para a polícia, já no hospital, que informou aos bandidos que só tinha R$ 100. A dupla não se deu por satisfeita e botou fogo na vítima. 

Em pânico, ainda segundo informações da polícia, o analista se jogou do carro em movimento com o corpo em chamas, próximo da ponte do Morumbi, e pediu ajuda a um taxista. Foi levado ao Hospital São Luis, no Morumbi, e permanece internado. Foram constatadas lesões corporais e queimaduras nas mãos, braços, pescoço e rosto. A família não autorizou que o hospital informasse detalhes sobre o estado de saúde da vítima. 

Quando a Polícia Militar foi acionada, encontrou o Pajero em chamas na Rua Professor Santiago Dantas, esquina com a Rua Francisco Tramontano, próximo à favela Real Parque, também na zona sul. Policiais do 89.º DP foram ao local e não encontraram testemunhas ou câmeras de circuito interno que possam identificar os criminosos. Conversaram com a vítima no hospital, que teria informado que os bandidos não portavam arma de fogo. 

O caso foi registrado no 89 DP. O carro foi periciado e depois retirado do local.

A oferta das montadoras e os investimentos agrícolas

Opinião do Estadão 

Em 2013, as vendas de colheitadeiras, retroescavadeiras, tratores de roda e cultivadores motorizados tiveram crescimento excepcional, informa a associação das montadoras de veículos (Anfavea). Contribuíram, assim, para a alta produtividade das fazendas e do agronegócio e para o aumento dos investimentos, a conta mais positiva do PIB no primeiro trimestre. 

Entre os primeiros cinco meses de 2012 e 2013, as vendas internas totais no atacado de colheitadeiras aumentaram 65,1%; de retroescavadeiras, 38,1%; de tratores de roda, 27,4%; e de cultivadores motorizados, 6,2%. Caíram apenas as vendas de tratores de esteiras (-7,2%), o que não impediu que as vendas totais de máquinas agrícolas auto-motrizes registrassem alta de 30,3%, entre janeiro e maio, e de 32,7%, comparando maio de 2012 e de 2013. 

Dado o peso do agronegócio e das safras recordistas para o crescimento da economia no longo prazo, a oferta de bens de capital (que inclui caminhões) é, hoje, a contribuição que mais se destaca na indústria automobilística. Embora a produção de veículos leves, em níveis recorde, tanto em maio como em 2013, seja a mais lucrativa e importante. 

A produção de 348,1 auto-veículos, em maio, e 1,54 milhão, entre janeiro e maio (+21,8% e +18,6%, respectivamente, em relação aos mesmos períodos de 2012), superou as vendas, que caíram 5,2% entre abril e maio últimos, em decorrência do recuo das vendas de importados. 

Amparado por estímulos fiscais, o setor de veículos continua como carro-chefe da indústria brasileira. O nível de emprego no segmento aumentou 0,4%, entre abril e maio, e 6%, comparativamente a maio de 2012. Os resultados positivos estimulam que as matrizes invistam mais no Brasil, confiando na força do mercado local. Já as exportações de veículos se ressentem do custo Brasil: nos últimos 12 meses, caíram 6,7%, o equivalente a US$ 1 bilhão, em relação aos 12 meses anteriores. 

Por seu efeito multiplicador, a importância do setor automobilístico é inegável para a economia e é expressivo seu peso na indústria em geral. Esta, com baixa produtividade, enfrenta grandes dificuldades. Se houve recuperação dos manufaturados, no primeiro quadrimestre, essa se deveu, em parte, à base de comparação muito baixa. 

Mas os estímulos ao setor não têm a contrapartida de investimentos maciços na infraestrutura viária, fazendo da expansão da frota um pesadelo para as cidades.

A bolsa ou a vida

Fernando Gabeira (*) 

O boato sobre o fim do Bolsa Família agitou a vida política do Brasil. Fomos obrigados a contemplar a importância dos boatos na política e alguns cronistas chegaram a sugerir livros sobre o tema. Eu mesmo fui remetido às leituras do meio da década dos anos 70: Política e Crime, de Hans Magnus Enzensberger. Ele destaca o boato num dos ensaios: Wilma Montesi, a vida depois da morte. No caso, o cenário era a Itália e os rumores após a morte de uma mulher quase levaram o país a uma guerra civil. O boato no Brasil foi apenas um susto de fim de semana. Mas o psicodrama que desencadeou mostrou um governo tenso e desorientado. Forçado por uma trapalhada oficial, teve de confrontar uma hipótese impensável: o fim do Bolsa Família. 

A reação da ministra Maria do Rosário foi a mais tradicional, sobretudo entre governos autoritários: apontar os culpados de sempre, a oposição. No passado era pior. Os governos apontavam os culpados de sempre, mas prendiam também os suspeitos de sempre. Alguns líderes de esquerda, na guerra fria, eram retirados de circulação nas vésperas de grandes datas. Alguns já esperavam, resignadamente, a polícia com a muda de roupa, escova de dente e o maço de cigarros.

A reação de Maria do Rosário foi mais linear. A de Dilma Rousseff é mais complexa. Ela considerou o boato um crime monstruoso. E não há dúvida de que poderia levar dor, tristeza e até matar gente do coração. Felizmente, isso não aconteceu. Brecht dizia: pobre do povo que precisa de heróis. Não se interessou pelo destino dos heróis que precisam de um povo para salvar. Lembro-me do exílio, de algumas senhoras da Anistia Internacional que lutavam para liberar presos em outros países e se correspondiam com eles. Uma delas, quando seu preso foi solto, caiu em depressão. Afinal, era o seu preso, tantos anos dedicados a ele e, agora, a benfeitora teria o vazio diante de si. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Será que teremos uma nova novela EIA-RIMA?

Áreas do porto serão leiloadas em outubro 

Gazeta de Santarém  

No primeiro lote, que deve ir a leilão em outubro, serão licitados 52 terminais do Porto de Santos e da Companhia de Docas do Pará, 26 de cada, entre elas três áreas no Porto de Santarém, são elas os lotes 2, 3 e 11. Segundo Manuel Nascimento, da CDP, são áreas para terminais de grãos e fertilizantes. A expectativa do governo é atrair R$2 bilhões de investimentos nos leilões. 

Com a sanção da Lei dos Portos, publicada na quarta, dia 5, no Diário Oficial da União, o governo espera dar início ao processo de concessão de terminais públicos sob as novas regras na primeira quinzena de julho, com a publicação dos estudos do primeiro bloco. 

No primeiro lote, que deve ir a leilão em outubro, serão licitados 52 terminais do Porto de Santos e da Companhia de Docas do Pará, 26 de cada, entre elas três áreas no Porto de Santarém, são elas os lotes 2, 3 e 11. Segundo Manuel Nascimento, da CDP, são áreas para terminais de grãos e fertilizantes. A expectativa do governo é atrair R$2 bilhões de investimentos nos leilões. 

De acordo com a chefe da Casa Civil, ministra Gleisi Hoffmann, mais três blocos de terminais serão licitados em seguida: a segunda etapa terá 43 terminais dos portos de Salvador, Aratu e Paranaguá; o terceiro bloco, com 36 terminais nos portos de Suape, Itaqui e demais portos do Norte e Nordeste; e o último, com 28 terminais de Vitória, Rio de Janeiro, Itaguaí, Rio Grande e São Francisco do Sul. “A meta é que os arrendamentos tenham licitações publicadas até janeiro de 2014”, disse. 

Já as autorizações para novos terminais deverão ser apresentados em outubro, informou Gleisi. Pelos pedidos apresentados até agora à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o governo calcula que haverá investimentos de pelo menos R$26 bilhões nessa fase. 

Ao explicar os dez vetos feitos pela presidenta Dilma Rousseff ao texto da lei provado pelo Congresso Nacional em maio, Gleisi disse que a decisão levou em conta todos os acordos feitos entre governo, trabalhadores e relatores da proposta na Câmara dos Deputados e no Senado. “Não quebramos nenhum acordo, tudo que foi acordado entre governo, trabalhadores e o relator está sendo sancionado pela presidenta da República.” 

“Os vetos foram feitos para garantir o objetivo principal da lei, que era garantir a abertura e a competitividade do setor e afastar qualquer insegurança jurídica”, acrescentou.

Bolsa estupro

Entidade diz que aprovação da ‘bolsa estupro’ é lamentável  

O Globo  

Entidades que lutam pelos direitos das mulheres classificaram como um retrocesso o Estatuto do Nascituro, aprovado anteontem em uma comissão da Câmara. Já os grupos religiosos elogiam a proposta, que prevê ajuda financeira às mulheres vítimas de estupro que optarem por não fazer o aborto permitido por lei. Integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Lúcia Rincón disse que, desde a aprovação da medida, os grupos feministas começaram a se articular numa tentativa de pressionar pela rejeição da proposta, conhecida como “bolsa estupro”. 

— O direito da mulher para decidir sobre seu próprio corpo é ignorado neste processo. Ela é tratada de forma cruel quando precisa conviver com o agressor, porque a proposta prevê a possibilidade de reconhecimento (do filho por parte do estuprador). O criminoso deixaria de ser agressor para ser genitor — disse Lúcia ao GLOBO, afirmando que as entidades poderão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso o projeto de lei seja aprovado, por considerá-lo inconstitucional. 

O conselho, formado por representantes da sociedade e do governo, é presidido pela ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci. Em nota divulgada ontem, o grupo diz que “o Estatuto do Nascituro viola os direitos das mulheres e descumpre preceitos constitucionais de previsão e indicação de fonte orçamentária”. A proposta foi aprovada na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara porque depende de uma adequação financeira. Seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. 

“É lamentável que as mulheres sejam, mais uma vez, vítimas da legitimação da violência perpetrada contra elas. O projeto dificulta o acesso das mulheres aos serviços de aborto previsto em lei, nos casos de risco de vida à gestante, estupro e gravidez de feto anencéfalo. Por considerar o referido projeto um retrocesso em relação aos direitos humanos das mulheres brasileiras, conquistados na trajetória de construção de uma sociedade de igualdade e justiça social, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher continuará seu trabalho de informação e de esclarecimento junto a parlamentares e à sociedade”, diz a nota. 

Petição online tem 64 mil assinaturas 
Segundo o projeto de lei, o nascituro concebido em um ato de violência sexual terá prioridade na assistência pré-natal e na hora da adoção. A mulher estuprada terá acompanhamento psicológico e ajuda com despesas de saúde e educação da criança. 

— Deveriam usar esses recursos para promover direitos e em prevenção, por exemplo — afirma a socióloga Jolúzia Batista, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA). 

Um dos vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Henrique Afonso (PV-AC), declarou que a aprovação do estatuto é uma vitória porque, entre outras coisas, reconhece que a vida começa com a concepção e dá direitos ao feto. Ele protestou contra as pessoas que usam o termo “bolsa estupro” para se referir ao projeto: 

— Para nós, é a bolsa vida, porque está garantindo a vida do bebê. Estamos garantindo a proteção do Estado às mulheres que querem ter o bebê. 

ma petição online contra o Estatuto do Nascituro contava com 64 mil assinaturas até as 20h de ontem. Na última terça-feira, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoveu em Brasília uma marcha a favor da aprovação do projeto.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Centro de Difusão do Comunismo numa universidade federal

Um espanto e um absurdo- Há um Centro de Difusão do Comunismo em uma importante Universidade federal — pago com nosso dinheiro. O currículo inclui até “militância anticapitalista” 


Ricardo Setti (*)



O comunismo como projeto de uma “nova sociedade” foi, provavelmente, o maior fracasso da história da Humanidade. 

Durante décadas, oprimiu dezenas de países e centenas de milhões de pessoas, suprimiu-lhes a liberdade, condenou-as ao atraso e à carência. 
Provocou milhões de mortes, prisões iníquas, violações sem conta dos direitos humanos. 

Desabou a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989, e morreu de vez, como projeto global em 1991, com o fim inglório da União Soviética, que já vinha caindo aos pedaços há vários anos. 

Como relíquias de uma época da qual as pessoas querem distância, persistem regimes comunistas em países miseráveis e famélicos como a Coreia do Norte, ou próximos dessa situação, como Cuba. E formalmente comunistas, a China e o Vietnã enveredaram por um feroz capitalismo de Estado e, da ideologia de Marx aplicada à realidade, só restou a ditadura de partido único. 

Nada disso fez mudar uma importante universidade federal “deztepaiz” — a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). 

Com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro, a Ufop mantém, sob as asas de sua Pró-Reitoria de Extensão (Proex), nada menos do que um inacreditável Centro de Difusão do Comunismo (CDC-Ufop). (TODAS AS ILUSTRAÇÕES DESTE POST FORAM EXTRAÍDAS DO SITE DESTE “CENTRO”). 

Não se trata de um centro de ESTUDOS do comunismo, o que, naturalmente, se justificaria. Da mesma forma como se estudam dinossauros ou as pirâmides do Egito, o comunismo poderia, perfeitamente, ser objeto de estudos. 

Nada tenho contra, nem poderia, o estudo de quaisquer doutrinas filosóficas ou de quaisquer correntes de pensamento. Estou falando DE OUTRA COISA. 
Mas não se trata de estudos ou debates, vocês leram bem: uma Universidade federal 
abriga um centro de DIFUSÃO do comunismo. 


De DI-FU-SÃO! Repetindo: DI-FU-SÃO. 
Quem tiver dúvidas do que significa a palavra pode e deve consultar um dicionário. 

Há, na Ufop, sem disfarce de espécie alguma, até um Grupo de Debate e Militância Anticapitalista. 
Sim, vocês leram corretamente: a universidade propõe e ensina MILITÂNCIA. 

Não sei da existência de um suposto “centro de estudos” que proponha aos alunos militância política! É o fim do mundo! 

A coisa é tão espantosa, tão absurdamente distante do propósito de qualquer universidade pública, tão escandalosamente propagandística de uma ideologia totalitária, que, mais do que continuar a descrever do que se trata, vou simplesmente reproduzir um pouco do que diz o próprio site do tal “Centro”. (As letras maiúsculas estão no original). 

Flamengo - catastrófico e inaceitável

Renato Maurício Prado (*) 

Por melhor que seja o trabalho da nova diretoria do Flamengo nas áreas administrativas do clube, o fracasso no futebol pode colocar tudo a perder. 

E é exatamente isso que começa a acontecer, neste início de Campeonato Brasileiro. Quatro rodadas, nenhuma vitória e penúltimo lugar na tabela de classificação. 
Isso enfrentando rivais sem nenhuma expressão técnica. 

Nem a desculpa de que não há dinheiro para fazer contratações de peso nesse momento é mais aceitável. 
O Flamengo errou e errou feio nas escolhas feitas até o momento. 

A começar pelo seu executivo do futebol, um ex-dirigente do Grêmio com histórico de contratações equivocadas em seus tempos de cartola. 
A seguir pela contratação de Jorginho que, como se vê, pela insegurança nas escalações e substituições, ainda não parece pronto para encarar um desafio do tamanho do Flamengo. Por fim nos "reforços" se é que assim podem ser chamados jogadores como Carlos Eduardo (caríssimo e até o momento um zero à esquerda), Wallace, João Paulo e um bando de desconhecidos dos clubes do interior paulista. 

O presidente Eduardo Bandeira de Mello e o vice de futebol Wallim Vasconcelos precisam reconhecer os erros e reagir rapidamente. 
Não adiantará nada sanear as finanças se o Flamengo acabar na Segunda Divisão. 

O início de Campeonato Brasileiro do rubro-negro é simplesmente catastrófico. 
E inaceitável. 

Em tempo: uma campanha ridícula como a atual pode, simplesmente, decretar o fracasso da campanha de sócio-torcedor, que poderia ser, exatamente, a salvação do clube Mais Querido do País. 

(*) Jornalista e comentarista esportivo atualmente no canal por assinatura Fox Sports 

Aonde já se viu deficiente estacionar na vaga de deficiente ...

Escritor é multado pela CET em vaga para deficiente que ajudou a criar  

Estadão 

O escritor Marcelo Rubens Paiva, de 54 anos, autor de livros como "Feliz Ano Velho" e "Malu de Bicicleta" e colunista do jornal O Estado de S.Paulo, decidiu escrever sobre o trânsito de São Paulo. Dessa vez, no entanto, abriu mão dos atributos de ficcionista. Tratou, sim, da realidade de um cadeirante nas ruas da capital paulista. Multado três vezes por estacionar o carro em vagas para pessoas com deficiência, Paiva intrigou-se, uma vez que sempre exibiu a licença para portadores de necessidades especiais. 

Revoltado com a situação, o romancista publicou um desabafo no blog hospedado no portal Estadão.com.br, num texto intitulado "Bullying municipal". "Estranhamente, comecei a ser multado, mesmo tendo a licença. Não foi uma. Foram três vezes. Em vagas que me são familiares. Sim, nos horários em que parei. As placas dos carros que uso estão corretas. Os carros estão no meu nome. A licença, tirada na Prefeitura, idem. Estou lá cadastrado. Não checaram."

Na última autuação, datada de fevereiro e testemunhada por ele, parece ter descoberto o que acontece. Depois de parar o carro na altura do número 709 da Alameda Tietê, nos Jardins, na zona sul, numa vaga indicada para deficientes, passou pela rua uma viatura da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Ele estava na calçada do Bar Balcão, conversando com amigos. Reparou no veículo oficial, dentro do qual um marronzinho olhava para o carro. 

"Acenei para o guardinha e falei: 'Opa, o carro é meu e a licença está no para-brisa'. Dei um tchau e ele foi embora. Mas depois chegou essa multa", disse nesta quarta-feira, por telefone. O incômodo do escritor é, principalmente, pelo fato de o agente de trânsito não ter descido da viatura para checar se o documento que o permite estacionar ali de fato se encontrava à mostra. "Não estava chovendo, não havia nenhum impedimento. Estão fiscalizando uma coisa de forma errada e punindo quem está certo." 

O autor recorreu, até mesmo enviado fotos do carro com a licença, mas, há poucos dias, recebeu a resposta do Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV), da Secretaria Municipal dos Transportes: o pedido de revisão da multa foi rejeitado. Considerada leve, a multa custa R$ 53,20, além de três pontos na carteira.

"O que eu percebi é que os guardinhas que ficam fazendo essas rondas não saem do carro para ver a licença. Eles acham que ninguém tem licença, que todo mundo para por malandragem. É o cúmulo da incompetência dupla." Paiva foi a primeira pessoa de São Paulo a receber a licença que autoriza deixar o carro em espaços dedicados a portadores de deficiência. 

"Fui eu que tive essa ideia, ainda era a administração do Paulo Maluf." Na cerimônia de inauguração das primeiras vagas para portadores de deficiência, em meados dos anos 1990, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, na zona oeste, ele recebeu a primeira licença da cidade. A Prefeitura informou que "o condutor não portava o cartão Defis em área visível no carro". O comunicado acrescenta que o recurso do escritor à multa não era "uma defesa baseada em formalidades do auto de infração". 

Após quatro anos, Gugu Liberato deixa a Record

UOL - Blog do Ricardo Feltrin 

Tirado do SBT a peso de ouro em junho de 2009 para ser o principal artista da Record, Gugu Liberato não suportou a pressão e o corte de verbas de seu programa, realizados nos últimos meses. Decidiu deixar a emissora do bispo Macedo mais de quatro anos antes do fim oficial de seu contrato. 

A crise já havia sido antecipada seis meses atrás por esta coluna. 

O "Programa do Gugu" do próximo domingo será o último do apresentador, na emissora. Segundo Ooops! apurou, Gugu não via mais condições de fazer o programa, uma vez que a emissora cortou praticamente toda sua verba de produção. Se continuasse, Gugu teria de fazer um programa exclusivamente de auditório. Procurada, sua assessoria não quis fazer comentários. 

A emissora ainda não se pronunciou, mas deve informar que o rompimento entre as partes foi "amigável". Há controvérsias sobre isso, porém. 

Nos últimos meses, Gugu vinha sendo pressionado por bispos da Igreja Universal (ligados especialmente ao bispo-tesoureiro Romualdo Panceiro) a reduzir os gastos de sua atração e até aceitar uma redução no seu salário, estimado em R$ 3 milhões. 

A pressão vinha sendo feita de forma objetiva e também reptícia: por exemplo, semanalmente eram ventilados rumores nos corredores da Barra Funda, dando conta do fim do programa ou que Gugu teria aceitado reduzir seu salário. O apresentador chegou ao limite da paciência e optou por aceitar "ser saído". 

Não está descartada uma disputa litigiosa no futuro, uma vez que seu contrato com a emissora estava muitíssimo bem "amarrado" --como se diz no jargão do business. 

Gugu foi instado a deixar o SBT com uma série de promessas. Ele teria um programa dominical com uma superprodução, verbas incríveis para fazer externas e também poderia fazer um talk show na Record News. Esse talk show foi descartado menos de um ano após a chegada de Gugu à emissora, em junho de 2009. 

Especula-se na Record que Gugu será substituído a partir do domingo, dia 16, por Rodrigo Faro. Ainda não está claro se faro simplesmente trocará o sábado pelo domingo ou se fará um novo programa. 

Após o programa do próximo domingo, Gugu pretende tirar um período sabático para descansar e viajar com os filhos. 

Antonio Augusto de Moraes Liberato, 54 aos, começou a carreira na TV aos 14 anos, como auxiliar de produção do "Domingo no Parque", apresentado por Silvio Santos. Ele hoje também tem uma produtora e outros negócios. Nas últimas semanas, enquanto era bombardeado por bispos da Universal, foi sondado por pelo menos duas emissoras interessadas em seu passe.

Novo ministro do STF

Barroso, agora ministro, diz que STF aumentou rigor ao julgar o mensalão 

Estadão 

Aprovado ontem pelo Senado para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado Luís Roberto Barroso afirmou que o julgamento do mensalão foi "um ponto fora da curva" e que, em comparação com jurisprudências da Corte, as sentenças teriam sido mais duras. Na sabatina, que durou sete horas, ele enfatizou que agirá com independência e disse ser imune a eventuais pressões do governo, da opinião pública ou dos acusados que aguardam julgamento de recursos que poderão modificar as penas. 

Barroso, cujo nome teve aval de 59 senadores - e foi rechaçado por outros 6 -, colocou em dúvida eventuais recursos dos réus do mensalão a cortes internacionais e defendeu "prisão domiciliar monitorada" para pessoas condenadas por crimes que não envolvam violência. 

"Ninguém me pauta: nem governo nem imprensa nem acusados. Somente farei o que achar certo", disse durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. "Examinei a jurisprudência do Supremo no ano de 2012 (...) Pensei que fosse chegar à conclusão de que o Supremo tinha endurecido em matéria penal na sua jurisprudência. A conclusão a que eu cheguei é que o Supremo manteve as suas linhas jurisprudenciais tradicionais, mais garantistas, mas endureceu no caso do mensalão." 

E acrescentou: "Eu acho que o mensalão foi, por muitas razões, um ponto fora da curva, mas não correspondeu a um endurecimento geral do Supremo, foi um endurecimento naquele caso específico". Para formalizar a indicação de Barroso à Corte Suprema, a presidente Dilma Rousseff terá de publicar a nomeação. 

Apesar da diplomática crítica ao julgamento do mensalão, como alguns senadores de oposição interpretaram as avaliações do indicado, Barroso disse que não está impedido de analisar recursos do caso na Corte. 

Voto decisivo
Ele ressaltou, para não ser visto como eventual salvador dos condenados no mensalão, que será o ministro Teori Zavascki quem dará o voto que fará a diferença no julgamento. Se Zavascki aderir à maioria que condenou os réus, o voto dele - Barroso - não fará diferença. Mas se Zavascki votar pela absolvição, o julgamento estará empatado, o que beneficiará os réus. A depender do resultado do julgamento dos recursos, parte dos réus pode eventualmente se livrar das condenações pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha - que resultaram de votações apertadas. E desde o término do julgamento, dois novos ministros chegaram ao Supremo. Eventuais recuos poderiam beneficiar, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu. 

Barroso se negou a adiantar posição sobre a possibilidade de novo julgamento para réus que, apesar de condenados, tiveram a seu favor o voto pela absolvição de quatro ministros. Afirmou que os embargos infringentes estão previstos no regimento interno do STF. "O regimento interno do Supremo foi editado numa época anterior à Constituição de 1988, quando a atuação normativa do Supremo se equiparava à atuação legislativa do Congresso. Portanto, o regimento interno do Supremo tem status de lei na parte pretérita à Constituição de 1988." Mas afirmou que, como ministro, terá de julgar pela legislação mais atual, que não prevê a existência dos embargos. Réus do processo apostam nos votos de Zavascki e Barroso para reduzir penas ou serem absolvidos de parte das acusações. Os recursos serão analisados no segundo semestre pelo STF. 

Apesar da esperança de alguns réus, Barroso avaliou que eventuais recursos a organismos internacionais teriam poucas chances de prosperar. "O direito de postular todos têm." Mas disse ter dúvidas se o caso do mensalão se enquadraria em precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos. "Tenho dúvida se essa hipótese calharia na jurisprudência, nos precedentes da Corte Interamericana. Precisaria estudar, mas não seria uma hipótese típica de interferência da Corte."

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Brasileirão já é 6o. campeonato mais rico do mundo

Jamil Chade (*) 

A renda do futebol brasileiro cresce a uma taxa tres vezes superior ao da Europa e o campeonato nacional já é a sexta liga mais rica do mundo, além de ser a maior fora do Velho Continente. Os dados estão sendo divulgados pela consultoria Deloitte que, apesar de apontar para os avanços, alerta que clubes brasileiros terão a partir de agora de passar reformas em seus modelos econômicos se quiserem continuar evoluindo. 

Segundo o informe anual da empresa, o Brasil é apenas superado pela Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França. Antes do final da década, o Brasil poderia até mesmo entrar no grupo de elite das cinco maiores ligas do mundo. 

A expansão da renda no Brasil seria um produto direto da situação econômica do País, com aumento do PIB nos últimos dez anos. O Campeonato Brasileiro da Série A não ficou de fora dessa expansão. 

Em 2012, a renda do torneio chegou a R$ 2,4 bilhões, cerca de 880 milhões de euros. Mas o que mais impressiona os economistas é o crescimento por ano, desde 2007, muito superior às taxas do futebol europeu. Em cinco anos, a renda do Campeonato Brasileiro triplicou. Na Europa, o aumento foi de apenas 35%. 

‘É terrorismo eleitoral, sim!’

José Nêumanne (*) 

O tumulto nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF) no fim de semana de 18 e 19 de maio, provocado por um boato do fim do Bolsa Família, carro-chefe dos programas sociais do governo federal, ainda não foi devidamente esclarecido. Mas já produziu efeitos indeléveis em seus protagonistas e na turma de Pilatos. O cônsul romano, como se sabe, entrou no Credo de gaiato e, 21 séculos depois da paixão e morte do Cristo, paga o pato por Sua dor suprema e, em consequência, pela remissão dos pecados do mundo. Os primeiros são a cúpula do Executivo. Os demais, a oposição, que, com ou sem culpa no cartório, é que terminará sendo prejudicada. 

Assim que se tornou de conhecimento público a corrida dos beneficiários da esmola do governo, a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, sacou do saldo dos “suspeitos de costume”, aos quais se referiu o capitão francês Louis Renault na cena final do filme Casablanca. A existência de “bodes expiatórios” remonta à Bíblia e tem sido repetida e estimulada ao longo de séculos de guerra e luta política. Em 1897, a Okhrana, polícia secreta do czar Nicolau II, forjou o Protocolo dos Sábios de Sião, falso plano de tomada do poder mundial pelos judeus e documento que inspirou a perseguição aos hebreus no Império russo e na União Soviética e se alastrou pelo mundo inteiro. O lastro histórico da atribuição de um delito ao adversário inocente, tornando-o culpado sem necessidade de julgamento, tem antecedentes clássicos como o incêndio do Reichstag (Congresso alemão na República de Weimar), em 1933. A atribuição do atentado aos comunistas foi crucial para Hitler fundar a ditadura nazista. 

Nossa História registra o Plano Cohen, atribuído pelo governo Vargas aos comunistas para tomarem o poder e usado para justificar o Estado Novo; e a Carta Brandi, prova falsa de articulação golpista de João Goulart, ministro do Trabalho no governo democrático de Vargas, com Juan Domingo Perón. 

Os comunistas na clandestinidade no Estado Novo ou na ditadura militar de 1964 esperavam a polícia bater à porta de suas casas com uma maletinha arrumada com objetos de uso cotidiano, como barbeador, escova de dentes, pasta e pijama, conforme Graciliano Ramos registrou no clássico da literatura brasileira Memórias do Cárcere. Hoje, os “suspeitos de costume” sob a regência da poderosa aliança governista PT-PMDB e outros respondem pelo nome genérico de oposição. E foi a eles que a ministra acusou no Twitter, sem prova alguma e nem sequer ter conhecimento do que, de fato, poderia ter provocado o tumulto, de autoria de uma atitude “conspiratória” de natureza eleitoral. 

Alguns alimentos podem sumir

Tradicionais, alguns alimentos correm o risco de sumir por causa de mudanças ambientais  

Folha de São Paulo 

Lagosta
Saem de cena a arara-azul e o mico-leão-dourado: é do cardápio brasileiro que algumas espécies correm o risco de desaparecer. 

ONGs, chefs de cozinha e órgãos ambientais têm levantando a bandeira segundo a qual é preciso evitar alimentos que, embora comuns na mesa nacional, estão ameaçados de extinção. A lista inclui peixes, crustáceos, palmito e até o prosaico pinhão. 

O caso dos peixes é emblemático: o governo federal estima que 80% dos recursos pesqueiros estão ameaçados pela pesca excessiva no país. Um erro comum dos pescadores é realizar a sua atividade durante o defeso, período de reprodução das espécies. 

Isso vem ocorrendo com a lagosta. "É preciso evitar consumi-la no período de defeso, entre dezembro e maio. O problema é que o defeso coincide com o verão, quando a lagosta é muito apreciada no litoral", diz Leandra Gonçalves, bióloga consultora da ONG SOS Mata Atlântica. 

Levantamento da ONG realizado no final de maio em 35 estabelecimentos que vendem pescado em São Paulo mostrou que todos eles vendiam peixes no período de defeso, contrariando a regra do Ibama de não capturá-los. 

Além da lagosta, outras espécies a serem evitadas são o badejo, o aratu (caranguejo) e o cação --que é uma denominação genérica para as espécies de tubarão. 

O movimento "slow food", que surgiu na Itália na década de 1990 como uma respostas de pessoas ligadas à gastronomia contra a lógica do fast food reuniu, em um catálogo chamado "Arca do Gosto", alimentos de todo o mundo que precisam ser protegidos do desaparecimento. 

No total, são 1.066 ingredientes em 60 países. No Brasil, o levantamento traz 24 ingredientes ameaçados. 

As razões para o risco de extinção podem ser ecológicas, como o desmatamento que dizima determinada espécie vegetal, ou culturais --ingredientes ou práticas culinárias tradicionais que vão sendo esquecidos. 

"Queremos chamar a atenção para as espécies que estão desaparecendo e buscar alternativas, seja no incentivo aos produtores para que continuem com o cultivo daquele alimento, seja pela substituição na cozinha por outros alimentos que não estão ameaçados", diz Mariana Guimarães Weiler, coordenadora do movimento no país. 

Mas nem sempre a melhor estratégia para evitar a extinção de um alimento é deixar de consumi-lo. A chef de cozinha Claudia Mattos, do restaurante Espaço Zym, em São Paulo, trabalha no resgate de ingredientes bem brasileiros, como a castanha de baru, a farinha de babaçu e a taioba. 

"O princípio é consumir o ingrediente para assegurar a sobrevivência da espécie e das pessoas que a produzem", diz a chef.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Isso se chama justiça penal brasileira

Caso Eloá Pimentel -  Lindemberg tem pena reduzida pela Justiça 

UOL 

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decidiu nesta terça-feira (4/6) pela redução da pena de Lindemberg Alves de 98 anos de prisão para 39 anos e 3 meses em regime fechado e o pagamento de 16 dias-multa, no piso legal mantendo no mais a sentença de 1ª instância. 

A Procuradoria-Geral de Justiça se manifestou pelo não provimento da apelação. Durante a sessão de julgamento, o procurador de justiça reconheceu que a pena fixada ao réu ficou muito alta, mas que anulação do júri não se justifica: “em qualquer lugar do mundo, o resultado do júri seria a condenação porque o caso foi apreciado naquilo que o caso tinha ”, disse Roberto Tardeli. 

O provimento parcial ao recurso de apelação apresentado pela defesa foi votado por unanimidade. 

Alves foi condenado m 2012 pelo assassinato de sua ex-namorada, Eloá Pimentel, em Santo André, em 2008. A defesa ainda deve tentar recurso para anular o julgamento.

Escolas precárias

Opinião do Estadão 

Não haverá milagre que faça a educação brasileira dar o salto necessário para colocar o País entre os mais desenvolvidos do mundo se não forem superados os entraves básicos, a começar pela infraestrutura das escolas. 

O retrato de décadas de descaso, em que a construção de boas escolas não passou de mera promessa em sucessivas campanhas eleitorais, está num levantamento divulgado pelo movimento Todos pela Educação, segundo o qual 44,5% dessas unidades dispõem somente do mínimo para seu funcionamento, isto é, água, banheiro, energia, esgoto e cozinha. Não têm biblioteca, quadra de esportes e laboratório, itens considerados necessários para que o aprendizado se desenvolva de modo satisfatório. Apenas 0,6% dos estabelecimentos pesquisados têm estrutura completa. É um quadro desalentador. 

A pesquisa tomou como base o Censo Escolar de 2011. Naquele ano, estavam em funcionamento quase 195 mil escolas, cujos diretores responderam a um questionário a respeito dos recursos disponíveis nos estabelecimentos. A metodologia do estudo levou em conta que nem todas as escolas necessitam de determinados equipamentos ou espaços, como berçário. 

Com isso, foi feita uma escala de categorias de infraestrutura que considera as diferentes etapas de aprendizado. A categoria "elementar" é aquela do mínimo necessário. Já na categoria "básica", além de água e esgoto e energia elétrica, incluem-se aparelhos de TV e DVD, computadores, impressoras e sala da diretoria. O nível "adequado" demanda a presença de tudo isso mais acesso à internet, sala de professores, biblioteca e espaços para o desenvolvimento motor e o convívio social dos alunos. 

No último nível, o das escolas "avançadas", aparecem também laboratório de ciências e estrutura para atender alunos com necessidades especiais. Para os pesquisadores, esse é o cenário considerado "mais próximo do ideal" - e que é quase inexistente na rede educacional do País. 

O mérito dessa pesquisa é mostrar que a precariedade das escolas, tanto públicas quanto privadas, é um problema generalizado. Girlene Ribeiro de Jesus, da Universidade de Brasília, que participou do trabalho, disse que, por mais que esperassem resultados ruins, os pesquisadores se chocaram com a quantidade de escolas classificadas no nível "elementar". 

As diferenças regionais são ainda mais graves. Na Região Norte, 71% das 24 mil escolas têm infraestrutura apenas "elementar". No Nordeste, o porcentual é de 65,1%, enquanto no Sudeste é de 22,7%, no Sul é de 19,8% e no Centro-Oeste, de 17,6%. Mesmo nas regiões mais avançadas, a maioria das escolas encontra-se no nível "básico". No Sudeste, apenas 19,8% são consideradas "adequadas". 

Há também diferenças significativas quando se analisam as redes federal, estadual e municipal. No nível federal, a maioria das escolas (62,5%) são "adequadas" ou "avançadas". Já a maioria das escolas estaduais (51,3%) está na categoria "elementar", enquanto 62,8% das escolas municipais encontram-se nas categorias "elementar" e "básica". É na esfera municipal, aliás, que o problema parece mais acentuado, pois é nessa rede que se concentram quase 100% das escolas que estão mais próximas do piso da categoria "elementar". 

O estudo também confirma a percepção de que a precariedade estrutural das escolas é um problema bem mais acentuado no campo do que na cidade. Das escolas da zona rural, 85,2% estão no nível "elementar", ante 18,3% nas áreas urbanas. Mesmo as escolas particulares - muitas das quais são apenas caça-níqueis espalhados pelo País - apresentam graves problemas. Nada menos que 72,3% desses estabelecimentos têm infraestrutura apenas "elementar" ou "básica". 

No momento em que se discute qual porcentual do PIB deve ser destinado à educação, é importante ter em conta quais são as reais prioridades para que se alcance a tão almejada revolução educacional - e é evidente que as condições materiais das escolas desempenham nela um papel crucial.

Para os matogrossenses a BR-163 já nasce morta

 José Ibanês (*)

"Teles Pires-Tapajós Hidrovia Já”. Esse é o lema de uma campanha desenvolvida por entidades empresariais da região Norte do Mato Grosso que pede a imediata viabilização da hidrovia ligando aquele estado ao Pará. 

Além disso, o município de Lucas do Rio Verde, um dos maiores produtores de grãos daquela região, aguarda com ansiedade o início das obras da Ferrovia de Integração Centro-oeste {FICO}, a chamada Ferrovia da Soja, que terá o maior terminal ferroviário da América Latina naquela cidade e de onde sairá uma perna em direção a Santarém. 

Essas são as principais alternativas que os produtores de grãos do Mato Grosso perseguem hoje em busca de saída para escoar a produção daquele estado que este ano está alcançando em torno de 40 milhões de toneladas de soja, milho, sorgo, milheto, girassol e outros. 

Tudo isso porque o tão sonhado asfaltamento da BR-163, a primeira saída para o Norte, previsto para estar pronto até o final do ano que vem, está com 40 anos atrasado. 

“Para nós, a BR-163 é um projeto natimorto, que servirá muito mais para ser usado socialmente do que para exportação de grãos”, disse o vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antonio Galvan, durante reunião preparatória do Seminário de Integração do Corredor BR-163, que será realizado em Santarém nos dias 4 e 5 de julho próximo. 

Para ele, mesmo que o asfaltamento seja completado até 2014 como promete o governo, a rodovia não conseguirá atender a demanda de transporte para o escoamento da produção mato-grossense por Santarém e por Miritituba. 

Para transportar os produtos agrícolas do Mato Grosso seria necessário um tráfego intenso de quase 600 carretas {bi trens} por dia, num vai-e-vem frenético sobre o leito da rodovia. Entretanto, diversos trechos da estrada que receberam asfalto estão cheios de buracos e em outros , o próprio leito da estrada não suporta o peso das carretas. 

Conforme previsões do Sindicato Rural de Sinop, até 2015, a produção do Mato Grosso deve aumentar para 50 milhões de toneladas de grãos, chegando a 100 milhões dentro de 10 anos. 

“Então, só haverá concorrência de frete quando houver o modal completo {estrada, hidrovia e ferrovia}”, disse Galvan, acrescentando que a BR-163 é uma dívida social do governo que “ajuda um pouquinho”. Para o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Leonildo Barez, embora a BR-163 chegue deficitária, os produtores do Mato Grosso precisam dela, “pois continuamos imprensados, sem saídas para a exportação”. Ele defende não se pode parar com as outras alternativas.

(*) Jornalista e morador em Santarém (PA)

O militante imaginário

Arnaldo Jabor (*) para O Estado de S.Paulo 

O Brasil está infestado de 'militantes imaginários'. Mas, o que é um "militante imaginário"? (Ouvi essa expressão do José Arthur Gianotti - na mosca. Já escrevi sobre isso e volto). O militante imaginário (MI) é encontrado em universidades, igrejas, conventos, jornais, bares. O militante imaginário é um revolucionário que não faz nada pelo bem do povo; ele se julga em ação, só que não se mexe. A revolução imaginária não tem armas, nem sangue, nem dificuldades estratégicas, nem soldados. Trata-se apenas de um desejo ou de ignorantes ou de pequenos burgueses que sonham com uma vitória sem lutas. É uma florescência romântica, poética que nos espera numa 'parusia' (Google, gente boa) ao fim da história. 

O militante imaginário precisa de algo que ilumine sua vida, uma fé, como os evangélicos - o 'bem' de um futuro, o bem de uma sigla, de um slogan. Pensando assim, tudo lhe é permitido e perdoado. "Sou de esquerda" - berra o publicitário, o agiota, o lobista. É tão prático... O grande poeta Ferreira Gullar, ex-exilado, perseguido na ditadura, foi dar uma palestra na USP e ficou perplexo com a obviedade ideológica dos jovens, como se estivéssemos ainda na chegada de Fidel a Havana. Tudo comuna. Ser 'de esquerda' dá um charme extra a ignorantes de política. Não há mais esquerda e direita; certo seria falar em 'progressistas e reacionários'. Com essa dualidade antiga, o PT é 'de direita'. Mas o MI não quer saber disso - continua sonhando com o surgimento mágico de Lula, com seu dedinho cortado. 

A revolução do imaginário militante é uma herança modernista que ficou, desde a coragem de barbudos de Cuba, dos Panteras Negras, dos vietcongues. Nós, no Brasil, amantes do gesto abstrato, inventamos a "revolução cordial". Preferimos o mundo da teoria. A realidade atrapalha, com suas vielas, esgotos e becos sem saída. Bem ou mal, um militante do PT trabalha, luta por seus ideais delirantes. Mas o militante imaginário é o revolucionário que não gosta de acordar cedo. É muito chato ir para a porta da fabrica panfletar. Militantes imaginários espalham-se pelo país torcendo por uma 'esquerda' como por um time. Isso garante-lhes um charme de revolta, de serem 'contra o Sistema'. Os jovens por exemplo preferem o maniqueísmo de uma 'esquerda' que desconhecem às complicadas equações para entender o mundo atual. (A propósito, não percam na internet o manifesto a favor da Coreia do Norte no site do PC do B. É caso de hospício). 


O militante imaginário é uma variante do "patrulheiro ideológico". Só que o patrulheiro vigia a liberdade dos outros. O militante imaginário só pensa em si - para ele, todos somos burgueses, malvados, contra o bem. Ele nem nos dá a esmola de uma crítica. Ele sorri de nossos argumentos, olhando-nos, superior, complacente com nossa 'alienação'. 

Tão pensando o que? Não temos leitos nos hospitais mas temos o Itaquerão ...

58% dos hospitais públicos de SP têm macas nos corredores, diz Cremesp 

Folha de São Paulo 

Macas nos corredores, dificuldade para transferir pacientes, equipes médicas incompletas e falta de materiais básicos. Esse foi o cenário encontrado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina de SP) na maioria dos prontos-socorros públicos vistoriados pelo órgão no Estado. 

Uma força-tarefa do conselho visitou no começo do ano 71 hospitais em São Paulo, geridos por municípios, Estado, entidades filantrópicas (como Santas Casas) e entidades privadas conveniadas (como Organizações Sociais) e detectou que 58% deles tinha macas nos corredores. 

Segundo os conselheiros, durante a visita foi detectada a existência de pacientes que já esperavam havia dias nessa situação. "A superlotação dos hospitais leva as pessoas a ficarem até cinco dias em uma maca no corredor", afirmou Renato Azevedo Júnior, presidente do conselho. 

O problema mais comum, no entanto, foi a dificuldade de encaminhar pacientes para serviços de referência (hospitais mais especializados), o que é importante, principalmente para casos mais graves. Isso foi verificado em seis de cada dez hospitais visitados.

As visitas, feitas entre fevereiro e abril deste ano, também apontaram que em 59% das salas de emergência faltava algum tipo de material básico e que 28% dessas salas não têm estrutura adequada para o atendimento. Em cinco de cada dez hospitais não havia médicos chefes de plantão. 

Além disso, 32% dos prontos-socorros visitados não fazem classificação de risco, em que se prioriza os atendimentos mais graves. Desta forma, pacientes em situação mais crítica, que deveriam ser atendidos com urgência, acabam esperando mais tempo do que deveriam, diz o conselho. 

CAMPANHA 
Os dados vão subsidiar uma campanha que começa a ser feita nesta terça-feira (4) pelo Cremesp, com cartazes e inserções em rádios e emissoras de TV. 

O material pretende alertar a população e as autoridades para o problema dos prontos-socorros públicos no Estado, explicam os conselheiros. 

"É um grave problema de saúde pública, que diz respeito ao Ministério da Saúde, às prefeituras e ao Governo do Estado", afirma Azevedo. "O financiamento para a saúde pública não é adequado", diz.

Pena que Santarém não se interessa em produzir

Pirarucu  

Globo Rural 

Técnicas de desenvolvimento aprimoradas nos últimos anos levaram a um aumento na variedade de peixes aptos a viver em cativeiro. Também foi possível adaptar o manejo de criações a regiões diferentes dos locais de origem das espécies, ampliando as oportunidades de geração de renda com a atividade para produtores em todos os cantos do país. 

Típico dos rios que cortam a Amazônia, o pirarucu (Arapaima gigas) já alcançou outras moradas pelo território nacional. Há exemplares no Nordeste, Centro-oeste e em parte do Sudeste. O pescado ainda tem a seu favor a característica de se dar bem em águas com diferentes níveis de pH e concentração de sais minerais. Contudo, mesmo dotado de bexiga natatória altamente vascularizada, que é utilizada como pulmão, o pirarucu necessita de água com bom teor de oxigênio para não ter seu crescimento prejudicado. 

Projetos de criação do peixe realizados pela Seagro (Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) do Tocantins em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) registraram bons resultados, indicando ser essa uma atividade promissora. Também conhecido como piraruco, pirosca e, quando jovem, bodeco, o pirarucu pode crescer dez quilos em um ano e ter rendimento de até 57%, desempenho que pode ser convertido em lucros para o criador. 

O preço do quilo do filé de pirarucu no varejo paulista varia de R$ 15 a R$ 20. Na Amazônia, onde a produção local do pescado é mais elevada, o valor vai de R$ 5,50 a R$ 17. Além de carne sem espinhas, com boa textura e sabor agradável, o pirarucu oferece pele e escamas como produtos que podem ser usados na fabricação de roupas e acessórios. 

Um dos maiores peixes de água doce, o pirarucu pode ultrapassar 2 metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Gosta de viver em água calma e em rios de correnteza fraca. Pelas vantagens comerciais, o pirarucu tornou-se presa cobiçada pela pesca predatória, sendo a criação em cativeiro uma alternativa para manter os estoques da espécie. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um bando de incapazes, mas capazes de tudo

Duas semanas depois daquele sábado delirante, só se comprovou que o Brasil está sob o domínio de um bando de incapazes capazes de tudo 

Augusto Nunes (*) 

Incumbida de identificar os responsáveis pelo sábado espantoso, a Polícia Federal já desperdiçou duas semanas com investigações tão necessárias quanto o Ministério da Pesca. Alguns agentes gastaram tempo e verbas na perseguição à maquiavélica empresa de telemarketing que nunca existiu. Outros seguem interrogando beneficiários do Bolsa Família: querem saber por que sacaram antes da hora, mais precisamente no dia 18, o dinheiro depositado pela Caixa antes da hora – e colocado à disposição da freguesia pelo menos desde o dia 17. É como perguntar a uma vítima da seca por que bebeu mais cedo a água do carro-pipa que chegou mais cedo. 

Escalado para impedir o esclarecimento do episódio, José Eduardo Cardozo tem interpretado com muita aplicação o papel de Inspetor Clouseau que fala dilmês. “Não é um delito fácil de ser investigado por força da atuação difusa em todo o território nacional”, pontificou na primeira cena. Na segunda, ficou alguns segundos em silêncio de sábio chinês antes de deslumbrar os jornalistas com a mistura de concisão e sagacidade: “Nenhuma hipótese pode ser descartada”. 

Na terceira cena, Cardozo esvaziou o estoque de advérbios para emitir um parecer de sherloque doidão: “Evidentemente houve uma ação de muita sintonia em vários pontos do território nacional, o que pode ensejar a avaliação de que alguém quis fazer isso deliberadamente, planejadamente, articuladamente”. Numa única frase, quatro palavras terminadas em “mente”. Quatro rimas pobres para gente que mente. 

Se o governo efetivamente pretendesse desvendar a gestação da corrida aos guichês de pagamento da mesada, é na Caixa que a Polícia Federal estaria em ação. Se os homens da lei quiserem de fato enquadrar vilões, é lá que estão homiziados. A operação que terminou com um tiro no pé foi concebida e executada pelos diretores da instituição, todos nomeados ou mantidos no cargo por Dilma Rousseff. 

Os companheiros da Caixa teriam evitado a onda de saques e sobressaltos se tivessem guardado uma gota do oceano de publicidade enganosa para comunicar aos interessados que a distribuição dos donativos fora antecipada. Por motivos ainda ignorados, optaram pelo adjutório secreto. Na sexta-feira, alguns clientes do Bolsa Família descobriram que o dinheiro chegara antes da data aprazada. Transmitiram a boa notícia a parentes, amigos e vizinhos, que passaram adiante a informação. A coisa ganhou volume e o estouro da boiada aconteceu no dia seguinte. 

Buraco quente (sanduíche de carne moída)


Tempo de preparo: 30min 
Rendimento: 4 porções 

Ingredientes 
1 cebola pequena 
Sal 
1 ovo cozido 
Pimenta-do-reino 
1 dente de alho 
4 pães franceses 
300 g de carne moída 
2 colheres (sopa) de óleo 
10 azeitonas verdes 
2 tomates 
1 colher (sopa) de salsinha picada 
200 g de queijo prato 

Modo de Preparo 
Pique finamente a cebola, alho, azeitonas, salsinha e ovo cozido.
Reserve.
Rale o queijo na parte grossa do ralador.
Reserve. 
Retire as sementes e bata os tomates no liquidificador .
Coloque em uma frigideira o óleo e a carne moída 
Misture bem e leve ao fogo até que a carne esteja bem seca e levemente dourada Adicione a cebola e o alho e refogue-a até que esteja macia 
Coloque os tomates batidos, sal e pimenta-do-reino, cozinhe até que todos os líquidos se evaporem 
Acrescente as azeitonas, salsinha e ovo picado 
Retire do fogo e deixe esfriar levemente 
Acrescente o queijo ralado 
Reserve.
Corte a ponta de cada pão francês e retire o miolo com a ponta dos dedos 
Recheie cada pãozinho com o refogado de carne e tampe a abertura com o miolo reservado 
Leve ao forno pré-aquecido médio por cerca de 15 minutos 
Sirva bem quente

O Bolsa Família e a farra geral

Carlos Brickmann (*) 

No tumulto do Bolsa Família, a Caixa descobriu que 692 mil famílias têm dois cadastros e recebem dois auxílios (talvez seja por isso que, como disseram à TV, haja quem compre jeans de R$ 300 para a filha e pingue mensalmente algum na poupança). 

Custo do pagamento ilegal? R$ 100 milhões por mês. 

Eu, hem? 

A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, responsável pelo Bolsa Família, preferiu esquecer a confusão e manter suas férias na Disney. 

Bobagem: se é para conviver com ratos, João Bafodeonça, um Pateta e os Irmãos Metralha, e se divertir com nossa cara de patos, melhor seria ter ficado por aqui. 

Vai e volta: 

A ministra Tereza Campello volta amanhã. É essencial que esteja no país para acompanhar o rigoroso inquérito sobre o que ocorreu no Bolsa Família. 

A propósito, como já informou o ótimo escritor Luiz Fernando Veríssimo, rigoroso inquérito não é a mesma coisa que inquérito rigoroso: é exatamente o contrário. 

(*) Jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises

O problema das obras públicas no Brasil

João Augusto Ribeiro Nardes (*) 

Nos últimos dias temos visto nos jornais algumas declarações contendo críticas à atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) na fiscalização de obras públicas custeadas com recursos federais. Por motivos diversos, alega-se que o tribunal invade a área de atuação do gestor, impõe preços, paralisa obras, comete excessos na fiscalização, enfim, atrapalha o desenvolvimento das obras públicas e inibe o crescimento do País. A realidade, porém, é outra. 

O tribunal atua nos estritos limites estabelecidos na Constituição da República e nas leis do País, e tem a missão de controlar a administração pública de forma a contribuir para o seu aperfeiçoamento em benefício da sociedade. Em relação às obras públicas, a fiscalização do TCU busca garantir que sejam cumpridos parâmetros de custos definidos em lei, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), tais como o Sicro e o Sinapi. Esses parâmetros não são definidos pelo tribunal, mas por órgãos públicos, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Caixa Econômica Federal e o IBGE. 

O Sicro, sistema de custos rodoviários, existe há quase 40 anos e é submetido a permanente avaliação, enquanto o Sinapi é o sistema de preços da construção civil. Em campo, a fiscalização compara tais parâmetros com os orçamentos aprovados, de modo a evitar que ocorra desperdício de dinheiro público. O objetivo da atuação do tribunal é contribuir para que as obras sejam executadas regularmente, dentro do prazo e entregues à sociedade com qualidade e a preço justo. 

Para que se tenha uma ideia da efetividade desse esforço, somente no ano passado a atuação preventiva do TCU, com adoção de medidas cautelares, gerou uma economia de R$ 2,5 bilhões, dinheiro suficiente para a construção de mais de 60 mil casas populares. Como são muitos os órgãos e entidades responsáveis por obras públicas fiscalizadas pelo TCU, tomemos o exemplo do Dnit, encarregado das obras rodoviárias. 

Aviso aos cinquentões

Chegar aos 50 anos em boa forma física protege contra o câncer, diz estudo 

Folha de São Paulo 

Um novo estudo oferece mais um motivo para investir no condicionamento físico: diminuir o risco de câncer. 

Resultados de uma pesquisa com mais de 17 mil homens nos EUA apontam que quem tem um alto nível de condicionamento cardiovascular tem um risco menor de ter câncer e morrer da doença. 
O benefício independe do IMC (Índice de Massa Corporal), isto é, uma pessoa magra que não se exercite tem um risco maior de ter câncer do que uma pessoa acima do peso que faça atividades físicas, de acordo com o trabalho apresentado no encontro anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), em Chicago. 

Os resultados também levaram em conta tabagismo e idade. 
Outros estudos já haviam mostrado que o condicionamento físico é mais importante do que o peso para prevenir doenças. Um deles, publicado no ano passado no "European Heart Journal", concluiu que obesos considerados saudáveis após exames tiveram um risco 38% menor do que os não saudáveis de morrer por qualquer causa. 

Gordo ativo é tão saudável quando magro, dizem estudos 

Na nova pesquisa, os participantes fizeram um teste de esforço na esteira, usado para prever o risco cardiovascular, por volta dos 50 anos. 
Os pesquisadores seguiram os voluntários por cerca de 20 anos para ver quem desenvolveria câncer color retal, de pulmão e próstata. 

Nesse período, 2.885 homens receberam o diagnostico desses tumores --347 morreram da doença e outros 159 morreram de problemas cardiovasculares. 
Ao ligar os dados do teste de esforço com o diagnóstico de câncer, os pesquisadores concluíram que os participantes com maior nível de condicionamento tinham um risco 68% menor de ter câncer de pulmão e 38% menor de ter câncer color retal do que os mais sedentários. 

Não houve diferença no risco de desenvolver a doença na próstata. 
Entre os que tiveram câncer, o bom condicionamento físico foi ligado a um risco menor de morte. 

Para o oncologista Fábio Kater, responsável pelo centro de oncologia clínica do Hospital 9 de Julho e que participa da conferência, já se tinha uma ideia de que o exercício poderia ter esse efeito protetor --um estudo já havia mostrado que, entre as mulheres, o exercício ajuda a prevenir contra o câncer de mama. 

"A pesquisa tem um peso grande pelo tamanho da amostra e tempo de seguimento. Mudanças no estilo de vida podem ter um grande impacto a longo prazo." 

Ainda é preciso investigar as razões por trás dessa ligação. A oncologista clínica Veridiana Pires de Camargo, do Hospital Sírio-Libanês, afirma que algumas hipóteses são a redução da inflamação e da gordura, a melhora da imunidade e até a liberação de endorfinas por causa dos e exercícios. 

Com aval da União, dívida externa dos Estados avança

Folha de São Paulo 

Graças ao aval do Ministério da Fazenda, os governos estaduais têm tomado volume inédito de empréstimos no exterior, a despeito de obstáculos legais ao aumento do endividamento público. 

Com o impulso de interesses políticos e econômicos na expansão das obras públicas, a dívida externa estadual teve um salto de mais de 50% em apenas um ano. 
O montante passou de US$ 12,5 bilhões, em abril do ano passado, para US$ 19 bilhões no mês retrasado. Medida em moeda nacional, a dívida, que não chegava a R$ 20 bilhões no início do governo Dilma Rousseff, hoje se aproxima dos R$ 40 bilhões. 

Trata-se do maior ritmo de alta desde o final dos anos 90, quando um colapso das finanças estaduais levou à criação da Lei de Responsabilidade Fiscal e ao monitoramento das operações de crédito pelo Tesouro Nacional. 

A atual safra de governadores desfruta de uma liberalidade para o endividamento impensável nas quatro administrações anteriores. 
Reação à paralisia econômica do país, o estímulo federal ao investimento desencadeou uma corrida suprapartidária por dólares e projetos de infraestrutura --que tende a ficar mais intensa com a aproximação das eleições do próximo ano. 

A Fazenda decidiu contornar uma restrição criada em 1997, segundo a qual a União só pode garantir empréstimos tomados por Estados cuja capacidade de pagamento seja classificada como "A" ou "B" em avaliação do Tesouro. 
A lei permite que, "em caráter excepcional", a União garanta empréstimos para Estados com nota "C" e "D" em caso de "projeto relevante para o governo federal" com garantias do tomador. Mas o excepcional virou regra. Da administração tucana de São Paulo à petista de Sergipe, Estados mais e menos endividados foram autorizados a tomar novos empréstimos no país e no exterior para objetivos variados. 

VITRINES  
O governador Geraldo Alckmin conseguiu, por exemplo, US$ 1,1 bilhão para obras do Rodoanel, mesmo com a nota "C" atribuída ao Estado. O Ceará de Cid Gomes (PSB), nota "D", obteve US$ 100 milhões para ações de apoio à agricultura familiar. 

Envolvido na organização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, o Rio elevou sua dívida externa de R$ 2 bilhões, no fim da primeira gestão de Sérgio Cabral (PMDB), para R$ 5,4 bilhões em 2012. 

Houve autorização de empréstimos até para o Rio Grande do Sul do petista Tarso Genro, único Estado cuja dívida total, interna e externa, ultrapassa o teto legal de 200% da receita anual. 

Como em todos os casos, o crédito foi aprovado sem dificuldade no Senado, que formalmente dá a última palavra. 
Contraída, na maior parte, em organismos como o Banco Mundial, a nova dívida externa estadual ainda pesa pouco nos orçamentos, com juros inferiores às taxas domésticas. 

No entanto, além da expansão acelerada, esse endividamento traz o risco ligado à variação do câmbio -ainda mais com a tendência atual de alta do dólar.