quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O silêncio de Lula

Marco Antonio Villa (*) para O Globo 

Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais. 

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. 
E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las. 

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. 
Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria. 

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas. 

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível. 

Lista com 5 milhões de senhas do Gmail é vazada

Link Estadão 

Uma lista com 5 milhões de senhas do Gmail foi vazada em um fórum russo de bitcoin, publicou o site americano Daily Dot. Segundo o texto, as senhas teriam sido obtidas por hackers a partir de serviços integrados à conta do Google (isto é, quando você usa sua conta do Google para se logar em um site ou app que não é do Google), e não necessariamente teria acontecido uma invasão ao Gmail. 

O Google, por sua vez, negou qualquer falha ou brecha de segurança em seus serviços, e declarou que a maioria das senhas está ultrapassada. De acordo com “tsvkit”, usuário do fórum que vazou as senhas, 60% delas ainda está ativa, afetando principalmente usuários dos EUA, da Espanha e da própria Rússia. 

Se você quer saber se a sua senha foi afetada pelos hackers russos, você pode usar a extensão IsLeaked junto ao seu Gmail. Caso não queira ter um aplicativo de terceiros vasculhando sua conta do Google, troque simplesmente a sua senha. 
Outra dica importante é adotar a verificação de dois passos nas suas contas, e tentar utilizar senhas diferentes para serviços e aplicações diferentes que você usa na rede. 

Como gerar senhas seguras 
Se você não faz ideia de como criar uma senha forte e segura (que não seja algo como ’123456′) muita atenção aos passos a seguir, com algumas dicas para gerar senhas seguras para emails, redes sociais, cadastros em sites e logins em sistemas corporativos. 

- Uma boa senha deve ser longa, e ter pelo menos oito caracteres. 
- Tente aumentar a complexidade de sua senha misturando letras maiúsculas e minúsculas, pontuação, símbolos e números. Quanto mais variedade, melhor.
- Mude suas senhas regularmente. Uma boa meta é trocar tudo de três em três meses. 
- Não use a mesma senha para vários serviços: hackers podem roubar senhas de sites inseguros e tentarem utilizá-las em sistemas melhor protegidos. 
- Evite usar palavras que estejam em dicionários, ou ao contrário, abreviações e caracteres em sequência (como “123456″ ou “qwerty”), e também informações pessoais que podem ser adivinhadas (como nome, aniversário ou passaporte).

O grande medo da CBF: Romário senador

O ex-governador biônico, apoiado pelos militares, precisa apoiar a ex-guerrilheira. Marin se agarra na candidatura Dilma por medo de Romário no ministério dos Esportes. O parceiro Aldo Rebelo continuar no cargo é muito melhor para a CBF… 

Cosme Rímoli (*) 

"Estou há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores. 

"Porque não se iludam, futebol é negócio, business, entretenimento e move rios de dinheiro. Nunca tive o apoio da presidenta do País, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do Governo Federal no nosso futebol. 

"O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. 

"São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa? 
"Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!" 

Essas foram as singelas declarações de Romário após o Brasil ser goleado pela Alemanha. 
O deputado federal mostrou o quanto não suporta Marin e Marco Polo del Nero. 
Como deputado federal, ele já incomodava a dupla. O Ibope mostrou ontem que ele é o grande favorito à primeira vaga como senador pelo Rio de Janeiro. 
Ele tem 44% de intenção dos votos contra 21% de César Maia. Eduardo Serra, 4%. Carlos Lupi tem 3%. 

Falta menos de um mês para a eleição. É praticamente impossível uma reviravolta no caminho de Romário ao Senado. Ele deverá ser grande personagem dessa eleição. 
Mas o que já é muito ruim para Marin e Marco Polo, pode ficar pior. Assessores de Marina Silva querem, se ela for presidente, um ministério forte, representativo. 
E com pessoas com conhecimento técnico, apelo popular. 
Para desgosto da cúpula da CBF, o cargo de ministro dos Esportes deve ser oferecido a Romário. 

Comissão Nacional da Verdade

Bellini Tavares de Lima Neto (*) 

“A Comissão Nacional da Verdade foi criada pela Lei 12528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. A CNV tem por finalidade apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. Conheça abaixo a lei que criou a Comissão da Verdade e outros documentos-base sobre o colegiado. 
Em dezembro de 2013, o mandato da CNV foi prorrogado até dezembro de 2014 pela medida provisória nº 632” 

Passando os olhos pela “internet” hoje, me deparei com a noticia que um militar se recusou a prestar depoimentos à Comissão da Verdade sob o argumento que não vai ajudar os inimigos. Nem é preciso dizer que choveram observações, por parte dos mentores e integrantes dessa comissão, repudiando a atitude do militar e argumentando que ele tem a obrigação de depor já que a referida comissão foi criada por lei. 

Minha curiosidade me levou, então, a procurar pelo fundamento legal da CNV como ela é chamada. Está ai em cima. Note-se que ela tem por função investigar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 a 05 de outubro de 1988. 
Não fui além de uma olhada superficial e, portanto, não tenho a menor ideia dos motivos que determinaram os parâmetros de tempo (setembro de 1946 a outubro de 1988). 

Minha primeira estranheza, no entanto, se prende ao fato de que o Brasil esteve sob o jugo da ditadura Vargas no período de 1930 a 1945. Durante esse período aconteceram incontáveis violações aos direitos humanos, mas, pelo jeito, aquele ditador recebeu as bênçãos da CNV. 

Em que pese não se admitir práticas de tortura em hipótese alguma, não é possível manter essa farsa por toda a eternidade. Quem viveu os chamados “anos de chumbo” sabe muito bem o que aconteceu naquele tempo. O golpe de 1964 não foi nada além de uma reação de uma parte da sociedade, sobretudo os senhores detentores do poder econômico, contra uma tentativa tresloucada de se transformar o Brasil numa nova Cuba, então recentemente dominada pelo autointitulado regime comunista de Fidel Castro e a hoje extinta URSS. É claro que os norte-americanos deram pesado suporte ao movimento já que tinham plenos interesses econômicos no Brasil. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Uma nova roubalheira

Os saqueadores da Petrobras assassinaram CPIs em vão: a roubalheira foi exumada pela Polícia Federal e por um juiz sem medo 

Augusto Nunes (*) 

“A Petrobras já está privatizada”, informa o título do post publicado em 10 de junho de 2010. Aparecem no texto, inspirado no surto de chiliques provocado pela criação de uma CPI incumbida de investigar a estatal, personagens que acabam de sair da caixa preta em poder do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Confira: 

O presidente Lula ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Depois de ter feito o possível para interromper a gestação, agora faz o possível para matá-la no berço. Baseado no critério do prontuário, entregou a Renan Calheiros o comando do grupo de extermínio montado para o justiçamento. O senador do PMDB alagoano, diplomado com louvor na escolinha que ensina a delinquir impunemente, é especialista no assassinato de qualquer coisa que ponha em risco o direito conferido aos congressistas leais ao Planalto de roubar sem sobressaltos. 

O presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Caprichando no palavrório que identifica os nacionalistas de galinheiro, qualificou de “inimigos da pátria” os partidários da devassa na empresa ─ o que promove automaticamente a defensores da nação em perigo os que tentam manter fechada a caixa preta. Gente como Renan Calheiros. Ou Ideli Salvatti. Ou Fernando Collor. Ou Romero Jucá, em aquecimento para encarnar o papel de relator que impede a coleta de relatos relevantes. 

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Governista seja qual for o governo, o agregado da Famiglia Sarney conhecido na Polícia Federal pela alcunha de Magro Velho alegou que iluminar os porões de uma empresa que é a cara do Brasil Maravilha espanta clientes, fornecedores e possíveis parceiros. Se conhecessem a folha corrida de Lobão, todos os clientes, fornecedores e possíveis parceiros já teriam saído em desabalada carreira das cercanias da Petrobrás e do gabinete do ministério. 

Os modernos pelegos ficaram muito irritados com a instauração da CPI da Petrobras. Jovens velhacos da UNE berraram que o petróleo é nosso para plateias insuficientes para eleger um vereador de grotão. Velhos velhacos da CUT garantiram que CPI gera desemprego para gente mais interessada no kit dupla sertaneja+pão com mortadela+tubaína. Vigaristas do PT, do PP e do PMDB lembraram aos sussurros que o petróleo é nosso, mas a eles compete a escolha dos diretores incumbidos de cuidar dos interesses dos padrinho, do partido e do país, nessa ordem. 

Tudo somado, e embora a CPI nem tenha ainda saído do papel, ficou mais difícil acusar os partidos de oposição, a elite golpista, os paulistas quatrocentões, os capitalistas selvagens e os loiros de olhos azuis de tramarem nas sombras a privatização da Petrobrás. 
A empresa já foi privatizada ─ sem licitação. O novo dono é o PT, que arrendou parte do latifúndio à base alugada. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

José Pastore: Baixa produtividade se combate com educação

BBC Brasil 

José Pastore
Ao longo de mais de quatro décadas de produção ininterrupta, o sociólogo José Pastore firmou-se como um dos maiores nomes das relações de trabalho, emprego e recursos humanos no Brasil. 

Pastore lecionou na Faculdade de Economia da USP, foi chefe da assessoria técnica do Ministério do Trabalho e fez parte do Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

Atualmente é presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP e escreve como articulista para o jornal "O Estado de São Paulo". 

Na entrevista a seguir, Pastore discorre sobre a baixa produtividade brasileira e possíveis soluções para o problema, um dos maiores gargalos da economia do país. 

BBC Brasil - Qual é a relação entre produtividade e economia? 
José Pastore - A relação entre produtividade e economia é direta e indireta. 
O impacto direto acontece quando um trabalho mal feito por causa da baixa qualificação resulta em um produto de má qualidade, que, por sua vez, perde preço no mercado ou até mesmo seu próprio mercado. Já o efeito indireto ocorre quando, por exemplo, a produtividade cai e o salário cresce. Isso cria um dilema para a empresa. Ou ela passa esse diferencial para os preços ou tira do lucro. Nos dois casos, há prejuízo para a economia.
No primeiro caso, porque gera inflação e no segundo porque reduz as taxas de investimento. 

BBC Brasil - Por que a produtividade do trabalhador brasileiro ainda é tão baixa? 
José Pastore - Há vários fatores que interferem na produtividade dos trabalhadores, como tecnologia, gestão e ambiente de trabalho. Mas a qualificação do trabalhador é, sem dúvida, um dos mais importantes. Essa qualificação é sustentada pela educação. 
A qualidade do ensino brasileiro ainda é muito precária quando comparada à dos países mais avançados. Aliado a problemas de tecnologia e gestão de empresas, o resultado final é um baixíssimo nível de produtividade e eficiência do nosso trabalhador, em média. 

BBC Brasil - A baixa produtividade explica o mau desempenho da economia brasileira nos últimos meses? 
José Pastore - A desaceleração é produto de uma série de distorções que temos na nossa economia. Temos um problema tributário muito sério, uma infraestrutura muito frágil, um sistema regulatório muito inseguro e um cipoal trabalhista que complica bastante a contratação do trabalho. Tudo isso interfere negativamente naquilo que é o resultado final de um ano de trabalho em uma economia. Mas a produtividade também pesa. 

BBC Brasil - O incentivo à formação técnica seria um dos meios para aumentar a nossa produtividade? 
José Pastore - Sim, mas não acredito que a solução esteja unicamente na formação técnica. A formação técnica só vai ter sucesso se a formação básica for de melhor qualidade. Não basta escola que venha adestrar porque não basta ser adestrado.
É preciso ser bem educado. Em última análise, o que nós precisamos na educação básica é de uma escola que seja capaz de ensinar às crianças não a passar no exame, mas a pensar. A criança que sabe pensar é um excelente aluno para a educação técnica. 
Aquele que não sabe, vai dar muito trabalho. 

BBC Brasil - O Pronatec é um dos maiores trunfos do atual governo. Qual é a sua avaliação sobre o programa? 
José Pastore - É um excelente programa; está muito bem estruturado. 
As metas são ousadas. Mas precisamos esperar um pouco mais para avaliar se a mecânica atual está gerando o resultado esperado.

BBC Brasil - A chave para melhorar a nossa produtividade seria, então, investir maciçamente na educação? 
José Pastore - Eu diria que a chave é investir maciçamente em boa educação. 
Tanto básica quanto secundária. É isso que faz a diferença. Hoje em dia, não se conta mais a eficiência econômica de um indivíduo pelo número de anos que ela passou na escola. 
O que conta mesmo é o que ela aprendeu durante o período escolar. 
Hoje, o mercado não busca o diploma, o currículo ou uma escola renomada, mas pessoas que saibam pensar adequadamente, que tenham bons textos e lógica de raciocínio, que sejam capazes de transformar informações em conhecimento prático, que saibam trabalhar em grupo, que conheçam bem a sua profissão. Tudo isso depende de uma educação básica e secundária de boa qualidade. 

BBC Brasil - Mas as escolas não parecem adaptadas a essa realidade. Como reverter esse cenário? 
José Pastore - Esse é o maior desafio do ensino moderno: acompanhar as mudanças tecnológicas e as mudanças no sistema produtivo. Mesmo os países avançados estão sendo desafiados em seus sistemas educacionais. Um estudo recente de dois pesquisadores ingleses mostrou que nos próximos oito a dez anos, quase 50% dos profissionais dos Estados Unidos perderão seus empregos por obsolescência, ou seja, serão atropelados por novas tecnologias. Essa questão é muito importante para nós porque o Brasil está no meio desse processo de transformação tecnológica. Do lado da escola, o que se busca hoje é um método de ensino diferente daquele convencional. Há que se buscar um método que seja realmente interessante à criança e ao adolescente, que utilize o mundo digital dos jovens. 

BBC Brasil - Qual seria o papel do governo nesse processo? 
José Pastore - O governo deveria valorizar mais a carreira do professor e do diretor de escola. Isso é fundamental. Sem um professor atualizado, que conheça a mente das crianças e dos adolescentes, que conheça as tecnologias educacionais que dão certo, não haverá solução de curto prazo. O Brasil tem um problema muito grave nessa área. 
Apenas 2% daqueles que se formam no Ensino Médio optam pela carreira do magistério. Isso é um desastre. E quando se analisa quem são esses indivíduos, chegamos a uma conclusão ainda mais triste. São aqueles que tiveram as piores notas no Ensino Médio. Acredito que o governo - junto com a mídia, escolas e empresas - deveria fazer uma campanha muito sólida e de longa duração para valorizar o professor e o diretor.
É claro que, em paralelo, seria preciso também tomar medidas concretas de remuneração, de gratificação por mérito, de treinamentos, de atualização tecnológica e pedagógica. Trata-se de um programa tão importante quanto qualquer outro para acelerar o nosso PIB. 

BBC Brasil - Mas a educação foi sucateada no Brasil durante anos. Ainda é possível correr atrás do tempo perdido? 
José Pastore - Esse dilema não existe. Não existe alternativa senão correr atrás do tempo perdido. Até porque nossos concorrentes não vão ficar esperando o Brasil desenvolver para depois vender seus produtos e seus serviços. A História mostra que alguns países conseguiram fazer isso. Quando terminou a 2ª Guerra Mundial, a Coreia do Sul tinha 80% da população analfabeta. O país estipulou uma meta: em 30 anos, todos deveriam ter, no mínimo, dez anos de escolaridade. E como essa meta foi alcançada? O governo deu início a uma grande 'cruzada' na sociedade. Foi feita uma divisão do trabalho. Ficou para o governo pagar os professores e atualizá-los constantemente. E coube à iniciativa privada construir laboratórios e atualizá-los constantemente. Depois de 30 anos, todos tinham não só dez anos de escolaridade, mas 12. Hoje, a Coreia do Sul é um país desenvolvido. 

BBC Brasil - A solução para a educação brasileira seria então uma parceria entre o setor público e a iniciativa privada? 
José Pastore - Acho que é mais do que isso. É uma parceria entre todos os entes da sociedade brasileira. Todo mundo tem de participar dessa cruzada. Trata-se de uma cruzada de várias dimensões. É preciso haver uma mobilização das famílias em favor de educar aqueles que não são educados, não apenas seus filhos, mas sua empregada doméstica e o funcionário de sua empresa. 

BBC Brasil - Mas essa proposta não é utópica demais? 
José Pastore - Não. A sociedade brasileira responde bem quando é adequadamente mobilizada. No ano 2001, tivemos uma grave crise de energia elétrica. O governo liderou uma cruzada de mobilização de todas as famílias brasileiras e as pessoas mudaram o comportamento, fizeram uma economia decisiva para o sucesso do programa. E depois que foi suspenso o racionamento, o comportamento econômico continuou por muito tempo. Pena que essa cruzada foi interrompida. A sociedade brasileira responde bem quando é mobilizada. Tenho muita fé nisso.

Cantor Miltinho, conhecido como Rei do Ritmo, morre aos 86 anos

UOL 

O cantor Milton Santos de Almeida, conhecido como Miltinho, morreu na noite de domingo (7), no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Um dos maiores intérpretes de samba do Brasil, Miltinho deu voz a sucessos como "Mulher de Trinta", "Leva Meu Samba" e "Palhaçada", na década de 1960. 

Ele estava internado desde julho no Hospital do Amparo, no Rio Comprido, zona norte do Rio, parar tratar o pulmão, quando não resistiu a uma parada cardíaca. 

Segundo sua filha, Sandra Vergara, o velório acontece na Capela 3 do Memorial do Carmo, na zona portuária. O corpo será cremado às 17h no mesmo local. 

Para lembrar uma música que bem pode ser o retrato fiel do que os brasileiros sentem hoje vendo o papel dos políticos em nosso País ... 

Palhaçada 
https://www.youtube.com/watch?v=1LfAsXHOwt8

O ultimo "A Grande Família"

Sete razões por que vamos sentir saudades de “A Grande Família” 

Mauricio Stycer (*)

É muito raro, em qualquer país, um programa de televisão permanecer no ar por 14 temporadas. Recriação de uma série apresentada entre 1972 e 75, “A Grande Família” estreou em março de 2001 e foi exibida, regularmente, até setembro de 2014. 
O último episódio, como se sabe, vai ao ar na próxima quinta-feira (11), na Globo. 
Listo abaixo alguns motivos pelos quais o público vai sentir saudades do programa. 

1. Alto nível: 
Você pode ter gostado mais de uma determinada temporada ou de outra, ter um ou outro episódio favorito, mas é preciso reconhecer que raras séries conseguiram manter um padrão de qualidade tão alto ao longo do tempo como “A Grande Família”. 
Mérito da equipe de roteiristas e diretores do programa, sempre ligado ao núcleo de Guel Arraes. 

2. O melhor pai: 
Nunca houve um chefe de família como Lineu Silva. 
Marido amoroso, pai compreensivo, sogro paciente, funcionário exemplar, amigo para todas as horas, o personagem de Marco Nanini encarna todas as qualidades possíveis em um único homem. É óbvio que não existe na vida real, mas é por isso mesmo que vai deixar tanta saudade. 

3. O pior genro: 
Agostinho Carrara deixa incontáveis lições de como ser o picareta mais simpático do planeta. Criado com requintes por Pedro Cardoso, inventou todo o tipo de malandragem, invariavelmente para se dar mal e ser socorrido pela sempre presente Maria Isabel (Guta Stresser). 

4. Galeria de tipos: 
Vai ser difícil se esquecer de Tuco (Lúcio Mauro Filho), o filho mais novo e mais perdido de Lineu e Nenê (Marieta Severo). Ou de Beiçola (Marcos Oliveira), o dono da pastelaria do bairro. Ou de Mendonça (Tonico Pereira), o chefe da repartição onde Lineu trabalhou por anos e era chamado de Lineuzinho. Ou ainda do impagável Paulão (Evandro Mesquita), o mecânico semi-analfabeto, mas genial, que se associa a Agostinho. 

5. Grande elenco: 
É possível classificar o elenco de “A Grande Família” em três categorias apenas: atores excelentes, muito bons e bons. É impressionante a qualidade dos profissionais que atuaram no seriado ao longo do tempo, tanto entre os protagonistas, quanto entre os atores que fizeram papéis secundários. Correndo o risco de cometer injustiças, menciono os meus favoritos: Marco Nanini, Pedro Cardoso, Marieta Severo, Tonico Pereira e Marcos Oliveira.  
6. Figurino: 
O visual adotado por Agostinho ao longo dos anos é um bom motivo para se lembrar de “A Grande Família”. Figurinista desde a segunda temporada, Cao Albuquerque merece créditos pelas principais e marcantes escolhas 

7. Música: Criada pela dupla Tom e Dito para a primeira versão do seriado, a canção de abertura sobreviveu muito bem ao tempo, com uma letra cheia de humor e malícia. Dudu Nobre cantou do início ao fim da 12ª temporada . Na penúltima, Ivete Sangalo interpretou a música e no último ano a tarefa coube a Zeca Pagodinho. “Pirraça pai, pirraça mãe, pirraça filha… Eu também sou da família, eu também quero pirraçar”. 

Adendo : Muitos leitores notaram – e reclamaram – a ausência de menção a Rogério Cardoso (1937-2003), o excelente ator e comediante, que interpretou Floriano (Seu Flor) nas primeiras temporadas. Falha minha. Fica aqui este registro adicional

(*) Jornalista é repórter e crítico da UOL

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O programa Mais Médicos aos olhos de Cuba

La Habana ha ganado 700 millones con su negocio de médicos semiesclavos en Brasil 

Diário de Cuba 

El régimen de La Habana ha ingresado más de 700 millones de dólares, desde agosto de 2013, en concepto de servicios médicos en Brasil, según un análisis del semanario británico The Economist. 

Unos 11.456 profesionales cubanos participan en el programa Más Médicos, organizado por Brasilia con la mediación de la Organización Panamericana de la Salud (OPS). 

Brasil paga a cada participante un salario de unos 4.500 dólares mensuales a través de la OPS, entidad que transfiere el dinero al gobierno cubano, después de cobrar una comisión administrativa del 5%. 

La Habana solo paga a los médicos un salario mensual de 1.245 dólares, y se embolsa el resto. 

El acuerdo ha sido fuertemente criticado por opositores y expertos de ambos países, debido a las condiciones de semiesclavitud que plantea. 

The Economist recuerda que Cuba cuenta con 440.000 profesionales de la salud, de los cuales alrededor de 50.000 prestan servicios en 66 países. La mitad, en Venezuela. 

"Los acuerdos con otros países son similares al de Brasil: los cubanos ganan menos que los médicos locales y el resto de su salario es transferido al gobierno cubano", indica el semanario. 

Actualmente, la venta de servicios en el extranjero es la mayor fuente de divisas de Cuba. En 2014, La Habana estima una recaudación de 8.200 millones de dólares. 

La Unidad de Inteligencia de The Economist aclara que la renovación del programa, por parte de Brasil, no cambia sus previsiones macroeconómicas sobre Cuba, "pero será un alivio para el Gobierno". 

TRADUÇÃO 
O regime de Havana já arrecadou mais de US $ 700 milhões, desde agosto de 2013, em serviços médicos, no Brasil, de acordo com uma análise do semanário britânico The Economist. 

Alguns 11.456 profissionais cubanos que participam do programa Mais Médicos, em Brasília, organizado pela mediação da Organização Panamericana de Saúde (OPAS). 

Brasil paga a cada participante um salário mensal de US $ 4.500 por entidade OPAS transferir o dinheiro para o governo cubano, após a cobrança de uma taxa administrativa de 5%. 

Havana só paga aos médicos um salário mensal de $ 1,245 e embolsou o resto. 

O acordo tem sido fortemente criticado por adversários e especialistas de ambos os países, devido às condições de semi-escravidão colocou. 

A Economist observa que Cuba tem 440 mil profissionais de saúde, dos quais cerca de 50 mil que servem em 66 países. Metade na Venezuela. 

"Os acordos com outros países são semelhantes à do Brasil: os cubanos ganham menos do que os médicos locais e do resto do seu salário é transferido para o governo cubano", o semanário. 

Atualmente, as vendas de serviços no exterior é a maior fonte de divisas de Cuba. 
Em 2014, Havana estima uma receita de 8.200 milhões. 

A Unidade de Inteligência de The Economist explica que a renovação do programa, no Brasil, não altera suas previsões macroeconómicas em Cuba ", mas será um alívio para o governo."

Qual Collor?

Desconstrução de Marina ou desconstrução da esperança na política? 

Celso Lungaretti (*) para o Congresso em Foco 


É simplesmente deplorável que petistas, começando por Dilma Rousseff, estejam desqualificando Marina Silva como o “Collor de saias”.
Nem mesmo a iminência da derrota justifica esta tentativa desesperada de enfiarem uma falácia, a marteladas, na cabeça dos cidadãos comuns. 

Para começo de conversa, qual Collor? O que era o inimigo nº 1 do PT em 1989 ou aquele que é o aliado nº 1 do PT em 2014? O que trombeteou o adultério e filha ilegítima do Lula, ou o que o Lula depois perdoou em nome da politicalha? O que antigamente era de direita e incomodava o PT, ou o que hoje é de direita e o PT não dá a mínima para isso? 

Depois, no que, afinal, Marina se assemelha ao Collor (e também ao Jânio Quadros)? Apenas em não dispor hoje de uma razoável bancada de sustentação para o seu provável governo. Mas ela se diferencia, entre outros pontos, por ter sempre pertencido ao campo da esquerda e defendido um projeto coletivo, enquanto os outros dois só podem ser considerados aventureiros de direita com projetos meramente pessoais. 

Se fôssemos levar em conta uma única semelhança, poderíamos também dizer que Dilma é a nova Eurico Gaspar Dutra ou Celso Pitta, dois postes que não seriam sequer eleitos síndicos de seus prédios, mas chegaram a presidente e a prefeito tão somente porque Getúlio Vargas e Paulo Maluf assim decidiram. Ou compará-la a Fernando Haddad, o outro sapo que o beijo do Lula transformou em príncipe. 

Mas é extremamente nefasto reduzirmos a campanha sucessória a uma batalha de tortas de lama ou a um torneio de chutes na virilha. Pois, para os militantes de esquerda, o que importa não é a vitória eleitoral a qualquer preço, mas sim o engajamento das massas no processo de transformação da sociedade.

Tal regressão aos métodos nazistas e stalinistas de difamação grosseira dos adversários produz um estrago muito maior do que o ganho objetivado pelos aprendizes de feiticeiro: faz os trabalhadores descrerem da política, passando a encará-la, cada vez mais, como um ninho de ratos ou uma pocilga fedorenta. Existimos para despertar neles a consciência do que são e do que poderiam ser, não para embotá-la ao sabor de conveniências eleitoreiras. 

Para a direita, ótimo! Ela quer mesmo é que os trabalhadores continuem céticos e desorganizados – incapazes, portanto, de assumirem seu papel de sujeitos da História (segundo Marx). 

Para nós, péssimo! Se os explorados perderem a fé na possibilidade de uma reviravolta, continuaremos conquistando governos e fingindo governar, mas jamais obteremos o poder que verdadeiramente almejamos, qual seja o de transformarmos radicalmente a sociedade, livrando-a da ganância capitalista. Para isto precisamos de seguidores mobilizados e dispostos à luta, não de eleitores que pressionam teclas a cada dois anos. 

(*) Jornalista, escritor e ex-preso político. Mantém o blog Náufrago da Utopia.

A fartura financeira e a falência institucional do esporte

José Cruz (*) 

Impressiona o contraste entre os recursos que abastecem o alto rendimento nacional – R$ 6 bilhões no último ciclo olímpico – e a miséria financeira e carência administrativa nas federações estaduais. 

Esse distanciamento se fortaleceu a partir de 2003, quando o então presidente Lula da Silva criou o Ministério do Esporte, gerenciado por ministros inexpressivos para o gigantismo dos problemas do setor. 

Os recursos públicos que abastecem os clubes de ponta do país – Sogipa, Pinheiros, Minas Tênis, e por aí vai – conflitam com os destinados às confederações, levantando dúvidas sobre a real missão dessas entidades. E nessa conjugação quem se dá muito mal são os clubes menores e federações estaduais, frágeis também administrativamente, que acabam perdendo seus expoentes para os que detêm o poder financeiro. 

Evasão 
Em Brasília, a evasão de judocas expõe essa realidade. A cada campeonato brasileiro, os melhores são convidados para vestir as cores de uma grande agremiação nacional. 
E lá vão eles, atraídos por vantagens – legais, é verdade – que aqui não têm. 

Por exemplo: a judoca Erika Miranda ganhou bronze no recente Mundial da Rússia. 
Ela é natural de Brasília, mas há seis anos luta pelo Minas Tênis. Ketleyn Quadros, bronze nos Jogos Olímpicos de Londres e Luciano Carvalho, com pódios internacionais, também são candangos, mas lutando por Minas Gerais. E assim ocorre no basquete, no vôlei, no atletismo etc, em poderosas agremiações Brasil afora. 

Futuro 
A discussão para se atualizar o sistema nacional de esporte é urgente.
O problema é que estamos a ano e meio dos Jogos Olímpicos, prioridade nacional. 
Mas não podemos fechar os olhos para a crise institucional efetiva, a partir da falta de estruturas administrativas na base, onde se pratica o esporte que revela o atleta. 

Dúvidas 
Além disso, não podemos afirmar que a Lei de Incentivo é instrumento de fortalecimento e valorização do esporte. Sete anos depois de sua criação, não temos avaliação rigorosa sobre o cumprimento de seus objetivos. 

E não há certeza de que a Bolsa Atleta seja paga para efetivos competidores, porque não se tem a elementar fiscalização na aplicação desses recursos a quem de direito. 
E não creio que o Conselho Nacional de Esportes se entusiasme com a necessidade de promover o debate pra mudanças radicais que se precisa. 

Terá o grupo “Atletas pelo Brasil” ânimo para centralizar o debate e levar ao futuro presidente da República um diagnóstico da realidade, sugerindo-lhe que se definam as indispensáveis competências do Estado e dos órgãos gestores? 

E o próximo governo honrará o artigo 217 da Constituição Federal, que determina aplicação de recursos públicos “prioritariamente no desporto educacional”, ao contrário do alto rendimento, como agora? 

Ironicamente, apesar da fartura financeira e do potencial de atletas de que dispomos o panorama institucional do nosso esporte é falido e com perspectivas desoladoras. 

(*) Jornalista e que cobre, em Brasília, as áreas de política, economia e legislação do esporte. Colunista da UOL

Transmarina e a “zelite”

Ruth de Aquino (*) 

"O problema do Brasil não é sua elite, mas a falta de elite. Não tenho preconceito contra a condição econômica e social de quem quer que seja. Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de combater a elite. Essa visão tacanha de combater as pessoas com rótulo. Precisamos fazer o debate envolvendo ideias, empresários, trabalhadores, juventudes, empreendedores sociais. Com pessoas de bem de todos os setores, honestas e competentes.” 

Essa resposta desconcertante de Marina Silva no debate da Band entre os candidatos à Presidência mostra que Dilma Rousseff e Aécio Neves terão de dar um duro danado para dinamitar – ou “desconstruir” – a rival. 

O Brasil do PT tem reforçado o maniqueísmo entre pobres e ricos, ou “proletariado” e “burguesia”, expressões caras da esquerda caviar-champanhe. Como se os pobres fossem todos bons, puros, generosos e vítimas – e os ricos fossem todos safados, cruéis, desnaturados e bandidos. Em nosso país, quem ganha mais de seis salários mínimos é rico. 

Nos últimos tempos, sobrou fel até para a classe média. Vimos com espanto o vídeo com o discurso histérico da filósofa da USP Marilena Chauí no ano passado. Era uma festa do PT para lançar o livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. 
“Odeio a classe média”, afirmou Chauí, sob aplausos, risos e “u-hus” da plateia. 
“A classe média é o atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante. Petulante, arrogante, terrorista.” 
Presente no palco, Lula ria e aplaudia a companheira radical petista, embora dificilmente concordasse. “A classe média é uma abominação política porque é fascista. É uma abominação ética porque é violenta”, afirmou Chauí, fundadora do PT e adepta da luta de classes. 

É uma luta que Marina considera antiquada e ruim para o país. 
Sua ideia de elite é outra: quem se sobressai no que faz, quem inspira e lidera. 
Neca Setubal, socióloga, educadora, autora de mais de dez livros, defensora do desenvolvimento sustentável e herdeira do banco Itaú, é o braço direito de Marina. 
Com seu discurso de união e um plano de governo de 244 páginas, costurado com Eduardo Campos, Marina ameaça tornar-se presidente do Brasil, segundo as pesquisas de intenção de voto. 

Ela não passa de uma amadora, diz Aécio Neves. Marina responde: “Melhor ser amador do sonho que profissional das escolhas erradas”. Ela faz uma campanha da mentira, afirma Dilma. “Mentira”, responde Marina, “é dizer que os adversários não estão comprometidos com políticas sociais”. 

Marina virou o sujeito da mudança. Colhe em sua rede indecisos, revoltados, idealistas, anarquistas e também aecistas e dilmistas. Isso não é elogio, só a constatação de um fato provado em pesquisas. Os “marineiros” são um caldeirão de eleitores de diversas ideologias, ou avessos a pregações ideológicas. Quando Marina diz que “a polarização PT-PSDB já deu o que tinha que dar”, ou que “o Brasil não precisa de um gerente, mas de um presidente com visão estratégica”, isso bate forte em milhões de brasileiros de todas as idades. 

Marina não tem resposta para uma enormidade de questões – entre elas, como a “nova política” poderá ser diferente da “velha política”, se concessões e alianças são essenciais para aprovar reformas, governar o país e transformar em realidade seus sonhos. 
Marina tem convicções pessoais que precisará reavaliar ou abandonar se quiser mesmo colocar o país nos trilhos do futuro, abraçar as novas famílias e os estudos de células-tronco. 

Mas seu discurso de grandes linhas, abstrato e utópico, empolga e atrai. 
Os adversários a ajudam. De um lado, temos o desfile chato, emburrado e claudicante de percentagens e estatísticas infladas. Do outro, um rosário sorridente de êxitos discutíveis em Minas Gerais. Nos Estados Unidos, Barack Obama ganhou uma eleição no discurso, na oratória, no simbolismo – não no preparo ou na experiência administrativa. 
Guardadas as proporções, Marina busca o mesmo. 

Nas redes sociais, a ascensão de Marina provocou uma campanha de ódio e ironias. 
Ela foi chamada de “segunda via do PSDB” – porque defendeu a estabilidade iniciada por Fernando Henrique Cardoso e porque os tucanos votariam nela, jamais em Dilma, num confronto direto. Chamaram Marina de “segunda via do PT” – porque defendeu a política de inclusão social de Lula. Traíra, oportunista e coisas piores. Fizeram uma montagem de seu rosto com o corpo nu da mulata Globeleza. Disseram que ela tem “cara de macaco”. Um show de racismo e de pânico. 

Os arautos à esquerda e à direita a chamam de “novo Collor” ou de “Jânio de saias”. 
A Transmarina, ao acolher a “zelite” do bem, veio para confundir. E incendiar uma eleição antes morna, entediante e previsível. 

(*) Jornalista e colunista da Revista Época

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

"Por que Marina?"

Cristovam Buarque (*) 

Porque o modelo do país dos últimos 20 anos se esgotou. Seus quatro pilares, que atravessaram os governos do PT e do PSDB coadjuvados pelo PMDB, entraram em fadiga. 

A democracia do fisiologismo, da falta de princípios e ética, do caos partidário, já não satisfaz e o povo mostrou isso nas ruas. 

A estabilidade monetária está ameaçada pelo descontrole nos gastos públicos e pela incerteza dos pacotes e da administração de preços. As transferências de renda não criaram portas de saída. 

O crescimento econômico se apequenou e não mudou a cara do PIB que continua baseado em bens primários. E porque ela trás confiança e esperança. 

Confiança de responsabilidade com a gestão econômica ao defender o Banco Central independente e o tripé da estabilidade fiscal. Certeza de que não haverá retrocesso nos avanços sociais, desde a transferências de renda enquanto forem necessárias, passando pelas cotas e os reajustes do salário mínimo acima da média dos salários. 

Esperança de uma nova forma de diálogo com os políticos. Embora isso possa trazer riscos em um quadro onde as lideranças se acostumaram em vender apoio de forma fisiológica e corrupta, não é mais possível adiar esta nova postura na gestão pública. 

Esperança na construção de mecanismos para libertar as populações pobres da necessidade de assistência. Assegurar que enquanto uma família precisar, receberá bolsas, mas o governo não descansará enquanto uma família ainda precisar delas. 

Esperança na possibilidade de uma inflexão no modelo de desenvolvimento em direção não apenas à retomada do crescimento, mas também na construção de um novo perfil para o PIB, reorientado para bens e serviços modernos de alta tecnologia, e com sustentabilidade ecológica. 

Convicção de que o vetor central para este novo tempo será a realização do sonho de Eduardo Campos resumido na frase que ele disse e repetia de que o Brasil só será um país como desejamos quando os filhos dos pobres estudarem nas mesmas escolas em que estudam os filhos dos ricos. 

(*) É professor da UnB e senador pelo PDT-DF

Afinal quem autoriza?

Liberada venda de inibidores de apetite vetados pela Anvisa 

O Globo 

Mazindol
O plenário do Senado derrubou, na noite desta terça-feira, resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proibia o uso de remédios para emagrecer produzidos com base nas substâncias anfepramona, femproporex e mazindol. 
A proposta também libera a venda de medicamentos que contenham a substância sibutramina, seus sais e isômeros, bem como intermediários. 

Em votação, os senadores aprovaram projeto de decreto legislativo que suspende a resolução nº 52, editada pela Anvisa. Como se trata de um decreto legislativo, a decisão entra em vigor no momento de sua publicação no Diário Oficial sem passar pelo crivo da sanção presidencial. 

O projeto para liberar o consumo de medicamentos proibidos pela Anvisa foi apresentado pelo deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela ex-senadora Marina Silva. 
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), recomendou à bancada do partido votar contra. Segundo o senador, o Senado cometeu uma temeridade ao liberar medicamentos proibidos com base em pareceres técnicos da Anvisa, instituição encarregada de fiscalizar a qualidade dos remédios comercializados no país. 

- Há um lobby pesado da indústria farmacêutica nisso aí - disse Humberto Costa. 

Ao GLOBO, a Anvisa reafirma estar “segura que tomou a melhor decisão técnica, com base em dados científicos. Estes dados apontam que os riscos de uso superam os benefícios e que elas podem causar mais danos do que a própria doença que pretendem tratar.”

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Prá que marchar?

Antenor Pereira Giovannini (*) 

Em 05/09/2009 rabisquei esse texto e que continua atual 5 anos depois.

Não há como não se abismar que em pleno 2014 continuamos fazendo com que crianças (algumas em idade de pré-escola) continuem a marchar pelas ruas de Santarém numa época do ano onde o calor é causticante. 

As escolas, sob orientação da secretaria municipal de educação, vão para as ruas levando seus alunos à partir das 07,00 horas para área de concentração e ali dezenas de escolas e centenas de alunos aguardam a chamada que muitas vezes ultrapassa a casa das 10,00 horas da manhã, para desfilarem por alguns metros passando por um palanque com as chamadas autoridades da cidade e retornarem para casa e dessa forma comemorarem a semana da Pátria . Sem qualquer sentido. 

Torna-se absurdo querer demonstrar civismo fazendo crianças marcharem na rua como se soldados fossem. 

Abaixo segue o antigo texto cujo teor continuo com a mesma convicção. 

Prá que marchar? 

No ano passado nessa mesma época fiz um rabisco com esse titulo que chegou a ser publicado e que espelha a minha opinião até hoje. 

Todos sabem que estou perto dos 61 anos e mesmo na minha infância e pré-adolescência quando os colégios que estudei participavam de tal atividade, sempre reagi de forma contrária, inclusive endossada pelo meu falecido pai, sob a ótica que marchar é para soldado. 

Não consigo visualizar até hoje que esses atos de estudantes marchando lhes mostrem a visão do que é patriotismo e principalmente civismo, os quais se tentam impor pelo toque de um tambor na maioria das vezes na mesma batida em tempo integral. 

Serei sempre da opinião que na semana de datas cívicas e importantes dentro da nossa História (não apenas no 7 de Setembro, mas também no 22 de Abril, no 15 de Novembro, principalmente por serem feriados nacionais) que as escolas dividissem as turmas por idades e realizassem internamente uma série de atividades com direito a prêmios, medalhas, notas, etc , tais como: Gincanas, Concurso de Música, Jornal Interno, Peça de teatro, Discussões entre professores, alunos e pais sobre Descobrimento, Liberdade, Independência, República, Hino Nacional, enfim tudo que envolva aquela data, obrigando um trabalho de estudo, envolvimento em grupo, leitura, montagem, conhecimento da ação, enfim uma série de atividades que obrigariam os estudantes a se envolverem diretamente no assunto comemorado e tendo um conhecimento muito mais apurado, do que simplesmente saírem às ruas marcharem para alguma autoridade da cidade, cantarem o hino e toquem o barco e até o próximo feriado nacional. 

(*) Aposentado e morado em São Paulo 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Paulistas preferem Marina, Alckmin e Serra

Diário de São Paulo 

O jornal Diário de S. Paulo encomendou uma pesquisa eleitoral que traz os números das intenções-de-voto dos paulistas para os cargos de Presidente da República, Governador do Estado de São Paulo e Senador pelo Estado de São Paulo. 

A pesquisa foi realizada entre os dias 27 e 28 de agosto, com 1279 eleitores. 
De acordo com os resultados, Marina Silva (PSB) aparece em primeiro lugar nas intenções-de-voto para presidente, com 37,6%. Em seguida, Dilma (PT) é a segunda mais votada, com 24,4%. E Aécio Neves (PSDB) vem logo atrás, com 21%. 

Já entre os candidatos a Governo de São Paulo, o mais votado é o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 49,6%, quase metade do total de votos. Skaf (PMDB) tem 19,1% das intenções, e Padilha (PT) aparece com apenas 4,5%.

No senado, os candidatos apontados como favoritos são José Serra (PSDB), com 33,8% e Eduardo Suplicy (PT), com 23,3%. 

Os dados completos da pesquisa poderão ser conferidos no jornal impresso de terça-feira (2).

Maminha recheada com cebolinhas carameladas

Ingredientes 
4 dentes de alho amassados 
1 folha de louro 
2 colheres (sopa) de mostarda 
Sal e pimenta-do-reino a gosto 
1 xícara de vinho branco seco 
1 peça de maminha de 1,5 kg 

Recheio: 
1 gomo de linguiça calabresa 
100 g de queijo provolone em peça 
10 azeitonas verdes sem caroço 
1 cebola pequena picada
2 colheres (sopa) de margarina 

Cebolinhas carameladas: 
1 e 1⁄2 xícara de açúcar 
1⁄2 xícara de mel 
300 g de cebola pérola sem casca 

Modo de fazer 
1. Em uma vasilha grande, misture o alho,o louro, a mostarda, o sal, a pimenta e o vinho. Coloque a carne na vasilha e deixe-a nesse tempero por cerca de 3 horas. 
Depois, escorra a maminha e, com uma faca afiada, faça um furo largo no centro, no sentido do comprimento. Reserve. 

2. Corte a calabresa e o provolone em pedaços grandes. Introduza alternadamente pedaços de calabresa, provolone, azeitonas e cebola picada no interior da maminha. 
Feche o orifício com auxílio de palitos e linha grossa. 

3. Acomode a carne numa assadeira forrada com papel-alumínio e besunte-a com a margarina. Cubra-a com o papel-alumínio e leve ao forno preaquecido a 180 °C por 1h30. Passado esse tempo, destampe a assadeira e deixe a carne descoberta no forno até dourar. 

4. Prepare a cebolinha caramelada: coloque o açúcar numa frigideira e deixe derreter em fogo médio (cerca de 3 minutos). Adicione o mel, mexa e desligue o fogo. Junte as cebolas inteiras e misture-as delicadamente na calda. 

5. Coloque a maminha numa travessa acompanhada pelas cebolas carameladas. 
Sirva em seguida. 

Dica do iTodas: 
Você pode colocar batatas cortadas ao meio para assar junto com a carne. 
Ela pode ser temperada no mesmo molho da carne, mas apenas na hora de ir ao forno. Como a batata "puxa" o sal, não deve ficar temperada com antecedência, por correr o risco de salgar demais. Caso queira, aumente um pouco a quantidade do tempero da carne para sobrar para as batatas e ter um prato mais suculento. 

Receita extraída "O grande livro da Palmirinha" (Ed. Alaúde)

domingo, 31 de agosto de 2014

E tem gente que jura que esse País é sério

Após 45 dias, governo não sabe quanto gastou na Copa, nem perda ou ganho 

Rodrigo Mattos (*) 

Antes e depois da sua realização, a Copa-2014 foi exaltada pelo governo federal por um suposto impacto econômico positivo no Mundial. Nesta sexta-feira, a presidente da República, Dilma Roussef, responsabilizou o Mundial pelo PIB reduzido no segundo trimestre do ano. Fica claro que o governo não sabe se o evento representou perda ou ganho. Pior, sequer tem noção de quanto gastou no evento, conta que só deve ser conhecida em outubro. 

Vamos aos números. A matriz de responsabilidades do governo para o Mundial mostra uma estimativa de gasto de R$ 25,6 bilhões com todos os projetos do Mundial.
Era uma queda em relação ao valor inicial previsto (R$ 33 bilhões) porque vários dos projetos não ficaram prontos e foram excluídos. 

Bem, o problema é que essa conta é de setembro de 2013, isto é, há quase um ano. 
Desde então, o Ministério do Esporte tem prometido uma atualização nos números, mas retarda o fechamento da conta que deveria acontecer logo após a competição. 

“Ficou para outubro porque estamos esperando os retornos de todos os municípios e Estados sobre as obras da Copa'', afirmou o secretário-executivo do ministério, Luis Fernandes, ao blog. Ele informou que ainda não sabe nem estimar quanto que o número vai subir ou descer. Mas deu indicação de que não deve incluir novos itens, apenas revisar os antigos. 

A única exceção são as instalações provisórias para os estádios da Copa, que devem girar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. Mas o governo não incluirá as Fan Fest, que tiveram despesas dos governos para sua realização. 

Se a União não sabe quanto gastou, também demonstra não saber direito quais os efeitos do Mundial sobre a economia. Antes da Copa, o Ministério apresentava estudos de consultorias que indicavam um impacto entre R$ 135 bilhões e 142 bilhões no Brasil. 
Ou seja, haveria um acréscimo em torno de 0,3% no PIB nacional, considerado o número de 2013. 

Após o evento, o governo ainda divulgou que turistas gastaram R$ 3,6 bilhões no país nos meses de junho e julho. Mais, afirmou que empresas brasileiras fecharam negócios de R$ 13 bilhões com a competição. 

Na verdade, o país teve uma queda no PIB de 0,6% no segundo trimestre de 2014, o que caracteriza uma recessão justamente no semestre da Copa visto que foi a segunda retração econômica seguida. Ao explicar o fato, nesta sexta, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, viu impacto negativo do evento na economia por causa do excesso de feriados, tese corroborada pela presidente Dilma.

Segundo ele, os dez dias do país parado afetaram a atividade do país. “(Durante o evento) tivemos muito poucos dias úteis. A produção industrial caiu e o comércio cresceu pouco. De fato, não foi um bom resultado'', afirmou à “Folha de S. Paulo'' e ao UOL na semana passada. Antes do Mundial, ele previa que a competição seria positiva para comércio e serviços. 

Em resumo, 45 dias depois da final, o governo federal não sabe quanto gastou, nem quanto ganhou ou perdeu com a Copa. 

(*) Jornalista é colunista de esportes da UOL

sábado, 30 de agosto de 2014

O escancaro da pouca vergonha, da safadeza explícita

Renan faz acordo para elevar remuneração de juízes 

Congresso em foco 

 Presidente do Congresso se compromete com Lewandowski a acelerar votações que garantem aumento, gratificação e adicional para magistrados. Com mudanças, ministros do STF poderão receber até R$ 48 mil por mês. 

O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), se comprometeu com o presidente recém-eleito do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, a aprovar propostas que elevarão a remuneração dos ministros da corte para até cerca de R$ 50 mil. Pelo acordo, o plenário do Senado deve aprovar, na próxima semana, durante o chamado esforço concentrado, um adicional por tempo de serviço que pode aumentar em até 35% a remuneração de magistrados e integrantes do Ministério Público. A proposta de emenda constitucional (PEC 63/2013) já foi examinada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e precisa passar em dois turnos pelo plenário. 

Renan também prometeu se empenhar para que outros dois projetos de interesse dos juízes avancem na Câmara, presidida por seu companheiro de partido Henrique Eduardo Alves (RN). O primeiro deles pode ser aprovado pelos deputados também no esforço concentrado. Henrique incluiu na pauta do plenário proposta que cria a chamada gratificação de substituição para magistrados que acumularem funções por mais de três dias úteis. O benefício, incluído em outra proposição, foi vetado esta semana pela presidente Dilma. E pode engordar em até um terço o contracheque dos integrantes do Judiciário que atuarem, por exemplo, em mais de uma corte ou substituírem colegas em férias ou licença. 

Aumento no Supremo 
A terceira ponta do acordo costurado por Renan com os juízes é a aprovação do projeto que eleva, dos atuais R$ 29.462,25 para R$ 35.919, a remuneração dos ministros do Supremo – teto do funcionalismo público. Com efeito cascata para o restante da categoria, a proposta foi aprovada ontem (28) pelos ministros, que reivindicam um aumento de 22%. O texto começa a tramitar nos próximos dias na Câmara. 

Segundo o ministro Ricardo Lewandowski, os cálculos levaram em conta as perdas acumuladas entre 2009 a 2013 e a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo (IPC-A) para 2014. O aumento será proposto antes mesmo que o Congresso vote pedido de reajuste – fixando o subsídio de ministro do STF em R$ 30.658,42 – que o Supremo pretendia fazer valer a partir de janeiro de 2014. 

Além do teto 
Na prática, os dois novos benefícios permitirão que juízes, desembargadores e os próprios ministros dos tribunais ultrapassem o teto constitucional. Caso as propostas sejam aprovadas, um ministro do Supremo poderá receber, além dos R$ 35 mil de remuneração, até outros R$ 12.571,65 de adicional por tempo de serviço. Nesse caso, os vencimentos poderão chegar até a R$ 48.490,65. 

Integrantes das três principais entidades representativas da magistratura vão se reunir com parlamentares no Congresso, na próxima semana, para tentar convencê-los a aprovar as propostas que, segundo eles, pretendem recuperar perdas salariais acumuladas na última década. 

Deputados e senadores não devem criar dificuldades para o reajuste do Supremo. 
É que, a cada final de mandato, os parlamentares fixam a remuneração da legislatura seguinte. No final de 2010, por exemplo, eles igualaram os vencimentos dos congressistas que assumiram no início de 2011 aos dos ministros do Supremo. Caminho que deve ser repetido este ano. Atualmente, os congressistas recebem R$ 26.723,13 por mês, além de outros benefícios. 

Discriminação 
“A magistratura federal está preocupada com a forma discriminatória com que vem sendo tratada”, diz o presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Antônio César Bochenek. Na última terça (26), a presidente Dilma vetou artigo de uma lei que instituiu a gratificação por substituição para integrantes do Ministério Público. 
Durante a tramitação da proposta no Congresso, foi incluído um dispositivo que estendia o benefício aos juízes. Ao sancionar a nova lei, Dilma deixou o benefício restrito a promotores e procuradores. 

A presidente justificou que não havia previsão de recursos para a gratificação na lei orçamentária e que a Lei de Responsabilidade Fiscal impede a geração de despesa obrigatória de caráter continuado sem a estimativa de impacto orçamentário e financeiro e a demonstração da origem do dinheiro. 

Diante do veto, os magistrados retomam suas atenções para a aprovação do Projeto de Lei 7717/2014, que institui a gratificação para os juízes federais. O texto é o oitavo item da pauta do plenário da Câmara no esforço concentrado. Já a PEC 63, que aguarda votação no plenário no Senado, cria uma “parcela mensal de valorização por tempo de exercício” que se traduz num acréscimo equivalente a 5% do subsídio a cada cinco anos de efetivo exercício em atividade jurídica – até o máximo de 35%.

Disparidade salarial 
Para Bochenek, a gratificação e o adicional são necessários para evitar a “discriminação” e a disparidade salarial com o Ministério Público, contemplado com o primeiro benefício. Segundo ele, a Ajufe não ficou satisfeita com o reajuste proposto pelo Supremo.
Na avaliação da entidade, a remuneração dos juízes tem 30% de defasagem em relação a 2006, quando foi instituído o atual modelo de remuneração, sem os penduricalhos que havia antes. 

“A remuneração tem de ser digna e compatível com as funções de cada um. 
A magistratura tem uma grande responsabilidade funcional e social”, declarou o presidente da Ajufe ao Congresso em Foco. “Hoje um juiz recebe desde o início até o fim da carreira praticamente a mesma remuneração. É preciso haver estímulo até para não perdermos quadros”, acrescenta. 

Contrariedade
O aumento e a garantia de novos benefícios para os magistrados já provocam descontentamento em outras categorias que também reclamam da disparidade salarial. 
É o caso dos procuradores federais, ligados à Advocacia-Geral da União (AGU). 
“Como advogados públicos federais, também exercemos funções essenciais da Justiça. Mas estamos vinculados ao Executivo”, reclama o presidente da Associação Nacional dos Procuradores Federais (Anpaf), Rogério Filomeno Machado. 

Segundo ele, 20% dos aprovados no concurso para procurador federal desistem de tomar posse em razão do salário inicial, hoje em torno de R$ 16 mil. Bem abaixo dos cerca de R$ 25 mil iniciais pagos a promotores e juízes. “Deveríamos ter remuneração igual à da magistratura e à do Ministério Público”, defende Rogério.