sábado, 23 de fevereiro de 2013

A novela na vida real

Pacote com 115 metas contra tráfico internacional de pessoas 

O Globo 

Um crime difícil de ser constatado, de ser levado à Justiça e de ter seus responsáveis punidos. O tráfico de pessoas é um crime considerado invisível. 

O primeiro relatório com as informações sobre ele, do governo federal, revela que, entre 2005 e 2011, foram instaurados no Brasil 157 inquéritos por tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual.

Apenas 91 resultaram em processos. Nesse período, 381 pessoas foram indiciadas, mas 158, menos da metade, foram presas. O levantamento é da Secretaria Nacional de Justiça, vinculada ao Ministério da Justiça. 

Para tentar combater esse tipo de crime, o governo prepara um pacote ambicioso, com 115 metas, e vai publicar uma portaria na próxima segunda-feira detalhando essas ações. 

As medidas integram o II Plano de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Hoje, a legislação pune apenas o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. 

Não prevê punição para tráfico para fins de trabalho escravo, servidão, trabalho doméstico, remoção de órgãos, e de crianças para fins de mendicância. Pela proposta, essas modalidades passarão a ser tipificadas, a partir de projetos de lei enviados ao Congresso Nacional.

O que diria Jesus?

Zuenir Ventura (*) 

A revista “Visão”, de Portugal, fez uma enquete junto a personalidades da cultura e da política portuguesas para especular sobre o que Jesus diria se aqui voltasse. Com bom humor cristão, o romancista António Lobo Antunes desqualificou o trabalho: “Como voltar, se de cá ele nunca saiu?” 

Mas digamos que Ele tenha dado uma saidinha e que viria não ainda para julgar os vivos e os mortos, mas numa visita rápida para ver como estão as coisas. Não se trata de um exercício de adivinhação, e sim de hipóteses com base nos textos bíblicos, o que nos permite entrar no jogo também fazendo nossas simulações. 

Por exemplo, Cristo com certeza ficaria feliz de constatar que, em tempos de Twitter, nenhum líder tem tantos seguidores quanto Ele: de 2 a 3 bilhões. Por outro lado, em termos de qualidade, não ia ficar nada satisfeito com o que veria à direita e à esquerda, fora e dentro da igreja. A primeira decepção seria constatar que a sua pregação de paz e amor foi substituída pela violência urbana e pelas guerras praticadas em nome do Pai. 

E o que Ele diria da crise atual — econômica, financeira e moral — e da má distribuição da riqueza, contra a qual tanto pregou? Certamente se indignaria ao saber que o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia nos 49 países mais pobres do mundo duplicou nos últimos 30 anos, chegando a 307 milhões. 

E que, enquanto isso, as dez mais ricas têm mais dinheiro do que Suécia, Finlândia e cada um de outros 150 países. A concentração pode ter sido consequência de Sua parábola: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” Vai ver que, diante da anunciada dificuldade de entrar lá em cima, os ricos tenham preferido permanecer aqui no Reino da Terra, que é para eles um paraíso. 

O maior desgosto do nosso Salvador, porém, seria descobrir o risco de descer conclamando inocentemente — “Deixai vir a mim as criancinhas” — e ser mal interpretado, tendo em vista a onda de escândalos de pedofilia que atinge o clero. 

Imagina se a Sua chegada coincidisse com a divulgação esta semana do dossiê de 300 páginas elaborado a pedido do Papa por três cardeais e que é uma espécie de radiografia do Vaticano — uma antologia de escabrosos casos de corrupção, promiscuidade, desvio de dinheiro, escândalos sexuais, rede de prostituição homossexual. Chocado, Bento XVI teria desabafado afirmando que o seu sucessor deverá ser bastante “forte, santo e jovem para enfrentar o que o espera”. 

Tomara que Jesus interfira na escolha, em vez de, desiludido, repetir a velha piada: “Pare o mundo que quero descer.” 

(*) Jornalistra e escritor 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Não se governa de um palanque

Opinião do Estadão 
Uma das críticas recorrentes e mais contundentes que até notórios simpatizantes como Frei Betto fazem ao Partido dos Trabalhadores é a de que, após chegar ao Palácio do Planalto, em 2003, o partido passou a priorizar seu ambicioso projeto de perpetuação no poder, a ele condicionando o projeto de governo. Na última quarta-feira, na festa promovida para comemorar "o decênio que mudou o Brasil", Luiz Inácio Lula da Silva - o que é natural - e Dilma Rousseff - o que é lamentável - demonstraram acima de qualquer dúvida que estão mais preocupados com as urnas do que com a solução dos crescentes problemas do País. A festa, minuciosamente planejada pelo marqueteiro oficial dos petistas, João Santana, serviu de palanque para o lançamento, por Lula, da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, daqui a um ano e oito meses. E a presidente da República cumpriu disciplinadamente o papel que o roteiro da festa lhe reservava. Com um discurso populista e sectário, inadequado para quem não deixa de ser chefe de governo e de Estado nem mesmo num evento partidário, Dilma Rousseff sinalizou que daqui para a frente, até outubro de 2014, será sempre mais candidata do que presidente. 

Ao antecipar o calendário eleitoral e comunicar ao País que sua pupila vai disputar a reeleição, Lula demonstrou que, ao contrário do que seu tom triunfal sugere, sabe que a vitória em 2014 não são favas contadas, principalmente por conta das incertezas de uma conjuntura econômica que, se até recentemente era favorável, agora é uma grande incógnita no médio prazo. Por essa razão tentará o Partido dos Trabalhadores, o mais cedo possível, "tomar conta" da cena eleitoral e consolidar a imagem da presidente Dilma Rousseff com, mais uma vez, a irrecusável indicação do Grande Chefe. Em circunstâncias normais, esse seria um problema do Partido dos Trabalhadores, que os eleitores resolveriam nas urnas. 

Ocorre que quem está genuinamente preocupado com o futuro do País não pode deixar de constatar que o partido hegemônico no âmbito federal opta claramente por se aproveitar das dificuldades nacionais - que se acumularam nos últimos dois anos -, em vez de superá-las em benefício de todos os brasileiros.

Pois é isso que ocorre quando os programas governamentais passam a ser subordinados aos interesses eleitorais, sempre imediatos. Não se governa de cima do palanque. Buscar soluções para questões fundamentais no âmbito da educação, saúde, infraestrutura, segurança, etc., implica frequentemente a prescrição e a aplicação de remédios amargos que só rendem dividendos políticos a longo prazo, provavelmente muito depois da próxima eleição. A presidente Dilma faria muito melhor, portanto, se, em vez de vestir vermelho e recitar num palanque as frases de efeito que lhe são ditadas por seu marqueteiro, se dedicasse a governar bem, que é o que dela se espera. 

Mas na festança petista, realizada nas instalações de um hotel de São Paulo, os militantes em geral tinham mesmo muito o que comemorar, depois de 10 anos no poder, numa máquina estatal aparelhada como nunca antes na história deste país. Um aparelhamento, justiça seja feita, compartilhado com um enorme arco heterogêneo de alianças, devidamente representado no palanque por caciques partidários que iam desde os "faxinados" ex-ministros Carlos Lupi (PDT) e Alfredo Nascimento (PR) até o neodilmista Gilberto Kassab (PSD), saudado pela plateia com sonora vaia. Companhias, até para alguns petistas, um tanto indigestas. Mas, como explicou Lula, "ora, não é para casar!". 

A cereja do bolo servido na festa petista foi a participação de mensaleiros condenados pelos mais variados crimes: José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha. Foi-lhes estritamente recomendada uma participação discreta, o que os manteve fora do palanque, mas não os privou de efusivas manifestações de apreço e consideração. 

Enquanto isso, a oposição continua em obsequioso silêncio, quebrado pelo solitário discurso de críticas ao governo feito pelo senador Aécio Neves na tarde de quarta-feira. Foi pouco, muito pouco.

Namore um barrigudinho !

Carla Moura (*)

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! ... Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. 

É fria, vai por mim. 

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. 

Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais) , acabaram cultivando uma pancinha adorável. 
Esses, sim, são pra manter por perto. 

E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. 

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.

E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.
Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! 

Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. 

Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato.
Pelo contrário, ficará feliz. 

Outra coisa fundamental: Homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! 

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional. Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. 

E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz. 

CHEGA DE VIADAGEM! O mundo inteiro sabe que quem gosta de homem bonito são os viados. Mulher quer homem inteligente, carinhoso e boa praça. Chega de ter a consciência pesada após beber aquela cervejinha, ou aquele vinho, e comer aqueles petiscos.Passe a diante para todos os barrigudos e simpatizantes! 

(*) Psicóloga

Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender

Luís Fernando Veríssimo 

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa. 

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas. 

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance. 

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca. 

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida. 

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite. 

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria “reuniões”. 

8. Há uma linha muito tênue entre “hobby” e “doença mental”. 

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito. 

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. 

Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. 

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o AMOR existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!" 

Ameaça à produção de comida

Opinião do Estadão 

Uma velha praga volta a ameaçar a agricultura brasileira, pondo em risco a eficiência, o poder de competição e a liderança internacional conquistados em décadas de muito investimento e intensa modernização tecnológica. É a praga do intervencionismo primário, demagógico e orientado por objetivos políticos de curto prazo. 

Depois de comprometer a saúde financeira da Petrobrás e a produção de etanol com sua intromissão desastrada, o governo agora se prepara para mexer politicamente nos preços dos alimentos e desarranjar o agronegócio. O Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep), recém-criado por decreto presidencial, será o instrumento dessa lambança, a mais nova demonstração de voluntarismo da mal assessorada presidente Dilma Rousseff. O novo conselho usurpará funções até agora atribuídas à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e geralmente exercidas com eficiência quando subordinadas a critérios técnicos. Esses critérios serão obviamente postos em segundo ou terceiro plano, com a previsível politização das decisões. 

Só a intenção de politizar a formação e a administração de estoques de alimentos pode explicar a instituição do Ciep. Se a presidente da República estivesse apenas descontente com a ação técnica dos atuais dirigentes da Conab, poderia simplesmente substituí-los. Nem precisaria buscar muito longe pessoal para assumir as funções. Antigos e competentes funcionários da Conab permanecem no governo. Outros foram para a vida acadêmica ou empresarial. Não falta, no mercado, gente capacitada para dirigir empresas públicas desse tipo, conhecidas em vários dos grandes países produtores. 

Os preços agrícolas subiram no mercado internacional durante vários anos e essa tendência afetou também o mercado brasileiro. Apesar da elevação de preços, não houve nenhuma crise de suprimento no Brasil. 

Crises desse tipo foram muito frequentes quando havia controles de preços, porque a ação oficial dificultava a modernização produtiva. A liberação gradual do mercado, a racionalização da política e o forte investimento em pesquisa permitiram uma ampla mudança do quadro. As crises sumiram e a alimentação passou a pesar menos no custo de vida, liberando recursos para o consumo de outros produtos. Mesmo com a alta de preços dos últimos anos, o custo da comida, no Brasil, continuou sendo um dos mais baixos do mundo. /;/;/;/ Em países bem administrados, a variação de alguns custos, como o dos alimentos ou dos combustíveis, apenas altera a relação entre preços, sem pôr em movimento uma espiral inflacionária. No Brasil, a difusão dos aumentos foi favorecida por outros fatores, como a expansão do crédito, o estímulo ao consumo e a elevação dos salários bem acima dos ganhos de produtividade da economia. Mas o governo prefere desconhecer esses fatos evidentes, promover um corte de juros obviamente voluntarista e manter a gastança pública. /;/;/;/ Em vez de combater a inflação, o governo tem procurado conter os índices, controlando preços de combustíveis, cortando alguns impostos para baratear produtos selecionados e tentando administrar o câmbio. 

A Conab tem promovido frequentes vendas de estoques. Só de feijão, por exemplo, dez leilões foram programados entre 24 de janeiro e 22 de fevereiro. Alguns setores da indústria de alimentos poderão até apoiar maior intervencionismo, se isso resultar em maiores vendas de matérias-primas, como o milho. Mas isso será uma demonstração de visão curta. 

Uma boa política de estoques serve para a sustentação de preços, por meio das compras oficiais, e para a moderação das altas, por meio das vendas. Mas é preciso balizar toda intervenção pelo bom senso. Mexer no mercado para derrubar alguns preços selecionados é um jogo perigoso, tentado no Brasil, em outros tempos, com péssimos resultados. Seria insanidade ressuscitar a velha Sunab, a desastrosa Superintendência Nacional do Abastecimento. A presidente Dilma Rousseff deveria se lembrar disso. Não é necessária muita cultura econômica para entender esses fatos. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Vigor Alimentos compra 50% da Itambé por R$ 410 milhões

Folha de São Paulo 
 
A Vigor Alimentos comprou 50% da Itambé por R$ 410 milhões, divulgou nesta quinta-feira (21) a empresa. 

Pelo acordo assinado, a Vigor promete investir a quantia na Itambé Alimentos e a CCPR (Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais Ltda.), dona da marca, vai manter os 50% restantes da empresa. /;/;/;/ A conclusão da operação ainda está sujeita à aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). 

O investimento na Itambé vai acelerar a execução do plano estratégico da Vigor, segundo comunicado da empresa, incluindo a expansão para importantes mercados, como os de Minas Gerais e Rio de Janeiro. 
As regiões focadas são complementares às principais áreas de atuação da companhia --Estado de São Paulo-- e os produtos da Itambé contribuem para diversificar as categorias, como leite em pó, iogurtes e requeijões, disse a Vigor. 

Outro fator positivo, diz a empresa, é o acesso a um volume significativo de leite --3 milhões de toneladas por ano-- de alta qualidade para fomentar o crescimento dos negócios. A Itambé conta hoje com cinco fábricas, sendo quatro em Minas Gerais e uma em Goiás. 

Ela foi criada a partir dos ativos e passivos operacionais e contratos relacionados ao processamento, à distribuição, ao marketing e à comercialização de produtos lácteos e refrigerados da CCPR. 

Os processos operacionais e administrativos da Itambé continuarão independentes, informou a Vigor, e os resultados oriundos do investimento serão consolidados nas demonstrações financeiras da empresa. 

Afinal e o caso Rose, como é que fica? Ou não fica?

“Nós não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”, diz Lula na festa do PT. O que espera para quebrar o silêncio de 90 dias sobre o caso Rose? 

Augusto Nunes (*) 

 Diante de plateias amestradas, que ovacionam até ponto, vírgulas e reticências, ninguém é mais falante do que Lula. Cercado por devotos genuflexos, todos exibindo a cara deslumbrada de presidiário transferido sem escalas da cela para o set de um filme pornô, ninguém fabrica mais bravatas por minuto do que o ex-presidente. Reverenciado por bajuladores vocacionais, que começam a gargalhar antes do início da piada, ninguém é mais valente do que o inventor do Brasil Maravilha. Só havia gente assim na festa organizada pelo PT para celebrar os 10 anos da chegada ao poder. E o palanque ambulante sentiu-se como pinto no lixo. 

“Todas as coisas que eles pensaram em fazer nós fizemos melhor”, caprichou na abertura do cortejo de bazófias. “Eles”, como sabem os ouvintes castigados pela discurseira interminável, são Fernando Henrique Cardoso, a elite golpista, a mídia reacionária, os granfinos paulistas, os loiros de olhos azuis e todos os demais viventes que se negam a engrossar a seita lulopetista. “As coisas” são boas ideias do governo FHC prostituídas pelo Bolsa Família, o maior programa oficial de compra de votos do mundo. 

Em seguida, como faz desde 1976, o animador de comício desdenhou da oposição: “Eles estão inquietos, sem valores e sem propostas”. (De valores e propostas Lula entende, sobretudo quando envolvem contratos com a base alugada). Depois, atacou o senador Aécio Neves, gabou-se de eleger qualquer poste e, claro, criticou FHC ─ sem se atrever a soletrar em voz alta a sigla que está para o SuperLula como a kriptonita verde para o Super-Homem. “Vou dizer apenas que a resposta que o PT deve dar a eles ─ e eles podem se preparar, podem juntar quem quiserem ─ é a reeleição da presidente Dilma em 2014”. 

As salvas de palmas animaram campeão da gabolice a cruzar a fronteira da prudência. “Nós não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”, escorregou na areia movediça o recordista mundial de escândalos por mandato. Risonhos na plateia, os mensaleiros José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha aplaudiram com especial intensidade a ousadia do chefe. Mas os três sabem com quem estão lidando. É possível que Lula faça duas ou três visitas dominicais à cadeia que hospedará os companheiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Mas antes disso terá esquecido o que disse na festa do PT. 

Ele foge de comparações com FHC como o vampiro foge da claridade. Se não temesse o duelo penosamente desigual entre um homem que pensa e sabe e uma figura que pensa que sabe, teria topado em fevereiro de 2010 o debate imediatamente aceito por Fernando Henrique. À época, o ministro da Propaganda, Franklin Martins, informou que um presidente não poderia debater com um ex-presidente. Fora do gabinete há mais de dois anos, Lula segue refugando o convite ─ que será reapresentado pela coluna já nesta quinta-feira. 

É improvável que crie agora a coragem que faltou quando o Brasil ignorava a existência de Rosemary Noronha. Depois do escândalo protagonizado pela primeiríssima amiga, o medo certamente aumentou. A Polícia Federal revelou há 90 dias que o escritório da Presidência da República em São Paulo fora doado por Lula a uma quadrilheira juramentada. Faz 90 dias que o protetor de Rose e seus comparsas não abre a boca sobre o assunto. Nesta quarta-feira, ao propor que a comparação entre os governos do PT e do PSDB inclua a taxa de roubalheira, tornou obrigatória a incorporação à pauta de perguntas para as quais não tem resposta. 

Não lhe será difícil fugir outra vez do debate com FHC. Mas não conseguirá escapar da hora da verdade enquanto existirem jornalistas que não temem rosnados, prezam a independência e jamais renunciarão ao compromisso com a verdade.

(*) Jornalista e Ex-Diretor do Jornal do Brasil, do Jornal  Gazeta Mercantil e Revista Forbes. Atualmente na Revista Veja


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fora Renan !!!

Manifestantes entregam 1,6 milhão de assinaturas pela queda de Renan Calheiros 

O Globo 

Cerca de 25 manifestantes se reuniram em frente ao gramado do Senado nesta quarta-feira, com banners e faixas pedindo a saída do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) durante a entrega simbólica das 1,6 milhão de assinaturas coletadas na internet pelo impeachment do presidente da Casa. Cinco pessoas conseguiram entrar no Senado, para entregar a petição, e foram recebidos pelos senadores Pedro Simon (PMDB-RS), João Capiberibe (PSB-AP), Cristovam Buraque (PDT-DF), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Pedro Taques (PDT-MT) e o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). 

O diretor de campanhas da Avaaz (entidade que sediou a petição na internet), Pedro Abramovay, levou ao Senado 15 caixas de papelão com folhas representando as assinaturas dos civis que se manifestaram na internet pelo impeachment de Renan Calheiros. 

- Um milhão e seiscentas pessoas se manifestaram a partir de um gesto criado por um cidadão. Nós estamos aqui para o Senado ouvir essas vozes, que disseram que não é possível ter um presidente (do Senado) que tenha pesando sobre ele tantas acusações. Viemos também manifestar nossas indignações pelo voto secreto. Os senadores usaram o voto secreto para se esconder de seus eleitores - disse Abramovay. 

Cristovam Buarque, com a concordância dos demais parlamentares, afirmou que a manifestação não pode ser ignorada, e disse que será analisada a possibilidade de que sejam tomadas medidas jurídicas a partir da petição. 

- O Senado não tem o direito de virar as costas para isso. Podemos até dizer amanhã que não dá para ter um procedimento jurídico. Mas, não podemos ignorar. Se isso for feito, é capaz de surgir um novo movimento pedindo a renuncia de todos os senadores. 

Logo depois da entrega simbólica das assinaturas, os manifestantes disseram que iriam ao Supremo Tribunal Federal (STF) protocolar pedido para que a representação contra Calheiros seja analisada pelo ministro relator Ricardo Lewandowski em um “prazo razoável”. 

O senador Aloyzio Nunes destacou que a vitória de Calheiros foi viabilizada graças ao apoio do PT e da presidente Dilma Rousseff: 

- O PMDB não teria conseguido eleger Renan Calheiros sem que o PT e a presidente Dilma trabalhassem para isso. É preciso que as responsabilidades fiquem muito claras. 

Pobreza reina na área mais protegida do Pará

Estadão 

Se o desmatamento gera pobreza nas cidades e comunidades ao seu entorno, tampouco a conservação da floresta por si só tem conseguido garantir um quadro econômico melhor. A região mais preservada e protegida do Pará é também uma das mais pobres do Estado. É o que mostra um levantamento do instituto de pesquisa Imazon divulgado hoje e obtido com exclusividade pelo Estado. O trabalho identificou que os indicadores socioeconômicos da Calha Norte são inferiores aos da média do Estado e mostra que é preciso avançar muito em soluções que possibilitem um desenvolvimento sustentável aliado à floresta para que ela possa permanecer preservada. 

A região, localizada ao norte do Estado, à margem esquerda do Rio Amazonas, tem 27 milhões de hectares e abriga cerca de 321 mil pessoas. Remota, cortada por rios com vários trechos não navegáveis, acabou ficando fora do alcance do desenvolvimento e do arco do desmate. Até 2011, só 5% desse território havia sido desmatado, contra uma média de 20% do resto do Estado. 

Caso raro no Brasil, foi protegida pelos governos federal e estadual de modo preventivo. Hoje, 74% da área é composta por áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas). Mas a proteção e a riqueza de biodiversidade ainda não se traduziram em melhores condições de vida para a população. 

Em geral, o próprio Pará se encontra em situação mais precária que os outros Estados. 
O PIB per capita médio, de R$ 7.993 em 2008, de acordo com os últimos dados do IBGE, o deixava na 22.ª posição no ranking nacional. Menor do que a média para toda a Amazônia Legal (R$ 11.200). Já municípios da Calha Norte apresentaram média de R$ 6.155. 

Os indicadores sociais também são ruins, segundo o levantamento. 
Por exemplo: somente 11% dos domicílios da região têm saneamento adequado (IBGE, 2010). A média do Pará era de 19% e a da Amazônia Legal, 24%. O Índice Firjam de Desenvolvimento Municipal reforça o retrato. Numa classificação que vai de 0 (baixo estágio de desenvolvimento) a 1 (alto estágio), os municípios da Calha Norte ficaram, em média, com nota 0,533. As médias do Pará (0,628) e da Amazônia Legal (0,658) os colocam em desenvolvimento moderado. 

Antes do ‘boom-colapso’. 
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e um dos autores do estudo, a ocorrência de indicadores baixos era esperada pelas características da região: muito grande, muito afastada, com pouca gente. Mas é diferente de outras regiões do Pará que sofreram com o processo que ficou cunhado como "boom-colapso" - na onda do desmatamento, num primeiro momento ocorre um rápido e efêmero crescimento de renda e emprego, seguido depois de um colapso social, econômico e ambiental. 

"A Calha Norte é pobre, mas tem pouca violência, não tem miséria como vemos nas regiões devastadas pelo desmatamento. Os indicadores do Estado são superiores, mas porque estamos falando da média. Nesses locais eles são bem piores", diz. 

"Ao criarem áreas protegidas e chegarem na Calha Norte antes do problema, os governos federal e estadual tiveram uma visão estratégica. O desafio agora é como fazer com que essas amplas reservas tragam uma oportunidade e não um estorvo econômico para as populações", afirma. E agir rápido, com uma "estratégia de vacina", como definiu Veríssimo, para impedir que a região cometa os mesmos erros de outras e tenha o velho modelo econômico de desmatamento que só leva a mais pobreza. 

"A realidade é que a área se mantém preservada porque o desenvolvimento não chegou. Mas está começando. Linhas de transmissão estão sendo instaladas para levar energia até Manaus, os prefeitos querem empreendimentos", comenta Carlos Augusto de Alencar Pinheiro, gerente da regional de Santarém do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão das UCs federais. "Por isso a hora é de discutir qual seria o desenvolvimento adequado para a região." 

O estudo mostrou que a região não tem aptidão agrícola. A vocação é manter a floresta, que pode gerar renda com o manejo de madeira e outros produtos (como castanha e óleo de copaíba), e os serviços ambientais. Num primeiro momento, portanto, a atividade mais fácil a se investir é nas concessões florestais, que já começaram, mas ainda de modo discreto. Elas podem geram renda para as comunidades e para os municípios. 

Outra riqueza ainda ativa é a mineral, em especial a bauxita, com a qual se produz a alumina. Na vila de Porto Trombetas, no município de Oriximiná, a Mineração Rio do Norte atua desde o fim dos anos 1970. A Reserva Biológica do Rio Trombetas e posteriormente a Floresta Nacional Sacará-Taquera foram criadas em torno da área de exploração. Numa política que na época tinha mais a ver com a proteção do minério que do ambiente. Mas que acabou servindo para controlar a atividade e estabelecer as regras de recuperação do ambiente, de modo que hoje ela é "mais uma solução que um problema", como define Veríssimo. 

São os royalties da mineração, que vão para Oriximiná, que possibilitaram que a cidade seja a mais rica da região. Mesmo assim há problemas como falta de saneamento adequado - só 29% dos domicílios o têm. 

Em entrevista ao Estado, o vice-prefeito Antonio Odinélio (PV) se queixou da falta de repasse do governo federal, mas admitiu que de fato não se investiu na área. Seu grupo governa a cidade há oito anos.

Olha os transgênicos aíííí... geeenteeee!!!!!

Conheça 10 transgênicos que já estão na cadeia alimentar  

Fonte: BBC Brasil 

No final de dezembro passado, a agência que zela pela segurança alimentar nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou para consumo um tipo de salmão geneticamente modificado, reacendendo o debate sobre a segurança dos transgênicos e suas implicações éticas, econômicas sociais e políticas. 
É a primeira vez que um animal geneticamente modificado é aprovado para consumo humano. Mas muitos consumidores nos Estados Unidos, Europa e Brasil, regiões em que os organismos geneticamente modificados (OGMs) em questão de poucos anos avançaram em velocidade surpreendente dos laboratórios aos supermercados, passando por milhões de hectares de áreas cultiváveis, continuam desconfiados da ideia do homem cumprindo um papel supostamente reservado à natureza ou à evolução - e guardam na memória os efeitos nocivos, descobertos tarde demais, de "maravilhas" tecnológicas como o DDT e a talidomida. 

Boa parte do público ainda teme possíveis efeitos negativos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente. 

Pesquisas de opinião nos Estados Unidos e na Europa, entretanto, indicam que a resistência aos OGMs tem caído, refletindo, talvez, uma tendência de gradual mudança de posição da percepção pública. As principais academias de ciências do mundo e instituições como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são unânimes em dizer que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética realizada sob o controle dos atuais protocolos de segurança não representa risco maior do que técnicas agrícolas convencionais de cruzamento de plantas. O salmão transgênico, que pode chegar às mesas de jantar em 2014, será o primeiro animal geneticamente modificado (GM) consumido pelo homem. Vários produtos GM já estão nos supermercados, um fato que pode ter escapado a muitos consumidores - apesar da (discreta) rotulagem obrigatória, no Brasil e na UE, de produtos com até 1% de componentes transgênicos. 

A BBC Brasil preparou uma lista com 10 produtos e derivados que busca revelar como os transgênicos entraram, estão tentando ou mesmo falharam na tentativa de entrar na cadeia alimentar. 

Os donos do Senado

Marco Antonio Villa (*) 

A República brasileira nasceu sob a égide do coronelismo. O federalismo entregou aos mandões locais parcela considerável do poder que, no Império, era exercido diretamente da Corte. Isto explica a rápida consolidação do novo regime justamente onde não havia republicanos. Para os coronéis pouco importava se o Brasil era uma monarquia ou uma república. O que interessava era ter as mãos livres para poder controlar o poder local e exercê-lo de acordo com seus interesses. 

Mesmo durante as ditaduras do Estado Novo e militar, o poder local continuou forte, intocado. A centralização não chegou a afetar seus privilégios. Se não eram ouvidos nas decisões, também não foram prejudicados. E quando os regimes entraram em crise, na “nova ordem” lá estavam os coronéis. Foram, ao longo do tempo, se modernizando. Se adaptaram aos novos ventos econômicos e ao Estado criado a partir de 1930. 

O fim do regime militar, paradoxalmente, acabou dando nova vida aos coronéis. Eles entenderam que o Congresso Nacional seria ─ como está sendo nas últimas três décadas ─ o espaço privilegiado para obter vantagens, negociando seu apoio a qualquer tipo de governo, em troca da manutenção do controle local. Mais ainda, a ampliação do Estado e de seus recursos permitiu, como nunca, se locupletar com os bancos e empresas estatais, os recursos do orçamento federal e, mais recentemente, com os programas assistenciais. 

A modernização econômica e as transformações sociais não levaram a nenhuma alteração dos métodos coronelísticos. A essência ficou preservada. Se no começo da República queriam nomear o delegado da sua cidade, hoje almejam uma diretoria da Petrobras. A aparência tosca foi substituída por ternos bem cortados e por uma tentativa de refinamento ─ que, é importante lembrar, não atingiu os cabelos e suas ridículas tinturas, ora acaju, ora preto graúna. 

Recorde no Big Bosta Brasil

Com 75,8 milhões de votos, o paredão triplo desta noite (19) bateu o recorde do "BBB13".  

UOL 

O anúncio do recorde foi feito por Pedro Bial no início do programa. Eram 63 milhões de votos. Ao final do programa, o número já tinha batido os 75 milhões. Ivan foi eliminado, com 48% dos votos. Eliéser ficou com 44% e Kamilla com apenas 8%.

O maior recorde de votação da história do "Big Brother Brasil" foi na final da décima edição, quando Marcelo Dourado venceu. Com 154 milhões de votos, o "BBB10" quebrou o recorde mundial de maior votação em reality shows. 

Nota do Blog: Alguém já disse que os cientistas conseguiram descobrir que um pão francês tem mais miolo dos que os espectadores dessa imbecilidade televisiva. Gosto não se discute e sim questiona-se o que leva alguém a pagar, a sacar do próprio bolso um dinheiro, independente do valor, para que seja eliminado um candidato num programa de Tv e ainda desse nível? É impressionante. 75,8 milhões de votos ao custo de R$ 0,35 (com imposto) significam mais de R$ 26 milhões de reais em uma só noite. Certamente dinheiro rateado entre Embratel e Globo. Dr Draúzio Varela já fez questão de frisar se algo desse tipo fosse feito para pesquisa na cura do Mal de Alzheimer não haveriam mil ligações. Esse é o Brasil real. Do Big Bosta Brasil . De alguém que paga R$ 26 milhões de reais para eliminar um zé roela qualquer de um programa de tv. Difícil acreditar. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cheirando queimado

Coreia do Norte ameaça 'destruição final' da Coreia do Sul 

Coréia do Norte
Estadão 

A Coreia do Norte ameaçou a Coreia do Sul com uma "destruição final" durante debate da Conferência de Desarmamento da ONU, nesta terça-feira, 19, e alertou que pode tomar "segundo e terceiro passos" após um teste nuclear realizado na semana passada. 



"O comportamento errático da Coreia do Sul irá apenas anunciar a sua destruição final", disse o diplomata norte-coreano Jon Yong Ryong durante o encontro.

Migração em massa

100 mil golfinhos migrando juntos, algo inédito 

Blog Net 7 Mares (net7mares.gmail.com)
Migrações desse tipo geralmente são ocasionadas por atividade sísmica iminente, percebida pelos animais. Resumindo: alguma pereba sísmica oceânica de grande extensão pode estar a caminho. 

No final do texto, o link para o impressionante vídeo. 

Um grupo de mais de 100 mil golfinhos foi visto na costa de San Diego, Califórnia – EUA, fazendo um espetáculo no mínimo curioso para observadores da natureza. Estas belas criaturas costumam reunirem-se formando grupos de no máximo 200 animais, durante movimentos migratórios ou em busca de alimento, no entanto este grupo em deslocamento, realmente assusta pela quantidade, podendo indicar algum perigo na região, já que esta espécie é conhecida por sua percepção apurada e sensível. 

Golfinhos pressentem o perigo e qualquer mudança significativa em seu ambiente. Migrações em escala menor já foram observadas, nos anos de 2012 e 2011, entretanto nunca em tal número. Quando atividades anormais acontecem, entre espécies de mamíferos aquáticos, como baleias, orcas e golfinhos, já observados anteriormente, logo depois, aconteceram eventos sísmicos no leito do oceano ou outros fenômenos ligados a catástrofes naturais. As catástrofes artificiais, causadas pelo homem como vazamentos de petróleo ou gás em plataformas petrolíferas instaladas em alto mar, e as perfurações no leito do oceano, também já foram captados pelos golfinhos, e os fizeram reagir de forma semelhante. 

O que estariam percebendo estes belos e sensíveis moradores dos oceanos, deslocando-se de maneira desesperada, num grupo tão grande, que deixou até mesmo biólogos marinhos estarrecidos? Para uma espécie considerada inteligente e que interage com a natureza e suas forças, que tipo de evento está para acontecer, ou esta acontecendo, que está sendo decodificado por seus sensores extremamente sensíveis? 

Os sinais estão sendo enviados pela natureza e precisamos o mais breve possível decodificá-los e traduzi-los, para termos a chave do conhecimento para nos prevenirmos de eventos futuros. 

Golfinhos são animais que costumam formar grupos relativamente grandes, mas isto entre 15 a 200 membros no máximo. Neste caso em particular, segundo testemunha, “eles vinham de todas as direções. Você podia ver os golfinhos até onde sua visão podia alcançar”. 

De acordo com a NBC, o imenso grupo de golfinhos ocupava uma área do Pacífico com extensão de mais de 11 quilômetros. Biólogos ainda não têm uma explicação precisa para o fenômeno. As suspeitas apontam para um movimento migratório em massa. 

Assistam o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Yq7NRRDz_JM&feature=youtu.be 

Marketing rural

Xico Graziano (*)


Duas fantásticas homenagens foram recentemente prestadas aos agricultores. A primeira foi em New Orleans, nos Estados Unidos, durante o intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano. A segunda desfilou na passarela do carnaval carioca. Ambas atingiram, em todo o mundo, milhões de pessoas.



O longo comercial veiculado nos EUA aproveitou a maior audiência da televisão para reproduzir imagens retratando a vida no campo, sob a narração, esplêndida, de um texto elaborado em 1978 pelo radialista Paul Harvey. O vídeo é emocionante. Oferecida ao agricultor existente "dentro de cada um de nós", quase uma oração, intitulada E Deus fez o agricultor, prendeu a atenção dos ouvintes.

A seguir, sua tradução livre. 

E no oitavo dia, Deus olhou para seu paraíso e disse: "Preciso de alguém que cuide desse lugar". 

Então, Deus fez o agricultor. 

Deus disse: "Preciso de alguém disposto a levantar antes do amanhecer, tirar leite, trabalhar o dia inteiro, tirar leite novamente, jantar e ir até à cidade e ficar até depois da meia-noite numa reunião de conselho escolar". 
Então, Deus fez o agricultor. 

Deus disse: "Preciso de alguém disposto a passar a noite acordado cuidando de um potro recém-nascido, vê-lo morrer e enxugar os olhos e dizer 'talvez ano que vem'. Preciso de alguém que possa transformar um tronco de árvore num cabo de machado, ferre um cavalo com um pedaço de pneu usado, que possa fazer um arreio com pedaços de arame, sacos de ração e sapatos velhos. Alguém que, durante a época de plantio e de colheita encerre suas 40 horas de trabalho semanais na terça-feira ao meio-dia e passe mais 72 horas penando em cima do trator". 
Então, Deus fez o agricultor. 

Deus disse, "Preciso de alguém forte o suficiente para derrubar árvores e empilhar fardos, mas ainda gentil o suficiente para aparar cordeiros recém-nascidos, desmamar porcos e cuidar de galinhas, que seja capaz de parar seu trabalho por uma hora para cuidar de perna quebrada de passarinho. Deve ser alguém capaz de arar fundo, reto e sem moleza. Alguém que semeie, capine, alimente, crie, e dome, e are, e plante, e transforme lã em linha e coe leite. Alguém que mantenha uma família unida com a partilha de laços fortes. Alguém que sorria, e depois olhe e agradeça com um sorriso nos olhos quando seu filho diga que quer passar o resto da vida fazendo o que seu pai faz". 
Então, Deus fez o agricultor. 

São Paulo - zona norte - agora à tarde

Lá vem mais água!!!!

Almir Gabriel, faleceu hoje


Blog do Piteira 

Almir Gabriel foi prefeito de Belém, senador constituinte, governador do Pará por duas vezes e uma das maiores lideranças políticas do Estado Faleceu, na manhã de hoje, o ex-Governador do Estado, Almir Gabriel. 

O local do velório do ex-governador ainda está sendo decidido pelo Cerimonial do Governo do Estado. 
O sepultamento será no túmulo da família Gabriel, em Castanhal, nordeste paraense, município de origem do ex-governador. 

 Desde o ano de 2008, Almir Gabriel passou por várias internações, tanto em São Paulo, onde residia, quanto em Belém, para onde voltou depois dos problemas de saúde. Ex-fumante, ele lutava contra problemas respiratórios em consequência de longos anos de uso do cigarro. 

 Em 2009, ele voltou a morar em Belém, onde continuou seu tratamento. 

A última internação aconteceu na semana passada, no Hospital Geral da Unimed. 
Nos últimos dias houve uma piora em seu quadro respiratório, sendo transferido para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital. 

Almir Gabriel foi prefeito de Belém, senador constituinte, Governador do Pará por duas vezes e uma das maiores lideranças políticas do Estado. 
Sem mandato há seis anos, ele era filiado ao PTB.

Santa Maria

Renato Gomes Nery (*) 

Santa Maria-RS é a Cidade símbolo de uma dolorosa tragédia nacional. Infortúnio do descaso, do descuido e da insensatez que ceifou a vida de mais de duas centenas de pessoas asfixiadas em sua maioria por uma fumaça tóxica provocada por um material inflamável dentro de uma boate superlotada e despreparada para situações de emergência. 

Desconheço a história da cidade de Santa Maria, mas as razões para ter o nome que tem devem ser nobres. E como é simpático este nome. Ela deve ser habitada por gente honrada, simples e hospitaleira. 

Por que aconteceu esta tragédia em Santa Maria, já que o descuido e a insensatez são monopólios nacionais? As informações provaram que existem, no Brasil, centenas e mais centenas de boates que funcionam em condições iguais e até piores que a boate palco do desastre em Santa Maria. 

Situações como esta me remetem a repensar verdades tidas como definitivas, como a de que toda pessoa tem data marcada para morrer. Ninguém foge deste cruel fatalismo. Será? 

Se a boate em questão fosse construída e funcionasse regularmente com observância de todas as normas legais, com equipamento adequados e não estivesse superlotada, esta tragédia teria acontecido? Creio que não. Ela teria sido evitada e tanta gente, principalmente jovens, não teriam morrido irresponsalvemente. Se o fatalismo é uma crença, o descuido e a insensatez são originários de fatos concretos e palpáveis e racionalmente evitáveis. 

O Criador não vem buscar ninguém antes do tempo, mas as tragédias arrebatam e abreviam impunemente as vidas plenas e jovens como os freqüentadores da tal boate. 

Espero que a razão, o bom senso e a responsabilidade pela vida mudem esse Brasil de coniventes e aproveitadores. E que o Criador não precise vir buscar ninguém antes da hora. E o fatalismo seja um traço cultural e religioso a ser superado. 

Por fim, que os mártires de Santa Maria continuem assombrando a consciência dos justos que omitiram e dos injustos – homicidas culposos e dolosos desta tragédia nacional. 

(*) É advogado em Cuiabá. E-mail – rgnery@terra.com.br

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Meia dúzia de cinzas fora de tom

Bellini Tavares de Lima Neto (*) 

É uma pequena casa lotérica instalada na avenida principal da praia de Maresias. Claro, é a única. Para quem não tem o hábito de fazer sua fézinha, as casas lotéricas são um ambiente curioso e muito educativo. Ali se faz de um tudo: paga-se contas, tira-se um dinheirinho desde que seja da Caixa, recebe-se uma ou mais das bolsas que tanto sucesso andam fazendo por estas bandas. E, logicamente, joga-se em todos os joguinhos que não são proibidos. Pode-se até fazer uma fezinha num dos 25 bichos inventados pelo “Seu Drumond” no século retrasado (para quem não, o joguinho Foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do jardim zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel, no Rio e Janeiro). Mas, desde que seja por intermédio da Loteria Federal. Afinal, jogo do bicho não pode. 

Pela diversidade de funções é possível se ter uma idéia da idêntica diversidade de pessoas que se aglomeram numa casinha lotérica, especialmente quando é uma quarta-feira pós Carnaval, aquele dia em que muitos religiosos vão pedir perdão pelas folias da carne, exatamente como fizeram religiosamente nos anos anteriores. Depois de alguns dias de folga, a vida recomeça com força total ou, melhor dizendo, com obrigações totais. E a casinha lotérica vai enchendo, enchendo, formando uma fila que já chega na calçada. Do outro lado da rua, só o mar balançando calmamente, completamente alheio ao que vai se passando bem a sua frente. 

Sucessão papal

Cardeais brasileiros têm perfil discreto 

Dom Odilo P. Scherer
Folha de São Paulo 

Com perfil mais discreto do que os seus antecessores, cinco cardeais brasileiros participarão da escolha do novo papa da Igreja Católica, no Vaticano. Desse grupo, os dois mais jovens têm sido lembrados por especialistas para suceder a Bento 16. 

"Há uma nova geração na cúpula da Igreja Católica brasileira", afirmou, em entrevista por telefone, o historiador americano Kenneth Serbin, autor do livro "Diálogos na Sombra", sobre as relações entre a igreja e militares durante a ditadura. 

"Dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara, entre outros bispos fortes, foram ordenados numa época de abertura da igreja. Apenas [o cardeal] dom Cláudio Hummes pertence a essa geração anterior. Os bispos mais jovens foram nomeados no papado de João Paulo 2º e Bento 16", diz. 

"Mudou a história do mundo, a história do Brasil, e eles lidam com desafios diferentes. Nos anos 1960, ninguém falava de homossexualismo." 

Três dos cinco cardeais brasileiros foram nomeados no papado de Bento 16: 
- o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, 63, em 2007, 
- o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, 76, em 2010, 
- e o ex-arcebispo de Brasília João Braz de Aviz, 65, que ascendeu há cerca de um ano. 

Os nomeados sob João Paulo 2º são 
- o arcebispo emérito de Salvador, dom Geraldo Majella Agnelo, 79, 
- e o arcebispo emérito de São Paulo, dom Cláudio Hummes, 78, ambos em 2001. 

Mais jovem entre os brasileiros, o gaúcho Scherer tem uma sólida formação acadêmica, que inclui um doutorado em teologia em Roma, e é arcebispo de São Paulo desde abril de 2007, sete meses antes de ascender a cardeal.

No ano passado, Scherer se envolveu em uma polêmica em torno da escolha do novo reitor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). 

Na condição de grão-chanceler da universidade, função que acumula com a do arcebispado, escolheu a menos votada de uma lista tríplice enviada pelo Conselho Superior da instituição, decisão prevista no regulamento. 

"Num mundo que parece esquecer-se de Deus, uma universidade católica tem uma importante função social, também como contribuição para o pluralismo e a liberdade de pensamento. E isso não parece irrelevante para o convívio democrático!", escreveu em artigo na Folha em 7 de dezembro. 

A escolha teve forte oposição dentro da PUC. Alunos de direito entraram na Justiça e chegaram a conseguir uma liminar suspendendo a nomeação de Anna Cintra, derrubada dias mais tarde. 

Morando no Vaticano, o catarinense Braz de Aviz comanda a importante Congregação para a Vida Sagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Fundada em 1586, é responsável pelo regime e pela disciplina de ordens, congregações religiosas e institutos seculares, entre outras organizações da igreja. 

Questionado sobre se é possível classificar os cardeais brasileiros entre conservadores e progressistas, Serbin diz que se trata de uma "divisão artificial". 

"Somos nós, historiadores, jornalistas e sociólogos, que criamos essa divisão. Como pude constatar na minha pesquisa, havia progressistas com posições tradicionais e conservadores com posições bem progressistas. Essa divisão não ajuda a traçar um perfil correto do clero atual." 

Com relação à importância do Brasil dentro da igreja, Serbin diz que o país perdeu protagonismo: "Nos anos 1960 e 1970, era atuante, criava a Teologia da Libertação e estava à frente da igreja mundial. Hoje não se vê mais essa liderança". 

Michael Jordan, o homem que veio dos céus

Fábio Sormani (*) 

Michael Jordan completa 50 anos neste domingo 17 de fevereiro. 

Muitos de vocês devem estar esperando por palavras minhas sobre MJ. Mas não há o que dizer neste domingo em que o deus do basquete completa meio século de vida. 

Tudo o que eu tinha que dizer sobre Michael eu já disse ao longo de meus textos aqui no Terra e no portal anterior. 

Por isso, o que eu disser não vai acrescentar mais nada ao que eu já disse e ao que também está nos sites do mundo inteiro. E nem trarei números para mostrar sua grandiosidade, pois esses números vocês conhecem talvez até melhor do que eu. 

E nem vou dizer também que ele é o maior de todos, porque isso só os parvos, aqueles cegados pelo fanatismo, não observam. E a esses eu não me dirijo, pois é perda de tempo. 

Mas é fato que ninguém jogou mais do que Michael Jordan antes de ele ter pisado pela primeira vez em uma quadra de basquete e ninguém se aproximou de Michael Jordan depois que ele pisou pela última vez em uma quadra de basquete. 

Vai aparecer alguém no futuro? Não sei; ou melhor, não sabemos. Mas acho muito pouco provável. 


Isso é Santarém

Praia do Pindobal em Santarém - Pará

Venda da Heinz equivale a 55 bilhões de reais

Globo Rural 

Em um negócio de U$ 28 bilhões de dólares (equivalente a 55 bilhões de reais), a Heinz, maior produtora mundial de ketchup com 60% do mercado americano e 26% do mercado global, foi vendida para as empresas do grupo de investimento Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, e 3G Capital, que tem entre os sócios os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. 

O valor da compra inclui a dívida da companhia. No comunicado feito na quinta-feira (14/2), a Heinz afirmou que a operação é a maior já realizada na indústria de alimentos. 

Há dois anos, a Heinz adquiriu, por RS$ 1 bilhão, 80% da marca Quero Alimentos no Brasil. Telles e Sicupira são membros do conselho da rede de fast food Burguer King e da maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch InBev. 

Em entrevista à rede americana CNBC, Buffett declarou que a Berkshire e a 3G Capital serão sócios em partes iguais na Heinz. "É meu tipo de negócio e é meu tipo de parceiro", afirmou. De acordo com a CNBC, cada sócio vai contribuir com US$ 4,5 bilhões em recursos para a compra. 

Segundo o comunicado da Heinz, o acordo será financiado com recursos da Berkshire e da 3G, além de rolagem de dívida e financiamento dos bancos JP Morgan e do Wells Fargo. A empresão não informou a parcela desembolsada pela Berkshire e pela 3G no negócio. 

O fim da miséria ?

J. R. Guzzo para a Revista Exame 

O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. 

Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais. 

“Tiramos, entre 2011 e 2012, mais de 19,5 milhões de pessoas da pobreza extrema”, afirmou a presidente Dilma Rousseff. “Até o mês de março vamos zerar o cadastro”. 

Segundo o governo, há no momento 600.000 famílias nesse registro; não haverá mais ninguém dentro de um mês, salvo um número incerto de cidadãos que estão na miséria, mas não no cadastro. 

Esses ainda terão de ser encontrados para receber do Tesouro Nacional, a cada mês, os reais que vão salvá-los.

Pode haver erros nessas contas, é claro, mas não se trata de números argentinos: basicamente, retratam a realidade aproximada da fossa social brasileira. 

Governos espetaculares fazem espetáculos

Élio Gaspari (*) 

Desde o ano passado, o semiárido nordestino atravessa uma grave seca. Na Bahia, em Sergipe, Alagoas e no Maranhão, 75% dos municípios estão em estado de emergência. No Ceará, são 177 em 184. Lá, as chuvas do ano passado ficaram em metade da média habitual e neste ano estão abaixo do terço (55,1 milímetros contra 161,8). Há 136 municípios dependendo de carros-pipa para atender perto de um milhão de pessoas. Em algumas cidades, as escolas dependem do socorro de vizinhos. 

Os investimentos feitos na região mostraram-se insuficientes para enfrentar uma calamidade natural que, segundo os meteorologistas, tende a se agravar. Estima-se que as chuvas deste ano serão poucas. 

A mais vistosa ação do governo federal tem sido um filme de um minuto que a Secom botou nas televisões da região. Nele, Chambinho do Acordeon, feliz e sorridente, anda pela caatinga informando que “a seca sempre vai existir, mas o sertanejo vai poder se defender cada vez mais dela”. Cantando louvores aos investimentos feitos pelo governo, informa que “o sertanejo é um cabra forte, só precisa de apoio, e vai ter cada vez mais”. 

Os sertanejos que estão sem o abastecimento de carros-pipa não precisam de propaganda. O que lhes falta é água. Esse tipo de marquetagem no meio de uma seca chega a ser deboche. Para falar sério, o aparelho de autoglorificação da doutora Dilma deveria anunciar, ao fim de cada clipe, quanto gastou na marquetagem e quantos carros-pipa ela pagaria. 

Durante a seca de 1998, Lula visitou o interior do Ceará acompanhado de José Genoino, cuja família morava em Jaguaruana. Culpou a desatenção dos tucanos e prometeu rios de mel. Nas palavras de Nosso Guia: “O sofrimento do povo nordestino só vai acabar no dia em que a gente tiver políticas de investimento para tornar esta terra produtiva. E essas políticas, o PT tem”. 

Qual era? “O Fernando Henrique veio ao Ceará na campanha de 1994 e prometeu transpor as águas do Rio São Francisco. Mas até agora não trouxe sequer um copo de água. Ele foi mentiroso e vai mentir de novo prometendo a obra para ganhar voto”.

Em 2003, eleito, Lula prometeu: “Nesses quatro anos, 24 horas por dia serão dedicadas para fazer aquilo em que acredito: a transposição das águas do Rio São Francisco”. Ficou oito anos, a doutora Dilma juntou mais dois, e depois de dez anos o “copo de água” ainda não apareceu. 

A opção preferencial dos governos pela propaganda e pelos espetáculos criou um novo estilo de administração e, nele, o governador do Ceará, Cid Gomes, tem se revelado um talento à altura de Steven Spielberg. No ano passado, a Viúva entrou com boa parte do custo da festa de inauguração de um centro de convenções abrilhantado pelo tenor espanhol Placido Domingo. A tertúlia custou R$ 3,1 milhões e alegrou três mil convidados. 

Até aí tudo bem, pois de fato havia um centro de convenções. Em janeiro passado, ele pagou um cachê de R$ 650 mil à cantora Ivete Sangalo para lustrar a inauguração do Hospital Regional Euclides Ferreira Gomes, em Sobral, berço político de sua família desde a proclamação da República. 

Cadê o hospital? Houvera o show, o prédio estava pronto, mas não havia funcionários. Até hoje, ele funciona como posto de saúde, só com consultas e raios X. Hospital mesmo, só em maio. 

Assim como a Secom poderia investir em carros-pipa o que gasta em propaganda, Cid Gomes poderia ao menos fazer a caridade de só patrocinar shows quanto tiver serviço para entregar. 

(*) Jornalista e escritor é colunista do jornal Folha de São Paulo

Um dos causos de Rolando Boldrin (2)

Fordinho 29 

Dito Preto, um amigo meu, tinha um caminhãozinho Ford 29 para puxar cana na Fazenda. 
Tinha comprado à prestação, mas o Fordinho estava acabado. 
Ele trabalhava com o caminhãozinho Fordeco durante a semana e no sábado colocava as varas no caminhãozinho e ia pescar. 
Naquele sábado, ele já tinha tomado 'umas e outras' e ia indo para o Rio Sapucaí.
No meio da estrada, apareceu um guarda rodoviário. 
O policial fez sinal para ele parar. 
Dito Preto foi indo com o caminhãozinho pelo acostamento.
'Beeeeeeem' lá na frente parou. 
O guarda chegou e disse:
- Deixa eu ver a carta... ...de motorista. 
- Seu guarda, não vou enganar o senhor. Não vou dizer que tenho carta porque eu não tenho. Comprei esse caminhãozinho para puxar cana na fazenda e ainda não deu pra comprar a... ...carta. 
- Então deixa eu ver o documento do caminhão.
- Seu guarda, não vou enganar o senhor. Não vou dizer que tenho documento porque não tenho. Ainda não comprei não, senhor.
- Não tem carta, não tem documento... 
- Mas todo mundo me conhece por essas bandas, seu guarda. É só perguntar. Todo mundo sabe que o caminhãozinho é meu. Quando tiver tempo, vou comprar a carta e o documento lá com o delegado.