Isabela Raposeiras (*)
Fico muito triste quando um cliente se sente constrangido ou se desculpa pelo fato de querer adoçar o SEU próprio café. Esse constrangimento descabido é fruto de um fenômeno que chamo de "Ditadura do café sem açúcar". Ele surgiu da vontade e necessidade das pessoas que trabalham com café de qualidade em mostrar para o consumidor que o açúcar é usado geralmente para mascarar defeitos e problemas na bebida. Louvável! Realmente, os cafés de qualidade têm amargor mínimo ou ausente e devem "descer redondos".
Algumas informações sobre açúcar e café:
1. A sacarose, frequentemente utilizada no Brasil, é uma das cadeias de açúcares que compõem o café.
2. A maioria dos italianos, criadores do Espresso, adoçam sua bebida.
3. O açúcar é geralmente utilizado para equilibrar alimentos com nível alto de amargor, como cafés de baixa qualidade, por exemplo.
O problema é que, na sede de educar o consumidor, os profissionais da área de café de qualidade incorrem em dois erros. O primeiro é desconsiderar que a necessidade de doçura de cada pessoa é diferente e que pode ser bem maior do que a da média do pessoal da área de café Especial. Muitas pessoas têm baixa tolerância a níveis mínimos de amargor ou acidez e, para ter prazer com determinadas bebidas ou comidas, usam açúcar. Pressupor que todas as pessoas gostam dos mesmos níveis de doçura é um grande equívoco, que pode levar o consumidor a não gostar de um café maravilhoso.
Outro fator importantíssimo, frequentemente esquecido pelos baristas e torrefadores, é a força do hábito de consumo. De maneira geral, as pessoas no Brasil estão acostumadas a cafés amargos e adstringentes (sensação de secura na boca). Provar um café de alta qualidade é, inevitavelmente, uma experiência que causa estranhamento, bom ou ruim. Temos que minimizar a margem de risco ou erro dessa experiência e isolar a variável café, ou seja, pedir que a pessoa adicione o açúcar para que consiga comparar a real diferença entre o café com que está acostumada em seu dia-a-dia e o café de qualidade.
O que costumamos fazer aqui no Coffee Lab é sugerir que a pessoa dê um golinho no café antes de adoçar para que não corra o risco de ter uma bebida doce demais, já que café Especial tem doçura natural.
Queremos que as pessoas tenham prazer com café e que bebam café de qualidade. Deixar de adoçar suas xícaras deve ser um processo natural, sem traumas ou constrangimentos.
Então, bons cafés, com ou sem açúcar!
(*) Barista (**) e Apaixonada por café.
(**) Profissional especializado em cafés de alta qualidade (cafés especiais), cujo principal objetivo é alcançar a "xícara perfeita".
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Que tal uma Ferrari de brinde?
Batalha dos celulares coreanos tem Ferrari como brinde
Reuters /Folha de São Paulo
Você quer uma Ferrari, um notebook ou um cruzeiro pelo Mediterrâneo? Compre um celular inteligente sul-coreano. Essas são apenas algumas das mais exóticas tentações oferecidas na batalha entre os pequenos fabricantes da Coreia do Sul para atrair a atenção dos consumidores, concentrada em gigantes como Samsung Electronics, LG Electronics e Apple.
Um universitário sul-coreano sortudo recentemente ganhou uma Ferrari em um concurso promovido pela Pantech, uma pequena fabricante de celulares sul-coreana.
A empresa ofereceu o carro de quase 400 milhões de won (US$ 375,5 mil) com o parte de esforços para atrair usuários ao celular inteligente Vega Racer, que a companhia afirma estar equipado com o mais rápido processador de aplicativos do mundo.
A rival KT Tech, divisão de celulares da KT, a segunda maior operadora sul-coreana de telefonia móvel, na semana passada estava oferecendo dois celulares inteligentes pelo preço de um, mas apenas para irmãos gêmeos. Era uma promoção para seu novo modelo Janus, que a empresa diz ser o primeiro celular inteligente do mundo equipado com um processador de núcleo duplo e 1,5 GHz.
A penetração dos celulares inteligentes deve saltar a 42% no mercado sul-coreano este ano, ante apenas 2% dois anos atrás, o que aquece a disputa já intensa por clientes.
"Não podemos concorrer diretamente com a Samsung e a Apple em termos de estratégia e recursos comuns de marketing... A Ferrari, que simboliza velocidade, combina bem com o nosso produto", disse um porta-voz da Pantech. O Vega Racer tem processador de núcleo duplo e 1,5 GHz.
Em outra promoção, na sexta-feira a Pantech lançou um evento que selecionará um comprador do Vega Racer para uma viagem ao Ferrari World Abu Dhabi, um parque temático da Ferrari nos Emirados Árabes Unidos.
As campanhas parecem estar dando resultado. O Vega Racer, lançado em 10 de junho, está vendendo bem, cerca de cinco mil unidades ao dia, e levou as vendas totais de celulares da Pantech a um novo recorde mensal em junho.
Reuters /Folha de São Paulo
Você quer uma Ferrari, um notebook ou um cruzeiro pelo Mediterrâneo? Compre um celular inteligente sul-coreano. Essas são apenas algumas das mais exóticas tentações oferecidas na batalha entre os pequenos fabricantes da Coreia do Sul para atrair a atenção dos consumidores, concentrada em gigantes como Samsung Electronics, LG Electronics e Apple.
Um universitário sul-coreano sortudo recentemente ganhou uma Ferrari em um concurso promovido pela Pantech, uma pequena fabricante de celulares sul-coreana.
A empresa ofereceu o carro de quase 400 milhões de won (US$ 375,5 mil) com o parte de esforços para atrair usuários ao celular inteligente Vega Racer, que a companhia afirma estar equipado com o mais rápido processador de aplicativos do mundo.
A rival KT Tech, divisão de celulares da KT, a segunda maior operadora sul-coreana de telefonia móvel, na semana passada estava oferecendo dois celulares inteligentes pelo preço de um, mas apenas para irmãos gêmeos. Era uma promoção para seu novo modelo Janus, que a empresa diz ser o primeiro celular inteligente do mundo equipado com um processador de núcleo duplo e 1,5 GHz.
A penetração dos celulares inteligentes deve saltar a 42% no mercado sul-coreano este ano, ante apenas 2% dois anos atrás, o que aquece a disputa já intensa por clientes.
"Não podemos concorrer diretamente com a Samsung e a Apple em termos de estratégia e recursos comuns de marketing... A Ferrari, que simboliza velocidade, combina bem com o nosso produto", disse um porta-voz da Pantech. O Vega Racer tem processador de núcleo duplo e 1,5 GHz.
Em outra promoção, na sexta-feira a Pantech lançou um evento que selecionará um comprador do Vega Racer para uma viagem ao Ferrari World Abu Dhabi, um parque temático da Ferrari nos Emirados Árabes Unidos.
As campanhas parecem estar dando resultado. O Vega Racer, lançado em 10 de junho, está vendendo bem, cerca de cinco mil unidades ao dia, e levou as vendas totais de celulares da Pantech a um novo recorde mensal em junho.
O milagre da multiplicação
Funcionário afastado dos Transportes constrói casa de R$ 2,1 mi
Folha de São Paulo
Afastado do cargo junto com mais três servidores do Ministério dos Transportes após uma denúncia divulgada pela revista "Veja" no último final de semana, o engenheiro civil Mauro Barbosa da Silva, até a semana passada chefe de gabinete do ministro Alfredo Nascimento, está construindo uma mansão em Brasília com três pavimentos e 1.300 metros quadrados.
Em entrevista divulgada há pouco na internet pelo jornal "O Estado de S. Paulo", que revelou a obra, Silva disse que a construção custará cerca de R$ 2,1 milhões e que reuniu o dinheiro a partir de três fontes: um empréstimo de R$ 400 mil na Caixa Econômica, outro no Banco do Brasil, em valor não revelado, e a venda de um apartamento seu no valor de R$ 1,5 milhão.
Corretor de imóveis na região do Lago Sul consultado pela Folha foi ao local da obra e estimou que apenas o terreno valha hoje entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão. Considerando um acabamento final apenas mediano, o valor da casa, segundo o corretor, ficaria em cerca de R$ 4 milhões.
Silva, de 45 anos, filiado ao PR de Goiânia (GO), engenheiro civil formado em 1990 pela Universidade Católica de Goiás, é servidor público desde 1994. Antes de assumir o cargo comissionado nos Transportes, Silva atuou no antigo Controle Interno do Executivo, atual CGU (Controladoria Geral da União), para onde deverá retornar após sua saída dos Transportes --até terça-feira (5) à tarde, Silva não havia procurado a CGU, segundo a assessoria de imprensa.
A casa que está sendo construída por Silva fica na QL 26, conjunto 8, a pouco metros do Lago Paranoá, num dos setores mais valorizados da região sul de Brasília.
De acordo com certidão emitida a pedido da Folha pelo cartório do 1º Registro de Imóveis de Brasília, o terreno foi adquirido por Silva e sua mulher por R$ 600 mil no dia 10 de novembro de 2009, quando ele já trabalhava no Ministério dos Transportes. Ele entrou na pasta em agosto de 2002.
A Folha esteve ontem no canteiro de obras da casa. Um dos operários informou que há pelo menos 25 colegas em atividade no local, e que a obra começou no ano passado. O projeto da casa inclui piscina com hidromassagem e pelo menos três suítes. Estuda-se a necessidade de um elevador para ligar os três pavimentos.
O engenheiro responsável pela obra, Rodrigo Gabriel da Silva, disse que apenas Silva poderia dar informações sobre a construção.
Procurado desde terça-feira à tarde, o ex-chefe de gabinete de Nascimento não deu retorno aos telefonemas feitos pela Folha à sua casa. Foram deixados recados em sua casa e também na assessoria de comunicação do Ministério dos Transportes.
Nota do Blog: Realmente são milagres que esse pessoal consegue. Graças a estafantes trabalhos observa-se um crescimento "natural" dos patrimônios. O que fica nessa história é o fato de que se um funcionário subalterno alça essa condição de construir essa "maloca" para morar, imaginem então as chefias maiores o que não conseguem. Afinal chefe trabalha mais e por isso ganha mais . Uma vergonha! Essa escola "Pallociana" de conquistar as coisas continua produzindo bons alunos .
Folha de São Paulo
Afastado do cargo junto com mais três servidores do Ministério dos Transportes após uma denúncia divulgada pela revista "Veja" no último final de semana, o engenheiro civil Mauro Barbosa da Silva, até a semana passada chefe de gabinete do ministro Alfredo Nascimento, está construindo uma mansão em Brasília com três pavimentos e 1.300 metros quadrados.
Em entrevista divulgada há pouco na internet pelo jornal "O Estado de S. Paulo", que revelou a obra, Silva disse que a construção custará cerca de R$ 2,1 milhões e que reuniu o dinheiro a partir de três fontes: um empréstimo de R$ 400 mil na Caixa Econômica, outro no Banco do Brasil, em valor não revelado, e a venda de um apartamento seu no valor de R$ 1,5 milhão.
Corretor de imóveis na região do Lago Sul consultado pela Folha foi ao local da obra e estimou que apenas o terreno valha hoje entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão. Considerando um acabamento final apenas mediano, o valor da casa, segundo o corretor, ficaria em cerca de R$ 4 milhões.
Silva, de 45 anos, filiado ao PR de Goiânia (GO), engenheiro civil formado em 1990 pela Universidade Católica de Goiás, é servidor público desde 1994. Antes de assumir o cargo comissionado nos Transportes, Silva atuou no antigo Controle Interno do Executivo, atual CGU (Controladoria Geral da União), para onde deverá retornar após sua saída dos Transportes --até terça-feira (5) à tarde, Silva não havia procurado a CGU, segundo a assessoria de imprensa.
A casa que está sendo construída por Silva fica na QL 26, conjunto 8, a pouco metros do Lago Paranoá, num dos setores mais valorizados da região sul de Brasília.
De acordo com certidão emitida a pedido da Folha pelo cartório do 1º Registro de Imóveis de Brasília, o terreno foi adquirido por Silva e sua mulher por R$ 600 mil no dia 10 de novembro de 2009, quando ele já trabalhava no Ministério dos Transportes. Ele entrou na pasta em agosto de 2002.
A Folha esteve ontem no canteiro de obras da casa. Um dos operários informou que há pelo menos 25 colegas em atividade no local, e que a obra começou no ano passado. O projeto da casa inclui piscina com hidromassagem e pelo menos três suítes. Estuda-se a necessidade de um elevador para ligar os três pavimentos.
O engenheiro responsável pela obra, Rodrigo Gabriel da Silva, disse que apenas Silva poderia dar informações sobre a construção.
Procurado desde terça-feira à tarde, o ex-chefe de gabinete de Nascimento não deu retorno aos telefonemas feitos pela Folha à sua casa. Foram deixados recados em sua casa e também na assessoria de comunicação do Ministério dos Transportes.
Nota do Blog: Realmente são milagres que esse pessoal consegue. Graças a estafantes trabalhos observa-se um crescimento "natural" dos patrimônios. O que fica nessa história é o fato de que se um funcionário subalterno alça essa condição de construir essa "maloca" para morar, imaginem então as chefias maiores o que não conseguem. Afinal chefe trabalha mais e por isso ganha mais . Uma vergonha! Essa escola "Pallociana" de conquistar as coisas continua produzindo bons alunos .
Está esperando o quê, Dilma?
Ricardo Noblat (*)
E agora, Dilma?
No último sábado, a senhora mandou o ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, afastar quatro dos principais auxiliares dele suspeitos de envolvimento com irregularidades - licitações fraudulentas, contratos superfaturados e cobrança de comissões para engordar o Caixa 2 do Partido da República, o PR.
Até ontem à noite, apenas dois dos quatros haviam sido afastados. E um deles, Luiz Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), antecipou-se ao ato de afastamento e simplesmente entrou de férias. Anunciou que estará de volta no início de agosto.
Em claro desafio à ordem da senhora, Pagot ainda remeteu um ofício a Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados, se oferecendo para ser ouvido ali tão logo volte das férias e reassuma o cargo. O gesto de Pagot foi apoiado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT), que indicou para o Dnit.
Como ficará a senhora, presidente?
A senhora sabe que a Polícia Federal coleciona evidências de sobra sobre o mar de lama que corre dentro do ministério dos Transportes, especialmente no Dnit. Por saber, a senhora espertamente se antecipou ao que está por vir e interveio no ministério.
Avessa ao vazamento de informações sobre o que se passa nos bastidores do governo, não se incomodou quando leu na VEJA o relato detalhado da sua reunião do último dia 24. Ali a senhora disse que o ministério dos Transportes está sem controle e que as obras estão com os preços “inflados”.
E então, presidente? Está esperando o quê para se livrar de vez de quem lhe serve tão mal? Que a Polícia Federal promova algumas prisões? Que vaze parte do que a polícia apurou? Que o ministro Alfredo Nascimento se convença de que é melhor sair agora do que depois, enlameado?
Aja, presidente. Seja mais Dilma e menos Lula.
(*) Jornalista, responsável pelo Blog do Noblat para o O Globo
E agora, Dilma?
No último sábado, a senhora mandou o ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, afastar quatro dos principais auxiliares dele suspeitos de envolvimento com irregularidades - licitações fraudulentas, contratos superfaturados e cobrança de comissões para engordar o Caixa 2 do Partido da República, o PR.
Até ontem à noite, apenas dois dos quatros haviam sido afastados. E um deles, Luiz Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), antecipou-se ao ato de afastamento e simplesmente entrou de férias. Anunciou que estará de volta no início de agosto.
Em claro desafio à ordem da senhora, Pagot ainda remeteu um ofício a Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados, se oferecendo para ser ouvido ali tão logo volte das férias e reassuma o cargo. O gesto de Pagot foi apoiado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT), que indicou para o Dnit.
Como ficará a senhora, presidente?
A senhora sabe que a Polícia Federal coleciona evidências de sobra sobre o mar de lama que corre dentro do ministério dos Transportes, especialmente no Dnit. Por saber, a senhora espertamente se antecipou ao que está por vir e interveio no ministério.
Avessa ao vazamento de informações sobre o que se passa nos bastidores do governo, não se incomodou quando leu na VEJA o relato detalhado da sua reunião do último dia 24. Ali a senhora disse que o ministério dos Transportes está sem controle e que as obras estão com os preços “inflados”.
E então, presidente? Está esperando o quê para se livrar de vez de quem lhe serve tão mal? Que a Polícia Federal promova algumas prisões? Que vaze parte do que a polícia apurou? Que o ministro Alfredo Nascimento se convença de que é melhor sair agora do que depois, enlameado?
Aja, presidente. Seja mais Dilma e menos Lula.
(*) Jornalista, responsável pelo Blog do Noblat para o O Globo
"STO LAT"
Como ultrapassar os 100 anos
Dr. Alessandro Loiola (*)
Em polonês, "STO LAT" é uma forma de cumprimento bastante comum e significa "que você viva cem anos! ".
Desejar vida longa e próspera a alguém é uma das saudações mais bonitas que você pode fazer.
Em teoria, quanto mais vivemos, maiores serão nossas chances de sucesso e felicidade.
A longevidade também é uma maneira indireta de medir a qualidade de vida de um povo: apesar de todas as suas riquezas e monumentos, no Egito de 1.000 a.C. poucos ultrapassavam os 30 anos de idade.
Por volta da época de Cristo, a expectativa de vida havia melhorado pouca coisa: os homens viviam 45 anos em média e as mulheres, 36. Uma lástima.
Mas avançamos muito. Às portas do século XXI, o cidadão comum passou a viver uma média de 75 anos - o equivalente a 2 antigos egípcios e meio!
Um tremendo salto de qualidade.
Mais que isto: nos últimos 40 anos, o número de pessoas com 100 anos de idade ou mais aumentou 1.000%.
Calcula-se que uma de cada 50 mulheres e um de cada 200 homens vivos hoje chegarão ao centenário.
E os cientistas dizem que é apenas o começo, pois temos potencial biológico para viver ainda mais, até os 130-150 anos de idade.
Então qual será o segredo?
Como fazer parte desta estatística e comemorar um supercentenário sendo capaz de amarrar os próprios cadarços (se é que irão existir cadarços até lá)?
Inúmeros centros de pesquisa em todo o Mundo vêm se debruçando sobre o assunto, com algumas conclusões em comum.
Dentre várias, selecionei 05 medidas essenciais para você envelhecer com saúde:
1º - RESPEITE SEU ESTÔMAGO
O ditado "o peixe morre pela boca" também pode ser aplicado aos mamíferos. O alimento é o combustível do corpo. Cuide bem do seu motor, e ele lhe garantirá uma viagem longa e tranqüila. Por exemplo: 70% do colesterol presente no seu organismo são produzidos por você mesmo, principalmente pelo seu fígado. Seguir uma dieta capaz de reduzir os níveis de colesterol é tão importante quanto levar uma dieta pobre em gorduras. Quer outro exemplo? A qualidade da dieta influencia o risco de desenvolver vários tipos de câncer - e os tumores malignos são uma das principais causas de óbito na Terceira Idade. Leve isto em conta quando estiver escolhendo um Plano de Previdência Privada.
2º - RESPEITE SUA HIDRATAÇÃO
Um ser humano é pouco mais que um saco plástico contendo cerca de 40 litros de líquido viscoso e 20 quilos de miúdos secos. A água corresponde a 60% do seu peso . Assim como o radiador do seu carro, você precisa manter o nível de água dentro do ideal, sob o risco de ferver e ter de interromper a viagem antes do previsto. Mas atenção: não inclua bebidas alcoólicas na lista de líquidos preferenciais para hidratação. Ao invés disso, abuse da água potável e dos sucos de frutas naturais.
3º - RESPEITE SEU CÉREBRO
Considere o cérebro como o se fosse o "músculo" mais eficiente do seu corpo.. Não o deixe atrofiar por falta de exercícios! Procure estar à volta com atividades que estimulem o raciocínio, desde jogos de memória até equações de física quântica. À noite, premie o esforço dos neurônios com sono de boa qualidade.
4º - RESPEITE SEUS OSSOS
Para cada 1 hora de exercícios regulares, você adiciona 3 horas à sua vida. É uma boa troca, não? Mas nada de exageros: para subir uma escada aos 80 ou levantar-se da cadeira aos 90, você precisará de ossos flexíveis. Na Terceira Idade, um esqueleto estável é mais importante que braços definidos ou um abdome tanquinho. Respeite seus ossos fazendo alongamentos pelo menos duas vezes por semana e obedecendo aos limites de velocidade no trânsito.
5 º - PROCURE UM SENTIDO
Envelhecer significa livrar-se de alguns pesos. Filhos, contas, emprego, responsabilidades... muita coisa sai de cima dos seus ombros. Mas uma carga menor também pode significar um sentido menor para a vida. Essa é uma armadilha comum. A resposta é procurar sempre um novo lugar, uma nova perspectiva existencial. Como disse John Barrymore, "só envelhecemos de verdade quando começamos a trocar nossos sonhos por arrependimentos". Portanto: Aposentou-se? Assuma riscos diferentes, reinvente desafios, volte a estudar, compre um animal de estimação, participe de grupos de leitura, desempenhe trabalhos voluntários (que tal lecionar para crianças carentes?). Separou ou enviuvou? Viaje, faça aulas de dança, conheça pessoas e comece a namorar novamente. Certamente existem aventuras neste mundo que você gostaria de fazer e ainda não fez. Se não forem contra a Lei, faça-as imediatamente!
Então, abraços e "STO LAT"
"As rugas devem indicar apenas onde os sorrisos estiveram"!
Mark Twain
(*) Graduado pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, é especialista em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo pela Santa pela Santa Casa de Belo Horizonte e Fundação Lucas Machado. Escritor e palestrista. Sua clínica é em Belo Horizonte, Escreve no Blog Saúde para Todos (dralessandroloiola.blogspot.com)
Dr. Alessandro Loiola (*)
Em polonês, "STO LAT" é uma forma de cumprimento bastante comum e significa "que você viva cem anos! ".
Desejar vida longa e próspera a alguém é uma das saudações mais bonitas que você pode fazer.
Em teoria, quanto mais vivemos, maiores serão nossas chances de sucesso e felicidade.
A longevidade também é uma maneira indireta de medir a qualidade de vida de um povo: apesar de todas as suas riquezas e monumentos, no Egito de 1.000 a.C. poucos ultrapassavam os 30 anos de idade.
Por volta da época de Cristo, a expectativa de vida havia melhorado pouca coisa: os homens viviam 45 anos em média e as mulheres, 36. Uma lástima.
Mas avançamos muito. Às portas do século XXI, o cidadão comum passou a viver uma média de 75 anos - o equivalente a 2 antigos egípcios e meio!
Um tremendo salto de qualidade.
Mais que isto: nos últimos 40 anos, o número de pessoas com 100 anos de idade ou mais aumentou 1.000%.
Calcula-se que uma de cada 50 mulheres e um de cada 200 homens vivos hoje chegarão ao centenário.
E os cientistas dizem que é apenas o começo, pois temos potencial biológico para viver ainda mais, até os 130-150 anos de idade.
Então qual será o segredo?
Como fazer parte desta estatística e comemorar um supercentenário sendo capaz de amarrar os próprios cadarços (se é que irão existir cadarços até lá)?
Inúmeros centros de pesquisa em todo o Mundo vêm se debruçando sobre o assunto, com algumas conclusões em comum.
Dentre várias, selecionei 05 medidas essenciais para você envelhecer com saúde:
1º - RESPEITE SEU ESTÔMAGO
O ditado "o peixe morre pela boca" também pode ser aplicado aos mamíferos. O alimento é o combustível do corpo. Cuide bem do seu motor, e ele lhe garantirá uma viagem longa e tranqüila. Por exemplo: 70% do colesterol presente no seu organismo são produzidos por você mesmo, principalmente pelo seu fígado. Seguir uma dieta capaz de reduzir os níveis de colesterol é tão importante quanto levar uma dieta pobre em gorduras. Quer outro exemplo? A qualidade da dieta influencia o risco de desenvolver vários tipos de câncer - e os tumores malignos são uma das principais causas de óbito na Terceira Idade. Leve isto em conta quando estiver escolhendo um Plano de Previdência Privada.
2º - RESPEITE SUA HIDRATAÇÃO
Um ser humano é pouco mais que um saco plástico contendo cerca de 40 litros de líquido viscoso e 20 quilos de miúdos secos. A água corresponde a 60% do seu peso . Assim como o radiador do seu carro, você precisa manter o nível de água dentro do ideal, sob o risco de ferver e ter de interromper a viagem antes do previsto. Mas atenção: não inclua bebidas alcoólicas na lista de líquidos preferenciais para hidratação. Ao invés disso, abuse da água potável e dos sucos de frutas naturais.
3º - RESPEITE SEU CÉREBRO
Considere o cérebro como o se fosse o "músculo" mais eficiente do seu corpo.. Não o deixe atrofiar por falta de exercícios! Procure estar à volta com atividades que estimulem o raciocínio, desde jogos de memória até equações de física quântica. À noite, premie o esforço dos neurônios com sono de boa qualidade.
4º - RESPEITE SEUS OSSOS
Para cada 1 hora de exercícios regulares, você adiciona 3 horas à sua vida. É uma boa troca, não? Mas nada de exageros: para subir uma escada aos 80 ou levantar-se da cadeira aos 90, você precisará de ossos flexíveis. Na Terceira Idade, um esqueleto estável é mais importante que braços definidos ou um abdome tanquinho. Respeite seus ossos fazendo alongamentos pelo menos duas vezes por semana e obedecendo aos limites de velocidade no trânsito.
5 º - PROCURE UM SENTIDO
Envelhecer significa livrar-se de alguns pesos. Filhos, contas, emprego, responsabilidades... muita coisa sai de cima dos seus ombros. Mas uma carga menor também pode significar um sentido menor para a vida. Essa é uma armadilha comum. A resposta é procurar sempre um novo lugar, uma nova perspectiva existencial. Como disse John Barrymore, "só envelhecemos de verdade quando começamos a trocar nossos sonhos por arrependimentos". Portanto: Aposentou-se? Assuma riscos diferentes, reinvente desafios, volte a estudar, compre um animal de estimação, participe de grupos de leitura, desempenhe trabalhos voluntários (que tal lecionar para crianças carentes?). Separou ou enviuvou? Viaje, faça aulas de dança, conheça pessoas e comece a namorar novamente. Certamente existem aventuras neste mundo que você gostaria de fazer e ainda não fez. Se não forem contra a Lei, faça-as imediatamente!
Então, abraços e "STO LAT"
"As rugas devem indicar apenas onde os sorrisos estiveram"!
Mark Twain
(*) Graduado pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, é especialista em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo pela Santa pela Santa Casa de Belo Horizonte e Fundação Lucas Machado. Escritor e palestrista. Sua clínica é em Belo Horizonte, Escreve no Blog Saúde para Todos (dralessandroloiola.blogspot.com)
A crise grega e os Jogos Olímpicos
Gasto olímpico grego ilustra a perda de controle das finanças
Vitor Paolozzi (*)
A realização das Olimpíadas de 2004 foi determinante para a crise da Grécia? Quando se imagina que hoje cada cidadão grego tem uma parcela de aproximadamente US$ 45 mil na dívida do país, é quase inevitável especular o quanto que os gastos desenfreados para viabilizar os Jogos de Atenas ajudaram para cavar o buraco atual. E, apesar de a resposta para a pergunta inicial ser não, um exame da aventura olímpica dos gregos serve para ilustrar por que hoje o país está à porta da União Europeia e do FMI com o pires na mão.
O roteiro percorrido de 1997, quando a cidade foi escolhida como sede, até 2004 traz pelo menos duas semelhanças com a organização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro e, ao que tudo indica, com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016: explosão no orçamento inicial e atrasos nas obras. Até hoje, sete anos após o término dos Jogos de Atenas, não existe um consenso sobre qual foi o valor total gasto.
Em 1997, autoridades gregas e o Comitê Olímpico Internacional estimaram um custo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. No final de 2004, o então ministro das Finanças da Grécia, George Alogoskoufis, disse que a conta bateu em US$ 11,9 bilhões. Em entrevista ao “The Times” londrino em 2009, um ex-integrante do governo, falando anonimamente, disse que o custo foi superior a US$ 17 bilhões. Mas, com a falta de transparência sobre os gastos, há quem estime que o país torrou 20, 25 ou até 30 bilhões de euros.
“No fim, os Jogos não são uma causa fundamental para a dívida grega. Mas talvez o país não devesse ter aceitado fazê-los, porque houve um gasto significativo de dinheiro”, diz ao Valor Spyros Economides, professor da London School of Economics.
Victor Matheson, professor de economia na College of the Holy Cross, em Worcester (EUA), e autor de vários estudos sobre o impacto econômico de grandes eventos esportivos, julga que “as Olimpíadas certamente são um reflexo dos problemas que o país como um todo enfrenta”.
“Neste momento, a dívida da Grécia em proporção ao PIB é de aproximadamente 110%. As Olimpíadas acrescentaram cerca de cinco pontos percentuais nisso. Assim, em termos de tamanho total, os Jogos são uma pequena parte do problema. Contudo, eles levaram a gastos perdulários que não foram pagos e que talvez tenham reiniciado o hábito da Grécia de gastar em excesso”, diz.
Para Jason Manolopoulos, autor do livro “Greece’s Odious Debt”, recém-publicado nos Estados Unidos e no Reino Unido, as Olimpíadas são “apenas mais um exemplo de má administração, corrupção, clientelismo e pensamento de curto prazo.”
No ano passado, o ex-ministro dos Transportes Tassos Mantelis admitiu em depoimento ao Parlamento grego ter recebido propina de US$ 120 mil em 1998 da Siemens. A empresa alemã é suspeita de subornar autoridades gregas para vencer concorrências para equipamentos de segurança empregados na vigilância dos Jogos.
Segundo a revista alemã “Der Spiegel”, também a operadora de ferrovias Deutsche Bahn possivelmente recorreu a subornos para ganhar a concorrência de um contrato do metrô de Atenas.
Além da corrupção, os Jogos também forneceram exemplos de ineficiência, má administração e planejamento falho. Houve atrasos nas obras, o que obrigou gastos extras para terminá-las em tempo. E, hoje, várias das instalações construídas para abrigar as competições estão abandonadas. O pior, no entanto, é que as despesas continuam correndo. No ano passado, a imprensa grega revelou que a agência criada para administrar a Vila Olímpica vem aumentando desde 2006 o seu número de funcionários, contratando profissionais como designers gráficos, especialistas em comunicação e psicólogos.
Após a amarga experiência olímpica grega, Manolopoulos e Economides apontam algumas lições para o Brasil. “Um projeto de infraestrutura, como o do metrô, vale mais do que uma cobertura luxuosa para um estádio”, diz Manolopoulos. “O principal é manter os custos tão baixos quanto possível, e não ser extravagante, fazendo construções que serão inúteis. Creio que está ficando cada vez mais difícil justificar para um contribuinte porque se deve promover esses Jogos se eles vão custar uma soma fenomenal de dinheiro”, completa Economides.
(*) Jornalista
Vitor Paolozzi (*)
A realização das Olimpíadas de 2004 foi determinante para a crise da Grécia? Quando se imagina que hoje cada cidadão grego tem uma parcela de aproximadamente US$ 45 mil na dívida do país, é quase inevitável especular o quanto que os gastos desenfreados para viabilizar os Jogos de Atenas ajudaram para cavar o buraco atual. E, apesar de a resposta para a pergunta inicial ser não, um exame da aventura olímpica dos gregos serve para ilustrar por que hoje o país está à porta da União Europeia e do FMI com o pires na mão.
O roteiro percorrido de 1997, quando a cidade foi escolhida como sede, até 2004 traz pelo menos duas semelhanças com a organização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro e, ao que tudo indica, com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016: explosão no orçamento inicial e atrasos nas obras. Até hoje, sete anos após o término dos Jogos de Atenas, não existe um consenso sobre qual foi o valor total gasto.
Em 1997, autoridades gregas e o Comitê Olímpico Internacional estimaram um custo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. No final de 2004, o então ministro das Finanças da Grécia, George Alogoskoufis, disse que a conta bateu em US$ 11,9 bilhões. Em entrevista ao “The Times” londrino em 2009, um ex-integrante do governo, falando anonimamente, disse que o custo foi superior a US$ 17 bilhões. Mas, com a falta de transparência sobre os gastos, há quem estime que o país torrou 20, 25 ou até 30 bilhões de euros.
“No fim, os Jogos não são uma causa fundamental para a dívida grega. Mas talvez o país não devesse ter aceitado fazê-los, porque houve um gasto significativo de dinheiro”, diz ao Valor Spyros Economides, professor da London School of Economics.
Victor Matheson, professor de economia na College of the Holy Cross, em Worcester (EUA), e autor de vários estudos sobre o impacto econômico de grandes eventos esportivos, julga que “as Olimpíadas certamente são um reflexo dos problemas que o país como um todo enfrenta”.
“Neste momento, a dívida da Grécia em proporção ao PIB é de aproximadamente 110%. As Olimpíadas acrescentaram cerca de cinco pontos percentuais nisso. Assim, em termos de tamanho total, os Jogos são uma pequena parte do problema. Contudo, eles levaram a gastos perdulários que não foram pagos e que talvez tenham reiniciado o hábito da Grécia de gastar em excesso”, diz.
Para Jason Manolopoulos, autor do livro “Greece’s Odious Debt”, recém-publicado nos Estados Unidos e no Reino Unido, as Olimpíadas são “apenas mais um exemplo de má administração, corrupção, clientelismo e pensamento de curto prazo.”
No ano passado, o ex-ministro dos Transportes Tassos Mantelis admitiu em depoimento ao Parlamento grego ter recebido propina de US$ 120 mil em 1998 da Siemens. A empresa alemã é suspeita de subornar autoridades gregas para vencer concorrências para equipamentos de segurança empregados na vigilância dos Jogos.
Segundo a revista alemã “Der Spiegel”, também a operadora de ferrovias Deutsche Bahn possivelmente recorreu a subornos para ganhar a concorrência de um contrato do metrô de Atenas.
Além da corrupção, os Jogos também forneceram exemplos de ineficiência, má administração e planejamento falho. Houve atrasos nas obras, o que obrigou gastos extras para terminá-las em tempo. E, hoje, várias das instalações construídas para abrigar as competições estão abandonadas. O pior, no entanto, é que as despesas continuam correndo. No ano passado, a imprensa grega revelou que a agência criada para administrar a Vila Olímpica vem aumentando desde 2006 o seu número de funcionários, contratando profissionais como designers gráficos, especialistas em comunicação e psicólogos.
Após a amarga experiência olímpica grega, Manolopoulos e Economides apontam algumas lições para o Brasil. “Um projeto de infraestrutura, como o do metrô, vale mais do que uma cobertura luxuosa para um estádio”, diz Manolopoulos. “O principal é manter os custos tão baixos quanto possível, e não ser extravagante, fazendo construções que serão inúteis. Creio que está ficando cada vez mais difícil justificar para um contribuinte porque se deve promover esses Jogos se eles vão custar uma soma fenomenal de dinheiro”, completa Economides.
(*) Jornalista
terça-feira, 5 de julho de 2011
Tempos que não voltam mais
Antenor Pereira Giovannini (*)
Como qualquer telespectador impaciente, me pego num domingo desses a, literalmente, “metralhar” a televisão com o controle remoto à procura de algo para assistir. Antes de qualquer coisa, tenho que agradecer a Deus a chance de poder pagar uma televisão de circuito fechado, porque agüentar televisão de circuito aberto aos domingos é simplesmente incogitável, tal a quantidade de porcaria que é exibida nos dias de hoje.
Mas, voltando a minha impaciência, eis que me deparo com um determinado canal que anuncia o inicio da exibição de um filme dos anos 60. O anuncio me trouxe um sopro de esperança e uma forte expectativa. Aguardei para ver se o anúncio correspondia ao que eu pensava. E era exatamente o que eu imaginei.
Já que isto é quase um desabafo, vou confessar que foi só começar a assistir aquele filme para que as lágrimas me pegassem de surpresa. Pura saudade de um tempo que não volta mais. Como mágica me transportei para minha adolescência, na sala da minha casa, junto com meu amado e já falecido pai Leontino e, na maioria das vezes, com minha mamãe Lourdes (velhinha, mas, ainda viva), para assistir Bonanza. Esse era um dos filmes de especial predileção do meu papai, a começar pela música de introdução, uma balada ritmada sugerindo um tropel de cavalos. A saga da família Cartwrights, liderada pelo pai Ben (Lorne Greene) e seus filhos Adam (Pernell Roberts), Hoss (Dan Blocker) e Litlle Joe (Michael Landon) em defesa da fazenda Ponderosa, assim como da justiça, da honra e dos menos favorecidos, trazia a cada semana 60 minutos de bom entretenimento. E, porque não dizer, de sonho, de reflexão, de humanidade. Todos os atores da série que protagonizaram a série já não estão entre nós. O ator Pernell Roberts (Adam) foi o último a partir enquanto o grandalhão Ross foi o primeiro, no auge de seus 44 anos de idade.
Em meio a toda essa emoção, muita saudade e lembranças incontáveis, assisti ao filme e, quase que automaticamente, a memória começou a buscar a programação dessa televisão que não existe mais. Alguns filmes classificados como água com açúcar, musicais, tele-teatro, programas de auditórios enfim, comecei a me perguntar por que não se faz mais programas dessa natureza, capazes de proporcionar entretenimento leve, descontraído.
Afinal, a televisão se encontra nas casas de 95% da população brasileira. Mas o passo seguinte foi começar a refletir sobre a importância que a televisão poderia ter enquanto fonte de ensinamento e aculturação. Nesse processo de varrição de memória, voltam à telinha da minha lembrança os programas que fizeram parte da minha geração e que, se não podem ser tidos como superproduções, faziam muito mais pelo tele-espectador que o que se vê hoje por aí. Os filmes eram Lassie, RinTinTin, Bat Masterson, Os Intocáveis, Hawai 5.0, Perdidos no Espaço, Os Watsons, Agente 86, Zorro (americano com o indio Tonto e o cavalo Silver) e o Zorro (mexicano de capa e espada com Sargento Garcia), Papai Sabe Tudo e tantos outros Os grandes programas nacionais, de auditório ou não eram Família Trapo (Golias/Zeloni/Jô Soares), Circo do Arrelia e Pimentinha, A Praça da Alegria, Clube dos Artistas, Sitio do Pica-Pau Amarelo, Repórter Esso, Grandes Espetáculos União (com Blota Júnior), O Céu é o Limite (J. Silvestre), Noite de Gala (Flavio Cavalcanti), Chacrinha, Um Instante Maestro (Flávio Cavalcanti), Troféu Roquete Pinto - aos melhores do ano (valia apostas) – Programa Silvio Santos – Jovem Guarda, Os festivais de MPB da TV Record, o Fino, Bossaudade e tantos outros.
No que essa televisão antiga difere da televisão atual? Em tudo, acredito eu. Se a tecnologia avançou de maneira inimaginável, a qualidade parece ter sido simplesmente descartada dentre os requisitos para se fazer televisão. O grande comandante do setor é o todo poderoso IBOPE ou coisa que o valha. Em nome da audiência, coloca-se no ar qualquer coisa, sem qualquer limite ou prurido de ordem cultural, estética ou ate mesmo moral. Apenas para citar exemplos gritantes, o que dizer de um certo “Big Brother”, formato de programa que não ultrapassou cinco ou seis edições no continente de origem, a Europa e entre nós já está no segundo dígito. E continua a entusiasmar o público de forma absolutamente entorpecedora. A televisão talvez seja hoje, o veículo de comunicação mais poderoso de que se tem noticia. Basta observar como ela é capaz de influenciar nos costumes, ditar modismos, formas de falar, expressões de gíria e convicções. Lá pelos anos noventa, uma emissora de televisão conseguir modificar o resultado de uma eleição a presidente da república apenas editando segundo suas conveniências, um debate entre candidatos quase às vésperas do dia do pleito. Convenhamos, não é pouca coisa. E o que mais impressiona é o fato de que, quando se dispõe, os resultados são positivos. Em uma das novelas que arrebata o público de todas as classes, locais e idades, uma personagem tetraplégica conseguiu sensibilizar as pessoas a ponto de eu mesmo ter presenciado comentários de pessoas em pleno ponto de ônibus auxiliando alguém a subir no ônibus, tudo regado a alusões à novela.
O retorno à sala da casa da minha adolescência, o resgate do calor paterno e materno são valores a que não renuncio. E talvez tenha sido exatamente a energia familiar que me impregnou pela vida toda quem me levou às reflexões sobre o que poderia ser o papel da televisão no processo de amadurecimento cultural e social deste triste país. Mas, “Big Brother” deve dar muito mais IBOPE. E o IBOPE é o alimento para que esse “grande irmão” chamado televisão continue a disposição e a serviço dos piores patrões e senhores.
(*) Aposentado, agora comerciante e morador em Santarém (PA)
Como qualquer telespectador impaciente, me pego num domingo desses a, literalmente, “metralhar” a televisão com o controle remoto à procura de algo para assistir. Antes de qualquer coisa, tenho que agradecer a Deus a chance de poder pagar uma televisão de circuito fechado, porque agüentar televisão de circuito aberto aos domingos é simplesmente incogitável, tal a quantidade de porcaria que é exibida nos dias de hoje.
Mas, voltando a minha impaciência, eis que me deparo com um determinado canal que anuncia o inicio da exibição de um filme dos anos 60. O anuncio me trouxe um sopro de esperança e uma forte expectativa. Aguardei para ver se o anúncio correspondia ao que eu pensava. E era exatamente o que eu imaginei.
Já que isto é quase um desabafo, vou confessar que foi só começar a assistir aquele filme para que as lágrimas me pegassem de surpresa. Pura saudade de um tempo que não volta mais. Como mágica me transportei para minha adolescência, na sala da minha casa, junto com meu amado e já falecido pai Leontino e, na maioria das vezes, com minha mamãe Lourdes (velhinha, mas, ainda viva), para assistir Bonanza. Esse era um dos filmes de especial predileção do meu papai, a começar pela música de introdução, uma balada ritmada sugerindo um tropel de cavalos. A saga da família Cartwrights, liderada pelo pai Ben (Lorne Greene) e seus filhos Adam (Pernell Roberts), Hoss (Dan Blocker) e Litlle Joe (Michael Landon) em defesa da fazenda Ponderosa, assim como da justiça, da honra e dos menos favorecidos, trazia a cada semana 60 minutos de bom entretenimento. E, porque não dizer, de sonho, de reflexão, de humanidade. Todos os atores da série que protagonizaram a série já não estão entre nós. O ator Pernell Roberts (Adam) foi o último a partir enquanto o grandalhão Ross foi o primeiro, no auge de seus 44 anos de idade.
Em meio a toda essa emoção, muita saudade e lembranças incontáveis, assisti ao filme e, quase que automaticamente, a memória começou a buscar a programação dessa televisão que não existe mais. Alguns filmes classificados como água com açúcar, musicais, tele-teatro, programas de auditórios enfim, comecei a me perguntar por que não se faz mais programas dessa natureza, capazes de proporcionar entretenimento leve, descontraído.
Afinal, a televisão se encontra nas casas de 95% da população brasileira. Mas o passo seguinte foi começar a refletir sobre a importância que a televisão poderia ter enquanto fonte de ensinamento e aculturação. Nesse processo de varrição de memória, voltam à telinha da minha lembrança os programas que fizeram parte da minha geração e que, se não podem ser tidos como superproduções, faziam muito mais pelo tele-espectador que o que se vê hoje por aí. Os filmes eram Lassie, RinTinTin, Bat Masterson, Os Intocáveis, Hawai 5.0, Perdidos no Espaço, Os Watsons, Agente 86, Zorro (americano com o indio Tonto e o cavalo Silver) e o Zorro (mexicano de capa e espada com Sargento Garcia), Papai Sabe Tudo e tantos outros Os grandes programas nacionais, de auditório ou não eram Família Trapo (Golias/Zeloni/Jô Soares), Circo do Arrelia e Pimentinha, A Praça da Alegria, Clube dos Artistas, Sitio do Pica-Pau Amarelo, Repórter Esso, Grandes Espetáculos União (com Blota Júnior), O Céu é o Limite (J. Silvestre), Noite de Gala (Flavio Cavalcanti), Chacrinha, Um Instante Maestro (Flávio Cavalcanti), Troféu Roquete Pinto - aos melhores do ano (valia apostas) – Programa Silvio Santos – Jovem Guarda, Os festivais de MPB da TV Record, o Fino, Bossaudade e tantos outros.
No que essa televisão antiga difere da televisão atual? Em tudo, acredito eu. Se a tecnologia avançou de maneira inimaginável, a qualidade parece ter sido simplesmente descartada dentre os requisitos para se fazer televisão. O grande comandante do setor é o todo poderoso IBOPE ou coisa que o valha. Em nome da audiência, coloca-se no ar qualquer coisa, sem qualquer limite ou prurido de ordem cultural, estética ou ate mesmo moral. Apenas para citar exemplos gritantes, o que dizer de um certo “Big Brother”, formato de programa que não ultrapassou cinco ou seis edições no continente de origem, a Europa e entre nós já está no segundo dígito. E continua a entusiasmar o público de forma absolutamente entorpecedora. A televisão talvez seja hoje, o veículo de comunicação mais poderoso de que se tem noticia. Basta observar como ela é capaz de influenciar nos costumes, ditar modismos, formas de falar, expressões de gíria e convicções. Lá pelos anos noventa, uma emissora de televisão conseguir modificar o resultado de uma eleição a presidente da república apenas editando segundo suas conveniências, um debate entre candidatos quase às vésperas do dia do pleito. Convenhamos, não é pouca coisa. E o que mais impressiona é o fato de que, quando se dispõe, os resultados são positivos. Em uma das novelas que arrebata o público de todas as classes, locais e idades, uma personagem tetraplégica conseguiu sensibilizar as pessoas a ponto de eu mesmo ter presenciado comentários de pessoas em pleno ponto de ônibus auxiliando alguém a subir no ônibus, tudo regado a alusões à novela.
O retorno à sala da casa da minha adolescência, o resgate do calor paterno e materno são valores a que não renuncio. E talvez tenha sido exatamente a energia familiar que me impregnou pela vida toda quem me levou às reflexões sobre o que poderia ser o papel da televisão no processo de amadurecimento cultural e social deste triste país. Mas, “Big Brother” deve dar muito mais IBOPE. E o IBOPE é o alimento para que esse “grande irmão” chamado televisão continue a disposição e a serviço dos piores patrões e senhores.
(*) Aposentado, agora comerciante e morador em Santarém (PA)
Viva o ensino no Brasil !!! (2)
Conforme listagem publicada pela Folha de São Paulo, das 610 escolas de ensino superior de Direito que tiveram candidatos para o último exame da OAB, duas são do Pará:
Escola Superior Madre Celeste - ESMAC de Ananindeua com 1 inscrito que passou na 1a. fase mas não foi aprovado na 2a. fase.
Instituto Ensino Superior do Pará - IESP de Belém com 16 candidatos sendo que apenas 14 compareceram e nenhum passou nos examaes da 1a. fase.
Ou seja, indice de 100% de reprovação.
Escola Superior Madre Celeste - ESMAC de Ananindeua com 1 inscrito que passou na 1a. fase mas não foi aprovado na 2a. fase.
Instituto Ensino Superior do Pará - IESP de Belém com 16 candidatos sendo que apenas 14 compareceram e nenhum passou nos examaes da 1a. fase.
Ou seja, indice de 100% de reprovação.
Para reflexão
Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
- E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
- Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.
"A vida na Terra é somente uma passagem...
No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes."
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
- E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
- Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.
"A vida na Terra é somente uma passagem...
No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes."
Viva o ensino no Brasil !!!!!
OAB reprova 88% dos bacharéis, e 81 cursos não têm um só aprovado
A maioria esmagadora dos formandos em Direito que fizeram a última edição do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi reprovada. Dos 106.891 bacharéis inscritos, 88,2% não passaram na prova. Do total, apenas 12.534 candidatos foram aprovados, de acordo com a OAB. Ainda segundo o órgão, 81 das 610 faculdades brasileiras que submeteram estudantes de Direito ao exame não tiveram nenhum candidato aprovado.
- Isso é reflexo, infelizmente, do ensino jurídico do Brasil - disse o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, que decidiu enviar um ofício ao ministro da Educação, Fernando Haddad, sugerindo que essas faculdades sejam supervisionadas pelo ministério.
As instituições de ensino submetidas ao regime de supervisão do MEC têm seus índices de aprovação em exames de proficiência acompanhados e devem cumprir metas, sob pena de serem punidas com redução de vagas, suspensão de cursos e até fechamento do curso.
Nota do Blog: Interessante que pesquisando o Google podemos observar essa mesma notícia nos anos de 2008/2009 com o mesmo número alarmante de percentual de reprovações. E continuam abrindo faculdades de Direiro como se fôssem botecos .... Interesse de puro comércio ...
- Isso é reflexo, infelizmente, do ensino jurídico do Brasil - disse o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, que decidiu enviar um ofício ao ministro da Educação, Fernando Haddad, sugerindo que essas faculdades sejam supervisionadas pelo ministério.
As instituições de ensino submetidas ao regime de supervisão do MEC têm seus índices de aprovação em exames de proficiência acompanhados e devem cumprir metas, sob pena de serem punidas com redução de vagas, suspensão de cursos e até fechamento do curso.
Nota do Blog: Interessante que pesquisando o Google podemos observar essa mesma notícia nos anos de 2008/2009 com o mesmo número alarmante de percentual de reprovações. E continuam abrindo faculdades de Direiro como se fôssem botecos .... Interesse de puro comércio ...
Esvaziando prisões
Opinião do Estadão
Sancionada pela presidente Dilma Rousseff no final de maio, depois de tramitar por dez anos no Congresso, a Lei n.º 12.403/11 entra em vigor hoje. Defendida pelo Executivo, que administra o sistema prisional, e criticada por promotores e juízes criminais, ela altera dispositivos importantes do velho Código de Processo Penal (CPP), que foi editado há mais de sete décadas, quando eram outras as condições sociais e econômicas do País.
Entre outras inovações, a Lei n.º 12.403/11 estabelece novos critérios para o cálculo de fianças e dá aos juízes criminais competência para proibir que pessoas com histórico de brigas frequentem bares, boates e estádios de futebol ou viajem. A lei também permite que os mandados de prisão sejam cumpridos em qualquer lugar do País - pelas regras em vigor só podem ser cumpridos na comarca do juiz ou por carta precatória - e torna obrigatória a separação de presos já condenados daqueles que aguardam julgamento.
Os dispositivos mais polêmicos da Lei n.º 12.403/11 são os que eximem de prisão temporária os autores de crimes com baixo poder ofensivo, como lesão corporal, furto, receptação, formação de quadrilha, contrabando, peculato, extorsão, apropriação indébita e desvio de dinheiro público. A lei prevê que a prisão preventiva só poderá ser aplicada a réus acusados de crimes dolosos, com penas superiores a quatro anos - como homicídio qualificado, latrocínio, estupro e narcotráfico. Nos crimes com penas inferiores a quatro anos, os juízes deverão adotar as chamadas medidas cautelares, como comparecimento periódico ao fórum, proibição de se ausentar da comarca, fiscalização eletrônica e internamento em clínicas.
Para as autoridades de segurança pública e gestores do sistema prisional, a ampliação de alternativas para a prisão preventiva evitará que réus primários convivam, em prisões superlotadas, com presos de alta periculosidade. "Atualmente, o risco de jogar na cadeia alguém que cometeu um deslize é alto", diz o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira. "A nova lei vai punir a pessoa de forma equivalente ao crime que cometeu. Às vezes, o suspeito furtava um pacote de linguiça, o delegado tinha de fazer o flagrante e o sujeito ficava na cadeia por não ter advogado", afirma o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima.
Os defensores da Lei n.º 12.403/11 também alegam que as novas medidas alternativas à prisão preventiva vão aliviar a lotação das cadeias públicas e dos centros de triagem e detenção, uma vez que concedem a dezenas de milhares de pessoas que hoje se encontram presas o direito de aguardar o julgamento em liberdade. Pelas estimativas do Departamento Penitenciário Nacional, o sistema prisional tem um déficit de 180 mil vagas e, das 450 mil pessoas encarceradas, 44% se encontram em prisão provisória.
Para muitos promotores e juízes criminais, contudo, com a entrada em vigor da Lei n.º 12.403/11 o Brasil estaria na contramão da história, pois a maioria dos países vem adotando leis mais severas para combater a criminalidade. Eles também afirmam que a lei comprometerá a segurança pública. Tendo sido concebida com o objetivo de diminuir os gastos do Executivo com o sistema prisional e reduzir as pressões para a construção de novos estabelecimentos penais, ela vai devolver às ruas cerca de 100 mil presos nas próximas semanas - e, como a taxa de reincidência criminal no País se situa em torno de 70%, isso pode aumentar a violência, além de reforçar o sentimento de impunidade. "A pessoa que é presa e colocada imediatamente em liberdade desacredita o trabalho da polícia", diz Marcelo Rovere, promotor do 1.º Tribunal do Júri da capital.
A modernização do CPP era uma antiga aspiração do Ministério Público e da Justiça - e muitas foram as sugestões encaminhadas pelas duas instituições ao Legislativo, durante a tramitação do projeto que resultou na Lei n.º 12.403/11. Infelizmente, o viés econômico acabou prevalecendo, por causa das pressões do Executivo, e os riscos que a nova lei pode trazer para a segurança da população não devem ser subestimados.
Sancionada pela presidente Dilma Rousseff no final de maio, depois de tramitar por dez anos no Congresso, a Lei n.º 12.403/11 entra em vigor hoje. Defendida pelo Executivo, que administra o sistema prisional, e criticada por promotores e juízes criminais, ela altera dispositivos importantes do velho Código de Processo Penal (CPP), que foi editado há mais de sete décadas, quando eram outras as condições sociais e econômicas do País.
Entre outras inovações, a Lei n.º 12.403/11 estabelece novos critérios para o cálculo de fianças e dá aos juízes criminais competência para proibir que pessoas com histórico de brigas frequentem bares, boates e estádios de futebol ou viajem. A lei também permite que os mandados de prisão sejam cumpridos em qualquer lugar do País - pelas regras em vigor só podem ser cumpridos na comarca do juiz ou por carta precatória - e torna obrigatória a separação de presos já condenados daqueles que aguardam julgamento.
Os dispositivos mais polêmicos da Lei n.º 12.403/11 são os que eximem de prisão temporária os autores de crimes com baixo poder ofensivo, como lesão corporal, furto, receptação, formação de quadrilha, contrabando, peculato, extorsão, apropriação indébita e desvio de dinheiro público. A lei prevê que a prisão preventiva só poderá ser aplicada a réus acusados de crimes dolosos, com penas superiores a quatro anos - como homicídio qualificado, latrocínio, estupro e narcotráfico. Nos crimes com penas inferiores a quatro anos, os juízes deverão adotar as chamadas medidas cautelares, como comparecimento periódico ao fórum, proibição de se ausentar da comarca, fiscalização eletrônica e internamento em clínicas.
Para as autoridades de segurança pública e gestores do sistema prisional, a ampliação de alternativas para a prisão preventiva evitará que réus primários convivam, em prisões superlotadas, com presos de alta periculosidade. "Atualmente, o risco de jogar na cadeia alguém que cometeu um deslize é alto", diz o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira. "A nova lei vai punir a pessoa de forma equivalente ao crime que cometeu. Às vezes, o suspeito furtava um pacote de linguiça, o delegado tinha de fazer o flagrante e o sujeito ficava na cadeia por não ter advogado", afirma o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima.
Os defensores da Lei n.º 12.403/11 também alegam que as novas medidas alternativas à prisão preventiva vão aliviar a lotação das cadeias públicas e dos centros de triagem e detenção, uma vez que concedem a dezenas de milhares de pessoas que hoje se encontram presas o direito de aguardar o julgamento em liberdade. Pelas estimativas do Departamento Penitenciário Nacional, o sistema prisional tem um déficit de 180 mil vagas e, das 450 mil pessoas encarceradas, 44% se encontram em prisão provisória.
Para muitos promotores e juízes criminais, contudo, com a entrada em vigor da Lei n.º 12.403/11 o Brasil estaria na contramão da história, pois a maioria dos países vem adotando leis mais severas para combater a criminalidade. Eles também afirmam que a lei comprometerá a segurança pública. Tendo sido concebida com o objetivo de diminuir os gastos do Executivo com o sistema prisional e reduzir as pressões para a construção de novos estabelecimentos penais, ela vai devolver às ruas cerca de 100 mil presos nas próximas semanas - e, como a taxa de reincidência criminal no País se situa em torno de 70%, isso pode aumentar a violência, além de reforçar o sentimento de impunidade. "A pessoa que é presa e colocada imediatamente em liberdade desacredita o trabalho da polícia", diz Marcelo Rovere, promotor do 1.º Tribunal do Júri da capital.
A modernização do CPP era uma antiga aspiração do Ministério Público e da Justiça - e muitas foram as sugestões encaminhadas pelas duas instituições ao Legislativo, durante a tramitação do projeto que resultou na Lei n.º 12.403/11. Infelizmente, o viés econômico acabou prevalecendo, por causa das pressões do Executivo, e os riscos que a nova lei pode trazer para a segurança da população não devem ser subestimados.
Os gays e a paranoia do mundo
Arnaldo Jabor para O Estado de S.Paulo
As recentes "paradas gay" surpreendem - nunca pensamos que houvesse tanta gente "dentro do armário". São milhões pelas avenidas, atacados depois por evangélicos e caretas em geral, que criticam a falta de pudor.
Será ilusão ou estatística? Antes, havia três ou quatro homossexuais declarados no Brasil.
Diziam: "Fulano é "mulherzinha", ou sicrano é "pederasta" ou ainda beltrano é fresco, fruta, maricas, invertido, perobo, tia e: veado (ou "viado"?) Creio que foi Millôr Fernandes quem escreveu uma vez que "quem escreve "veado" em vez de "viado" é viado. Acho a melhor palavra para definir "homossexual" em português, apesar dos traços pejorativos do nome.
Mas, por que "gay", que também revela sutilmente uma "finesse" falsa, um eufemismo em inglês meio preconceituoso? "Gay" é originalmente "alegre", o que também é uma denegação do sofrimento que tiveram (e têm) de enfrentar.
Viado é uma doce palavra brasileira e devia ser assumida como oficial. "Sexo, por favor?" "Viado", responde a "santa".
Há muito tempo, procurei a origem da palavra que tanto inquieta o macho brasileiro. Cheguei uma vez a telefonar para Antônio Houaiss, que me disse que talvez a origem venha do particípio passado do verbo venari em latim (que significa "caçar", ou seja, venatus, o "caçado").
Esta palavra já descrevia o "corço" desde o século 13, mas o sentido de pederasta passivo surge com o carioca do século 20, talvez, me aventou o Houaiss, pelo fato de que o corço é seduzido pela corça, sendo portanto um macho passivo. Veado é a grafia certa, mas tira da palavra sua conotação sexual. Houaiss me autorizou a usar "viado".
Esta palavra me transtorna desde pequeno.
Lembro-me de que, na rua da infância profunda do Rio, escutei pela primeira vez: "Fulano é viado!" Senti que era um rótulo apavorante e antes mesmo de saber o que era aquilo, era necessário não ser "viado". Era inquietante ver indícios na minha infância: garotinhos que davam atrás do muro, um fremir de medo diante da violência do futebol de rua, uma alvura de nádegas nos cantos de quintal, era o pecado nascente nos subúrbios dos anos 50, quando tudo era pecado - gravidez solteira era uma espécie de doença venérea que as mulheres podiam pegar.
Havia outros palavrões, claro, que íamos descobrindo. "Puta", por exemplo, carregava uma pecha brutal, mas pelo menos tinha contornos visíveis. Puta era supergráfica. Uma mulher era "puta" ou não era. Qualquer uma podia ser, menos a mãe da gente, claro. "Viado", não. "Viado" tinha uma sombra de ambiguidade, um quê de duplo, um desequilíbrio que assustava.
Acho que aprendi da complexidade da vida com a palavra "viado". A palavra dava medo, porque nos fazia perder a identidade; não seríamos nem homem nem mulher. Viado era o ser dividido. Viado era o mistério.
Isso me ensinou que não havia apenas o pai e a mãe; havia uma terceira coisa mais além, mais perigosa. Aprendi que a vida não era simples como pensávamos, que corríamos o risco de cair no mundo terrível de "Amélia", um mendigo viado que fazia trejeitos com os olhos pintados que, diziam, tinha dado mijo à mãe doente que lhe pedira água e, por isso,
As recentes "paradas gay" surpreendem - nunca pensamos que houvesse tanta gente "dentro do armário". São milhões pelas avenidas, atacados depois por evangélicos e caretas em geral, que criticam a falta de pudor.
Será ilusão ou estatística? Antes, havia três ou quatro homossexuais declarados no Brasil.
Diziam: "Fulano é "mulherzinha", ou sicrano é "pederasta" ou ainda beltrano é fresco, fruta, maricas, invertido, perobo, tia e: veado (ou "viado"?) Creio que foi Millôr Fernandes quem escreveu uma vez que "quem escreve "veado" em vez de "viado" é viado. Acho a melhor palavra para definir "homossexual" em português, apesar dos traços pejorativos do nome.
Mas, por que "gay", que também revela sutilmente uma "finesse" falsa, um eufemismo em inglês meio preconceituoso? "Gay" é originalmente "alegre", o que também é uma denegação do sofrimento que tiveram (e têm) de enfrentar.
Viado é uma doce palavra brasileira e devia ser assumida como oficial. "Sexo, por favor?" "Viado", responde a "santa".
Há muito tempo, procurei a origem da palavra que tanto inquieta o macho brasileiro. Cheguei uma vez a telefonar para Antônio Houaiss, que me disse que talvez a origem venha do particípio passado do verbo venari em latim (que significa "caçar", ou seja, venatus, o "caçado").
Esta palavra já descrevia o "corço" desde o século 13, mas o sentido de pederasta passivo surge com o carioca do século 20, talvez, me aventou o Houaiss, pelo fato de que o corço é seduzido pela corça, sendo portanto um macho passivo. Veado é a grafia certa, mas tira da palavra sua conotação sexual. Houaiss me autorizou a usar "viado".
Esta palavra me transtorna desde pequeno.
Lembro-me de que, na rua da infância profunda do Rio, escutei pela primeira vez: "Fulano é viado!" Senti que era um rótulo apavorante e antes mesmo de saber o que era aquilo, era necessário não ser "viado". Era inquietante ver indícios na minha infância: garotinhos que davam atrás do muro, um fremir de medo diante da violência do futebol de rua, uma alvura de nádegas nos cantos de quintal, era o pecado nascente nos subúrbios dos anos 50, quando tudo era pecado - gravidez solteira era uma espécie de doença venérea que as mulheres podiam pegar.
Havia outros palavrões, claro, que íamos descobrindo. "Puta", por exemplo, carregava uma pecha brutal, mas pelo menos tinha contornos visíveis. Puta era supergráfica. Uma mulher era "puta" ou não era. Qualquer uma podia ser, menos a mãe da gente, claro. "Viado", não. "Viado" tinha uma sombra de ambiguidade, um quê de duplo, um desequilíbrio que assustava.
Acho que aprendi da complexidade da vida com a palavra "viado". A palavra dava medo, porque nos fazia perder a identidade; não seríamos nem homem nem mulher. Viado era o ser dividido. Viado era o mistério.
Isso me ensinou que não havia apenas o pai e a mãe; havia uma terceira coisa mais além, mais perigosa. Aprendi que a vida não era simples como pensávamos, que corríamos o risco de cair no mundo terrível de "Amélia", um mendigo viado que fazia trejeitos com os olhos pintados que, diziam, tinha dado mijo à mãe doente que lhe pedira água e, por isso,
Aniversário
Rádio Rural de Santarém, 47 anos
Hoje a Rádio Rural de Santarém comemora 47 anos de vida.
Quem já teve oportunidade de viver bem no interior onde as comunicações são ainda deficitárias, sabe da importância de uma Rádio Rural.
Através do seu Diretor, Padre Edilberto Sena, transmitimos os nossos sinceros parabéns, e que sua audiência e importância social se fortaleçam cada dia mais.
Hoje a Rádio Rural de Santarém comemora 47 anos de vida.
Quem já teve oportunidade de viver bem no interior onde as comunicações são ainda deficitárias, sabe da importância de uma Rádio Rural.
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Pinhão-manso
Embrapa identifica pinhão-manso atóxico
Dia de Campo na TV mostra que a torta de pinhão-manso atóxica pode ser utilizada na alimentação animal .
A Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) identifica variedade de pinhão-manso (Jatropha curcas) atóxica que pode ser utilizada na alimentação animal.
A pesquisa com os testes da variedade de pinhão-manso desenvolvida pela Unidade, começa no campo experimental, passa pelo laboratório e termina na fazenda da Universidade de Brasília. É lá que animais selecionados foram submetidos aos testes com a nova ração alimentar.
No quadro Sempre em Dia que vai ao ar no programa Dia de Campo na TV, produzido pela Embrapa Informação Tecnológ ica, você vai saber mais sobre os novos testes que estão sendo feitos com a espécie e que vantagens o pequeno produtor poderá ter com o pinhão-manso na alimentação animal.
No programa, Simone Mendonça, pesquisadora da Embrapa Agroenergia, responsável pelo experimento, explica o processo. A torta produzida a partir da variedade atóxica foi usada na preparação de rações, com adição de 20, 40 e 60%, em substituição ao farelo de soja, que é o concentrado de referência como fonte protéica.
“O resultado desse experimento foi bastante animador. Os animais apresentaram ganhos de peso e qualidade de carcaça semelhantes aos obtidos com o concentrado de soja, comprovando a aceitação dos animais por esta nova mistura”, destaca Mendonça.
O pinhão-manso é uma espécie bastante pesquisada em todo o mundo pelo que apresenta como alternativa na produção de biodiesel. A torta, que é o resíduo da extração do óleo, não podia ser usada na alimentação de animais devido à presença de substancia tóxicas.
Com essa descoberta a torta dessa oleaginosa pode ser utilizada em rações, o que aumenta
o potencial da cultura.
“Para a cadeia do biodiesel ser sustentável nós precisamos utilizar todas as partes da planta, tanto o óleo quanto os resíduos gerados”.
Melhor logística portuária
Cargill ganha ligação de armazém para o Porto de Paranaguá
Depois de comunicar o governo do Paraná que irá investir cerca de R$ 1,2 bilhão em uma nova fábrica, destinada ao processamento de milho, no estado, a Cargill obteve da América Latina Logística (ALL) a confirmação da implantação de uma nova extensão da linha férrea dentro do Pátio Desvio Ribas, em Ponta Grossa, no Paraná. A linha vai permitir a ligação do armazém da Cargill (antiga instalação da empresa Pedro Viana, na BR-376) ao Porto de Paranaguá e o transporte de milho e soja pela malha ferroviária.
De acordo com a Cargill, o trecho irá possibilitar que sejam transportados aproximadamente 200 mil toneladas de grãos por ano. A empresa não revelou o valor do contrato, mas a ALL informou que só em obras serão investidos R$ 320 mil.
"O objetivo da ampliação é viabilizar o carregamento de grãos da Cargill para o Porto de Paranaguá", informa a nota. A conclusão está prevista para julho.
No mês passado, a Cargill anunciou que escolheu o Paraná para implantar mais uma fábrica. No entanto, continua fazendo sigilo em torno do nome do município que receberá o investimento.
O que se sabe é que Ponta Grossa e Castro estão disputando a indústria, bem como Maringá, Londrina e Guarapuava.
A briga para receber a unidade pode ser explicada pelo valor que será investido: R$ 1,2 bilhão. Do total, R$ 350 milhões virão da Cargill e o restante de seis empresas - chamadas satélites. Elas irão receber e enviar subprodutos do processo produtivo da Cargill.
Em nota distribuída para a imprensa, a Cargill explicou que a nova fábrica será destinada para o processamento de milho no Brasil. O material será usado na produção de soluções em amidos e adoçantes.
O investimento é necessário "para acompanhar o crescimento da demanda de clientes no País, o que representará um aumento de 30% na capacidade de moagem de milho da empresa para a América do Sul", informou. A empresa anunciou ainda que a planta fabril deve entrar em operação em 2013.
Pelo projeto, a indústria pode contar ainda com uma linha dedicada a novos ingredientes, derivados de milho, alguns totalmente inovadores para o mercado brasileiro.
Em Ponta Grossa, a Cargill analisa uma proposta de compra de uma área de 2,5 milhões de metros quadrados. Trata-se de uma propriedade rural. Já, em Castro, o prefeito Moacir Fadel diz apenas que a direção da empresa visitou vários terrenos, mas não fez indicações. O último contato entre o prefeito Pedro Wosgrau Filho e os diretores da multinacional aconteceu há menos de 10 dias.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Para pensar .....
Adriana Setti(*)
No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.
Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.
Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.
Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.
Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.
Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves, tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).
Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.
Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).
É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte do savoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.
PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil
(*) Jornalista brasileira e que reside em Barcelona na Espanha
Nova fronteira agrícola
Nova fronteira agrícola do Brasil está no Centro-Nordeste
Ministério da Agricultura e Embrapa prevêem aumento de área cultivada e produção na região localizada em áreas limítrofes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Na próxima década, muitos produtores de grãos vão preferir cultivar suas lavouras na região localizada entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – denominada de Matopiba – devido aos baixos preços de terra.
A tendência consta do estudo “Brasil – Projeções do Agronegócio 2010/2011 a 2020/2021”, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O estudo prevê aumento anual de 2,2% na produção da região entre 2010 e 2021, correspondente ao crescimento projetado de 13,3 milhões de toneladas de grãos da safra atual para 16,6 milhões de toneladas no início da próxima década.
A área plantada de grãos dessa região do Matopiba terá taxa de crescimento anual de 1,5% entre 2011 e 2021, passando de 6,4 milhões de hectares para 7,5 milhões de hectares.
“A região de Matopiba é bastante produtiva. Provavelmente o volume produzido deve ultrapassar as expectativas, alcançando 20 milhões de toneladas de grãos, com uma área de cultivo correspondente a 10 milhões de hectares”, estima o coordenador da Assessoria de Gestão Estratégica, José Gasques, responsável pela apresentação do estudo.
Quanto às projeções de outros estados, o relatório indica que Goiás terá o maior aumento da produção de cana-de-açúcar (42,1%) na próxima década, sobre volume pouco expressivo atualmente. A variação corresponde a 74 milhões de toneladas em 2021, em comparação aos 52 milhões de toneladas produzidas na safra 2010.
São Paulo permanecerá como o maior produtor nacional de cana-de-açúcar, ampliando a produção de 441,8 milhões de toneladas, na safra passada, para 574,4 milhões de toneladas em uma década, um crescimento de 30%. As estimativas referem-se à produção de cana de açúcar para todos os fins, não apenas para a produção de açúcar e álcool. A área de cultivo saltará de 5,2 milhões de hectares para 6,7 milhões hectar es.
Mato Grosso responderá pela maior produção de soja grão e de milho do país. Hoje, o estado produz 20,2 milhões de toneladas de soja grão. O volume deve aumentar para 25,7 milhões de toneladas. A estimativa de crescimento é de 27,22%. “A área plantada deve saltar dos atuais 6,6 milhões de hectares para 8,4 milhões de hectares”, calcula Gasques. Quanto ao milho, a produção do Mato Grosso aumentará de 9 milhões de toneladas na última safra para 12 milhões de toneladas no início da próxima década. A área de cultivo desse grão deve crescer 25%, saltando de 2 milhões de hectares em 2010 para 2,5 milhões de hectares em 2021.
O Rio Grande do Sul deve manter-se como líder na produção de arroz na próxima década. Hoje, o estado responde por 64% da produção nacional do grão, que deverá crescer 23,6% em dez anos. Atualmente, o volume produzido é de 8 milhões de toneladas, com previsão de alcançar os 10 milhões de toneladas nos próximos dez anos.
Alimentos
Preços de alimentos tendem a aumentar nos próximos anos
Ao contrário do que aconteceu ao longo do século 20, alta de alimentos será crescente nos próximos anos. A alta dos preços dos alimentos, fenômeno que tem provocado preocupações em vários países, tende a se manter nos próximos anos.
Essa previsão, apontada em estudos internacionais, também consta do relatório “Brasil – Projeções do Agronegócio 2010/2011 a 2020/22021”, elaborado pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com a Embrapa.
O coordenador de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques, diz que o aumento nos preços dos alimentos deve-se a vários fatores, como crescimento de renda dos brasileiros, aumento populacional, baixos estoques e, principalmente, devido às mudanças climáticas em alguns países.
Para equilibrar a inflação dos preços, evitando mais ainda o aumento nos próximos anos, Gasques afirma que o “governo deve monitorar a liberação de estoques e, no médio prazo, aumentar a oferta”. O órgão de pesquisas International Food Policy Research Institute (IFPRI), dos Estados Unidos, prevê que, ao contrário do que ocorreu no século 20, quando os preços agrícolas foram decrescentes, os cenários atuais apontam preços crescentes entre 2010 e 2050.
Para o IFPRI, preços em elevação sinalizam a existência de desequilíbrios entre oferta e demanda.
A crescente escassez de recursos, provocados inclusive por fatores relacionados à demanda – como renda e crescimento da população – e mesmo à oferta, como a redução da produtividade devido a mudanças climáticas, deve colocar os preços dos alimentos em patamares elevados pelos próximos anos.
No Brasil, em 2010 e início de 2011, os preços de diversos produtos agrícolas situaram-se muito acima dos níveis históricos.
O preço nominal levantado pelo Cepea/USP para o açúcar, na média da safra 2010/2011, é 107,6% superior ao preço histórico.
Já o preço do café situa-se em nível 54,3% superior, enquanto o preço do boi é 63% maior e o da soja, 28,5% mais alto.
Informação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Fábula Brasiliana
Anselmo Cordeiro
Blog Net 7 Mares (net7mares.blogspot.com)A raposa, em solene juramento,
Adotou o modelo gramsciano:
Pra não vir a cometer outro engano,
Abjurou armas e enfrentamento.
A raposa nutria um velho plano
De, com a ajuda d'outros velhos chacais,
Dividir todo o Brasil em quintais,
Pra, sozinha, ser a dona do afano.
Mas um lobo, vestido de cordeiro,
Que mandava há mais tempo no terreiro,
Gozando das benesses colossais,
Disse à fera: "Cheguei aqui primeiro.
Vou lhe dar a guarda do galinheiro,
Mas só eu sou o rei dos "animais
Redivisão do Estado do Pará
O jornal "O Liberal" de Belém encomendou uma pesquisa junto ao Vox Populi a respeito da redivisão do Estado do Pará.
O resultado fornecido nesse último domingo foi:
42% são contra
37% a favor
22% estão indecisos
Pesquisa realizada entre 18 e 22 de junho em Belém e mais 58 município e foram ouvidas 1.200 pessoas.
Como há uma margem de erro de 2,8% para cima ou para baixo pode-se concluir que há um empate técnico .
O resultado fornecido nesse último domingo foi:
42% são contra
37% a favor
22% estão indecisos
Pesquisa realizada entre 18 e 22 de junho em Belém e mais 58 município e foram ouvidas 1.200 pessoas.
Como há uma margem de erro de 2,8% para cima ou para baixo pode-se concluir que há um empate técnico .
Fonte da juventude
Cientista prevê a "cura" do envelhecimento
Terra-Notícias
Se as previsões de Aubrey de Grey estiverem certas, a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu. E a primeira pessoa a viver até os mil anos pode demorar menos de 20 anos para nascer.
Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para "curar" o envelhecimento ¿ extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.
"Eu diria que temos uma chance de 50% de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain's Royal Institution, uma academia britânica de ciências.
"E por 'decisivo' quero dizer o mesmo tipo de controle médico que temos sobre a maioria das doenças infecciosas hoje", acrescentou. De Grey antevê uma época em que as pessoas irão ao médico para uma "manutenção" regular, o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulação imunológica e várias outras técnicas avançadas.
Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.
Não se sabe exatamente como a expectativa de vida vai se comportar no futuro, mas a tendência é clara. Atualmente, ela cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas preveem que haverá 1 milhão de pessoas centenárias no mundo até 2030.
Só no Japão já há mais de 44 mil centenários, e a pessoa mais longeva já registrada no mundo foi até os 122 anos. Mas alguns pesquisadores argumentam que a epidemia de obesidade, espalhando-se agora dos países desenvolvidos para o mundo em desenvolvimento, poderá afetar a tendência de longevidade.
As ideias de De Grey podem parecer ambiciosas demais, mas em 2005 o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) ofereceu um prêmio de 20 mil dólares para qualquer biólogo molecular que provasse que as teorias da Fundação Sens são "tão erradas que nem são dignas de um debate bem informado". Ninguém levou a bolada.
O prêmio foi instituído depois que um grupo de nove cientistas influentes atacou as teorias de Grey, qualificando-as de "pseudociência". Os jurados concluíram que o rótulo não era justo, e argumentaram que o Sens "existe em um meio termo de ideias ainda não testadas que algumas pessoas podem considerar intrigantes, mas das quais outras estão livres para duvidar."
Terra-Notícias
Se as previsões de Aubrey de Grey estiverem certas, a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu. E a primeira pessoa a viver até os mil anos pode demorar menos de 20 anos para nascer.
Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para "curar" o envelhecimento ¿ extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.
"Eu diria que temos uma chance de 50% de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain's Royal Institution, uma academia britânica de ciências.
"E por 'decisivo' quero dizer o mesmo tipo de controle médico que temos sobre a maioria das doenças infecciosas hoje", acrescentou. De Grey antevê uma época em que as pessoas irão ao médico para uma "manutenção" regular, o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulação imunológica e várias outras técnicas avançadas.
Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.
Não se sabe exatamente como a expectativa de vida vai se comportar no futuro, mas a tendência é clara. Atualmente, ela cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas preveem que haverá 1 milhão de pessoas centenárias no mundo até 2030.
Só no Japão já há mais de 44 mil centenários, e a pessoa mais longeva já registrada no mundo foi até os 122 anos. Mas alguns pesquisadores argumentam que a epidemia de obesidade, espalhando-se agora dos países desenvolvidos para o mundo em desenvolvimento, poderá afetar a tendência de longevidade.
As ideias de De Grey podem parecer ambiciosas demais, mas em 2005 o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) ofereceu um prêmio de 20 mil dólares para qualquer biólogo molecular que provasse que as teorias da Fundação Sens são "tão erradas que nem são dignas de um debate bem informado". Ninguém levou a bolada.
O prêmio foi instituído depois que um grupo de nove cientistas influentes atacou as teorias de Grey, qualificando-as de "pseudociência". Os jurados concluíram que o rótulo não era justo, e argumentaram que o Sens "existe em um meio termo de ideias ainda não testadas que algumas pessoas podem considerar intrigantes, mas das quais outras estão livres para duvidar."
Novelas atuais
"As novelas têm repetido suas fórmulas com elenco diferente", diz Regina Duarte sobre a teledramaturgia atual
Uol Noticias
Na TV há 46 anos, Regina Duarte, de 64, sabe que não é fácil fazer novela de sucesso. Em entrevista ao portal UOL, a atriz – que está no ar na reprise da novela “Vale Tudo”, do canal Viva, e poderá ser vista, em breve, em “Roque Santeiro”, também do canal Viva, e “O Astro”, da Globo – diz que a teledramaturgia sofreu um desgaste natural, mas, apesar disso, ainda defende o gênero. “De vez em quando vem um ‘Cordel Encantado’, uma ‘A Favorita’, mas em geral as novelas têm repetido suas fórmulas com elenco diferente”, afirma.
Para ela, faz parte do processo de evolução da teledramaturgia patinar de vez em quando e, de repente, ter um avanço criativo extraordinário. “Não dá para querer estar sempre fazendo sucesso. Nunca foi assim. Quantas novelas foram feitas e que nunca vão virar remake? É humano acertar e errar, é o que a gente faz o tempo todo”, argumenta ela, confessando, contudo, que tem se surpreendido com a audiência de “Vale Tudo”. “A repercussão é enorme. É como se eu estivesse no ar na novela das nove”, afirma, aos risos.
Em “O Astro”, que estreia dia 12 de julho, Regina vai dar vida à fútil e fofoqueira Clô Hayalla, papel que coube à atriz Tereza Rachel no folhetim homônimo exibido em 1977 na emissora. Para encarnar a perua, ela revela que perdeu três quilos e meio. “Quis emagrecer porque a Clô é uma mulher elegante. E o rosto mais fino fotografa melhor”, justifica.
Na história, adaptada da obra de Janete Clair, Clô é casada com o poderoso Salomão Hayalla (Daniel Filho), que só pensa em trabalho e não liga a mínima para ela. Além de ter de lidar com a indiferença do marido, a dondoca ainda tem problemas com o único filho, Márcio (Thiago Fragoso), que apesar de milionário, é completamente desapegado de seus bens materiais.
Para fugir dessa realidade, a personagem começa a ter um caso com o jovem e ambicioso Felipe Cerqueira (Henri Castelli). “Ela trai porque quer se vingar do abandono em que se encontra em função do descaso e da agressividade, dos maus-tratos do marido”, adianta Regina, acrescentando que, ao contrário de Clô, não se interessaria por um homem muito mais novo do que ela. “Não faz a minha cabeça. Já fui casada com uma pessoa dez anos mais nova que eu, mas sempre me senti mais nova que ele”, conta, às gargalhadas.
Uol Noticias
Na TV há 46 anos, Regina Duarte, de 64, sabe que não é fácil fazer novela de sucesso. Em entrevista ao portal UOL, a atriz – que está no ar na reprise da novela “Vale Tudo”, do canal Viva, e poderá ser vista, em breve, em “Roque Santeiro”, também do canal Viva, e “O Astro”, da Globo – diz que a teledramaturgia sofreu um desgaste natural, mas, apesar disso, ainda defende o gênero. “De vez em quando vem um ‘Cordel Encantado’, uma ‘A Favorita’, mas em geral as novelas têm repetido suas fórmulas com elenco diferente”, afirma.
Para ela, faz parte do processo de evolução da teledramaturgia patinar de vez em quando e, de repente, ter um avanço criativo extraordinário. “Não dá para querer estar sempre fazendo sucesso. Nunca foi assim. Quantas novelas foram feitas e que nunca vão virar remake? É humano acertar e errar, é o que a gente faz o tempo todo”, argumenta ela, confessando, contudo, que tem se surpreendido com a audiência de “Vale Tudo”. “A repercussão é enorme. É como se eu estivesse no ar na novela das nove”, afirma, aos risos.
Em “O Astro”, que estreia dia 12 de julho, Regina vai dar vida à fútil e fofoqueira Clô Hayalla, papel que coube à atriz Tereza Rachel no folhetim homônimo exibido em 1977 na emissora. Para encarnar a perua, ela revela que perdeu três quilos e meio. “Quis emagrecer porque a Clô é uma mulher elegante. E o rosto mais fino fotografa melhor”, justifica.
Na história, adaptada da obra de Janete Clair, Clô é casada com o poderoso Salomão Hayalla (Daniel Filho), que só pensa em trabalho e não liga a mínima para ela. Além de ter de lidar com a indiferença do marido, a dondoca ainda tem problemas com o único filho, Márcio (Thiago Fragoso), que apesar de milionário, é completamente desapegado de seus bens materiais.
Para fugir dessa realidade, a personagem começa a ter um caso com o jovem e ambicioso Felipe Cerqueira (Henri Castelli). “Ela trai porque quer se vingar do abandono em que se encontra em função do descaso e da agressividade, dos maus-tratos do marido”, adianta Regina, acrescentando que, ao contrário de Clô, não se interessaria por um homem muito mais novo do que ela. “Não faz a minha cabeça. Já fui casada com uma pessoa dez anos mais nova que eu, mas sempre me senti mais nova que ele”, conta, às gargalhadas.
Um político singular
Opinião do Estadão
Itamar Franco entra para a história como figura absolutamente singular. Nenhum outro presidente brasileiro fez tanto, em tão pouco tempo, em condições políticas e econômicas tão difíceis e sem violar uma única regra democrática. Derrubado o presidente Collor, em dezembro de 1992, ele assumiu o posto no meio de uma crise gravíssima, com a administração federal em frangalhos, a economia devastada por uma inflação sem freios e o País sem crédito. Jamais seria censurado se apenas mantivesse o Brasil funcionando e entregasse a faixa, dois anos depois, a um sucessor com capital político suficiente para enfrentar as tarefas mais duras. Mas seu roteiro foi outro. Quando ele deixou o posto, a hiperinflação havia sido vencida e o governo executava o mais criativo e bem-sucedido plano de estabilização econômica posto em prática no Brasil. Mas era preciso consolidar a conquista e o ministro encarregado de comandar a elaboração e a implantação do plano foi seu sucessor.
Coragem, clareza e simplicidade nas ações políticas marcaram sua passagem pela Presidência. Ao iniciar o mandato, pediu a demissão de todos os ministros e recompôs o primeiro escalão segundo seu julgamento. Em 1993 entregou o Ministério da Fazenda a um sociólogo famoso, com passagem pelo Senado e pelo Itamaraty, mas nenhuma experiência na administração econômica. Foi o primeiro passo para a elaboração do Plano Real, o controle da moeda e a reforma das finanças públicas.
Itamar levou para a chefia da Casa Civil um respeitado funcionário da Câmara dos Deputados, Henrique Hargreaves. Acusado de irregularidades, Hargreaves deixou o cargo, em acordo com o presidente, para melhor se defender. Inocentado, reassumiu o posto. O exemplo dado por Itamar nesse episódio foi muito lembrado nos últimos oito anos quando figuras importantes do governo foram envolvidas em grandes escândalos. Mas não foi seguido. Se alguém se afastou ou foi demitido, foi só quando sua posição se tornou insustentável e perigosa para seu chefe.
Em sua última passagem pelo Senado, o ex-presidente manteve suas características bem conhecidas. Marcou presença nas atividades rotineiras do Congresso de modo firme, claro e minucioso. "Suas questões de ordem, formuladas com segura obstinação, causavam furor. Sem ele, o dia a dia do Senado - perdoem-me os colegas - fica mais banal", comentou o senador Aloysio Nunes Ferreira. Esse retalho de memória descreve com precisão o comportamento habitual de Itamar Franco.
As mesmas qualidades tornaram Itamar Franco admirável e o expuseram a críticas. Sua determinação se expressou ora como firmeza, ora como teimosia. Nem todos concordaram com seu nacionalismo às vezes fora de propósito e exacerbado. Em janeiro de 1999, em meio a grave crise cambial, Itamar, governador de Minas, declarou moratória da dívida estadual, complicando uma situação nacional já muito difícil.
Como outros ex-presidentes, Itamar permaneceu no dia a dia da política, em vez de se afastar e assumir um lugar no panteão de quem já passou pelo posto mais alto do País. Poucos teriam, tanto quanto ele, as condições morais para o papel de conselheiro e de servidor suprapartidário, reservado para funções de interesse do Estado. Mas ele permaneceu na arena política, disputou indicações, mudou de partido e não parou sequer depois de completar o mandato de governador de Minas. O Brasil, é justo reconhecer, não perdeu com isso. Ao contrário, pôde beneficiar-se de sua teimosia e de sua lisura ainda por alguns anos.
O Brasil é hoje certamente melhor do que era antes de Itamar Franco exercer a Presidência da República. A vitória contra a inflação fortaleceu a economia, abriu caminho para a redução das desigualdades e estabeleceu as bases para o crescimento seguro. Tudo isso mudou a imagem externa do Brasil e elevou o autorrespeito dos brasileiros. Os passos decisivos dessa enorme transformação foram dados em apenas dois anos, num ambiente extremamente desfavorável. Haver governado o Brasil nesse período extraordinário bastaria para construir a reputação de qualquer pessoa. Mas Itamar Franco ainda se distinguiu por algo mais: terminou a carreira de homem público teimoso, determinado e briguento sem uma única mancha em sua reputação.
Itamar Franco entra para a história como figura absolutamente singular. Nenhum outro presidente brasileiro fez tanto, em tão pouco tempo, em condições políticas e econômicas tão difíceis e sem violar uma única regra democrática. Derrubado o presidente Collor, em dezembro de 1992, ele assumiu o posto no meio de uma crise gravíssima, com a administração federal em frangalhos, a economia devastada por uma inflação sem freios e o País sem crédito. Jamais seria censurado se apenas mantivesse o Brasil funcionando e entregasse a faixa, dois anos depois, a um sucessor com capital político suficiente para enfrentar as tarefas mais duras. Mas seu roteiro foi outro. Quando ele deixou o posto, a hiperinflação havia sido vencida e o governo executava o mais criativo e bem-sucedido plano de estabilização econômica posto em prática no Brasil. Mas era preciso consolidar a conquista e o ministro encarregado de comandar a elaboração e a implantação do plano foi seu sucessor.
Coragem, clareza e simplicidade nas ações políticas marcaram sua passagem pela Presidência. Ao iniciar o mandato, pediu a demissão de todos os ministros e recompôs o primeiro escalão segundo seu julgamento. Em 1993 entregou o Ministério da Fazenda a um sociólogo famoso, com passagem pelo Senado e pelo Itamaraty, mas nenhuma experiência na administração econômica. Foi o primeiro passo para a elaboração do Plano Real, o controle da moeda e a reforma das finanças públicas.
Itamar levou para a chefia da Casa Civil um respeitado funcionário da Câmara dos Deputados, Henrique Hargreaves. Acusado de irregularidades, Hargreaves deixou o cargo, em acordo com o presidente, para melhor se defender. Inocentado, reassumiu o posto. O exemplo dado por Itamar nesse episódio foi muito lembrado nos últimos oito anos quando figuras importantes do governo foram envolvidas em grandes escândalos. Mas não foi seguido. Se alguém se afastou ou foi demitido, foi só quando sua posição se tornou insustentável e perigosa para seu chefe.
Em sua última passagem pelo Senado, o ex-presidente manteve suas características bem conhecidas. Marcou presença nas atividades rotineiras do Congresso de modo firme, claro e minucioso. "Suas questões de ordem, formuladas com segura obstinação, causavam furor. Sem ele, o dia a dia do Senado - perdoem-me os colegas - fica mais banal", comentou o senador Aloysio Nunes Ferreira. Esse retalho de memória descreve com precisão o comportamento habitual de Itamar Franco.
As mesmas qualidades tornaram Itamar Franco admirável e o expuseram a críticas. Sua determinação se expressou ora como firmeza, ora como teimosia. Nem todos concordaram com seu nacionalismo às vezes fora de propósito e exacerbado. Em janeiro de 1999, em meio a grave crise cambial, Itamar, governador de Minas, declarou moratória da dívida estadual, complicando uma situação nacional já muito difícil.
Como outros ex-presidentes, Itamar permaneceu no dia a dia da política, em vez de se afastar e assumir um lugar no panteão de quem já passou pelo posto mais alto do País. Poucos teriam, tanto quanto ele, as condições morais para o papel de conselheiro e de servidor suprapartidário, reservado para funções de interesse do Estado. Mas ele permaneceu na arena política, disputou indicações, mudou de partido e não parou sequer depois de completar o mandato de governador de Minas. O Brasil, é justo reconhecer, não perdeu com isso. Ao contrário, pôde beneficiar-se de sua teimosia e de sua lisura ainda por alguns anos.
O Brasil é hoje certamente melhor do que era antes de Itamar Franco exercer a Presidência da República. A vitória contra a inflação fortaleceu a economia, abriu caminho para a redução das desigualdades e estabeleceu as bases para o crescimento seguro. Tudo isso mudou a imagem externa do Brasil e elevou o autorrespeito dos brasileiros. Os passos decisivos dessa enorme transformação foram dados em apenas dois anos, num ambiente extremamente desfavorável. Haver governado o Brasil nesse período extraordinário bastaria para construir a reputação de qualquer pessoa. Mas Itamar Franco ainda se distinguiu por algo mais: terminou a carreira de homem público teimoso, determinado e briguento sem uma única mancha em sua reputação.
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