'Volto para São Paulo'
Em entrevista para Antero Greco do Jornal da Tarde, Luiz Felipe Scolari, Felipão, revelou seus sonhos : treinar um clube paulista em 2011 e uma seleção na Copa de 2014
“Em 2011 volto. E para São Paulo.” Luiz Felipe Scolari, campeão do mundo em 2002 e quarto colocado em 2006 ensaia o regresso ao Brasil, após exílio voluntário e regiamente pago, que começou em 2003 ao assumir a seleção portuguesa e que deve acabar em dezembro de 2010 no Bunyodkor, do Usbequistão. “É projeto familiar”, revela, em entrevista ao JT, em breve passagem por São Paulo, cidade que escolheu para ser novamente porto de chegada: “Minha mulher e meu filho mais novo topam voltar, se for para São Paulo. É para cá que viremos”, garante.
Os grandes clubes que se mexam desde já...
O desafio usbeque está a meio caminho (“Quero ajudar na expansão desse centro”), a ânsia por títulos não é o que o move atualmente (“É bom ganhar, mas já passei dessa fase”) e o momento é de curtir o que cultivou. Felipão se considera bem-amado. “Vejo que as pessoas se aproximam de mim porque gostam, e não porque sou técnico deste ou daquele time”, constata. “É carinho gratificante”, festejou, antes da homenagem que recebeu da Câmara Portuguesa de Comércio, na segunda-feira, e que o tirou por algumas horas das férias no Sul, numa viagem de bate-volta Porto Alegre-São Paulo.
“Tenho de voltar, porque não posso perder aulas na autoescola”, diverte-se. A Carteira de Habilitação venceu e, depois de dirigir no Japão, na Arábia, em Portugal, no Usbequistão, agora tem de fazer reciclagem. “São 12 horas, com todo o ritual”, comenta, com um pfff!, seguido de careta que lhe é tão característica.
Toda vez que vem ao Brasil a saudade bate, a idade provoca reflexões. Os filhos estão encaminhados (o mais velho mora e trabalha em Portugal; o mais jovem quer estudar nos EUA). Daí a vontade de interromper a fase andarilha e aquietar-se, com a mulher.
“Tenho 61 anos, com 65 deixo de ser técnico”, programa Felipão, impaciente com o desgaste provocado pela função que o consagrou. O desejo de mudança, no entanto, não significa o fim da relação com o futebol - não sairá de cena totalmente. “Poderei ter outra atividade esportiva.”
Antes de deixar lugar no banco para outros, pretende fechar carreira na Copa do Mundo de 2014. “Quero dirigir uma seleção. Qualquer uma, sem preferência, emenda, antes que se interprete o desejo como pré-candidatura a eventual substituição de Dunga.
Mas hoje assumir a “amarelinha” não é mais projeto que o incomode, como há três anos e meio. Após o Mundial da Alemanha, foi procurado por Ricardo Teixeira e recusou oferta. “Nunca mais tocamos no assunto”, explica. Nem era preciso. “A aposta no Dunga foi correta, os resultados estão aí.”

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