quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Cargos públicos cabides de emprego


Padre Edilberto Sena (*)
Uma das críticas que é feita ao atual mandato de gestão municipal de Santarém, é o excesso de secretarias, com aumento de gastos públicos.
Isso, sem um plano estratégico de desenvolvimento e gestão municipal.

Neste ano foram criadas mais seis secretarias, das quais apenas duas eram necessárias, mas todas com mais pessoal, secretário, secretária do secretário, consultores, alugueis de mais locais de identidade de
cada secretaria.

Há percepções de que boa parte dos e das secretárias não sabem ao menos elaborar um plano sério de trabalho e menos ainda competência
para administrar o setor que assumiu, já que vários foram nomeados por negociações políticas e gratidão por serviços prestados na política.
Chega-se ao final de mais um ano e as críticas e insatisfações da sociedade se manifestam. O que têm feito as mais antigas secretarias?

E as novas além de alugar prédios e buscar móveis? Com raras exceções, dão a impressão de estarem sem rumo. Por exemplo, para quem e para que tem servido as secretarias de meio ambiente e dos portos? E a secretaria de pesca? Para que foram criadas duas secretarias de agricultura?

Até hoje não se sabe por que duas secretarias para o mesmo setor. Pode-se ilustrar a falta de plano estratégico na questão agricultura no município. Na Semab só se ouve, quando se ouve, raspagem de ramais no planalto santareno, como se só ali fosse a área rural do município.
Por outro lado tem-se notícia de uma experiência pontual da secretaria de agricultura familiar, como se ela também se reduzisse a uma pequena área do município. Anunciam que 215 hectares de terras serão mecanizados, com 215 pequenos produtores usufruindo da experiência. Isto é, um hectare de cada um será trabalhado de forma mecanizada, com trator e arado. À primeira vista uma ótima experiência, se fosse dentro de um plano de
seqüenciamento, com compromisso de mais tratores e arados no próximo ano. 
Mas quem vai dirigir o trator? Quem pagará os custos dos 215 hectares a serem trabalhados? Foi feito um estudo com os beneficiários? E como está sendo feita a discussão com os milhares de outros pequenos produtores do município para um possível prolongamento da experiência nos anos seguintes?

Como será feito para aumentar a produtividade da mandioca que é um dos principais produtos cultivados pela produção familiar, mas com baixa produtividade? 
São questões cujas respostas não aparecem no público e deixam a sensação de que a experiência dos 215 hectares mecanizados, será apenas um que fazer demonstração de serviço da recém criada secretaria de agricultura familiar, sem perspectiva. E por aí se pergunta se a prefeitura tem um plano estratégico de governança para o bem da população. 
Gestão pública não é só um negócio político em vista de outras eleições. 
Não tem por finalidade o poder pelo poder continuado, é sim, um serviço ao bem comum da sociedade. É uma delegação de poder para servir, que exige competência, ética e liderança política no sentido mais amplo da política. A questão é, será que em 2010 será diferente, ou apenas mais algumas experiências aqui e acolá serão feitas para mostrar serviço? 
Ver e aguardar.

(*) Sacerdote e Diretor da Rádio Rural em Santarém

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