Eliane Cantanhêde (*)
Há uma feira de pepinos nas alianças estaduais, tanto no campo governista quanto na oposição. Em resumo, os aliados nacionais viram adversários regionais, pois há mais candidatos do que vagas, como sempre, e todos querem alianças, desde que a favor deles próprios. No foco, principalmente o PMDB e não é hora de cutucar a onça com vara curta, como faz Lula.
Em Minas, a questão é sempre crucial, porque é um Estado capaz de definir eleições presidenciais e todo cuidado é pouco. Na oposição, o risco é de, se Aécio Neves não for candidato, lavar as mãos e acabar inviabilizando a vitória de José Serra. Na seara governista, eles estão se atracando.
Fernando Pimentel e Patrus Ananias não conseguem acertar qual dos dois será candidato do PT, enquanto Hélio Costa, do PMDB, não admite a hipótese de não disputar. Lembre-se que Minas tem o maior número de votos na convenção que baterá o martelo se o PMDB vai com Dilma ou não vai com ninguém. O que ocorre ali tem inevitavelmente efeitos no tabuleiro nacional.
No Rio Grande do Sul, o lançamento da candidatura do prefeito José Fogaça pelo PMDB reembaralhou todas as cartas, isolando a tucana Yeda Crusius na sua dificílima tentativa de reeleição, impedindo um acordo PMDB-PT e, ainda por cima, segurando o PDT. O vice-prefeito é do PDT e, com a saída de Fogaça, vai ficar dois anos no segundo cargo em importância no Estado.
Na Bahia, é guerra, inclusive judicial. O governador Jaques Wagner (PT) não quer nem ouvir falar no ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), e vice-versa. Palanque junto, então, nem pensar.
Quando a coisa chega nesse nível de conflito, sempre alguém aventa a mesma saída conciliatória: o duplo palanque que, no caso baiano, seria para Dilma. Mas quem entende do riscado ri, explicando que essa é a não solução, é apenas uma forma de driblar o conflito e dar de cara com ele logo ali na frente --na campanha. Palanque duplo, na prática, não existe.
Lula conseguiu atrair o apoio do PMDB do Congresso para Dilma, mas não unir o principal partido em torno dela e muito menos fazer com que o PT, "em nome do objetivo maior", tirasse o time para ceder o campo ao adversário, ops!, aliado PMDB.
No meio disso tudo, Lula, que fez das tripas coração para salvar Sarney da degola, agora provocar os peemedebistas recuando publicamente do acordo para Michel Temer ser vice de Dilma e passando a cobrar uma lista tríplice.
Deve ter lá seus motivos, mas, se isso tende a decantar a nível nacional, ajuda a balançar ainda mais o coreto da difícil relação PT-PMDB nos Estados.
O ano de 2010 vai começar sem definições e, portanto, prometendo enormes emoções.
(*) É colunista da Folha de São Paulo , desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento.
E-mail: elianec@uol.com.br

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