Governo 'zera' pauta para Dilma
Planalto antecipa temas como reajustes salariais e articula 'enterro' de CPIs no Congresso
O empenho do Palácio do Planalto para limpar o ano eleitoral de problemas políticos e administrativos é tão grande que o governo adotou a tática de “pular 2010” no calendário das agendas de negociações polêmicas do Executivo e do Legislativo. Além de patrocinar acordos salariais com 1,4 milhão de funcionários públicos, tirando pendências e reivindicações do caminho da ministra e pré-candidata Dilma Rousseff (Casa Civil) na campanha presidencial, o governo mandou ampliar o alcance das negociações em estatais e empresas públicas.
A estratégia é negociar todos os reajustes de 2010 antes de o ano começar, ao mesmo tempo em que, no Congresso, governistas trabalham para enterrar formalmente CPIs mortas-vivas (Petrobrás, ONGs e MST) e apressar projetos que ajudam no discurso eleitoral - como os do pré-sal. Na ofensiva do Planalto, ou se fecham acordos bianuais, ou se empurram com a barriga soluções que interessam à oposição.
O governo tentou até que bancos públicos fechassem acordo conjunto para este e o próximo ano, como revela o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), de olho na data-base dos bancários, em setembro, bem às vésperas da eleição de 3 de outubro. Irritado com a recusa do Banco do Brasil em fechar 2010 agora, o ministro adverte que, se o objetivo da negativa foi pressionar o governo na reta final da campanha, os bancários não terão sucesso. “A mobilização não influenciará o resultado da eleição”.
Traduzido em cifras, o entendimento com o funcionalismo custará ao Tesouro R$ 40,15 bilhões no ano que vem. Isso sem contabilizar o aumento real do salário-mínimo, com reajuste na faixa dos 9%, e das aposentadorias - cada ponto porcentual a mais na folha da Previdência Social equivale a R$ 2 bilhões

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